Introdução
Historicamente a disputa pela primazia e pelo governo e poder da igreja sempre existiu. Nos dias apostólicos, na Idade Media e em nossos dias. A questão do poder nunca se resolveu porque o homem, essencialmente é o mesmo.
A questão do poder é o assunto mais desafiador para o líder. Poder é a capacidade de assegurar resultados desejados e de evitar aqueles não desejados. Poder é a habilidade de investir a vontade de alguém com a realidade. Assegura o que quero e previne o que não quero.
Quais são as fontes de poder?
(1) - Terrenos, propriedades, bens
(2) - Conhecimento – saber é poder
(3) - Capacidade técnica
(4) - Persuasão
(5) - Dinheiro
(6) – Informação
(7)- Posição
Nos evangelhos, vemos como a luta de poder entre os discípulos estava presente. Em Mc 9.33-34, o texto que lemos, vemos a discussão insólita e patética entre os discípulos: “Quem é o maior?”
Em Mc 10.35-45, vemos a que nível de orgulho e de ausência de ridículo, o desejo pelo poder pode atingir o coração do homem. Tiago e João pedem para que, nos céus, um esteja ao lado de Jesus, outro do outro lado.
Na Idade Média, a Igreja chegou a acreditar que poderia vender perdão de pecados (indulgência), por isto os cargos eram negociados, barganhados e negociados (sinomia). Em tempos atuais, alguns pastores criaram a tese das “primícias”, e as pessoas trazem ofertas para que os pastores orem por eles e liberem a benção.
Onde se concentra o poder, concentra-se também a disputa, a vaidade, a competição e a soberba. Para evitar este desejo de controle, o conselho local da Igreja Presbiteriana de Anápolis, decidiu que faríamos um rodízio de presbíteros e diáconos, e agora, todos passam por um ano de sabático, logo após o vencimento de seu mandato.
Neste texto, Jesus traz uma criança para o centro da discussão, apontando como o líder deve lutar pela simplicidade, humildade e pureza tão presentes na alma de uma criança.
Como Jesus lidou com o Poder?
1. Ele virou a escala de poder de cabeça para baixo. Ninguém teve maior poder que Jesus, mas ninguém frustrou mais os poderes que ele. Neste texto, ele tomou uma criança, e ensinou que “quem quer ser o primeiro, seja o último”. No Reino de Deus, destrona-se o sentimento de superioridade e a necessidade de controle. Quer ser líder? Sirva. Simplicidade é o oposto de grandeza.
Veja como Jesus virou a escala de cabeça para baixo.
1. O mundo diz: O maior de todos está enquanto o sustentam. (quantos votos, quanto dinheiro, posição) Jesus diz: Acolha o pequenino como se fosse um rei
2. O mundo diz: a grandeza está em poder incluir e excluir. (capacidade de controle). Jesus diz: recompense qualquer um que agir em meu nome.
3. O mundo diz que a grandeza está em como posso me desenvolver a mim mesmo da melhor maneira. Jesus diz que a grandeza está em sacrificar-se pelos pequeninos.
Diante disto, algumas perguntas devem ser feitas:
§ Estou entendendo o que significa servir no Reino de Deus?
§ Estou disposto a pagar o preço e a orar sempre a Deus, vigiando meu coração da vaidade e da soberba?
§ Quão grande é o meu comprometimento para com os outros?
§ Liderança da forma como Jesus a estabeleceu, é realmente um convite atraente para o meu coração?
2. Ele mostrou a autoridade de servo – Jesus mesmo se fez servo (Fp 2). Ele ensina que o primeiro deve ser servo (Lc 22.26).
Surpreende os discípulos ao se colocar aos seus pés empoeirados e lavá--los. Pedro reage violentamente a isto, talvez porque tenha entendido as implicações que isto teria para sua própria vida (Jo 13). No final deste ato, pergunta aos mesmos: “Compreendeis o que vos fiz?” (Jo 13.14). Em outras palavras: Vocês estão sabendo a natureza do meu chamado? Liderança envolve ser servo. O primeiro deve ser escravo. Não é o que se assenta à mesa à mesa, mas o que serve? Este é o princípio mestre de Jesus.
Dois mal-entendidos:
a)- Ser líder servo não quer dizer que você renuncie a sua pessoa, personalidade, ou de sua responsabilidade de liderar e tomar decisões difíceis;
b)- Liderança não quer dizer perda da capacidade crítica e de julgamento histórico.
A comunidade de Jesus é uma comunidade de servos, na qual: Os maiores servem os menores, Os últimos, servem os primeiros, Os mais poderosos, servem os menos poderosos. Jesus demonstrou: A prioridade do último lugar e a autoridade do servo.
Conclusão
Entendendo estes princípios, Josué Campanhã, faz as seguintes aplicações:
- Líderes servos se humilham e esperam que Deus os exalte. Mc 10.45 "A verdadeira grandeza e a verdadeira liderança, não se alcançam submetendo-se alguns homens ao serviço de um, mas generosamente dando-se a si mesmo ao serviço deles" (J. Oswald Sanders). O importante não é como os homens avaliam, mas como Deus nos avalia.
- Líderes servos seguem a Jesus e não a posições. Não estão preocupados com sua autoimagem, reputação ou reconhecimento, mas em glorificar a Jesus através de sua vida e ministério.
- Líderes servos renunciam seus direitos para encontrar grandeza servindo os outros. Jesus lavou os pés de seus discípulos.
- Líderes servos se arriscam a servir os outros porque confiam que Deus controla suas vidas.
- Líderes servos imitam a cristo, tomando a toalha da servidão de Jesus para satisfazer as necessidades dos outros.
- Líderes servos delegam responsabilidades e autoridade para outros a fim de atender necessidades maiores. Quando os líderes procuram fazer sozinhos esgotam a si mesmo e a seus seguidores.
- Líderes servos multiplicam sua liderança delegando responsabilidade. Como?
Ø Motivando – O fator essencial é o entusiasmo. Todas as pessoas precisam de algo que os desafie, e lhes dê sentido.
Ø Preparando – Motivação sem treinamento é como entusiasmo sem direção.
Ø Instruindo – Muitos liderados não têm direção, estão sós na sua tarefa. Isto traz aborrecimentos e frustrações. Paulo preparou a Timoteo.
Ø Mentoreando – Um mentor é alguém que guia e dirige outros em novas rotas.
Ø Avaliando - Jesus observava os outros enquanto estes o seguiam.
Ø Orando – Pedir que o poder de Deus seja derramado sobre suas vidas.
- Líderes servos conseguem trabalhar em time. Já que não estão preocupados com posições e cargos. Equipes demandam diferentes habilidades e dons. O propósito da equipe é fazer que os pontos fortes sejam eficientes e os fracos irrelevantes.
Conclusão
Paulo afirma: “Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para testemunhar o Evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Nada é mais importante que receber o aplauso dos céus.
Certo garoto, de 12 anos de idade, por causa da sua performance no violino, foi convidado a tocar numa apresentação de gala. O teatro estava lotado, e ele se saiu muito bem. Todos o aplaudiam, mas de repente, ele deixou o palco e correu para o camarim. O apresentador foi atrás dele e o encontrou abatido e perguntou o que tinha acontecido, e ele falou: “você viu aquele homem assentado no banco da frente? Ele não me aplaudiu”. E o apresentador lhe falou: “E daí? Todos os demais estão te aplaudindo”. Então ele disse: “Você sabe quem é aquele homem? Ele é meu professor de violino”.
Todos podem estar nos aplaudindo, mas se não tivermos o aplauso dos céus, corremos um sério risco no coração.
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