Introdução
Desapontamento é uma das emoções mais densas e difíceis de processar porque ele nasce justamente do colapso de uma expectativa. Ninguém se desaponta com o que não esperava; o desapontamento só existe onde houve crédito, esperança, afeto ou confiança depositados. Se existe um lugar onde o desapontamento está presente é na vida. Pelo menos quatro coisas podem tirar de nós nossa alegria, gerando profundo mal-estar:
Na vida, o desapontamento costuma se manifestar em três níveis principais:
a)- Desapontamento com pessoas: A dor de ver alguém próximo — um amigo, familiar, líder ou parceiro — agir de forma incoerente, quebrar uma promessa ou não corresponder ao respeito e à lealdade que investimos na relação. É a ferida da expectativa frustrada no chão das relações.
b)- Desapontamento com instituições e sistemas: A frustração que sentimos quando a política, a justiça, a igreja ou as organizações em que confiávamos falham em sua ética, revelando pés de barro e instabilidade moral.
c)- Desapontamento conosco mesmos: Talvez o mais silencioso e doloroso. Ocorre quando falhamos em nossos próprios padrões, quando fraquejamos diante de uma decisão ou quando a vida não tomou o rumo que planejamos.
Se quiser ficar desanimado olhe para si, se quiser ficar decepcionado olhe para os homens, mas se quiser ser salvo olhe para Jesus.
No relato do texto que lemos, o povo de Israel está lidando com uma situação aflitiva. Três dias antes experimentaram um dos maiores livramentos da história do povo de Deus ao atravessaram o mar vermelho, mas agora tem um novo desafio. Contudo, a vitória anterior não dá resposta a crise de agora. Falta água para o povo, e este povo está no deserto. É desta maravilhosa história podemos tirar algumas lições para aplicá-las em nossa vida diária:
1. Grandes vitórias podem ser seguidos de grandes decepções: “Fez Moisés partir a Israel do mar Vermelho, e saíram para o deserto de Sur; caminharam três dias no deserto e não acharam água.”
Leram com atenção? Quanto tempo depois de atravessarem o Mar Vermelho? Três dias depois: “caminharam três dias no deserto.”
Muitas vezes passamos por experiências abençoadas, mas tais experiências não nos livram de novos embates.
§ Elias teve uma vitória estupenda no Monte Carmelo, ao enfrentar as estruturas palacianas do ímpio Acabe e dos falsos profetas de Baal (1 Rs 18), mas o efeito aguardado, a conversão de Israel, não aconteceu, e no capítulo seguinte o veremos abatido, deprimido, pedindo a Deus sua morte (1 Rs 19)
§ Depois da grande libertação presenciada na destruição de Jericó, (Js 6) duas semanas depois o povo de Israel sofre uma grande derrota na cidade vizinha chamada Ai.
§ Logo após o batismo de Jesus, em Mt 3, o veremos no deserto enfrentando o diabo. (Mt 4)
§ Após a maravilhosa experiência da transfiguração, (Mt 17.1 ss) Jesus e seus discípulos lidam com um endemoninhado. (Mt 17.14 ss)
§ Após o Pentecoste (At 2, a igreja passa a ser violentamente perseguida.
Por que Deus permite estas coisas?
No texto que lemos vemos o propósito de Deus. “…lançou-a Moisés nas águas, e as águas se tornaram doces. Deu-lhes ali estatutos e uma ordenação, e ali os provou…” (Ex 15.25)
Há um antigo ditado que diz que “crente é como saco de chá, ninguém sabe o que tem dentro, enquanto não derramar água quente sobre eles.” O princípio bíblico é o mesmo encontrado na natureza: “A pressão e o fogo na altíssima temperatura é que transforma o carvão em diamante.”
2. Os maiores serviços podem ser seguidos pelo esquecimento Vs. 24
Três dias depois de Moisés ter sido “o herói”, e consolidado sua liderança atravessando o mar vermelho, sua liderança se torna profundamente questionada: Moisés, o herói, é agora o vilão. Uma semana depois do domingo de Ramos, quando Jesus ovacionado pela multidão, que dizia: “Hosana ao que vem em nome do Senhor” o povo pede para que ele seja crucificado.
É fácil ficarmos desapontados com pessoas, especialmente quando nos esforçamos para servir e para fazer o melhor, e somos esquecidos ou não temos nenhum reconhecimento do que fizemos. Precisamos aprender que o comportamento da ingratidão é ordinário e muito comum nos seres humanos.
Como Moises reage?
A. Moisés orou ao Senhor: “Então, Moisés clamou ao Senhor.” (Ex 15.25ª) Quando nos sentimos incompreendidos e achamos que as pessoas são ingratas, devemos buscar a Deus. Esta foi a primeira atitude de Moisés. Ele convida Deus para participar daquele momento de sua história.
B. Moisés ficou atento à direção de Deus – “E o Senhor lhe mostrou uma árvore” (Ex 15.25). Deus não criou, mas mostrou o que já existia. Muitas vezes a resposta para nossas dificuldades estão diante de nossos olhos, mas apenas a sabedoria de Deus poderá nos abrir os olhos para vermos aquilo que se encontra diante de nós. O verdadeiro milagre muitas vezes já foi providenciado por Deus, pelos meios naturais que ele dispõe.
C. Moisés aproveitou esta intervenção de Deus para trazer os olhos do povo novamente ao que realmente interessava. Eles precisavam aprender quem era o Deus que os conduzia.
“Deu-lhes ali estatutos e uma ordenação, e ali os provou, e disse: Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o Senhor, que te sara.” (Ex 15.25,26)
Moisés usa este momento para ensinar ao povo como deveria ser o relacionamento deles com Deus. Os israelitas precisavam aprender o que Deus esperava deles e o que Deus poderia fazer por eles. Novas experiências criam novas realidades.
D. Moisés não alimentou mágoa. “Então, chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e se acamparam junto das águas.” (Ex 15.27).
A vida continuava, e precisavam continuar andando. Precisavam chegar a Elim, no verdadeiro Oásis que Deus havia preparado. Moisés não transformou a experiência de provocação do povo de Deus em uma situação de dor e acusação. Muitos, ao passarem por oposição, tornam-se amargos, embrutecidos e críticos. A mágoa olha para trás, a preocupação olha em volta, a fé olha para cima.
3. Grandes aflições frequentemente são seguidas por grandes alegrias: “Então, chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e se acamparam junto das águas.” (Ex 15.27).
Se é certo que grandes vitórias podem ser seguidas por grandes decepções, também é certo que grandes aflições frequentemente são seguidas por grandes alegrias. Afinal, depois da luta vem a bonança. Mara estava a apenas 5 milhas de Elim. Era um Oásis, com 12 fontes e 70 palmeiras. A grande lição é que jamais uma desgraça será a última notícia.
Um dos maiores clássicos do cinema, retrata com muita fidelidade e crueza a morte de Jesus na cruz. O trabalho feito por Mel Gibson foi uma superprodução, mas o filme não conseguiu relatar, e nem era interesse do filme, uma frase maravilhosa de Isaias, quando fala do servo sofredor, referindo-se ao sacrifício de Jesus:
“Ele verá o fruto do seu penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito;
o meu servo, o justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos,
porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53.11).
Jesus suportou a cruz, porque não via o sofrimento como mero sofrimento. A cruz era redentora, salvífica. Ele sabia o que a cruz efetuaria um grande milagre na vida daqueles que viessem a crer no seu sacrifício. Ele sabia que aquele sangue que estava sendo derramado, era a apólice da vida eterna que Deus concedeu a todo que viesse a crer. Sua morte era o passaporte para a vida eterna. O seu sofrimento haveria de trazer paz, reconciliação e vida para todo aquele que nele cresse e colocasse inteiramente sua confiança na obra plena e suficiente que aquela cruz providencia.
Conclusão
Uma das maiores tragédias da humanidade ficou conhecida como “O sobrevivente dos Andes”. Quando um avião caiu no meio da neve nas cordilheiras dos Andes, e apesar de toda violência do frio, da ausência de recursos, algumas pessoas sobreviveram. O relato sobre este evento nos mostra que à medida que o tempo passava, e que não chegava ajuda, as pessoas, para sobreviver, começaram a comer a carne congelada dos que haviam morrido na queda do avião. Um dos aspectos mais lacônicos deste macabro incidente, é que a apenas 9 Km de distância fica um luxuoso parque Balneário. Estava tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe.
O relato bíblico nos mostra que Moisés gastou 40 anos pensando que era alguém, 40 anos aprendendo que não era ninguém e 40 anos descobrindo o que Deus pode fazer com um NINGUÉM. Moisés aprendeu que “a fé ri das impossibilidades”.
A estrada para o sucesso não é uma reta. Há uma curva chamado fracasso, um trevo chamado confusão, quebra-molas chamados amigos, faróis de advertência chamados de família, pneus furados chamados de estabilidade... Mas... Se você tiver um estepe chamado determinação, um motor chamado perseverança, um seguro chamado fé e um motorista chamado Jesus, você chegará ao seu porto Seguro.
Guarde o coração do cinismo: O grande perigo do desapontamento recorrente é fazer a alma se fechar, tornando-se dura, desconfiada e incapaz de amar ou confiar novamente. Separe o erro humano da soberania de Deus: Pessoas falham, sistemas ruem e planos frustram — mas os propósitos eternos de Deus e o Seu cuidado por nós permanecem intactos.