Introdução
O tema de hoje é espiritualidade integral, quando falamos de espiritualidade precisamos considerar dois aspectos:
A. Espiritualidade é um tema atraente para esta geração. O homem fala de transcendência, os filmes estão repletos de esoterismo e misticismo. Séries de streamings envolvendo duendes, bruxas, elfos, magos, estão por todo lugar. Na melhor das definições podemos dizer que esta geração não é secularizada, mas espiritualizada, ou melhor, mística.
B. Apesar da tendencia e busca por espiritualidade, nem toda espiritualidade é saudável. Muitos, são, contrárias a Deus. Balaão, o macumbeiro que foi contratado por Balaque para amaldiçoar o povo de Deus (Num 23-25), era altamente espiritualizado, mas sua espiritualidade nada tinha a ver com o Deus verdadeiro.
O misticismo pagão
Uma amiga muito querida nos relatou que antes de sua conversão, recebia a visita de um “espírito”, que se autointitulava “Jesus”, que se deitava no seu colo. Ele mostrava uma face muito atraente e doce, mas repentinamente se transformava num ser monstruoso e assustador. Outra pessoa que conhecia relatou que durante toda sua infância foi acompanhada por um duende, que se transformou no seu amigo pessoal, durante toda adolescência. Mesmo considerando o forte elemento da fantasia, não podemos descartar as dimensões malignas inerentes nestes eventos.
O misticismo nas igrejas
Não é apenas nos círculos não cristãos que determinadas formas de misticismo pagão são desenvolvidas. No meio do povo de Deus, eventualmente, determinados comportamentos místicos são, da mesma forma, estranhos a espiritualidade bíblica. Este texto de Zacarias 7 nos fala sobre disto.
Logo nos versículos iniciais vemos a situação de alguns que vieram de Betel para consultar o Senhor em Jerusalém.
“No quarto ano do rei Dario, veio a palavra do Senhor a Zacarias, no dia quarto do nono mês, que é quisleu. Quando de Betel foram enviados Sarezer, e Regém-Meleque, e seus homens, para suplicarem o favor do Senhor, perguntaram aos sacerdotes, que estavam na Casa do Senhor dos Exércitos, e aos profetas: Continuaremos nós a chorar, com jejum, no quinto mês, como temos feito por tantos anos?” (Zc 7.1-3)
Eles queriam saber se deveriam continuar na prática do jejum estabelecido para lembrarem da destruição do templo. No capítulo 8 veremos que existiam outros jejuns no calendário dos judeus: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: O jejum do quarto mês, e o do quinto, e o do sétimo, e o do décimo serão para a casa de Judá regozijo, alegria e festividades solenes; amai, pois, a verdade e a paz.” (Zc 8.19)
Aparentemente tudo estava certo nesta prática espiritual comum do povo de Israel que havia ficado na terra e não fora exilado. Eles praticavam o jejum, mas apesar de ser uma prática adotada e encorajada na Bíblia, os motivos destes rituais não eram corretos. Deus lhes responde o seguinte: “Fala a todo o povo desta terra e aos sacerdotes: Quando jejuastes e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, acaso, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim? Quando comeis e bebeis, não é para vós mesmos que comeis e bebeis?” (Zc 7.5-6).
Há um tipo de espiritualidade que desenvolvemos e a espiritualidade que Deus deseja. O jejum descrito no texto não estava relacionado a Deus, mas era religiosidade de autossatisfação. Nem sempre somos lúcidos quanto ao que Deus deseja. Basta verificar as profundas contradições religiosas da religiosidade do povo de Israel durante a vida de Jesus para verificarmos que tais equívocos podem ser reproduzidos no cotidiano.
Jesus foi hostilizado pelos religiosos, especialmente os fariseus, a seita mais firmes doutrinariamente, mas a religiosidade que praticavam era legalista e por conseguinte, discriminatória e excludente. Era uma religiosidade relacionada apenas à tradição.
Neste texto de Zacarias 7, encontraremos algumas orientações quanto a uma espiritualidade sadia, não fragmentada, não repleta de autoengano.
1. Espiritualidade centrada em Deus, não em nós- “Quando jejuastes e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, acaso, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim? Quando comeis e bebeis, não é para vós mesmos que comeis e bebeis?” (Zc 7.5-6).
Um dos grandes problemas da religiosidade é a de se tornar autocentrada. Por exemplo, na medida em que recebemos dons e Deus opera por intermédio de nós, podemos nos tornar tão vaidosos e orgulhosos que nos tornamos o centro da própria adoração. Basta observar como pregadores famosos correm o risco de uma certa “divinização”, e até mesmo se autoproclamam como pessoas especiais. Creem que as coisas acontecem por causa deles, de seu poder, e de sua oração. É fácil tirar o foco de quem Deus é e colocar o pregador como o detentor do poder. Não é o poder de Deus que faz, mas é o poder do homem que fica em evidência. Ele “manipula” o sagrado. Esta é a definição mais próxima de feitiçaria: pessoas que acham que tem o domínio sobre alguma esfera do sobrenatural.
A religiosidade cristã tem como princípio a destruição de nosso narcisismo. Por isto, “convém que ele cresça e eu diminua”, e, “se alguém se gloria, glorie-se na cruz de Cristo.” Jesus afirma: “Se alguém que vir após mim, negue-se a si mesmo e siga-me.” Não há, nos evangelhos, lugar para a autopromoção e ensimesmamento. “Não que por nós mesmos sejamos capazes de fazer alguma coisa como se partisse de nós; mas a nossa suficiência vem de Deus.” Espiritualidade cristã nos livra de nossa maior tentação: A de ficarmos em torno de nós mesmos. Quem der uma esmola para se autopromover, recebe a recompensa, não de Deus, mas do que buscava, isto é, a autopromoção. Quem ora para ser visto pelos homens, recebe os aplausos dos homens, não de Deus.
Nossa fé corre grande risco sempre que se transforma em mera formalidade. Aquelas pessoas estavam fazendo para Deus ou era apenas formalidade? Formalidade é importante, necessário e imprescindível, mas reduzir nossa vivência eclesiástica ao rito é um desserviço ao reino de Deus e ao Deus do reino. Forma não pode ter primazia sobre o conteúdo. Não podemos confundir essência com acidente, histórico com revelado, nem temporal com o eterno.
2. Uma espiritualidade firmada nas Escrituras e não em nós mesmos. “Não ouvistes vós as palavras que o Senhor pregou pelo ministério dos profetas que nos precederam, quando Jerusalém estava habitada e em paz com as suas cidades ao redor dela, e o Sul e a campina eram habitados? (...) “Eles, porém, não quiseram atender e, rebeldes, me deram as costas e ensurdeceram os ouvidos, para que não ouvissem. Sim, fizeram o seu coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos precederam; daí veio a grande ira do Senhor dos Exércitos. Visto que eu clamei, e eles não me ouviram.” (Zc 7.7;11-13)
Aqueles homens que vieram de Betel, imaginavam que o que faziam, era o que devia ser feito, ainda que estivesse implícito na prática espiritual que exerciam, um certo senso de cansaço no que faziam. Eles estavam desanimados com a prática religiosa. O profeta Zacarias afirma que eles estavam praticando o jejum, não por causa da Palavra de Deus, mas por causa deles mesmos. A prática do jejum se tornou enfadonho, cansativa, penosa. O que deveria ser uma disciplina espiritual de contrição e evolução se transforma num fardo. Não dizem: que coisa boa cumprir uma disciplina espiritual, não afirmam “que bom”, mas “até quando?”
Precisamos manter a sanidade da liderança. Não cansada, abatida e insatisfeita, mas que faz as coisas para Deus com alegria e entusiasmo. É desastroso que o que deveria ser prazeroso se transforme num fardo. A igreja não pode ser um fardo pra você...Nenhuma igreja crescerá com pessoas que consideram a igreja como um fardo. Precisamos de uma espiritualidade profunda, sadia e ao mesmo tempo, leve: Profundidade e leveza. Lamentavelmente a moda é “Pesado e raso.”
Muitas vezes devemos perguntar porque fazemos o que fazemos. Temos a dinâmica dos cultos, as práticas ascéticas, busca por santidade, devoção, liturgia pessoal e comunitária, mas isto é feito, de fato para Deus ou o centro de tudo isto somos nós mesmos?
Wayne Cordeiro, conferencista havaiano, relata que sua igreja que tem 4 mil membros, resolveu fazer um programa ao ar livre. A logística era cara, contratar palco, músicos, som, iluminação. No dia do encontro, começou a chover, e ele orava pedindo para que Deus impedisse que a chuva caísse. O evento foi um fiasco, eles perderam todo dinheiro e se sentiram muito frustrados com tanta energia desperdiçada. Ele disse que ficou zangado com Deus. Ele disse: “Oramos tanto por este evento. O Senhor podia ter misericórdia de nós e nos permitisse que pudéssemos executar o que planejamos.” E Deus lhe respondeu: “Wayne, em nenhum momento você pediu que minha presença estivesse com vocês. Se o evento acontecesse, e eu não estivesse presente, você estaria sem nenhuma crise agora.”
Esta experiência deste pastor me tem levado a pensar: “Onde está Deus em tudo que fazemos? Fazemos para nós ou para Deus? Se alguns eventos deixassem de existir, que diferença isto faria para o coração de Deus?”
O Profeta Zacarias, traz o recado de Deus. “Vocês não ouviram as palavras que o Senhor pregou pelo ministério dos profetas que nos precederam?” Eles precisavam estar atentos e deveriam retornar a Palavra de Deus. O profeta indaga: “vocês não ouviram?”
O povo daqueles dias sofria de um problema que também sofremos: “Eles, porém, não quiseram atender e, rebeldes, me deram as costas e ensurdeceram os ouvidos, para que não ouvissem.” Equação simples: Eles faziam rituais religiosos, les jejuavam, mas ter ouvidos abertos à palavra de Deus não fazia parte da sua espiritualidade. Eles queriam fazer o que eles gostavam de fazer, e não o que Deus lhes mandava fazer. O profeta continua: “Sim, fizeram o seu coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos precederam; daí veio a grande ira do Senhor dos Exércitos. Visto que eu clamei, e eles não me ouviram.” (Zc 7.12,13)
Corremos o risco de termos uma espiritualidade subjetivista. Achamos que sabemos o que deve ser feito, e que não precisamos de que Deus me oriente a fazer qualquer coisa. Numa época pós-moderna, esta atitude é muito aceita e subliminarmente aplicada. Eu creio do meu jeito, faço como acho que está certo e me faz sentir melhor. Esta é uma espiritualidade autocentrada. Para Deus não importa o que você faz, mas porque e como você faz.
Quando Moisés foi a Faraó para pedir que deixasse o povo sair para oferecer sacrifício, Faraó fez algumas propostas orientando como eles deveriam adorar. Moisés rejeitou todas elas: “Temos de ir caminho de três dias ao deserto e ofereceremos sacrifícios ao Senhor, nosso Deus, como ele nos disser.” (Ex 8.27). Nós não estabelecemos as bases do culto. É Deus quem diz como ele quer.
A espiritualidade cristã não está focada no homem, mas em Deus. Não se fundamenta naquilo que pensamos, achamos ou sentimos, mas no que Deus ensina. Nossa teologia é revelativa. O que sabemos de Deus é aquilo que ele fala de si mesmo. Por isto somos “biblical oriented”, e não “feeling oriented”. Somos orientados pela Palavra e não pelo que sentimos. Este princípio teológico é uma agressão à geração moderna que acha que a verdade vem de dentro dela, e não de fora. Nós afirmamos que a Bíblia é a única regra de fé e prática. Aquilo que devemos crer e aquilo que devemos fazer, nos é revelado nas Escrituras. Nossa forma de pensar (teologia) e nossa forma de agir (ética), tudo deve ser feito a partir da Bíblia Sagrada. Ela é inspirada, infalível, inerrante e suficiente.
3. Uma espiritualidade marcada por coerência ética – “A palavra do Senhor veio a Zacarias, dizendo: Assim falara o Senhor dos Exércitos: Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão; não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu próximo.” (Zc 7.8-10)
Não existe espiritualidade bíblica dissociada da vida, e sem os pressupostos do amor e da solidariedade. Jesus fala do juízo final, quando muitos dirão: "Senhor, em teu nome expelimos demônios, fizemos milagres, e ele lhes dirá explicitamente: "Afastai-vos de mim. vós os que praticais a iniquidade, não vos conheço." Aqueles homens eram “espirituais”, mas não era uma espiritualidade conectada ao estilo de vida orientado por Deus. Eles eram iníquos. O que estava em juízo, era a ausência de ética, de amor.
Isaias profetiza contra este tipo de espiritualidade.
“Ouvi a palavra do Senhor, vós, príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, vós, povo de Gomorra. De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? — diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.” (Is 1.10-17)
No livro de Zacarias, Deus está dizendo a mesma coisa. Ele não se agrada da iniquidade associada ao ajuntamento solene. Gestos de amor para com o próximo são expressões divinas. Ética é descrita por atos característicos:
Executai juízo Juízo contrasta com impunidade
Mostrai bondade Bondade contrasta com maldade
Mostrai misericórdia Opõe-se à indiferença
Não oprimais Opressão contrasta com liberdade
Zacarias cita os grupos minoritários e as subculturas que naqueles dias eram mais sujeitas à opressão:
-Viúva - Não havia um sistema que lembrasse das viúvas dos soldados; muitas mulheres eram desamparadas no meio das guerras o com a morte precoce dos maridos A mãe tinha que ir para o trabalho, deixando filhos e filhas desamparados.
-Estrangeiro - O judeu era xenófobo e cruel com os estrangeiros, reproduziam atitudes de povos vizinhos e o ódio racial. Ética tem nome, tem sujeito, é qualificado, não é aberta.
-Órfão – Em sistemas políticos perversos, as crianças são as mais violentadas e sofridas. Elas dependem dos outros, não sabem como se defender. A pobreza e miséria em nosso país e em tantos outros, que causa subnutrição e limita a vida das crianças, é algo que fere o coração de Deus, e deveria também ferir o nosso coração. A igreja precisa assumir a bandeira de cuidado com os pobres e desfavorecidos, com as crianças e as viúvas.
Deus está exortando seu povo a falar a verdade e executar juízo. (Zc 8.16) Eles estavam guardando o jejum do quinto mês e haviam esquecido de socorrer o órfão. Deus afirma que o jejum não fazia sentido se eles continuassem a oprimir, entretanto eles preferiam o rito e a forma, e desprezavam a ética, a justiça, o amor e a misericórdia.
Esta é a espiritualidade que perde a conexão com a vida, e se torna alheia a dor, à opressão e à miséria. Não podemos oprimir os órfãos, viúvas, estrangeiros e camuflar nossa espiritualidade com atos religiosos. Todos precisamos conhecer a realidade que nos cerca, o lugar onde Deus nos colocou e agirmos com generosidade, cuidado e solidariedade. Não se trata de partidarismo nem politicagem, mas de ocuparmos de modo santo o espaço que habitamos. Precisamos ter o coração na cidade onde estamos, no ambiente onde estamos, manifestando a graça de Deus no meio da dor e sofrimento.
4. Uma espiritualidade que desemboque em abertura de coração para Deus – “Eles, porém, não quiseram atender e, rebeldes, me deram as costas e ensurdeceram os ouvidos, para que não ouvissem. Sim, fizeram o seu coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito.” (Zc 7.11,12)
O profeta não está se dirigindo a um povo de lábios estranhos ou distante da lei de Deus, mas ao povo de Deus. A pergunta que se sobressai é a seguinte: É possível que o povo de Deus feche o seu coração para Ele? Infelizmente sim. O povo de Deus não quis atender a Deus, se tornou rebelde e lhe deu as costas endurecendo seus ouvidos, e seus corações se tornaram duros como diamante. Tudo isto revela como o povo de Deus pode se fechar e endurecer o coração para Deus. Nós não estamos isentos disto.
Por esta razão os profetas gritam: "Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes." (Joel 2.13) Joel convoca o povo de Deus ao verdadeiro arrependimento interno em vez de demonstrações exteriores de fé, cultivando uma transformação sincera, arrependimento e contrição interior diante de Deus, ao invés de apenas realizar rituais ou demonstrações superficiais de culto. Rasgar as vestes era um ato público de luto e arrependimento. Deus valoriza a sinceridade do coração sobre o "parecer" religioso. É um chamado para conversão sincera e retorno a Deus com contrição profunda.
Conclusão: Um olhar para o Evangelho
A melhor forma de desenvolver a espiritualidade cristã é olhando a vida de Cristo. Precisamos aprender com ele. Jesus nos ensinou como viver na presença do Pai, e isto revela sua transcendência, e ao mesmo tempo sua forma de viver foi profundamente encarnacional, vivendo com pessoas simples e pobres, cuidando, curando, restaurando. Jesus teve comunhão profunda com o Pai, orava constantemente, mantinha seu olhar em Deus, mantinha uma perspectiva eternal, mas ao mesmo tempo era capaz de olhar para o lado, ver a dor, ouvir o choro. Ele para socorrer a mulher hemorrágica, dá ouvidos ao choro da viúva de Naim, toca em pessoas rejeitadas como leprosos e prostitutas.
A cruz de Cristo, revela esta espiritualidade integral:
horizontalizada
A cruz de Cristo possui uma dimensão horizontal. Aponta para a necessidade de fazer o bem, praticar a justiça, cuidar das pessoas vulneráveis, ser solidário, generoso com nossos recursos, aprender a doar, servir o reino. Afinal, se alguém não ama o irmão que vê, como poderá amar a Deus, a quem não vê? Jesus foi claro: “Nisto conhecereis que sois meus discípulos, se amardes uns aos outros.” A espiritualidade cristã possui horizontalidade.
verticalizada
A cruz de Cristo também possui uma dimensão, que aponta para Deus. Na cruz Jesus estava reconciliando o pecador, afastado de Deus por causa de suas iniquidades, e trazendo perdão, redenção, remissão dos pecados. Na cruz ele tornava possível aquilo que a moral humana não é capaz de realizar. Ele morreu pelos nossos pecados para que pudéssemos ser restaurados à presença de Deus.
