“Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.” (At 19.20)
Introdução
No final desse texto encontramos uma afirmação muito significativa: “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.”
É muito importante considerar essa afirmação. Lucas não está simplesmente dizendo que a igreja crescia. Ele está dizendo que a Palavra do Senhor crescia e prevalecia. Isso significa que os acontecimentos descritos nesse texto revelam o ambiente no qual a Palavra de Deus avançou, alcançou pessoas, transformou vidas e prevaleceu sobre tudo aquilo que se opunha ao evangelho.
Por isso, quando falamos sobre crescimento da igreja, precisamos fazer uma pergunta diferente.
Não devemos perguntar apenas:
“Como podemos fazer a igreja crescer?”
Precisamos perguntar: “Que ambiente ou cultura religiosa coopera para que a Palavra do Senhor cresça e prevaleça?”
Erwin McManus afirma que o crescimento da igreja deve ser compreendido de maneira orgânica, à semelhança do crescimento de um organismo vivo.
Uma igreja saudável cresce não apenas porque desenvolve estratégias, mas porque possui dentro de si condições que favorecem o crescimento.
McManus enumera cinco condições para o crescimento orgânico:
1. Reprodução espontânea
2. Nutrição
3. Sistema equilibrado
4. Adaptação ao meio ambiente
5. Crescimento
Um organismo vivo se reproduz, precisa ser nutrido, necessita de equilíbrio, adapta-se ao ambiente e, como consequência, cresce.
Da mesma maneira, uma igreja saudável precisa estar espiritualmente viva, nutrida pela Palavra, equilibrada em suas funções, contextualizada em sua missão e preparada para crescer.
Atos 19 nos apresenta alguns elementos que formam esse ambiente propício para o crescimento.
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1. A MANIFESTAÇÃO SOBRENATURAL DE DEUS
Atos 19.11–12
O primeiro elemento que encontramos nesse texto é a manifestação sobrenatural de Deus.
Atos 19.11 afirma: “E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários.”
É importante afirmar desde o início: milagres não são o fim da vida cristã, nem o objetivo da igreja de Cristo. O centro da igreja é Cristo. A missão da igreja é anunciar o evangelho, fazer discípulos e glorificar a Deus. Mas milagres aparecem no livro de Atos como manifestações da presença e do poder de Deus, especialmente na expansão do evangelho. O livro de Atos é repleto de intervenções sobrenaturais de Deus. Deus abre portas, liberta, cura, transforma vidas, conduz seus servos e intervém de maneira extraordinária na história.
Atos 19.11 diz:
“Deus […] fazia milagres extraordinários.”
Observe quem realiza os milagres:
Deus.
Paulo é apenas o instrumento.
O poder não está no apóstolo, nem nos objetos usados. É Deus quem age.
O versículo seguinte relata que até lenços e aventais eram levados aos enfermos e eram curados.
É importante observar que estamos falando de Éfeso, uma cidade importante, sofisticada, cosmopolita e profundamente marcada pela religiosidade e pela idolatria.
E é justamente nesse ambiente que Deus manifesta o seu poder.
O evangelho não chegou a Éfeso de maneira tímida.
A Palavra entrou naquele ambiente e começou a prevalecer.
Isso nos ensina algo importante:
Não existe ambiente sofisticado demais para o poder de Deus.
O evangelho pode entrar na universidade, na cultura, na política, na arte, nos grandes centros urbanos, nas famílias e nas comunidades simples.
Onde o evangelho genuíno chega, Deus continua sendo Deus.
Não precisamos adaptar o poder de Deus à cultura.
Precisamos levar o evangelho à cultura.
Os milagres não eram o centro da mensagem de Paulo. Eles apontavam para a mensagem.
O extraordinário não substituía a Palavra; confirmava a autoridade da Palavra.
E por isso precisamos entender que o maior milagre não é uma doença desaparecer.
O maior milagre é um pecador ser alcançado pela graça, abandonar seus ídolos, arrepender-se dos seus pecados e submeter-se ao senhorio de Jesus Cristo.
Em Éfeso, Deus não estava apenas fazendo milagres extraordinários.
Deus estava estabelecendo o seu Reino.
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2. O FALSO É DESMASCARADO E A MANIPULAÇÃO DO SAGRADO FRACASSA
Atos 19.13–16
O segundo elemento que encontramos nesse ambiente propício ao crescimento da igreja é que o falso é desmascarado e as tentativas de manipulação do sagrado fracassam.
Atos 19.13–14 apresenta os filhos de um judeu chamado Ceva, descrito no texto como sumo sacerdote. Eles estavam inseridos em um ambiente profundamente religioso e místico. Éfeso era marcada pela magia, pela superstição e por diversas práticas espirituais. De repente, aqueles jovens começam a observar algo diferente acontecendo por meio do ministério de Paulo.
Eles veem pessoas sendo libertas.
Veem manifestações extraordinárias do poder de Deus.
E chegam à conclusão de que podem reproduzir aquilo através de uma fórmula.
Então dizem ao espírito maligno: “Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega.”
Perceba o problema:
Eles conheciam o nome de Jesus, mas não conheciam Jesus.
Jesus não era o Senhor deles.
Era apenas um instrumento que pretendiam utilizar.
Eles tentaram transformar o nome de Jesus em uma fórmula de poder.
A fé cristã não é magia.
A oração não é uma técnica para obrigar Deus a fazer aquilo que queremos.
O nome de Jesus não é um amuleto.
A igreja não é um lugar onde aprendemos fórmulas para controlar o mundo espiritual.
Deus não pode ser manipulado.
Os filhos de Ceva tentaram reproduzir mecanicamente aquilo que Deus estava fazendo genuinamente através de Paulo.
E o resultado foi um desastre:
“O espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, nus e feridos, fugiram daquela casa.”
Há um detalhe muito interessante no diálogo entre o espírito maligno e os filhos de Ceva.
O espírito diz:
“Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?”
Lucas utiliza dois verbos diferentes para expressar essa ideia: ginōskō, no sentido de conhecer ou reconhecer, e epistamai, no sentido de saber, reconhecer ou estar familiarizado com alguém.
O ponto é impressionante:
O mundo espiritual reconhece a autoridade de Jesus e reconhece a atuação de Paulo.
Mas, diante daqueles homens, a pergunta é devastadora:
“Mas vós, quem sois?”
Eles tinham o vocabulário certo, mas não tinham relacionamento com Cristo.
Tinham a fórmula certa, mas não tinham autoridade espiritual.
Pronunciaram o nome de Jesus, mas não estavam debaixo do senhorio de Jesus.
O diabo não se impressiona com gestos caricaturais de espiritualidade.
Não é o tom de voz.
Não são palavras mágicas.
Não é a repetição de determinadas expressões.
Não é a performance espiritual.
Não é a imitação de quem verdadeiramente serve a Deus.
Nossa autoridade não está em parecermos espirituais. Nossa autoridade está em pertencermos a Cristo.
Quando o falso é desmascarado, a verdade ganha espaço.
Quando a manipulação do sagrado fracassa, a graça de Deus é exaltada.
Quando os homens deixam de tentar usar Deus, começam verdadeiramente a se render a Deus.
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3. O CRESCIMENTO DA IGREJA ACONTECE QUANDO EXISTE UMA ESPIRITUALIDADE CONTAGIANTE
Atos 19.17 diz: “Veio temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido.”
Esse temor não é produzido artificialmente. Não é uma técnica de comunicação. Não é uma estratégia para impressionar as pessoas. Não é o resultado de uma performance religiosa. É a reação humana diante da percepção de que Deus está presente e está agindo. É aquele momento em que as pessoas olham para determinada realidade e dizem: “Aqui há algo santo. Aqui Deus está agindo.”
É uma percepção profunda da presença de Deus que produz reverência, quebrantamento e temor.
E observe o resultado:
“E o nome do Senhor Jesus era engrandecido.”
Uma espiritualidade contagiante não chama atenção para o homem. Ela engrandece o nome de Jesus.
Isso me faz lembrar de uma experiência vivida por minha mãe, no interior de Conceição do Ipanema-MG. Certa ocasião, uma criança foi trazida por uma mãe desesperada com tétano, já tendo convulsões, numa situação extremamente grave. Naquele lugar não havia hospital, não havia médico e os recursos eram praticamente inexistentes.
Minha mãe era uma mulher temente a Deus. Diante daquela situação, ela pediu às outras mulheres que orassem enquanto ela corria para preparar um emplasto, tentando fazer o que estivesse ao seu alcance para ajudar aquela criança. E, naquele contexto de absoluta limitação humana, aconteceu algo extraordinário. Deus curou aquela criança.
Foi um verdadeiro milagre. Não foi mérito da minha mãe. Não foi mérito das mulheres que oraram. Não foi mérito do emplasto.
Foi Deus quem agiu.
E aquela experiência ficou como uma lembrança profunda de que, mesmo em lugares onde os recursos humanos são limitados, os recursos de Deus nunca são limitados.
Para nós, aquilo se tornou motivo de louvor e gratidão.
É isso que vemos em Atos 19.
A presença de Deus produz algo que nenhuma estratégia consegue fabricar: temor. E o temor produz reverência. A reverência conduz à transformação. E a transformação faz com que o nome de Jesus seja engrandecido.
Talvez uma das maiores necessidades da igreja hoje não seja encontrar novas estratégias para atrair pessoas, mas recuperar uma consciência profunda de que estamos diante de um Deus santo. Não precisamos fabricar uma atmosfera espiritual. Precisamos cultivar uma vida espiritual verdadeira.
Uma igreja pode ter excelente estrutura, excelente música, excelente comunicação e excelentes programas. Mas quando a presença de Deus é percebida na vida de seu povo, existe algo que nenhuma técnica consegue reproduzir. Há temor.
E quando há temor, Jesus é engrandecido.
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4. O CRESCIMENTO DA IGREJA ACONTECE EM UM AMBIENTE DE CONFISSÃO E TRANSPARÊNCIA
Em Atos 19.18 lemos: “Muitos dos que creram vinham confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras.”
Isso revela algo extraordinário sobre aquela comunidade.
A igreja estava se tornando um lugar onde as pessoas podiam deixar de representar e começar a viver na verdade. Para que um ambiente de confissão seja construído, algumas coisas precisam acontecer:
Primeiro: a confissão exige um ambiente onde não somos destruídos pelo julgamento. A confissão pública só é possível quando existe segurança espiritual. As pessoas precisam saber que, ao confessarem seus pecados, não serão julgadas, humilhadas ou destruídas pela comunidade, mas que a confissão é fundamental para restauração, cura, liberdade.
Uma igreja saudável não é uma igreja onde ninguém pecou. É uma igreja onde o pecador pode encontrar graça para reconhecer seu pecado e caminhar em direção à restauração. Onde há medo da condenação humana, as pessoas escondem seus pecados. Onde há graça, verdade e maturidade, as pessoas conseguem confessá-los.
Segundo: o centro da confissão não é a curiosidade, mas a graça. Às vezes, as pessoas ficam mais interessadas na história do pecado do que na história da graça. Queremos saber detalhes. Queremos saber o que aconteceu. Queremos conhecer a vida anterior daquela pessoa.
Mas o centro da confissão cristã não é a curiosidade sobre aquilo que fizemos.
O centro é aquilo que Deus fez.
O evangelho não glorifica o nosso passado de pecado.
O evangelho glorifica a graça que nos alcançou no presente.
Por isso, quando alguém confessa seus pecados, a pergunta mais importante não é:
“O que você fez?”
Mas:
“O que a graça de Deus está fazendo em você?”
A confissão cristã não termina no pecado. Ela termina na graça.
Terceiro: confessamos os nossos pecados, não os pecados dos outros
O texto diz que eles estavam confessando as suas próprias obras.
É muito fácil falar sobre o pecado dos outros.
É muito mais difícil reconhecer:
“Eu pequei.”
O filho pródigo nos oferece um exemplo extraordinário.
Jesus diz que ele “caindo em si” voltou para o pai.
Ele não começou analisando o irmão, culpando o ambiente familiar, nem acusando o pai e o irmão que ficaram em casa. Não começou tentando justificar nem explicar seus pecados. Não começou apontando os erros do pai.
Ele começou reconhecendo a si mesmo.
Ele caiu em si.
Muitas vezes nós não caímos em nós mesmos.
Nós caímos nos outros.
Ficamos preocupados em confessar o pecado dos outros enquanto não enfrentamos o nosso próprio pecado.
Scott Peck chama atenção para essa dificuldade humana de reconhecer a própria culpa. Uma cultura adoecida cria mecanismos para justificar-se, transferir responsabilidades e produzir aquilo que podemos chamar de “delações premiadas”: só confessamos para fugir da penalidade da culpa, não porque reconhecemos profundamente o nosso pecado.
Muitas vezes nossas confissões são pela metade: reconhecemos aquilo que não nos custa muito, mas escondemos aquilo que realmente precisa ser confrontado.
O evangelho faz o contrário. O evangelho nos ensina a dizer: “Eu pequei.” Sem desculpas. Sem transferência de culpa. Sem maquiagem. Sem tentar construir uma imagem melhor de nós mesmos.
Foi isso que aconteceu em Éfeso.
A igreja estava crescendo porque havia um ambiente de verdade, vulnerabilidade e transparência. Não era uma comunidade construída sobre aparências. Não era uma comunidade onde todos precisavam parecer perfeitos.
Era uma comunidade onde pessoas pecadoras podiam reconhecer seus pecados porque haviam encontrado um Salvador perfeito.
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5. O CRESCIMENTO DA IGREJA ACONTECE QUANDO HÁ DECISÕES RADICAIS
Atos 19.19 diz: “Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos; e, calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil dracmas.”
O quinto elemento que encontramos nesse ambiente de crescimento é a disposição para tomar posições radicais, mesmo quando isso representa prejuízo financeiro.
Essas pessoas haviam se convertido, e a conversão produziu uma mudança concreta na maneira como elas lidavam com aquilo que anteriormente fazia parte de suas vidas.
Elas tinham livros relacionados à magia. Esses livros tinham valor econômico. Poderiam ter pensado: “Não praticaremos mais essas coisas, mas podemos guardar os livros.”
Ou:
“Vamos vender para alguém que tenha interesse. Já que não vamos mais usar, pelo menos recuperaremos parte do dinheiro que investimos.”
Mas eles fizeram algo completamente diferente: “Reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos.”
Uma ruptura radical com a religiosidade passada. Não ficaram negociando com o passado. Não ficaram apalpando, testando ou pensando: “Será que ainda posso guardar isso?” “Será que posso usar eventualmente?” “Será que isso pode continuar dentro da minha casa?”
Não.
Eles entenderam que aqueles livros representavam uma realidade da qual haviam sido libertos, marcado pelo ocultismo e feitiçaria. Precisavam ser lançados fora. Aquilo não tinha mais lugar em suas vidas.
Eles não deram seus livros para que outros pagãos continuassem suas práticas. Também não os venderam para recuperar parte do prejuízo de seus investimentos espirituais. Eles entenderam que não poderiam continuar alimentando aquilo que Deus havia chamado para abandonar.
Por isso, queimaram os livros. Isso é arrependimento. Isto aponta para uma radical mudança de opinião sobre o pecado; é mudar de direção em relação a ele.
Disposição em perder para ganhar
Eles tiveram uma perda financeira considerável. Lucas registra que o valor dos livros chegava a cinquenta mil dracmas, uma quantia extraordinariamente elevada para aquela época.
Mas fizeram uma descoberta extraordinária: não vale a pena preservar aquilo que pode comprometer aquilo que é eterno. Eles perceberam que poderiam mas ganhar algo infinitamente maior, Porque ter lucro em detrimento da alma nunca é lucro de verdade.
Jesus já havia perguntado:
“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
A pergunta daqueles cristãos não foi:
“Quanto vamos perder?”
A pergunta foi:
“O que precisamos abandonar para sermos fiéis a Cristo?”
A questão não era mais:
“Quanto esses livros valem?”
A questão era:
“Quanto vale Cristo?”
E quando Cristo é corretamente valorizado, algumas coisas que antes pareciam preciosas perdem seu valor.
Jim Elliot expressou essa verdade de maneira memorável:
“Não é tolo aquele que dá o que não pode conservar para ganhar aquilo que não pode perder.”
Essa é a lógica do evangelho.
O mundo diz:
“Conserve o máximo que puder.”
O evangelho diz:
“Entregue aquilo que precisa ser entregue para ganhar aquilo que jamais poderá ser perdido.”
Os efésios perderam livros, dinheiro e investimentos.
Mas ganharam algo infinitamente maior: A liberdade de pertencer a Cristo.
E talvez essa seja uma das grandes marcas de uma igreja que cresce de maneira saudável: ela não pergunta apenas o que pode ganhar; ela também sabe o que precisa perder.
Porque há perdas que são, na verdade, ganhos eternos.
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POR QUE O CRESCIMENTO DA IGREJA IMPORTA?
Depois de observarmos esses cinco elementos do ambiente propício para o crescimento da igreja, precisamos fazer uma pergunta fundamental:
Por que o crescimento da igreja importa?
A resposta de Atos 19 é surpreendente.
O mais importante, na verdade, não é o crescimento da igreja, uma questão estatística, número de membros, mas o fato de que tal crescimento aponta para a prevalência da Palavra de Deus.
Lucas não termina dizendo: “Assim, a igreja crescia.”
Ele diz: “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.”
Portanto, o que está em evidência não é simplesmente a estatística. O que está em evidência é a glória de Deus, a expansão do evangelho, a obra de Cristo e a salvação de vidas.
A Palavra do Senhor precisa crescer: “Assim, a palavra do Senhor crescia…”
A Palavra precisa alcançar mais pessoas. Precisa entrar em mais casas. Precisa chegar a mais famílias. Precisa alcançar novas gerações. Precisa ocupar novos espaços. E isso precisa ser celebrado.
No livro de Atos, cada vez que pessoas são alcançadas pelo evangelho, há alegria e celebração.
Conversões e batismos são acontecimentos dignos de celebração porque cada pessoa alcançada representa uma obra da graça de Deus.
A igreja precisa recuperar a capacidade de celebrar. Celebrar cada conversão. Celebrar cada batismo. Celebrar cada família restaurada. Celebrar cada pessoa que volta para Cristo. Celebrar cada vocação despertada. Celebrar cada vida transformada.
Não celebramos números simplesmente porque números são números. Celebramos pessoas porque pessoas têm valor eterno.
Quando uma pessoa é alcançada pelo evangelho, o céu está em festa e a igreja também deve se alegrar.
B. A Palavra do Senhor precisa prevalecer
Lucas não diz apenas que a Palavra crescia. Ele diz que ela “prevalecia poderosamente.”
A palavra “prevalecer” nos coloca diante de um cenário de conflito, resistência e oposição. A Palavra não estava crescendo em um ambiente neutro. Ela estava avançando contra o engano.
Contra a superstição.
Contra a magia.
Contra a idolatria.
Contra as falsas religiões.
Contra uma cultura que possuía seus próprios deuses, seus próprios valores e suas próprias práticas espirituais.
E, mesmo assim a Palavra prevalecia.
Essa é uma palavra de esperança para a igreja.
Não precisamos imaginar que o mundo receberá o evangelho sem resistência. A igreja vive em um ambiente de oposição. Mas a nossa confiança não está na força da igreja. Nossa confiança está no poder da Palavra.
A igreja não precisa vencer o mundo pela força. Ela precisa permanecer fiel à verdade. Porque a Palavra de Deus não apenas entra no ambiente. Ela prevalece no ambiente.
C. O nome de Jesus precisa ser proclamado
Há ainda uma terceira realidade. No versículo 17, Lucas diz: “E o nome do Senhor Jesus era engrandecido.”
Esse é o verdadeiro objetivo de tudo.
Não é Paulo.
Não são os milagres.
Não são os números.
Não são os livros queimados.
Não é a fama da igreja.
É Jesus.
A igreja existe para proclamar o que Cristo fez e quem Cristo é.
O que ele fez?
Redimiu pecadores.
Morreu na cruz.
Ressuscitou.
Venceu a morte.
Perdoa pecados.
Reconcilia o homem com Deus.
E quem ele é?
Ele é o Senhor.
Ele é Rei.
Ele é Salvador.
Ele é digno de toda glória, honra e adoração.
Por isso Pedro diz:
“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
Essa é a razão da existência da igreja: proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
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CONCLUSÃO
Portanto, talvez a pergunta não seja simplesmente: “Nossa igreja está crescendo?”
A pergunta mais importante é:
“A Palavra está crescendo entre nós?”
“A Palavra está prevalecendo?”
“O nome de Jesus está sendo engrandecido?”
Se a Palavra cresce, nós celebramos.
Se a Palavra prevalece, nós perseveramos.
Se o nome de Jesus é engrandecido, nós cumprimos nossa missão.
Porque, no final das contas, o objetivo não é construir uma igreja famosa. É tornar Cristo conhecido.
Não queremos simplesmente uma igreja maior.
Queremos uma igreja mais saudável, uma Palavra mais presente, um evangelho mais conhecido, vidas mais transformadas e Jesus mais glorificado.
E quando isso acontece, podemos olhar para Atos 19.20 e dizer: “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.”
Que Deus faça isso entre nós.