Introdução
O livro de Jonas não tem uma mensagem. Seu discurso contém apenas 7 palavras: “Ainda quarenta dias e Nínive será subvertida.” A importância do livro de Jonas não está na mensagem relativamente curta que ele prega, mas sim no drama vivido pela sua vida, que serve como um reflexo da natureza humana e da graça de Deus. A mensagem do livro de Jonas não é o que ele prega, mas seu comportamento, como ele age e reage. Jonas foi um profeta extremamente bem-sucedido em termos de resultados numéricos (120 mil conversões em Nínive), mas um fracasso espiritual devido à sua ambiguidade, etnocentrismo e falta de amor.
Nínive representava o extremo da violência e da maldade (os "assírios" da época), mas Deus demonstrou profundo interesse pela cidade — abrangendo desde a sua estrutura social até a sua ecologia e animais. O grande conflito de Jonas era o seu rancor contra o caráter misericordioso de Deus: ele pregava o juízo esperando a destruição, mas se irritou porque Deus, diante do arrependimento do povo, salvou e perdoou aquela cidade ímpia. O livro expõe o contraste entre o coração amoroso e incondicional de Deus e o coração estreito, preconceituoso e legalista do profeta.
Contexto
Nos dias em que Deus levantou o profeta Jonas, Israel vivia nos seus melhores momentos políticos e econômicos. Eles experimentavam o reinado próspero de Jeroboão II (786-746 a.C.) Um período de extrema prosperidade econômica e grande expansão territorial, apesar de ter sido acompanhada de uma profunda crise moral e social.
O profeta Jonas já havia profetizado em Israel antes de receber a ordem para ir a Nínive. O registro bíblico em 2 Reis 14.25 menciona que Jonas profetizou sobre a restauração das fronteiras de Israel e que o rei recuperaria territórios estratégicos que Israel havia perdido para a Síria, desde a entrada de Hamate até o mar da Arabá, o que de fato aconteceu. Jonas era natural de Gate-Héfer, uma cidade do reino do norte (Israel). A missão para ir a Nínive, capital do Império Assírio, aconteceu mais tarde, mas a Bíblia o identifica desde o início como um profeta ativo em seu próprio país.
Este boom na construção civil e a riqueza que entrava nos cofres públicos financiou grandes obras arquitetônicas, a reconstrução de palácios e a fortificação de cidades como Samaria e Megido. Um lado sombrio surgiu paralelo à riqueza: A desigualdade social e injustiça, com forte concentração de renda nas mãos de uma pequena elite, enquanto a maior parte da população camponesa empobrecia. Os juízes eram subornados nos tribunais tomando as terras dos pequenos agricultores e escravizando os endividados. Foi justamente contra essa desigualdade e falsa sensação de segurança que outros profetas contemporâneos de Jonas, como Amós e Oseias, pregaram duramente, avisando que aquela "Era de Ouro" econômica desmoronaria se a nação não mudasse de conduta.
O desafio vocacional
Jonas não tinha dificuldade com sua vocação e chamado. Ele teve dificuldade com a missão que Deus lhe deu, de pregar a um povo que ele detestava e que era ímpio e implacável. Jesus é um profeta em crise com o Deus que o envia. Um missionário em crise com o Deus das missões. Ele tem dificuldade de alinhar seu coração ao coração do Pai, e mantém uma atitude de resistência, arrogância e desobediência explicita a uma ordem dada por Deus.
O Livro de Jonas começa da seguinte forma: “Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do Senhor, para Társis.” (Jn 1.1-3ª) Veja como o texto deixa clara a sua desobediência: “Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do Senhor.” Ele não tem disposição para obedecer, mas em transgredir.
Por que ele se mostra tão pronto a dar a mensagem a Jeroboão, mas tão resistente quando Deus lhe dá a incumbência de levar a mensagem a Nínive?
Temos aqui um sério problema que sempre confronta o judaísmo, a única religião do mundo que não faz missão. Eles se entendem como o povo escolhido, por terem nascido judeus. O apóstolo Paulo discute amplamente esse tema em suas cartas. Em Romanos 9.6, ele afirma que "nem todos os que são de Israel são israelitas", e em Romanos 2.28-29, argumenta que o verdadeiro judeu/israelita é aquele que o é interiormente, por meio de uma mudança de coração operada pelo Espírito, e não apenas por rituais externos ou linhagem familiar. Para a maior parte da teologia cristã, a Igreja (composta por judeus e gentios que creem em Jesus) passa a ser vista espiritualmente como o "Israel de Deus" (Gl 6.16).
A crise do profeta está ligada à doença do Etnocentrismo, arraigado no exclusivismo judaico: A visão de um Deus tribal restrito a Israel, ignorando o plano universal divino. Jonas detestava os ninivitas, primeiro por ser uma cidade conhecida pela violência extrema que gerava repulsa; segundo, porque eram gentios, não faziam parte do povo eleito.
O etnocentrismo se manifesta quando a comunidade olha com desprezo espiritual ou repulsa para pessoas que considera diferentes ou distantes de sua cultura religiosa, como determinados grupos políticos, sociais ou culturais, acreditando inconscientemente que o evangelho não é para eles.
A perda do Evangelho
Este é um risco sempre presente na missiologia: O perigo de uma postura que se julga espiritualmente superior e hostil aos que estão fora do "círculo eleito". Não foi exatamente isto que aconteceu com Pedro quando viu o lençol descendo do céu e por três vezes rejeitou a ordem de Deus, até que Deus perdeu a paciência com ele? “Não consideres impuro aquilo que eu já purifiquei.” O etnocentrismo de Jonas está presente também na igreja, a atitude de Pedro revela claramente esta atitude de exclusão dos que não estão no círculo dos eleitos. Jonas criou uma lista dos excluídos. Ele não estava entendendo a mensagem de ir até os confins da terra. Deus perdeu a paciência com a atitude de Pedro.
Este mesmo problema atinge a igreja contemporânea. É possível criar pressupostos legalistas e definir quem é digno ou não do amor de Deus, marginalizando grupos com base em comportamento ético, visão espiritual ou estilo de vida.
Mesmo conhecendo o evangelho, podemos alimentar a tola ilusão de superioridade moral, a crença mentirosa e sutil de que fomos alcançados pela graça porque, de alguma forma, somos moralmente melhores ou superiores aos outros, distanciando-nos assim do evangelho que coloca a todos no mesmo nível de necessidade perante a cruz. Não raramente a igreja se fecha num particularismo mesquinho, preferindo conviver apenas entre os iguais, em vez de cumprir o chamado missionário de transpor fronteiras para amar e alcançar os diferentes.
Missionário em crise com o Deus das missões
Outra consideração no livro de Jonas tem a ver com a dificuldade de Jonas em encontrar prazer na forma como Deus conduz a história. Jonas encontra-se sempre mau humorado e irritado. A raiz pecaminosa do coração de Jonas é explícito na pergunta que Deus lhe faz por 2 vezes:
Na primeira vez o texto afirma: “E disse o Senhor: É razoável essa tua ira?” (Jn 4.4) Qual a razão desta pergunta? Jonas havia declarado o motivo de sua desobediência e raiva: “Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado. E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.” (Jn 4.1,2) Deus vem conversar com o profeta para trazer arrependimento ao seu coração. Parece ridículo, mas o profeta não aprecia em Deus aquilo que ele mais precisa: “Sabendo que és Deus clemente, misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade.” Jonas odiava estes atributos divinos, mas se Deus não os tivesse, ele teria fulminado seu profeta mau humorado deixando-o morrer no mar.
Na segunda vez, sua ira se manifesta por ter perdido o conforto. Um verme comeu a aboboreira que Deus mandou crescer para aliviar o calor sobre o profeta. E quando Deus lhe pergunta: “É razoável esta tua ira?” (Jn 4.11) ele responde: “É razoável a minha ira até a morte”.
O problema do profeta está relacionado a Deus. Ele tem crise por Deus ser como é. Ele não gosta da forma como Deus conduz os eventos.
Existe hoje um exército de pastores que chega no final da sua vida, amargurado e ferido com Deus. Milhares de missionários que não gostam da igreja, mas apenas do dinheiro e as ofertas que a igreja pode dar. E nem estou falando ainda dos músicos de sucesso que enchem estádios, mas que não tem compromisso com sua igreja local, não se submetem a uma liderança de uma igreja e tem raiva de igreja...sao missionários em crise com o Deus das missões.
O paradoxo do ministério: Motivação
Torna-se claro que, o profeta mais bem-sucedido em termos de resultados ministeriais, é o mais infiel em motivação e espiritualidade. Jonas é o sucesso do fracasso, ou se preferirem, o fracasso do sucesso.
Por isto, o centro do livro de Jonas não é sua mensagem pregada, que se constitui de apenas 7 palavras: "Ainda quarenta dias e Nínive será subvertida." Na verdade não sabemos se foi isto que Deus mandou falar, porque no início do livro Deus apenas diz: “Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.” (Jn 1.2)
A grande mensagem de Jonas não é sua mensagem, mas a dinâmica de sua alma. Somos confrontados com o fato de que, muitas vezes, desobedecemos a Deus e queremos ir para Társis quando ele nos manda para Nínive. É importante lembrar que geograficamente ele toma direção completamente diferente. Ele vai para os famosos balneários do Sul da Espanha buscando um Shangrilá, este lugar sem problemas, que não existe. A rota para Nínive era em outra direção. Moral da história: quem não segue em obediência a missão que recebe de Deus, vai ter que viajar de submarino para chegar aonde Deus quer que ele vá.
O dilema teológico de Jonas se torna claro na sua revolta contra a bondade e a misericórdia de Deus, e a preocupação excessiva com sua reputação pessoal em detrimento da vontade divina.
O livro de Jonas nos revela ainda que podemos fazer missão, com a motivação errada: Jonas anunciava o juízo desejando a destruição e o espetáculo da ruína, sem nenhuma expectativa ou desejo de salvação para os ouvintes. Qual a razão da crise do coração do profeta? Não era a forma como Deus tratava os pecadores, com misericórdia e clemência? O que fazer quando aqueles que são enviados para realizar a obra de Deus não gostam do Deus da obra?
Jonas pregava sem amor, desejando a destruição dos ouvintes. Ele não desejava arrependimento, mas queria juízo. Jesus chorou sobre Jerusalém (uma cidade que também rejeitou seus caminhos) e entregou sua vida pelos pecadores. Seus atos e palavras eram movidos por uma compaixão profunda pelos perdidos, unindo a verdade absoluta à graça incondicional. Não era este o caso de Jonas.
A cidade como objeto do amor de Deus
O livro de Jonas também nos convida a refletir sobre o ministério urbano. Deus conhecia aquela cidade, e se angustiava com sua violência, complexidades, dores e economia. O texto nos mostra o amor de Deus pela cidade, mesmo diante da sua maldade humana. É a graça incompreensível que alcança os piores perfis.
Jesus dedicou grande parte do seu ministério às cidades e multidões marginalizadas, conhecendo suas dores, opressão e miséria em centros como Cafarnaum e Jerusalém. Ele tratou a cidade não como um "lugar a ser evitado", mas como o campo principal da misericórdia de Deus.
O Livro de Jonas nos confronta com a forma como a igreja enxerga, julga e se engaja com as grandes cidades. Assim como Deus convocou o profeta a caminhar pelas ruas de Nínive, uma metrópole complexa, cheia de problemas espirituais, o ministério urbano desafia o conforto das comunidades de fé.
Deus demonstra conhecer intimamente a economia, as dores, a geografia e a densidade populacional de Nínive (incluindo as 120 mil pessoas e os animais). Na missão urbana, a igreja precisa entender que Deus não é indiferente; Ele conhece os dilemas administrativos, as injustiças sociais, a miséria nas periferias e as complexidades dos centros de poder.
Para Deus, a cidade é objeto de amor, não de fuga. Assim como Jonas fugiu para Társis buscando a calmaria de um balneário distante para escapar do desafio de Nínive, a igreja adota uma postura de fuga, isolando-se em guetos confortáveis e ignorando as fraturas e dores da cidade.
Deus conhece detalhadamente Nínive e envia seu profeta por causa do seu amor por esta cidade iniqua. Ver a cidade como objeto de amor significa não ser indiferente ou hostil aos centros urbanos, mas encarnar o olhar compassivo de Deus, compreendendo que a cidade é o campo principal onde sua graça deseja atuar e transformar vidas.
Em vez de fugir dos desafios complexos da sociedade urbana por medo ou preconceito, a comunidade de fé é convocada a se aproximar da cidade com o coração quebrantado, pronta para servir e amar aqueles que nela vivem. Olhar para a vida e o ministério de Jesus a partir deste texto nos convida a abandonar o nosso próprio exclusivismo, a nos compadecermos dos "ninivitas" modernos e a encarnarmos a graça escandalosa de Deus no cotidiano.
Onde Está o Coração de Deus?
O Livro de Jonas revela a compaixão de Yahweh pelas 120 mil almas que não distinguiam a mão direita da esquerda em meio à fragmentação moral. Aponta ainda para uma preocupação ecológica, econômica e social. O último versículo do livro revela este aspecto tão belo de olhar de Deus estendido não apenas aos seres humanos, mas também aos animais, à estabilidade financeira e ao meio ambiente.
“Tornou o Senhor: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (Jn 4.10,11)
Deus está preocupado não apenas com aqueles que perderam a noção ética de certo e errado, mas com a economia da cidade, com seus animais. Esta preocupação “ecológica” de Deus é muito curiosa. Deus atenta para os animais. Uma hecatombe traria uma desestrutura na natureza e afetaria diretamente os animais.
Implicações para o discipulado
Outra lição presente no livro de Jonas revela uma das tragédias mais silenciosas da missão cristã. A mensagem que Jonas pregou gerou comoção nacional, podemos definir o que aconteceu em Nínive como um “avivamento”.
“Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor. Chegou esta notícia ao rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou de si as vestes reais, cobriu-se de pano de saco e assentou-se sobre cinza. E fez-se proclamar e divulgar em Nínive: Por mandado do rei e seus grandes, nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem os levem ao pasto, nem bebam água; mas sejam cobertos de pano de saco, tanto os homens como os animais, e clamarão fortemente a Deus; e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos. Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?” (Jn 3.5-9).
Que coisa maravilhosa! Será que há registro de que em algum outro lugar a mensagem do evangelho tenha causado impacto tão grande em uma sociedade, num curto espaço de tempo, com um quebrantamento e comoção tão abundante? Não sei se isto aconteceu em algum lugar na história. 120 mil conversões em 40 dias.
No texto, apesar da sua infidelidade, o profeta é o instrumento de um avivamento extraordinário. Em poucos dias de pregação, 120 mil pessoas, do rei ao mais humilde cidadão, entram em profundo arrependimento, vestem-se de pano de saco e clamam a Deus. No entanto, a narrativa e a história subsequente nos mostram que esse impacto retumbante não teve efeito duradouro, vencendo rapidamente sua "data de validade".
Porque Jonas não amava aquele povo, ele não teve preocupação alguma em solidificar a fé daqueles que se voltaram para Deus, para que continuassem seguindo ao Deus verdadeiro. Seu problema não foi apenas a relutância em ir a Nínive, mas sua total falta de investimento espiritual nos frutos do próprio ministério. A falta de raízes duradouras não gerou impacto nas gerações: O avivamento não gerou legado a longo prazo. 100 anos depois, o profeta Naum, denunciando novamente a maldade daquela cidade. O livro de Naum volta-se contra o Estado violento e desumano.
Jonas pregou a mensagem de juízo, mas o fez e desejando a destruição da cidade. Como ele não amava os ninivitas, não tinha o menor interesse em vê-los integrados, discipulados ou estruturados na fé. Ele queria apenas que o evento acabasse, tanto que subiu a um monte para esperar, de camarote, o desfecho trágico que ele esperava que acontecesse. Seu ministério é guiado pelo desamor e pela pressa, sem produzir raízes.
O arrependimento de Nínive foi genuíno e imediato, mas parou no nível do choque emocional momentâneo. Sem ensino sistemático, sem a transmissão da Torá ou dos princípios do caráter de Deus para a vida cotidiana daquela sociedade, o impacto evaporou-se com o passar dos anos. O avivamento abriu a porta, mas a negligência no cuidado impediu que a casa fosse construída.
O avivamento não foi passado para os filhos e netos. Sem uma cultura de discipulado intergeracional, a geração seguinte cresceu sem conhecer a verdadeira identidade de Deus, e Nínive retornou à sua antiga rota de violência, crueldade e totalitarismo (Naum 3.1). O resultado da negligência foi a ruína absoluta da cidade, destruída anos mais tarde por Nabucodonosor. O que poderia ter sido uma nação transformada permanentemente tornou-se apenas um fogo de palha na história. Sem discipulado profundo surgem cristãos vulneráveis e gerações que rapidamente se perdem.
Nosso discipulado precisa ter implicações geracionais: O cuidado com as "próximas gerações" exige intencionalidade. Não basta impactar os adultos do presente se ignorarmos a formação espiritual das crianças, dos jovens e dos novos convertidos que sustentarão o amanhã. A negligência de Jonas nos lembra que o sucesso visível do momento não garante a fidelidade do futuro. A verdadeira missão de Deus se mede não apenas por quantos "se convertem" em um dia, mas por quantas gerações conseguem permanecer firmes na graça ao longo dos anos.
Conclusão
A vida e o ministério de Jesus podem ser aplicados diretamente como o cumprimento perfeito, o antídoto e a personificação de tudo o que falhou em Jonas e no coração do povo de Israel. Enquanto o profeta resisti à graça e o etnocentrismo se tornou idolátrico em seu coração, Jesus veio redefinir a missão e o coração de Deus.
Enquanto Jonas fugiu para Társis para não pregar aos gentios e detestava os estrangeiros, Jesus rompeu deliberadamente com as barreiras étnicas, sociais, geográficas e culturais de sua época. Ele acolheu samaritanos, fenícios e romanos, mostrando que o amor do Pai não tem castas nem restrições nacionais. Jesus chora pela cidade de Jerusalém “Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes quis te ajuntar como a galinha faz com seus pintinhos e tu não quiseste.”
Seu amor se revela de forma radical na sua entrega na cruz. Paulo sintetiza sua missão: “Ele nos deu vida, sendo nós ainda pecadores.” Ele não veio nos redimir porque houvesse em nós alguma fagulha de bondade, ou pessoas moralmente corretas e justas. Pelo contrário, seu amor incondicional nos alcançou, assim como Deus amou Nínive. Jesus assume o nosso lugar, se identifica conosco, alcança pecadores como nós, gente perdida, que não sabe discernir a mão direita da esquerda, e nos acolhe, nos perdoa, nos redime, nos justifica diante de Deus. A cruz nos revela o oposto do coração de Jonas. Revela o compromisso amoroso de Deus por pessoas desencontradas como nós.


