Introdução
Deus levantou o profeta Zacarias para orientar o seu povo que retornava do longo exilio babilônico que durou 70 anos para reconstruir os muros (Neemias), o templo (Zorobabel) e a lei (Esdras) em Israel. Sua profecia é pós exílica, assim como Ageu e Malaquias que foram seus contemporâneos.
No capítulo 7, Deus mostra como mesmo a espiritualidade cristã, pode ser tornar adoecida, e como Deus deseja nos orientar pela sua palavra para desenvolvermos uma espiritualidade saudável.
O capítulo 7 nos mostra o resultado de uma distorção na nossa adoração. A prática espiritual havia se tornado um fardo (Zc 7.3), o jejum enfadonho, cansativo e penoso. O que deveria ser uma disciplina espiritual de contrição e evolução se transforma num peso. Há muitas pessoas religiosas que transformaram o seu estilo de vida cristão numa camisa de força e adoram a Deus sem alegria. As pessoas não diziam: que coisa boa ou “que privilégio”, cumprir uma disciplina espiritual, mas dizem “até quando?” O que deveria ser algo prazeroso, se transforma num fardo. A igreja não pode ser um fardo. Nenhuma igreja crescerá com pessoas que consideram sua adoração e suas práticas espirituais como um fardo.
Em segundo lugar, a espiritualidade se transformou em mera formalidade. (Zc. 7.5-7) Era pra Deus ou era apenas um rito?
Terceiro, a adoração praticada perdeu a conexão com a vida (Zc 7.9-10) e por isto torna-se alheia à dor, a miséria e aos necessitados. Não podemos oprimir os órfãos, viúvas, estrangeiros que representavam os grupos vulneráveis daqueles dias. Hoje poderíamos incluir muitos outros grupos nesta lista.
Por último, a espiritualidade era formal, mas sem quebrantamento e arrependimento. Coração endurecido, e rebelde à Palavra de Deus, se recusava a ouvir o que Deus fala, e era desatenta à Deus.
A partir do capítulo 8, Deus revela a comunidade que ele quer edificar. Ele fala de seu projeto para o povo. Qual plano ele tinha em mente? Deus queria construir uma nação saudável com uma espiritualidade saudável. Este texto nos fala das bases e os fundamentos para seu povo ter saúde e sanidade.
1. Uma comunidade saudável tem o amor de Deus como seu fundamento– “Veio a mim a palavra do Senhor dos Exércitos, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Tenho grandes zelos de Sião e com grande indignação tenho zelos dela. Assim diz o Senhor: Voltarei para Sião e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém chamar-se-á a cidade fiel, e o monte do Senhor dos Exércitos, monte santo.” (Zc 8.1-3)
A versão bíblica da NAA afirma: “Tenho grande amor por Sião. Tão grande que me leva a indignação contra os seus inimigos.”
Aqui se fundamenta uma igreja saudável. Firmada na relação de amor com Deus. Igrejas facilmente adoecem quando constroem uma relação com um Deus opressivo, rigoroso e implacável. Precisamos lembrar que Deus é fogo consumidor, que de Deus não se zomba, e que o juízo é sem misericórdia para aqueles que se recusam a obedecê-lo, mas precisamos lembrar também das grandes misericórdias de Deus, que são a causa de não sermos consumidos. Ter nossa relação com Deus baseada na aliança que ele construiu conosco por meio de Cristo é fundamental para nossa saúde. Quando entendemos o grande amor de Deus por nós, nossa relação muda drasticamente.
Você é capaz de perceber o grande amor de Deus por você?
Há um texto de Brennan Manning que é extremamente relevante:
“Aos 48 anos fui emboscado por Jesus, em um pequeno chalé, nas montanhas da Pensylvania. Depois disto, tornei-me convencido de que, no dia de julgamento, o Senhor Jesus vai nos perguntar uma pergunta e apenas uma. Você acredita que eu amava você? Que eu nunca desisti de você? Que eu esperava por você dia após dia? Que eu queria ouvir o som da sua voz?
Os verdadeiros crentes vão dizer sim. Eu acredito em seu amor e tentei formar minha vida como uma resposta a este amor. Mas muitos responderão: “Bem, honestamente, não, senhor. Eu nunca realmente acreditei nisso. Eu ouvi sermões maravilhosos e ensinamentos sobre isso, mas eu sempre pensei que isso era apenas uma forma de falar. Há uma diferença entre os verdadeiros crentes e os cristãos nominais que abundam em nossas igrejas. Ninguém pode medir a profundidade e a intensidade do amor de Deus. Mas ao mesmo tempo, somos facilmente consumidos pelo pessimismo, baixa autoestima e desespero que bloqueiam a compreensão do amor de Deus.
É muito importante considerar o amor de Deus, porque você só vai ser tão grande quanto seu próprio conceito de Deus. Lembra a famosa frase do filósofo francês Blaise Pascal? “Deus fez homem à sua própria imagem, e homem decidir fazer Deus à sua semelhança.” Nós sempre fazemos Deus em nossa própria imagem. Construímos ídolos que se parecem conosco. E estes falsos deuses se manifestam de forma rude e legalista. O Deus de muitos cristãos é pequeno, porque ele não é o Deus da palavra. Ele não é o Deus revelado por Jesus Cristo.
O nosso Deus nos diz: “Eu conheço a história da sua vida inteira. Eu conheço todos os esqueletos no armário de sua casa. Eu conheço todos seus momentos de autocomiseração, vergonha, desonestidade, seu coração degradado e seu passado, mas eu gostaria de lhe dizer que eu te amo como você é e não como você deve ser, porque você nunca vai ser com você deve ser.”
A base da aliança de Deus conosco é o seu amor. Por isto ele afirma: Tenho grande amor por Sião. Tão grande que me leva a indignação contra os seus inimigos.” (NAA). Paulo afirma: “O amor de Cristo me constrange”. Uma igreja saudável tem como fundamento a graça de Deus revelada no Evangelho, e se torna encantada com a beleza do amor de Deus que se revelou na cruz.
2. Uma comunidade saudável cria uma atmosfera Intergeracional de celebração e graça – “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda nas praças de Jerusalém sentar-se-ão velhos e velhas, levando cada um na mão o seu arrimo, por causa da sua muita idade. As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Se isto for maravilhoso aos olhos do restante deste povo naqueles dias, será também maravilhoso aos meus olhos? — diz o Senhor dos Exércitos.” (Zc 8.4-5)
Este texto fala de uma comunidade que experimenta a dimensão multigeracional. A turma da bengala convivendo com crianças brincando com seus patinetes, carrinhos, bonecas e bicicletas. Todos felizes no mesmo ambiente de graça. Jovens que sabem conviver amorosamente com pessoas idosas, velhos que sabem abraçar as crianças. Nenhuma igreja prospera sem a benção dos anciãos, precisamos olhar para os idosos com respeito, e o ancião deve olhar para o mais novo com expectativa, e assim a igreja torna-se um ambiente propício para manifestação da bondade de Deus.
Que grande desafio! Promover o encontro das gerações. Uma igreja não será saudável com rivalidade de gerações. Pastorear novas e antigas gerações, nos leva a refletir sobre:
§ Desafio litúrgico. Como adequar cânticos e louvores que atingem às diferentes gerações? Os idosos gostam de velhos hinos, jovens gostam de músicas mais barulhentas e com estilo mais contemporâneo. Ter uma liturgia eu alcance os dois grupos é um grande desafio.
§ Desafio estético. Refere-se à roupagem da igreja, como ela se comporta. Temos diferentes gostos e estilos. Como ser uma igreja cujas cores, vibrações, símbolos, sejam capazes de unir e não dividir a comunidade?
§ Desafio eclesiológico. A MPC possui uma frase clássica: “Ao compasso dos tempos, mas ancorado na rocha.” É uma frase pequena de grandes efeitos, mas que na prática e no cotidiano da igreja, muitas vezes se transforma num grande desafio.
É possível fazer eventos para velhos e jovens? Evento é um termo arriscado, como o próprio nome diz, “é-vento”, passa, não solidifica, não cria base, não aprofunda raiz. Precisamos de uma igreja de jovens e velhos vivendo em harmonia, tendo programas que contemplem as diferentes geracoes. Igreja pra todos vai muito além do caráter litúrgico... Mark Dever, autor do conhecido livro: “Nove marcas de uma igreja saudável”, afirma que na sua igreja em Washigton D.C., eles encorajam jovens a participar de grupos dos idosos, negros em grupos de brancos, para reduzir o risco de uma segmentação da igreja.
Não deixo de pensar nisto quando olho para o local onde estamos construindo nosso futuro templo. Ali há uma grande praça perto do campo de futebol. Fico pensando em como será admirável ver os velhos jogando damas. Temos ali uma alameda com árvores com cerca de 80 metros... Fico imaginando os velhos, debaixo das árvores, ou andando por aqueles espaços com grandes e velhas árvores. imagino as crianças correndo, e isto já é uma realidade, adolescentes e jovens jogando futebol, aquele espaço se transformando num lugar de acolhimento para idosos, que querem passar uma tarde ali, ou atividades esportivas para diferentes gostos.
O reino de Deus transita por esta geografia e espaço de amor e acolhimento. Atmosfera de celebração e graça. “As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão. Assim diz o Senhor dos Exércitos.”
3. A comunidade saudável constrói uma profunda identidade de pertencimento - “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis que salvarei o meu povo, tirando-o da terra do Oriente e da terra do Ocidente; eu os trarei, e habitarão em Jerusalém; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus, em verdade e em justiça.” (Zc 8.23)
A expressão "Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” é conhecida na teologia como a "Fórmula do Pacto" (Bundesformel). Ela é o "fio de ouro" que atravessa toda a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, resumindo o objetivo de Deus para seu povo: Relacionamento e Pertencimento. Esta expressão aparece 22 vezes de forma direta na Bíblia, sendo 19 vezes no AT, principalmente em momentos cruciais de transição e renovação da esperança.
Ela surge a primeira vez na aliança que Deus estabelece com Abraão, (Gn 17.7-8) se consolida no Êxodo (Êx 6.7) e é reafirmada na Lei (Lv 26.12). Nos profetas ela surge especialmente quando o povo está no exílio e precisa lembrar de sua identidade. Jeremias a usa 7 vezes, Ezequiel, 5 vezes e Zacarias fecha o AT com essa promessa. (Zc 8.8; 13.9). No Novo Testamento, aparece 3 vezes (2 Co 6.16; Hb 8.10) e quando a revelação divina está se aproximando do fim, Deus reafirma: "Eles serão o seu povo, e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus". (Ap 21.3)
Esta é a grande promessa de pertencimento e identidade: “eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus, em verdade e em justiça.”
4. A comunidade saudável vivencia um ambiente de abundância, paz e regozijo-
“Porque, antes daqueles dias, não havia salário para homens, nem os animais lhes davam ganho, não havia paz para o que entrava, nem para o que saía, por causa do inimigo, porque eu incitei todos os homens, cada um contra o seu próximo. Mas, agora, não serei para com o restante deste povo como nos primeiros dias, diz o Senhor dos Exércitos. Porque haverá sementeira de paz; a vide dará o seu fruto, a terra, a sua novidade, e os céus, o seu orvalho; e farei que o resto deste povo herde tudo isto. E há de acontecer, ó casa de Judá, ó casa de Israel, que, assim como fostes maldição entre as nações, assim vos salvarei, e sereis bênção; não temais, e sejam fortes as vossas mãos.” (Zc 8.10-13)
Por causa da aliança com seu povo, Deus faz várias promessas de bençãos. É bom recordar que eles estão retornando do exilio, há muita insegurança política, há oposição ao redor, eles não tinham um exército para se defender e os recursos financeiros eram limitados. O que pode acontecer neste cenário?
Deus faz uma série de promessas, contrastando com a realidade de insegurança em que eles viviam.
Vemos aqui várias bençãos sendo anunciadas:
A. A presença de Deus traria justiça às relações econômicas. “Antes daqueles dias, não havia salário para homens, nem os animais lhes davam ganho.” (Zc. 8.10) As pessoas trabalhavam, mas não recebiam o que era devido. Deus está anunciando um novo tempo no qual as pessoas serão com justiça remuneradas pelo seu trabalho.
B. Teriam um ambiente de paz e segurança - “Antes daqueles dias, (...) não havia paz para o que entrava, nem para o que saía, por causa do inimigo.” É difícil trabalhar em um ambiente onde todos se sentem inseguros. Deus agora está prometendo paz. Por duas vezes, nos versículos 13 e 15 Deus os encoraja a não terem medo.
C. Haveria fartura de alimento. “Haverá sementeira de paz; a vide dará o seu fruto, a terra, a sua novidade, e os céus, o seu orvalho; e farei que o resto deste povo herde tudo isto.” As pessoas iriam plantar e colher. A terra seria generosa. Plantar com certeza de poder colher o que semeou é uma das grandes bençãos da vida.
Eu gosto de fartura. Sinto muita saudade das festas simples do povo da roça, comendo torresmo e mandioca, farofa com arroz e feijão, taioba e angu. Gente que planta e colhe. Esta é a promessa de Deus para seu povo.
D. Ao invés de jejuns e privações, haveria um ambiente de celebração - “Assim diz o Senhor dos Exércitos: O jejum do quarto mês, e o do quinto, e o do sétimo, e o do décimo serão para a casa de Judá regozijo, alegria e festividades solenes; amai, pois, a verdade e a paz.” (Zc 8.19)
Este texto pode ser associado ao texto dos evangelhos, no qual os fariseus se aproximam de Jesus e perguntam porque os discípulos não estavam jejuando. “Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar.” (Mc 2.19)
O povo de Deus sempre foi um povo celebrativo. Infelizmente algumas igrejas têm confundido reverência com ambientes lúgubres. O povo judeu era um povo de festa e dança. Jesus cresceu neste ambiente. Jesus afirma que haveria um tempo em que seus discípulos jejuariam, mas com a presença do noivo (que era ele mesmo), não era tempo para jejuns. Um antigo hino das igrejas dizia: “Canta meu povo, alegra meu povo, que a festa não vai acabar. Quando findar na terra, no céu vai continuar.”
Observem o contraste que existe entre a espiritualidade pesada e cansativa de Zc 7.3, quando os habitantes de Betel chegam a Jerusalém com algumas questões, e este texto de Zc 8.19 no qual Deus promete que a casa de Judá experimentaria “regozijo, alegria e festividades solenes; amai, pois, a verdade e a paz.” Os cristãos de cara amarrada, se escandalizam com estas afirmações bíblicas. Deus promete trocar o jejum por solenidades festivas.
Este texto nos desafia a pensar na forma como adoramos a Deus. Nos sentindo oprimidos e massacrados pelo que fazemos, ou experimentando regozijo e jubilo na presença de Deus?
5. A comunidade saudável faz parte do projeto de Deus de tornar conhecido seu nome entre todas as nações.
“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda sucederá que virão povos e habitantes de muitas cidades; e os habitantes de uma cidade irão à outra, dizendo: Vamos depressa suplicar o favor do Senhor e buscar ao Senhor dos Exércitos; eu também irei. Virão muitos povos e poderosas nações buscar em Jerusalém ao Senhor dos Exércitos e suplicar o favor do Senhor. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco.” (Zc 8.20-23)
A benção de Deus sobre seu povo, reverberaria entre as pessoas. Gente de longe ouviria falar de algo extraordinário e sentiria desejo de se aproximar. Eu chamo isto de espiritualidade contagiante.
Existe um tipo de espiritualidade que atrai as pessoas. Na igreja primitiva, o texto de Atos não descreve um plano missionário ou uma estratégia evangelística bem elaborada, mas aponta para o fato de que havia uma dimensão orgânica da igreja que atraia as pessoas e por isto a igreja se tornava efetiva na sua missão. “louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo, enquanto isto, acrescentava-se-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (At 2.47) A evangelização e a missão eram espontâneas e natural. As pessoas eram atraídas à graça e beleza presente na Igreja Primitiva.
O que Deus deseja através de uma igreja vibrante e saudável? Atrair as pessoas para conhecerem seu nome. Todo objetivo da obra missionária é dar glória a Deus. O texto de Zacarias demonstra como as pessoas serão atraídas a Deus: “Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco.” A igreja saudável exerce um magnetismo sobre pessoas desesperançadas, desanimadas, cansadas de correr atrás de deuses vãos. As pessoas ouvem falar deste Deus maravilhoso e dizem: “Vamos depressa suplicar o favor do Senhor e buscar ao Senhor dos Exércitos; eu também irei. Virão muitos povos e poderosas nações buscar em Jerusalém ao Senhor dos Exércitos e suplicar o favor do Senhor.”
O que pode atrair mais as pessoas do que uma igreja que experimenta alegria espontânea, prazer em estar celebrando e repartindo a vida? Se existe alguma coisa que pode ser transformadora na dinâmica da igreja e impactante na ação missionária é a alegria do povo cristão, como bem afirma Martin L. Jones: “Pessoas deprimidas fazem um grande desserviço à obra de Deus. Ela faz com que as pessoas tenham dificuldade em querer este tipo de fé que não é capaz de ajudar as pessoas na tristeza. .
Conclusão
O texto bíblico vai nos mostrar que, por causa da saúde e beleza da igreja, a obra missionária vai expandir. O texto fala de três dimensões:
A. Um forte elemento de atracão às pessoas. É Deus quem atrai. São os feitos de Deus no meio do seu povo que levam as pessoas a desejarem estar perto deste Deus. Gosto da expressão de Zc 8.21: “Eu também irei!” É uma forma de dizer que quando ouvem falar deste Deus, elas dizem, não quero perder esta festa.
Muitos anos atrás, um dos falecidos pastores desta igreja, estava começando seu ministério, e tinha um fusquinha com o qual fazia seu trabalho pastoral. Um dia parou na casa de um presbítero para uma reunião e quando saiu de casa, seu carro havia sido roubado. Triste e desolado, não tinha seguro, foi para sua casa. No outro dia, uma pessoa lhe ligou para dizer: “Olha, eu sou o ladrão do seu carro, mas vi que você é pastor, e não quero roubar carro de pastor. Seu carro encontra-se no bairro tal na rua tal.” O Pr. Black (era assim que nós o chamávamos carinhosamente), perguntou qual o nome dele, e ele, naturalmente, não disse e desligou o telefone.
Teria sido um trote? Só haveria uma forma de saber. Mas sem carro, como chegar no local que o suposto ladrão havia falado? Não seria uma armadilha?
Saiu para a porta da rua, e o seu vizinho que era macumbeiro, vendo o pastor apreensivo lhe perguntou: “O que foi pastor?” E o pastor explicou a situação. Ele disse: “Não se preocupe, eu levo você. Esta eu não quero perder de jeito algum.”
E saíram juntos. Uma cena inusitada. O pastor e um macumbeiro, para encontrar um ladrão penitente. E de fato o carro, estava intacto, exatamente como a pessoa havia descrito.
É assim que vejo este texto. As pessoas ouvem falar de um Deus verdadeiro, um Deus de milagres, um Deus de poder, um Deus de graça, do Deus do perdão e dizem: “Eu não posso perder isto de forma alguma: ““Eu também irei!”
B. Tem alcance universal – “Virão muitos povos e poderosas nações buscar em Jerusalém ao Senhor dos Exércitos e suplicar o favor do Senhor.
Quando a igreja experimenta o poder de Deus na sua vida, o impacto tem alcance universal, indo muito além das fronteiras. Pessoas de longe se sentirão atraídas. A graça de Deus vai se tornando real na vida de outros povos distantes. “Virão muitos povos e poderosas nações.”
C. É centrada em Cristo – “Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco.” (Zc 8.23)
Há um detalhe sutil neste texto que aponta para Cristo. “Pegarão, sim, na orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco.” O texto não diz que pegarão na orla da veste dos judeus, mas de um judeu. Este texto aponta para Cristo, e se cumpre na vida de uma mulher de forma literal.
A mulher hemorrágica de Mc 5.24-34 disse: “Se eu apenas tocar na orla de sua veste.” (Mc 5.28). A mulher não toca no corpo de Cristo, nem no seu ombro, mas nas orlas das suas vestes, cumprindo literalmente a palavra de Zacarias. Aquela mulher diz, “Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” e ao tocar na orla da veste deste judeu, Jesus, ela é curada.
Assim acontece com todos aqueles que se aproximam de Cristo e tocam nas suas vestes. Quando aproximam com expectativa, com fé, e buscam o poder que está presente em Jesus. O poder do seu sangue, que foi derramado. Você pode receber esta benção, se arrependendo de seus pecados e vindo para a Cristo. Você pode tocar nas vestes de Jesus, não importa quão desesperançado você esteja, e obter cura e esperança no seu nome. Aquela mulher estava oprimida e enferma por 12 anos, e recebeu a cura.
Este era o projeto de Deus para restauração de Israel. Este é o projeto de Deus para seu povo.
§ A igreja saudável tem como base a relação de amor de Deus para com seu povo.
§ A igreja saudável cria uma atmosfera Intergeracional de celebração e graça.
§ A igreja saudável constrói uma profunda identidade de pertencimento.
§ A igreja saudável vivenciaria um ambiente de abundância, paz e regozijo.
§ A igreja saudável faz parte do projeto de Deus de tornar conhecido seu nome a todas as nações.
§ A igreja saudável está centrada no nome de Jesus.
Precisamos nos reanimar. Precisamos amar a igreja de Jesus. Ame sua obra santa. Que sejamos promotores não de um ambiente insalubre, mas saudável, para que a glória de Deus seja manifesta e as pessoas sejam atraídas a Deus por uma espiritualidade contagiante gerada pelo Espírito Santo de Deus.

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