Texto Bíblico
“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta. Destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar e desde o Eufrates até às extremidades da terra. Quanto a ti, Sião, por causa do sangue da tua aliança, tirei os teus cativos da cova em que não havia água. Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também, hoje, vos anuncio que tudo vos restituirei em dobro. Porque para mim curvei Judá como um arco e o enchi de Efraim; suscitarei a teus filhos, ó Sião, contra os teus filhos, ó Grécia! E te porei, ó Sião, como a espada de um valente. O Senhor será visto sobre os filhos de Sião, e as suas flechas sairão como o relâmpago; o Senhor Deus fará soar a trombeta e irá com os redemoinhos do Sul. O Senhor dos Exércitos os protegerá; eles devorarão os fundibulários e os pisarão; também beberão deles o sangue como vinho; encher-se-ão como bacias do sacrifício e ficarão ensopados como os cantos do altar. O Senhor, seu Deus, naquele dia, os salvará, como ao rebanho do seu povo; porque eles são pedras de uma coroa e resplandecem na terra dele. Pois quão grande é a sua bondade! E quão grande, a sua formosura! O cereal fará florescer os jovens, e o vinho, as donzelas.” (Zc 9.9-17)
Introdução
Warren Wiersbe escreveu um pequeno livro sobre Filipenses com o título “Seja Alegre”. Ele afirma que quatro ladroes da alegria e sugere os antídotos de cada um deste texto:
· As circunstâncias (Fp 1). Ele nos faz pensar que só podemos ser felizes se tudo estiver indo bem. O antídoto é uma “mente singular.” Paulo estava na prisão, mas sua mente estava focada em uma única coisa: o progresso do Evangelho. Quando o seu objetivo é maior que o seu conforto, as circunstâncias perdem o poder de roubar sua alegria.
· As pessoas (Fp 2). Pessoas criticam, decepcionam e, às vezes, traem. Se sua alegria depende da aprovação ou do comportamento dos outros, você será um eterno refém. O antídoto é uma “mente submissa”. Em vez de olhar para o que as pessoas podem fazer por nós, olhamos para como podemos servi-las.
· As coisas (Fp 3) Este ladrão está ligado à armadilha do sucesso. O antídoto é uma mente espiritual. Paulo considerava todas as suas conquistas como "esterco" em comparação com o conhecimento de Cristo. As "coisas" são ferramentas, não tesouros.
· A Ansiedade / Preocupação (Fp 4). Este é o ladrão do futuro que sufoca o presente com os "e se..." da vida. O antídoto é uma mente segura. Através da oração e da gratidão, entregamos o controle a Deus, e sua paz que excede o entendimento guarda nossa mente.
Contexto
Em 587 a.C., os babilônios invadiram Jerusalém. Destruíram o templo, depuseram o governo e levaram muitos habitantes de Jerusalém para o exílio. Zacarias nasceu durante o período do exílio do povo na Babilônia. O povo começou o retorno em 538 a.C sob o comando de Zorobabel. Provavelmente seu pai morreu muito cedo, e ainda muito jovem ele assumiu a função profética. A vida de Zacarias tem todos os ingredientes de alguém que teve a sua vida conservada por milagre divino.
Cerca de setenta anos depois do exilio, o povo começou a retornar à Israel. Havia grandes esperanças na restauração da independência da Judeia e da monarquia davídica, mas esses sonhos jamais se concretizaram. Os reis estrangeiros da Pérsia permaneceram no poder por mais 200 anos, apenas para serem substituídos pelo domínio grego e, posteriormente, pelo romano.
Apesar de todo isto, este texto profético, é carregado de esperança. Deus faz promessas de bençãos e prosperidade para este povo e convida seu povo ao júbilo: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém.” A alegria neste texto acontece por causa de algumas coisas que estavam acontecendo, ela não se dá no vácuo. A alegria tem razões que a motivam e um porquê. Deus convida seu povo dando estas razões e fala daquilo que pode encher o coração de alegria e regozijo.
É importante considerar razões. Muitas vezes queremos que as pessoas saiam de sua melancolia e tristeza e sejam alegres. Amigos comumente fazem isto: “você precisa parar de ficar triste. Anda muito acabrunhado. Levante sua cabeça.” A não ser que a pessoa gosta da tristeza em si, que é um quadro psiquiátrico um pouco mais complicado, as pessoas não querem ficar triste. Elas simplesmente não sabem o que fazer para vencer o seu quadro depressivo.
Salomão, fazendo um relato autobiográfico em Eclesiastes, num momento de muito cinismo e vazio da alma, afirma: “Do riso disse: é Loucura. E da alegria, o que serve?” (Ec 2.1) Ele não encontra prazer e alegria na vida, e por falta de sentido e propósito, perde toda alegria e encantamento.
Uma verdade essencial é que a alegria não é um fim em si mesma. Não adianta buscar a alegria para encontrar a alegria. Alegria é resultado de algumas coisas que estão no coração e fazem sentido, isto é, alegria não deve ser busca, ela é resultado. É como sono: imagine uma pessoa que tenta dormir dizendo a si mesma: “Eu preciso dormir, eu preciso dormir...” É óbvio que ela terá insônia, porque só dormimos quando esquecemos de dormir, quando relaxamos. Alegria é assim também. Ela será encontrada não como uma busca, mas como resultado de algo interior.
A geração atual usa um errado conceito sobre a alegria: “Eu quero mais é ser feliz. Eu tenho direito de ser feliz.” Este é típico quadro de alguém que certamente não encontrará alegria. Ela fez da alegria o seu alvo, e busca a alegria como um projeto de aventura, destino, fantasia. Há uma grande possibilidade de que alguém assim encontrará no final de sua busca a desilusão, o fracasso e a vergonha. Alegria acontece quando algumas coisas no coração são percebidas.
Quando Deus afirma: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém.” O quadro social era caótico: muros derribados, as antigas ruas cobertas de monturo. A realidade externa era muito complexa. Se buscassem alegria nas circunstâncias políticas e sociais, estariam perdidos. Deus sabe disto, e por isto ele dá os motivos que seriam capazes de trazer entusiasmo, alegria e regozijo ao seu povo. As fontes da alegria que Deus deu ao seu povo, são as mesmas de nossos dias. Precisamos dar uma olhada nelas. Deus não apenas ordena alegria, mas fundamenta as razões da alegria.
São quatro razões:
1. O rei estava chegando! - “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.” (Zc 9.9)
Este texto começa com um convite à alegria e uma declaração de júbilo. ““Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde.” Este é um texto messiânico. É a promessa da vinda do Messias. Este é o motivo primeiro e central da alegria: A expectativa da vinda do Rei. Deus agiria por meio dele e conduziria a história. Saber que há um Deus direcionando poderoso, intervindo na história é motivo de muita alegria. A intervenção de Deus se daria através de um rei justo e humilde.
Portanto, a primeira grande razão de alegria estava na vinda do rei. O rei está chegando justo e vitorioso, mas também é humilde, montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta. E seu reino se estenderia de um mar a outro e do rio Eufrates até os confins da terra.
O versículo 9 é citado por Mateus e João ao retratarem a cena da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, no primeiro Domingo de Ramos (Mt 21.4–5; Jo 12.15). O povo em júbilo dizendo: “Hosana ao que vem em nome do Senhor!” Na semana seguinte ele será crucificado. Ele é o Rei dos reis, mas não vem montado em um cavalo ou numa carruagem, como uma figura real, mas em um jumento. Ele virá como uma pessoa humilde. A chegada do Messias é uma profecia clássica da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado em um jumentinho — um rei justo, salvador e humilde, não com poder bélico, com a espada empunhada para a guerra, trazendo paz às nações.
Zacarias demonstra que o poder deste Messias destruiria “os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar e desde o Eufrates até às extremidades da terra.” (Zc 9.10)
É muito bom saber que a história está sendo conduzida por um Deus, que um dia se manifestará, não mais humilde, mas em um cavalo branco; não mais humilde, com o cetro de reger, como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Perdemos alegria quando nos falta a compreensão de um Deus soberano, que governa, e que ainda que não vejamos todas as coisas a ele sujeitas, ele continua no governo. Esta é uma grande fonte de alegria.
2. A aliança de Deus. “Quanto a ti, Sião, por causa do sangue da tua aliança, tirei os teus cativos da cova em que não havia água.” (Zc 9.11)
A base do nosso livramento é a aliança de Deus para conosco. Isaías 55.3 afirma: "...Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque farei convosco uma aliança eterna, segundo as fiéis misericórdias prometidas a Davi". Essa frase é o "porto seguro". O Senhor sempre se lembrará de sua aliança. Ela não é baseada no que fazemos, mas no que Ele faz por nós.
Por causa de nossa visão humana, sempre vemos aliança como “contrato”, mas a Bíblia fala da aliança em termos completamente distintos: Contratos são baseados em performance e podem ser quebrados. A Aliança, entretanto, é baseada na fidelidade de quem promete. A Aliança Eterna é que nos permite voltar para casa mesmo quando falhamos, porque o vínculo não depende da nossa perfeição, mas da perfeição de Cristo. A "Aliança Eterna" que Deus prometeu, oferece um solo firme onde podemos descansar. A aliança é eterna não porque somos fortes, mas porque aquele que a selou é imortal. Estamos debaixo de um pacto que nem o inferno pode quebrar.
Uma frase neste texto de Zacarias, pode nos ajudar a entender melhor, a força desta aliança: “Quanto a ti, Sião, por causa do sangue da tua aliança.” (Zc 9.11). Esta aliança foi feita com sangue, por isto é sólida e firme. Ela foi feita com o sangue do Cordeiro.
“Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós. “(1 Pe 1.18-20). Esta aliança foi feita na cruz, e selada com o sangue do Cordeiro de Deus.
Somos totalmente indignos do favor de Deus. Somos falhos, pusilânimes, eventualmente nos desviamos e nos afastamos, pecamos contra sua santidade, por causa de nossa rebeldia e desobediência, mas como o filho pródigo, quando nos arrependemos verdadeiramente e voltamos para o Pai Amado, somos perdoados e restaurados. Estamos ligados a Cristo por uma aliança eterna, marcada pelo sangue.
No fundo do desespero, podemos nos apropriar das palavras do salmista: “Lembra-te ó SENHOR, da tua aliança!” (Sl 74.20). “O Senhor se lembra da sua aliança.” (Sl 105.8). Por amor a aliança, aquele que ressuscitou dos mortos, o Grande Pastor, nos restaura. Tal é a força da aliança do nosso Deus. “O Senhor, seu Deus, naquele dia, os salvará, como ao rebanho do seu povo; porque eles são pedras de uma coroa e resplandecem na terra dele.” (Zc 9.16)
A aliança com sangue traz em si mesma, promessas de saciedade como nos descreve este texto. Uma outra versão bíblica diz: “Quanto a ti, por causa do sangue da aliança feita contigo, tirarei os prisioneiros das cisternas sem água” ou, “das covas onde não há água.” (Zc 9.11) Por causa do sangue da aliança, Deus promete tirar o povo “das cisternas sem água”. Sem a intervenção do Senhor dos Exércitos, assim como José, estamos numa prisão de onde não podemos sair sozinho. Estamos sedentos, aprisionados pelo pecado e pelas trevas, e não importa o que façamos continuamos sedentos e aprisionados.
Esta aliança tem três fundamentos:
A. Ela está firmada em Deus, ela é baseada na fidelidade de quem a faz, na perfeição de Cristo.
A carta aos Hebreus nos diz: “Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, te abençoarei e te multiplicarei.” (Hb 6.13-14) Esta aliança tem Deus com fiador. Ele não poderia fazer aliança com nenhum de nós, pois se depender de nós ela estaria fadada ao fracasso. Deus fez aliança consigo mesmo. Deus enviou seu Filho. A aliança foi feita com ele. Nós somos beneficiários de uma aliança e incluídos nela por meio de Cristo. Somos coparticipantes da natureza de Deus por causa de Cristo.
B. Ela é sancionada com sangue – “Quanto a ti, Sião, por causa do sangue da tua aliança.” É isto que este texto afirma. Por causa do sangue. Que sangue é este? O sangue de Cristo, precioso, sem mácula, o sangue do Cordeiro.
C. É Eterna – Não é contrato. É aliança. Não se fundamenta na performance humana, e por isto não é quebrada. Como citamos acima na referencia bíblica de Isaias: “Farei convosco uma aliança eterna, segundo as fiéis misericórdias prometidas a Davi.” Ela é eterna não porque somos fortes, e essencialmente, por não ter sido firmada conosco, mas com Cristo. Por isto, nem o inferno nem o diabo pode destruí-la.
Temos ainda uma grande promessa: “O Senhor se lembra da sua aliança.” (Sl 105.8). Esta aliança marcada pelo sangue, nunca é esquecida por Deus.
3. Uma esperança indestrutível – “Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também, hoje, vos anuncio que tudo vos restituirei em dobro.” (Zc 9.12)
A terceira grande fonte de alegria tem a ver com esperança. Eu usei a expressão “esperança indestrutível”, como uma das fontes de alegria, mas o texto fala de uma esperança ainda mais profunda. Ela se refere àqueles que estão presos de esperança, são cativos da esperança. Uma expressão interessante.
Você já tinha lido na Bíblia esta expressão: “presos de esperança”? O povo de Israel tinha a esperança de retornar à sua pátria e recomeçar tudo de novo com Deus. Mesmo antes de Zacarias, Jeremias também já tinha dito: “Há esperança quanto ao teu futuro, diz o Senhor, porque teus filhos voltarão para os seus termos.” (Jr 31.17). Eles sempre tiveram atrelados a esta promessa e eram cativos dela. O desespero nunca foi uma opção para suas vidas, suas mentes estavam dominadas pela convicção de que há um Deus mudaria a trágica situação de cativos da Babilônia.
O ser humano tem a tendência de procurar fortaleza e refúgio em amigos, na própria filosofia e facilmente se torna prisioneiro da decepção. Normalmente falamos de pessoas que estão presas a um conceito, a uma ideologia, às drogas, ao álcool, ao pecado, às taras, à amargura, mas este texto nos fala de pessoas que estavam encharcadas de outra coisa: eram prisioneiras da esperança. Elas não podiam deixar que a esperança saísse de sua história. Elas aguardavam confiantemente que, em algum momento algo aconteceria. 70 anos haviam passado, mas nunca ficaram presas pelo desespero.
Eu quero, sempre, estar preso à esperança, e não ao desespero. O problema é que somos prisioneiros de outras coisas: O desespero, o medo, a culpa, nosso passado, a raiva, o ressentimento, a amargura, a dúvida, o desânimo. São fontes erradas. É interessante que este texto nos convida: “Voltai à fortaleza, ó presos de esperança.” Precisamos voltar à fortaleza. “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.” (Sl 46.1) Não raramente saímos desta fortaleza, nos perdemos, nos desencontramos, não temos mais bússola nem GPS para nos guiar. Nos tornamos presos do desespero. Voltem para a fortaleza!
Esperança na Bíblia sempre tem a ver com o futuro, enquanto fé tem a ver com o passado. Quando falamos de fé, falamos de algo que Deus nos fez por nós, o sacrifício de seu Filho. Nossa fé é histórica, e se baseia na obra maravilhosa de Cristo que foi efetuada na cruz. Esperança tem a ver com aquilo que virá. Uma esperança indestrutível gera atitude determinada e recusa-se a ser negativa. Obviamente, todos enfrentamos tribulações na vida, mas com esperança podemos ver que todas as coisas cooperam para o nosso bem.
A Bíblia afirma que a esperança é a “âncora da alma” (Hb 6.19). A âncora impede o navio de andar à deriva. Mantém o barco no lugar. Mente, emoções e vontade. Por causa desta esperança firme, podemos ouvir Jó, no meio do caos afirmando firmemente: “Eu sei que o meu salvador vive, e por fim se levantará sobre a terra.” (Jó 19.25) À medida que confiamos no Senhor, encontramos paz de espírito, alegria emocional e graça para esperar. Podemos “crer contra a esperança”, como fizeram Jó e Abraão.
O povo de Israel estava preso de esperança porque abrigava no coração a certeza de que um dia voltariam a Israel e adorariam Jeová livremente. Cristo pode mudar nossa história. Quando nos convertemos, Deus perdoa o nosso passado e cria um futuro cheio de esperança. Somos presos de esperança. Aguardamos a volta de Cristo, nossa bendita esperança como diz o apóstolo Paulo: “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.” (Tt 2.13) Infelizmente, muitos são cativos da falta de esperança.
O texto ainda possui uma promessa maravilhosa: “Também, hoje, vos anuncio que tudo vos restituirei em dobro.” (Zc 9.12) A restituição tem a ver com a surpreendente graça de Deus, que faz muito mais do que “aquilo que pedimos ou pensamos.” Deus muda nossa história, ele restitui todas as coisas, há uma promessa de restituição do Senhor que é maravilhosa. Deus promete trazer tudo o que perdemos, de volta, em dobro. Foi assim que ele fez com Jó.
Há uma maravilhosa promessa no livro de Isaias, se você está vivendo dias de sentimento de fracasso ou derrota, triste e desanimado, ore considerando esta promessa: “Porque nos teus desertos, e nos teus lugares solitários, e na tua terra destruída, agora te verás apertada de moradores, e os que te devoravam se afastarão para longe de ti. E até mesmo os filhos da tua orfandade dirão aos teus ouvidos: Muito estreito é para mim este lugar; aparta-te de mim, para que possa habitar nele.” (Is 49.19,20)
4. A vitória definitiva do Rei – “Destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar e desde o Eufrates até às extremidades da terra.” (Zc 9.10)
Temos aqui neste texto aquilo que os estudiosos chamam de progressividade da revelação divina. No Novo Testamento, surge o Senhor Jesus adentrando Jerusalém montado em um jumentinho e sendo recebido e aclamado como rei, cumprindo a predição feita a esse respeito (Mt 21.5-7). A dificuldade óbvia é que, entre sua entrada triunfal e a realização efetiva do seu reinado escatológico, previsto no vs 10, há um período que se estende até o fim dos tempos quando todas as coisas estarão visivelmente debaixo dos seus pés. É o que chamamos de “Já e ainda não”. Jesus já governa, mas “ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas.” (Hb 2.8)
Diante desse texto e sua sequência, podemos ter a impressão de que a profecia coloca tudo isto em um mesmo tempo da história: A chegada humilde do Messias em um jumentinho seria seguida pela vitória imediata contra os inimigos, restauração permanente de Israel e instauração do reino eterno e o completo domínio do Messias, entretanto, essa última parte profetizada ainda não ocorreu.
O profeta Miqueias faz o mesmo ao associar o nascimento do Messias (Mq 5.2) com o retorno dos israelitas em paz sob as bênçãos do seu rei (Mq 5.3), como se fossem eventos contíguos. Porém, apesar de já haver ocorrido o descrito no v.2, o resultado do v.3 ainda é aguardado. Essa é uma das ferramentas mais fascinantes da hermenêutica bíblica. O nome técnico mais utilizado pelos estudiosos para esse fenômeno é Perspectiva Profética ou Duplo Cumprimento.
A metáfora das montanhas nos ajuda a entender isto: Imagine um profeta parado diante de uma vasta cordilheira. Ele olha para o horizonte e vê dois picos majestosos. Do ponto de vista dele, os picos parecem estar um ao lado do outro, quase sobrepostos. O primeiro pico representa o cumprimento imediato, histórico e parcial (geralmente algo que aconteceria nos dias do profeta ou poucos séculos depois). O segundo pico representa o cumprimento final, escatológico e pleno (o fim dos tempos, a segunda vinda de Cristo).
O que o profeta não consegue ver do seu ponto de vista é o vale imenso (o tempo) que separa as duas montanhas. Para nós, que estamos vivendo "dentro do vale", a distância é clara; para o profeta, os dois eventos fazem parte de uma única visão.
Por exemplo, em Mateus 24 Jesus fala sobre a destruição do templo (que aconteceu em 70 d.C. — parcial/histórico) e, em seguida, fala sobre a sua segunda vinda e o fim do mundo (final/escatológico). É difícil separar os versículos porque Jesus está usando a "perspectiva profética".
O "ceticismo histórico” pode levar o leitor da bíblia a achar que a profecia falhou porque não se cumpriu "totalmente" na época. Mas esta perspectiva é muitas vezes usada nas Escrituras Sagradas. O fato é que os profetas, muitas vezes associavam acontecimentos que mantinham intervalos de tempo entre si. Alguns estudiosos chamam esse fenômeno de “horizonte profético”, comparando o aglutinamento de cumprimentos proféticos à visão equivocada que temos das montanhas no horizonte que, parecendo todas elas pertencerem à mesma montanha, costumam ser montes distantes uns dos outros, mas que, de longe, produzem uma imagem unificada, sem que se vejam os vales que os separam.
Neste texto de Zacarias, esta realidade está bem clara: apesar de Jesus já ter completado a previsão do v.9, ainda aguardamos com esperança o cumprimento dos versos seguintes. “Destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar e desde o Eufrates até às extremidades da terra.” (Zc 9.10) Um dos modos de se anunciar a instalação da paz é com o desmantelamento do arsenal de guerra. O mesmo ocorre com Isaías ao prever a paz mundial escatológica dizendo que todo o armamento será transformado em ferramentas agrícolas (Is 2.4).
Neste texto de Zacarias, os carros de guerra, puxados por cavalos, serão aposentados permanentemente. Em “todo Israel” haverá paz e os armamentos alocados em todo o território serão inúteis e, por isso, descartados.
Zacarias diz que também o trunfo militar dos lançadores de fundas, será quebrado para que nunca mais seja utilizado contra outras pessoas. O texto aponta para uma paz que é confirmada pelo desarmamento militar, qualquer que sejam as armas na ocasião em que isso ocorrer. O resultado não será paz apenas para Israel e seu povo, mas para todo o mundo (Is 2.2-4; Mq 4.1-3). Acima de tudo, é importante observar que o Messias não reinaria apenas sobre Israel, mas dominaria as nações do mundo todo. Será “de mar a mar” (Zc 9.9.10), pois não se limita a um território entre dois mares.
A remoção de “carros de guerra” e “cavalos” de Efraim aponta para o fim da era da guerra. O “arco de guerra será quebrado”, não haverá mais conflito. Esta é uma visão de paz universal, alcançada não por meio de superioridade militar, mas pela autoridade do próprio Rei. Esta é uma profecia de um reino global, sem limites geográficos.
O resultado final é a confirmação da filiação de Israel e sua restauração: “O Senhor, seu Deus, naquele dia, os salvará, como ao rebanho do seu povo; porque eles são pedras de uma coroa e resplandecem na terra dele.” (Zc 9.16)
Duas figuras são utilizadas.
A primeira é a de um rebanho cuidadosamente cuidado pelo pastor amoroso. Assim Deus agirá como um pastor excelente que livra seu rebanho dos perigos e lhe dá alimento, refrigério e segurança.
A segunda figura diz que serão como pedras preciosas engastadas em uma coroa. O valor da coroa e das pedras fazia com que o trabalho de confecção de uma peça real exigisse do ourives esmero e encaixes firmes das pedras para que não se perdessem. Não podia haver o risco de as gemas preciosas se soltarem da coroa. Do mesmo modo, o Senhor os firmará perpetuamente na terra.
O último versículo demonstra como o Senhor valoriza seu povo e lhe enche de bênçãos. “Pois quão grande é a sua bondade! E quão grande, a sua formosura! O cereal fará florescer os jovens, e o vinho, as donzelas.” (Zc 9.17)
Essa bondade é o tema final da profecia. Além da “paz” para Israel e para o mundo, a última promessa fala da “prosperidade” para os habitantes de Israel, os quais terão filhos que crescerão e encherão as praças do país (Zc 8.5). O capítulo termina com uma exclamação de louvor e uma promessa de prosperidade abundante
Assim como Israel, a igreja de Cristo tem a mesma esperança, de chegar ao céu, encontrar-se com o Senhor e com os santos, sem pecados nem sofrimentos, e habitar eternamente com Deus em sua glória. Ao mesmo tempo, tem a esperança de ver a mão cuidadosa, protetora e provedora do Senhor durante a história, em seu dia a dia nesse mundo mau. A imagem do texto nos fala da abundância e plenitude de bênçãos após a vitória.
Conclusão
Este texto começa com um convite a alegria. Mas alegria não é um fim, alegria é uma consequência. Não adianta insistir com o deprimido para que ele fique alegre, a não ser que a leitura depressiva que o domina seja desfeita. Sua mente precisa fazer novas leituras para que a leitura da melancolia que o domine, seja desfeita.
Deus convida e exorta as filhas de Sião a exultarem e regozijarem. Como isto é possível?
A. Porque o rei estava chegando para proteger seu povo, ele vem montado num “jumentinho.” (Zc 9.9)
B. Por causa da aliança que Deus fez com seu povo. Esta aliança é algo tão profundo porque foi marcada por sangue (Zc 9.11)
5. Por causa da esperança indestrutível, que nos foi dada por meio da cruz de Cristo, e que nos transformou em “prisioneiros da esperança.” (Zc 9.12)
6. Por causa da vitória definitiva de Cristo. Ele destruirá os carros de Efraim e o arco de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar até às extremidades da terra.” (Zc 9.10)
Talvez você esteja vivendo dias de melancolia, falta de esperança e tristeza. É necessário colocar os olhos nas promessas de Deus. Ter a visão correta do reino de Deus. O povo de Israel estava acabrunhado: as condições políticas, a oposição, a falta de recursos, eram fortes potenciais para deixá-los abatidos e tristes, mas Deus usa seu profeta Zacarias para encorajar o povo a ter a mesma visão de Deus para seu povo.
Como está sua vida? Melancolia, frustrações, destroços? Talvez seja esta a realidade do seu fracasso. Ao invés de ser prisioneiro da esperança, nos transformamos em presos do desespero. Precisamos ir às fontes, voltar à fortaleza.
Que Deus nos dê a perspectiva certa!
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