Vamos estudar a palavra do Senhor. Gostaria de convidá-lo a abrir as Escrituras Sagradas no livro de Atos dos Apóstolos, leremos os versículos 19 até o 25.
"Então os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor.
A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém, e enviaram Barnabé até Antioquia. Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor, porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.
E partiu Barnabé para Tarso, à procura de Saulo. Tendo-o encontrado, levou-o a Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.
Esta é a palavra do Senhor.
Meus queridos irmãos, a igreja de Cristo é chamada para ser uma igreja sadia e saudável. Esse é o alvo de Deus para a nossa história. Por isso que eu gosto muito mais do termo "redenção" do que do termo "salvação". Salvação dá a ideia — parece-me muitas vezes — só meramente pessoal, histórica, temporal; a redenção dá a ideia de um resgate da vida inteira como um todo. Deus nos redimiu em Cristo Jesus.
Portanto, a igreja redimida é uma igreja que tem saúde. Ela possui algumas características interessantes: A primeira delas é que, emocionalmente, lida bem com as tensões; aprende a crescer em maturidade. A segunda razão, obviamente muito mais importante do que qualquer outra, é que uma igreja saudável é uma igreja que glorifica a Deus. E só tem um jeito de glorificar a Deus: com saúde emocional e relacional.
Eu conheço pouco disso, porque infelizmente estamos lidando hoje com igrejas muito adoecidas. Eu me lembro bem de uma experiência dolorida que eu tive nos Estados Unidos, de um rapaz de uma igreja que estávamos plantando, ele era o único baterista e decidiu sair com um grupo de 12 pessoas de uma comunidade com 60. Então perdemos praticamente 20% da nossa comunidade porque eles queriam participar de outra igreja. Nós já conhecíamos o histórico daquele pastor, que era absolutamente desequilibrado, relacionamentos, casamento fraturado, aquela coisa toda complexa. Mas eles transferiram, ainda assim, de comunidade.
Quatro anos depois, ele veio à minha casa e disse: "Pastor, eu vim pedir perdão ao senhor porque quando eu saí da igreja eu o magoei demais, e eu queria te pedir perdão pela mágoa que provoquei." Honestamente falando, eu não fiquei magoado com ele porque ele foi; eu fiquei triste porque éramos amigos e ele disse para mim: "Pastor, eu fui para essa igreja, e apanhei demais. Você precisava ver: o pastor sentava o couro em mim, batia sem dó! Mas eu precisava daquilo, eu precisava apanhar, então vim aqui pedir perdão ao senhor porque eu magoei muito o senhor e tô aqui pedindo perdão pelo que aconteceu."
Nessa hora, o meu coração pecador teve o seguinte pensamento: “Minha relação histórica com este rapaz nunca ia funcionar: Ele precisava de um pastor sádico porque era masoquista, e eu não tinha vocação para o sadismo.”
Precisamos de igreja com saúde, mesmo porque igreja é um hospital; a gente lida com pessoas enfermas, quebradas, adoecidas de alma e coração. A Igreja precisa ter saúde para acolher e cuidar. O perigo é quando essa igreja possui um bando de enfermeiro maluco querendo praticar eutanásia! O negócio fica muito complexo! Há muitas igrejas adoecidas, e essas igrejas adoecidas vão adoecendo aqueles que dela se aproximam. Tais igrejas, muitas vezes só servem para enriquecer a indústria farmacêutica e encher hospitais psiquiátricos. Minha esposa me falou: "Eu fico impressionado como essas igrejas, estão lotadas, muita gente... É interessante que pastor doido tem em todo lugar, mas não entendo quanta gente doida seguindo pastor doido.
Aí chegamos à seguinte conclusão: se as pessoas doidas estão procurando pastores doidos, é porque elas são doidas também! Igrejas saudáveis atraem pessoas saudáveis; igrejas adoecidas atraem pessoas adoecidas. Nós precisamos ir para o evangelho para tentar entender o que é uma igreja saudável.
Este texto aqui é interessante porque retrata uma das primeiras igrejas gentílicas, que já não estavam no perímetro de Israel. Essa igreja, quando surge, viu muitos gentios, muitas pessoas não judias, se convertendo. Isso foi tão impactante que começou a chamar a atenção da igreja-mãe em Jerusalém, que decidiu enviar Barnabé, que era um homem bom, cheio do Espírito Santo, para poder cuidar daquela comunidade e discipular a igreja. Quando Barnabé chegou ali, a Bíblia diz que ele ficou feliz ao ver a bênção de Deus naquele lugar e exortava todos para que com fé servissem ao Senhor.
Agora, há algumas características interessantes dessa igreja que é uma igreja saudável. Eu vou só pincelar alguns pontos, mas desejo focar no quarto ponto.
O primeiro ponto que me chama a atenção é que uma igreja saudável transforma riscos, perseguição e oposição em oportunidade.
O texto começa no versículo 19: "Então os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até a Fenícia..."
Ou seja, a igreja estava debaixo de perseguição, de oposição. Estêvão foi o primeiro mártir da igreja cristã. E agora sofria a ameaça da liderança política e religiosa de Jerusalém e por isto se dispersa. Mas o que acontece é o seguinte: para onde vão, anunciam a mensagem do evangelho. Alguém comparou um crente cheio do Espírito Santo com um carro velho: onde para, prega... Então o que temos aqui, é uma igreja que transforma oposição em oportunidade. Oposição, críticas sempre existirão; mas eles não ficam acorrentados pela oposição.
A segunda característica de uma igreja saudável encontra-se no versículo 20: "Alguns deles, porém, que eram de Chipre, de Cirene, e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus."
Uma igreja que tem saúde, anuncia o evangelho. E isso é muito importante, porque lamentavelmente há muita igreja anunciando tudo menos o evangelho. O que entendemos como evangelho? A obra de Cristo, seu sacrifício, o que ele fez, sua vida, morte, ressurreição e glória. Por isso, meus queridos irmãos, todos os sermões devem ser cristocêntricos! Nós queremos que a pessoa de Cristo esteja em evidência: Cristo morreu pelos nossos pecados quando éramos ainda pecadores; Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. Esta é a mensagem do evangelho.
Aqueles irmãos dispersos, formam a igreja colocando Jesus no centro. Eles anunciam a mensagem do evangelho focando na pessoa de Cristo Jesus. E uma das coisas bonitas que o texto aqui nos diz é que eles anunciavam o Senhor Jesus; eles estavam comunicando ao mundo que aquele nazareno que foi pendurado na cruz em Jerusalém há poucos anos atrás, era Senhor, acima de todas as coisas, acima de César, acima do Império Romano! Eles anunciavam Cristo como Senhor. Isso é o evangelho.
A terceira característica que percebemos encontra-se no versículo 21: "A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor."
Uma igreja saudável tem uma marca: as pessoas se convertem a Jesus. Elas não se convertem ao pregador, não se convertem ao pastor, não se convertem à denominação; elas se convertem ao Senhor e colocam Jesus como centro. Se tivermos uma igreja saudável, essa vai ser a evidência: Jesus é o Senhor dela, e as pessoas estarão se convertendo a Cristo.
Spurgeon conta a história de que um dia encontrou um homem bêbado, e esse homem chegou perto dele, querendo ser agradável, disse: "Pastor, o senhor é o pastor Spurgeon?" Ele disse: "Sou." O homem disse: "Pastor, há um tempo atrás eu ouvi um sermão do senhor, eu me converti ao senhor!" Ele disse: "É, de fato, você deve ter se convertido a mim, porque se fosse a Jesus a sua vida não estaria do jeito que está!"
Precisamos entender que uma das características da igreja saudável é que as pessoas se convertem ao Senhor. Se você é convertido a Jesus, você está indo no caminho certo; se o seu coração se converteu a Cristo, você está indo no caminho certo; se esta igreja é convertida ao Senhor, estamos indo no caminho certo.
Chegamos ao quarto ponto, que quero refletir mais profundamente. Aqui vamos encontrar o que eu chamo de cinco pilares de uma igreja saudável:
1. Acolher: A primeira coisa que vamos ver se encontra em At 11.23. Quando Barnabé chega em Antioquia — "tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor." —,
Eu chamo isto de acolher. Existem igrejas que não sabem acolher, e pior: existem igrejas que são hostis às pessoas que chegam. O George Barna fez um trabalho muito interessante num livro chamado Igrejas Amáveis e Acolhedoras.
Existem igrejas que são amáveis, existem igrejas que sabem receber bem; outras são indiferentes àqueles que estão chegando. Mas há algo ainda pior: existem igrejas que se opõem, resistem às pessoas que estão chegando! São igrejas que muitas vezes têm uma liderança muito fechada em torno de si mesma, e essa liderança não permite que outras pessoas se aproximem; são pessoas que olham para a comunidade como a extensão delas mesmas no sentido pior que existe.
Eu era pastor no Rio de Janeiro, uma igreja muito amável e muito bem localizada em um bairro nobre do Rio de Janeiro. Quando fui pastoreá-la foi a primeira vez que eu entrei numa igreja com ar-condicionado, nunca tinha visto isso antes. Eu fui criado em Gurupi, e se alguém aqui foi criado em Tocantins sabe muito bem o que eu estou falando, o calor comia solto! No meu primeiro pastorado em Minaçú, tínhamos um telhado de amianto, e o teto não tinha mais do que quatro metros de altura, e eu pregava de terno e gravata. E quando cheguei na Gávea para ser pastor dessa igreja, tudo era maravilhoso. A igreja que tinha um pequeno auditório de 180 lugares, maravilhoso, na Zona sul do Rio. Um dia, na porta da igreja, uma mulher estava muito indignada: "Pastor, eu cheguei aqui hoje, e no meu lugar tinha alguém assentado, e eu acho que isso não está certo!" Eu falei: "Minha irmã, não fique muito preocupada, porque já tratamos disso no conselho, a senhora vai gostar de ouvir o que eu vou falar." (na verdade, eu estava apenas ironizando). Eu disse: "O conselho da igreja decidiu que vamos chegar no próximo domingo e, como muitas pessoas estão chegando na igreja, vamos dizer para que não retornem mais à nossa igreja, porque não temos mais espaço e vamos indicar outras igrejas e dizer que não venham mais, porque não cabe mais ninguém aqui! O conselho vai comunicar isso domingo que vem. O que a senhora acha disso?" Ela disse: "É, pastor, é uma posição radical, mas eu acho que está correto." Queridos irmãos, isso não é piada.
Mas o que vemos no texto bíblico? Observem que quando Barnabé chega, ele vê as pessoas e se alegrava ao ver a graça de Deus! Isso é acolhimento.
Eu estou muito feliz com alguns personagens que têm vindo nessas festas desses dias aqui: na quinta-feira, Dr. Joe Wilding, antigo presbítero de nossa igreja, com 95 anos, estava aqui... Mas havia ainda outro irmão, com 96, o Bill Fanstone! Bill, está aqui hoje de manhã? Ei, Bill, você é fera, viu? Admiro você! O Bill, 96 anos, assim que terminou o culto não foi embora, ele ficou aqui bebendo refrigerante com o pessoal, conversando com as pessoas. Sai daqui as 23 horas e ele saiu junto comigo, 11 horas da noite!!! Alegre em ver tudo o que está acontecendo. Devemos estar felizes ao ver pessoas se achegando a igreja e acolhê-las com o amor de Cristo.
Nesta manhã temos aqui conosco o Dr. Edmo Pina, ele foi um dos presbíteros que me recebeu quando aqui cheguei. Nossa igreja estava saindo de um momento muito pesado, muitos irmãos haviam abandonado a igreja, e, na medida em que a igreja foi crescendo, ele ficava na porta da igreja, ao meu lado, e ele olhava para mim e dizia: "Pastor, que alegria! Que coisa boa ver as pessoas chegando na igreja, gente que eu não conheço!" Isso, meus queridos, é acolhimento. Igreja que tem saúde acolhe. Isso é riqueza, isso é beleza, é a graça de Deus.
2. Cuidar: A segunda coisa que vamos perceber, meus queridos irmãos, encontra-se no versículo 23: "Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos que, com firmeza de coração permanecessem no Senhor... exortava a todos". (At 11.23). Eu chamo isso aqui de cuidado.
Barnabé exortava a todos. Precisamos redefinir a palavra "exortação". A Bíblia diz que exortação é um dos dons do Espírito Santo, tão espiritual como qualquer outro dom, é um dom espiritual. Eu tenho a sensação de que alguns irmãos gostam muito desse dom, gostam de chamar a atenção dos outros, né? Mas exortar não tem nada a ver com isso! Exortar vem da palavra parakaleo, aquela mesma palavra que Jesus usou dizendo que ele precisava ir para que viesse o “Outro Consolador” referindo-se ao Espírito Santo.
A Bíblia diz diz que Barnabé exortava, “consolava, estava ao lado, encorajava, animava as pessoas”. Uma igreja que tem saúde é uma igreja que sabe cuidar sabem envolver, sabe atrair, sabe cuidar, sabe nutrir, sabe encorajar. Precisamos de encorajamento, de ânimo espiritual! Talvez algumas pessoas não estejam aqui hoje, e você esteja sentindo falta: Faz uma ligação, diz que está orando por ela, encoraje.” Isso é cuidado. E a segunda característica que eu colocaria aqui nesses cinco pilares é cuidado.
3. Nutrir: Outro pilar está no versículo 22: "A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém, e enviaram Barnabé até Antioquia". Por que que a igreja manda Barnabé para Antioquia saindo de Jerusalém? Porque Barnabé era um homem de um coração bom, cheio do Espírito Santo. Agora, quando os gentios começam a se converter — a igreja-mãe — diz: "Vamos mandar Barnabé para lá para cuidar dessas pessoas, ele precisa educar, discipular, treinar os novos convertidos."
Isso é nutrição Igreja saudável precisa aprender a nutrir os outros! Isso faz parte de um organismo vivo que tem saúde: precisamos nutrir.
Por isto temos pequenos grupos, Escola dominical, sermões, discipulado e assim por diante. Nós vamos educando os outros nos princípios do Evangelho, cujos conceitos são transferíveis: o que você ouve, você compartilha. Por isso estamos sempre encorajando pessoas para fazer treinamento de discipulado, para liderar pequenos grupos; precisamos multiplicar, porque isso é uma característica de uma igreja que tem saúde. Adotamos o discipulado vida da Apecom, aplicamos os princípios do “Life on Life” porque queremos que a igreja aprenda a criar essa cultura de discipular, de nutrir a fé, abençoar outras pessoas que estão começando a sua vida cristã. Sabemos que “Ovelha fora do aprisco é petisco de lobo.”
- 4. Treinar: A quarta característica encontra0se no versículo 25: “Partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo.” Ele não ao aeroporto e pegou um avião. Estamos falando aqui de distâncias que não são tão longas de carro, mas que para caminhar a pé, a cavalo ou de camelo é um trajeto longo, cerca de 500 kms. Ele sai da Antioquia e vai para Tarso. O que que ele vai fazer em Tarso? Ele vai atrás de um rapaz que ele conheceu em Jerusalém, a quem ele acolheu e discipulou. A Bíblia diz que o único homem que teve coragem de se aproximar desse torturador dos cristãos foi o Barnabé, que o trouxe para perto de si e o aproximou na igreja (At 9.26). Mas quando ele começou a conversar com Saulo na época ele percebeu que era alguém com uma profunda formação teológica, um cara brilhante, cabeça boa, teólogo, professor, tinha sido treinado aos pés de Gamaliel, uma sumidade teológica daqueles dias.
Quando Barnabé chega em Antioquia, ele deve ter pensado assim: "Eu preciso formar uma equipe, preciso de alguém com profundidade para estar ao meu lado." Ele vai em Tarso, para descobrir os familiares de Saulo. Ele não sabe seu paradeiro. Ele traz Saulo que conhece profundamente a teologia do Antigo Testamento, com formação de rabino; e diz: "Precisamos de você para cuidar das próximas gerações, elas precisam ser equipadas, elas precisam ser treinadas."
O vs 26 diz: "Tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão." Um ano! Treinamento intenso, instituto bíblico, seminário, estudando o Antigo Testamento, aprendendo o evangelho. Isso é capacitar, treinar a igreja. Nós precisamos de homens assim.
Algumas pessoas têm me procurado e falado sobre a minha equipe, a minha equipe pastoral, e eu costumo dizer o seguinte: Deus tem dado um privilégio tremendo de me dar essa equipe. E as pessoas me perguntam: "Como é que você acerta sempre?" Eu falo: por uma razão muito simples. Primeiro critério é o seguinte: eu não contrato tranqueira! Tem muito pastor tranqueira. Eu quero homens dentro das suas áreas exercendo o papel que precisam exercer. Nós somos muito abençoados com cada um deles, que equipe maravilhosa que Deus nos tem dado!
Assim, meus queridos irmãos, tem sido em relação à liderança: presbíteros, diáconos, líderes de pequenos grupos, nós estamos muito interessados em equipar essas pessoas, em nutrir essas pessoas, em treinar, porque se não dermos ferramentas, elas não serão capazes de fazer o ministério para o qual Deus as chama a exercer. Então há um grande número de pessoas sendo treinadas. Precisamos dar ferramentas.
4. Enviar: O último ponto é enviar. Veja o que acontece com esta igreja. Hoje estamos estudante um texto do capítulo 11 de Atos, mas se você for no capítulo 13, versículo 1, vai encontrar essa igreja já estabelecida. A Bíblia diz: "Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger..." (quando eu leio este texto aqui, eu acho engraçado porque hoje nós estamos numa época de racismo, né? Chamar alguém de 'negão' é um negócio complicado, né? E quando tínhamos o pastor Black... Aí era um negócio complicado, como é que chama alguém de 'Black'? Ele era Black mesmo! E esse era um apelido carinhoso para ele. Não era ofensivo.
Meus queridos irmãos, a Bíblia não tem nenhuma crise e eu espero que os irmãos de cor negra também não tenham nenhuma crise com a brincadeira que eu estou fazendo aqui. Mas olha aqui. O texto fala de Simeão, por sobrenome Níger (negão). Opa! Eu sei que a questão do racismo é um problema muito sério na nossa cultura, mas não é esse o caso aqui. A igreja deve ser muito cuidadosa sobre este assunto e tratar isto de forma muito séria: Ninguém deve ser discriminado por sua cor, opção preferencial, religião, raça, e assim por diante e a igreja deve lutar contra este tipo cruel de manifestação.
O texto fala de outro personagem: “Manaém, colaço de Herodes.” Você sabe o que é colaço? Herodes, o Tetrarca era colaço de Manaém, um dos integrantes da equipe pastoral. Colaço é irmão de leite! Muito provavelmente a mãe de Herodes não teve capacidade de dar leite ao seu filho, providenciou uma das amas que deram leite a Herodes. Então, esse rapaz foi criado pela mesma mãe de leite que criou Herodes, estava tudo ali na igreja! E havia também Saulo. Essa é a equipe pastoral.
E o Espírito Santo agora diz: "Separai a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". Ou seja, o Espírito deixa claro sua mensagem: "É para enviar". Uma igreja saudável envia. Enviar, meus queridos irmãos, é muito mais do que mandar alguém para campos transculturais — isso também é bênção. Este ano estamos com cinco seminaristas, além de dois jovens que estão cursando o Instituto Palavra da Vida, que bênção! São pessoas da nossa igreja que saíram para serem treinadas para servir a Deus no ministério, e esperamos que elas sejam enviadas.
Quando nosso pastor Lucas Taube terminou o seminário, Deus disse: "Taube, vá para Rondônia." Certamente Deus fará o mesmo com alguns desses candidatos e dizer: "Olha, nós queremos vocês trabalhando no Piauí, no Pará, no Rio Grande do Sul." Mas o conceito de envio envolve ainda o fato que treinamos as pessoas para servirem a cidade, as empresas, repartições publicas, etc. Seja onde forem, no emprego, nas faculdades elas são enviadas como discipulas de Cristo.
Aliás, este texto afirma que em Antioquia os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez. “Cristão” era uma forma pejorativa para ser referir aos seguidores de Jesus. Literalmente significa, “pequenos cristos.” Deus quer nos enviar para sermos “réplicas de Cristo”, a “face de Cristo”. Se nos dispusermos ele nos enviará para realizar sua obra onde quer que estejamos.
Uma das experiências mais lindas recentemente na nossa igreja tem a ver não com gente já adulta, mas com adolescentes. Eu citei recentemente essa experiência num grande congresso de pastores e líderes no Nordeste. Um rapaz começou a frequentar a igreja, ele é professor de cursinho, e aí alguém lhe perguntou: "Por que que você está vindo para a nossa igreja?" Ele disse: "Lá na nossa escola tem um monte de aluno dessa igreja, eu vi como é que esses meninos se comportam na escola, e disse: 'Eu quero levar os meus filhos para essa igreja, porque eu quero que meus filhos também sejam como esses meninos!'"
Não é maravilhoso pensar nisso? Isso é uma igreja missional! É uma igreja que, enquanto caminha, vai divulgando o evangelho.
Uma igreja saudável precisa de acolhimento, cuidado, treinamento, para que sejam enviados como profissionais liberais, funcionários públicos, para que ajam como servos de Deus. Isso é envio. Nós entendemos que poucas pessoas serão enviadas a campos transculturais, mas que todos somos enviados de alguma forma para a cidade onde nós estamos, e queremos abençoar essa cidade com o evangelho.
Então, meus queridos irmãos, tentando completar aqui a nossa visão, eu queria dizer que precisamos acolher quem chega, precisamos cuidar de quem fica, precisamos nutrir e firmar o caráter, precisamos treinar para o serviço e precisamos enviar para a missão.
Por que que precisamos fazer isso?
- Precisamos acolher para que pertençam;
- Precisamos cuidar para que tenham saúde;
- Precisamos nutrir para fortalecer;
- Precisamos formar para moldar o caráter;
- E precisamos enviar para cumprir a missão.
Desta forma:
- Acolher cria o espaço;
- Cuidar cria o vínculo;
- Nutrir gera saúde;
- Treinar capacita para a ação;
- E enviar gera transformação.
Esta é a estrutura da igreja saudável:
- Cuidar e nutrir é o nosso alicerce;
- Treinar é a nossa ferramenta;
Mas o envio é a nossa identidade. Não fomos chamados para acumular vitórias no banco, mas para gastar a vida no campo. O ninho protege e aquece, mas os filhotes só cumprem seu destino quando abrem as asas. Cuidamos com carinho para treinar com firmeza e enviar com ousadia.
Essa é a palavra do Senhor. Vamos orar:
Pai querido, aplique essa palavra ao nosso coração, Senhor Jesus. Que sejamos uma igreja que glorifique o teu nome, com saúde emocional e espiritual, que entende o tempo que está vivendo e as oportunidades que tem para testemunhar Jesus ao mundo e para declarar que Ele é Senhor da história, Senhor da igreja, Senhor das nossas vidas. Essa é a nossa oração, em nome de Jesus. Amém.

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