Prevaricaram os filhos de Israel nas coisas condenadas; porque Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zera, da tribo de Judá, tomou das coisas condenadas. A ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel. Enviando, pois, Josué, de Jericó, alguns homens a Ai, que está junto a Bete-Áven, ao oriente de Betel, falou-lhes, dizendo: Subi e espiai a terra. Subiram, pois, aqueles homens e espiaram Ai. E voltaram a Josué e lhe disseram: Não suba todo o povo; subam uns dois ou três mil homens, a ferir Ai; não fatigueis ali todo o povo, porque são poucos os inimigos. Assim, subiram lá do povo uns três mil homens, os quais fugiram diante dos homens de Ai. Os homens de Ai feriram deles uns trinta e seis, e aos outros perseguiram desde a porta até às pedreiras, e os derrotaram na descida; e o coração do povo se derreteu e se tornou como água. Então, Josué rasgou as suas vestes e se prostrou em terra sobre o rosto perante a arca do Senhor até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre a cabeça. Disse Josué: Ah! Senhor Deus, por que fizeste este povo passar o Jordão, para nos entregares nas mãos dos amorreus, para nos fazerem perecer? Tomara nos contentáramos com ficarmos dalém do Jordão. Ah! Senhor, que direi? Pois Israel virou as costas diante dos seus inimigos! Ouvindo isto os cananeus e todos os moradores da terra, nos cercarão e desarraigarão o nosso nome da terra; e, então, que farás ao teu grande nome?
Então, disse o Senhor a Josué: Levanta-te! Por que estás prostrado assim sobre o rosto? Israel pecou, e violaram a minha aliança, aquilo que eu lhes ordenara, pois tomaram das coisas condenadas, e furtaram, e dissimularam, e até debaixo da sua bagagem o puseram. Pelo que os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos; viraram as costas diante deles, porquanto Israel se fizera condenado; já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a coisa roubada. Dispõe-te, santifica o povo e dize: Santificai-vos para amanhã, porque assim diz o Senhor, Deus de Israel: Há coisas condenadas no vosso meio, ó Israel; aos vossos inimigos não podereis resistir, enquanto não eliminardes do vosso meio as coisas condenadas. Pela manhã, pois, vos chegareis, segundo as vossas tribos; e será que a tribo que o Senhor designar por sorte se chegará, segundo as famílias; e a família que o Senhor designar se chegará por casas; e a casa que o Senhor designar se chegará homem por homem. Aquele que for achado com a coisa condenada será queimado, ele e tudo quanto tiver, porquanto violou a aliança do Senhor e fez loucura em Israel. Então, Josué se levantou de madrugada e fez chegar a Israel, segundo as suas tribos; e caiu a sorte sobre a tribo de Judá.
Fazendo chegar a tribo de Judá, caiu sobre a família dos zeraítas; fazendo chegar a família dos zeraítas, homem por homem, caiu sobre Zabdi; e, fazendo chegar a sua casa, homem por homem, caiu sobre Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zera, da tribo de Judá. Então, disse Josué a Acã: Filho meu, dá glória ao Senhor, Deus de Israel, e a ele rende louvores; e declara-me, agora, o que fizeste; não mo ocultes. Respondeu Acã a Josué e disse: Verdadeiramente, pequei contra o Senhor, Deus de Israel, e fiz assim e assim. Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma barra de ouro do peso de cinquenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata, por baixo.
Então, Josué enviou mensageiros que foram correndo à tenda; e eis que tudo estava escondido nela, e a prata, por baixo. Tomaram, pois, aquelas coisas do meio da tenda, e as trouxeram a Josué e a todos os filhos de Israel, e as colocaram perante o Senhor. Então, Josué e todo o Israel com ele tomaram Acã, filho de Zera, e a prata, e a capa, e a barra de ouro, e seus filhos, e suas filhas, e seus bois, e seus jumentos, e suas ovelhas, e sua tenda, e tudo quanto tinha e levaram-nos ao vale de Acor. Disse Josué: Por que nos conturbaste? O Senhor, hoje, te conturbará. E todo o Israel o apedrejou; e, depois de apedrejá-los, queimou-os. E levantaram sobre ele um montão de pedras, que permanece até ao dia de hoje; assim, o Senhor apagou o furor da sua ira; pelo que aquele lugar se chama o vale de Acor até ao dia de hoje.
Essa é a palavra do Senhor.
No ano de 1994, eu era pastor na Gávea, no Rio de Janeiro, e recebemos um convite para irmos para os Estados Unidos, plantar uma igreja na região de Nova York e Nova Jersey. Nós saímos ainda muito jovens para cuidar de um pequeno grupo de crentes de língua portuguesa que estava ali naquela região, o grupo base daquela pequena igreja hoje é a igreja Presbiteriana de South River, que Deus nos deu a graça de plantar, e está firme, com sede própria, marcando vidas até hoje. Era um grupo assim que vinha de uma igreja que estava passando por um momento muito conturbado. O pastor deles tinha sido surpreendido em pecado, e eles tentaram conciliar a coisa, não conseguiram e acabaram saindo da igreja.
O curioso é que um daqueles presbíteros que veio com esse grupo me contou uma história: um sonho que ele teve poucos dias antes de estourar todo o escândalo. Ele sonhou que estava chegando na igreja deles e havia policiais, corpo de bombeiros, militares e muito gente periciando a igreja. Ele quis entrar — ele era presbítero da igreja —, e eles disseram: "Não, não pode entrar, porque tem um cadáver no porão." E os membros da igreja ficavam do lado de fora aguardando o desfecho. Ele acordou sobressaltado com aquele assunto.
Naquele final de semana, o o título do artigo do boletim da igreja foi: "Há pecado no arraial". E naquela semana o escândalo estourou: o pastor estava envolvido em um relacionamento adulterino, e a igreja esfacelou. Alguns irmãos tentaram conciliar a coisa, o pastor negou tudo e rejeitou a acusação, apesar de todas as provas.
Eu estou contando isso porque, na verdade, meus queridos irmãos, quando olho esse texto aqui, eu vejo uma situação muito parecida com o relato que eu acabei de contar. Veja o contexto que está acontecendo aqui: o povo de Deus acabou de sair de uma grande vitória contra a cidade de Jericó. A Bíblia diz que Jericó foi vencido de uma forma miraculosa. Depois de vencida essa batalha nessa cidade, havia uma cidade próxima ali chamada Ai. Era uma cidade pequena, tão insignificante que, na avaliação dos espias, dos estrategistas da guerra do povo de Israel não precisariam mandar muito mais do que uns dois ou três mil homens para vencer a cidade; “não fatigueis ali todo o povo, porque são poucos os inimigos."
E eles foram para lá. Deus deu ordem clara: "Olha, não é para tocar em nada, em nenhum despojo para vocês trazerem." E o exército de Israel foi brutalmente derrotado. Situação complicada, saíram fugidos com medo, várias pessoas morreram. E quando chegou a notícia da derrota do povo de Deus para um grupo tão pequeno, para uma cidade tão pequena, a Bíblia diz que Josué e os anciãos se prostraram diante do Senhor de manhã até à tarde. Eles estavam muito muito angustiados com toda a situação.
Josué interpelando a Deus: "Por que fizeste este povo passar o Jordão para nos entregar nas mãos dos amorreus, para nos fazerem perecer? Tomara nos contentáramos com ficarmos além do Jordão! Ah, Senhor, que direi, pois Israel virou as costas diante dos seus inimigos? Ouvindo isto, os cananeus e todos os moradores da terra nos cercarão e desarraigarão o nosso nome da terra; e então que farás ao teu grande nome?"
Então disse o Senhor a Josué: "Levanta-te! Por que estás prostrado assim sobre o rosto? Israel pecou, e violaram a minha aliança aquilo que eu lhes ordenara, pois tomaram das coisas condenadas, e furtaram, e dissimularam, e até debaixo da sua bagagem opuseram. Pelo que os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos; viraram as costas diante deles, porquanto Israel se fizera condenado. Já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a coisa roubada. Dispõe-te, santifica o povo e dize: 'Santificai-vos para amanhã, porque assim diz o Senhor, Deus de Israel: Há coisas condenadas no vosso meio, ó Israel; aos vossos inimigos não podereis resistir, enquanto não eliminardes do vosso meio as coisas condenadas. Pela manhã, pois, vos chegareis segundo as vossas tribos; e será que a tribo que o Senhor designar por sorte se chegará segundo as famílias; e a família que o Senhor designar se chegará por casas; e a casa que o Senhor designar se chegará homem por homem. Aquele que for achado com a coisa condenada será queimado, ele e tudo quanto tiver, porquanto violou a aliança do Senhor e fez loucura em Israel.'"
Então Josué se levantou de madrugada e fez chegar a Israel segundo as suas tribos, e caiu a sorte sobre a tribo de Judá. Ao ler o texto vamos percebemos algumas coisas interessantes. Primeiro é que, às vezes, estamos chorando por um fracasso pessoal, alguma coisa que Deus não faz, quando na verdade deveríamos chorar pelo nosso pecado; não pelo que está acontecendo em si, mas pelo que levou isso a acontecer. Nem toda dor é gerada por pecado, mas muita dor é gerada pelo pecado. O problema não estava em Deus, mas no povo.
Eu lembro recentemente de um caso dantesco acontecido no interior de Minas, de um pastor com comportamentos estranhos, sua esposa começou a achar estranho seu comportamento, depressivo demais, cada vez mais isolado. A esposa o pressionou, ele pegou um revólver, foi para o banheiro e deu um tiro no ouvido. O que estava acontecendo? Ele se envolveu com pedofilia digital e estava transmitindo fotos de menores pela internet. A Polícia Federal o rastreou e o pegou. Ele sabia que a polícia o tinha pego e então, para não provocar um escândalo, ele causa um escândalo maior. Sua depressão gerada por quê? Por causa do seu pecado. Sua tristeza, na verdade, tinha que ser lidado com pecado de arrependimento, confissão e enfrentamento, mas não foi o que ele fez.
Muitas vezes estamos chorando por um fracasso da nossa história, quando Deus está olhando para nós e dizendo assim: "Olha, o seu problema é atitude sua." Dá para você olhar a coisa pela perspectiva certa? Há um texto em Provérbios 19.3, que é muito sério: "A estultícia do homem perverte o seu caminho, mas é contra o Senhor que o seu coração se ira." Ficamos zangados com Deus quando o problema foi nosso, mas ficamos culpando a Deus.
O que vemos nesse texto é exatamente a mesma coisa: o pecado do povo era a causa da derrota, mas Josué está chorando e reclamando com Deus, murmurando, dizendo: "Deus, como é que o Senhor permitiu que essas coisas acontecessem?" E quando ele vai reclamar, Deus chama sua atenção ele diz: "Por que é que você anda prostrado? Pare de chorar, Israel pecou! Por que é que você está aí desse jeito? Olha a coisa da forma certa, levante a cabeça!"
Isso é muito sério, sabe por quê? Porque sempre corremos o risco de uma interpretação equivocada daquilo que estamos vermos a vida com a ótica errada. Josué vê o fracasso do povo de Deus, fica preocupado com a reputação, e com o nome de Deus, ele reclama de Deus e murmura, mas Deus vê o pecado do povo: "Por que é que você está chorando assim? Há pecado no arraial!"
Então corremos o risco muitas vezes de fazermos interpretações equivocadas. A causa não era Deus — não foi Deus que gerou o problema —, a causa era o pecado. Então nós precisamos aprender a colocar as emoções e a mente no lugar certo: por que as coisas estão como estão? Por que chegamos a esse ponto?
A causa foi a ação de Acã, ele havia quebrado a aliança, furtado e dissimulado. O que ele fez? Foi para a guerra, e lá encontrou uma capa babilônica. Você imagine... Eu nem sei se Acã frequentava lugares onde houvesse ambiente com essa capa tão linda. Aquela capa era chiquérrima. Ele olhou e disse: "Eu sempre quis ter um negócio desse!" Colocou debaixo da sela de seu animal e trouxe para sua casa, além de 200 siclos de prata, (mais ou menos 2 kg), que no preço do mercado hoje seria em torno de 150 mil reais. Trouxe também uma barra de ouro de 1 kg (366 mil reais). Era muito dinheiro! Ele ficou doido com aquele negócio e quando ele viu aquilo tudo aquilo ele ocultou, escondeu, e voltou para casa. Apesar da ordem clara que Deus havia dado.
Então, na verdade, esse texto vai mostrar que podemos usar ótica errada para nossas crises. Como é que estamos interpretando os fatos que nos acontecem? Quais são as narrativas que temos adotado para nos justificarmos? As coisas nem sempre são da forma como dizemos que elas são; há muitos outros fatores que precisam estar em jogo para mudar a perspectiva e nos ajudar a ver como de fato as coisas são.
Deus sabe os motivos reais. O real motivo do fracasso não era foi o abandono de Deus; o real motivo do fracasso era o pecado do povo. "Há coisas condenadas no vosso meio." (Jz 7.3) Outra tradução diz: "Há pecado no arraial." O problema é que a gente quer ter vitória sendo desobediente.
Gosto muito da frase do Charles Stanley: "Nunca viole os princípios de Deus se você deseja ganhar ou manter as bênçãos de Deus." Facilmente violamos os princípios de Deus e esperamos que ele abençoe a nossa infidelidade. Deus não vai abençoar a infidelidade! Ele não tem compromisso com a infidelidade. Não há vitória com pecado: "Vocês não poderão resistir aos inimigos enquanto não eliminarem do meio de vocês as coisas condenadas”. Eles precisavam de arrependimento e confissão.
Uma das primeiras coisas que o texto mostra é que é preciso dar clareza ao pecado, trazer luz às trevas. E isso, meus queridos irmãos, não é coisa muito simples de se fazer. O texto revela como esse processo de autodenúncia é tão complexo, como temos dificuldade de entrar em contato com o nosso próprio mal.
Deus diz a Josué: "Há pecado no arraial." E Josué, orientado por Deus, chama o povo todo — todos os homens. Você imagine quanto tempo levou isso? Lançar sortes para descobrir qual tribo era culpada A sorte apontou par a tribo de Judá. Depois, para a família de Zeraítas, até chegar em Acã. Acã está vendo tudo isso acontecendo, o cerco apertando, as coisas se tornando claras. Ele está diante de um Deus santo, entretanto, apesar de tudo isso, ele não se denuncia!
Isso revela como é difícil admitir o pecado, fazer uma autodenúncia. Confissão de pecados, na verdade, é uma autodenúncia. Jacqueline, uma mística católica da Idade Média disse que “confissão é a antecipação do juízo”. Sabemos que um dia seremos julgados por todas as coisas que fizemos, então, antes de chegar o grande dia, nos antecipamos: 'Ó Deus, não temos como nos esconder do Senhor, não tem jeito. Não podemos viver nesta vida escondendo porque seremos denunciados no juízo final, portanto eu me antecipo e me declaro culpado.'"
Isso é uma dura tarefa: revelar o pecado, admitir que erramos, não é fácil. Quando seu pecado é revelado, Acã afirma: "Cobicei, pequei contra o Senhor, eu cobicei aquilo que Deus disse para eu não olhar." (Jz 7.21) Então nós ocultamos, nós justificamos, nós racionalizamos o quanto pudermos. Este é o mecanismo natural e pecaminoso de nosso coração. Lamentável...
A capa de Acã escondida na tenda é um processo delicado, mas muito bem planejado, e é assim que fazemos como nossos pecados. Olha só que estratégia boa: ele botou no meio da tenda dele, no deserto, cavou um buraco, enfiou a capa, a prata, o ouro, deixou tudo escondidinho. Tudo voltou ao normal, tudo estava perfeito, aparentemente... Nós criamos boas estratégias para o subterfúgio; achamos que dá para enganar, e muitas vezes nós vivemos assim. Mas não é possível ocultar de Deus, afinal, não há nada oculto que não venha a ser revelado.
Então, confessar o pecado, reconhecer o mal, não é fácil, porque não gostamos de entrar em contato com o nosso próprio mal. Nós não gostamos de reconhecer, de admitir. Confissão de pecados é uma declaração de culpa: "Eu não tenho defesa, eu não tenho mais como me defender, eu me autodenuncio."
Provérbios 28.13 afirma: "O que encobre as suas transgressões jamais prosperará, mas o que confessa e deixa alcança misericórdia." Ou seja, o caminho não é encobrir, porque o que encobre as suas transgressões jamais vai prosperar. O caminho é o da confissão, entrar em contato com o mal, dizer "pequei", entrar em contato com o nosso lado sombrio. Reconhecer que erramos é doloroso, mas é ao mesmo tempo libertador.
Davi afirma: "Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos, porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não encobri... e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado." (Sl 32.3-5)
A grande bênção que temos, meus queridos irmãos, é realmente entender que, ao confessarmos diante do grande juiz, somos absolvidos. Então, se você está vivendo escravizado ou preso a alguma coisa na sua história que está atrapalhando o seu próprio crescimento, a sua paz, a sua consciência, a confissão de pecados é o melhor caminho.
Josué diz: "Conte-me agora o que você fez, não me oculte nada." (Jz 7.19) Não existe vitória sem santificação; não existe vitória com pecado. "Levante-se. Santifique o povo; vocês não poderão resistir enquanto não santificarem." (Jz 7.13)
Esse texto muito forte. O autor aos Hebreus afirma que temos que nos despojar de todo o peso e do pecado que tenazmente nos assedia (Hb 12.1). Peso e pecado nos prendem e precisamos vencer isso com confissão, indo para a presença de Deus. Santificação é o caminho da cura. Santificação implica ruptura, admissão, confissão, arrependimento.
Martin Lloyd-Jones declarou: "Se você não deseja santidade, eu não vejo que tenha qualquer direito de pensar que você é um cristão." Esta frase eu a tenho escrita aqui na primeira página da minha Bíblia, e ela diz o seguinte: Se você não deseja santidade, eu não vejo nenhum direito de você dizer: "Eu sou um cristão." Porque uma das coisas presentes na natureza do cristão é seu desejo de fugir do pecado. Precisamos pedir para que Deus nos dê tristeza pelo pecado, e nos afaste daquilo que pode contaminar a fonte da nossa vida, a alegria do nosso coração.
Continuando vamos perceber que o pecado trazer danos não só a ele, mas vai trazer à comunidade, à sua família e à comunidade. Porque, na verdade, ele é apedrejado, mas a sua família é envolvida em tudo isso. Então, o pecado nos atinge "O vosso pecado vos achará." (Nm 32.23) O texto não diz que Deus descobrirá o pecado, mas que o próprio pecado achará quem o cometeu. É interessante, não é? O erro persegue o infrator até cobrar pelo seu erro; ele nos seguirá. O tempo e as circunstâncias acabam trazendo as consequências, seja na saúde, nos relacionamentos, na reputação, na consciência, e assim por diante. Por isso confissão é libertadora, entrar em contato com o nosso mal é uma benção. Nos liberta das amarras da consciência e nos resgata diante de Deus.
Mas o texto demonstra que o pecado de Acã atinge sua família, toda sua família é envolvida e sofre as consequências. Vocês já viram como pecados em família vão trazendo consequências graves? Um pai que fere a família vai trazendo consequências sobre a esposa, filhos e até mesmo os netos, isso vai de geração em geração. O arrependimento e a confissão têm o poder de restaurar e estancar o mal. O caminho é correr em direção à cruz, ir para a presença de Jesus, pedir para que Deus construa e escreva uma nova história. A graça e a misericórdia de Deus são capazes de fazer tudo novo e nos restaurar.
O pecado também atinge a comunidade, porque eles vão para a guerra e vários dos soldados morrem — e morreram por quê? Por causa do pecado de Acã. Como as igrejas sofrem por causa disso! Pecados de liderança trazem graves consequências para o povo de Deus. John Stott fala que nenhuma igreja vai além da sua liderança. Uma liderança infiel, vai destruindo a igreja local: pastores infiéis, presbíteros infiéis, diáconos infiéis... Esse negócio traz efeito cascata na vida da igreja.
Eu fui recentemente numa conferência na igreja Boas Novas na Flórida, e o pastor de lá me falou de uma das maiores igrejas brasileiras daquela região, que era referência para as demais, com um pastor muito carismático, que se envolveu num relacionamento adulterino. Essa igreja, literalmente, se fragmentou, implodiu. O pecado vai atingir frontalmente a comunidade, vai roubar a saúde, vai roubar a vitalidade da igreja. É o que nós vemos aqui: atingindo o povo de Israel, Josué chorando, os anciãos chorando, e Deus dizendo: "Para de chorar, levanta a cabeça, trate do problema, é preciso santidade."
Esse texto termina, com Josué falando: "Por que nos conturbaste? Por que causaste tudo isso para nós? O Senhor hoje te conturbará." E uma sentença pesada é dada a Acã. Ele e toda sua família seria apedreja: Destruição, choro, tragédia. Este é o efeito do pecado. Você imagina como foi triste esta cena? E os efeitos do pecado e da desobediência nos dias de hoje?
Quando vemos a severidade com que Deus trata o pecado, começamos a perguntar: "E hoje? Como é que Deus trata o pecado?" A Bíblia fala lá em Levítico que uma pessoa que blasfemasse contra Deus deveria ser apedrejada. Um filho rebelde... (vixe)... esse negócio é complicado... deveria ser apedrejado. Se essa moda pega... era assim no povo de Deus do Antigo Testamento.
Agora, presta atenção: Deus continua tratando o pecado com a mesma severidade, ainda que nós muitas vezes não atentemos para isso. O que é que Deus fez? O seu pecado e o meu pecado é algo tão grave aos seus Deus, tão sério, que Deus não passou a mão em nós e nos inocentou. A Bíblia nos fala que “Deus propôs” (Rm 3.25- ARA) QUE Jesus se tornasse nossa propiciação. Ao mesmo tempo, justo e justificador. Quando a Bíblia fala que ele é o justo, isso significa que ele vai punir o pecado; e quando ele fala que é o justificador, ele diz que assume a justiça no meu lugar, a culpa no meu lugar — Jesus assume a minha culpa, ele toma o meu lugar
Ou seja, o o pecado continua sendo grave, algo tão sério que só é resolvido com a morte do próprio Filho de Deus. Jesus morre no meu lugar, ele morre para me dar vida, porque o Deus santo não vai tratar com impunidade o pecado. O que Jesus Cristo fez na cruz foi satisfazer o julgamento de Deus, a ira de Deus. Um Deus santo exigia que houvesse reparação, porque o salário do pecado é a morte. E agora esse Deus santo faz o quê? Ele coloca seu Filho em meu lugar.
Ele é justo: ele pune o pecado; ele é justificador: ele aplica a justiça em seu Filho. Ele é justo e justificador. Mas há um detalhe nesse texto aqui que chama atenção, Romanos 3:26, que fala que a justificação é para aqueles que tem fé em Jesus. Ele não é justificador de todos; ele é justificador daquele que tem fé em Cristo. Quando colocamos em Jesus a nossa confiança para a nossa justificação —nos apresentamos diante de Deus com a justiça de Cristo —, ele morreu por nós. A severidade do pecado está na cruz. A cruz revela como Deus trata seriamente o pecado, porque ele é santo.
Juízes 7 mostra a punição severa sendo dada, mas foi assim que Deus fez também com o seu Filho amado. O seu Filho amado morreu na cruz; Deus não é um juiz indulgente que ignora a lei por causa do seu amor, como muitos acham. Deus é justo; essa dívida jurídica e espiritual precisa ser quitada, mas ela já foi quitada!
Por isso que nós glorificamos o nome de Jesus, por isso que exaltamos a obra de Deus, e por isso que olhamos para a cruz. Nós somos um povo que estamos fixamente com os nossos olhos em Cristo. Porque quando você olha para dentro de você, o resultado é desespero; quando olha para fora, o resultado é cinismo; mas quando você olha para a cruz, o resultado é esperança.
Eu queria que você entendesse o evangelho, mas que você não tratasse o seu pecado de forma ingênua, que você não ficasse com o seu pecado dentro da sua tenda escondido, com a sua capa babilônica, com as suas pratas e com o seu ouro, fazendo de conta que Deus não vê. Não faça isso! O processo é lento, dolorido e trágico, mas é bom demais saber que nós temos um Deus que nos restaura em Cristo Jesus, poder olhar com esperança e alegria dizendo: "Muito obrigado, Senhor, por tudo o que o Senhor fez." É por isso que nós oferecemos sacrifício de louvor a Jesus, que é o fruto dos lábios que confessam o seu nome.
Eu queria convidar você para que revisitasse sua própria história: há alguma coisa pela qual você precisa se arrepender? Alguma coisa que está travando a sua vida, trazendo derrotas? Alguma coisa que você percebe que está impedindo o avanço, impedindo a vitória espiritual na sua vida? Você quer se autodenunciar na presença de Cristo? Você quer hoje trazer o seu pecado e dizer: "Senhor, eu pequei,! Eu não tenho mais defesa, estou aqui pelo nome de Cristo pedindo para que o Senhor tenha misericórdia de mim"?
Hoje é um dia que Deus pode mudar sua história, transformá-la, te dar nova direção.
Vamos orar?
Ó Deus querido, aplica a tua palavra ao nosso coração em nome de Jesus. Se há, Deus, alguma coisa oculta precisando ser revelada, desmascarada, retirada do meu coração, em nome de Jesus, que o Senhor faça isso, e ajuda-nos, ó Deus querido, a entender a beleza e a graça do evangelho para que celebremos o teu nome em alegria e contentamento.
E que a bênção do Deus Pai, do Deus Filho e do Deus Espírito Santo esteja com vocês, irmãos, com todo o povo de Deus, hoje e sempre. Amém.
