quinta-feira, 7 de abril de 2016

2 Rs 2.9-14 Porção dobrada do Espírito

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Introdução:

Elias exerceu seu ministério profético durante nos dias de Josafá, rei de Jerusalém, Acabe e Acazias no reino do Norte. Na verdade, seu ministério esteve quase todo o tempo relacionado ao ímpio e idólatra reinado de Acabe e de sua perversa mulher Jezabel, que não era israelita, mas viera de Ecrom e adorava Baal-Zebube. Sua relação com este reinado foi sempre conflitiva e tensa.
Quando estava para ser arrebatado, os discípulos da escola de profeta de Betel e Jericó tiveram a revelação de que Elias seria tomado naquele dia. Estas escolas eram muito comuns naqueles dias, um lugar de preparação espiritual, equivalente aos atuais mosteiros, institutos bíblicos e seminários.
Neste contexto, Eliseu, seu discípulo mais chegado faz um pedido inusitado, que parece um tanto arrogante e pretencioso. “Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito” (2 Rs 2.9). Ao lermos este relato, surgem algumas questões de interpretação.
-Estaria Eliseu querendo ser maior que seu mestre?
-Não seria pretensão um pedido deste?
-Por que Eliseu pediu isto?
-Qual o significado do seu pedido?

Vivemos dias em que muitas pessoas correm atrás de poder espiritual. Já pararam para considerar quão perigoso pode ser este desejo. Como os motivos podem ser errados e danosos...
Pr. Ricardo Barbosa relata que certo homem era casado com uma mulher de sua igreja, era um empresário conhecido por sua truculência nos negócios, por humilhar as pessoas, maltratar sua esposa. Do seu jeito atabalhoado um dia foi alcançado pelo Evangelho. Daí pra frente começou a buscar a Deus em todos os lugares onde havia manifestação do poder de Deus. Um dia ele comentou com o Pr. Ricardo, da sua busca obsessiva pelo poder. Ao que este perguntou: “Para que você quer poder? Para continuar atropelando as pessoas? Para transformar Deus em seu parceiro de arrogância? Quer espiritualizar as coisas agora?”
A Bíblia relata a trajetória espiritual de um homem chamado Simão, o mágico, que fascinado pelos milagres que via pelas mãos dos apóstolos aderiu ao grupo, e chegou até mesmo a ser batizado. Entretanto, sua motivação era altamente pecaminosa. “Vendo, porem, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espirito santo, ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espirito Santo” (At 8.18-19).
Simão queria poder para manipular e controlar.
Estaria Eliseu sendo conduzido por motivos errados? Estava ele sugerindo que queria ser maior que Elias?
Duas razões nos levam a concluir que não.
Em primeiro lugar, Elias não faz menção nem estranha seu pedido, apenas afirmou: “Dura coisa pediste”. E o abençoou.
Em segundo lugar, Deus realmente lhe deu um ministério profícuo. Se seus motivos fossem ruins, Deus não o atenderia. Ou não é isto que nos ensina a Palavra: “Se no meu coração eu contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido”.

Qual era o pedido de Eliseu?
A Bíblia de Genebra tece o seguinte comentário: “Em Israel, o filho mais velho recebia uma partilha dupla da herança da família e também tinha o direito de suceder a seu pai (Dt 21.17). O desejo de Eliseu de receber porção dobrada do Espírito de Elias, foi, por conseguinte, um pedido ousado de levar adiante o ministério de Elias”. O que ele pede? Não para ser superior ou maior, mas para ser seu sucessor na dura jornada profética que Elias exercera. Por isto Elias lhe respondeu: “Dura coisa pediste!”
A Bíblia Shedd faz comentário similar:
“Não quer dizer que Eliseu pretendia ter duas vezes o poder de Elias, mas sim, estava querendo ser herdeiro da missão profética de Elias, e por isto, a porção dupla era a herança do primogênito, comparada a dos demais filhos. O primogênito era o herdeiro patronal, herdava a riqueza, o nome, e representava a família.
Donald J. Wiseman afirma: “O filho primogênito tinha a responsabilidade de perpetuar o nome e o trabalho do pai”. Porção dobrada, não era, portanto, mais poder para realizar milagres, antes mais responsabilidade como novo líder. Não era o dobro do poder espiritual de Elias, e nem Elias jogou seu espirito sobre Eliseu. Tanto é assim que ele não prometeu coisa alguma a Eliseu, apenas afirmou que se ele o visse subindo, receberia tal comissionamento, o que realmente aconteceu.
Ninguém pode receber unção dobrada, porque o Espirito de Deus não pode ser medido, e nem é dado por medida (Jo 3.34). Seria pretensão descabida de Elizeu ou até falta de humildade se ele fizesse tal pedido.
No entanto, a vida de Eliseu nos ensina que, aqueles que quiserem desempenhar bem o ministério que Deus lhes dá, precisam ter algumas coisas em mente:

Primeiro, é necessário ficar um pouco mais perto
Eliseu não se distancia de Elias. A única promessa que Elias lhe faz é a seguinte: “Se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não me vires, não se fará”. (2 Rs 2.9). Quando Elias sugere: “Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Betel, respondeu Eliseu: tão certo como vive o Senhor e vive a tua alma, não te deixarei. E assim, desceram a Betel” (2 Rs 2.2). Novamente Elias insiste para que ele não o acompanhe, mas Eliseu não se afasta (2 Rs 2.4).
Muitos querem assumir liderança na igreja, colocar seus serviços a favor do reino, mas ficam sempre distantes, nunca se envolvem e nem se aproximam. Muitos querem a benção mas se afastam do lugar onde a benção de Deus flui.
Eventualmente em igrejas grandes é fácil nos escondermos e nunca servimos a comunidade. Não trazemos nosso tempo, não servimos com os talentos ou recursos. Muitos reclamam que nunca são convidados para ajudar nas atividades e serviços da igreja, mas em geral, também nunca estão disponíveis. Muitos reclamam da falta de conforto ou das estruturas da igreja sem nunca se comprometer com seu dinheiro para a melhoria do templo e das salas.
Se você quiser servir, crescer na fé e no compromisso, é necessário estar mais perto.
A Bíblia fala que uma das causas da queda de Pedro se deu por tentar seguir Jesus de longe. Ao mesmo tempo afirma que “O jovem Josué nunca se apartava da tenda” (Ex 33.11). Este Josué se tornaria o futuro líder do povo de Israel, mas isto não aconteceu aleatoriamente. Ele sempre estava lá, servindo, cooperando, envolvendo-se no ministério, e quando chegou a hora de alguém assumir o lugar de Moisés, seu nome foi naturalmente indicado.
John Maxwell fala no seu livro O Líder 360o graus, que muitas pessoas pensam que só poderão assumir funções quando já forem líderes, quando na verdade,  devem estar preparados, porque quando as oportunidades surgirem, já devem ter deixado sua marca na organização e na obra que fazem.

Segundo, você tem que ir um pouco mais longe
Eliseu caminha com Elias, onde quer que este se dirigia. Ele segue para Betel, Eliseu vai com ele; ele se dirige a Jericó, Eliseu o segue; dali para a travessia do Jordão, Eliseu anda junto e vai onde for necessário. Por que os demais discípulos não fizeram o mesmo trajeto, porque não os acompanharam?
A verdade é que você não pode parar nem em Betel, nem Jericó, nem o Jordão. Caminhe o quanto for necessário. Se preciso, invista tempo e recurso.
Muitos se contentam em caminhar um pouco.
Os discípulos dos profetas sabiam até os detalhes de como seria o arrebatamento de Elias: “Sabes que o Senhor, hoje, tomará o teu Senhor, elevando-o sobre a tua cabeça?” (2 Rs 2.3). Se sabiam tanto, por que não foram juntos? A resposta clara é a falta de interesse.
O comodismo, a lei do menor esforço, a mediocridade, nos impedem de irmos adiante.
Gosto de relatar a história da mãe de um garoto que padecia uma grave enfermidade e procurou um bombeiro pedindo-lhe que fosse visitar o garoto no hospital. O bombeiro prometeu que iria, e no dia marcado, chegou com um forte aparato no carro de bombeiro, acionou a escada magirus e entrou pela janela do quarto do hospital para visitar aquela criança. Levou-lhe uma roupa de bombeiro mirim e condecorou a criança.
Esta é uma boa ilustração de excelência.
Gente que vai adiante. Não se contenta com o que existe, quer melhorar. Não faz apenas o que lhe pedem, antecipa-se. Em geral, quem tem a visão, tem o dom. Esta capacidade de servir, de melhorar, de influenciar.
Se quisermos uma vida plena de sentido e ministério, precisamos caminhar um pouco mais longe, andar a segunda milha, sair do circulo do anonimato, descompromisso, displicência ou preguiça.

Terceiro, você tem que querer um pouco mais
É isto que percebemos em Eliseu. Ele quer continuar o ministério, quer honrar Elias, quer exercer o ministério e por isto se entrega com disposição.
Liderança na igreja é sempre um desafio. Muitas igrejas reclamam do fato de não terem pessoas disponíveis para a obra. Um texto que me desafia é 1 Tm 3.1: “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja”. O problema dos membros da igreja não é desejar uma função, ou aspirar algo na comunidade, antes é a falta e interesse, de não querer nada. Se você deseja crescer na graça e servir o reino de Deus, é necessário ir um pouco mais. Comprometer-se um pouco mais.
Já ouviram aquela velha alegoria: “A galinha colabora com o café da manhã, o porco se compromete”. Na igreja existem muitos que colaboram (alguns nem isto), mas poucos são os que estão comprometidos. Essa é a diferença entre o envolvimento, superficial, aparente e o comprometimento, real e profundo.
Quando é lançado um desafio em uma organização, surge uma diversidade de pessoas dispostas a colaborar para o sucesso da empreitada. Cada uma com ua forma e estilo. Aparecem aqueles muito envolvidos e outros, nem tanto. Mas também existem os comprometidos com os resultados, os que lutam, dão seu máximo, buscam corresponder com as expectativas e cooperar.

Conclusão
Eliseu se disponibiliza. “Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito”.
Não queria ser maior, queria apenas continuar o grande desafio da obra profética tão necessária em Israel. Não queria superioridade, mas realizar a função de ser a voz de Deus para aquela geração tão distanciada de Deus, a fim de trazer a nação de Israel novamente para a Lei de Deus.
Ele não queria o dobro de Elias.
Mas queria se comprometer como Elias o fizera.
Não queria ser superior, queria ser servo.

  


Ef 1.7-14 Bençãos: VI. Deus desvenda seu mistério






Introdução:

Em 2010, um megaprojeto, com valor estimado em 10 bilhões de dólares, reuniu as maiores cabeças pensantes no mundo da física. Este grupo de pesquisadores construiu uma pista subterrânea de 27 Km na fronteira da França e Suiça, para descobrirem o bóson de higgs, ou a partícula de Deus, que já vem sendo estudada por mais de 40 anos, para “comprovar a existência de uma partícula que não tem utilidade prática” (Revista Super Interessante), embora seja muito útil no campo teórico.
Esta partícula chegou a ser chamada de “o Santo Graal” da física, porque sem ela, o planeta terra não teria surgido a 13.7 bilhões de anos atrás, de acordo com a arqueologia. “A partícula de Deus não deixa de ser uma aposta na magia. Na magia divinatória da ciência” ( Super Interessante). Seus idealizadores ganharam em 2013 o prêmio nobel de física, encabeçada por um cientista escocês. Em suma, estão procurando este elemento que é o ponto central, que dá sentido e liga toda espécie de vida humana e do surgimento do universo. 
A Bíblia afirma nestes dois versículos, que Jesus é este centro, do qual emanam todas as coisas.

Desde o vs 3, temos considerado as bençãos espirituais que Deus deu ao seu povo, e no vs 9, vemos a quinta benção: Segundo sua abundante graça, Deus desvendou ao seu povo o mistério de sua vontade, proposto em Cristo.

Participar deste mistério é fruto de sua graça.

O que não é mistério

As antigas “religiões de mistério” sempre existiram e ainda exercem forte atração para a geração pós-moderna, que é “espiritualizada”, no sentido pagão da palavra. Tais religiões usavam o termo “mistério”, para se referir a alguma iniciação esotérica que dela participavam, algo oculto. A maçonaria e o ocultismo ainda hoje falam destas etapas espirituais que permitem aos seus seguidores que aprofundem nos segredos da ordem. Na medida em que aumentam os graus e ritos de passagens, mais informações místicas e novas fórmulas recebem, trazendo certos privilégios e respeito na comunidade.

No Novo Testamento, a palavra “mistério”, possui um significado especial: a verdade de Deus revelada em Cristo. Não se trata de um segredo místico ou iniciação religiosa baseada em fórmulas mágicas como queriam os gnósticos, nem novas revelações como as pretendidas por pessoas místicas que se achavam detentoras de determinadas informações dadas por Deus a um grupo mais “espiritual”. Não depende de força mental, nem de mais “espiritualidade”. A salvação, ao contrário do que pensam os espiritualistas não vem pelo acesso a um mundo esotérico.

A palavra “mistério”, também não é algo incompreensível à mente. O Cristianismo prega, expõe, proclama e deseja que todos conheçam esta mensagem. O termo “mistério” aparece seis vezes na carta a Efésios (1.9; 3.3,4,9; 5.32 e 6.19), e outras 20 em outros textos.

Este mistério se torna conhecido pela obra do Espirito Santo no ser humano. Deus descortina sua verdade ao coração. Deus abre os olhos, tira as vendas espirituais e as pessoas passam a entender seu plano.

Que mistério é este?

Este mistério encontra-se em Cristo. Todo este mistério, a pessoa de Cristo, estava oculto em Deus até o tempo de sua histórica manifestação. Pedro afirma que havia certo frisson espiritual nas esferas celestes. “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espirito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam. A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espirito Santo enviado de céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar” (1 Pe 1.10-12).

Os profetas, cujos sensores espirituais estavam mais conectados com as verdades espirituais, sintonizavam algumas coisas meio indecifráveis e enigmáticas; os anjos, por sua vez, queriam penetrar e participar historicamente desta tarefa, mas foram igualmente impedidos. Por isto, nos confrontos espirituais que Jesus teve com alguns espíritos malignos, vemos uma certa perplexidade assumida pelos demônios. “Vieste atormentar-nos antes do tempo?”(Mt 8.29). Isto nos induz a pensar, que entidades e seres malignos sabiam de um plano final, mas esta “invasão“ espiritual de Cristo, tornando-se carne no “meio da história”, parecia-lhes surreal, e antecipou o tempo para os demônios.
Com a vinda de Cristo, este mistério foi revelado.

“O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória” (Col 1.26-27).

Tanto em 1 Pedro quanto em Colossenses, existe uma ideia de que “agora” , neste tempo, tais verdades estavam se revelando em Cristo.
Paulo afirma em Ef 1.9, que Deus “propusera em Cristo” revelar seu magistral plano arquitetado na eternidade, isto é, “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4).
Esta foi, portanto, a proposta de Deus. Cristo é o mistério de Deus.
Este mistério nos foi revelado. “Desvendando-nos o mistério de sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo” (Ef 1.9).
Em Ef 1.10, vemos que o mistério que nos foi entregue é, nada menos que a verdade última acerca do destino final do universo. O mundo caminha nesta direção, Deus fará “convergir em Cristo, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra”. Deus mostra, em Cristo, o seu plano final para o cosmo.
No capítulo 5 de Apocalipse, vemos a descrição de um livro, escrito por dentro e por fora, que se encontra na mão direita do Pai, representando o plano eterno de Deus. Este livro , diz Jacques Ellul, é “o livro da história do homem”.[1] “É o livro dos segredos e do sentido da história humana, simultaneamente acabado, certificado, mas incompreensível, ilegível, que, por outro lado, se revela como uma sucessão de tempo que na verdade deve realizar-se continuamente. Este livro contém, portanto, o segredo da história dos homens, da humanidade, mas este segredo é forçosamente a revelação das forças profundas da história e mais ainda da ação de Deus na história dos homens”.[2] e somente o Cordeiro pode abri-lo. Só o Cordeiro pode abrir o sentido da história, já que tal sentido não é fruto de casualidade, de acasos, de automatismos, mas da soberania de Deus e um certo número de forças abstratas que serão reveladas na abertura do selo destes livros.

Ele está escrito por dentro e por fora, porque é completo, acabado, nada pode ser acrescentado ao seu conteúdo, e encontra-se selado. Selo significa um fechamento radical, não pode ser invadido nem violado. Abrir o rolo e desatar os selos significa não somente revelar o plano de Deus, mas realizá-lo. Por isso, um forte anjo clama: “Quem é digno de abrir o livro de desatar os selos?”(Ap 5.2).
Ninguém, em todo o universo, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra pode abrir o rolo e desvendar seu conteúdo. O livro é selado e só o Leão da tribo de Judá, pode desatá-lo. Com isto percebemos que Jesus encontra-se no centro de todo o sentido da história, e somente por meio dele, a humanidade encontra sentido. Jesus é a hermenêutica da história, o eixo central de todas as coisas.

Esta é a benção que temos aqui na carta aos Efésios. Deus se revelou ao seu povo e desvendou o mistério de sua vontade, de que, um dia, todas as coisas convergirão em Cristo.

Dr. Russel Shedd afirma:
“Cristo abriu o seu livro de informes. Ele nos tem oferecido o seu plano para o futuro, o que é maravilhoso em todos os sentidos. Assim não há necessidade de ficarmos desesperados diante da maneira como o mundo parece estar se tornando cada vez mais sujeitos às forças do caos”. (Tão grande salvação, pg 16).
O vs 9 afirma que Deus já propôs tudo isto segundo sua vontade (eudokia), que é traduzido na versão bíblica RA, como beneplácito, ou livre vontade. Deus determinou a convergência de todas as coisas em Cristo. Tudo adquire sentido no Leão da tribo de Judá, que é digno de abrir o livro e desatar os selos.
“O propósito de Deus é o estabelecimento de uma nova ordem, uma nova criação” (Bruce, pg 32). A expressão “todas as coisas” refere-se a toda criação. “Um dia, o universo de Deus, no qual o pecado introduziu a desordem e a confusão, terá restaurado a sua primeira harmonia e unidade, sob a supremacia de Jesus Cristo” (Curtis Vanghan).

Plenitude dos tempos (Pleromatos ton kairon).
Plenitude dos tempos refere-se ao tempo de Deus.
Galátas 4.4 sugere um momento particular, estabelecido e disponibilizado por Deus, para o cumprimento dos seus propósitos na história. “Vindo, porém, a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho, nascido de mulher”. Na hora estabelecida por Deus, a despeito de toda oposição do dragão conforme lemos em Apocalipse 12, quando a ampulheta do tempo de Deus se cumpriu, Deus enviou seu filho. Assim se dará novamente, no tempo estabelecido por Deus, no seukairós, Deus cumprirá seu plano e não há força no ceu ou na terra que pode impedi-lo, porque “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.39). A Bíblia Vida Nova afirma: “iniciada na sua ressurreição, a reconciliação do universo com Cristo como sua cabeça reinante, terá seu auge quanto toda oposição será posta debaixo dos seus pés na sua segunda vinda” (Ef 1.22; Rm 8.18-21; Hb 2.8).

Conclusão:

A história tem um propósito.
O caos, o acaso, o improviso, a desordem, serão substituídas pelo governo de justiça do Senhor e do seu Cristo, que reinará para sempre. Surge então a ordem, a objetividade. Este pensamento contraria o conceito humanista e secularista de que “tudo que é solido se desmancha no ar”. A história segue uma ordem divina, um calendário divino e um propósito divino. Ela não se encontra dando piruetas sem sentidos, repetindo-se indefinidamente como afirma a visão cíclica da história, mas caminha para uma teleologia e propósito, como nos ensinam as Escrituras Sagradas.

O Universo possui um eixo central

Jesus ocupa este lugar central na história. O propósito de Deus é "fazer convergir nele" (grego: anakefalaiostai), todas as forças cósmicas e tudo será integrado em Cristo, tanto as coisas dos céus (ouranois), quanto as da terra (gês). Todas as coisas serão colocadas numa verdadeira relação com Cristo. Ele estabelecerá a harmonia. Para que, pelo seu sangue “reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Col 1.20). Todas as coisas, (grego: "ta panta). Ele estabelecerá a harmonia cósmica.
A convergência para Cristo acontecerá com a submissão do mundo a ele como o cabeça. Cristo já é o cabeça do seu corpo (Ef 1.22), mas, um dia, todas as coisas reconhecerão nele sua autoridade.. Cristo é o ponto final de convergência de todo o cosmo, Ele é o soberano Rei da terra (Ap 1.5). É o logos divino que fez todas as coisas pela palavra de seu poder (Col 2.16-17), e aquele para qual todas as coisas convergirão inexoravelmente (Ef 1.10,110. Este é "O divino programa da História" (Simpson).
O "mistério" é a convergência final de todas as coisas em Cristo; Deus fez de Cristo o centro de tudo, “porque aprouve a Deus que nele, residisse toda a plenitude”. (Col 1.19). Tudo vai “convergir” nele. Todas as coisas. Tudo encontra significado em Jesus;
Ninguém tem acesso a estas verdades, senão pela ação reveladora do Espírito Santo. Por isto quando Pedro fez a notável declaração de fé: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, Jesus lhe respondeu: “Bem aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne nem sangue quem tu revelou, mas meu Pai que está nos céus” (Mt 16.16-17).
A restauração não apenas atinge a natureza humana, mas todo o cosmos. Envolverá todos os seres e coisas. Todo o cosmos será atingido pela sua glória. Inclusive os poderes invisíveis, principados e potestades.

Sua vida tem um sentido maior

Qual a implicação desta grande verdade para nossas vidas?
Muitas vezes nos sentimos assustados com as coisas que acontecem ao redor. Precisamos manter a perspectiva e o olhar no lugar certo. Por esta razão, milhares de pessoas já morreram por causa de sua fé em Cristo. Elas sabiam que Jesus as esperava na glória, que este momento específico da história era apenas transitório.
Nesta semana, muitos de nós enfrentaremos lutas, decepções, medo. Será que seremos capazes de entender que Jesus está presente neste caos e tem o controle de todas as coisas? Será que podemos descansar na sua soberania e na sua autoridade? Será que poderemos encontrar paz no meio da oposição, do caos e da insegurança?

Gávea- Rio Fev. 90
Refeito em Anápolis, Abril 2016



[1] Ellul, Jacques - Apocalipse: Arquitetura em movimento, São paulo, Ed. Paulinas, 1979, pg. 161


[2] Idem, pg. 161

segunda-feira, 4 de abril de 2016

2 Rs 1.1-8; 17-18 Porventura não há Deus em Israel?


Introdução:

A pergunta central deste texto surge três vezes: “Porventura não há Deus em Israel?” (1.3,6,16), sendo que, no vs 16, ela assume uma pequena variante. “Acaso não há deus em Israel?”

Os fatos acontecem em torno do ano 852 a.C.
Acazias era filho de Acabe (874-853 a.C.) e Jezabel, que governaram o reino do norte, cuja capital era Samaria. Estes personagens, certamente foram alguns dos piores, mais perversos e idólatras reis em Israel. A Bíblia é muito severa no julgamento deles. “Fez Acabe, filho de Onri, o que era mau perante o Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. Como se fora coisa de somenos andar ele nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou. Levantou um altar a Baal, na casa de Baal, que edificara em Samaria. Também Acabe fez um poste-ídolo, de maneira que cometeu mais abominações para irritar ao Senhor, deus de Israel, do que todos os réus de Israel que foram antes dele” (1 Rs 16.30-33).

Ao mesmo tempo, governava em Judá (reino do sul), um dos reis mais piedosos da Bíblia, Josafá. Há um contraste profundo entre eles no que concerne a sua espiritualidade.

Jezabel importou a religião de Ecrom, e era uma macumbeira da pesada. Ela adorava um deus que é chamado na Bíblia de Baal Zebube, que numa tradução popular seria, o Deus das moscas. Ela não apenas fazia de sua espiritualidade uma formalidade, mas realmente praticava suas feitiçarias. Conseguiu convencer o seu marido, Acabe, a construir um templo em Samaria, capital do norte, e levantaram um altar a este horrendo deus.

Um acidente muda radicalmente a vida de Acazias, quando ele assume o reinado após a morte de seu pai. Não há muitos detalhes bíblicos, mas lemos que caiu pelas grades de um quarto alto, e adoeceu severamente (2 Rs 1.2). Isto muda radicalmente sua vida. Um rei ainda muito novo, sequer tinha se casado, já que lemos que ele não teve filhos para substitui-lo, ainda no segundo ano de seu reinado, vê sua vida acabando, e de fato ele morre desta queda. Desesperado, envia mensageiros a Ecrom, para consultar o deus de sua mãe, mas no caminho havia um personagem famoso em Israel. Elias.

Deus envia o profeta a interceptar a missão e dizer: “Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom?” (2 Rs 1.3). Os mensageiros sem graça e desorientados retornam para Samaria para dar o recado do profeta. “Da cama a que subiste, não descerás, mas, sem falta, morrerás”. Quando o jovem rei ouve falar isto e pede para que façam a descrição deste homem, ele demonstra sua total desolação ao constatar: “É Elias, o tesbita”. (2 Rs 1.8). Ele o conhecia, porque Elias se tornara o homem que mais confrontara o seu pai. Os embates religiosos entre os três, já que Jezabel era a líder espiritual, tornaram-se notórios naqueles dias.

Ao invés de se quebrantar e pedir para conversar com o profeta, ele toma uma decisão arrogante. Trazer à força o profeta ao palácio. Condução coercitiva. O resultado foi trágico, porque os primeiros cinquenta que tentaram fazer isto morreram, e a outra turma com o mesmo tanto de soldados teve o mesmo fim. Só escapou o terceiro por causa de sua atitude humilde e temerosa, a este, Elias seguiu.
Ao chegar ao palácio, e aqui é fundamental que usemos um pouco de imaginação, Elias dá o mesmo recado e sai, sem ser perturbado por ninguém.

Imagine a cena. Ele é persona non grata, e adentra o palácio escoltado por soldados. Imagine o suspense, os olhares, as suposições. Ele vai lá na câmara do rei e lhe diz que ele morreria, sem falta, porque enviara mensageiros para consultar um deus pagão (2 Rs 1.16). Depois sai, provavelmente sem olhar para os lados, rompe barreira entre as pessoas que cercam o palácio, e segue o seu caminho de volta para o deserto.

Quais as observações que podemos fazer neste episodio?

Primeiro, faltavam alicerces espirituais sólidos para sua vida.
Ele era filho de Jezabel, que tinha ódio mortal aos profetas de Yahweh, o Deus de Israel. Ela os perseguiu, jogou-os na cadeia, os matou, teve confrontos históricos com Elias. Aliás, num destes conhecidos episódios, Elias confrontou a farsa espiritual de um grupo gigantesco de 450 profetas de Baal e 400 profetas do poste-ídolo, e depois do confronto no Monte Carmelo, esta religião falsa foi quase extinta porque todos estes falso profetas foram exterminados no ribeiro de Quisom (1 Rs 18.49).

A falta de fé consistente, no Deus verdadeiro, levou Acazias a seguir os deuses falsos de seus pais, apesar de todas as evidências que ele mesmo, talvez tenha pessoalmente presenciado. No entanto, esta falsa religião, e falsos conceitos moldaram sua vida, porque Acazias “não confiou em Deus” (1 Rs 22.53-54).

Segundo, nem sempre experiências carismáticas e intervenções miraculosas nos aproximam de Deus. 
Acazias deve ter visto muitas coisas tremendas acontecendo na sua própria casa, vindas do próprio Deus. Elias orou e houve uma seca pavorosa nos dias do reinado de seu pai, certamente ele era um adolescente, mas ele ouvia os rumores. Depois, Elias orou e a despeito de todas as evidências negativas da natureza, a chuva veio. Ele sabia do incidente de Baal, apesar de ter sido contado na versão da família real. Acazias estava cercado de grandes manifestações, porque poucas vezes na história de Israel houve tantas manifestações como nos dias de governo de seu pai.

Apesar de tudo isto, à semelhança de Faraó, seu coração não foi transformado nem convertido. Ele tinha clara noção de quem era o profeta Elias e de seus poderes miraculosos (2 Rs 1.8), ao enviar soldados para prendê-lo, na sua teimosia e obstinação em seguir suas mentiras, viu o desastre, mas continuou endurecido. Ao ouvir a palavra de Deus dada por Elias, no primeiro confronto, teve oportunidade de refletir e mudar a forma de fazer as coisas, mas insistiu no seu mal, trazendo ainda mais dores ao seu povo, e sem mudar definitivamente sua condição física.

Terceiro, é fácil de nos esquecermos de Deus e buscarmos auxílio em outras coisas e pessoas. Isto aconteceu com o rei Asa, que foi disciplinado por confiar mais nos médicos que no Senhor. O problema não estava em buscar os médicos, mas esquecer-se que é Deus quem dá a vida e a preserva segundo seu propósito. Acazias corre atrás de outros recursos, de outras fontes espirituais. O que fazemos quando nos sentimos fracos, desesperançados, vendo o fim da linha? Nos desesperamos e corremos atrás de recursos sem considerar a Deus?

Deus é quem dá a vida e a tira. Ele é Senhor.

Portanto, tome cuidado em querer resolver seus problemas a qualquer custo. Azarias envia mensageiros a Ecrom, desconsiderando de que, quando Deus quer, ele fará.

Esta foi a compreensão de Hananias, Mizael e Azarias, diante da fornalha de fogo ardente. “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei, Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teu deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste” (Dn 3.17-18). Este relato é do povo de Deus obtendo vitória maravilhosa sobre as ameaças, mas o que podemos dizer dos fieis mártires, cujas histórias jamais foram preservadas, nem suas memorias foram registradas em livros, e que morreram por sua fé?

Azarias busca Baal Zebube, mas ainda assim morreu “segundo a palavra do Senhor, que Elias lhe falara” (2 Rs 1.17). Nada poderá nos livrar quando o propósito de Deus é outro.

Conclusão

O que fez Jesus diante das ameaças? Entregou-se ao Pai. “Faça-se comigo conforme a tua vontade”. A coisa mais fantástica da vida é a compreensão e dependência do Deus de Israel. Há um Deus em Israel, de devemos viver identificados com ele, nada mais precisamos, além dele mesmo, nem mesmo a saúde, quando seu plano for outro para nossa vida.

Ele nos basta, sua graça nos basta. Ele é suficiente para nossa vida. Não precisamos negociar.

Ou porventura não há Deus em Israel?



sábado, 2 de abril de 2016

Ef 1.3-14 Bençãos que motivam o nosso louvor - IV e V. Redenção e Remissão

Introdução:

Estamos estudando as bênçãos espirituais contidas no capitulo 1 da Carta de Paulo aos Efésios.

Esta perícope inicia-se no vs. 3 1quando lemos que, em Cristo, temos recebido, toda sorte de bênçãos espirituais.
Estas bênçãos são contrastantes com bênçãos materiais. Falam de verdades espirituais com implicações eternas. O foco destas bênçãos encontra-se nas regiões celestes.
A quarta benção que lemos neste texto é a redenção, e a quinta, remissão de pecados. As duas são complementares e sincrônicas, devem ser entendidas de forma integrada, assim como eleição e predestinação. 

O que significam estas palavras redenção e remissão, e quais são suas diferenças? 
O texto sagrado nos ensina:
"no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza de sua graça" (Ef 1.7).

A Palavra redenção vem do grego apolutrósis, e significa, “reobter algo por meio de pagamento”, ou “libertar por meio de resgates”. A redenção ocorre por meio de um pagamento estabelecido.
Ela era usada nos tempos romanos pelos movimentos abolicionistas, que iam ao mercado de escravo, compravam escravos, e depois que se tornavam legalmente dono dos mesmos, davam-lhes cartas de alforria. Os presos eram assim libertados de sua condição, mediante o pagamento de resgate.
Foi isto que Jesus fez por nós na cruz. Ele nos comprou, e nos redimiu da condição de condenados e culpados, dando-nos plena liberdade diante de Deus. Não mais escravos do diabo, não mais escravos, mas pessoas livres.

Significados para redenção:

1. Redenção é livramento

Redenção significa "livramento" mediante o pagamento de um preço, e era aplicada especialmente no resgate de escravos. A ideia é a de que "Deus, em Cristo, rompeu as algemas da escravatura". (Russel Shedd). A ideia fundamental da redenção é de tornar livre uma coisa ou pessoa que se tornou propriedade de outrem. O pecado implica escravidão da mente, vontade e membros ao passo que remissão vem do grego "aphesis", que significa literalmente a soltura de uma pessoa de algo que a prenda. Por isso que, em determinadas conversões, a pessoa se sente como se estivesse livre de um enorme preso que a angustiava.

Qual é o preço de nosso resgate?

"no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1.7). 

Cristo não veio ao mundo apenas para nos ensinar a sermos bons cidadãos, a vivermos bem, e sermos prósperos, mas sua missão era de "resgate". Ele derramou o seu sangue e em troca obtivemos a remissão dos pecados. Ele veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10). Na cruz, Cristo não estava proclamando a reconciliação com Deus, não estava transmitindo uma mensagem apenas, ele estava "reconciliando consigo mesmo o mundo" (2 Co 5.19). Cristo, em si mesmo, é a salvação. Jesus não é apenas o Mestre, ele é o nosso redentor.

A palavra redenção vem do grego, apolustrosis e significa livramento mediante o pagamento de um preço. O sangue de Cristo foi o preço pago por nós.

2. Redenção é remissão – Não apenas livramento, mas algo ainda mais profundo. Uma coisa é redimida pelo pagamento de um preço estipulado. A expiação no Antigo Testamento sempre acontecia de uma forma vicária, substitutiva, através do sacrifício de um um animal. Pecado requeria sacrifício, pois "sem derramamento de sangue não há remissão de pecado" (Hb 9.22).

O animal morria vicariamente, o sacerdote punha suas mãos sobre ele e o sacrificava. Este ato produzia perdão para o ofensor, este era o ensino do livro de levítico e da Carta aos Hebreus, onde lemos que todos estes sacrifícios tipicavam Cristo, isto é, eram ilustrações para que o povo judeu posteriormente entendesse o sacrifício de Cristo. A carta aos Hebreus nos diz que Jesus é o nosso Cordeiro.

Certa garota tinha uma relação muito afetiva com sua mãe, e sempre brincava com ela, mas com o passar do tempo, manifestava certa reação de aversão quando as suas mãos, que eram marcadas por uma forte queimadura, encostava nela. Certo dia sua mãe percebeu e lhe disse que precisava explicar porque suas mãos eram assim. Quando aquela garota era ainda um nenê, seu bercinho pegou fogo, e quando a mãe a viu dentro, correndo perigo, a tirou imediatamente, mas o plástico do colchão provocou fortes lesões. Quando a filha entendeu isto, ela disse: “Mãe, as suas mãos são as mãos mais lindas do mundo”.

Quando entendemos o sacrifício de Cristo e o significado de sua morte, seu sacrifício se torna profundamente mais importante e belo.

Redenção significa que o proprio Deus perdoa e paga a divida de nossa culpa e pecado. A condenação que tínhamos por termos pecado contra Deus, não mais se aplica a nós. Cristo assumiu nosso pecado, com seu sangue ele nos redimiu. Em Col 2.14 lemos que ele "rasgou o escrito da dívida que era contra nós". Ele pagou o preço para nossa redenção.

Remissão de pecados significa que nossa dívida foi perdoada em Deus.
Recentemente um jovem casal me comunicou alegremente que tinham terminado de pagar o longo financiamento que tinham contraído para compra de seu apartamento. Eles estavam muito felizes, afinal, a dívida havia sido quitada, não mais prestações longas e intermináveis a serem pagas.
Não sei se voce tem alguma dívida, no cartão de crédito, no financiamento de um carro, na faculdade para pagar. Débitos longos, que minam suas economias. "Minha casa, minha dívida". O que você sentiria se hoje estas dívidas fossem quitadas e você não tivesse mais que cumprir esta longa jornada de pagamentos? Não sentiria uma enorme libertação como se um fardo fosse tirado das costas? Eu tenho uma casa adquirida em 1998, e até hoje pago suas prestações. Nas minhas contas, em Outubro de 2019 eu termino este compromisso, como tenho ansiado por isto.
Considere o perdão dos seus pecados.
Remissão é exatamente isto. Não mais dívida,
Jesus fez isto pelo seu sangue.
Jay Adams afirma que metade das pessoas que hoje ocupam leitos de hospitais psiquiátricos seriam curadas, se apenas pudessem entender que a culpa não mais pesa sobre elas. Quantos transtornos emocionais, neuroses e doenças, são provocadas pelas dívidas espirituais que temos? Que enorme alegria sabermos que "nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus". Que grande promessa nos é dada por Deus: "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus, é Deus quem os justifica". Não mais débito moral, não mais culpa, somos perdoados.
Jesus rasgou nossa dívida. Isto é remissão de pecados. Não mais duplicatas, não mais débito.

Na redenção ele paga o preço e nos dá liberdade.
Na remissão, ele nos alforria, rasga a duplicata, acaba a conta a pagar e os débitos são quitados.

Tudo isto Deus fez por nós "Segundo a riqueza de sua graça". 
A abundante graça de Deus é que nos dá redenção e remissão.
Não fizemos nada para receber isto.  Não é meritória, não vem como resultado de nosso esforço ou trabalho. Não convencemos a Deus pelos nossos méritos, nem constrangemos Deus a nos dar isto por causa da performance espiritual e moral. É gratuito. Não meritório.

Como reagir a tais bençãos?
Com atitude de louvor.
Pessoas gratas agem com gratidão, se tornam generosas e amáveis.
Você já sentiu profundamente amado por alguém? Como você se comporta diante desta pessoa?
Como você se comporta diante de um Deus tão santo e amoroso, que pagou um preço tão caro para sua redenção que lhe garante vida eterna?
Certo garoto ganhou um presente lindo de seu avô. Ele via o avô trabalhando por longos meses na sua marcenaria, construindo um pequeno barquinho de madeira e ficava apaixonado pelo belo trabalho, e no seu coração desejava ganhar aquele presente, mas não tinha coragem de pedir, afinal, era algo tão elaborado, que estava consumindo tanto tempo, e parecia mais uma obra de arte que um brinquedo de criança.
Para sua surpresa, porém, no dia do seu aniversário, o avô trouxe-lhe o barquinho num pacote cuidadosamente preparado, e disse que durante todo este tempo, seu desejo era fazer um presente especial para seu neto querido. O garoto mal podia se conter de tanta alegria. O barquinho tornou-se seu maior entretenimento. Ele mostrava orgulhosamente para seus amigos, e o colocava num lago perto de sua casa para brincar com ele. Um dia, porém, o levou para o rio e num leve descuido, a correnteza do rio o levou embora.
Desconsolado voltou para sua casa. Ele amava tanto aquele brinquedo. Fora preparado com tanto esmero pelo seu avô, e agora, tinha se perdido. Os dias passavam e ele sempre sentia muita saudade do brinquedo.
Um dia, passou numa loja de antiguidades, e viu exposto, nada mais nada menos, o seu barquinho. Ele havia sido resgatado por alguém no rio, que resolveu vendê-lo para esta loja especializada em artes e decoração. Foi ao gerente e disse: "Este barquinho é meu, eu o perdi no rio, o senhor precisa devolvê-lo!" O funcionário respondeu: "Ele foi comprado, e infelizmente, ele preciso ser vendido. Você pode levá-lo, mas vai ter que pagar por ele". O garoto foi embora, pensando nas suas economias, e em como faria para ter o seu barco de volta.
Ganhou um dinheiro extra de seu pai, pegou a mesada adiantada, pegou suas modinhas e não sossegou até reavê-lo. Quando finalmente o comprou de volta, abraçou-o emocionado e disse: "Você é meu duas vezes: Me foi dado de presente, e eu o comprei de depois de perdido".
Assim faz o Pai eterno conosco. Somos dele duas vezes.
Primeiro, porque ele nos criou.
Segundo, porque ele pagou um alto preço para nosso resgate.





Ef 1.3-14 Bençãos que motivam o nosso louvor III.Adoção

Bencaos que motivam nosso louvor-III
Adoção
Ef 1.4-5


Introdução:

Uma das experiências mais duras da minha vida e do meu ministério aconteceu quando uma médica da comunidade me convidou para acompanhá-la com seu marido ao aeroporto da cidade para receber uma criança que havia sido adotada, mas que os pais adotivos, ao fazerem exames posteriores mais aprofundados, descobriram que ela era possuidora de HIV Positivo (Aids), e agora a estavam retornando para o ministério público dizendo que não tinham estrutura emocional para continuar.
Eles eram pessoas de grandes recursos financeiros. Adotaram a criança numa cidade distante, e ao chegarem ao interior onde moravam, foram recebidos com festa pelos amigos que cobriram aquela família de presentes. Eles estavam desejando uma criança a tanto tempo, e embora fosse uma bebê ja havia enchido a casa de alegria. A descoberta da doença, porem, foi avassaladora.
Alugaram um aviao, encheram com todos presentes que ela ganhara, e a devolveram. Ali estava eu, no aeroporto da cidade, o casal sequer quis descer, segunrando um bebê, pensando em toda aquela situacao dramática. A médica chorava incessantemente ao meu lado, de forma moderada, os pais (que agora haviam desistido do projeto da adocao, igualmente choravam), e voltamos para a cidade neste clima de funeral.
Adocao é uma das experiencias mais maravilhosas para quem encontra um lar onde é acolhido. Foi isso que Deus fez conosco, e esta é a terceira bencao relatada aqui neste texto.

Um dos grandes problemas dos seres humanos é a história pessoal. Gente rejeitada tende a ter dificuldade em amar, porque no processo da rejeição, perde-se o vínculo afetivo. Criança indesejada encontra mais  dificuldade relacional.O chamado que recebemos de Deus em Cristo Jesus é o chamado para sermos filhos. Várias vezes na Bíblia vemos a expressão "Deus nos adotou". A Bíblia diz que embora todos sejamos criaturas de Deus, nem todos são filhos de Deus (Jo 1.12). Ser filho é assumir a condição de uma família, com todos os direitos e deveres que ela tem, incluindo ai herança e responsabilidades.

Por definicao, adoção é um ato de Deus, efetuado pela sua graça, pelo qual participamos de uma nova família espiritual, que não se define institucionalmente, mas pela maravilhosa operação do Espírito Santo. A Confissão de fé de Westminster diz: "Todos os que são justificados, em e por seu Filho Jesus Cristo, são feitos  participantes da graça da adoção da liberdade e do privilégio de ser filho de Deus e recebe o espírito de adoção"(Confissão de fé de Westminster, cap. XII).
Neste texto de Efesios lemos: “Em amor nos predestinou para ele, para a adocao de filhos, por meio de Jesus Cristo” (Ef 1.4,5). Deus nos predestinou para filhos, nos vocacionou e nos chamou para esta relacao de filho amado. Com isto aprendemos algumas licoes:


  1. A fonte da adoção é o amor e a iniciativa do Pai. Antes da fundação do mundo, ele nos predestinou para adoção. Escolhidos para sermos filhos antes que tivéssemos qualquer noção de nossa própria existência, já que tudo isto foi feito antes da fundação do mundo. Veja a afirmação do apostolo João: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus. Por essa razão, o mundo noa nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo” (1 Jo 3.1).

  1. Adoção é fruto da vontade de Deus –  Ele nos adotou, “segundo o beneplácito de sua vontade”. Este estranho termo é quase desconhecido em nosso vernáculo, e significa, “vontade livre de Deus”. Deus, pela sua vontade livre e soberana, nos predestinou para sermos filhos. Para termos relacionamento de pai e filho. Não é isto maravilhoso?

  1. Pela adoção, os laços com a velha família são quebrados. A lei concede a tutela aos pais. O fator biológico na adoção, depois de efetuada e chancelada pela lei, deixa de ter efeito. O que importa não é em que útero nascemos, mas quem assumiu a responsabilidade e cuidado sobre nós. Jesus nos resgatou da lei (Gl 4.5); da escravidão (Rm 8.15); das futilidades familiares (1 1 Pe 1.18) e da maldição família (Ex 20.5). Um novo ambiente familiar é estabelecido. Filhos, não orfãos.
               
Os privilégios da adoção
Ser adotado traz vários privilégios, entre eles destacamos.

A.    Receber o Espírito de adoção – Rm 8.15
B.       Poder chamar Deus de "Paizinho" (Abba Pai)- Rm 8.15; Gl 4.6
C.     Ter acesso direto à presença do Pai – Existe uma famosa fotografia tirada na casa oval, na qual John Kennedy está trabalhando com papeis sobre sua mesa e seu filho de apenas 3 anos, brinca despreocupadamente no carpete, debaixo de sua mesa, ignorando que ele é filho do homem mais poderoso do mundo. Gl 4.7
D.    Receber herança na família de Deus – filhos possuem direitos compartilhados e iguais. É isto que a Bíblia nos fala de nossa filiação (Rm 8.17)
               

As responsabilidades da adoção

Viver como filho, traz consigo algumas responsabilidades.

A. Temos que viver como família de Deus – E a exigência do Pai, seu padrão moral, é bem alto: "Sede perfeitos como perfeito é vosso Pai" (Mt 5.48). O apóstolo Pedro exorta: "Como filhos da obediência não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente" (1 pe 1.14).

B. Compromisso com a família – Uma família tem regras, expectativas, convenções. Portanto, : "Vivei de modo digno da vocação a que fostes chamados" (Ef 4.1).
               
Foi muito bom para o meu coração, como exercício devocional, considerar a diferença entre ser órfão e  filho, neste material que foi publicado originalmente pela Sonship.

ÓRFÃOS                                                                     FILHOS

Sente-se só: Falta uma intimidade vital diária com                   Tem uma segurança crescente de que “Deus
Deus; Tem um de sentimento vacuidade. É muito                    é realmente meu amado Pai celestial” 1 Jo 4.16 
preocupado consigo mesmo.                                                                
                                                                              
Vive ansioso com necessidades sentidas: amigos,                     Confia no Pai e tem uma confiança que
dinheiro, etc; “Eu estou sózinho e ninguém se im-                     cresce dia a dia no amor Paterno, vive livre
porta...”  Nunca está bem.                                                                            De preocupação. (Mt.6:25ss)
                                              
Vive uma vida baseada no fracasso/sucesso. Quer                   Aprende a viver numa consciência diária
parecer bom a todo custo, é orientado para a                             e que sua vida é uma sociedade com Deus.
performance.                                                                                    Não se sente amedrontado.

Sente-se condenado, culpado e indigno diante de                      Sente-se amado, perdoado e totalmente
Deus e dos outros.                                                                           Aceito porque reconhece que os                                                                                                                                                                       méritos de Cristo o cobrem realmente.

Tem uma fé frágil, muito medo e nenhuma                                Vive confiando diariamente no soberano
habilidade para confiar em Deus. “Eu tenho que                      plano de Deus para sua vida, sabendo que
consertar isto...”                                                                              Este plano é sábio, amoroso e o melhor.

Trabalha com um forte senso de obrigação, trabalho              Oração é seu primeiro recurso. “Vou per-
duro e sempre vive esgotado.                                                        guntar primeiramente ao meu paizinho"                                                                                                                                                                                                                            

É rebelde diante de Deus e dos outros, freqüentemente            Tem a coragem de ser submisso, tem um
é frio e de coração duro.                                                                 coração quebrado e contrito  (Sl.51:17).

É defensivo, não consegue ouvir, vive debaixo do escudo       É aberto a crítica, uma vez que consciente
da justiça própria, virtualmente tentando provar sua                               mente está firmado na perfeição de Cristo.
capacidade  a todo custo.                                                  Não na sua própria. É aberto para examinar                                                                                               seus motivos mais profundos.

Precisa estar sempre correto, salvo e seguro, nunca                   É capaz de se arriscar, mesmo fracassar;
fracassa. É defensivo e incapaz de tolerar críticas, só               desde sua justiça está em Cristo, ele não
consegue viver com elogios.                                                            Precisa ter uma boa performance para se
                                                                                                            orgulhar dela, se proteger ou se defender.

É auto confiante, mas desencorajado, derrotado, e                  Está confiado em Cristo e encorajado nEle.
sem o poder do Espírito Santo.                                                      Porque o Espírito Santo está trabalhando.

“Eu vou lhes mostrar!”. “Vejam o estrago que vou fazer”.     Confia cada vez menos em si mesmo e cada
“Onde os outros falharem…” (O poder da vontade).                               Vez mais no Espírito Santo (diariamente                                                                                                                   confia na proteção de Deus).

Murmurador e sem gratidão diante de Deus e dos outros;       Confia no Santo Espírito para guiar sua
precisa humilhar os outros, demonstra um espírito amargo     palavra para adoração, edificação, gratidão
e crítico.                                                                                             e encorajamento (Ef.4:29, etc.)

Um expert em demonstrar o que está errado; sempre                               Não é cego para o que é errado, mas prefere
insatisfeito com alguma coisa.                                                       focalizar no que é bom e amável. (Fp.4:8).

Fofoqueiro (gosta de confessar o pecado dos outros);              É capaz de livremente confessar suas
Precisa estar sempre criticando alguém para                                              faltas aos outros; não se sente o dono da    
se sentir seguro.                                                                                  razão.

Sente-se um competente analista das fraquezas                        Não tem sempre que estar certo.
dos outros, tem o “dom do discernimento”.                                Reconhece que está freqüentemente errado,                                                                                                                            tem profundo desejo de crescer.

Está sempre se comparando com outros. Seus                           Está firmemente fundamentado em Cristo.
sentimentos variam do orgulho à depressão.                           Seu valor pessoal vem do sangue de Jesus, e
de quão mau ou bom os outros parecem ser.                  sua justiça não está fundamentada em ação                                                                                                                                                                humana. (Fp 3.9)

Não tem poder para derrotar a carne; não obtém vitória         Como ele confia em Cristo, está cada vez
num nível profundo, sobre seus “pecados da carne”,                               mais obtendo vitória sobre a carne.
Mas nunca entendeu o fato de ser um “grande                          Tem consciência de ser um “grande pecador”.
pecador” (Rm. 8:19),                                                                      

Quase não ora. Oração é seu “último recurso”; quando           Oração é uma parte vital do seu dia, oração
tudo o mais falha…ora freqüentemente em público,                               não é limitada ao “momento devocional”,
raramente na vida privada.                                                            tem prazer em falar com o Pai (I Ts.5:16-18)

As promessas de poder espiritual e alegria contidas na             As promessas de poder e alegria são sempre
Bíblia zombam dele. “O que aconteceu com toda alegria?”  experimentadas por ele (Rm. 15:13)
(Gl. 4:15).

Está sempre orgulhando-se de si mesmo, apontando para      Descobre que Jesus é mais e mais o tema
suas conquistas com medo de que alguém possa superá-los   de sua conversa. Orgulha-se de sua fraqueza
(Gl. 6:14)                                                                                             (II Co.12:9,10)

Está inconscientemente construindo um “recorde” de boas    A justiça de Cristo é seu “recorde”, ele está
obras que precisa ser anunciado e defendido.                            completamente firmado em Cristo  1 Co 1.28                                                                                                                                      
É auto centrado; “Se eles vissem as coisas da  forma                   Tem sido controlado por Cristo; ministra no
Como eu vejo!”. Tem uma profunda necessidade de estar no         poder do Espírito Santo - não na força de
controle de toda situação, sua e dos outros.                                       sua carne.
                                                
Busca satisfação em outras coisas além de Jesus. Funda-se          Cristo é sua comida e bebida. Deus
nos seus ídolos (posição e posses), e apenas através destas         realmente satisfaz sua alma! “Não há outro
coisas sente-se valorizado, reconhecido e justificado.            em quem eu me compraza na terra!” Sl 73.25.                                                                                                                      

Tem pouco desejo de compartilhar o evangelho (desde que   Tem um profundo desejo de ver o perdido
sua vida cristã é tão miserável); quando o faz, tende a ser      vindo ao conhecimento de Jesus, reparte
motivado por um senso de obrigação ou dever, não amor.     o Evangelho aos outros, mesmo quando não                                                                                                                             é pressionado por um (bom) programa.


Rev. Samuel Vieira  -
Preparado Igreja Presbiteriana Redentor - South River, NJ. 07.05.95
Refeito anapolis  - Abril 2016



Ef 1.3-14 Bencaos que motivam nosso louvor - II. Predestinação

Introdução:

Poucos temas geram tanta polêmica em teologia quanto predestinação. Ouvi certo pastor, com longos anos de ministério afirmando que não pregava predestinação porque o tema gerava mais confusão que benção.

Certamente este é um grande equívoco.
Paulo afirma que nunca deixou de anunciar "todo o desígnio de Deus". Deixar de expor um tema bíblico porque ele é polêmico é um motivo muito fraco. Além do mais, não devemos nos sentir confuso em falar daquilo que Deus não teve crise em anunciar. Afinal, como bem afirmou Os Guiness: "Toda verdade é verdade de Deus".

Se o termo adoção gera calafrio, a palavra “predestinação” parece um palavrão em algumas igrejas. Muitas pessoas me pedem que eu explique a predestinação, e eu digo que não é possível fazer isto, eu apenas a exponho. Abro a Bíblia e mostro o que ela diz.

Muitos me dizem: “eu não creio em predestinação”, e ai eu digo: Bem, isto não é problema meu, você pode resolver isto com Deus. Vá brigar com ele. Como sempre afirmo, eu trabalho no ministério de comunicação, que fica no primeiro andar. O meu chamado como pregador é ensinar o que a Bíblia ensina. O departamento de reclamação é no segundo andar, e o de justiça, no terceiro. Pode subir e reclamar diretamente com o chefe.

A palavra "predestinar", significa destinar com antecipação, sugerindo uma espécie de seleção. A forma como está dividido o vs. 4 do vs. 5, altera substancialmente o sentido. Devemos ler esta sentença de uma vez só, e não separadamente. "Em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos” (Ef 1.4,5). Gesto este profundamente carregado de sentido divino.
Predestinação aparece aqui em dois versículos: 5 e 11, e vem do grego: prorisas, significa, “assinalar de antemão”. A predestinação é um ato soberano de Deus realizado na eternidade. Ele foi feito antes da fundação do mundo. Deus predestinou os seus eleitos, para serem adotados como filhos.

A Confissão de Fé de Westminter, que é um dos símbolos de fé das Igrejas Reformadas, ao falar “Dos eternos decretos de Deus” (Cap. III, pg. 7) afirma: “Nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura ou contingência das cousas secundárias, antes estabelecidas”.

Este texto nos aponta para quatro realidades conectadas à predestinação:

a)- Predestinação é uma benção – Não é isto que lemos no vs. 3? Ela está incluída no rol das bençãos espirituais que Deus nos concede. A igreja Primitiva celebrava esta grande verdade na sua liturgia.

b)- Predestinação é ato de amor de Deus. Os vs 4,5 afirmam: “Em amor nos predestinou para ele”. Não é determinismo cego ou absolutismo, nem maktub ou fatalismo, nem destino cego. O que está relacionado à predestinação é a vontade amorosa de Deus. Ele predestinou o seu povo, segundo o beneplácito da sua vontade, isto é, fez isto por livre vontade. O seu amor foi o fator motivador da predestinação.

c)- Predestinação objetiva algo grandioso- vs. 5 “para adoção de filhos”. Deus, ao nos predestinar, tinha como motivação o seu amor, e como objetivo a adoção. Ele nos deu status de filho. É pela predestinação que fomos adotados por ele.

d)- Predestinação tem como finalidade o louvor da sua glória. Seu propósito é que o exaltemos por todas estas bençãos que ele nos tem dado. Através do nossos louvores nós o exaltamos. Fomos chamados para louvor da glória de sua graça (Ef 1.12). Povo eleito para "proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz" (2 Pe 2.11).