quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ef 4.1-4 Ande de Modo digno


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Até o capítulo 4, a carta ao Efésios é predominantemente doutrinária. Daqui em diante, Paulo sai da exposição para a exortação. Do indicativo (Deus fez) para o imperativo (devemos fazer),  dos pressupostos teológicos para as implicações práticas. “No capitulo 3 Paulo é pioneiro em divulgar tão grande mistério, que tem suas repercussões até entre os poderes do mal... chegando agora ao capitulo 4... chama a, individualmente reconhecermos nossa parte neste novo homem, ou corpo de Cristo” (Shedd, pg 59).
Isto nos mostra que Deus nunca exige antes de dar de si mesmo. Até este texto a Bíblia nos ensina o aspecto teológico; daqui para a frente, o aspecto ético. Paulo não tem preocupação moralista, senão de levar os cristãos à maturidade. “Quando um homem entra em qualquer sociedade, ele assume a obrigação de viver certo estilo de vida; e se ele falha nestas obrigações, e adoece tal sociedade e traz descrédito para seu nome” (Barclay, 135)

No capítulo 4 são desenvolvidas cinco linhas:

A. Nosso caráter e conduta - vs. 1,2
B. A unidade da fé - vs.3-6
C. A diversidade dos dons - vs. 7-12
D. A maturidade da vida cristã - vs. 13-16

Queremos destacar aspectos desta caminhada:

1. A vida cristã é uma vocação
Vocação é mais que tendência, é compulsão. Não se trata de profissão, mas de chamado. Quando temos interesses, motivos, desejos e vontade, tudo passa a girar em torno daquilo que mobiliza o coração. Vocação atrai, como o tropismo (o inseto para a luz, ou da planta que se volta em direção ao sol). Teologicamente nossa relação com Deus é chamada de "vocação eficaz". Vocação é algo que nem sempre a pessoa determina, pode ser que inicialmente a ideia se torne até motivo de rejeição, mas depois começa a fazer sentido, e encharca a vida, Assim é a vocação divina.
Rev. José Borges dos Santos Jr procurava fazer uma diferença entre profissão e vocação afirmando que "profissão é secular, vocação é divina !" Neste sentido, todos temos uma determinada profissão, mas vocação, apenas uma.

2. A vida cristã evidencia-se pela dignidade
Rev. Eudaldo Silva Lima, na posse do pastor da Igreja Presbiteriana do Lago Sul em Brasília, nos idos de 1987 afirmou:  "A vocação pastoral anda meio desmoralizada". A ausência de consciência vocacional gera vexame, leva as pessoas a questionarem o evangelho, em alguns casos, vivemos um cristianismo tão desautorizado que começamos a ter vergonha de declarar que somos cristãos. Qual é a herança, o nome que temos legado aos nossos filhos? Houve época em que ser evangélico era motivo de respeito, integridade, hoje de questionamento. Um pastor era respeitado e honrado, sóbrio e honesto, hoje é identificado com charlatanismo, engodo e mentira. Como temos forjado atualmente o nome de Cristo?
Neste texto aprendemos que devemos andar de modo digno da vocação cristã. Temos um nome a zelar, e este nome é de Jesus, nosso Senhor.
Quando criança morei na cidade de Gurupi-TO, e havia um homem muito querido, mas com uma vida de auto destruição pelo alcoolismo. Ele perdia o senso do ridículo quando estava dominado pela bebida, dormia nas calçadas, e andava com as roupas toda suja e fedida, mas quando estava sóbrio, era trabalhador e respeitoso, mas o álcool estava roubando dele toda dignidade. Meu pai e ele eram xarás, tinham o mesmo nome, meu pai gostava muito dele e tentava ajudá-lo, às vezes dando comida e roupa, conversando e aconselhando. Um dia ele disse ao “Jonas bêbado”, como era chamado: “Jonas, assim não dá, temos o mesmo nome, e você precisa mudar. Então, decida: ou você muda de nome ou muda de vida”. Acho que é assim que Deus muitas vezes olha para o povo que se chama pelo seu nome: “Ou mudem de nome, ou mudem de atitude”.
Existe uma dignidade inerente ao povo cristão, e esta dignidade deve ser preservada.

3. A dignidade evidencia-se pelo estilo de vida. Cinco atitudes cristãs tornam-se as colunas desta vida digna: Humildade, mansidão, longanimidade, mútua tolerância e unidade no Espírito.

  1. Humildade - Humildade não é modéstia (embora muitas vezes possa estar associada), e  nem pobreza. Certa vez, o famoso filósofo Sócrates, que gostava de se vestir bem, encontrou-se com  Antístenes, um filósofo que defendia a virtude da pobreza e andava maltrapilho, e tiveram um debate, no qual afirmou:  "Posso ver o teu orgulho, pelo buraco de teus mantos".
A falsa modéstia, servilidade, subserviência, comodismo e abnegação, podem se tornar poderosos instrumentos de manipulação e pretensa virtude, mas é bom lembrar que a maioria delas é fraqueza, não algo para ser exaltado, são falsas evidências de humildade. Jesus não proclamava sua humildade, embora vivesse um estilo de vida simples. Podia ser rei, mas optou por ser servo. Humilhou-se a si mesmo, abriu mão de prerrogativas pessoais, reconhecia a dignidade e valor de outras pessoas e abria espaço para elas.

  1. Mansidão – A palavra grega é “prautes”, que poderia ser traduzida por suavidade dos fortes, de quem poderia esmagar pela sua força, mas prefere mantê-la sob controle. Originalmente pode ser traduzida por “aquele que se torna útil”. Era usado para cavalos selvagens, fortes e brutos, mas que era domados e agora, apesar da força que possuíam, eram usados para o serviço, deixavam de ser indomáveis, selvagens, para ajudar. “um animal que foi treinado e domesticado até o ponto em que ele está completamente sob controle. Portanto, é o homem que tem todo seu instinto e controle sobre perfeito controle”(Barclay), ou como afirma Foulkes: “O homem que é manso não reivindica sua própria importância ou autoridade”( Foulkes, 91).
Barclay sugere que a palavra grega traz a ideia de ser um cavalheiro, já que Aristóteles afirma que esta é a virtude que fica entre dois extremos. Um homem com esta virtude é alguém que pode se irar em determinado momento mas nunca fica irado no tempo errado.

  1. Longanimidade -  A palavra original é “makrothimia”, uma palavra composta de “makro” (grande ou distante), com “thimia” (ira). Portanto, a palavra se refere à capacidade de lidar com a  ira, colocando-a bem longe. Esta é uma das virtudes de Deus, que é longânimo com o pecador, não tendo pressa em julgá-lo, mas desejando que ele se arrependa e abandone seu erro.

Deus não se apressa em retaliar o pecado, a vingar imediatamente. Muitas vezes achamos Deus indolente, por não julgar imediatamente o mal, mas a ira de Deus não é uma ira emocional. "Nao retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada, pelo contrário, ele é fiel, não querendo que ninguém se perca" (2 Pe 3.9) Ele não reage às provocações dos homens, ele vai julgar, a seu tempo, todas as coisas, mas não é alguém explosivo e iracundo. “É a atitude de espirito que suporta insulto e injúria sem amargura e reclamação. É o espírito de quem pode sofrer maus tratos de pessoas desagradáveis com graça e tolos sem, sem irritação” (Barclay, 139)
A Bíblia demonstra como Deus é longânimo no episódio dos amorreus. Ele antecipa a Abraão que sua descendência será levada cativa, mas afirma que voltaria à terra prometida e assumiria aquele lugar como sua herança afirmando: "Porque não se encheu ainda a medida da iniquidade dos amorreus" (Gn 15.15). Não é curioso? Só depois de 400 anos de cativeiro, os iníquos amorreus seriam julgados e despojados de sua terra. Deus não exerceu imediatamente o juízo. Sua ira e justiça virão no tempo certo. Assim é a ira de Deus.
A vocação cristã é caracterizada por esta capacidade de não reagir às provocações, a não agir com impulsividade e carnalidade.

  1. Tolerância em amor  - Esta é outra qualidade inerente à vocação cristã. Quando Cristo está presente, ele nos ensina a amar, até mesmo aqueles que são amistosos e provocativos. “Significa ser clemente com as fraquezas dos outros, não deixando de amar o próximo ou os amigos devido àquelas suas falas ainda que, talvez, nos ofendam ou nos desagradem” (appud, Foulkes, 91)

Nem sempre é fácil tolerar. Muitas vezes sentimos a vontade de gritar: “Ai minha senhora do chuveiro, dá-me resistência!” Ou como o resignado que falou: “tô que nem chuveiro queimado : nem ligo e quando ligo nem esquento!” 

  1. Preservar a unidade do Espírito – Esta é a última característica desta vida digna de Deus. Ela se evidencia pela constante luta pela unidade do Espírito.
Existem algumas coisas muito importantes neste texto:
Primeiro, precisamos diferenciar unidade e união. A Bíblia não está falando de laços externos, de vínculos associativos como numa agremiação ou clube, mas coisas do coração. A Bíblia está falando de unidade, algo que brota no coração, atinge o âmago do ser, gerada pelo Espirito de Deus.
Em segundo lugar, preservar, não é criar . O texto não exorta os crentes a criar a unidade, mas, preservá-la. Só se preserva o que já existe. A unidade é obra do Espírito Santo, nunca dos homens, nossa função não é produzi-la, mas lutar para que ela seja mantida.
Terceiro, há necessidade de diligência. O texto diz: "esforçai-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito". Isto sugere que a unidade da igreja sempre enfrenta obstáculos e várias razões podem gerar tal crise:
            a. As pessoas podem interpretar os fatos de forma distinta;
            b. As pessoas podem fazer afirmações verdadeiras de forma desamorosa;
            c. A ação satânica, que sempre procura dividir o povo de Deus.

Entretanto, como povo de Deus, precisamos estar atentos a isto e lutar pela unidade.
Igrejas muitas vezes sofrem divisões e enfrentam disputas, resultantes da vaidade, orgulho, desejo de proeminência, e dificuldade de perdoar o erro do outro. Muitas vezes interpretamos equivocadamente as situações, falamos descaridosamente, ou falam desta forma conosco. É preciso lutar para manter a paz que o Espirito Santo tem criado.

Conclusão:

Paulo tenta lembrar à Igreja de Efésios a sua vocação/identidade. Quem eram em Cristo, povo amado, redimido, comprado pelo sangue do Cordeiro.
talvez a identidade perdida do povo de Deus seja, ainda hoje, um dos problemas centrais da espiritualidade cristã. Você sabe sua identidade? Como Deus o vê?
No filme "O rei Leão", temos o relato de um pequeno rei que precisa fugir de sua terra depois da morte de seu pai. Ele foi injustamente acusado, e para salvar sua pele, agora vai para lugares distantes de sua terra. Ali encontrou dois hilários personagens: Pumba (um javali, atabalhoado), e Timão (um suricata bagunceiro). Eles se tornam seus amigos, e os três começam a se meter em confusão e a comer insetos. Passam o dia inteiro sem propósito, e cantando "Hakuna matata", mas um dia um fato novo acontece. Rafiki (o macaco místico) se apresenta ao pequeno rei Leão, para lembrar-lhe de quem ele era e de suas responsabilidades. no primeiro diálogo, espantado, o leãozinho pergunta: "quem é você", e Rafiki responde: "A questão não é quem eu sou, mas quem você é". Retomado a consciência de sua identidade, ele volta para sua terra para livrar seu povo da opressão e das trevas.
muitas vezes perdemos a noção de nossa identidade de filhos amados, herdeiros com Cristo, e da vocação e identidade que temos. 
Quando soubermos, realmente, da verdadeira identidade, passaremos a nos comportar como povo santo, real, propriedade valiosa e exclusiva de Deus. Tudo é questão de identidade e vocação.

Preparado:
Igreja presbiteriana da Gávea. 1991.
Refeito, Anápolis, 2016

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

2 Rs 1.17 Deus, meu inimigo!


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Introdução:

Um dos problemas mais recorrentes e que aflige profundamente a raça humana é a mania de ver Deus como inimigo ao invés de aliado.

A relação de desconfiança com Deus é adâmica, faz parte da raça humana, por isto Satanás não encontrou muita dificuldade em convencer Adão a desobedecer a Deus:
- Ele afirma que “Deus estava mentindo”- Ele construía seu universo em cima de falsas afirmações;
- Ele afirma que Deus estava mal intencionado - Ele, na verdade, não queria que o homem comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal porque "sabia" que no dia em que o comesse, tornar-se-ia, como ele, conhecedor do bem e do mal.
- Ele insinua a Adão que Deus regia seu universo tiranicamente, querendo ser "o único", apenas para ter o domínio das coisas.
- Satanás sugere que Deus estava mau intencionado.

Adão não questionou nem confrontou o diabo, antes foi facilmente convencido de suas afirmações luciféricas, porque de alguma forma, isto já estava sutilmente presente em seu coração, fazia parte de sua gênese. Deus era opositor, não amigo.

No segundo livro de Reis, durante o ministério de Eliseu, que era do reino do Norte, o rei Jorão desenvolve contra Deus um explicito senso de antagonismo e oposição. Ele sempre via Deus como alguém querendo conspirar contra ele. Deus era inimigo, não companheiro; opositor, não aliado. Deus era o desmancha prazer. Ele não era “ateu”, ele cria em Deus. Seu problema não era falta de fé, pois ele sabia da existência de Deus. Seu problema era a desconfiança no caráter de Deus. Ele via Deus como antagonista.
Jorão nasceu numa família espiritualmente complicada, filho de Acabe e Jezabel. Esta mulher tinha fortes opiniões e era controlada por uma certa entidade espiritual cujo nome era Baal. Seu marido era rei, mas quem dava as cartas era sua mulher. Ela orientava, sugeria, intervia nas questões do estado, e ele sempre acatava sua palavra. Nenhum casal conspirou tanto contra o Deus de Israel quanto este. Ela era estrangeira, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e ao se casar com Acabe, trouxe consigo, os símbolos, ritos e elementos do culto pagão que ela aprendera na suta terra natal. Por sua força politica conseguiu construir um altar em Samaria (1 Rs 16.31), e também por sua influência, muitos abandonaram o Deus verdadeiro para seguir esta entidade, e o culto a Baal se tornou popular, muitas pessoas aderiram.
O Reino do Norte, formado pelas 9 tribos dissidentes de Jerusalém entrou numa profunda decadência espiritual. Elias era o profeta daqueles dias e os embates espirituais entre o deus falso e o Deus verdadeiro, tornaram-se violentos, incluindo aquele que deflagrou a batalha de Elias contra os sacerdotes de Baal no Monte Carmelo, quando Deus se manifestou mandando fogo do céu. Naquele dia, 850 profetas de Baal foram desafiados por um único profeta, e morreram (1 Rs 18.19).
Com a morte de Acabe, seu filho Acazias assumiu o trono, mas por um tempo muito curto. Ele sofreu um grave acidente, caindo ao cair da janela de um quarto, e na busca por cura, decidiu enviar um grupo de mensageiros aos sidônios, onde ficava o quartel general do culto a Baal-zebube, cuja tradução mais provável seria “o deus das moscas”, para que estes deuses lhe fossem favorável. A intervenção de Elias foi dura. “Acaso não existe Deus em Israel para que busques outros deuses pagãos?”. Acazias morreu logo em seguida, e Jorão assumiu seu lugar. É sobre este rei que queremos refletir. Sua mãe, Jezabel, ainda vivia.

Jorão aparece neste contexto complexo. Mãe idólatra e sacerdotisa de Baal, um pai sem muitas convicções, e o irmão adorador de baal-zebube. Ele rejeita o Deus de Israel e ainda o hostiliza. A Bíblia afirma que satanás é “o adversário de nossas almas”, mas para Jorão, seu adversário é o Deus de Israel. Jorão o coloca sob suspeita. Todas as coisas ruins que lhe acontecem, e as que ele acha que vão acontecer, ele sempre responsabiliza e culpa Deus.
Sua vida é uma boa forma de entendermos sobre o que acontece quando achamos que Deus é opositor? Veja alguns sinais que surgem quando transformamos Deus em nosso inimigo pessoal?

Primeiro, quando transformamos Deus em nosso inimigo, nós o culpamos até pelos erros que cometemos.
Em 2 Rs 3.4ss, quando surge o conflito entre o Reino do Norte com os moabitas, Jorão alia-se com Josafá, Reino do Sul (Judá), para irem à guerra. A estratégia deles não parece ter sido muito boa, porque no meio da viagem, depois de sete dias da caminhada,  são surpreendidos com uma situação fatal: não há agua nem para os soldados, nem para os animais. A situação se torna desesperadora. Não nos parece ter sido um erro de planejamento? Ao lermos o texto temos a impressão de que não estudaram bem a região, nem as necessidades e desafios que teriam, e por isto encontram-se agora nesta situação de risco. Na verdade o erro deles foi estratégico. Esta, portanto, deveria ser uma hora de reconhecerem que não avaliaram bem seus próprios erros. Entretanto, o que faz Jorão? Ele culpa a Deus!
Então disse o rei de Israel (Jorão):
Ai! O Senhor chamou a estes três reis para os entregar nas mãos de Moabe”
(2 Rs 1.10)

Deus não era o culpado, mas Jorão vê nisto uma “armadilha” de Deus, segundo ele, Deus teria criado esta situação caótica para os humilhar e eles morrerem. Contudo, ir para o deserto exige planejamento, e sair com um exército exige ainda mais. Jorão não admite que o erro era dos reis e comandantes, mas prefere acusar sutilmente a Deus.

A palavra de Deus mostra como isto acontece:
"A Estultícia do homem perverte o seu caminho,
mas é contra o Senhor que o seu coração se ira""
(Pv 19.3)

Não é assim que fazemos? Culpamos a Deus, mesmo quando somos os responsáveis pelas trágicas consequências. Estamos com raiva de Deus.
Certa vez fui procurado por uma jovem que estava muito sofrida. Ela tinha perdido seu namorado, e no mesmo acidente morreram ainda duas meninas e um amigo dele. Ela estava furiosa com Deus, queria que eu respondesse seus questionamentos. E já aprendi que não tenho de justificar a Deus, nem tenho respostas aos seus insondáveis mistérios e planos. No final a abracei, deixei-a desabafar, oramos e não disse muita coisa. Posteriormente soube, porém, que todos os quatro ocupantes do carro estavam bêbados, e que as duas garotas eram meninas de programa, dirigindo em alta velocidade pela BR. Continuei ainda com dor pela situação trágica, pela dor da família e amigos, mas este era, certamente, um quadro visível de pessoas que quebraram todas as regras básicas da vida, mas que agora se levantavam contra o Senhor.
Eles sequer consultaram a Deus para saber se deveriam ir. Mesmo Josafá, um dos reis presentes, que era piedoso, sugeriu que buscassem a Deus. Eles tomaram seus caminhos por decisão pessoal, sem saber o que Deus pensava sobre o assunto. Seus projetos humanos agora seguem a rota do fracasso, mas Deus, na visão do rei, é o culpado.

Como é comum, ainda hoje, vermos estas mesmas atitudes presentes.

As pessoas fazem maus negócios, namoram e se casam, sem nunca terem buscado a direção de Deus, não oram e depois, quando as coisas dão errado, culpam a Deus. São negócios irresponsáveis, sem cuidado e planejamento, dívidas e alianças assumidas sem a orientação de Deus, e quando as coisas não dão certo, culpam a Deus, achando que ele é o culpado. Nós o desobedecemos e ainda o culpamos, somos infiéis e mesmo assim não relutamos em acusá-lo.
Neste texto, apesar de todos os erros e acusações feitas, Deus ainda é quem os socorre. O texto mostra a irritabilidade do profeta com aquele rei arrogante e ímpio, quando este o procura, Eliseu é duro na sua abordagem, porque o rei se aproxima ironizando e acusando a Deus (2 Rs 1.13), mesmo assim, por causa de sua misericórdia, Deus responde e intervém miraculosamente socorrendo o povo que estava perto de morrer agonizantemente sem água.

Em segundo lugar, quando colocamos Deus como inimigo, somos incapazes de considerar com gratidão e louvor, os feitos evidentes de Deus.
Em pelo menos duas situações, Jorão vê a clara e maravilhosa intervenção de Deus, que redunda em libertação para sua vida, mas ele não glorifica a Deus por isto, ele joga estes dados para um arquivo morto de sua memória e ignora a obra de Deus.

A.     Jorao vê a intervenção de Deus no deserto, mas isto não muda sua visão, nem o transforma em um adorador (2 Rs 3.4-20). Era a hora dele dizer: “Agora vejo que o Deus de Israel tem poder”. No entanto, não há nenhuma evidência no texto que ele tenha percebido isto. Não o vemos adorando ou agradecendo.

B.     Jorão vê a intervenção de Deus na cura de Naamã, mas isto não o muda nem gera conversão.

Naamã é o poderoso comandante do exercito da síria, que procura o rei por causa de sua lepra. Ele se vê num conflito internacional e entra em desespero, rasgando as vestes, achando que este incidente diplomático era um pretexto de Ben-Hadade para guerrear contra ele. Eliseu intervém, resolve o problema, certamente Jorão viu o desdobramento desta história, mas isto não o aproxima de Deus.

Esta é a mesma realidade até nossos dias.
Quando consideramos Deus nosso adversário, fechamos os olhos para as realidades espirituais mesmo quando algo maravilhoso se dá entre nós. Na verdade, sinais e prodígios tem pouco efeito para gerar fé. Pessoas obcecadas por sinais geralmente são incrédulas, quer tenham um background religioso ou não. O povo de Deus no deserto viu mais milagres que qualquer outra geração, mas continuou sendo rebelde e obstinada contra Deus.
Jesus censura veementemente duas cidades que em seus dias presenciou milagres portentosos, mas ignorou a obra de Deus: “Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido: Ai de ti Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que pra vós outras” (Mt 11.20-22).
Quando Deus se torna suspeito, nos tornamos incapazes de perceber sua manifestação, e isto nos impede de o adorarmos. Os franceses afirmam que “gratidão é a memória do coração”. Se o coração não se lembra, não há gratidão, nem adoração, nem louvor.

Terceiro, Quando colocamos Deus sob suspeita, passamos a hostilizar seus servos – A Síria estava sempre em guerra contra o povo de Deus naqueles dias. Ben-Hadade decidira tomar e saquear Samaria, e para isto usou uma arma letal: fez um cerco à cidade, impedindo que qualquer pessoa entrasse ou saísse.
A lógica é simples. Ao invés de guerrear tentando quebrar os muros, o que sempre trazia grandes baixas ao exército, fazer o cerco era mais demorado, mas eficaz. Uma cidade fortificada não é auto sustentável, não possui auto subsistência, e os estoques de comida acabam rapidamente. Por isto, logo a cidade de Samaria viveria uma situação calamitosa, a ponto de uma mulher comer seu próprio filho (2 Rs 6.28-30). Diante deste horrendo quadro, o rei ficou com raiva de quem? De Eliseu, o profeta, a quem responsabilizava pela dramática situação, e por isto o jurou de morte (2 Rs 6.31). O que tinha o profeta a ver com isto? Nada. A situação chegou a este ponto por causa da infidelidade do povo de Israel, era juízo de Deus. O problema do rei só seria resolvido com o próprio Deus.
Ao invés de arrependimento, ele desenvolveu raiva contra Elizeu.
Assim acontece com pessoas iradas contra Deus, elas hostilizam seus servos. Já sofri expressões de raiva simplesmente por ser pastor. Pessoas já me rejeitaram, desprezaram e ignoraram, simplesmente por ter a função ou ofício pastoral. De alguma forma nos transformam em para raios. Nada podendo fazer contra Deus, resolvem fazer contra aqueles que são “seus representantes”.

Quarto, quando Deus é considerado inimigo, cria-se uma relação constante de suspeita contra ele
Em 2 Rs 6.33 vemos um desabafo do rei diante da dramática situação e crise politica que seu governo enfrenta: “Eis que este mal vem do Senhor, que mais, pois, esperaria eu do Senhor?”

Conseguem ver o que ele está afirmando?
“De Deus eu só posso esperar o mal”.

Durante algum tempo em minha vida tive uma relação de suspeição com Deus. Todas as vezes que as coisas estavam bem, eu ficava imaginando que algo de ruim poderia acontecer à minha vida, e que as coisas não continuariam boas como estavam. Um dia considerei no meu coração: “Por que vivo sempre esperando e aguardando o pior?” E cheguei à conclusão de que se tratava de uma suspeita de Deus, que foi bem definida por uma querida ovelha: “Nosso problema não é que não apenas não confiamos em Deus, mas que desconfiamos de Deus”.
Por que esperar o mal de Deus?
Por que antecipar que algo vai dar errado quando tudo tem sido tão abençoador?

A esposa de Jó experimentou isto de forma clara na sua vida. Diante da tragédia família, vendo ainda o sofrimento de seu marido, ela chega perto dele e diz: "ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morra!"  Mas Jó lhe respondeu: Falas como qualquer doida. temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Deus deu, Deus tirou, bendito seja o nome do Senhor" (Jó 1.9-10). 

Conclusão:

Dois detalhes interessantes:
1. Jorão é inimigo de Deus, mas gosta de ouvir falar sobre Deus - Não é curioso? Veja o que acontece em 2 Rs 8.4. Ele tem interesse nas coisas espirituais. Não gosta de Deus, mas mantém uma certa "admiração por Deus".
Neste texto vemos Geazi no palácio para falar das coisas sobrenaturais que ele vira.
lembra-se do Geazi?
"Pardal que quer acompanhar João de barro vira auxiliar de pedreiro". 
Ele conseguiu o que queria. Sua ambição não era ter vestes festivais e olivas? Ele agora se sente importante na presença do rei, mas qual a relevância disto?
Seu corpo está condenado, e sua alma corre sério risco por ter se entregue à cobiça.
Fico pensando se não é assim a vida?
Aspiramos coisas, desejamos glória, popularidade, honra, e vendemos a alma para isto.
No Salmo 106.15 lemos: "Deu-lhes (Deus) o que queriam, mas fez definhar-lhes a alma". Muitas vezes temos o que desejamos, mas isto é bom?
Este desejo que hoje devora sua alma, pode destruir você. Eventualmente ele será atingido, mas a que preço? Você o terá, mas será leproso!
Pois bem, Jorão tem interesse nas coisas de Deus: " Ora, o rei falava a Geazi, moço de Deus, dizendo: conta-me , peço-te, todas as grandes obras que Eliseu tem feito" (2 Rs 8.4), E Geazi relatava os milagres portentosos de Deus. Lamentavelmente, tais informações não mudavam o coração do Jorão idólatra. Seu interesse era pura curiosidade, mas ele, de fato, não se interessava pelas coisas de Deus. Por isto continuou distanciado de Deus até sua morte.
Isto pode acontecer conosco.
interessados, por mero diletantismo, das verdades de Deus; curiosos das coisas espirituais, mas lamentavelmente longe de Deus. o texto demonstra que o rei Ben-Hadade, pagão, tem maior respeito por Eliseu que Jorão, que presencia os fatos sobre Deus. Tanto que aquele rei vem consultar Eliseu acerca de sua vida (2 Rs 8.7). Jorão, entretanto, nunca se dirigiu a Deus a não ser ameaçadoramente e com hostilidade.

2. A resistência e oposição de Jorão lhe custou caro - Sua resistência trouxe juízo sobre si e atingiu severamente a sua casa. Ele tanto se opôs a Deus que este suscitou um capitão chamado Jeú, que não somente o traiu, mas exterminou todos os setenta filhos do rei, (2 Rs 10.1-14), e à sua danosa mãe (2 Rs 9.30,31). Jeú encerra em Samaria, o culto a Baal, matando todos os sacerdotes do deus-das-moscas, destruindo seus templos e altares (2 Rs 10.18-31).


Antes de concluir, gostaria de trazer três palavras finais:

A. Para pessoas quebradas e trituradas pela dor e tragédia - Não tente explicar a dor, nem justificar a Deus. Sei que Deus é amor, mesmo quando a tragédia me abate, mas não sei o porquê, os motivos dos incidentes doloridos e caóticos. Sei que ele é bom, ele é Deus.

B. Grandes crises contra Deus quase sempre revelam fé - Ateísmo quase sempre não é falta de fé, mas uma visão distorcida ou equivocada de Deus. O ateu, em muitas situações, não é aquele que não crê, ele reconhece a divindade. Na verdade, muitos ateus são a-teus, isto é, contra Deus, já que o prefixo grego indica oposição. Jorão não era ateu. Era contra Deus. Do tipo de pessoa que implicitamente está dizendo: "Eu creio em Deus, mas não coloco nele a minha confiança, desconfio dele, e o odeio!". Você não pode ser contra alguém que não existe, nem odiar um ser não-existente. Pense nisto!

C. Deus entende e restaura corações quebrados - Acometidos pela tristeza, ira, raiva contra ele, engolidos pela dor. Deus entende o que é dor, porque ele mesmo viu seu Filho se agonizar na cruz, dizendo: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". A Bíblia afirma que Jesus é o sumo sacerdote que pode se compadecer de nós, porque ele também experimentou oposição, martírio, violência e até mesmo o abandono de Deus. Jó passou pelas grandes perdas de sua vida, mas no final consegue dizer de forma absolutamente majestosa: "Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem!".

Quando você estiver vivendo numa situação semelhante, vale a pena ler para você mesmo, talvez em voz alta, quem sabe se olhando no espelho, a seguinte afirmação:

Eu creio que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes.
Espera pelo Senhor, tem bom animo, e fortifique-se o teu coração;
Espera, pois, pelo Senhor” (Sl 27.13-14).


Quanto a mim, decidi:
Não vou mais esperar o mal. Não desconfio de Deus. O Senhor é meu refugio e fortaleza Ele é fiel, e não pode negar-se a si mesmo, não pode deixar de ser fiel porque se fizesse isto deixaria de ser quem ele é. Sua fidelidade vai de geração a geração, preciso aprender a discernir as sementes adâmicas e luciféricas de minha suspeita e rejeitá-las, para que eu não tenha que atribuir a Deus todas as experiências negativas que me acontecem, e mesmo quando a tragédia se abater, entender que ele é santo e amoroso. Deus não brinca com a minha dor, não está jogando dados com minha vida.

sábado, 1 de outubro de 2016

2 Rs 7.3-20 Hoje é dia de boas novas




Neste texto encontramos o relato de quatro leprosos que estavam ao redor da cidade de Samaria quando esta encontrava-se sitiada pelos siros. A situação era dramática, já fazia algum tempo que a cidade estava sitiada, e faltava comida dentro dos muros. Há inclusive o relato dramático de pessoas comendo seus próprios filhos. Se as coisas iam mal na cidade, fora dos muros não era diferente. Os leprosos não tinham condições de trabalhar por causa de seu estado de saúde e morriam agora de fome.

Então, estes leprosos decidem arriscar suas vidas, indo até o acampamento do exército inimigo, ver se encontrariam alguma comida, ou alguém que tivesse misericórdia deles. A decisão é resultado de resignação destes homens que dizem: "Se dissermos: entremos na cidade, há fome na cidade, e morreremos lá; se ficarmos sentados aqui, também morreremos. vamos, pois, agora, e demos conosco no arraial dos siros; se nos deixarem viver, viveremos; se nos matarem, tão somente morreremos". (2 Rs 7.4)

Ao chegarem ao arraial, são surpreendidos pelo vazio e caos. Armas, tendas e comidas ainda estão no lugar, espalhadas de forma desorganizada por todo lado, mas não há sequer uma pessoa no acampamento. Eles entram, comem fartamente, e se dão conta de que, a cidade de onde vieram, está cheia de pessoas famintas. Então chegam à seguinte conclusão: "Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos". (2 Rs 7.9)

Este relato é uma boa ilustração do Evangelho. 

Famintos de Deus, desolados e famigerados, nos aproximamos de sua graça e somos surpreendidos pela fartura que há em Deus e nossa alma encontra alimento. O encontro com a fartura da sua misericórdia e amor, contudo, deve nos impulsionar a ter compaixão daqueles que "como ovelhas sem pastor" ainda vagam na secura da alma e falta de sentido e significado para a vida. As boas-novas precisam ser proclamadas. 

Os leprosos famintos, agora fartos, anunciam aos fartos, agora famintos, que podem saciar sua fome, que existe provisão e riqueza na obra maravilhosa da cruz de Cristo, que nos resgatou para uma viva esperança.

Gostaria de refletir sobre quatro aspectos das boas novas a partir deste texto:


1. Quais instrumentos Deus usa para trazer livramento


Deus usa pessoas leprosas, marginalizadas, condenados à morte, ameaçadas, encurraladas e fracas.

A solução para este dramático caos dentro e fora de Samaria, não é encontrado na estratégia de guerra dos comandantes, nem no poderio bélico, antes a resposta vem, inesperadamente de quatro leprosos, que, resignadamente, decidem arriscar suas vidas, sair da situação de dependência humana e encontrar resposta ao dramático quadro que enfrentam.

Deus usa instrumentos estranhos.

Uma menina, escrava, numa terra distante, ouve falar da lepra de seu patrão. Ela não tem nome, nem voz; mas conhece um Deus que age. Seu fortuito comentário torna-se uma esperança naquela casa que vive atormentada e em estado de choque. Sua palavra gera fé, e este homem sai em busca do Deus de Israel e é curado.

Não é estranho esta conspiração divina?

Para começar, tudo começa numa manjedoura. “As boas-novas” parecem conspirar contra o status quo. Deus se utiliza de elementos frágeis, uma adolescente “que aparece grávida”, um curral e uma cocheira onde encontra-se a figura de um bebê completamente dependente de uma jovem e inexperiente mãe, cercado de animais. As notícias são proclamadas inicialmente não em ambientes nobres, mas para pastores deslocados da periferia da Judeia, vivendo na fronteira entre a cidade e o deserto. Deus surpreende.

Os respeitáveis magos, vindo do Oriente, entendem que um nascimento de tão grande nobreza só pode acontecer nos palácios, este menino que nasce deve ser filho de um rei e nascer numa rica estrutura, mas ali nada encontram. A ordem é ir a Belém, periferia. Ali encontrariam um bebê envolto em faixas, e nesta criança encontrava-se o logos eterno, aquele que era a expressão exata do ser de Deus.

Esta é a subversão do Evangelho:


“Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento. Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele” (NVI - 1 Co 1.26-29).


2. Qual a motivação destes leprosos para compartilhar as boas- novas?

Passado este choque de entender a “santa conspiração dos projetos divinos”, agora voltamos a atenção para estes quatro homens. Por que eles decidiram voltar a Samaria? Eles sempre viveram separados e distanciados da comunidade, tratados como lixo, por que deveriam voltar? Havia tantos bens dos quais poderiam usufruir, nunca viram tanta riqueza e abundância.

Vários motivos podem ser observados: 

Primeiro, sentiam responsáveis pelos outros. “Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas, e nós nos calamos” (2 Rs 7.9). 

Este é o motivo pessoal para anunciar as boas novas.

Como podemos ficar calados, quando temos em nossas mãos uma mensagem tão libertadora. Como ocultar isto que veio até nós, de forma amorosa e livre, que graciosamente nos foi dada por Deus.
Pregar o Evangelho, para aqueles que foram libertados das trevas, torna-se um grande privilégio. Não podemos nos omitir. Antes de mais nada é uma forma de gratidão. Comunicar aquilo que nos foi gratuitamente entregue.

Em segundo lugar, tinham senso de urgência. “Se esperarmos até a luz da manhã, seremos tidos por culpados” (2 Rs 7.9). 
Não podiam esperar. Esta era a hora.
Este mesmo senso de urgência 

Jesus Cristo nos deixou um exemplo de como é urgente a necessidade de falar das coisas de Deus. Em Joao 4 temos o relato do encontro de Cristo com a mulher samaritana. Ele está conversando com ela quando os discípulos voltam da cidade trazendo comida. “Os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come. Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer? Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra. Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa”(Jo 4.31-35). 

Jesus demonstra sua prioridade era evangelizar. A comida poderia vir, o momento, a prioridade de Cristo era mostrar a salvação. Jesus queira ensinar seus discípulos a ter este senso de urgência. A colheita de trigo ainda demoraria quatro meses, mas muitas pessoas estavam morrendo sem ouvir da esperança da salvação. Jesus que olhassem as pessoas para verem como estavam na hora de serem evangelizados. Esta era a hora. Amanhã poderia ser muito tarde. Esta é a mensagem de Cristo. Deus quer que seus servos priorizem as pessoas aproveitando todas as oportunidades para falar do amor de Jesus .

Era assim que os leprosos se viam. “Se esperarmos até a luz da manhã, seremos tidos por culpados” (2 Rs 7.9). A fome era tão grave em Samaria que pessoas poderiam morrer ainda aquela noite.

Em terceiro lugar, temor. “Se esperarmos até a luz da manhã, seremos tidos por culpados” (2 Rs 7.9).

Os leprosos sabiam que seriam julgados pela indiferença, egoísmo e apatia. Tinham tanto mas não se preocuparam com ninguém, sabiam da resposta mas esconderam as informações. Tornavam-se assim responsáveis pelo descaso.

Este é um motivo também para se falar do amor de Deus.

Veja como Paulo se expressa em 1 Co 9.16-19

Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada. Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho.

Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais”. Certamente este é um motivo para evangelizarmos. Deus vai nos julgar por termos os mistérios de sua salvação dado a nós, sem que compartilhemos sua maravilhosa graça. “Ai de mim se não pregar o evangelho”. 


3. Que barreiras encontraremos para anunciar as boas novas?

Os leprosos correm a anunciar as boas-novas, no entanto, apesar da notícia ser muito boa, isto não significa que ela será recebida sem reações de cautela e estranheza. 

A primeira desconfiança vem do rei: “Agora eu vos direi o que é que os siros nos fizeram. Bem sabem eles que estamos esfaimados; por isso, saíram do arraial, a esconder-se pelo campo, dizendo: Quando saírem da cidade, então, os tomaremos vivos e entraremos nela” (2 Rs 7.12). O rei recebe a notícia com desconfiança, questionamento e incredulidade.

Não é assim que as pessoas agem em relação ao evangelho?


Seu Josias Afonso, foi diácono da Igreja Presbiteriana Central de Anápolis por muitos anos. veio do interior de Minas Gerais para assumir a gerência das antigas Casas Buri. Ao chegar à cidade, alugou um pequeno quarto e no domingo à tarde, puxava seu tamborete e assentava-se à porta da casa para ver as pessoas passando. Como estava morando ao lado da Igreja Presbiteriana, esperava que alguém o convidasse para ir ao culto, mas apesar da simpatia do povo, ninguém o convidava. Até que, finalmente, o aguardado convite chegou.

A igreja tinha um belíssimo coral e isto tocou profundamente a sua vida. O pregador era entusiasmado e no final fez um apelo perguntando às pessoas presentes se alguém gostaria de entregar sua vida a Cristo. Ficou assustado, porque não entendendo a linguagem “crentês”, não conseguia fazer ideia da razão de ninguém entregar sua vida a Jesus, afinal, não seria esta a mais importante decisão da vida? Que povo tolo era aquele, que não queria se render a Cristo?

Finalmente, depois de perceber que ninguém queria entregar sua vida a Cristo, ele, sozinho, tomou a decisão e levantou suas mãos. Desde então, nunca mais se afastou da igreja, casou-se com D. Maria Auxiliadora que também se tornou uma abençoada companheira no ministério de diaconia, e só deixou de vir à igreja no final de sua vida, quando a sua saúde física e psicológica não mais permitiriam sua freqüência à comunidade que adotou na sua vida. Seu corpo foi gradualmente debilitando, até que não mais resistiu.

Sempre penso na decisão de seu Josias. Como alguém pode se recusar, deliberadamente, a não aceitar a maravilhosa graça de Deus oferecida em Cristo Jesus. Como afirma o autor da carta aos hebreus. "Como escaparemos nós, se rejeitarmos tão grande salvação?" Ainda hoje, muitos se recusam a receber a oferta amorosa e graciosa de Deus através de seu filho Jesus Cristo. seu Josias estava certo: Como alguém pode ser tão tolo a ponto de não aceitar a maravilhosa salvação oferecida por Cristo? Jim Elliot afirmou: "Não é tolo aquele que dá o que não pode guardar, para ganhar aquilo que não pode perder". 



4. Que efeitos estas boas novas provocam? 

Por último, vale ressaltar o que acontece no texto depois de que as pessoas reebem a notícia e vão até o acampamento averiguar as informações. O rei enviou seus mais valentes e experimentados homens em dois carros com cavalos, para fazer uma ronda, e quando retornaram anunciando que a informação era verdadeira e segura, as pessoas sairam em desvairada para pegar alimento.

Vemos aqui o resultado das boas-novas.

Elas trouxeram euforia. As pessoas esfaimadas podiam agora celebrar. Imagino que naquela noite houve muita dança e alegria como era próprio da cultura judaica celebrar. As boas-novas trazem júbilo, entusiasmo, alegria. 
As boas novas trouxeram solução ao problema. As pessoas estavam raquíticas, anêmicas, subnutridas por causa do cerco militar que os siros impuseram a Samaria. O problema acabou, não mais a tensão diária da guerra que vinha do lado de fora, nem a angustiante situação de escassez dentro dos muros. As boas-novas são transformadoras. 
Abençoaram a cidade. Uma das frases mais marcantes registradas no Livro de Atos dos Apóstolos é a chegada do Evangelho, curiosamente, à Samaria. A mesma Samaria que no tempo dos reis havia experimentado a mensagem maravilhosa das boas novas dadas pelos leprosos, agora ouve novamente as boas-novas de salvação através do ministério do diácono Filipe. “os espíritos imundos de muitos possessos saiam gritando em alta voz; e muitos paralíicos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade” (At 8.7-8) 

Nunca podemos perder a perspectiva dos resultados da pregação das boas-novas.

A mensagem proclamada hoje ao teu vizinho, pode mudar a perspectiva de uma família, e impactar gerações.
O que o Evangelho pode fazer na cidade de Anápolis, no Brasil e no mundo?
Uma sociedade consumista, sem direção, faminta por sentido e valor, oprimida e angustiada pela carência espiritual e moral, perdida em seus pensamentos relativistas e secularizados, buscando prazeres para satisfazer seu universo. Famílias em busca de riquezas e bens, mas carentes de significado na alma. Gente presa nos seus preconceitos. 

O evangelho pode transformar histórias assim.
Para concluir, gostaria de citar um parágrafo do artigo Missão e Evangelização urbana publicado na revista Ultimato, autoria de Raimundo M. Montenegro Neto


“Essa convicção no poder eficiente do evangelho deve nos levar em direção aos milhares de pessoas que estão vivendo sem Deus neste mundo, escravizadas por toda sorte de práticas pecaminosas, sob o poder maligno das trevas, ainda que estejam sem consciência do terrível estado da sua alma imortal (Ef 2.1-3). Devemos ir ao encontro delas na plena certeza de que a misericórdia e o poder de Deus são capazes e suficientes para transformá-las positivamente (Ef 2.4-7), chamando-as para o louvor da sua glória, mediante o evangelho (2Ts 2.13,14), o qual produz gloriosas mudanças na vida dos incrédulos quando recebido com fé (1Ts 1.5,9; 2.13). Com base nessas convicções, não devemos nos acomodar ou até mesmo nos acovardar diante do desafio de resgatar para Deus aqueles que ele já preparou, ainda que estejam nos mais baixos níveis da escravidão maligna. A Palavra de Deus nos enche de ânimo aos nos afirmar: “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20), e também aos nos recordar que fomos libertos das trevas para nos tornarmos libertadores de outros que ainda estão escravizados (1Pe 2.9,10)”.
http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/igreja/missao-e-evangelizacao-urbanas/


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Pregado na Escola Dominical da
Igreja Presbiteriana de Boston
Domingo, 14 de fevereiro de 1999
Refeito e pregado em Anápolis- Setembro 2016.

Ef 3.20-21 Infinitamente mais


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Introdução:

Depois de orar por fortalecimento interior e pela habitação plena de Cristo no coração da igreja, para que pudesse compreender o amor de Cristo que excede todo o entendimento, Paulo agora se põe a louvar este Deus. No vs 20, Paulo fala do poder infinito de Deus, e o vs 21 é dedicado ao louvor e glória deste Deus.
Este texto é muito atualizado, não raras vezes nos sentimos incapazes de lidar com as pressões, tentações e acusações do diabo, isto gera sensação de inferioridade e de inaptidão e assim surge o fantasma do desânimo. Por isto, depois de ter orado por temas tão profundos, o apóstolo afirma: "Deus é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” . Este versículo deveria ser gravado nas nossas mente. 

A compreensão destas verdades corrige distorções teológicas: 

A. “Eu posso fazer” – De um lado encontramos uma ênfase generalizada nas possibilidades humanas. Aqui encontramos aqueles que acreditam que o "pensamento positivo", pode resolver todas as coisas, as possibilidades encontra-se na capacidade humana. A ênfase deste texto, entretanto, encontra-se em Deus, não no homem. "Deus é poderoso para fazer infinitamente mais”. É Deus quem pode fazer. O poder e a força encontram-se em Deus.
Na carta de Paulo aos Coríntios lemos: "Não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma coisa como se partisse de nós, pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus" (2 Co 3.5). Esta é a distinção clara na resolução dos conflitos e os enfrentamentos diários. Os cristãos enfatizam o que Deus pode fazer. Podemos "tudo", mas em Deus, "naquele que nos fortalece" (Fp 4.13). Os humanistas enfatizam o que o homem pode fazer, no que a mente humana é capaz de realizar. Enfatizando assim o poder do homem, mas o texto bíblico afirma que o poder é de Deus, que pode todas as coisas, mais do que pedimos ou pensamos.

B. “Nada se pode fazer” – De outro lado, este texto ajuda os fracos e débeis a se encorajarem. Onde é que está a impossibilidade? Existe alguma coisa que é difícil ou impossível para Deus? Por falta de fé, pelas dúvidas que enfrentamos, podemos facilmente limitar o poder de Deus às circunstâncias favoráveis, à nossa fé, ou conceitos teológicos e assim queremos estabelecer linhas a partir das quais Deus não pode passar.
Pela falta de fé muitos se sentem abatidos e desanimados, mas Deus vem para dizer: As coisas podem melhorar! “Acaso para Deus haverá alguma coisa demasiadamente difícil?” Se Deus não faz, é porque dentro dos seus projetos e planos soberanos, ele não quis fazer, não porque lhe falta poder para fazer o que quiser. Inclusive sossegar o mar, curar enfermos, ressuscitar mortos.

Nunca podemos limitar o poder de Deus às nossas dúvidas ou à pusilanimidade da fé. Deus pode fazer mais, infinitamente mais, do que tudo quanto pedimos ou pensamos.

Podemos dividir estes dois versículos em duas linhas mestras. 
Primeiramente, Paulo fala do poder de Deus. O que aprendemos sobre isto:

1. Seu poder é infinito – “Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos”. Quando faz esta afirmação somos levados a pensar nas poderosas intervenções e ações de Deus na história. Diante da perplexidade de Moisés, Sara e Maria, Deus sempre pergunta a mesma coisa: “Acaso existe coisa demasiadamente difícil para mim?” Para Moisés Deus pergunta diante da promessa que fez de alimentar o povo no deserto, com carne, que daria para um mês inteiro; Para Sara, quando lhe disse que ela engravidaria aos 90 anos. Abraão recebe o anúncio do nascimento do Filho, quando tal acontecimento era impossível; Abraão ri...Sara ri...coisas estranhas de Deus. Abraão 99 anos, Sara 90 anos, algo biologicamente impossível (Gn 17.17). Deus os desafia: “Acaso há coisa demasiadamente difícil para Deus?" O pai da fé precisa aprender a ter fé, a confiar. O mesmo acontece com Maria, quando o anjo afirma que ela ficaria grávida, mesmo nunca tendo conhecido sexualmente um homem" . A palavra de Deus para Maria é A promessa: "Para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas”(Lc 1.37).

Todas estas situações são repletas de impossibilidade, mas isto não fez qualquer diferença para Deus. Quando ele deseja fazer, certamente o fará, e nada restringirá seu poder infinito. A única coisa que pode impossibilitar a ação de Deus é sua vontade. 

2. Seu poder transcende o que pedimos – “Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos”. Deus sempre faz mais. Eventualmente sequer imaginamos onde Deus pode nos levar, pois sequer sabemos o que é melhor para nós. No entanto, ele vai além. E quando pedimos, ele faz mais. Ele transcende aquilo que imaginamos ser nossa necessidade. Deus é sempre maior que nossos desejos e petições.

3. Seu poder ultrapassa o que pensamos – “Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos”. Deus ultrapassa não apenas o que pedimos, mas até mesmo o que pensamos. Muitas vezes estamos orando por algo, pensando em algo, Deus vai além. Oramos por um emprego, Deus dá além. Deus é especialista em surpreender seus filhos. 

4. Seu poder opera em nós – “...conforme o seu poder que opera em nós”. Este aspecto do texto não pode ser esquecido. Seu poder opera em nós“. O poder de Deus não é abstrato, mas se manifesta em nós. Ao desejar, ao orar, ao pedir, ao pensar, preocupe-se em saber se o que você pede é da vontade de Deus, se é coerente com sua vontade, se seu desejo é santo, genuíno. O desejo do coração pode ser humano, carnal, resultado da vaidade. Procure saber também se você deseja glorificar a Deus com aquilo que pede, porque, em última instância, a “ a Ele seja a glória”. 

Deus não nos dá o seu poder para que seja nossa posse e assim usá-lo conforme a nossa própria vontade. Muitos testemunhos que são dados em nossas igrejas, deixam de exaltar o poder de Deus para glorificar àqueles que se acham poderosos. Devemos saber que poderoso é o Senhor Deus, e não nós, e que ele apenas nos usa como instrumentos do seu poder, como canais por meio dos quais o seu poder flui, conforme o seu propósito. Também não somos não somos unidades de armazenamento, nos quais o poder fica depositado para ser utilizado quando e como acharmos conveniente.

Seu poder que opera em nós, através de nós e a despeito de nós. Para que as nossas orações se tornem realidade devemos ter em mente que isto só será possível por causa do poder de Deus que opera em nós. O poder vem de Deus, e nós somos seus instrumentos.
Deus não somente é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, como é capaz de fazer muito mais abundantemente de tudo que podemos imaginar, mas devemos nos lembrar que não usamos Deus e o seu poder, antes Ele é quem nos usa, na força do seu poder. Deus pode fazer coisas incríveis com vasos frágeis como nós, por causa da sua graça operante em nossas vidas. Neste sentido podemos dizer que com Deus...nada ...é impossível !!!

No vs 21, Paulo vai dar alguns motivos para nossa gratidão, adoração e louvor.

A. A Igreja de Cristo foi vocacionada para louvar a Deus por todas estas maravilhosas verdades – “A ele seja a glória na igreja”. O povo de Deus foi formado para seu louvor. “Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade escolhida de Deus a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Observem a expressão “a fim de”. Deus fez um povo para seu louvor. “Ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43.21). Deus espera que seu povo celebre e proclame sua grandeza ao mundo. O Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana afirma que “o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. 

Portanto, a Igreja de Cristo precisa glorificar os feitos de Deus.

B. Este louvor deve vivenciado de geração em geração – “Por todas as gerações”. O louvor que prestamos não pode ser a realidade apenas desta geração, mas precisa ser comunicado às outras. O povo de Deus precisa comunicar o seu louvor aos filhos e filhos dos filhos como afirma o Salmo 78.
Deus espera que os pais ensinem a seus filhos a adorar a Deus e glorificá-lo.

C. Este louvor é um projeto de Deus para a eternidade – “Para todo sempre”. Deus será sempre glorificado, mas ele espera que sua igreja o adore para sempre. No livro de Apocalipse vemos povos de todas culturas, línguas e nações, adorando a Deus. Milhares de pessoas exaltando sua glória e bendizendo o seu nome.

Deus formou o seu povo para esta eterna adoração.

Nossas realizações são para honra e glória de Deus. Tudo o que fazemos deve ser para a honra e glória de Deus, Glória significa louvor, exaltação por meio de palavras. O perigo nas realizações é usurpar a glória que pertence a Deus.

Conclusão:

Wayne Cordeiro relata que alugaram um espaço ao ar livre para realização de um evento de sua igreja, e depois de muito investimento e ensaio, veio a chuva e eles perceberam que todo o projeto iria por terra, então ele pediu a Deus para que Ele não permitisse que a chuva caísse para o evento fosse realizado, mas apesar de todo clamor da igreja, a chuva continuou caindo. Ele confessa que ficou triste com Deus e demonstrou sua raiva por não ter conseguido realizar o que planejaram. Orando ele conta que falou com Deus sobre isto, e o que veio ao seu coração foi o seguinte: "Você nunca pediu a minha presença neste evento, você apenas pediu para que a chuva não viesse. Tenho a impressão de que se não chovesse e eu não estivesse presente, você estaria contente".
Este é realmente um perigo da igreja. Esquecer-se de que tudo que faz, deve ser para a glória de Deus. Um culto sem a presença de Deus nada significa, pois Deus deve ser o centro. Todas as nossas atividades, programas, agendas, por mais interessantes que sejam, sem a presença de Deus nada valem,



Você pode adquirir meus livros:

1. “TUDO SOB CONTROLE”, uma série de sermões expositivos em Apocalipse - R$ 35,00
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Rev. Samuel Vieira
Rio de Janeiro, 1991- Igreja Presbiteriana da Gávea.
Refeito. Anápolis, Setembro 2016