sexta-feira, 15 de abril de 2016

Ef 1.13-14 Bençãos VI - O dom do Espírito Santo


A sétima benção espiritual descrita neste texto é o dom do Espírito Santo
.
É fundamental um esclarecimento inicial: Não estamos falando dos "dons do Espírito", que são descritos em 1 Co 12, Rm 12 e Ef 4, mas sim do Espírito Santo, ele mesmo, como doação de Deus para nossas vidas.
Muitas pessoas falam do Batismo do Espírito Santo, mas a Bíblia nunca fala disto. Precisamos esclarecer este aspecto. Não é o Espírito quem nos batiza, mas Jesus, portanto, somos batizados com o Espírito, o batizador é Jesus. Ele nos prometeu enviar o Espírito, que continuaria sua obra em nós. Foi ele quem disse: "Recebei o Espírito Santo". O batismo é de Jesus, não do Espírito. O Espírito é o dom precioso que nos é dado por Deus, e sem a sua obra na vida não poderemos executar o projeto de Deus na história.
João Batista afirmou: "Eu vos batizo com água, mas aquele que vem após mim vos batizará com Espírito Santo e com fogo". O batismo que Jesus faz é fundamental para a vida cristã. Mais que qualquer outra coisa para seguir a vida cristã, ter santidade, e cumprir a missão que Deus deseja para nossa vida, precisamos do Espírito.

Neste texto aprendemos sobre o processo da salvação, e a forma como o Espírito Santo usa para aproximar o pecador da graça de Deus.





OUVIR

CRER

SER SELADO

Primeiro processo: Ouvir

A Bíblia afirma que “A fé vem pelo ouvir” (Rm 10.17). por isto temos necessidade de proclamar a salvação às pessoas. Paulo chega a afirmar: “Como crerão se não há quem pregue?” (Rm 10.15. O Espírito Santo usa a proclamação simples do Evangelho para trazer salvação ao perdido.
A obra missionária precisa acontecer para que aqueles que ainda não conhecem a Jesus, possam ouvir a mensagem. Esta obra não foi dada aos anjos, mas à Igreja de Cristo. Somos responsáveis pela proclamação das boas novas. O Espírito Santo faz a obra convertendo o coração do pecador, trazendo arrependimento e transformação. 

Segundo processo: Crer
Ouvir a Palavra não é suficiente para dar salvação ao perdido, a não ser que a palavra seja acompanhada por fé naquele que a ouve. Quando ouvimos o Evangelho e cremos, isto significa que houve conversão, que é a operação do Espírito Santo para gerar entendimento espiritual. Conversão é obra do Espírito. Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode ver, nem entrar no reino de Deus” (Jo 3.3,5)

Veja esta descrição sobre a conversão de Lídia: “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de purpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender as coisas que Paulo dizia” (At 16.14). Veja o processo. Ela era temente a Deus. Ela escutava as palavras. O Senhor lhe abriu o coração. Ela concorda, aceita a palavra, isto faz sentido ao seu coração e em seguida foi batizada, ela e toda sua casa.

Desta forma observamos que o Espírito usa a Palavra de Deus para gerar fé. O Espírito opera por meio da Palavra. Vemos ainda que não basta ouvir. Ouvir e não crer nos deixa no mesmo patamar. Nada acontece se a palavra não foi acompanhada de fé. “Porque também a nós foram anunciadas as boas novas que se deu com eles. Mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé, naqueles que a ouviram” (Hb 4.2).

É muito perigoso continuar ouvindo a palavra e não crer. A incredulidade endurece o coração, gerando assim efeitos colaterais na alma como ceticismo, descrença e cinismo. Isto acontece quando nos acostumamos à palavra e não a colocamos em pratica.

Terceiro processo: Selo do Espírito

É interessante observar algumas verdades sobre a obra do Espírito Santo:

A.      O dom do Espírito só é concedido aos que creem. Sem fé, não há marca do Espírito. Sem crer não há movimento de Deus na alma humana;

B.      O tempo verbal: “fostes selados” – passado. Ato completo e definitivo, realizado quando cremos. O Selo se dá quando o coração acolhe a palavra de Deus. Não é algo que vai se realizar, mas algo já definitivo e concluído. O Espírito Santo sela a alma daquele que, pela fé, recebe a palavra da verdade. O selo não é algo a se realizar, mas algo já definitivo.

C.      Ato passivo – quem nos sela? Isto é obra humana ou de Deus? O texto afirma que “fomos selados”. Ele fez isto em nós, não podemos nos “auto-selar”.

D.      O selo do Espírito – Selo é uma marca, um sinal, um carimbo. A Bíblia emprega aqui a mesma ideia da inviolabilidade presente nos antigos selos romanos ou imperiais.

a.       Comprovar a autenticidade (Ne 9.38)
b.      Manter a segurança (Mt 27.66)
c.       Assinalar a posse (Ap 7.3).

E.       O penhor – O Espírito Santo torna-se o nsso penhor. Penhor é garantia. Perguntaram ao Dr. Russel Shedd se ele achava que um crente poderia perder a salvação, e ele respondeu: “Depende de quem o salvou. Se a salvação é construída por meio do homem, ele certamente a perderá; mas se por meio do Espírito, ele estará garantido”.

Quem é sua garantia?

F.       A duração desta garantia – Para sempre, ou lifetime warranty. O Espírito Santo garante os redimidos pelo sangue de Cristo até o dia final, até o resgate. Você é propriedade de Deus e o Espírito Santo é quem garante tal propriedade. Religião, rito, nada disto será suficiente para garantir-nos. Nem moralidade, religiosidade, justiça própria. Apenas o Espírito Santo pode nos garantir.

Conclusão

Para que Deus faz isto?

Deus está preparando o seu povo para ser objeto de louvor de sua gloria. Deus cuida de seu povo para sua gloria. No vs 6 lemos que ele nos predestinou “para louvor da gloria de sua graça”. Você foi feito para louvar a Deus, engrandecer o seu nome. Nós estamos sendo preservados para ele mesmo. O alvo de Deus é que sua gloria seja promovida em nossas vidas. 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Mc 1.40 Se quiseres, podes!




Introdução:

Uma questão teológica que mexe com o nosso coração pode ser sintetizada nesta oração que o leproso faz a Jesus: “Senhor, se quiseres podes purificar-me!”
E Jesus, profundamente compadecido disse: “Quero, fica limpa!

O ponto não é se Jesus pode ou não, mas se ele quer.
A Bíblia afirma que ele é onipotente. Quando Moisés questionou a Deus sobre como Deus daria carne para 2 milhões de pessoas no deserto, durante um mês inteiro, o próprio Deus indagou-lhe: “Acaso existe alguma coisa demasiadamente difícil para mim? Teria o meu braço encurtado?”
Nem sempre Deus quer – mas ele sempre pode.

Isto nos deixa inquieto.
Para uma sociedade narcisista, ególatra, auto centrada, quando Deus diz não ela não consegue entender.
Como é que Deus se recusa a me dar o que eu quero, ou desejo, ou necessito, se Ele pode?
Alguns chegaram a afirmar: “Se Deus é bom, ele não é Todo poderoso, se é Todo poderoso, não é bom”.

Por que Deus nem sempre faz? Sabemos que é isto faz parte dos seus mistérios. Mas por que Deus não quer fazer?

Uma das coisas que aprendemos na Bíblia é que Deus permite determinadas coisas estranhas, para evidenciar sua glória. Não foi exatamente isto que se deu com o cego de nascença?
O que os discípulos perguntaram: “Senhor, quem pecou. Este ou seus pais para que nascesse cego. E ele respondeu: Nem ele, nem seus pais, mas para que nele se manifeste a glória de Deus”(Jo 9.1-3).

Quando Deus cura, ou intervém sobrenaturalmente – ele é glorificado.
Quando não cura, também. 
Quando ele permite que as situações anômalas ou indesejadas aconteçam conosco, é porque ele deseja manifestar, em nós, a sua glória.
Como se portar?

A questão é perspectiva!

Paulo diz: “Digo isto não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância, como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”(Fp 4.11-13).
O que fez Paulo? Ele aprendeu. Não era algo natural nele, mas ele desenvolveu.
Quando as pessoas lêem Fp 4.13 acreditam que poderão fazer todas as coisas com Deus, mas não é isto que o texto está ensinando. Paulo afirma, que mesmo quando está humilhado, mesmo na fome e escassez, ele pode todas as coisas em Deus. Ele se fortalece no Senhor para enfrentar a oposição e os dias maus.
Gordon MacDonald afirma que o grande segredo da vida cristã é aprender a ver a vida com os olhos de Deus. "Muitas vezes eu oro com os resultados na mente. eu quero ter controle sobre pessoas e eventos. Oro dizendo ao Pai a minha visão dizendo-lhe como acho que as coisas deveriam acontecer. quando faço isto estou olhando para pessoas e eventos com uma visão terrena. Ao orar assim eu assumo que sei o que é melhor para as coisas que devem vir" (Ordering your private World, pg 228). 

Ou você entende que há um Deus que pode, mas nem sempre quer fazer, por causa de sua pedagogia ou você se desespera e tenta buscar fórmulas mágicas e opções erradas como fez o rei Acazias que, ao adoecer, resolveu buscar Baal Zebube, o “Deus da mosca”, a quem o povo de Ecrom adorava, Elias se interpôs aos comissários para dizer: “Porventura não há Deus em Israel? Certamente morrerás” (2 Rs 1.1-8).

Quantos homens e mulheres fieis sofreram por sua fé até o martírio e Deus não quis poupá-las. Por que? Será que faltou poder em Deus para salvar os seus servos fieis ou isto faz parte de sua estratégia e propósito?

Precisamos de perspectiva.
Ou entendemos que há um Deus santo, poderoso e bom, que conduz a história como ele quer, ou não pensaremos que há um Deus poderoso e insensível, que não faz o que queremos...

O clamor do Leproso foi atendido. “Se quiseres, podes purificar-me”.
Jesus, profundamente compadecido respondeu: “Quero, fica limpo!”

Entretanto, muitas vezes, por causa de seu propósito ele diz não. Voce vai ficar doente. Eu não vou te curar.
Paulo orou por um espinho na carne, e Deus lhe disse: “A minha graça lhe basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.
Deus não atendeu sua oração. Não fez o que lhe pediu.
Mas sua graça estava presente.
Deus não o abandonou, nem foi insensível.

Por que Deus não faz?
Porque, dentro de sua administração do mundo, ele preferiu que fosse assim...

É assim também que ele nos fala.
A minha graça lhe basta!!!

Ou pode dizer:
“Quero, fica limpo!”


Seja no sim ou no não, ele não foi menos Deus, apenas conduziu nossa vida pessoal e conduz a história dentro dos seus planos. “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”(Rm 11.39). Ele é Deus! É Assim que ele faz.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

2 Rs 2.9-14 Porção dobrada do Espírito

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Introdução:

Elias exerceu seu ministério profético durante nos dias de Josafá, rei de Jerusalém, Acabe e Acazias no reino do Norte. Na verdade, seu ministério esteve quase todo o tempo relacionado ao ímpio e idólatra reinado de Acabe e de sua perversa mulher Jezabel, que não era israelita, mas viera de Ecrom e adorava Baal-Zebube. Sua relação com este reinado foi sempre conflitiva e tensa.
Quando estava para ser arrebatado, os discípulos da escola de profeta de Betel e Jericó tiveram a revelação de que Elias seria tomado naquele dia. Estas escolas eram muito comuns naqueles dias, um lugar de preparação espiritual, equivalente aos atuais mosteiros, institutos bíblicos e seminários.
Neste contexto, Eliseu, seu discípulo mais chegado faz um pedido inusitado, que parece um tanto arrogante e pretencioso. “Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito” (2 Rs 2.9). Ao lermos este relato, surgem algumas questões de interpretação.
-Estaria Eliseu querendo ser maior que seu mestre?
-Não seria pretensão um pedido deste?
-Por que Eliseu pediu isto?
-Qual o significado do seu pedido?

Vivemos dias em que muitas pessoas correm atrás de poder espiritual. Já pararam para considerar quão perigoso pode ser este desejo. Como os motivos podem ser errados e danosos...
Pr. Ricardo Barbosa relata que certo homem era casado com uma mulher de sua igreja, era um empresário conhecido por sua truculência nos negócios, por humilhar as pessoas, maltratar sua esposa. Do seu jeito atabalhoado um dia foi alcançado pelo Evangelho. Daí pra frente começou a buscar a Deus em todos os lugares onde havia manifestação do poder de Deus. Um dia ele comentou com o Pr. Ricardo, da sua busca obsessiva pelo poder. Ao que este perguntou: “Para que você quer poder? Para continuar atropelando as pessoas? Para transformar Deus em seu parceiro de arrogância? Quer espiritualizar as coisas agora?”
A Bíblia relata a trajetória espiritual de um homem chamado Simão, o mágico, que fascinado pelos milagres que via pelas mãos dos apóstolos aderiu ao grupo, e chegou até mesmo a ser batizado. Entretanto, sua motivação era altamente pecaminosa. “Vendo, porem, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espirito santo, ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espirito Santo” (At 8.18-19).
Simão queria poder para manipular e controlar.
Estaria Eliseu sendo conduzido por motivos errados? Estava ele sugerindo que queria ser maior que Elias?
Duas razões nos levam a concluir que não.
Em primeiro lugar, Elias não faz menção nem estranha seu pedido, apenas afirmou: “Dura coisa pediste”. E o abençoou.
Em segundo lugar, Deus realmente lhe deu um ministério profícuo. Se seus motivos fossem ruins, Deus não o atenderia. Ou não é isto que nos ensina a Palavra: “Se no meu coração eu contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido”.

Qual era o pedido de Eliseu?
A Bíblia de Genebra tece o seguinte comentário: “Em Israel, o filho mais velho recebia uma partilha dupla da herança da família e também tinha o direito de suceder a seu pai (Dt 21.17). O desejo de Eliseu de receber porção dobrada do Espírito de Elias, foi, por conseguinte, um pedido ousado de levar adiante o ministério de Elias”. O que ele pede? Não para ser superior ou maior, mas para ser seu sucessor na dura jornada profética que Elias exercera. Por isto Elias lhe respondeu: “Dura coisa pediste!”
A Bíblia Shedd faz comentário similar:
“Não quer dizer que Eliseu pretendia ter duas vezes o poder de Elias, mas sim, estava querendo ser herdeiro da missão profética de Elias, e por isto, a porção dupla era a herança do primogênito, comparada a dos demais filhos. O primogênito era o herdeiro patronal, herdava a riqueza, o nome, e representava a família.
Donald J. Wiseman afirma: “O filho primogênito tinha a responsabilidade de perpetuar o nome e o trabalho do pai”. Porção dobrada, não era, portanto, mais poder para realizar milagres, antes mais responsabilidade como novo líder. Não era o dobro do poder espiritual de Elias, e nem Elias jogou seu espirito sobre Eliseu. Tanto é assim que ele não prometeu coisa alguma a Eliseu, apenas afirmou que se ele o visse subindo, receberia tal comissionamento, o que realmente aconteceu.
Ninguém pode receber unção dobrada, porque o Espirito de Deus não pode ser medido, e nem é dado por medida (Jo 3.34). Seria pretensão descabida de Elizeu ou até falta de humildade se ele fizesse tal pedido.
No entanto, a vida de Eliseu nos ensina que, aqueles que quiserem desempenhar bem o ministério que Deus lhes dá, precisam ter algumas coisas em mente:

Primeiro, é necessário ficar um pouco mais perto
Eliseu não se distancia de Elias. A única promessa que Elias lhe faz é a seguinte: “Se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não me vires, não se fará”. (2 Rs 2.9). Quando Elias sugere: “Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Betel, respondeu Eliseu: tão certo como vive o Senhor e vive a tua alma, não te deixarei. E assim, desceram a Betel” (2 Rs 2.2). Novamente Elias insiste para que ele não o acompanhe, mas Eliseu não se afasta (2 Rs 2.4).
Muitos querem assumir liderança na igreja, colocar seus serviços a favor do reino, mas ficam sempre distantes, nunca se envolvem e nem se aproximam. Muitos querem a benção mas se afastam do lugar onde a benção de Deus flui.
Eventualmente em igrejas grandes é fácil nos escondermos e nunca servimos a comunidade. Não trazemos nosso tempo, não servimos com os talentos ou recursos. Muitos reclamam que nunca são convidados para ajudar nas atividades e serviços da igreja, mas em geral, também nunca estão disponíveis. Muitos reclamam da falta de conforto ou das estruturas da igreja sem nunca se comprometer com seu dinheiro para a melhoria do templo e das salas.
Se você quiser servir, crescer na fé e no compromisso, é necessário estar mais perto.
A Bíblia fala que uma das causas da queda de Pedro se deu por tentar seguir Jesus de longe. Ao mesmo tempo afirma que “O jovem Josué nunca se apartava da tenda” (Ex 33.11). Este Josué se tornaria o futuro líder do povo de Israel, mas isto não aconteceu aleatoriamente. Ele sempre estava lá, servindo, cooperando, envolvendo-se no ministério, e quando chegou a hora de alguém assumir o lugar de Moisés, seu nome foi naturalmente indicado.
John Maxwell fala no seu livro O Líder 360o graus, que muitas pessoas pensam que só poderão assumir funções quando já forem líderes, quando na verdade,  devem estar preparados, porque quando as oportunidades surgirem, já devem ter deixado sua marca na organização e na obra que fazem.

Segundo, você tem que ir um pouco mais longe
Eliseu caminha com Elias, onde quer que este se dirigia. Ele segue para Betel, Eliseu vai com ele; ele se dirige a Jericó, Eliseu o segue; dali para a travessia do Jordão, Eliseu anda junto e vai onde for necessário. Por que os demais discípulos não fizeram o mesmo trajeto, porque não os acompanharam?
A verdade é que você não pode parar nem em Betel, nem Jericó, nem o Jordão. Caminhe o quanto for necessário. Se preciso, invista tempo e recurso.
Muitos se contentam em caminhar um pouco.
Os discípulos dos profetas sabiam até os detalhes de como seria o arrebatamento de Elias: “Sabes que o Senhor, hoje, tomará o teu Senhor, elevando-o sobre a tua cabeça?” (2 Rs 2.3). Se sabiam tanto, por que não foram juntos? A resposta clara é a falta de interesse.
O comodismo, a lei do menor esforço, a mediocridade, nos impedem de irmos adiante.
Gosto de relatar a história da mãe de um garoto que padecia uma grave enfermidade e procurou um bombeiro pedindo-lhe que fosse visitar o garoto no hospital. O bombeiro prometeu que iria, e no dia marcado, chegou com um forte aparato no carro de bombeiro, acionou a escada magirus e entrou pela janela do quarto do hospital para visitar aquela criança. Levou-lhe uma roupa de bombeiro mirim e condecorou a criança.
Esta é uma boa ilustração de excelência.
Gente que vai adiante. Não se contenta com o que existe, quer melhorar. Não faz apenas o que lhe pedem, antecipa-se. Em geral, quem tem a visão, tem o dom. Esta capacidade de servir, de melhorar, de influenciar.
Se quisermos uma vida plena de sentido e ministério, precisamos caminhar um pouco mais longe, andar a segunda milha, sair do circulo do anonimato, descompromisso, displicência ou preguiça.

Terceiro, você tem que querer um pouco mais
É isto que percebemos em Eliseu. Ele quer continuar o ministério, quer honrar Elias, quer exercer o ministério e por isto se entrega com disposição.
Liderança na igreja é sempre um desafio. Muitas igrejas reclamam do fato de não terem pessoas disponíveis para a obra. Um texto que me desafia é 1 Tm 3.1: “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja”. O problema dos membros da igreja não é desejar uma função, ou aspirar algo na comunidade, antes é a falta e interesse, de não querer nada. Se você deseja crescer na graça e servir o reino de Deus, é necessário ir um pouco mais. Comprometer-se um pouco mais.
Já ouviram aquela velha alegoria: “A galinha colabora com o café da manhã, o porco se compromete”. Na igreja existem muitos que colaboram (alguns nem isto), mas poucos são os que estão comprometidos. Essa é a diferença entre o envolvimento, superficial, aparente e o comprometimento, real e profundo.
Quando é lançado um desafio em uma organização, surge uma diversidade de pessoas dispostas a colaborar para o sucesso da empreitada. Cada uma com ua forma e estilo. Aparecem aqueles muito envolvidos e outros, nem tanto. Mas também existem os comprometidos com os resultados, os que lutam, dão seu máximo, buscam corresponder com as expectativas e cooperar.

Conclusão
Eliseu se disponibiliza. Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito”.
Não queria ser maior, queria apenas continuar o grande desafio da obra profética tão necessária em Israel. Não queria superioridade, mas realizar a função de ser a voz de Deus para aquela geração tão distanciada de Deus, a fim de trazer a nação de Israel novamente para a Lei de Deus.
Ele não queria o dobro de Elias.
Mas queria se comprometer como Elias o fizera.
Não queria ser superior, queria ser servo.

  


Ef 1.7-14 Bençãos: VI. Deus desvenda seu mistério






Introdução:

Em 2010, um megaprojeto, com valor estimado em 10 bilhões de dólares, reuniu as maiores cabeças pensantes no mundo da física. Este grupo de pesquisadores construiu uma pista subterrânea de 27 Km na fronteira da França e Suiça, para descobrirem o bóson de higgs, ou a partícula de Deus, que já vem sendo estudada por mais de 40 anos, para “comprovar a existência de uma partícula que não tem utilidade prática” (Revista Super Interessante), embora seja muito útil no campo teórico.
Esta partícula chegou a ser chamada de “o Santo Graal” da física, porque sem ela, o planeta terra não teria surgido a 13.7 bilhões de anos atrás, de acordo com a arqueologia. “A partícula de Deus não deixa de ser uma aposta na magia. Na magia divinatória da ciência” ( Super Interessante). Seus idealizadores ganharam em 2013 o prêmio nobel de física, encabeçada por um cientista escocês. Em suma, estão procurando este elemento que é o ponto central, que dá sentido e liga toda espécie de vida humana e do surgimento do universo. 
A Bíblia afirma nestes dois versículos, que Jesus é este centro, do qual emanam todas as coisas.

Desde o vs 3, temos considerado as bençãos espirituais que Deus deu ao seu povo, e no vs 9, vemos a quinta benção: Segundo sua abundante graça, Deus desvendou ao seu povo o mistério de sua vontade, proposto em Cristo.

Participar deste mistério é fruto de sua graça.

O que não é mistério

As antigas “religiões de mistério” sempre existiram e ainda exercem forte atração para a geração pós-moderna, que é “espiritualizada”, no sentido pagão da palavra. Tais religiões usavam o termo “mistério”, para se referir a alguma iniciação esotérica que dela participavam, algo oculto. A maçonaria e o ocultismo ainda hoje falam destas etapas espirituais que permitem aos seus seguidores que aprofundem nos segredos da ordem. Na medida em que aumentam os graus e ritos de passagens, mais informações místicas e novas fórmulas recebem, trazendo certos privilégios e respeito na comunidade.

No Novo Testamento, a palavra “mistério”, possui um significado especial: a verdade de Deus revelada em Cristo. Não se trata de um segredo místico ou iniciação religiosa baseada em fórmulas mágicas como queriam os gnósticos, nem novas revelações como as pretendidas por pessoas místicas que se achavam detentoras de determinadas informações dadas por Deus a um grupo mais “espiritual”. Não depende de força mental, nem de mais “espiritualidade”. A salvação, ao contrário do que pensam os espiritualistas não vem pelo acesso a um mundo esotérico.

A palavra “mistério”, também não é algo incompreensível à mente. O Cristianismo prega, expõe, proclama e deseja que todos conheçam esta mensagem. O termo “mistério” aparece seis vezes na carta a Efésios (1.9; 3.3,4,9; 5.32 e 6.19), e outras 20 em outros textos.

Este mistério se torna conhecido pela obra do Espirito Santo no ser humano. Deus descortina sua verdade ao coração. Deus abre os olhos, tira as vendas espirituais e as pessoas passam a entender seu plano.

Que mistério é este?

Este mistério encontra-se em Cristo. Todo este mistério, a pessoa de Cristo, estava oculto em Deus até o tempo de sua histórica manifestação. Pedro afirma que havia certo frisson espiritual nas esferas celestes. “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espirito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam. A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espirito Santo enviado de céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar” (1 Pe 1.10-12).

Os profetas, cujos sensores espirituais estavam mais conectados com as verdades espirituais, sintonizavam algumas coisas meio indecifráveis e enigmáticas; os anjos, por sua vez, queriam penetrar e participar historicamente desta tarefa, mas foram igualmente impedidos. Por isto, nos confrontos espirituais que Jesus teve com alguns espíritos malignos, vemos uma certa perplexidade assumida pelos demônios. “Vieste atormentar-nos antes do tempo?”(Mt 8.29). Isto nos induz a pensar, que entidades e seres malignos sabiam de um plano final, mas esta “invasão“ espiritual de Cristo, tornando-se carne no “meio da história”, parecia-lhes surreal, e antecipou o tempo para os demônios.
Com a vinda de Cristo, este mistério foi revelado.

O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória” (Col 1.26-27).

Tanto em 1 Pedro quanto em Colossenses, existe uma ideia de que “agora” , neste tempo, tais verdades estavam se revelando em Cristo.
Paulo afirma em Ef 1.9, que Deus “propusera em Cristo” revelar seu magistral plano arquitetado na eternidade, isto é, “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4).
Esta foi, portanto, a proposta de Deus. Cristo é o mistério de Deus.
Este mistério nos foi revelado. “Desvendando-nos o mistério de sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo” (Ef 1.9).
Em Ef 1.10, vemos que o mistério que nos foi entregue é, nada menos que a verdade última acerca do destino final do universo. O mundo caminha nesta direção, Deus fará “convergir em Cristo, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra”. Deus mostra, em Cristo, o seu plano final para o cosmo.
No capítulo 5 de Apocalipse, vemos a descrição de um livro, escrito por dentro e por fora, que se encontra na mão direita do Pai, representando o plano eterno de Deus. Este livro , diz Jacques Ellul, é “o livro da história do homem”.[1] “É o livro dos segredos e do sentido da história humana, simultaneamente acabado, certificado, mas incompreensível, ilegível, que, por outro lado, se revela como uma sucessão de tempo que na verdade deve realizar-se continuamente. Este livro contém, portanto, o segredo da história dos homens, da humanidade, mas este segredo é forçosamente a revelação das forças profundas da história e mais ainda da ação de Deus na história dos homens”.[2] e somente o Cordeiro pode abri-lo. Só o Cordeiro pode abrir o sentido da história, já que tal sentido não é fruto de casualidade, de acasos, de automatismos, mas da soberania de Deus e um certo número de forças abstratas que serão reveladas na abertura do selo destes livros.

Ele está escrito por dentro e por fora, porque é completo, acabado, nada pode ser acrescentado ao seu conteúdo, e encontra-se selado. Selo significa um fechamento radical, não pode ser invadido nem violado. Abrir o rolo e desatar os selos significa não somente revelar o plano de Deus, mas realizá-lo. Por isso, um forte anjo clama: “Quem é digno de abrir o livro de desatar os selos?”(Ap 5.2).
Ninguém, em todo o universo, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra pode abrir o rolo e desvendar seu conteúdo. O livro é selado e só o Leão da tribo de Judá, pode desatá-lo. Com isto percebemos que Jesus encontra-se no centro de todo o sentido da história, e somente por meio dele, a humanidade encontra sentido. Jesus é a hermenêutica da história, o eixo central de todas as coisas.

Esta é a benção que temos aqui na carta aos Efésios. Deus se revelou ao seu povo e desvendou o mistério de sua vontade, de que, um dia, todas as coisas convergirão em Cristo.

Dr. Russel Shedd afirma:
“Cristo abriu o seu livro de informes. Ele nos tem oferecido o seu plano para o futuro, o que é maravilhoso em todos os sentidos. Assim não há necessidade de ficarmos desesperados diante da maneira como o mundo parece estar se tornando cada vez mais sujeitos às forças do caos”. (Tão grande salvação, pg 16).
O vs 9 afirma que Deus já propôs tudo isto segundo sua vontade (eudokia), que é traduzido na versão bíblica RA, como beneplácito, ou livre vontade. Deus determinou a convergência de todas as coisas em Cristo. Tudo adquire sentido no Leão da tribo de Judá, que é digno de abrir o livro e desatar os selos.
“O propósito de Deus é o estabelecimento de uma nova ordem, uma nova criação” (Bruce, pg 32). A expressão “todas as coisas” refere-se a toda criação. “Um dia, o universo de Deus, no qual o pecado introduziu a desordem e a confusão, terá restaurado a sua primeira harmonia e unidade, sob a supremacia de Jesus Cristo” (Curtis Vanghan).

Plenitude dos tempos (Pleromatos ton kairon).
Plenitude dos tempos refere-se ao tempo de Deus.
Galátas 4.4 sugere um momento particular, estabelecido e disponibilizado por Deus, para o cumprimento dos seus propósitos na história. “Vindo, porém, a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho, nascido de mulher”. Na hora estabelecida por Deus, a despeito de toda oposição do dragão conforme lemos em Apocalipse 12, quando a ampulheta do tempo de Deus se cumpriu, Deus enviou seu filho. Assim se dará novamente, no tempo estabelecido por Deus, no seukairós, Deus cumprirá seu plano e não há força no ceu ou na terra que pode impedi-lo, porque “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.39). A Bíblia Vida Nova afirma: “iniciada na sua ressurreição, a reconciliação do universo com Cristo como sua cabeça reinante, terá seu auge quanto toda oposição será posta debaixo dos seus pés na sua segunda vinda” (Ef 1.22; Rm 8.18-21; Hb 2.8).

Conclusão:

A história tem um propósito.
O caos, o acaso, o improviso, a desordem, serão substituídas pelo governo de justiça do Senhor e do seu Cristo, que reinará para sempre. Surge então a ordem, a objetividade. Este pensamento contraria o conceito humanista e secularista de que “tudo que é solido se desmancha no ar”. A história segue uma ordem divina, um calendário divino e um propósito divino. Ela não se encontra dando piruetas sem sentidos, repetindo-se indefinidamente como afirma a visão cíclica da história, mas caminha para uma teleologia e propósito, como nos ensinam as Escrituras Sagradas.

O Universo possui um eixo central

Jesus ocupa este lugar central na história. O propósito de Deus é "fazer convergir nele" (grego: anakefalaiostai), todas as forças cósmicas e tudo será integrado em Cristo, tanto as coisas dos céus (ouranois), quanto as da terra (gês). Todas as coisas serão colocadas numa verdadeira relação com Cristo. Ele estabelecerá a harmonia. Para que, pelo seu sangue “reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Col 1.20). Todas as coisas, (grego: "ta panta). Ele estabelecerá a harmonia cósmica.
A convergência para Cristo acontecerá com a submissão do mundo a ele como o cabeça. Cristo já é o cabeça do seu corpo (Ef 1.22), mas, um dia, todas as coisas reconhecerão nele sua autoridade.. Cristo é o ponto final de convergência de todo o cosmo, Ele é o soberano Rei da terra (Ap 1.5). É o logos divino que fez todas as coisas pela palavra de seu poder (Col 2.16-17), e aquele para qual todas as coisas convergirão inexoravelmente (Ef 1.10,110. Este é "O divino programa da História" (Simpson).
O "mistério" é a convergência final de todas as coisas em Cristo; Deus fez de Cristo o centro de tudo, “porque aprouve a Deus que nele, residisse toda a plenitude”. (Col 1.19). Tudo vai “convergir” nele. Todas as coisas. Tudo encontra significado em Jesus;
Ninguém tem acesso a estas verdades, senão pela ação reveladora do Espírito Santo. Por isto quando Pedro fez a notável declaração de fé: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, Jesus lhe respondeu: “Bem aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne nem sangue quem tu revelou, mas meu Pai que está nos céus” (Mt 16.16-17).
A restauração não apenas atinge a natureza humana, mas todo o cosmos. Envolverá todos os seres e coisas. Todo o cosmos será atingido pela sua glória. Inclusive os poderes invisíveis, principados e potestades.

Sua vida tem um sentido maior

Qual a implicação desta grande verdade para nossas vidas?
Muitas vezes nos sentimos assustados com as coisas que acontecem ao redor. Precisamos manter a perspectiva e o olhar no lugar certo. Por esta razão, milhares de pessoas já morreram por causa de sua fé em Cristo. Elas sabiam que Jesus as esperava na glória, que este momento específico da história era apenas transitório.
Nesta semana, muitos de nós enfrentaremos lutas, decepções, medo. Será que seremos capazes de entender que Jesus está presente neste caos e tem o controle de todas as coisas? Será que podemos descansar na sua soberania e na sua autoridade? Será que poderemos encontrar paz no meio da oposição, do caos e da insegurança?

Gávea- Rio Fev. 90
Refeito em Anápolis, Abril 2016



[1] Ellul, Jacques - Apocalipse: Arquitetura em movimento, São paulo, Ed. Paulinas, 1979, pg. 161


[2] Idem, pg. 161