sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Ef 3.14-21 Fortalecendo o homem interior


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Introdução:

Esta é a segunda oração que o apóstolo faz neste livro (Ef 1.18 e 3:1,14). Paulo era um homem que orava. Nós, reclamamos muito e oramos pouco. Quantas vezes, ao invés de ir ao altar de Deus quando nos julgamos incompreendidos, preferimos reclamar, lamentar e lamuriar?
Oração tem características interessantes. Quem ora se compromete pelo que ora.
Outro aspecto curioso: Orações revelam o coração, e assim denunciam ansiedades e ambições. Basta que se analise o conteúdo e a intensidade das orações que fazemos para saber o que realmente ocupa nossa mente. Oração expressa desejo. Quais são os motivos e temas de suas orações?
Oração também é atitude de humildade. Quem se curva é porque reconhece a necessidade da ação de Deus em sua vida. Crê que há um Deus que vê, que pode intervir. Oração revela dependência e fé, a ausência da oração demonstra incredulidade e secularismo.

A expressão usada por Paulo, "por esta causa" (Ef 3.14), revela o foco da atenção de Paulo. Onde se encontra sua mente e desejos. Qual é a causa da sua oração?
As motivações de sua oração expressam o discernimento espiritual do apóstolo. Orações sempre brotam do conhecimento que temos do Senhor. Paulo ora fundamentado em duas realidades:
a.     A obra reconciliadora de Cristo;
b.     O propósito revelado de Deus.

Estudar as orações de Paulo em Efésios é sempre um grande projeto. Suas orações tem algumas características:

1.     Não ora para que os problemas desapareçam, ou para que sejam mudadas as circunstâncias ou situações, pessoais ou de outros. Sem dúvida orou por isto em outros momentos, mas nesta carta, este não é o tema central. Nós sempre oramos por bençãos, graça, favores, recursos materiais, livramentos, etc. Transformamos Deus em um agente de solução de problemas. Paulo ora mais pelo coração das pessoas e as respostas que deveriam dar face às grandes pressões e tribulações que poderiam enfrentar, como ele mesmo estava vivendo ao escrever esta carta da prisão.

2.     Sua oração é puramente espiritual, não tem conteúdo material. Muitas vezes repetimos a afirmação de Jesus: "Buscai o reino de Deus e a sua justiça, e todas a demais coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33), lamentavelmente, porém, estamos buscando outras coisas esperando que o Reino seja acrescentado (se der tempo...) . Normalmente buscamos: segurança, conforto, bens materiais, saúde. O reino de Deus não ocupa o centro de nossos desejos e aspirações.

3.     Sua oração é específica - Não é cheia de generalizações. Ora por certos aspectos particulares, foca nestes temas e aspira que os mesmos se manifestem no rebanho de Cristo. Um dos graves problemas das orações é que elas são vagas e genéricas demais. “Perdoa minha multidão de pecados”. Certamente será bem mais complexo e dolorido se conseguirmos ser objetivos no pedido de perdão, mas isto nos ajudará a entrar em contato com o nosso mal e realmente nos arrependermos para sermos curados.

John Stott sugere uma escada pela qual suas orações sobem, degrau por degrau, na sua intercessão pela igreja. Paulo intercede por cinco áreas:
           
  1. Força Interior - vs. 16
  2. Habitação de Cristo - vs. 16
  3. Amor - vs. 16
  4. Compreensão - vs.17
  5. Plenitude de Cristo - vs. 19

Vamos começar pelo significado do “fortalecimento do homem interior”. Este é o primeiro degrau. Paulo ora para que este poder espiritual permeia a vida do povo de Deus.

O que é Poder ?
Originalmente a palavra poder vem do grego "dinamis", e a palavra em português que deriva etmologicamente do grego é "dinamite", ou "dínamo"(energia). O que isto nos leva a pensar?

Primeiro, Deus sabe que sua obra só prossegue eficientemente, se a igreja estiver revestida desta capacitação espiritual, por isto, em Lc 24.49 Jesus foi enfático: "Ficai em Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder". Por que não sair antes?  Porque sem capacitação, o ministério será fracassado. Vemos isto em Mc 9 quando os discípulos não conseguem expelir o demônio do jovem que é trazido pelo seu pai. “Roguei aos seus discípulos que o expelissem, mas eles não puderam” Esta incapacidade espiritual é um duro diagnóstico contra a igreja de Cristo. Neste episódio de Marcos Jesus afirma que a falta de poder estava intimamente associada à incredulidade. É impossível realizar a obra de Cristo sem seu poder capacitador.

Segundo, a experiência do perdão e da salvação é apenas o início da vida cristã, apenas o primeiro passo indicando a estrada no Reino de Deus. Infelizmente muitos param nesta primeira fase da vida cristã. Não crescem espiritualmente e tornam-se raquíticos e anêmicos. Charles Hodge comentando este texto afirma: "A habitação de Cristo na pessoa é uma questão de intensidade. Todos tem o Espírito, mas nem todos experimentam sua força e seu poder".

Terceiro, o fortalecimento bíblico encontra-se no passivo. Para que sejais fortalecidos com poder, mediante o Espirito no homem interior”. Temos que ser fortalecidos, mas a fonte de energia é de fora, vem do Senhor. Esta é a diferença básica entre a análise transacional, o zen budismo e muitas outras correntes religiosas modernas e o cristianismo. Naqueles, a força vem do homem, na sua capacidade intrínseca; entretanto, na fé cristã, a força vem de Deus. O verbo usado aqui no grego é "krataiothenai",  e tem o sentido de fortalecimento ou capacitação.

Quarto, a fonte deste poder é o Espírito. "Mediante o seu Espírito".   O Espírito é que faz. Quando nos convertemos a Cristo, recebemos o Espírito Santo. Ele nos capacita com seus dons, e nos impulsiona ao testemunho. O mesmo Espírito que nos convence de pecado, do juízo e da justiça, dá-nos graça para o exercício do ministério. O poder da igreja não é uma força ou energia impessoal, mas a pessoa do Espírito Santo de Deus. Por isto Jesus afirmou: “Mas recebereis o poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (At 1.8). A capacitação do povo de Deus vem do Espírito.

Onde este fortalecimento vai ocorrer?
A Bíblia nos ensina que seremos fortalecidos no “homem interior”. O que significa isto?
Paulo certamente estava se referindo às emoções e pensamentos.  A linguagem do Antigo Testamento é mais visceral e fala do coração. É a forma como a antropologia judaica se comunica. Por isto, o livro Provérbios afirma: “sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração porque dele procedem todas as fontes da vida” (Pv 4.23).
No Novo Testamento, o conceito deste “homem interior”, aparece em vários textos bíblicos. Paulo afirma: “Por isso, não desanimamos, pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, o nosso homem interior se renova dia em dia” (2 Co 4.16).
Paulo ora para que as emoções e a mente do povo de Deus se fortaleçam em Cristo.
Precisamos nos fortalecer interiormente.
Quando o coração está frágil, torna-se susceptível de todas as mazelas. Qualquer vírus oportunista será capaz de desencadear mecanismos de auto-destruição.

Mente e emoções (ou coração), deve ser o foco de nossa atenção. Deus precisa nos fortalecer interiormente.

  1. Por causa das setas das dúvidas - Quantas questões são levantadas dentro de nós? Dúvidas intelectuals e emocionais sobre a existência de Deus, o amor de Cristo, seu perdão, sua pessoa e obra, sua Palavra. Muitas vezes nos perguntamos. Será que minha fé é realmente válida ou trata-se de uma ilusão? Dúvidas intelectuais sobre Deus são perigosíssimas e eficazes, por isto Paulo nos exorta a embraçar sempre o escudo da fé, com o qual podemos apagar os dardos inflamados do maligno (Ef 6.16). Uma dúvida, na hora certa, no ponto certo, pode ser fatal para a fé.

  1. A tendência ao desânimo – Já percebeu que sua mente que funcionava "perfeitamente" e segura ontem, parece ter amanhecido com os fusíveis trocados e as pilhas fracas e não funcionam tão bem hoje? É a tendência à depressão, que atinge milhares de cristãos, as frustrações e ansiedades que nos assediam com tanto vigor. Quantas pessoas que amam ao Senhor enveredam por um caminho de tristeza e são consumidas por acusações, mentiras, peso emocional.

  1. Maus pensamentos – Pense na figura dos "dardos inflamados do maligno".  Dardos são flechas que vem de longe. Há dois detalhes que são essenciais: (i). São dardos inflamados. Eles estão pegando fogo, um poder muito grande de incendiar; (ii) procedem do maligno. Satanás é estrategista. Joga a seta na hora certa, com eficácia. Já considerou o fato de que você não tem dificuldades de ler o jornal, mas sempre tem sonolência quando se trata da oração e da Bíblia? Quantos pensamentos podem ocorrer e nos levar a pensar que sequer somos crentes?


E as dúvidas filosóficas? Se você acha que o cristianismo não possui pressupostos lógicos e coerentes, seja do ponto de vista mental ou existencial, você certramente não será um cristão sólido, se você crê que sua fé é poética, não real; simbólica, mas não histórica, se arrastará espiritualmente por anos, “coxeando entre dois pensamentos”.
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Conclusão:
  1. Paulo não ora para que os cristãos sejam imunes ao sofrimento. Não existe ideia no NT de que uma boa uma dose de cristianismo solucionará todos os problemas. O cristianismo é realista. O que precisamos não é de ausência de conflitos, mas de poder para lidar com eles e nos mantermos em pé. O problema não é a seta, mas o coração receptivo que a recebe;
  2. Não existe um círculo mágico no qual você estará isento de provações. Homens de Deus passam por grandes tribulações e perdas. A diferença está no coração, como lidam com tais situações.
  3. Não existe otimismo ingênuo na Bíblia para dizer: "Tudo vai dar certo!",  ou do tipo defendido pela análise transacional "eu estou OK, você está OK", ou da confissão positiva que nega pecado e dor e declara, “tome posse pela fé. Declare e tudo se resolverá!”. A fé é capaz de grandes coisas, mas Jesus fala de provações e tribulações ao seu rebanho. “No mundo passais por aflições, mas tendo bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). Nada no NT nos leva a pensar que os problemas serão removidos porque cremos em Cristo. Vivendo num mundo caído e caótico, seremos atingido pelos reveses da história, e angustiados muitas vezes; os corpos enfrentarão enfermidades e dores, seremos acusados, nos sentiremos desanimados; embora, jamais abatidos. Pois, "Nem morte, nem presente, nem porvir, poderá separar-nos do amor de Deus que está em Jesus Cristo".

Conclusão:
Então, qual é o método de Deus para superar as lutas?

O homem interior precisa ser fortalecido. Precisa criar anticorpos, para combater os elementos externos. Só um corpo forte será capaz de enfrentar vírus, bactérias e parasitas que andam ao redor.

A proposta de Deus não é fazer desaparecer todos os problemas, já que parte deles são inevitáveis, frutos da nossa humanidade e contigências temporais, mas ao fortalecimento interior.
Precisamos aprender com a natureza. Germes, micróbios e vírus são capazes de destruir uma vida. Como o corpo reage? A resposta é direta: criando um sistema imunológico, para combater a ameaça. O que é uma vacina? São anticorpos gerados em laboratório com o poder de ajudar o organismo a lutar contra as bactérias que podem destruí-lo. Um homem forte e com o sistema imunológico em bom funcionamento, conseguirá reagir e obter vitória sobre um determinado vírus, enquanto o outro, exposto à mesma bactéria, vai sucumbir. A diferença não está na bactéria, mas no organismo que o abriga. Todo problema requer resistência específica.
É isto que Deus precisa fazer em nós: nos fortalecer.

Por esta razão, Paulo ora para o Senhor fortaleça o homem interior: mente e emoções, para lidar com as intempéries da vida com saúde espiritual. “Guarda o teu coração porque dele procedem todas a sfontes da vida" Coração é o "centro da personalidade". Coloque sua mente em Deus, nunca nas cirscunstâncias. Quando Pedro reparou a força do vento, ele desanimou e gritou: "salva-me Senhor, estou perecendo", mas quando colocou seus olhos em Cristo, ignorou a tempestade e andou sobre as águas.


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Samuel Vieira
Igreja Presbiteriana da Gávea
Agosto-90.
Refeito, Agosto 2016

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

2 Rs 6.1-7 As coisas podem ficar pior?

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Introdução:

Você já esteve numa situação na qual hoje a realidade está muito ruim, o quadro desanimador e de repente acontece algo que ainda complica mais a situação? Acompanhei com tristeza um membro da igreja que foi a Brasília participar de um funeral da sua tia, e na volta, um grave acidente mata dois filhos daquela mulher, sua irmã e o marido...
Certo amigo, falou um dia desconsolado... “Depois da chuva...”, e eu, animadamente completei: “vem a bonança!”, e então ele disse: “Não... vem a enxurrada e leva tudo!...”

No episódio vemos a realidade de Eliseu.

Este era um profeta vivendo sempre no limite dos recursos...
A narrativa anterior relata a situação dos pobres discípulos de profetas, que saem para o campo para encontrar alguma planta que pudessem comer, porque não tinham nada para aquele dia, e, alegres, voltaram com um tubérculos que na verdade eram venenosos. Como se colhêssemos mandioca ou cogumelos bravos. Quando comestíveis são deliciosos, mas venenosos podem ser fatais.

Eliseu vivia na pobreza quase como se quisesse demonstrar um desprezo pela segurança e conforto, porque quando Naamã é curado, insistiu que o profeta recebesse uma doação como forma de gratidão, mas Eliseu foi radicalmente contra e recusou a oferta. Não teria ele resolvido os problemas financeiros caso aceitasse a abundante oferta oferecida? No entanto, disse não. Insistiu que dependia de Deus e não dos homens.

E agora, as coisas ficam pior...

A comida é pouca, a casa onde moram é pequena, e os discípulos tomam um machado, instrumento domestico básico, para cortarem algumas árvores e aumentarem a choupana minúscula em que estavam vivendo. Queriam um pouco de bem estar. O machado era assim tão caro que não fosse acessível? Duas respostas possíveis: primeira, eles realmente viviam no limite da falta de recursos; segundo, podia se tratar de uma estratégia de guerra, uma questão politica. Certa vez os fariseus levaram cativos todos os ferreiros de Israel, para que não tivessem como fabricar ou amolar as armas.

Quando seguem para o trabalho, perdem o machado – que não era deles.
Não tinham um, agora tem menos um.
Não puderam comprar um, agora precisam pagar um.

Quando li este texto me recordei da minha experiência de lua de mel.

Nós não tínhamos uma máquina fotográfica, mas um amigo querido, resolveu generosamente nos emprestar a máquina dele. Foi uma oferta pra lá de bondosa. Queríamos tanto documentar estes preciosos momentos, e assim o fizemos, mas na volta fomos roubados. Ficamos sem as fotos, sem a máquina – e ainda tínhamos que pagar a máquina que naqueles dias era um mimo especial, para o amigo. Não tínhamos uma máquina e ainda tínhamos que pagar uma...

O salmista afirma: “Um abismo chama outro abismo ao ruído das suas catadupas, todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim”(Sl 42.7). Ele está se referindo à sua situação difícil, e o fato que Deus não retira dele o peso da oposição e tristeza. Há quem caia no abismo e quando nada para sair da correnteza, despenca em outra queda d’água. Alguém que faz um empréstimo para saldar uma dívida, e acaba fazendo uma dívida maior que a anterior, ou se separa por causa de uma crise no casamento, e mal percebem que estão chamando outro abismo para sua própria ruína.

No texto lido, a pobreza e escassez já imensas, agora se ampliam com a urgente situação de ter que devolver o machado que caiu nas águas enlameadas de um rio. As coisas estavam ruins, agora se tornaram piores. É assim que muitas pessoas parecem viver, no limite.

O que podemos aprender de situações limites:

1. Situações limites nos ajudam a clamar desesperadamente por Deus – vejam a exclamação do rapaz: “Ai meu Senhor!” (2 Rs 6.5).

Perdas e impotência nos levam a dependência de Deus. O conforto e o bem estar podem gerar em nós falsa segurança, mas crises podem nos tornam humanos e sensíveis ao Espirito de Deus e nos levar a sentir real necessidade de Deus.

O salmista diz: “Na minha angústia invoquei o Senhor, sim, clamei ao meu Deus; do seu templo ouviu ele a minha voz; o clamor que eu lhe fiz chegou aos seus ouvidos” (Sl 18.6). A situação de desespero e dor o leva a dependência de Deus.

Manassés, filho de Ezequias e de Hefzibá, foi o 14º rei de Judá, governando de 686 a 642 a.C. Sua história está registrada 2 Rs 21.1-18 e 2 Cr 33.1-20. Ele promoveu a idolatria a Baal, práticou magia e adivinhação e chegou ao extremo de realizar sacrifícios humanos oferecendo seus próprios filhos. “Fez ele também passar os seus filhos pelo fogo no vale do Filho de Hinom, e usou de adivinhações, e de agouros, e de feitiçarias, e consultou adivinhos e encantadores, e fez muitíssimo mal aos olhos do SENHOR, para o provocar à ira.” (2 Cr 33.6). Rejeitou os profetas, e a tradição judaica menciona que ele ordenou a morte de Isaías, serrando-o em pedaços. Após ser preso pelos assírios, ainda no cativeiro, Manassés arrependeu-se amargamente de seu proceder, fez uma sincera oração a Deus e resolveu mudar de atitude. “E ele angustiado, orou deveras ao SENHOR, seu Deus, e humilhou-se muito perante o Deus de seus pais, e lhe fez oração e Deus se aplacou para com ele e ouviu a sua súplica, e o tornou a trazer a Jerusalém, ao seu reino; então reconheceu Manassés que o SENHOR é Deus” (2 Cr 33.12-13). Foi então liberto, voltou a Jerusalém e removeu os altares que havia construído, passando a incentivar a adoração a Javé e a oferecer os devidos sacrifícios, retirando do templo os objetos de profanação.

Sua dor quebrou sua arrogância. A necessidade o fez clamar. Existem coisas que só podemos ver quando estamos quebrados, com o coração pesado. Gosto muito do texto que diz: “Manassés... deveras orou ao Senhor”... Sua crise o fez orar de verdade. Antes ele apenas fazia preces superficiais, mas agora, ele, “de verdade”, orava a Deus.

2. Situações limites serão melhores consideradas quando levamos em conta a situação do outro e não a partir do nosso ponto de vista – Isto significa, calçar os sapatos dos outros.

O que eles perderam? Um machado???

Isto faria alguma diferença para a vida de homem pós moderno, que mora na cidade? O que você faria se isto lhe acontecesse e você precisasse de outro machado? Iria numa loja e compraria. Ponto. Resolvido.

O problema é que “ninguém sabe a dor que eu sinto... ninguém, somente Jesus”. O que é grave para você não é para outra pessoa. A necessidade de um pode não significar nada para o outro. Por isto precisamos aprender a olhar a vida na perspectiva do outro – isto é empatia.

O machado para nós é um pobre, simples e barato instrumento agrícola. Num contexto de guerra ou numa selva, pode significar a diferença entre a vida e a morte.

Em casa minha esposa e eu experimentamos ansiedade por motivos diferentes. Uma situação real, é capaz de me gerar transtornos fisiológicos, angústia e medo. Eu lido muito mal com problemas reais. Mesmo problemas pequenos me angustiam, pequenas tarefas, somadas, possuem o poder de me desestruturar e gerar stress. Minha esposa é fantástica nestas horas. Ela não teme nada. Ela é um gigante, lida com desafios, corajosamente, com serenidade me encoraja e diz: “vamos em frente! O Senhor vai cuidar de cada detalhe. Não fica assim!”

Por outro lado, problemas imaginários e hipotéticos são verdadeiros fantasmas para ela. Ela não teme a realidade, mas o pensamento. Ela não se angustia com situações concretas, mas com hipóteses e sentimentos imaginários. Lamentavelmente não sei se posso dizer que consigo ajudá-la tanto quanto ela me ajuda.

Percebem a diferença?

Um machado, pode não ser apenas um machado que se adquire numa loja agrícola ou num hipermercado. Este instrumento era essencial e imprescindível para o lavrador da Judeia naqueles dias. Eles perderam o que era essencial. O essencial para nós pode ser o carro, o emprego, o telefone, a escola. É uma grande vitória e demonstração de maturidade quando somos capazes de ver a dor do outro com suas lentes.


3. Deus está sempre presente, de forma inusitada, em nossas perdas . Quem diria que o profeta daria uma resposta tão incomum a esta situação embaraçosa?

O que você faria?

Certamente perguntaria onde, mais ou menos, caiu o machado, tentaria descobrir bons mergulhadores que pudessem dar esperança de reencontrar o machado. Faria um gráfico do rio, organizaria grupos, criaria uma logística para resolver o problema. Não é assim que fazemos diante de situações difíceis? Quem pode ajudar? Como resolver este problema? Há alguma solução possível? O google pode dar alguma resposta?

O que chama a atenção não é a solução do problema, mas a forma como foi resolvido.

Momentos de desespero e perdas nos dão oportunidade de ver intervenções inusitadas de Deus. Nossas impossibilidades e limites nos levam a depender apenas de Deus.

O que fazer quando não sabemos o que fazer?
Que estratégia usar quando não temos saída plausível?
Como agir quando a vida nos empareda?
Quando o machado afunda?

Deus poderia ter resolvido a situação de forma, digamos, mais natural, mas resolve fazer sobrenaturalmente.

Muitas vezes ele faz de forma natural, mas outras vezes... resolve fazer coisas diferentes...

Meu sogro, Rev.Samuel José de Paulo, veio de uma família muito pobre e era um seminarista com pouco dinheiro. Foi estudar na Escola Presbiteriana de Caratinga, e até então não havia calçado um sapato, fazendo-o apenas com tinha 18 anos. Depois foi para o seminário, e limpava a escola para poder custear suas despesas. Então conheceu minha sogra,e decidiram casar. Com grande sacrifício comprou sua aliança de noivado, e foi visitar sua família na cidade de Ferruginha, MG. Ali, brincando no rio do sítio, perdeu a aliança, e voltou desolado para casa, depois de muito e inutilmente procurarem.

Ainda de madrugadinha, seu irmão, Otoniel de Paula, que foi presbítero muitos anos em Guriri-ES, inconformado com a situação e a dor do seu irmão, foi com uma peneira, sozinho para o rio, dizendo: “Oh, Senhor! O Senhor sabe que ele não tem dinheiro para comprar outra aliança, e poderia me ajudar a encontrar esta aliança”. A primeira vez que usou a peneira, a aliança se encaixou no seu dedo. Preste atenção: No seu dedo, não na peneira – o que seria muito mais fácil, e ele veio alegre mostrar ao irmão, o que acabara de achar. Esta experiência não nos parece uma “travessura” de Deus?

Assim foi com Eliseu. Ele jogou um pau no rio e o machado flutuou. Deus decidiu fazer de forma sobrenatural. Ou vocês já viram um machado flutuar porque alguém joga um pau no rio? Já ouviram a expressão: “Nado como um machado sem cabo!?” Machado sem cabo vai direto para o fundo do rio, mas neste caso, o machado resolveu passear na superfície da água. Isto revela a intervenção de Deus, porque se fosse com método natural não seria milagre. É uma forma dele revelar sua glória e poder.

Dr. Joe Wilding gostava de nos recordar, todas as vezes que tínhamos uma situação difícil: “Só quero ver como Deus vai sair desta!”

Momentos de tensão e angústia podem ser resolvidas com o Filho de Deus andando sobre as águas acalmando a tempestade, com machado flutuando, com milhões de aves caindo, sem que saibamos de onde vieram, no meio do arraial do seu povo. A questão não é se Deus tem poder para fazer, a questão é se Deus quer fazer. Porque, sendo ele Deus, haverá alguma coisa demasiadamente difícil para sua soberania e glória?

Não foi ele mesmo quem fez uma mulher de 90 anos engravidar? Quem anunciou a uma adolescente de Nazaré que ela ficaria grávida do seu Espírito, sem que ela conhecesse um homem?


Conclusão:

Como estas coisas apontam para a cruz.

O Evangelho revela a incapacidade do homem em resolver a questão mais séria de sua vida: sua salvação.

A Bíblia afirma que todos nós, sem Cristo, estamos mortos em nossos delitos e pecados. Nossos problemas espirituais não podem ser resolvidos sem Cristo. No livro de Jó lemos: “Seria, porventura, o mortal justo diante de Deus? Seria, acaso, o homem puro diante do seu criador? Eis que Deus não confia nos seus servos, e aos seus anjos atribui imperfeições”(Jó 4.17-18).

O salmista afirma: “Ao homem, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus, o seu resgate. Pois a redenção da alma é caríssima, e cessará a tentativa para sempre”(Sl 49.7-8).

Em matéria de salvação, somos como machado sem cabo, afundado no lodo. Só uma intervenção sobrenatural de Deus para nos resgatar. Foi isto que Jesus fez.

Ele assumiu nosso lugar, e nos substituiu na cruz. Ele nos justificou diante do Pai, assumiu nossa condição de miséria e nos resgatou, “tirou-nos de um poço de lama e perdição e colocou nossos pés sobre uma rocha”, esta pedra de esquina, Jesus. E quem nele crer, nunca será envergonhado e jamais será confundido. Ele nos tirou do império das trevas, e nos trouxe para o reino do filho do seu amor. Tirou-nos da corrupção e condenação e nos justificou diante do Pai. Achávamos perdidos e ele nos encontrou, estávamos nas trevas e ele nos colocou na luz, estávamos afundados na lama, e ele nos fez flutuar no rio de sua graça.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Ef 3.1-13 O grande mistério

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Introdução:

A humanidade sempre foi atraída pelos mistérios. Filmes e séries com suspense e enigmas atraem grande número de fãs, alguns exemplos são conhecidos como “lost” e “under the dome” (redoma). Estas coisas despertam, desafiam e aguçam a imaginação das pessoas, por isto são tão atrativas.

Deus também abriga mistérios.

O profeta Isaías afirma: 
Verdadeiramente, tu és Deus misterioso, ó Deus de Israel, ó Salvador!” (Is 45.15)
Provérbios diz: “A glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos homens é esquadrinhá-las” (Pv 25.2).
Em Deuteronômio lemos: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, porém, as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). Nenhum texto parece falar dos limites humanos de forma tão profunda quanto este. 

Em Efésios, Paulo está falando de um mistério. O tema central desta perícope é o “grande mistério”. A palavra grega “misterion” aparece três vezes (Ef 3.3,4,9).

Qual é este mistério?

1. Este mistério estava oculto de todos – “Pelo qual, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo, o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito” (Ef 3.5).

Quando lemos outros textos da Bíblia que falam do mesmo tema, verificamos que estava oculto até mesmo dos anjos e profetas (1 Pe 1.10-12), dos demônios e Satanás. Em Mt 8.29, vemos a reação surpreendente dos demônios ao se depararem com Cristo no ministério terreno: “Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” Os demônios não esperavam que isto pudesse acontecer, jamais poderia supor que o Filho de Deus, conhecido nas esferas celestiais pudesse se manifestar em carne. “Conheço a Jesus e sei quem é Paulo, mas vós que sois” (At 19.15). O termo “conheço” (grego ginosko), significa conhecer por interação, no mundo espiritual. Os demônios sabem e reconhecem a autoridade de Cristo nas esferas celestiais. 

Isto nos leva a considerar que havia certo “frisson” no mundo espiritual sobre este acontecimento. Os profetas inquiriram e investigaram o assunto, os anjos anelaram perscrutar, mas eles jamais poderiam imaginar que o criador dos céus e da terra, o verbo que fez todas as coisas pela palavra de seu poder, pudesse se historicizar e se tornar humano, até quando a ordem foi dada a Gabriel para que ele dissesse a Maria o que estava para acontecer (1 Pe 1.10-12).

Paulo está falando deste mistério, “outrora oculto em Cristo”, e que é revelado agora. 

2. Jesus era o centro deste mistério. Paulo fala do “mistério de Cristo” (Ef 3.4). Isto é muito importante principalmente quando estudamos a história da igreja e observamos como os movimentos gnósticos eram fascinados e seduzidos pelo misterioso e pelo sagrado. Paulo não fala de um mistério gnóstico, esotérico, vago, mas de um mistério que se concretiza na pessoa de Cristo Jesus, o Filho do Homem, que se revela nas estradas poeirentas da Galileia. 

O Plano de Deus esteve guardado por séculos, envolvido em “segredo de estado”. Paulo se sente especialmente grato porque Deus lhe dera esta revelação (Ef 3.3), tornando-o participando deste maravilhoso anuncio e transformando-o em um apóstolo, cujo termo significa “enviado”.

Deus estabeleceu isto, no seu tempo especial. “Vindo, porém, a plenitude do tempo, (Kairos) Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4).

Os gnósticos tinham fascínio pelo mágico e acreditavam que apenas um grupo especial de iluminados e iniciados nos rituais esotéricos, seriam capazes de acessar mistérios, mas Paulo afirma que o grande mistério não era apreendido através de rituais, mas era o próprio Filho de Deus, que agora se revela a todos, manifestando-se na história, se tornando humano. “O verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, glória como do Unigênito do Pai” (Jo 1.14).

Este mistério tinha dois objetivos:

A. Reconciliar os homens com Deus – “...e vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito” (Ef 2.17-18)

A raça humana se desviara de Deus e não encontrava o caminho de volta ao Pai. Jesus veio reconduzir, reconciliar e aproximar este homem perdido. Muitos afirmam que encontraram a Cristo, mas não verdade, foi ele quem nos encontrou. Quem estava perdido éramos nós, e não Deus. 
Sua morte nos aproximou de Deus (Ef 2.13). Pelo seu sangue Jesus nos deu livre acesso aa Pai. Não mais distantes, mas aproximados; não mais filhos da ira, mas filhos amados de Deus; não mais condenados, mas redimidos. 

Por causa desta redenção, “temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé em Cristo” (Ef 2.12). A palavra “ousadia” é intrigante e provocativa, não nos aproximamos de Deus temerosos, mas nos sentindo amados por ele. Que privilégio poder estar diante do Deus santo e não sermos consumidos pela sua glória. 


B. Reconciliar os povos – “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; tendo derribado a parede da separação que estava no meio” (Ef 2.13).

Jesus veio estabelecer a paz entre os homens. Neste caso, Paulo estava se referindo à barreira religiosa entre juDeus e gentios. Eles se consideravam superiores espiritualmente, por terem recebido as alianças, as promessas e pactos, eles se julgavam um povo espiritualmente melhor, mas agora, Deus desfaz as diferenças por meio de Cristo, e nos torna membros de sua família (Ef 2.19).

Jesus é a nossa paz. Ele aproxima nações, etnias, línguas e povos, tornando-os todos, um só em Cristo. No último dia, quando todas as nações comparecerão perante Deus, veremos povos de todas as tribos, nações e raças diante de Deus. 

3. Fomos comissionados a anunciar este mistério – “A mim, o menor de todos os santos, me foi dado a graça de pregar aos gentios, o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8). Paulo se sentia privilegiado por poder anunciar estas coisas maravilhosas que Deus estava fazendo por meio de Cristo.

Mas Deus não apenas chamou Paulo para esta tarefa, mas escolheu seu povo, a igreja, para que ela pudesse anunciar estas verdades de tal forma que até o inferno soubesse o que Deus havia feito em Cristo (Ef 3.10; 1 Pe 3.19-20). A estratégia de Deus consiste em usar sua igreja, com faces tão distintas e multiformes, com metodologias diferentes e nesta pluralidade e policromia, revelando assim o propósito de Deus na história. 

Apesar de todos os limites, contradições, escândalos e controvérsias, a igreja ocupa um lugar central no plano de Deus. Basta ler com atenção Ef 3.10 para entendermos que Ele planejou algo extraordinário e cósmico para a missão da igreja. Seu propósito é usar o seu povo para a proclamação e anúncio, a igreja encontra-se no centro do plano redentivo de Deus. 

Isto ao mesmo tempo é um privilégio e uma responsabilidade. Paulo afirma estas duas coisas nas suas cartas: “A mim, o menor de todos os santos me foi dado a graça de pregar” (Ef 3.8), e “Ai de mim senão pregar o Evangelho” (1 Co 9.16). 


Conclusão:
A pregação do Evangelho consiste em anunciar a centralidade de Cristo, sua obra e mistério. Se pregarmos a Bíblia, e não chegarmos na cruz, ainda não anunciamos “o grande mistério”. Jesus é este mistério de Deus oculto em Cristo. Podemos pregar bons sermões, com bons princípios e valores cristãos, politicamente corretos e com ética bíblica, mas se não anunciarmos a Cristo e seu plano para a história, perdemos o ponto e ainda nos encontramos na periferia e fora do centro.

Ef 3.10 A Igreja no projeto cósmico de Deus

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No sermão anterior analisarmos o conceito de “mistério”, um tema recorrente nas cartas paulinas. Observamos que Deus reservou este mistério à humanidade: O seu plano redentor que se revelou em Jesus. Este plano eterno estava oculto dos profetas, que embora tivessem algum lampejo sobre a vinda do Messias não tiveram o privilégio de terem uma revelação plena. Este mistério também estava oculto até mesmo dos anjos, principados e demônios (1 Pe 1.10-12)
Em Ef 3.10 há uma afirmação curiosa. Deus não apenas manteve este segredo desde a eternidade, revelando-o em Cristo, mas decidiu que a igreja seria portadora desta mensagem ao mundo.

Isto nos ensina algumas verdades:

1. A Igreja ocupa um plano central no projeto de Deus para a história – “Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne agora conhecido dos principados e potestades, nas regiões celestes” (Ef 3.10).

É um plano cósmico.

Preste atenção no encadeamento da ideia do texto. 
Por três vezes a palavra “mistério”, aparece no texto (3,4,9), Paulo diz que recebeu este mistério através de uma revelação e que deveria comunicá-la aos pagãos, apesar dele mesmo se considerar, o menor entre os santos. Agora ele aprofunda o tema afirmando o povo redimido, tem a missão de tornar conhecida esta multiforme sabedoria que existe em Deus.

A igreja de Cristo é chamada para revelar o projeto de Deus à humanidade, e também proclamar esta dimensão abrangente do domínio de Deus sobre todas as coisas, aos poderes históricos e espirituais, principados e potestades. Deus poderia ter feito isto através de revelação “direta”, ou usou sua miríade de anjos celestiais, mas decidiu que esta proclamação seria feito através da igreja.

O apóstolo Pedro declara: “vós sois a raça eleita, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). A Igreja existe para testemunhar o mistério de Deus em Cristo Jesus.

Quando Jesus se manifesta aos seus discípulos, após a ressurreição, ele diz: “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, Judeia, Samaria, e até os confins do mundo” (At 1.8). Jesus capacita sua igreja, dando-lhe o poder do Espírito, e a envia ao mundo. Sua missão, portanto, ocupa um lugar central no projeto de Deus. A Igreja faz parte da estratégia de Deus para a humanidade.

2. A Essência da mensagem: Sua multiforme sabedoria - Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus...” O que Deus quer comunicar? Sua sabedoria com tonalidades distintas.

A palavra “multiforme” no original, literalmente é “policromia”. Deus deseja comunicar, pela igreja, seu projeto aos poderes temporais e eternos, e ironicamente escolhe sua igreja. Não parece um projeto frágil demais?
Quando Jesus designa seus discípulos para o projeto evangelístico ele diz o seguinte: “Ide, eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos” (Lc 10.3). Sejamos honestos, esta figura não é alguma coisa tão promissora... Lobos são vorazes, ovelhas frágeis. Se ele dissesse, “eis que vos envio como lobos para o meio de ovelhas”, certamente nos sentiríamos mais confortáveis. Mas ele nos coloca como o grupo mais frágil neste ecossistema e nos envia para uma alcateia. O que faz diferença? Estas ovelhas possuem um pastor, que as protege, que cuida delas, que as chama pelo seu nome. Com o pastor na frente, estas ovelhas podem seguir seguras, porque “as portas do inferno” não prevalecerão contra elas.

Neste texto Deus escolhe a igreja para manifestar sua policromia, sua “multiforme cor”, e as envia a declarar o mistério de Deus aos poderosos. Deus quer que sua “policromia” se revele na história e confronte principados e potestades. A grande benção é saber da promessa que Jesus fez: “Eu edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Se olharmos para a suficiência da igreja, nos assustamos; mas se olharmos para Cristo, nos tornamos ousados. Por isto Paulo afirma que tal proclamação é feita, “segundo a força operante do seu poder” (Ef 3.7). O que poderia fazer a igreja sem este poder capacitador de Deus?

3. O propósito eterno de Deus: Jesus.Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida”. Que sabedoria é esta?

O texto está falando de Cristo. A igreja é vocacionada por Deus para proclamar a glória de Cristo, colocar Jesus, o mistério de Deus, no lugar certo, no eixo central da história. O “mistério” de Deus estava oculto em Cristo, e se revelou num tempo especifico da história, numa geografia conhecida, com uma ambientação política.
Jesus é o “alfa e o ômega”, o principio e o fim. Deus preparou o seu povo para revelar ao mundo as “insondáveis riqueza de Cristo”. A Igreja de Cristo testemunha o projeto de Deus na história, embora nem sempre seja ouvida, e muitas vezes sofre rejeição e oposição. Ainda assim, este é o papel da igreja: “proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz”, de anunciar o mistério de Deus que se revela em Cristo.

Esta mensagem causa dois impactos diretos:


A. No coração dos pagãos – Paulo afirma: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada a graça de pregar aos gentios, as insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8). Anunciar esperança a este povo que encontra-se separado de Deus, longe das alianças da promessa e que vivem sem Deus no mundo. Deus ama tanto o mundo que envia seu filho para reconciliar suas criaturas que viviam distante e indiferentes ao criador. Muitos, ao ouvir desta graça, rejeitarão; muitos, se converterão. 
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Quando o Evangelho é aceito, isto causa um impacto imensurável na vida. Uma nova cosmovisão se estabelece, a história passa a ter um eixo central que gira em torno de Cristo, o mistério de Deus, que agora se revela como aquele que se torna a hermenêutica da história, já que apenas ele pode abrir o livro da vida (Ap 5).

B. No mundo espiritual - “dos principados e potestades, nas regiões celestes” (Ef 3.10). Não é impressionante isto? Principados são poderes espirituais, governos históricos e terrenos; potestades são forças espirituais que governam este mundo tenebroso. Os poderes da história, e os poderes das trevas precisam conhecer este mistério de Deus.

Este é o plano cósmico de Deus. Cristo restaurando todas as coisas. Sua vinda fala de novas criaturas (2 Co 5.17; Ef 3.22-24), mas fala também de nova criação (Rm 8.18-22; Ap 21). Deus em Cristo restaura seu projeto original. Quando Adão pecou, toda natureza foi atingida pelo poder nefasto do pecado; quando Cristo se manifestou, toda a natureza também foi impactada pela sua graça e poder. 

Conclusão:
Este texto demonstra que duas coisas lindas acontecem no nosso coração quando consideramos tais coisas:

a)- Relacionamento de intimidade com o Pai – Por meio do Evangelho, temos ousadia e acesso com confiança à presença do Pai celestial (Ef 3.12). Não mais estrangeiros e nas trevas, mas filhos amados. Isto não é resultado de religiosidade e gestos ritualísticos, mas Deus nos convida para andarmos com ele, para construirmos relacionamentos significativos. Medo e pavor, presentes na cultura religiosa judaica, são agora substituídos por afetividade e amor, a ponto de o chamarmos “Aba, Pai!”.

b)- Encorajamento – (Ef 3.13). Paulo afirma: “Portanto não desfaleçais”. Muitas vezes nos sentimos desanimados e desencorajados, mas quando nos lembramos do seu eterno e maravilhoso propósito, do qual fomos chamados a participar, a sermos coadjuvantes, somos tomados de grande alegria, pois fazemos parte deste plano de Deus para a humanidade: revelar o mistério de Deus, Cristo, ao mundo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Ef 2.19-22 Fotografias do povo de Deus

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Em todo este capítulo, Paulo demonstra o contraste entre a vida com Cristo e a vida sem Cristo. Em Ef 2.1-3, ele fala da nossa condição sem Jesus, vivendo sob o poder de três forças: O mundo (sistema); o diabo (forças espirituais); e a carne (desejos, inclinações e pensamentos). A conjunção adversativa “mas”, que surge no vs 4 muda todo quadro espiritual. Agora fomos perdoados, ressuscitados, perdoados. Em Ef 2.11-13 ele fala novamente da condição humana sem Deus: “outrora”, separados da comunidade de Israel, sem esperança, sem Deus no mundo, alijados das promessas de Deus. O vs 14, porém, afirma: “mas agora fostes aproximados pelo sangue”. A obra de Cristo mudou nossa realidade, identidade e status. Não mais separação entre judeus e gentios. Não mais distância entre o Deus santo e nós. A palavra chave aqui é reconciliação.

Nos próximos versículos (Ef 2.19-22) Paulo vai descrever qual é a realidade do povo de Deus. Três figuras são colocadas no texto, dando-nos uma descrição de quem é este povo, e que papel ele exerce diante de Deus e do mundo.

Três retratos:

1. Reino – “Não mais estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos” (Ef 2.19). Ele está falando da cidadania neste novo reino ao qual fomos chamados e fazemos parte.

A Bíblia fala de dois reinos espirituais: trevas e luz. a vida em Cristo implica numa ruptura com os compromissos deste reino das trevas e Jesus nos resgata deste domínio para nos trazer ao seu reino. “Ele nos libertou do império das trevas e nos trouxe para o reino do filho do seu amor” (Col 2.13). Jesus disse a Pilatos: “o meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36,37). O apóstolo Pedro afirma que somos “uma nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1 Pe 2.19).

É curiosa a afirmação deste texto quando diz: “Não mais estrangeiros e peregrinos”, o que nos dá a impressão de que podemos, eventualmente, até visitar e andar sob este domínio, mas não fazermos parte dele.

O que é um peregrino e um estrangeiro?

Peregrinos
Penso nesta figura como a de um turista. Ele não sabe muito daquele país, mas está ali como visitante. Ele não conhece sua cultura, modos, hábitos, educação. Ele não conhece as leis deste país nem seu funcionamento. Ele é um turista.
Quando minha esposa lecionava numa escola americana em Boston, sua chefe saiu de férias, comprou um pacote para Guiné-Bissau, e quando retornou lhe contou que tinha visitado este país, mas não sabia onde ficava geograficamente e pediu para que ela indicasse no mapa, onde ele se encontrava. Sara ficou assustada com a declaração daquela mulher, e imediatamente mostrou onde ficava. Ela era forasteira, turista. Nem sequer sabia geograficamente onde ficava este país, que língua falava. Fui direto para um resort e ali permaneceu durante uma semana e retornou. 

Estrangeiros

O estrangeiro é aquele que mora noutro país, por razões históricas, financeiras ou por trabalho. Ele possui o green card, mas na primeira dificuldade de enfrentarem, deixam aquele país e retornam às suas origens, porque não pertencem àquele povo. Podem até falar sua língua, mas não possui vínculos de coração, envolvimento e participação. 
Morei muito tempo fora do Brasil e foi uma experiência muito interessante. Tinha boas amizades, respeito, pagava meus impostos por trabalhar, mas depois de quase 9 anos decidi voltar apesar de estar vivendo num país de primeiro mundo. Eu tinha saudades da terra, do povo, da comida, da família, e não gostava de pensar em envelhecer naquele lugar, apesar de estar tudo arrumado. Tinha sempre um senso de inadequação e de que estava vivendo no fundo do quintal de outra pessoa. 
Tanto a figura de peregrinos como de estrangeiros nos levam a pensar em muitos frequentadores de igreja. Eles não são parte da comunidade, eles não se envolvem com ela, não falam sua língua e agenda, ainda que gostem de desfrutar do lugar, e na primeira crise, se afastam, porque não tem nenhum compromisso. Paulo afirma que éramos assim, forasteiros, turistas. Nosso reino não era o de Cristo, estávamos alheios aos pactos, leis e promessas.

Cidadãos do reino
Cidadania possui uma outra dimensão.
O cidadão possui vínculos afetivos com o povo, governo, a terra e a história daquele país.
Ele tem privilégios e responsabilidades.

Privilégios da cidadania

Uma das primeiras coisas é que ele possui a proteção do seu governo, ou de seu rei.
Em 2014 um terremoto de grandes proporções afetou o Tibet. Muitos brasileiros estavam por lá, e o governo brasileiro, preocupado com a situação dos brasileiros que ali residiam, disponibilizaram um avião da FAB para tirar os brasileiros de lá e trazê-los de volta, porque a situação do país era calamitosa. 

Outra benção é seu vínculo histórico com o povo
O cidadão faz parte integrante de todo movimento de uma nação. É comum você encontrar brasileiros nos EUA, que apesar de estarem vivendo anos naquele país como imigrantes, não deixam de assinar o canal de TV, o Globo, para ter acesso às notícias do país. O mesmo se dá com os americanos que moram aqui. Normalmente possuem CNN em casa para receberem notícias do que está acontecendo em “sua” nação. Eles possuem um relacionamento de identidade. 


Responsabilidades da cidadania 
Em contrapartida, cidadãos possuem deveres. Um deles é de se submeterem à lei deste país. Existem exigências que não podem ser desobedecidas. Lamentavelmente, quando há um governo tirânico, isto se torna muito dolorido. As pessoas sofrem muito, eventualmente por desobedecerem uma lei que é contra o bom senso e contra a humanidade. 
Os cidadãos também devem honra às autoridades e aos símbolos de um país. Não podem estabelecer sua própria lei e viverem de forma anárquica e irresponsável. 
Outro dever do cidadão é sustentar seu governo com impostos e taxas. Nem sempre isto é confortável, mas um país possui um senso de “comunidade”, na qual todos devem participar do processo e construção. Há necessidades de se construir escolas, providenciar saúde, segurança, estradas, infraestrutura, água, esgoto, eletricidade. O povo precisa sustentar isto. Isto é cidadania. 

2. Família – “Sois da família de Deus”. (Ef 2.19).
Não mais pessoas estranhas, mas vinculados consanguineamente, por uma instituição que nos protege, cuida, ajuda no crescimento. 
O apóstolo João registra este sentimento da seguinte forma: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1 Jo 3.1). Para ele, ser filho amado do Pai é a maior benção da vida. 

Família traz alguns privilégios:

Identidade – Este é o primeiro deles. Tenho nome de uma família, tenho relacionamento de amor. Temos colo, cuidado, nutrição. É dentro de uma família que nos desenvolvemos física, emocional e espiritualmente. Deus, quando quis se encarnar, escolheu uma família para si. 

Pertencimento – Sou parte de um clã. Tenho um grupo ao qual estou vinculado. Não sou órfão, mas filho. Mesmo quando coisas difíceis acontecem numa família eu sei que tenho vínculos que vão muito além da superficialidade. Quando um problema maior acontece, mesmo estando distantes, estamos juntos. 

Propriedade – Eu faço parte de uma família e tenho senso de que preciso cuidar dela. É como cuidar de si mesmo. Minha sogra agora está idosa, estamos tentando trazê-la para morar conosco porque sentimos que ela está frágil e precisa de cuidados. Esta é nossa tarefa e responsabilidade. Estamos cuidando de nós mesmos, é nosso sangue. Ela “nos pertence”, e devemos protegê-la. 

Quando vejo pessoas afirmando que creem em Cristo, mas não possuem comunhão com uma igreja local, visível, tangível e concreto, sei que algo de muito errado está acontecendo. Paulo afirma que “(em Cristo), todos fomos batizados em um corpo” (1 Co 12.13). Tornar-se cristão é fazer parte de um povo. O conceito de “believers, but not belongers”, (creio, mas não pertenço), é absolutamente estranho às Escrituras Sagradas. Paulo afirma que nem mesmo podemos participar da ceia de Cristo, pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Isto é sério. Eu não são capaz de perceber o outro, eu quero viver e cultivar minha fé separado de vínculos comunitários. Este tipo de fé, pode ter uma forma de espiritualidade, mas não de espiritualidade bíblica e cristã. 

Por esta razão a Bíblia fala tanto de “pacto geracional”, de “povo da aliança”. Os filhos eram trazidos para a circuncisão porque fazem parte de um pacto, estão vinculados a um povo. O conceito do batismo infantil nas igrejas reformadas tem a mesma ideia: os filhos pertencem ao povo de Deus. Membros da igreja local são os comungantes (que podem participar da ceia por já terem suas faculdades espirituais) e os não-comungantes, que embora sejam menores, já são contados entre o povo de Deus.

3. Edifício – “Edifício de Deus sois vós” (1 Co 3.9). 

Alguns princípios são estabelecidos quando pensamos em edifício. 

3.1. Ele precisa de base sólida e referencial – “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 3.20). Os antigos não possuem GPS, nem faziam um projeto para construir uma casa, mas tinham experiência suficiente para fazer um edifício seguro, que pudesse se manter firme durante os vendavais e chuvas. A partir da “pedra de esquina”, todas as demais pedras eram organizadas. Era uma pedra grande, sobre a qual as casas eram construídas. 

Paulo afirma: “Segundo a graça que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3.10,11).

Jesus é a base deste edifício.
Alguns anos atrás o Pr. Ricardo Barbosa foi convidado a participar da programação da celebração do congresso de Edinburgo, Escócia, que aconteceu em 1910 e foi um marco para as igrejas protestantes no mundo inteiro. Nas rodadas de discussão sobre os temas, agenda, programação, preletores, a ala liberal propôs que se fizesse um congresso no qual o nome de Jesus não aparecesse, porque a pessoa de Cristo distancia outros grupos religiosos, felizmente a ala evangelical prevaleceu e o congresso foi realizado com o nome de Cristo na chamada central.

Historicamente o nome de Cristo, a pedra fundamental, tem sido muitas vezes minimizado, esquecido, esvaziado e negado. Mas é bom lembrar, que só existe uma pedra angular, Jesus Cristo, fora deste alicerce o edifício não consegue se erguer.

3.2 Um edifício deve ser construído com muitos tijolos – “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 3.20). Este texto nos afirma que os apóstolos e profetas são o fundamento que se firma na rocha. Jesus primeiro, fundamento, base e referência, os apóstolos e profetas em seguida. A igreja precisa ser apostólica na sua fonte.

No Concílio de Cartago (395), a Igreja de Cristo se reuniu para tomar uma posição radical quanto às Escrituras Sagradas. Quais livros devem fazer parte do cânon? Quantos são? Que critérios devemos estabelecer para aceitar sua inspiração? As discussões certamente foram muito pesadas. Finalmente a Igreja tomou as seguintes posições.

Um livro para ser canônico precisava passar pelos seguintes crivos:
a. Deveria ter sido escrito pelos apóstolos ou seus discípulos imediatos;
b. Deveria ser aceito pelo senso comum. As comunidades já os aceitavam, sem reservas, que fossem inspirados;
c. Não poderia conter nem aberrações ou contradições. Isto porque, já eram inúmeros os textos que reivindicavam serem inspirados, alguns com graves distorções gnósticas ou montanistas. 

Depois de todas as discussões, aceitou-se 39 livros do AT, que já faziam parte do cânon hebraico, e os 27 livros do NT, como atualmente temos. 
O fato de termos um único livro orientando, cria a unidade e homogeneidade de pensamento, evitando distorções. Anos depois, na Reforma Protestante do Século XVI, muitas especulações já circulavam na igreja como sendo verdadeiras. Para discernir isto, os reformadores decidiram se ater às Escrituras, daí o conhecido princípio de Sola Scriptura, que até hoje tem sido adotadas pelas igrejas reformadas. Toda questão doutrinaria se estabelece na Bíblia, conferindo texto com texto, analisando-a na sua linguagem original, adotando o simples princípio de interpretação chamado de histórico gramatical. O que o texto afirma (observação); O que o texto quer dizer (interpretação) e qual a importância disto para nossa vida (aplicação). 

Por isto, antes de chegarmos até este ponto da história, muitas pessoas sustentaram a fé que uma vez foi dada. Primeiro os apóstolos, depois os apologetas, os pais do deserto, os reformadores, os movimentos missionários, chegando até os nossos dias. Como pedras vivas fomos inseridos neste edifício. “Também vós mesmos, como pedras que vem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pe 2.5). 

E quanto à igreja do futuro?

Nós somos as pedras vivas sobre as quais, outras pedras serão superpostas. “O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não encobriremos aos nossos filhos. Contaremos às vindouras gerações, os louvores do Senhor, o seu poder, e as maravilhas que fez” (Sl 78.1,2). A partir de nós, outras pessoas estão chegando, ouvindo nossa pregação, testemunho, estilo de vida e aprendendo a amar este Deus, sendo atraídos pela forma como nos colocamos à disposição da obra de Deus. 

Portanto, estamos ainda no meio desta edificação.

Os que aqui estiveram antes de nós. Pastores e lideres fieis, igreja fiel, pessoas que sustentaram a igreja com suas vidas e seus recursos, a agora inseridos neste edifício nos tornamos a base de outras pedras vivas que continuam sendo erguidas sobre nós.









Que Deus nos ajude nesta honrosa missão.