1 Rs 18.1-19
Introdução
Minha filha estava morando nos Estados Unidos e considerando a possibilidade de se mudar para o Brasil e entrar no mercado de trabalho aqui. Encontramos uma irmã muito competente em São Paulo, que trabalhava como Head Hunter, e que se dispôs a ter uma conversa com ela sobre sua carreira. Depois de ver o seu currículo tão bom, ela lhe deu o seguinte feedback: “você tem certeza que quer entrar no mercado de empresas brasileiras?” Ela estava dizendo isto, porque sabia que além da competitividade, havia questões éticas muito pesadas em grandes empresas e ela não sabia como minha filha iria lidar com este sistema.
Não são raros o exemplo de funcionários cristãos que trabalham em empresas cujos valores éticos e morais são suspeitos, com uma política muitas vezes abusiva, exploratória, e que coloca os funcionários debaixo de uma condição em que eles precisam constantemente estar precisando se afirmar. Isto acontece não apenas no mercado empresarial e corporativo, mas na esfera pública. Muitos funcionários trabalham em autarquias corrompidas, que se acostumaram a exigir suborno e propina para aprovar projetos, ou são chefes corruptos e de condutas questionáveis. Obviamente um funcionário cristão precisa se manter firme, e na assumir posições firmes.
O Primeiro Livro dos Reis se concentra de forma particular no Reino do Norte, cuja capital se tornou Samaria, depois da crise política cujo pivô foram as taxas impostas pela realeza, nos dias de Roboão, filho de Salomão, Israel se dividiu em dois reinos, com diferentes capitais. Samaria era a capital do reino do norte e Jerusalém a capital do reino do Sul.
Por causa do distanciamento de Jerusalém, onde ficava a arca e o templo, os reis do Norte foram na sua grande maioria adoradores de Baal e deuses pagãos. Grandes profetas surgiram nestes dias, entre eles Elias e Eliseu, denunciando este desvio teológico. Um dos piores reis foi Acabe, que se casou com uma mulher gentia, seguidora zelosa de Baal, que acolheu e criou uma estrutura religiosa em torno destes deuses falsos, perseguindo e matando todos os profetas de Yahweh, o Deus de Israel. Elias foi caçado implacavelmente pelo rei durante os seus anos de atividade profética.
No palácio, as estruturas religiosas perseguiam aqueles que não se alinhavam com sua forma de pensar. Cargos políticos eram destinados àqueles que estavam identificados com a estrutura iníqua e religiosa bem como da perversão e corrupção política.
Apesar de todo este sistema, um homem chamado Obadias, mordomo de Acabe, sobreviveu num palácio hostil a Deus, e ainda soube lançar mão do seu cargo para proteger e beneficiar os profetas de Yahweh que existiam naqueles dias no Reino do Norte.
Sabendo que os profetas corriam perigo, pegou cem deles e os escondeu em duas cavernas, 50 em cada uma delas, e conseguiu mantê-los com água e pão durante o tempo em que estiveram foragidos. Não sabemos quanto tempo ele manteve esta estrutura subversiva e complexa debaixo do palácio, mas Obadias criou uma rede de proteção aos servos de Deus num ambiente de grande risco.
A rainha Jezabel era pagã, e promotora de deuses pagãos. 1 Rs 18.19 registra que ela criou um espaço para abrigar 850 sacerdotes pagãos, e eles se assentavam à mesa dos reis. Seria como se hoje, o Palácio do Planalto em Brasília, abrisse suas portas para que os babalorixás e pais de santo tivessem assento nas suas salas de jantar, recebendo tratamento VIP. Me chama a atenção o fato de que, mesmo sendo Israel uma teocracia, os profetas de Yahweh jamais receberam este tipo de tratamento tão especial quanto os profetas de Baal. Eles eram vistos pelos corredores, assentados junto a Acabe e Jezabel, dando conselho, invocando demônios. E Obadias, servo de Deus estava ali no meio deles, se mantendo na sua função pública, e conseguindo usar as estruturas do palácio para socorrer os profetas de Deus que estavam deserdados vivendo nas cavernas.
Como é possível sobreviver em um ambiente tão hostil e ainda dar sinais de Deus?
A história de Obadias em 1 Reis 18 apresenta uma das narrativas mais complexas, tensas e fascinantes sobre o dilema de servir a Deus no meio de um sistema corrupto. Ele era o administrador de Acabe, o rei que, sob a influência de Jezabel, institucionalizou a apostasia e a perseguição aos profetas de Yahweh em Israel.
Aprofundar a trajetória de Obadias é examinar a ética da resistência sutil, o risco calculado e o uso estratégico da profissão em favor do Reino de Deus.
Trabalhar no Coração da Besta
Para entender o risco que Obadias corria, é preciso olhar sua biografia no início do capítulo 18: ele era o homem que "temia muito ao Senhor" (v. 3), embora tivesse que, como funcionário, responder diretamente a Acabe, o monarca que buscava implacavelmente matar todos os profetas de Deus.
A paradoxalidade da posição: Obadias não estava em um mosteiro isolado ou seguro; ele estava no centro nevrálgico do poder político e econômico de Israel. Ele administrava a casa real, controlava recursos e lidava diariamente com Jezabel.
O risco de morte iminente: O texto relata que, quando Jezabel exterminava os profetas, Obadias os escondeu em cavernas, sustentando-os com pão e água. Fazer isso sob o nariz do regime era um crime de alta traição punível com a execução sumária imediata.
A tensão do compromisso: Obadias vivia em uma corda bamba diária. Um deslize na contabilidade, uma suspeita de Jezabel ou uma denúncia o colocariam na forca. Sua vida nos ensina que, às vezes, a fidelidade a Deus exige operar em territórios controlados pelo mal, onde a margem de erro é zero.
Profissão a Serviço do Reino: O Poder da Alavancagem Estratégica
Obadias não usou sua fé para abandonar o posto ou fazer protestos estéreis que o levariam a morte certa antes de poder ajudar alguém. Ele usou sua posição profissional como alavancagem para o Reino. Como administrador do palácio, Obadias tinha acesso a verbas, suprimentos e logística. Ele usou os recursos do próprio sistema apóstata (a infraestrutura de Acabe) para alimentar e salvar os profetas do Senhor. É o clássico exemplo de resgatar o que o sistema corrompeu e redirecioná-lo para a causa de Deus.
Enquanto Elias era o profeta do confronto público, como aconteceu no Monte Carmelo, Obadias era o agente secreto, o estrategista de bastidor que garantia a subsistência física da liderança espiritual de Israel. O Reino de Deus precisa tanto do profeta estridente quanto do administrador corajoso infiltrado nas esferas de poder.
Para durar tanto tempo em uma estrutura perversa sem ser demitido ou descoberto, Obadias precisava ser irrepreensível na sua função técnica. Ele era excelente no que fazia. Sua competência profissional era o escudo que mantinha sua credibilidade perante Acabe, permitindo-lhe continuar na posição onde podia fazer o bem. A ponto de Acabe lhe dar uma missão que era quase impossível: encontrar o profeta Elias. O rei formou dois grupos e enviou um grupo sob a liderança de Obadias e ele mesmo, pessoalmente, liderou outro grupo.
O Medo Real e a Humanidade de Obadias
Um detalhe impressionante da narrativa ocorre quando Obadias encontra Elias no caminho e recebe a ordem: "Vai, dize a teu senhor: Eis aqui Elias". A reação de Obadias revela que ele não era um super-herói destemido, mas um homem real tomado pelo pavor:
"Em que pequei, para que entregues teu servo nas mãos de Acabe, para que me mate?" (1 Reis 18.9). Obadias sabia que, se ele saísse anunciando Elias e o profeta desaparecesse milagrosamente (como era o costume de Elias acontecer, levado pelo Espírito), Acabe o executaria. A coragem verdadeira não é a ausência de medo, mas a ação apesar do medo. Obadias tremeu diante do risco, ponderou a morte, mas, no fim, obedeceu e cumpriu sua missão.
Relevância Contemporânea
A história de Obadias desafia a visão dicotômica de que o crente deve se isolar de estruturas seculares ou governamentais corrompidas. Mostra que Deus coloca homens e mulheres fiéis em posições corporativas, governamentais e sistêmicas difíceis não para se contaminarem com o sistema, mas para protegerem os vulneráveis, salvarem o que restou da verdade e gerenciarem recursos com justiça enquanto a oportunidade de agir se apresenta.
Assim como Obadias, muitos hoje trabalham em ambientes corporativos ou políticos antiéticos, onde manter a fé exige inteligência, discrição, excelência técnica e uma coragem silenciosa que sustenta vidas nos bastidores.
Recentemente um membro de nossa igreja foi contratada para ser pró-reitora de uma universidade particular de medicina no sudoeste de Goiás. A dona da faculdade é uma empresária sofisticada e arrojada, que adora carros de luxo (hobbies normalmente atribuídos ao publico masculino), e ao chegar ali, esta irmã encontra um ambiente dominado por liderança espírita e macumbeiros. Ela foi colocada por Deus para trabalhar nesta posição de destaque, num ambiente carregado por pessoas que não conhecem a Cristo. Ela entende que precisa ser uma profissional excelente, e entende também que precisa refletir Cristo na sua dinâmica de trabalho. Ela sabe que uma cristã autêntica precisa afirmar sua fé, e num ambiente como este é muito desafiador. Mas Deus a colocou ali por uma razão clara.
A história de Obadias comparado ao ambiente de trabalho contemporâneo nos tira da ilusão de que "testemunhar Cristo" significa apenas colar um versículo na mesa, usar jargões religiosos ou pregar sermões nos corredores da empresa. Na realidade corporativa, muitas vezes caótica, competitiva ou eticamente ambígua, Obadias nos ensina que o verdadeiro testemunho cristão no trabalho se manifesta em quatro dimensões profundas:
A Excelência como Parâmetro
Obadias administrava a casa de Acabe e Jezabel. Para sobreviver e ter influência em um regime corrupto, ele não podia ser negligente; ele precisava ser o melhor no que fazia.
O seu primeiro e mais poderoso testemunho no trabalho é a sua competência técnica e ética. Se o cristão é negligente, desorganizado ou usa a fé como desculpa para entregar um trabalho medíocre, ele perde a credibilidade. A excelência de Obadias fez com que o rei confiasse nele, abrindo espaço para que ele usasse sua posição em favor de um propósito maior. O bom trabalho abre portas que o discurso religioso jamais abriria.
Abrindo um parêntese, gostaria de dizer que alguns anos atrás almocei com o chanceler do Mackenzie em São Paulo. Esta universidade presbiteriana tem se esforçado para ser uma universidade confessional. Na conversa ele nos disse que muitas pessoas cristãs aplicam para vagas de professores e coordenadores, e que eles gostariam de contratá-las, mas que a grande dificuldade era encontrar pessoas cristãs, com competência e excelência para as funções disponíveis.
A Resistência Silenciosa (Proteger os Vulneráveis)
Obadias não organizou um protesto público contra Acabe na praça principal (esse era o papel de Elias). O papel de Obadias era o de agente de resgate nos bastidores: ele escondia os profetas nas cavernas e os sustentava com pão e água.
Fico imaginando quantos homens na história, por causa de Cristo, tomaram decisões de alto risco no seu ambiente de trabalho. Eles funcionam como uma espécie de “agente secreto” do reino, e conseguem fazer uma grande diferença na filosofia da empresa e no ambiente onde trabalham. Poucas coisas são tão urgentes e sábias nos tempos modernos que esta resistência silenciosa, a favor do reino, para proteger os vulneráveis, e glorificar a Deus.
No seu ambiente de trabalho, você provavelmente não derrubará o sistema corporativo injusto sozinho. Mas testemunhar a Cristo significa usar a sua posição — seja você um analista, um gerente ou um diretor — para proteger os vulneráveis. É recusar-se a participar de fraudes ou puxadas de tapete e blindar quem está sendo injustiçado. O testemunho de Obadias não foi verbal; foi o alívio que ele proporcionou aos necessitados sob o risco da própria pele.
Usar os Recursos do Sistema para o Bem
Obadias usava a infraestrutura e os suprimentos do palácio de Acabe para alimentar os profetas de Deus. Ele redirecionou recursos da própria estrutura hostil para sustentar a obra do Reino. Isto é uma verdadeira conspiração. Aliás, reino de Deus sempre foi subversivo nas suas abordagens. Só assim podemos entender como o povo de Deus sobreviveu em meio a perseguição tão violenta e desumana quanto o babilônico, e o império romano.
Testemunhar no trabalho significa entender que a empresa onde você está não é apenas um lugar para ganhar o seu sustento, mas um campo missionário estratégico. Muitas vezes, você tem acesso a ferramentas, redes de contato, influência ou capacidade de decisão que podem ser usadas para abençoar pessoas, promover a justiça, ser justo com subordinados e gerar um ambiente humanizado em meio à frieza do mercado.
Recentemente num congresso de revitalização do qual participei como preletor, uma das coisas que mais nos desafiou foi a ênfase em entendermos que o grande desafio não é treinar as pessoas para trabalhar na igreja, ainda que esta seja uma tarefa tão necessária, mas treiná-los para serem discípulos de Cristo no trabalho.
Integridade sem Ingenuidade (Navegar na Tensão)
Obadias vivia em uma corda bamba. Ele sabia o perigo que corria, temia a morte (como mostrou o seu medo diante de Elias), mas não se corrompeu. Ele mantinha os pés no palácio corrupto e o coração em Deus.
O ambiente de trabalho moderno exige sabedoria e pureza de intenções: "Simples como as pombas; prudentes como as serpentes". Você precisará lidar com chefes difíceis, políticas corporativas complexas e metas agressivas. Testemunhar a Cristo significa permanecer integro quando tudo ao redor está cedendo aos atalhos. É ser a âncora moral da sua equipe sem precisar apontar o dedo para os outros, mas deixando que a retidão das suas escolhas fale por si mesma.
Conclusão
Testemunhar Cristo no trabalho à maneira de Obadias é entender que o seu cargo é uma plataforma e a sua competência é o seu passe livre. Enquanto Elias confrontava o sistema de cima do monte, Obadias enfraquecia o sistema por dentro, salvando vidas debaixo dos narizes dos tiranos. Que no seu escritório, fábrica ou empresa, você saiba ser o profissional excelente que resiste ao mal e sustenta o bem nos bastidores.
Aplicações:
Não perca as referências sagradas. A Bíblia afirma que “Obadias temia muito a Yahweh, desde a sua mocidade”. (1 Rs 18.3) Quando ele se encontra com o profeta Elias ele declara: “eu temo ao Senhor desde jovem.”
Gosto de pensar no fato de que Deus levanta tantas jovens brilhantes, inteligentes e determinados, que nunca negociam sua fé, caráter e sua ética, quando são confrontados com o secularismo do mundo acadêmico. A descrição que temos de Obadias revela a razão pela qual ele conseguiu não apenas se manter no seu trabalho, e ainda usar sua influência para ajudar os profetas do Senhor. Ele “temia a Deus desde a sua mocidade.”
Temos percebido que quando os jovens temem ao Senhor e são firmes na fé e valores, tornam-se corajosos, ousados e resilientes, e esta atitude moral e espiritual os acompanha na medida em que se tornam adultos. A firmeza de fé da juventude é quase sempre um sinal de que continuarão a dar frutos para a glória de Deus.
A Bíblia afirma que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.” Quando nossos fundamentos estão sobre o temor do Senhor, nada nos poderá corromper. Nós tememos a Deus, e não a homens. Nós servimos a Deus e queremos agradar ao Senhor, e não a homens, estruturas ou sistemas. Para se manter firme num ambiente contrário a Deus, o temor do Senhor é fundamental. Este é o lugar firme no qual colocamos nossos pés.
A partir de sua identidade de servo de Deus, lembre-se que você não está naquele lugar por acaso. Você está neste lugar, neste momento de sua história, fazendo o que você está fazendo, porque Deus quer que você esteja lá. Deus é Senhor da sua vida. Viva como servo de Deus. Tenha comportamento de servo de Deus.
Obadias usou a técnica da infiltração, como “sal e luz”, sua vida e influência foi usada para abençoar vidas, proteger aqueles que eram ameaçados e se encontravam em posição de vulnerabilidade. Portanto, aja como servo do Senhor, use a técnica da infiltração. Deus permitiu que você estivesse naquele lugar como um agente secreto, assim como Deus colocou Ester para ser rainha no palácio de Assuero, um rei pagão. Esta foi a mensagem que seu tio Mordecai lhe mandou: “Quem sabe se para tal conjuntura como esta, foste elevado a rainha?” (Et 4.12)
Assim age o evangelho, ele é clandestino, subversivo, transgressor, ou como definiu John Stott, “contracultural”. Desde a queda, estamos num ambiente hostil a Deus. O evangelho é estranho a nossa cultura. O apóstolo Pedro afirma que eles “estranham que não concorrais aos mesmos excessos de corrupção.” (1 Pe 4.3-4) Paulo afirma que vivemos numa geração “pervertida e corrupta.” (Fp 2.15) Por isto Jesus nos exorta: “Assim brilhe a vossa luz, para que os homens, vendo as vossas boas obras, glorifiquem a vosso pai que está nos céus.” (Mt 5.16)
Proteja aqueles que estão sendo ameaçados, mesmo com risco pessoal de ter a cabeça cortada. Às vezes isto significa perda de status, qualidade de vida, emprego.
Obadias faz um lance de alto risco. Sustentar cem profetas em covas. Já pensaram como era difícil a logística de levar o básico para aqueles homens? Com quem ele contava para executar esta tarefa? Ele tinha pessoas trabalhando com ele, e se alguém fosse descoberto ou o delatasse? Ele certamente seria morto. Contudo ele não revela temor a homem algum: Ele temia a Deus.
Na história cristã, não são raras as situações em que pessoas que amavam a Deus assumiram grandes riscos. Um dos casos mais conhecidos se deu com a família de Corrie Tem Boom, que decidiu proteger os judeus do extermínio nazista na Holanda. É necessário manter compromisso com o reino de Deus.
Conclusão
Quando eu pastoreei a Igreja Presbiteriana da Gávea no Rio de Janeiro, tive a oportunidade de receber como membro que se tornaria alguém muito especial na minha vida. Ele era diretor nacional da Eletrobras, um cargo do Segundo escalão do Governo Federal, uma função muito importante. Ele viajava o Brasil inteiro para reuniões com as diretorias regionais, estaduais, além de ter uma função de secretário-executivo na Comissión de la Integración Regional del América do Sul. Um dia chegou à mesa dele um documento, endossado por senadores e deputados, que favorecia tremendamente os empresários em causas contra a Eletrobras. Quando ele viu o documento, ele percebeu que era algo ilícito, imoral e indecente, e decidiu não assiná-lo. Procurou o seu chefe, que o havia levado para esta posição e disse: “Você sabe minha posição, eu sou cristão e não posso assinar esse documento por causa da minha consciência, minha fé, e dos meus filhos”. O presidente entendeu e disse, para deixar com ele que ele iria rever os termos. Um mês depois, o mesmo documento aparece com o mesmo teor sobre sua mesa para que ele assinasse. Ele mais uma vez procurou o presidente já com sua carta de renúncia dizendo: “Olha, eu não tenho condição de assinar esse documento, e já é a segunda vez que ele aparece, já conversamos sobre isso e eu estou aqui colocando meu cargo à disposição, porque eu não consigo caminhar com isso aqui.” E o chefe disse: “Infelizmente esse documento vem de cima, e eu não tenho como não atender.” E recebeu sua carta de demissão.
Ele tinha três filhos na universidade e ele ficou desempregado. Foram 15 dias mais ou menos, muita agonia, até que a Comission del América do Sul o convidou para ser Secretário Executivo com tempo integral. Seu trabalho seria no Uruguai. Ele ia ganhar o dobro que ganhava, ele tinha que fazer uma ponte aérea do Rio para o Uruguai mas valia o sacrifício. Deus o honrou tremendamente. Quando me lembro da sua história fico pensando quantos homens e mulheres de Deus estão em posição hoje em que eventualmente vão perder os seus privilégios e não terão um desfecho tão positivo quanto este, mas precisam confiar que Deus proverá e suprirá suas necessidades.
É sobre isso que nós estamos falando. Foi isso que Obadias fez. Ele não temeu os homens, mas temia a Deus, desde a sua mocidade e se manteve fiel. Este é o preço de testemunhar Cristo no cotidiano, muitas vezes em ambientes hostis.
Que Deus nos ajude.

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