Leitura Bíblica:
"Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes; ele revela o profundo e o escondido, conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz. A ti, ó Deus de meus pais, eu te rendo graças e te louvo, porque me deste sabedoria e poder; e, agora, me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este caso do rei."
Esta é a palavra do Senhor.
Estamos vivendo um dia muito especial, um dia da eleição para o novo presidente do Brasil nos próximos 4 anos. (2026) Isso traz muita esperança, muita expectativa, muito medo e muita angústia. Há uns dias desse atrás, eu estava conversando com um amigo muito querido que não parava de ver as notícias, e você recebe as fake news, ouve aqui, ouve ali, e ele estava muito angustiado, com a questão política.
Então eu lhe disse: "Meu irmão, por que que você não desliga o seu celular um pouquinho e para de ver essas notícias? Essas notícias estão matando você. Sara e eu tivemos a mesma impressão alguns dias atrás. Eu estava naquele clássico comportamento masculino, na caixa do nada, tentando encontrar programa no YouTube, e passava para lá e para cá, via um pedaço de uma notícia aqui, outro pedaço acolá, e ela, vendo o meu comportamento, me disse: "Bem, vamos ouvir outras coisas, que esse negócio aqui está fazendo mal para mim e para você", né? E ela estava com razão.
Estamos vivendo dias muito especiais, de muita expectativa, e precisamos entender isso à luz da palavra de Deus. Esse texto de Daniel 2.20, me chegou ao coração lá pela terça-feira e fez todo sentido ao meu coração, porque a Palavra de Deus diz: "É ele quem muda o tempo e as estações, é ele quem remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios, entendimento aos inteligentes; ele revela o profundo e o escondido, conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz."
Em que contexto foi escrito? Vamos tentar entender o que que está acontecendo aqui.
Imagine a cena: um rei soberbo, absolutamente arrogante, que acha que tem tudo e todos nas mãos, e suas conquistas pareciam lhe dar razão, porque ele vence todos os impérios ao redor, se tornando o maior imperador da época. Esse homem agora tem um sonho, ele é perturbado de madrugada com um sonho estranho. Ele vê uma imagem, e nessa estátua a figura humana, cuja cabeça é de ouro, o peito é de prata, o ventre e a barriga de bronze, as canelas e as pernas são de ferro e barro e os pés são de barro.
Poderia ser apenas um sonho, mas esse sonho fez muita diferença, porque ele ficou angustiado com isso. Chamou os seus sábios e adivinhos, e disse: "Eu quero que vocês interpretem o meu sonho". E eles pediram que o rei dissesse qual era o sonho, mas ele diz: "Nada disso! Vocês já estão me enrolando há muito tempo com esse negócio de interpretação; eu quero saber se essas interpretações são verdadeiras. Então é o seguinte: vocês vão ter que me dizer o que que eu sonhei e qual o significado do que sonhei". Imagine o caos!
Aí ele disse: "Olha, se vocês não fizerem isso, eu sei que vocês são charlatões, e vou mandar matar todos vocês".
Daniel já fazia parte desse grupo privilegiado e respeitado. Daniel foi um jovem trazido de Jerusalém no cativeiro babilônico. Foram levados para servir no palácio. Era assim que se fazia: a guerra era devastadora, arrebentava os símbolos, destruía a religião local e destruía a vida das pessoas. Daniel muito provavelmente ficou órfão ainda muito jovem nessa guerra e foi levado cativo. Era um menino brilhante, cabeça muito boa — como muitos adolescentes e jovens aqui da nossa igreja — e foi levado de repente, sem família, perdeu relação histórica com o templo, com a sua nação, com a sua língua, e até o nome.
Quando você analisa os nomes que lhes foram dados, quando chegaram na Babilônia, estes nomes tinham significados horríveis. Quando saíram de Israel, todos seus nomes terminavam com "El" de Elohim, e agora lhes são dados nomes relacionados aos deuses da Babilônia, os deuses plurais da Babilônia. Daniel passa a viver naquele local, aprendendo a língua dos caldeus, sua cultura, e ainda assim se revela um homem brilhante. Ele fazia parte dos sábios, adivinhos e conselheiros do rei. Devia estar com seus, talvez, 30 anos de idade.
Agora, todos estão ameaçados de morte. O rei dá a sentença: "Se vocês não me disserem o que eu sonhei e derem a interpretação, todos morrerão!". O que que Daniel faz? Convoca os seus amigos, homens tementes ao Deus verdadeiro, vão orar e pedir misericórdia ao Deus verdadeiro. E Deus revela para eles o que o rei sonhou e lhes dá a interpretação.
Daniel comparece diante do rei da Babilônia dizendo: "Olha, Deus me deu o sonho e a revelação, e eu posso dizer que nenhum homem é capaz de fazer isto, apenas Deus..." Você imagina a expectativa! Um trono imenso, súditos poderosos, todos atentos, o que que vai acontecer? E Daniel revela claramente o sonho e seu significado.
Ele diz: "O que você viu, foi uma grande imagem com cabeça de ouro, brilhante, maravilhoso. Peite de prata, ventre de bronze, mas tem uma coisa muito séria: as pernas são misturadas de barro e de ferro, e os pés são de barro".
Qualquer pessoa, mesmo sem ter experiência em construção, sabe que não dá para misturar ferro e barro. Não adianta dizer: "Acabou o cimento e o ferro então vou substituir por barro..." Não! Isto comprometerá toda estrutura. Pernas de ferro e barro são frágeis. Mas o pior é que o pé é de barro! Não vai resistir ao tempo, às intempéries, quando a chuva cair".
Então Daniel diz: "Esse reinado é o seu. Você é exatamente assim, a cabeça é de ouro, riqueza, glória. Mas vai cair tudo nos impérios que virão! Vai arrebentar tudo! Não tem chance alguma de ficar em pé".
Aí ele começa a falar dos reinos que virão. A descrição que ele faz dos reinos que virão é tão precisa, tão precisa na história — e se você quiser estudar isso aí, muitos comentários de Daniel ajudam a entender isso aí — tão precisa que alguns teólogos liberais chegaram a afirmar o seguinte: "Este texto não foi escrito por Daniel, mas trata-se de escritos posteriores...", porque é preciso demais!” Como se Deus não pudesse ser preciso naquilo que ele diz, e não conhecesse a história e o futuro da história, né? A interpretação do sonho é extremamente precisa, absolutamente preciso!
Vou descrever abaixo estes impérios, mas como isto torna o sermão um pouco extenso, você pode apenas dar uma olhada e seguir o sermão adiante.
Na interpretação tradicional da profecia de Daniel 2 a estátua representa quatro grandes impérios mundiais sucessivos, começando pelo próprio Império Babilônico e seguidos por mais três reinos históricos:
1. Império Babilônico (A Cabeça de Ouro)
- Período histórico aproximado: 605 a.C. – 539 a.C.
- O Rei: Nabucodonozor.
- Descrição no texto: O próprio Daniel identifica Nabucodonozor ao declarar: "Tu és a cabeça de ouro" (Dn 2.38). Representava a glória, a riqueza e a centralidade do império que dominava o mundo antigo naquele momento.
2. Império Medo-Persa (O Peito e os Braços de Prata)
- Período histórico aproximado: 539 a.C. – 331 a.C.
- Os Líderes Principais: Ciro, o Grande, e Dario.
- Descrição no texto: O reino que viria imediatamente após a Babilônia. Os dois braços de prata simbolizam a junção de dois povos (os medos e os persas). Embora inferior em riqueza e esplendor cultural em comparação à Babilônia (expressado pela prata em relação ao ouro), era territorialmente maior e militarmente poderoso.
3. Império Grego / Greco-Macedônio (O Ventre e as Coxas de Bronze)
- Período histórico aproximado: 331 a.C. – 168 a.C.
- O Líder Principal: Alexandre, o Grande.
- Descrição no texto: Sucedeu o Império Persa através das conquistas fulminantes de Alexandre. O bronze era a liga metálica por excelência das armaduras dos soldados gregos. O domínio de Alexandre estendeu-se sobre um território vastíssimo, dominando sobre toda a terra conhecida da época.
4. Império Romano (As Pernas de Ferro e os Pés de Ferro com Barro)
- Período histórico aproximado: 168 a.C. – 476 d.C. (Império do Ocidente) / 1453 d.C. (Império do Oriente).
- Descrição no texto:
- As Pernas de Ferro: Simbolizam a força militar esmagadora de Roma, que "esmiuçava e quebrava" todas as nações ao seu redor. Também refletem a posterior divisão histórica do império em dois blocos (Ocidente e Oriente).
- Os Pés de Ferro misturado com Barro: Representam a fase final e a fragmentação do poder imperial — uma mistura de força com fragilidade social e política, gerando divisões que não ganham coesão (não "dão liga"), prefigurando as nações modernas europeias e ocidentais emergentes da ruína de Roma.
O Quinto Reino (A Pedra Cortada sem Auxílio de Mãos)
O ápice da profecia revela que, durante a era desses reinos humanos, uma pedra é cortada da montanha sem intervenção humana, atinge a estátua em seus pés de barro e a reduz a pó.
Essa pedra representa a vinda e o Reino Messias (Jesus Cristo), um reino divino, eterno e inabalável que "consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre" (Dn 2.44).
Então, meus queridos irmãos, é isso que esse texto está falando. E eu acho que isso tem tudo a ver com a nossa realidade hoje, com o que a gente está vivendo. Como devemos lidar com essa questão das esperanças, das ilusões que a gente tem, dos sonhos que a gente tem, da expectativa que a gente tem, e dos medos?
Eu acho que esse texto aqui nos elucida várias coisas.
1. A primeira coisa que chama atenção é que, diante daquela situação, Daniel decide orar. E aqui eu acho que é o ponto de partida para nossa compreensão: Seja qual for a situação, precisamos orar...
Eu não sei se você crê em oração. Peter Wagner fala que algumas pessoas, quando oram, creem que Deus as ouve, mas outras pessoas, quando oram, realmente creem que Deus as ouve. Faz diferença!
Muitas vezes, a nossa oração é meramente institucional, faz parte da nossa tarefa diária. Até oramos, mas nossas orações são formais. A Palavra de Deus, entretanto, coloca a oração como uma das coisas mais poderosas que existem. E é interessante que às vezes quem entende isso não são os crentes, são os descrentes.
Por exemplo, Maria I de Inglaterra (1516–1558), historicamente conhecida como Maria, a Sanguinária (Bloody Mary), foi a Rainha da Inglaterra e da Irlanda de 1553 até sua morte em 1558. Ela pertencia à Dinastia Tudor, era filha do Rei Henrique VIII com sua primeira esposa, a rainha espanhola Catarina de Aragão. Sendo uma católica fervorosa, quando assumiu o trono em 1553, ela revogou as leis religiosas protestantes criadas por seu pai e irmão e reatou a união da Inglaterra com o Papa, reativou as leis contra a heresia e durante seu governo, cerca de 300 protestantes foram queimados vivos na fogueira por se recusarem a renunciar à sua fé — entre eles figuras proeminentes da Reforma, como Thomas Cranmer (Arcebispo de Canterbury), Hugh Latimer e Nicholas Ridley.
Opositora dos protestantes, surgiu na Escócia um pregador ardoroso, homem de muita oração chamado John Knox, que criou o presbiterianismo na Escócia, e ela disse o seguinte: "Eu temo mais as orações de John Knox do que os exércitos do mundo inteiro".
Às vezes, eu tenho a impressão de que pessoas que não são da igreja entendem melhor o poder da oração do que nós que somos a igreja. Daniel é um homem de oração, de temor ao Senhor. Ele vai orar, ele chama os amigos dele: "Vamos orar!"
Nós precisamos orar. Isso aqui não era mera formalidade, a vida deles estava em jogo, e eles oram. E eu diria para você: em época de eleição, ore! Ore, coloque isso nas mãos de Deus. Essa é uma coisa extremamente importante para as nossas vidas: precisamos orar. A oração como primeira resposta à crise.
2. Segunda coisa que nós vamos aprender nesse texto aqui é que Deus não perde o controle.
Olha aí no capítulo 2, versículo 20:
"Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes."
Ele está dizendo: "Olha, gente, Deus não perde o controle da história. É Deus quem muda reis e Deus quem estabelece reis. O presidente que virá, seja para a promoção do Brasil ou para a destruição do Brasil, é Deus quem está por detrás desse negócio".
E isso às vezes nos assusta muito, mas nós precisamos entender essa verdade: Deus está por detrás da história, nunca perdeu o controle da história, e esta é a grande mensagem desse texto. É um ancoradouro de paz para os servos de Deus. Ele não é pego de surpresa, Deus não reage a imprevistos e não depende de decisões humanas para cumprir seu propósito.
O rei Nabucodonosor acreditava que o mundo girava em torno do seu trono e das suas vontades. E está ali um rapazinho temente a Deus dizendo: "É Deus quem estabelece reis e remove reis, é ele quem dá glória e dá poder, tudo pertence a ele, ele quem é dono de todas as coisas".
Ele declara que Deus governa a cronologia. É ele quem muda tempos e estações. Deus muda a cronologia. A história não é um emaranhado de acidentes geopolíticos; é o desdobrar do calendário e da providência de Deus. É ele quem muda os tempos, é ele quem muda as estações.
Mas há uma outra frase que diz: Deus remove reis, estabelece reis, seja pela via do voto, da ascensão de império ou do seu declínio. Nenhum governante assume ou deixa o poder fora da permissão e do decreto soberano do Altíssimo.
Então, no dia da eleição, nós podemos oscilar entre dois extremos:
- A ilusão da euforia, achando que a vitória de um determinado candidato garantirá o futuro e salvará a nação;
- Ou o pânico do desespero, achando que o resultado das urnas pode destruir os planos de Deus.
Este texto corrige esses dois extremos. A igreja não precisa entrar em pânico! O resultado que sair das urnas hoje à noite não apanha os céus de surpresa. O Deus que governou durante o império babilônico, persa, grego, romano, continua governando até o dia de hoje.
E nós precisamos entender que a nossa esperança não é eleitoral, ela é escatológica; ela está colocada em Deus. O futuro da igreja e da sociedade não depende de quem ocupa a cadeira presidencial, mas daquele que já está sentado no trono soberano.
Saber que Deus está no controle não nos torna apáticos ou irresponsáveis, mas nos dá estabilidade emocional, porque nós temos consciência de que Deus está no controle. Isso guarda a nossa mente contra a ansiedade, contra a raiva, contra o medo do amanhã. Como resumiu o próprio Daniel: "Dele é a sabedoria e o poder, a ele pertence o domínio e a glória, de eternidade a eternidade". É nessa verdade que a igreja pode descansar a cabeça no travesseiro no domingo à noite: Deus muda os tempos e as estações, ele remove reis e estabelece reis.
3. Terceira coisa que esse texto vai nos dizer é que Deus é absolutamente soberano. Olha aí o que nos diz o versículo 20: "Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder".
Eu acho interessante porque Daniel está diante de Nabucodonosor, e ao iniciar suas sentenças ele diz: "Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder". Parece que há um certo desprezo na fala de Daniel em relação ao soberano Nabucodonosor — e de certa forma nós deveríamos também olhar essas coisas assim, com uma certa ironia: Deus está no governo!
Essa expressão "de eternidade a eternidade" é interessante, porque na linguagem humana nós costumamos medir as coisas pelo seu começo e pelo seu fim: a vida de uma pessoa, o mandato de um governante, a duração de um determinado império. Mas quando a Bíblia diz "de eternidade a eternidade", o texto bíblico está usando os dois extremos do tempo imaginável para declarar que Deus é Deus de eternidade a eternidade.
O que que significa isso? Antes do tempo existir já existia a eternidade. Gênesis, capítulo 1, versículo 1, começa dizendo que "no princípio criou Deus os céus e a terra". Bereshit, no hebraico, é uma ideia que dá a ideia do princípio antes do princípio do tempo. Antes do tempo... eu lembro que quando eu era adolescente, pré-adolescente, essas ideias de tempo e espaço vinham à minha cabeça e eu ficava tentando devagar nesse negócio, né? É um exercício filosófico complexo. O texto está dizendo: de eternidade, antes do tempo existir.
Essa mesma ideia é declarada no Evangelho de João: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus". A palavra no grego é “en arché”, isto é, o princípio antes do princípio. Isso é eternidade!
O texto diz: "de eternidade a eternidade". Portanto, depois que o tempo e a história humana terminarem, ele continuará existindo. A gente fala "eternidade futura", mas isto é um contrassenso, porque eternidade não tem presente, nem passado, nem futuro. É um fim sem término, é isso que a Bíblia está falando.
Essa mesma declaração vai surgir no Salmo 90.2: "Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus".
Deus está acima da própria dimensão do tempo, porque ele mesmo criou o tempo. O ser humano é prisioneiro do tempo: vivemos condicionados pelo passado, ansiosos pelo futuro e limitados no momento presente. Mas Deus é o criador do tempo; para ele, o passado, o presente e o futuro estão simultaneamente diante do seu trono.
Quando Daniel diz que Deus muda os tempos e as estações, é porque ele não é governado pelo tempo, mas ele governa sobre o tempo. A Babilônia parecia imbatível, invencível; Nabucodonosor, um homem brilhante, um estrategista de guerra, tinha todo mundo nas mãos dele. E agora vem um jovem judeu, cheio do Espírito de Deus, para dizer, que apenas Deus perdura de eternidade a eternidade! Transcende a tudo, governa sobre tudo, remove reis, estabelece reis, e muda as estações.
O que que está dizendo com isso? É que o caráter de Deus não se deteriora com o passar dos séculos. Os propósitos, a sua fidelidade não sofre prazos de validade. O seu reino não depende das flutuações das estações, nem das crises políticas de cada época. Os governos humanos são contados em anos de mandato, os impérios são medidos em séculos, as nossas vidas são contadas em décadas; mas o Deus a quem servimos e em quem confiamos habita de eternidade a eternidade. Ele governa absolutamente todas as coisas.
4. Quarta lição: poder e sabedoria não pertencem aos governantes, pertencem a Deus.
Isso é dito aqui de uma forma muito clara no versículo 20 e 21: "Ele quem remove reis, estabelece reis, ele dá sabedoria aos sábios, entendimento aos inteligentes".
Eu queria dar uma ênfase aqui numa frase: "Porque dele é a sabedoria e o poder". A palavra "poder" aqui para mim deve, acho que ela deve ser sublinhada na sua Bíblia. A palavra poder tem que vir como destaque, porque nós temos a tentação de atribuir aos governantes e aos sistemas públicos um poder que eles não têm.
Daniel declara que a sabedoria e o poder são atributos de Deus. Nenhum presidente, partido ou ideologia salva a nação ou substitui o reino de Deus. Nossa confiança primária não está nos palácios da capital, mas no trono de Deus; é que se encontra o poder.
Quando João está exilado na ilha de Patmos, no capítulo 4 de Apocalipse, sofrendo ali debaixo da perseguição de outro governador, Domiciano, ele começa a ter as visões, e a primeira visão que diz: "Eu vi no céu um trono, e alguém está sentado no trono". Tem governo nessa história! Tem governo sobre o universo!
Quinto ponto: o que que isso vai gerar no coração de Daniel?
Daniel termina com uma doxologia — que a gente chama de um hino ou de um cântico de louvor. Uma das músicas que cantamos hoje dizia, o "Rei Vem!” Lembrar que nós somos do Senhor, e que o governo está nas mãos dele, é algo maravilhoso. Isto deve gerar louvor em nosso coração.
Mas olha o que ele fala aí: ele está falando pro rei, e agora ele vira para Deus, na frente do rei: "A ti, ó Deus de meus pais, eu te rendo graças e te louvo..." (Dn 2.23)
Gente, o que ele está fazendo é absolutamente insano, porque ele não diz: "A ti, Marduque..." , que era considerada pelos babilônicos sua maior entidade, mas ele está dizendo: "A ti, ó Deus de meus pais.” Ele se lembra do Deus de Israel, o Deus Criador, que sustenta todas as coisas, e que fez uma aliança com Israel. Ele se esquece que está diante do rei e se dirige a Deus exaltando o seu Deus: "Eu te rendo graças e te louvo, porque me deste sabedoria e poder, e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este caso do rei".
É como se Daniel tivesse sido tomado por uma experiência de êxtase na frente do rei: "Eu te louvo, Deus, porque Nabucodonosor não tem nem controle sequer sobre seus próprios pensamentos, nem sobre seus sonhos. É Deus quem governa seu sono. Daniel está dizendo: Deus, eu quero te louvar por isso, eu quero te dar graças por isso".
Os textos dos versículos 20 a 23 são uma resposta imediata de Daniel assim que a visão noturna lhe foi revelada. Ele não correu imediatamente ao rei para salvar sua pele; ele parou primeiro para adorar e dar graças a Deus!
Quando Daniel diz que Deus remove reis e estabelece reis, ele vê que o próprio império do temível rei da Babilônia era apenas uma cabeça de ouro, uma estátua que tinha pés de barro, que um dia ia ruir. Nosso descanso, portanto, não está na estabilidade das urnas, mas no Deus que revela mistérios e governa os reis. Por isso, nós precisamos louvá-lo hoje! Você precisa louvar a Deus: "Ó Deus querido, eu te louvo, te dou graças, Senhor, ó Deus de meus pais, porque o Senhor me deu sabedoria e poder, o Senhor revela o escondido". Isso é fantástico, meus queridos irmãos!
Conclusao:
Deixe-me dar algumas aplicações práticas:
Primeiro: Nossa resposta precisa ser de louvor e gratidão, independentemente do resultado. Descanso e alegria em Deus, é aqui que está o nosso coração. Os homens passam, situações jurídicas e políticas se alternam, mas o nosso Deus permanece para sempre. Nabucodonosor não é imbatível; ele tem pés de barro, vai ruir, as suas pernas são de ferro e barro, uma mistura que não se junta.
Daniel deixa claro o significado do sonho:
³⁶ Este é o sonho; e também a sua interpretação diremos ao rei. Tu, ó rei, rei de reis, a quem o Deus do céu conferiu o reino, o poder, a força e a glória; a cujas mãos foram entregues os filhos dos homens, onde quer que eles habitem, e os animais do campo e as aves do céu, para que dominasses sobre todos eles, tu és a cabeça de ouro. Depois de ti, se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual terá domínio sobre toda a terra. O quarto reino será forte como ferro; pois o ferro a tudo quebra e esmiúça; como o ferro quebra todas as coisas, assim ele fará em pedaços e esmiuçará. Quanto ao que viste dos pés e dos artelhos, em parte, de barro de oleiro e, em parte, de ferro, será esse um reino dividido; contudo, haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo. Como os artelhos dos pés eram, em parte, de ferro e, em parte, de barro, assim, por uma parte, o reino será forte e, por outra, será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro.” (Dn 2.36-43) ARA Uma grande pedra vai rolar e vai desmoronar os impérios que virão.
Segunda coisa: Não apenas dar graças e louvá-lo, o nosso foco é Deus, não os homens, mas: vote com consciência, exerça sua cidadania com responsabilidade. Mas, ao deitar a cabeça no travesseiro hoje à noite, descanse na certeza de que Deus continua no controle do Brasil e do mundo!
Vote com consciência em épocas de tanta abstenção e de tantos votos nulos e brancos. Vote consciente, isso é extremamente importante. Quanto mais pessoas votarem nulo e branco, mais valerá seu voto, então vote consciente. Precisamos fazer isso aí sem nenhum problema. A nossa consciência tem que reger a gente. A Confissão de Fé de Westminster diz que a consciência do homem é intocável.
Terceira coisa: Trate com respeito o direito da outra pessoa de pensar diferente.
Isso é uma palavra muito importante para a nossa comunidade e para as famílias em épocas de polarização. Estou assustado com essa tolice de gente que não consegue dialogar por causa duma ideologia polarizada! Não faz sentido perder a relação com aqueles que amamos, porque pensamos de forma diferente. Isto é tolice no mais alto grau!
Eu sei que há muitas pessoas polarizadas nesse nível, mas que você não seja uma delas. "Acolhei o que é débil na fé, não para discutir opiniões... um crê que de tudo pode comer, o fraco come legumes." (Rm 14.1) Respeite, acolha o irmão que pensa diferente.
Gosto muito de uma frase do Iluminismo que diz o seguinte: "Posso não concordar com a sua ideia, mas defendo até o último instante o direito de você pensar". Vamos pensar diferente, mas sem estigmatizar, sem excluir ou cancelar porque alguém pensa de forma diferente. Isso é tolice, tal atitude que vai ferir a comunidade, a igreja, dividir a família, algo extremamente grave aos olhos de Deus.
O Reino Inabalável (Daniel 2.44)
Precisamos ainda caminhar um pouco mais no texto: "Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído. Esse reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre." (Dn 2.44)
Quando tudo parece que está encerrado, Daniel já disse tudo o que ia acontecer, e então, no versículo 44 ele afirma que outro rei virá! Esta é uma profecia messiânica! Ele está falando de um rei, que virá!
Esse rei vai esmiuçar todos os outros, toda a vaidade e orgulho dos poderosos, daqueles que se acham imbatíveis, mas cujos pés são de barro. Deus vai suscitar um trono novo, e esse trono vai durar para sempre! Esse reino não terá fim, ele governará para sempre.
Ele está se referindo ao trono de Cristo Jesus, da vinda do Messias, daquele que é, que era e que há de ser, o Deus de eternidade a eternidade, o Logos de Deus que existia antes do tempo. Ele está falando do Messias, e esse Messias veio, ele se manifestou na história dos homens! Louvado seja o nome do Senhor.
Ilustração Final: "I am the boss here"
Eu queria concluir com a experiência pessoal que eu tive alguns anos atrás. Eu era pastor na Christ The King church em Cambridge-MA, uma cidade vizinha de Boston.
Um dia, na época do verão, calor forte e quando os dias se prolongam até às 9 horas da noite, terminamos o culto vespertino, o coral tinha cantado, e aí veio uma ideia sairmos cantando na rua até a Central Square", uma praça que ficava cerca de 100 metros da igreja. Assim saímos caminhando e cantando pela rua".
O coral tinha ensaiado alguns hinos em inglês, e saímos cantando e algumas pessoas americanas vieram atrás, alguns sabiam cantar os hinos e fomos cantando na rua. Na verdade, precisaríamos pedir uma licença à prefeitura pra gente poder fazer isso, mas estávamos assim, meio inspirados, e resolvemos cantar na rua. A ideia era caminhar cantando, cantar dois hinos e voltar cantando, se a polícia chegasse nós já estaríamos indo embora...
E isso aconteceu. Chegamos ali, o coral parou na praça, algumas pessoas pararam para ouvir. E, de repente, vejo que uma pessoa muito estranha sai de uma distância de 40 metros, cabelo desgrenhado, vindo na minha direção. O olhar dele estava fixo em mim, ele não tirava os olhos de mim. E comecei a ficar cismado, não tirava os olhos dele e sabia que ele estava vindo para se encontrar comigo. Eu fiquei em pé, atento olhando para ele. Ele chegou a uns 40 centímetros, com bafo de bebida alcoólica, olhou para mim, olhos bem fixos nos meus olhos, e disse: "I am the boss here" ("Eu sou o chefe aqui").
Eu olhei para ele e pensei naquela hora: A new boss is coming ("Um novo chefe está chegando!").
Este é o centro desta mensagem de Daniel. Nabucodonozor tinha todo poder, cabeça de ouro, mas os reinos passariam, porque seus pés não têm consistência nenhuma, não se sustentam são de barro!
Que Deus nos ajude!
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