²⁶ Jeroboão, filho de Nebate, efraimita de Zereda, servo de Salomão, e cuja mãe era mulher viúva, por nome Zerua, levantou a mão contra o rei. ²⁷ Esta foi a causa por que levantou a mão contra o rei: Salomão estava edificando a Milo e terraplenando depressões da Cidade de Davi, seu pai. ²⁸ Ora, vendo Salomão que Jeroboão era homem valente e capaz, moço laborioso, ele o pôs sobre todo o trabalho forçado da casa de José. ²⁹ Sucedeu, nesse tempo, que, saindo Jeroboão de Jerusalém, o encontrou o profeta Aías, o silonita, no caminho; este se tinha vestido de uma capa nova, e estavam sós os dois no campo. ³⁰ Aías pegou na capa nova que tinha sobre si, rasgou-a em doze pedaços ³¹ e disse a Jeroboão: Toma dez pedaços, porque assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei dez tribos. ³² Porém ele terá uma tribo, por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, a cidade que escolhi de todas as tribos de Israel. ³³ Porque Salomão me deixou e se encurvou a Astarote, deusa dos sidônios, a Quemos, deus de Moabe, e a Milcom, deus dos filhos de Amom; e não andou nos meus caminhos para fazer o que é reto perante mim, a saber, os meus estatutos e os meus juízos, como fez Davi, seu pai. ³⁴ Porém não tomarei da sua mão o reino todo; pelo contrário, fá-lo-ei príncipe todos os dias da sua vida, por amor de Davi, meu servo, a quem elegi, porque guardou os meus mandamentos e os meus estatutos. ³⁵ Mas da mão de seu filho tomarei o reino, a saber, as dez tribos, e tas darei a ti. ³⁶ E a seu filho darei uma tribo; para que Davi, meu servo, tenha sempre uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, a cidade que escolhi para pôr ali o meu nome.
No vs 33 deste texto há uma expressão assustadora de Deus sobre seu servo: “Porque Salomão me deixou e se encurvou a Astarote.” (ARA). Outra tradução diz: “Porque Salomão me abandonou e se inclinou diante de Astarote.”(NAA)
Você já se sentiu abandonado por alguém? Ou desprezado?
Em 1994 fomos convidados pela Mission to The North America para plantarmos uma igreja entre os povos de língua portuguesa em New Jersey. Ali acompanhamos a delicada história de uma jovem que, depois de quase 20 anos, foi reencontrar-se com sua mãe nos EUA. Ela tinha apenas 4 anos de idade e morava no interior de Minas Gerais quando sua mãe resolveu sair do Brasil, e se despediu dela dizendo que iria ao supermercado, e não voltou mais para casa. Este abandono gerou grandes crises e depressões em sua vida, e agora, mãe e filha estavam tentando reconstruir este longo tempo de ausência, e procurando restaurar as sequelas deste abandono e da narrativa mentirosa que sua mãe havia contado antes de desaparecer.
Neste texto vemos um lamento de Deus em relação a Salomão. Ele havia sido deixado por quem havia dado tanta honra, sabedoria, poder e riqueza.
Uma pergunta que vem à mente é a seguinte: O que aconteceu? Ao declarar "Salomão me deixou" (1 Rs 11.33), o sentimento de Deus não é apenas o de um juiz proferindo uma sentença, mas o de um pai cujo coração foi partido. Deus não é alguém distante. Por isto muitas vezes vemos textos bíblicos falando de Deus antropaticamente, isto é, atribuindo-lhe sentimentos humanos.
Deus não trata o desvio de Salomão como uma simples violação de regras, mas como uma traição de afetos, uma dor profunda de traição. Salomão foi um homem a quem Deus apareceu duas vezes (1 Reis 3 e 9), a quem Deus deu sabedoria e riquezas. Deus sente a dor de um Pai que investiu tudo na vida de um filho, apenas para ver esse filho preferir a companhia de "deuses estrangeiros" (ídolos).
Há um sentimento quase de "incredulidade divina" nas Escrituras sobre a atitude de Salomão em ser trocado por alguém tão intimo pelos ídolos pagãos. Quando Deus diz "Salomão me abandonou", há um tom de desabafo sobre a insensatez humana. Como pode alguém que viu a glória de Deus de perto escolher o "vazio" (os deuses que não podem falar, ver ou ouvir)? Deus diz que Salomão o deixou e se encurvou a Astarote e Milcom. O sentimento de Deus é de ver seu servo, a quem Ele amou, sendo escravizado por entidades que exigiam sacrifícios — inclusive de crianças (como no caso de Moloque/Milcom). O "abandono" de Salomão não é apenas um afastamento de Deus, é o ato de entregar -se nas mãos do destruidor. A decisão de Salomão não terminaria nele; ela rasgaria o reino ao meio e causaria sofrimento a gerações. É a dor de ver a unidade que Ele proporcionou ser desfeita pela vaidade de um homem.
Esta afirmação divina aponta para a dor de um Pai que vê o filho caminhar para a própria ruína, não porque Deus não fosse suficiente, mas porque Salomão o trocou por outros deuses. O foco do texto está no "coração de Deus". O caso de Salomão é um "estudo de caso" bíblico sobre como a sabedoria intelectual não é, por si só, uma blindagem contra a decadência moral. O conhecimento de Deus e da verdade não nos isenta de tolices.
Os Motivos: Por que Salomão abandonou o Senhor?
Quais foram os “motivos” de Salomão "abandonar" a Deus? A Bíblia aponta para o fato de que sua apostasia não foi súbita, mas uma erosão gradual. Salomão "deixou" a Deus por uma série de atitudes:
a. Ele substituiu a dependência pela autossuficiência: Salomão tinha tanta sabedoria, riqueza e poder que parou de consultar a Deus. O seu sucesso tornou-se o seu próprio deus.
b. Ele substituiu a obediência pelos compromissos políticos: O texto diz que ele se uniu a mulheres estrangeiras. Politicamente, eram "alianças estratégicas" para consolidar o reino. Espiritualmente, foi a capitulação aos ídolos dessas culturas. Ele priorizou a paz diplomática sobre a fidelidade teológica.
c. Substituiu santidade por luxúria – 1 Rs 11.3 Ele se cercou de “muitas mulheres e concubinas”. Seu harém tinha 1.000 mulheres. Parece que ter este número redondo de mulheres demonstra seu desejo de conquistar e demonstrar poder. Salomão tornou-se leviano, fútil, vazio. Ele esvaziou o respeito pela mulher e pela dignidade.
d. Ele substituiu a obediência pelo conforto: Ele queria desfrutar dos frutos da paz e do luxo que construiu. Riqueza e ostentação. Escudos dos soldados folheados a ouro. Pesado, antiprático... Quando o conforto se torna o objetivo da vida, a fidelidade a Deus torna-se um incômodo.
O Processo: Como ele "deixou" Deus?
Salomão não acordou um dia e declarou: "Não acredito mais". Como sempre acontece, nossa apostasia surge porque a fé se torna diluída. Em geral por duas razões:
- Sincretismo: Ele não abandonou o Templo de Jerusalém, mas acrescentou outros altares ao lado. A forma mais comum de "deixar a Deus" não é o ateísmo, é o cristianismo misturado: Sastanás não pede exclusividade, quem faz isto é Deus. Deus é adorado no domingo, mas outros "deuses" (dinheiro, status, ideologia, conforto pessoal) comandam as decisões durante a semana. Ele continuou sendo um rei religioso. O problema foi que ele permitiu que "outros altares" coexistissem com o altar do Senhor.
- O coração gradualmente se inclinou: O texto diz que as suas mulheres "lhe perverteram o coração" (v. 4). A influência do ambiente (a cultura ao redor) foi mais forte do que sua frágil força de vontade.
3. As Consequências: O Impacto para sua vida e para o povo de Israel
- A Divisão do Reino: A desobediência de Salomão gerou a fragmentação de Israel. O pecado do líder nunca é privado; ele sempre tem um efeito cascata sobre o corpo.
Quando Roboão, filho de Salomão, assumiu o trono, viu Israel sendo fragmentado por uma rebelião conduzida por Jeroboão, opositor de Salomao, tentou reunir o exército de Judá e Benjamim para lutar contra as dez tribos de Israel (que haviam se rebelado) e reconquistar o reino, mas Deus interveio através do profeta Semaías, de uma forma clara. O relato encontra-se em 1 Reis 12.21-24 (2 Cr 11.1-4): "Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra os vossos irmãos, os filhos de Israel; voltai cada um para a sua casa, porque de mim proveio isto."
Pelo fato de Salomão ter abandonado a Deus, isto trouxe juízo sobre Israel. A idolatria de Salomão trouxe graves consequências sobre as próximas gerações. Nossos pecados possuem uma dimensão corporativa e sistêmica, e não apenas individual. A atingem e trazem dores a outras pessoas.
- A Perda da Alegria (Eclesiastes): A ironia trágica é que o homem que tinha tudo, ao abandonar a fonte da vida, terminou seu livro de Eclesiastes descrevendo a vida como "vaidade" (vazio). O afastamento de Deus gera um vazio existencial que nenhuma posse consegue preencher.
Em hebraico, a palavra hebhel que é traduzida por vaidade, seria literalmente melhor traduzida por "vapor", "sopro", "algo passageiro e sem substância e falta de sentido. Em filosofia o termo exato é nihilismo. Ausência de propósito, sentido, significado. Talvez um dos maiores desafios do homem do mundo moderno. Por que nascemos, por que vivemos e para onde vamos? Sem Deus, estas perguntas ficam sem respostas. Seu pecado trouxe tristeza e vazio à sua velhice. Isto pode ser percebido na sua "autobiografia espiritual" no Livro de Eclesiastes. Enquanto em 1 Reis vemos a crônica histórica do seu declínio, em Eclesiastes vemos o relato emocional e existencial desse mesmo declínio. O vazio que ele descreve na velhice é a prova de que o coração humano, criado para o Infinito, não consegue se satisfazer com a finitude dos ídolos. O pecado de Salomão fragmentou sua alma, Deixar o Senhor produziu um deserto interior, mesmo vivendo no palácio mais luxuoso do mundo. Sua tristeza é a tristeza de quem "ganhou o mundo e perdeu a alma". Ele experimentou tudo o que a cultura pagã da época podia oferecer através das suas alianças, e o resultado foi o cinismo, a dúvida e uma profunda desilusão.
Podemos agir como Salomão?
Naturalmente a vida de Salomão é uma advertência clara para nós. Ninguém está isento de se tornar uma pessoa vazia e se afastar de Deus. A Bíblia afirma que ele “abandonou o Senhor”. Deus não fazia mais parte de sua agenda, de sua vida. Salomão tinha deixado de crer? Não! Ele não era um ateu. Pelo contrário, ele cria em muitas coisas. Até ampliou seu panteão de deuses. O problema é que ele perdeu sua identidade relacional com Deus.
Em geral, isto acontece dentro de um diagnóstico. Ao examinarmos a vida de Salomão veremos como isto está claro.
- Quando achamos que sabemos o suficiente e já não dependemos de Deus: Salomão se tornou sábio e sua fama saiu dos domínios de Israel chegando até a África. A rainha de Sabá, provavelmente viesse do Iemen do Sul, que era uma nação muito prospera naqueles dias.
A sabedoria humana, sem a rendição a Deus, é apenas um pedestal para o nosso próprio ego. Quanto mais o homem confia no que sabe, menos ele sente a necessidade de consultar Aquele que tudo criou. Precisamos ficar atentos, porque o conhecimento que não nos conduz à adoração está nos conduzindo ao desvio. O perigo da sabedoria não está no saber, mas no orgulho de achar que não precisamos aprender mais nada com o Senhor. Quem confia na sua própria inteligência está construindo sua casa sobre a areia da sua própria vaidade.
Salomão não perdeu o conhecimento, ele perdeu a reverência. Seu sucesso intelectual se tornou um obstáculo para sua intimidade com Deus. A inteligência é um presente de Deus, mas quando a transformamos em autossuficiência torna-se um pecado contra o Doador. Podemos ser tecnicamente eficientes e, ainda assim, espiritualmente distantes. Precisamos ficar atentos para que nossa sabedoria nunca substitua a necessidade de dobrar os joelhos. Precisamos buscar não a sabedoria que nos leva à autossuficiência, mas a 'Sabedoria de Deus', que se revela na cruz: no serviço humilde, no cuidado mútuo e na disposição de sermos enviados para onde Ele quiser.
- Quando fazemos "alianças" com o mundo: Quando adotamos os valores do mundo (ganância, egoísmo, pressa) para alcançar objetivos que achamos que são "para a glória de Deus".
As alianças são a forma como nos conectamos ao mundo ao nosso redor. No entanto, Salomão nos ensina uma lição dolorosa: nem toda aliança que traz "progresso" ou "paz" é abençoada por Deus. O perigo das alianças que comprometem nossa intimidade com o Senhor reside no fato de que elas raramente começam como uma ruptura explícita. Elas começam como conveniência.
Salomão fez alianças com nações estrangeiras (1 Rs 11.1-2). Ele provavelmente as justificou como necessárias para a estabilidade do reino, para o comércio e para evitar guerras. O problema é que ele justificava suas alianças baseado na "lógica do sucesso" em vez da "lógica da obediência".
Quantas vezes fazemos alianças com ideologias, padrões de mercado ou práticas mundanas, sacrificando o caráter e a integridade moral, nos afastando de Deus. O problema de Salomão não foi apenas o ato de casar com mulheres estrangeiras, mas o processo de contaminação que veio depois. O ambiente que Salomão trouxe para dentro de casa acabou moldando o coração dele.
Assim como Salomão, podemos erroneamente acreditar que somos fortes o suficiente para nos envolvermos com projetos e pessoas que são contrárias a Deus sem sermos contaminados. É fundamental perguntar com quem estamos nos "aliando" em nossas parcerias, amizades e projetos, e qual é o preço que tais parcerias exigem de nós?
O coração de Salomão se tornou dividido. A intimidade com Deus exige exclusividade. É possível honrar a Deus no domingo, mas ainda assim prestar culto aos deuses da produtividade, da imagem pessoal ou da segurança financeira durante a semana, criando aliança corrompidas e comprometedoras. Não subestime a capacidade do ambiente de moldar o seu coração. Salomão não mudou os ídolos; os ídolos mudaram Salomão. A intimidade com Deus não se perde por um grande salto de apostasia, mas por passos pequenos de compromisso com o que Ele chamou de abominação. Cuidado com alianças que exigem que você silencie a sua consciência para manter o status ou o conforto.
- Quando nos tornamos tolerantes com os ídolos.
Salomão se tornou tolerante. Sua esposa do Egito queria um Deus pagão, ele construía. Sua esposa moabita queria um Deus pagão, ele construía um templo. Até mesmo para o abominável Moloque, que exigia sacrifícios de crianças. Fica uma pergunta no ar. Será que Salomão permitiu que algum de seus filhos fosse queimado vivo a estes deuses pagãos? Se não, porque ele permitiu este culto abominável em Israel?
Essa é uma observação que aponta para o terrível declínio de Salomão. Diferente dos reis que, num momento de rebeldia, destruíram o templo de Deus, Salomão fez algo, em certo sentido, mais insidioso: ele institucionalizou a coexistência do Deus verdadeiro, o Deus de Israel, o Todo-Poderoso, El-Shaddai, com os deuses advindos do paganismo. Salomão não proibiu o culto a Deus, mas permitiu que outros templos e altares fossem erguidos em Jerusalém. Ele tinha tanto desejo de "diplomacia" que a verdade absoluta de Deus deixou de ser o seu critério de realidade. Salomão achou que podia gerenciar o sagrado e o profano no mesmo reino.
Quando a igreja se torna "tolerante" com valores que negam a Cristo, ela não está sendo "amorosa" ou "inclusiva"; ela está apenas perdendo sua identidade. A verdadeira igreja é exclusiva na sua adoração (não no seu ódio pelas pessoas, mas na sua fidelidade ao Senhor). Muitas vezes queremos ser tolerantes, para não criar divisões, para agradar a opinião pública ou para manter o clima de "boa vizinhança". Mas, ao fazer isso, estamos, na prática, construindo altares para Astarote e Moloque no quintal da nossa casa espiritual.
Conclusão: O processo da erosão
O texto de 1 Reis 11.4 diz: "quando Salomão já era velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses". A tolerância começou com um gesto de cortesia (respeitar as crenças das esposas) e terminou com a perversão do coração. Ele não percebeu que, ao tolerar o erro, ele estava, pouco a pouco, sendo moldado por ele.
É por isso que Deus se sente "abandonado" por Salomão. Sua tolerância com o erro foi, na verdade, uma forma de desprezo pela exclusividade do amor de Deus. Não podemos edificar o Templo de Deus com uma mão e construir altares para ídolos com a outra. A sabedoria de Salomão falhou quando ele deixou de distinguir entre amar as pessoas e tolerar os ídolos que elas traziam. Deus não pede que a igreja seja isolada, mas pede que a igreja seja exclusiva na sua fidelidade.
Salomão permitiu altares estrangeiros. O que estamos permitindo entrar em nossa casa ou mente que, embora pareça inofensivo hoje, está desviando nosso coração de Deus?
Aplicações
1. Você tem feito parcerias e alianças que comprometem seu caráter e sua integridade e tem desonrado a Deus?
2. Como está sua intimidade com Deus? Você tem andado com Deus ou tem abandonado a Deus?
3. Considere o risco de abandonar a Deus. Ele é duplo: (a)- Vazio de coração, falta de sentido, nihilismo e (b)- Impacto direto sobre aqueles que virão depois de você. Roboão, o filho de Salomão teve que lidar de forma direta com os resultados do pecado de seu pai. A divisão entre dois reinos: Do Sul (Judá e Benjamin), e das outras 10 tribos nunca mais foi reparada. O seu pecado tem efeito sistêmico e comunitário.
4. Olhe para a cruz. Uma das coisas maravilhosas do evangelho é que sempre há lugar para arrependimento, confissão e retorno. A cruz de Cristo revela um Deus de amor. Que anseia por um retorno dos filhos desgarrados.
A nossa maior dificuldade ao tentar voltar é o peso da culpa e a sensação de que "já erramos demais". O Evangelho nos lembra que quando voltamos, não voltamos baseados em nossas promessas de "agora eu vou ser melhor", mas na perfeição de Cristo que é creditada a nós. Seu retorno triunfante que garante o nosso caminho de volta. O Evangelho não apenas perdoa o fato de termos deixado a Deus; ele nos dá o poder para derrubar os altares que construímos.
A tolerância de Salomão com os ídolos foi vencida pela inércia. O Evangelho, porém, é uma força ativa. O Espírito Santo, que habita em nós, não é apenas um guia, mas o destruidor de ídolos em nosso coração. Voltar para Deus significa permitir que a Graça nos desintoxique das alianças erradas que fizemos. É um processo de "desconstrução" dos altares que levantamos em nossa rotina.
Através de Jesus voltamos para uma religião ou uma lista de regras. Voltamos para uma Pessoa. O Evangelho restaura a intimidade. A nossa sensibilidade espiritual volta a vibrar com a presença de Deus. Não precisamos viver no vazio. Não precisamos continuar tentando preencher o lugar de Deus com as nossas próprias estratégias. O Evangelho nos convida a abandonar os nossos altares e a nos lançarmos novamente na única Aliança que sustenta a eternidade: aquela selada pelo sangue de Jesus.
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