“ Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo:2 Dá ordem aos filhos de Israel, e dize-lhes: Da minha oferta, do meu alimento para as minhas ofertas queimadas, do meu cheiro suave, tereis cuidado, para me oferecê-las ao seu tempo determinado.3 E dir-lhes-ás: Esta é a oferta queimada que oferecereis ao Senhor: dois cordeiros de um ano, sem defeito, cada dia, em contínuo holocausto;4 Um cordeiro sacrificarás pela manhã, e o outro cordeiro sacrificarás à tarde;5 E a décima parte de um efa de flor de farinha em oferta de alimentos, misturada com a quarta parte de um him de azeite batido.6 Este é o holocausto contínuo, instituído no monte Sinai, em cheiro suave, oferta queimada ao Senhor.7 E a sua libação será a quarta parte de um him para um cordeiro; no santuário, oferecerás a libação de bebida forte ao Senhor.8 E o outro cordeiro sacrificarás à tarde, como a oferta de alimentos da manhã, e como a sua libação o oferecerás em oferta queimada de cheiro suave ao Senhor.9 Porém, no dia de sábado, oferecerás dois cordeiros de um ano, sem defeito, e duas décimas de flor de farinha, misturada com azeite, em oferta de alimentos, com a sua libação.10 Holocausto é de cada sábado, além do holocausto contínuo, e a sua libação.
Essa é a palavra de Deus! Se você fechou a Bíblia e quiser mantê-la aberta, ou se está usando no seu celular ou acompanhando a projeção é importante ir acompanhando a explicação deste texto, pois queremos estudar a Bíblia.
Muitas pessoas têm dificuldade de ler o antigo testamento. Eu diria que muita gente mesmo. Algumas pessoas se sentem desestimuladas, quando lêem um texto como esse que eu acabei de ler, e começam a perguntar: “O que é que isso quer dizer?” Olhamos o texto, os preceitos, as leis sendo dadas, os mandamentos de Deus e perguntamos: “O que que isso tem a ver com a minha vida. Por que que eu realmente preciso ler o Antigo Testamento?” Parece tão confuso, difícil, ler o livro de Levítico, pois o próprio nome já diz, Leis, não é? Deuteronômio é a repetição do “nomos”, a repetição da lei. E o livro de Números? O livro de Números é sobre números. Vai falar de genealogia, com nomes complicados, descrevendo um que teve tantos filhos, que viveu tanto tempo, morreu, e você começa a perguntar: “Por que eu realmente preciso ler a Bíblia?” Alguns que vão além.
Recentemente estava ouvindo um pastor liberal e ele dizia, “Hoje eu não valorizo mais o Antigo Testamento. Para mim, nem as palavras de Paulo, nem o Antigo Testamento dizem muita coisa. Só as palavras de Jesus.” Isto pode parecer até muito espiritual, mas não é. Afinal, toda a Bíblia é inspirada por Deus, e não apenas alguns textos que apreciamos. Quando o intérprete erroneamente acredita que é ele quem define o texto inspirado alguma coisa vai muito errado com seu coração. Não somos nós quem definimos o que é canônico e não canônico. Cremos que a Bíblia, a Bíblia toda é inerrante, infalível, e “a única regra de fé e prática.”
O Livro de Hebreus vai nos ajudar a entender o proposito dos escritos do Antigo Testamento. “Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores.” (Hb 9.23) O Antigo Testamento está repleto de figuras e ilustrações.
Em outro texto afirma:
“Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem.” (Hb 10.1) Isto nos ensina que os sacrifícios antigos eram humanos e transitórios. A expiação feita por Cristo é divina e permanente. A palavra “sombra” vem do grego “tipos.”
O texto do Antigo Testamento tem tipologia do Novo. É uma projeção de uma realidade, é sombra, ou seja, aponta para algo, mas não é a realidade em si. Quando você vê uma sombra, você entende mais ou menos o formato daquela sombra pra onde tá apontando, o que que é aquilo que ela projeta, mas a sombra não é realidade. A sombra está apenas dando uma silhueta. Então, quando você lê o Antigo de Testamento, você precisa entender que a lei tem sombras, a lei contém figuras, foi a forma como Deus foi preparando um povo, que é o povo de Israel, para entender a mensagem final que viria na revelação do seu filho amado Jesus. Lamentavelmente o povo judeu não entendeu. A Bíblia diz que Jesus “veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam”. (Jo 1.14) Eles não conseguiram entender muito bem a questão do sacrifício de Cristo. É surpreendente pensar que o povo que podia entender a obra de Cristo e seu sacrifício de Cristo na cruz era o povo judeu. Mas eles não apenas não entenderam, como o rejeitaram.
No Antigo Testamento, o tempo inteiro, Deus está ensinando o povo a importância de algumas coisas relacionadas ao seu filho amado. Portanto, o Antigo Testamento, toda lei, todos os sacrifícios, todos os holocaustos, tudo aponta para Jesus e seus ofícios: Profeta, sacerdote e rei. Jesus é o supremo sacerdote. O Antigo Testamento aponta para Cristo como figura.
Quando lemos o Antigo Testamento, podemos começar a perguntar: O que isso tem a ver com o Novo Testamento? Ou melhor ainda, o que é que isso tem a ver com a minha espiritualidade hoje? Como é que eu devo desenvolver a minha espiritualidade? Estes textos nos ensinam alguma coisa?
Quando fazemos tais perguntas, essas figuras do Antigo Testamento, trazem luz à compreensão da revelação divina, e entendemos que a mesma coisa que Deus pede no Antigo, ele pede no Novo Testamento. O tempo todo Ele está dizendo: “Sede santos porque eu sou santo.” “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus”. Ele está dizendo a mesma coisa no Antigo e no Novo Testamento. Então vamos aprendendo à medida em que lemos a Bíblia, vamos aprendendo a como viver, e como devemos nos comportar espiritualmente. Os princípios da misericórdia, de justiça e da fé estão presentes no Antigo Testamento e são ratificados no Novo Testamento. Por isso Jesus diz: “Eu não vim revogar a lei, mas cumpri-la.” O que Jesus fez foi dar um aprofundamento à lei. “Está escrito, não adulterarás. Eu, porém, vos digo...” O que Jesus Cristo está querendo ensinar é que a lei precisa ir mais fundo, nossa relação com Deus não pode viver na superficialidade do cumprimento de determinados preceitos externos.
Nesse texto de Números 28 existem quatro coisas, pelo menos, que marcam profundamente a forma como o povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento, e isto se aplica a nós ainda hoje, precisa adorar a Deus.
1. Nenhum culto no Antigo Testamento ou do Novo Testamento abre mão da necessidade de adorar a Deus com nossos bens.
Você pode dar chilique, você pode espernear e discordar, eu não me importo com isso, já que meu grande desafio é comunicar aquilo que a Bíblia diz, se você ficar ofendido, não é meu problema. Eu estou estudando a Bíblia. Como pregador eu trabalho no departamento de comunicação, que fica primeiro andar. Se você quiser reclamar, questionar, você precisa ir para o segundo andar, para o Ministério da Justiça, e brigar com Deus. O que eu estou dizendo é o que a Bíblia ensina. Isto é o que Deus diz, de forma muito clara.
No Antigo Testamento aprendemos, e esta mensagem se repete algumas vezes, que “ninguém deve aparecer diante de Deus com mãos vazias”. Aprenda uma coisa pra valer: Culto que custa nada não vale nada. Se você não entender a necessidade de adorar a Deus com seus bens é porque você ainda não entendeu o fato de que Deus deseja ser Senhor de todas as áreas da sua vida. Por essa razão que você tem tanta dificuldade de submeter os seus recursos para o reino de Deus. Deus está dizendo o tempo todo: ninguém apareça diante de mim com mãos vazias”. *Ex 23.15; 34.20; 16.16) O que você tem nas mãos pra oferecer a Deus? O povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento trazia suas ofertas.
Quando Davi é confrontado por Deus por causa de um pecado que ele cometeu e que atingiu todo o povo de Israel, Deus o leva pra um lugar um pouco. Distante de Jerusalém. Ah, é, né? E ele ali tem que encontrar com um homem numa região periférica de Jerusalém e quando ele chega ali aquele homem ficou muito preocupado com a comitiva real, porque David estava chegando.
Davi ordenou que Joabe fizesse um recenseamento do povo. Isto trouxe a ira de Deus contra Israel. Após o censo militar orgulhoso de Davi, uma praga atingiu Israel. Para cessar a praga, o profeta Gade orientou Davi a levantar um altar na eira de Araúna, o jebuseu. Quando Davi chegou para comprar o local, Araúna foi extremamente generoso: Ofereceu a terra de graça para o rei. Ofereceu os bois para o sacrifício. Ofereceu as ferramentas de madeira como lenha para o fogo. Davi recusou a oferta gratuita e respondeu: "Não! Faço questão de pagar o preço justo. Não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que não me custem nada" (2 Sm 24.24). Davi pagou o valor devido e o altar foi erguido.
Qual o significado prático dessa atitude de Davi? Aqui encontramos um princípio espiritual profundo sobre a adoração e o compromisso: Verdadeiro sacrifício exige custo: Adoração genuína envolve entrega, esforço e renúncia pessoal. Dar a Deus apenas o que sobra ou o que não nos faz falta perde o valor de um sacrifício real. Davi comprou aquela área que se tornaria o local exato onde o Rei Salomão construiu o Templo de Jerusalém.
Davi entende o significa da adoração. Ele não podia oferecer a Deus sacrifícios que não lhe custassem nada. É incrível essa percepção de Davi. Ele entende que os holocaustos refletiam sua relação com Deus. O Jebuseu não podia lhe dar aquilo que ele entregaria a Deus, Tinha que ser um holocausto que envolvesse custo.
Veremos esta mesma atitude em Jó. Ele oferecia sacrifícios cotidianamente a Deus. (Jó 1.5) Ele tinha dez filhos, e fazia um holocausto por cada um dos seus filhos, individualmente. Se você é fazendeiro pode calcular. Quanto é que custa um boi hoje? Quanto é que custa um animal na hora do abate, pesando 22 arrobas? Os fazendeiros aqui sabem, o pessoal mais urbano não vai saber, mas por baixo podemos pensar em cinco mil reais. Jó oferecia cotidianamente sacrifício por seus filhos, um a um. Ele era um homem rico, isso significa que ele sacrificava dez animais, no mínimo, além disto, tinha que oferecer sacrifício para ele e sua mulher. Se você é bom em estatística e matemática, pode me acompanhar no cálculo: Algo em torno de 60 mil reais. Muito dinheiro. Jó fazia isso cotidianamente.
Trazer ofertas a Deus tem três componentes:
A. Gratidão: Oferecemos nossos bens a Deus como expressão de culto, como forma de agradecer a Deus o que ele nos tem dado. Essa é uma primeira razão para você aprender a trazer os seus bens como culto a Deus.
B. Adoração: Isto mesmo! Através de seus bens você adora a Deus.
Quando o povo não trazia corretamente as ofertas, e levava animais com defeito no altar, Deus disse: “Com tais ofertas aceitaria eu a vossa pessoa?” (Ml 1.10) Com a oferta que você traz a Deus, será que ele aceitaria você? Isto é perturbador, porque a oferta que você dá revela de uma forma profunda como está seu culto a Deus. Será que ele poderia nos aceitar se levar em conta as ofertas que lhe oferecemos?
C. Confiança e dependência em Deus – Quando trazemos nossas ofertas, demonstramos nossa dependência a Deus, porque essa há uma área com a qual lidamos com dificuldade é a financeira. E a gente faz os cálculos, soma, divide e chega à conclusão, de que esse mês não poderei entregar a Deus aquilo que é dele.
Uma história de um amigo meu ilustra isto. Ele trouxe dois litros de mel lá Pará. Um era dele e outro de uma amiga. Ao chegar na casa, ao colocar a sacola no chão um dos litros quebrou. Ele disse imediatamente: “O litro de mel da Madalena quebrou.” A pergunta era: Como ele sabia que era o litro de mel da Madalena, se os litros eram iguais? É assim que fazemos quando o dinheiro é curto. O que seria de Deus já não é mais.
Deus espera que entendamos que ele é o provedor, que ele vai cuidar de todos os detalhes da nossa vida. Então, por essa razão, oferecemos a Deus proporcionalmente aquilo que Deus nos dá, confiados na provisão de Deus.
No texto lido, em Nm 28.2 lemos: “Dá ordem aos filhos de Israel e dize-lhes: Da minha oferta, do meu manjar para as minhas ofertas queimadas, do aroma agradável, tereis cuidado, para mas trazer a seu tempo determinado.” Eu quero que vocês tragam suas ofertas para mim. Isso faz parte do culto que vocês devem me prestar. O povo de Deus sempre ofereceu seus recursos a Deus para glorifica-lo. E essa é uma instrução perene para nós.
Por que que fazemos recolhimento de dízimos e ofertas em nossos cultos? Porque entendemos que isso é parte da nossa adoração, faz parte do nosso culto. Se você ainda, precisa ler a Bíblia com mais atenção.
2. Segundo princípio: Todo culto tem que ser de aroma agradável a Deus.
Nós estamos lendo Números 28. Já no segundo versículo ele nos fala de aroma agradável. “Dá ordem aos filhos de Israel e dize-lhes: Da minha oferta, do meu manjar para as minhas ofertas queimadas, do aroma agradável, tereis cuidado, para mas trazer a seu tempo determinado.” No vs 6 lemos: “É holocausto contínuo, instituído no monte Sinai, de aroma agradável, oferta queimada ao Senhor.” Se você quiser notar na Bíblia quantas vezes aparece a expressão “aroma agradável a Deus” Só no Pentateuco são 58 vezes.
Cultuar a Deus é mais que um checklist, tarefas espirituais. Será que realmente oferecemos a Deus um culto de aroma agradável? Olha a ideia antropomórfica aqui. O Deus no Antigo Testamento, aspirava o cheiro das ofertas que eram queimadas. O aroma tinha que ser bom, aroma de vida.
Portanto, a grande pergunta em nossos cultos não deve ser se o culto nos fez bem, ainda que seja correto pensar assim, nem mesmo como nos sentimos no culto. A grande questão é se Deus se sentiu bem com o que lhe ofertamos. Será que Deus se agradou do que nós lhe demos? Deus precisa aspirar, receber como nossa adoração como algo que se queima com cheiro bom.
Será que Deus alguma vez ajeitou a oferta de alguém? Sim. Veja a história de Abel e Caim. Dois irmãos foram para o culto, não tinha um templo, não era algo instituído, não tinha uma liturgia reformada, a lei mosaica nem tinha sido dada, mas eles saem para fazer suas oferendas, para cultuar, eles fazem um altar, queimam seus sacrifícios. A palavra de Deus diz, que de Caim e de sua oferta, Deus não se agradou, mas de Abel e de sua oferta se agradou o senhor. (Gn 4.4-5)
Muitas pessoas entendem que Deus não se agradou de Caim porque ele ofereceu do fruto do campo e Deus queria holocausto, sacrifício de animais e que por Abel ter feito a oferta de animais, Deus se agradou dele. Mas não é isso que o texto bíblico diz, é só ler com atenção. Veja a construção gramatical: “De Abel e de sua oferta, Deus se agradou.” Deus se agradou da oferta de Abel porque se agradou do ofertante que era Abel. Deus rejeitou Caim: “De Caim e de sua oferta, Deus não se agradou.” Antes de rejeitar a oferta, Deus rejeitou o ofertante. O culto que nós prestamos a Deus precisa ser de aroma agradável, tem que ser algo que Deus tenha prazer em receber, e isto tem a ver com nosso coração e com a forma como o cultuamos. Todo sacrifício do Antigo Testamento precisava ser de aroma agradável a Deus.
3. Terceiro: O culto do Antigo Testamento era marcado pelo sangue.
Em todas as Escrituras Sagradas veremos a presença constante do sangue. Na consagração do templo Salomão sacrificou 22 mil bois e cento e vinte mil ovelhas. (1 rs 8.63; 2 Cr 7.5) Já consideraram quanto sangue foi derramado?
Fui pastorear uma igreja cuja coordenadora do Departamento Infantil era uma mulher muito querida, mas com uma cabeça liberal, e um dia ela chegou pra mim e disse: “Pastor, nós decidimos vamos tirar todo o material da APEC da escola dominical porque fala muito de sangue e isso pode traumatizar as crianças.” Eu lhe disse: “Irmã pode deixar o sangue nas lições bíblicas porque todo culto do Antigo e do Novo Testamento são marcados pelo sangue.” A verdade é que não há culto sem holocausto. O sangue faz expiação (heb. Kipper) ideia de cobrir, remover a culpa, restaurar a relação. Simbolicamente uma vida dada em lugar de outra.
“Andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.” (Ef 5.2) Esta é a essência da mensagem bíblica. Cristo se ofereceu como aroma agradável a Deus. No Novo Testamento o Cordeiro de Deus é morto e esmagado na cruz.
Veja que grande desafio temos quando cultuamos a Deus. Como oferecer um culto de aroma agradável nós que somos pecadores. Você nunca vai oferecer um culto como Deus espera de você, por isso precisamos da mediação de Jesus, o Cordeiro de Deus. É pelo sangue de Cristo que temos acesso ao Pai, é por meio do sacrifício de Cristo que vamos a Deus. Não há possibilidade de chegarmos ao altar do Deus Santo sem a marca do seu sangue. E quando você chegar lá no céu, as suas roupas precisam ser marcadas pelo sangue do Cordeiro, esse é o sinal do povo de Deus, marcado pelo sangue do Cordeiro de Deus. “Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados.” (Hb 9.22)
Em Apocalipse, uma das primeiras visões de João foi a seguinte: “Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto.” (Ap 5.6) O Cordeiro morto ocupa lugar central no meio do trono, dos seres viventes e dos anciãos. Esta é a visão dos redimidos. João contempla o Cordeiro que foi morto, agora glorificado.
John Stott no clássico A cruz de Cristo, escrito na década de 80, começa seu livro afirmando que ficou impressionado ao fazer a pesquisa para escrever sobre este assunto, ao constatar que nos últimos 80 anos nenhum livro mais significativo e profundo sobre a cruz de Cristo tivesse sido escrito, apesar de ser o tema central da mensagem do evangelho.
A verdade é que poucos tem falado da mensagem central do evangelho, como se o sangue fosse desnecessário. Talvez seja esse o escândalo da atual igreja evangélica brasileira. Você vai ouvir falar de autoajuda, de teologia da prosperidade, de que somos feitos para o sucesso, que temos poder, mensagens motivacionais, mas isso não é bíblico, não é isso que a bíblia tá ensinando. O culto tem que ser centrado na cruz de Cristo e nós só podemos prestar um culto a Deus por meio do sacrifício de Cristo e esse sacrifício foi feito de uma vez por todas. Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus foi morto. Por isto, todo culto do Antigo e do novo Testamento precisa ser marcado pelo sangue. A Bíblia é um livro marcado pelo sangue e todo o ritual aponta para a cruz e para o sacrifício do Cordeiro.
4. Quarto, o holocausto tinha que ser sem defeito
“Dir-lhes-ás: Esta é a oferta queimada que oferecereis ao Senhor, dia após dia: dois cordeiros de um ano, sem defeito, em contínuo holocausto.” (Nm 28.3)
Neste capítulo temos uma série de afirmações sobre o tipo de animal que deveria ser trazido à presença de Deus. (28.3,9,11,19,31)
Neste aspecto, essencialmente, nos deparamos com uma questão muito desafiadora para nós, adoradores deste Deus santo. O animal deveria ser integro, saudável, sem imperfeição. Aqui esbarramos numa questão complicadíssima: Deus exige não apenas o melhor, Deus exige perfeição na nossa adoração.
Israel não podia sacrificar um animal doente, aleijado ou sem valor econômico. Uma oferta defeituosa simbolizaria algo inadequado para o Deus santo. Vamos percebendo, de forma clara, que não temos condições de nos apresentar diante deste Deus sem sermos fulminados, por isto precisamos de expiação, de uma perfeição representativa. O sacrifício aponta para Jesus, o cordeiro sem mácula, o substituto perfeito. “pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” (1 Pe 1.19)
O mesmo princípio espiritual do animal que era sacrificado em lugar do ofertante, é o princípio que se aplica a nós. Como oferecer sacrifício perfeito nós que somos imperfeitos? No Antigo Testamento os sacerdotes precisavam oferecer sacrifícios pelos seus próprios pecados, os homens são imperfeitos e como no antigo Israel, até os dias de hoje, precisam de um mediador.
No Novo Testamento, Deus recebe um culto imperfeito por causa do mediador perfeito. Por meio do sangue do Cordeiro podemos chegar a Deus, com ousadia e intrepidez. Cristo aperfeiçoa a adoração imperfeita de seu povo. O culto que ofertamos a Deus não é aceito porque somos perfeitos, mas porque é mediado por Cristo.
Conclusão
Como vocês adora a Deus?
Os mesmos princípios do Antigo Testamento devem ainda hoje ser aplicados a nós, povo da aliança.
1. Deus espera que seus adoradores o adorem como seus bens
2. Deus espera um culto de aroma agradável. Rituais vaios não impressionam a Deus.
3. Culto deve ser marcado pelo sangue. Os animais eram sacrificados no AT. No Novo Testamento, o Cordeiro sem mácula, Cristo, foi morto pelos nossos pecados.
4. O culto deve ser com sacrifício sem defeito. Não podemos cultuar com sacrifícios imperfeitos, por isto só entraremos na presença de Deus por meio de Cristo. O Cordeiro sem mácula que foi morto pelos nossos pecados. Não se apresente a Deus pelos seus méritos, mas pelos méritos de Cristo.
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