sábado, 2 de abril de 2016

Ef 1.3-14 Bençãos que motivam o nosso louvor III.Adoção

Bencaos que motivam nosso louvor-III
Adoção
Ef 1.4-5


Introdução:

Uma das experiências mais duras da minha vida e do meu ministério aconteceu quando uma médica da comunidade me convidou para acompanhá-la com seu marido ao aeroporto da cidade para receber uma criança que havia sido adotada, mas que os pais adotivos, ao fazerem exames posteriores mais aprofundados, descobriram que ela era possuidora de HIV Positivo (Aids), e agora a estavam retornando para o ministério público dizendo que não tinham estrutura emocional para continuar.
Eles eram pessoas de grandes recursos financeiros. Adotaram a criança numa cidade distante, e ao chegarem ao interior onde moravam, foram recebidos com festa pelos amigos que cobriram aquela família de presentes. Eles estavam desejando uma criança a tanto tempo, e embora fosse uma bebê ja havia enchido a casa de alegria. A descoberta da doença, porem, foi avassaladora.
Alugaram um aviao, encheram com todos presentes que ela ganhara, e a devolveram. Ali estava eu, no aeroporto da cidade, o casal sequer quis descer, segunrando um bebê, pensando em toda aquela situacao dramática. A médica chorava incessantemente ao meu lado, de forma moderada, os pais (que agora haviam desistido do projeto da adocao, igualmente choravam), e voltamos para a cidade neste clima de funeral.
Adocao é uma das experiencias mais maravilhosas para quem encontra um lar onde é acolhido. Foi isso que Deus fez conosco, e esta é a terceira bencao relatada aqui neste texto.

Um dos grandes problemas dos seres humanos é a história pessoal. Gente rejeitada tende a ter dificuldade em amar, porque no processo da rejeição, perde-se o vínculo afetivo. Criança indesejada encontra mais  dificuldade relacional.O chamado que recebemos de Deus em Cristo Jesus é o chamado para sermos filhos. Várias vezes na Bíblia vemos a expressão "Deus nos adotou". A Bíblia diz que embora todos sejamos criaturas de Deus, nem todos são filhos de Deus (Jo 1.12). Ser filho é assumir a condição de uma família, com todos os direitos e deveres que ela tem, incluindo ai herança e responsabilidades.

Por definicao, adoção é um ato de Deus, efetuado pela sua graça, pelo qual participamos de uma nova família espiritual, que não se define institucionalmente, mas pela maravilhosa operação do Espírito Santo. A Confissão de fé de Westminster diz: "Todos os que são justificados, em e por seu Filho Jesus Cristo, são feitos  participantes da graça da adoção da liberdade e do privilégio de ser filho de Deus e recebe o espírito de adoção"(Confissão de fé de Westminster, cap. XII).
Neste texto de Efesios lemos: “Em amor nos predestinou para ele, para a adocao de filhos, por meio de Jesus Cristo” (Ef 1.4,5). Deus nos predestinou para filhos, nos vocacionou e nos chamou para esta relacao de filho amado. Com isto aprendemos algumas licoes:


  1. A fonte da adoção é o amor e a iniciativa do Pai. Antes da fundação do mundo, ele nos predestinou para adoção. Escolhidos para sermos filhos antes que tivéssemos qualquer noção de nossa própria existência, já que tudo isto foi feito antes da fundação do mundo. Veja a afirmação do apostolo João: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus. Por essa razão, o mundo noa nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo” (1 Jo 3.1).

  1. Adoção é fruto da vontade de Deus –  Ele nos adotou, “segundo o beneplácito de sua vontade”. Este estranho termo é quase desconhecido em nosso vernáculo, e significa, “vontade livre de Deus”. Deus, pela sua vontade livre e soberana, nos predestinou para sermos filhos. Para termos relacionamento de pai e filho. Não é isto maravilhoso?

  1. Pela adoção, os laços com a velha família são quebrados. A lei concede a tutela aos pais. O fator biológico na adoção, depois de efetuada e chancelada pela lei, deixa de ter efeito. O que importa não é em que útero nascemos, mas quem assumiu a responsabilidade e cuidado sobre nós. Jesus nos resgatou da lei (Gl 4.5); da escravidão (Rm 8.15); das futilidades familiares (1 1 Pe 1.18) e da maldição família (Ex 20.5). Um novo ambiente familiar é estabelecido. Filhos, não orfãos.
               
Os privilégios da adoção
Ser adotado traz vários privilégios, entre eles destacamos.

A.    Receber o Espírito de adoção – Rm 8.15
B.       Poder chamar Deus de "Paizinho" (Abba Pai)- Rm 8.15; Gl 4.6
C.     Ter acesso direto à presença do Pai – Existe uma famosa fotografia tirada na casa oval, na qual John Kennedy está trabalhando com papeis sobre sua mesa e seu filho de apenas 3 anos, brinca despreocupadamente no carpete, debaixo de sua mesa, ignorando que ele é filho do homem mais poderoso do mundo. Gl 4.7
D.    Receber herança na família de Deus – filhos possuem direitos compartilhados e iguais. É isto que a Bíblia nos fala de nossa filiação (Rm 8.17)
               

As responsabilidades da adoção

Viver como filho, traz consigo algumas responsabilidades.

A. Temos que viver como família de Deus – E a exigência do Pai, seu padrão moral, é bem alto: "Sede perfeitos como perfeito é vosso Pai" (Mt 5.48). O apóstolo Pedro exorta: "Como filhos da obediência não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente" (1 pe 1.14).

B. Compromisso com a família – Uma família tem regras, expectativas, convenções. Portanto, : "Vivei de modo digno da vocação a que fostes chamados" (Ef 4.1).
               
Foi muito bom para o meu coração, como exercício devocional, considerar a diferença entre ser órfão e  filho, neste material que foi publicado originalmente pela Sonship.

ÓRFÃOS                                                                     FILHOS

Sente-se só: Falta uma intimidade vital diária com                   Tem uma segurança crescente de que “Deus
Deus; Tem um de sentimento vacuidade. É muito                    é realmente meu amado Pai celestial” 1 Jo 4.16 
preocupado consigo mesmo.                                                                
                                                                              
Vive ansioso com necessidades sentidas: amigos,                     Confia no Pai e tem uma confiança que
dinheiro, etc; “Eu estou sózinho e ninguém se im-                     cresce dia a dia no amor Paterno, vive livre
porta...”  Nunca está bem.                                                                            De preocupação. (Mt.6:25ss)
                                              
Vive uma vida baseada no fracasso/sucesso. Quer                   Aprende a viver numa consciência diária
parecer bom a todo custo, é orientado para a                             e que sua vida é uma sociedade com Deus.
performance.                                                                                    Não se sente amedrontado.

Sente-se condenado, culpado e indigno diante de                      Sente-se amado, perdoado e totalmente
Deus e dos outros.                                                                           Aceito porque reconhece que os                                                                                                                                                                       méritos de Cristo o cobrem realmente.

Tem uma fé frágil, muito medo e nenhuma                                Vive confiando diariamente no soberano
habilidade para confiar em Deus. “Eu tenho que                      plano de Deus para sua vida, sabendo que
consertar isto...”                                                                              Este plano é sábio, amoroso e o melhor.

Trabalha com um forte senso de obrigação, trabalho              Oração é seu primeiro recurso. “Vou per-
duro e sempre vive esgotado.                                                        guntar primeiramente ao meu paizinho"                                                                                                                                                                                                                            

É rebelde diante de Deus e dos outros, freqüentemente            Tem a coragem de ser submisso, tem um
é frio e de coração duro.                                                                 coração quebrado e contrito  (Sl.51:17).

É defensivo, não consegue ouvir, vive debaixo do escudo       É aberto a crítica, uma vez que consciente
da justiça própria, virtualmente tentando provar sua                               mente está firmado na perfeição de Cristo.
capacidade  a todo custo.                                                  Não na sua própria. É aberto para examinar                                                                                               seus motivos mais profundos.

Precisa estar sempre correto, salvo e seguro, nunca                   É capaz de se arriscar, mesmo fracassar;
fracassa. É defensivo e incapaz de tolerar críticas, só               desde sua justiça está em Cristo, ele não
consegue viver com elogios.                                                            Precisa ter uma boa performance para se
                                                                                                            orgulhar dela, se proteger ou se defender.

É auto confiante, mas desencorajado, derrotado, e                  Está confiado em Cristo e encorajado nEle.
sem o poder do Espírito Santo.                                                      Porque o Espírito Santo está trabalhando.

“Eu vou lhes mostrar!”. “Vejam o estrago que vou fazer”.     Confia cada vez menos em si mesmo e cada
“Onde os outros falharem…” (O poder da vontade).                               Vez mais no Espírito Santo (diariamente                                                                                                                   confia na proteção de Deus).

Murmurador e sem gratidão diante de Deus e dos outros;       Confia no Santo Espírito para guiar sua
precisa humilhar os outros, demonstra um espírito amargo     palavra para adoração, edificação, gratidão
e crítico.                                                                                             e encorajamento (Ef.4:29, etc.)

Um expert em demonstrar o que está errado; sempre                               Não é cego para o que é errado, mas prefere
insatisfeito com alguma coisa.                                                       focalizar no que é bom e amável. (Fp.4:8).

Fofoqueiro (gosta de confessar o pecado dos outros);              É capaz de livremente confessar suas
Precisa estar sempre criticando alguém para                                              faltas aos outros; não se sente o dono da    
se sentir seguro.                                                                                  razão.

Sente-se um competente analista das fraquezas                        Não tem sempre que estar certo.
dos outros, tem o “dom do discernimento”.                                Reconhece que está freqüentemente errado,                                                                                                                            tem profundo desejo de crescer.

Está sempre se comparando com outros. Seus                           Está firmemente fundamentado em Cristo.
sentimentos variam do orgulho à depressão.                           Seu valor pessoal vem do sangue de Jesus, e
de quão mau ou bom os outros parecem ser.                  sua justiça não está fundamentada em ação                                                                                                                                                                humana. (Fp 3.9)

Não tem poder para derrotar a carne; não obtém vitória         Como ele confia em Cristo, está cada vez
num nível profundo, sobre seus “pecados da carne”,                               mais obtendo vitória sobre a carne.
Mas nunca entendeu o fato de ser um “grande                          Tem consciência de ser um “grande pecador”.
pecador” (Rm. 8:19),                                                                      

Quase não ora. Oração é seu “último recurso”; quando           Oração é uma parte vital do seu dia, oração
tudo o mais falha…ora freqüentemente em público,                               não é limitada ao “momento devocional”,
raramente na vida privada.                                                            tem prazer em falar com o Pai (I Ts.5:16-18)

As promessas de poder espiritual e alegria contidas na             As promessas de poder e alegria são sempre
Bíblia zombam dele. “O que aconteceu com toda alegria?”  experimentadas por ele (Rm. 15:13)
(Gl. 4:15).

Está sempre orgulhando-se de si mesmo, apontando para      Descobre que Jesus é mais e mais o tema
suas conquistas com medo de que alguém possa superá-los   de sua conversa. Orgulha-se de sua fraqueza
(Gl. 6:14)                                                                                             (II Co.12:9,10)

Está inconscientemente construindo um “recorde” de boas    A justiça de Cristo é seu “recorde”, ele está
obras que precisa ser anunciado e defendido.                            completamente firmado em Cristo  1 Co 1.28                                                                                                                                      
É auto centrado; “Se eles vissem as coisas da  forma                   Tem sido controlado por Cristo; ministra no
Como eu vejo!”. Tem uma profunda necessidade de estar no         poder do Espírito Santo - não na força de
controle de toda situação, sua e dos outros.                                       sua carne.
                                                
Busca satisfação em outras coisas além de Jesus. Funda-se          Cristo é sua comida e bebida. Deus
nos seus ídolos (posição e posses), e apenas através destas         realmente satisfaz sua alma! “Não há outro
coisas sente-se valorizado, reconhecido e justificado.            em quem eu me compraza na terra!” Sl 73.25.                                                                                                                      

Tem pouco desejo de compartilhar o evangelho (desde que   Tem um profundo desejo de ver o perdido
sua vida cristã é tão miserável); quando o faz, tende a ser      vindo ao conhecimento de Jesus, reparte
motivado por um senso de obrigação ou dever, não amor.     o Evangelho aos outros, mesmo quando não                                                                                                                             é pressionado por um (bom) programa.


Rev. Samuel Vieira  -
Preparado Igreja Presbiteriana Redentor - South River, NJ. 07.05.95
Refeito anapolis  - Abril 2016



Ef 1.3-14 Bencaos que motivam nosso louvor - II. Predestinação

Introdução:

Poucos temas geram tanta polêmica em teologia quanto predestinação. Ouvi certo pastor, com longos anos de ministério afirmando que não pregava predestinação porque o tema gerava mais confusão que benção.

Certamente este é um grande equívoco.
Paulo afirma que nunca deixou de anunciar "todo o desígnio de Deus". Deixar de expor um tema bíblico porque ele é polêmico é um motivo muito fraco. Além do mais, não devemos nos sentir confuso em falar daquilo que Deus não teve crise em anunciar. Afinal, como bem afirmou Os Guiness: "Toda verdade é verdade de Deus".

Se o termo adoção gera calafrio, a palavra “predestinação” parece um palavrão em algumas igrejas. Muitas pessoas me pedem que eu explique a predestinação, e eu digo que não é possível fazer isto, eu apenas a exponho. Abro a Bíblia e mostro o que ela diz.

Muitos me dizem: “eu não creio em predestinação”, e ai eu digo: Bem, isto não é problema meu, você pode resolver isto com Deus. Vá brigar com ele. Como sempre afirmo, eu trabalho no ministério de comunicação, que fica no primeiro andar. O meu chamado como pregador é ensinar o que a Bíblia ensina. O departamento de reclamação é no segundo andar, e o de justiça, no terceiro. Pode subir e reclamar diretamente com o chefe.

A palavra "predestinar", significa destinar com antecipação, sugerindo uma espécie de seleção. A forma como está dividido o vs. 4 do vs. 5, altera substancialmente o sentido. Devemos ler esta sentença de uma vez só, e não separadamente. "Em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos” (Ef 1.4,5). Gesto este profundamente carregado de sentido divino.
Predestinação aparece aqui em dois versículos: 5 e 11, e vem do grego: prorisas, significa, “assinalar de antemão”. A predestinação é um ato soberano de Deus realizado na eternidade. Ele foi feito antes da fundação do mundo. Deus predestinou os seus eleitos, para serem adotados como filhos.

A Confissão de Fé de Westminter, que é um dos símbolos de fé das Igrejas Reformadas, ao falar “Dos eternos decretos de Deus” (Cap. III, pg. 7) afirma: “Nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura ou contingência das cousas secundárias, antes estabelecidas”.

Este texto nos aponta para quatro realidades conectadas à predestinação:

a)- Predestinação é uma benção – Não é isto que lemos no vs. 3? Ela está incluída no rol das bençãos espirituais que Deus nos concede. A igreja Primitiva celebrava esta grande verdade na sua liturgia.

b)- Predestinação é ato de amor de Deus. Os vs 4,5 afirmam: “Em amor nos predestinou para ele”. Não é determinismo cego ou absolutismo, nem maktub ou fatalismo, nem destino cego. O que está relacionado à predestinação é a vontade amorosa de Deus. Ele predestinou o seu povo, segundo o beneplácito da sua vontade, isto é, fez isto por livre vontade. O seu amor foi o fator motivador da predestinação.

c)- Predestinação objetiva algo grandioso- vs. 5 “para adoção de filhos”. Deus, ao nos predestinar, tinha como motivação o seu amor, e como objetivo a adoção. Ele nos deu status de filho. É pela predestinação que fomos adotados por ele.

d)- Predestinação tem como finalidade o louvor da sua glória. Seu propósito é que o exaltemos por todas estas bençãos que ele nos tem dado. Através do nossos louvores nós o exaltamos. Fomos chamados para louvor da glória de sua graça (Ef 1.12). Povo eleito para "proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz" (2 Pe 2.11).


quinta-feira, 31 de março de 2016

Mt 16.21-23 Por que é necessária a cruz?



Falar da cruz é impopular.

Isto surpreendeu o Dr. John Stott quando foi convidado para escrever um tratado sobre a Cruz de Cristo, lançado pela IVP em 1986: “Nenhum livro sobre este tópico tem sido escrito por um autor evangélico, por quase meio século. É de impressionar que isto aconteça, principalmente se considerarmos que a cruz é a mensagem central das Escrituras Sagradas”. O último livro significativo que fora escrito, é um corajoso trabalho do Dr. Guillebaud’s, cujo título era: “Por que a cruz?” no qual ele faz três perguntas apologéticas importantes:

1. A cruz realmente traduz o pensamento cristão? Ela é compatível com o ensinamento de Jesus e de seus discípulos?

2. Ela é moralmente correta? Isto é, ela é compatível com a justiça?

3. Ela tem credibilidade? (Seria realmente compatível com problemas como a transferência da culpa nossa para Jesus?)

John Stott levanta afirma que existem cinco objeções à cruz:

1. Intelectual - Os filósofos de Atenas chamaram Paulo de tagarela (no grego, a palavra spermologos). Eles zombaram de Paulo quando ele falou da cruz e da ressurreição. Os judeus entendiam que era amaldiçoado por Deus todo aquele que fosse pendurado no madeiro. Ainda hoje, os homens afirmam que a cruz é primitiva, agressiva e imoral.

2. Religiosa: Em Corinto, os deuses Apolo e Afrodite, mão exigiam exclusividade na adoração. Ainda hoje as pessoas céticas apreciam a ideia do sincretismo.

3. Pessoal - A cruz mexe com orgulho humano. Afinal, ela afirma que você não é salvo por você mesmo, mas pela obra de Cristo. Isto incomoda nosso senso de justiça própria. Por isto, Jesus mexe com o nosso ego orgulhoso e torna-se a rocha de escândalo e pedra de tropeço. O evangelho diz que dependemos de Deus, e não de nós mesmos para a nossa salvação. 

4. Moral – A cruz apela ao arrependimento e a santidade. O verbo korintiazomai, que vem do grego, significa “praticar imoralidade”. Os sacrifícios à deusa Afrodite incluiam prostitutas cultuais, que estimulavam seus adoradores a praticarem orgia com os devotos. O mundo de hoje diz que o cristianismo é inimigo da liberdade pessoal.

5. Política – A cruz aponta para o senhorio de Jesus. Na época apostólica, os seguidores de Jesus questionavam a adoração a César e se recusavam a chamá-lo de Senhor, afinal, “Só Jesus é Senhor” (At 16.21, 17.7) e isto soava como subversão à ordem pública e aos poderes constituídos. Ameaça a César.

Neste texto vemos como a morte de Cristo perturbou os discípulos.
Quando Jesus decide falar abertamente sobre sua morte, “É necessário que o Filho do homem morra, e seja entregue as autoridades” (Mt 16.21), os discípulos reagiram. A ideia da morte contrariava todos os projetos que haviam construído em torno da pessoa de Cristo, o Messias. Pedro o chama à parte e veementemente afirma: “Tem compaixão de ti mesmo, isto de modo algum te acontecerá” (Mt 16.22)

É interessante a afirmação bíblica. “Era necessário morrer”. A cruz não era opcional, ou uma das alternativas, mas uma necessidade. A despeito de Schilebeeckxz afirmar que a cruz nunca foi propósito de Jesus, e que esta era sua segunda opção e que os discípulos só teriam entendido isto numa leitura pós-pascal, os Evangelhos sempre demonstram que a cruz era imperativa. Jesus disse: “Tenho um Batismo…e quanto me angustio até que ele aconteça” (Lc 12.50). 

Jesus surpreende Pedro ao afirmar: “Arreda de mim Satanás, tu não cogitas das coisas de Deus e sim das dos homens”. Por que Jesus é tão veemente neste episódio? 

Na verdade, Satanás tenta manipular Pedro, um dos seus melhores amigos, para desestimulá-lo à cruz. Esta havia sido sua sugestão na tentação do deserto, quando ele ofereceu a Jesus outros caminhos, como a glória e o reconhecimento público como substitutos da cruz. É de se imaginar que Pedro tenha levado um susto enorme quando Jesus fez esta repreensão, mas ele não repreendia a Pedro, antes a Satanás, que estava colocando na mente de Pedro pensamentos contrários ao proposito eterno de Deus. Certamente eu não gostaria de estar na pele de Pedro quando Jesus falou deste forma. Pedro havia sido advertido que Satanás estava de olho nele, e o havia requerido para peneirá-lo (Lc 22.31), então, quando Jesus fez tal afirmação, ele deve ter ficado chocado e considerado que as coisas não estavam fáceis para seu lado. Entretanto, Jesus expulsa Satanás que tentava manipular Pedro e ficou com Pedro. Na vida da igreja, muitas vezes quando alguém expressa uma opinião contrária, nós expulsamos a pessoa e ficamos com Satanás.

Jesus tenta demonstrar que a cruz era uma necessidade, mas os discípulos não estavam entendendo os motivos de sua morte. 

O evangelista Lucas afirma que Jesus tenta demonstrar isto aos discípulos desencorajados no caminho de Emaús: "convinha que o Filho do Homem fosse entregue às autoridades" (Lc 24.26,27). João afirma a mesma coisa: “Agora, está angustia a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este proposito vim para esta hora” (Jo 12.27).


Era necessário...



Por que era necessário?



1. A cruz era o cumprimento das profecias


As Escrituras fala do Antigo Testamento apontam para este sacrifício. Foi exatamente isto que Jesus tentou demonstrar aos discípulos, após a sua ressurreição, ao expor a Palavra: “Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc. 24:25-27). Quando os discípulos creram, a Bíblia afirma que “Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras: e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia” (Lc 24.44,45).

Os discípulos não queriam considerar esta verdade. Havia uma estrutura de pensamento acerca da figura do Messias, que os impedia a ver o propósito real de Deus na história. Para eles, o Messias seria político, libertador. Haveria de quebrar o jugo da opressão romana sobre eles, e seriam uma nação livre e poderosa. Mesmo quando Jesus já está retornando para o Pai, vemos esta concepção presente: “Será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1.6). O foco do olhar dos discípulos se voltava para a história, para uma dimensão política. Não conseguiam apreender o sentido espiritual de todos os acontecimentos. 


2. A morte foi necessária para expiação de pecados. Jesus cumpria de uma vez por todas as exigências da lei mosaica.


Todos os sacrifícios eram feitos com sangue, e em todos os atos de culto prestado ao Deus de Israel, havia exigências de sacrifício (Hb 9.22). Jesus assume esta dimensão tipológica e simbólica de todo pensamento bíblico, tornando-se o Cordeiro Pascal, de uma vez por todas, para que nunca mais houvesse necessidade de qualquer outra forma de sacrifício. Paulo afirma: “...Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1 Co 5.7). Era necessário que um sacrifício fosse substitutivo e expiatório fosse feito a favor dos pecadores. E um animal deveria ser morto para assumir o lugar do pecador. 

O que vemos na Bíblia: Cristo morreu em nosso lugar. O sacrifício era expiatório, vicário: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is 53.4). Ele assumiu o nosso lugar. 

Não há outra forma de sermos justificados diante do Pai. Nossos atos são insuficientes, nossa justiça própria é insuficiente. Somente o sangue do Cordeiro é suficiente para nos apresentar puros diante do Pai. “Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo” Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele então, me disse: São estes os que vem da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Razão porque se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário” (Ap 7.13-15). 


3. A cruz satisfaz a ira divina


Deus é justo, e o pecado merece a ira divina, julgamento e punição. O pecado traz condenação e morte. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). O mesmo princípio é afirmado em Ezequiel 2 "A alma que pecar, esta morrerá" (Ez 18.4). “Ao senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Is 53.10). Toda a ira de Deus contra a transgressão e injúria do pecado humano foi colocado em Cristo. Por isto, na cruz, Jesus sofre "o desamparo de Deus” “Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). O maior sofrimento que ele sentiu não foi físico, mas espiritual. Na cruz, ele assumiu nossa culpa. Nós deveríamos estar lá, mas ele tomou sobre si nossas iniquidades.

Portanto, a cruz tinha o objetivo de satisfazer a justiça divina e a lei de Deus. O Deus justo não poderia deixar de cumprir a sua palavra, afinal, o pecado merece a morte. A alma que pecar essa morrerá”. Vemos aí a gravidade do pecado. Lutero afirma: “A lei de Deus foi satisfeita pela perfeita obediência de Cristo em sua vida, assumindo nossa culpa”.

Jesus nos substitui. Assume nosso lugar.ele. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ao invés de jogar sua ira sobre nós, ele a colocou em seu filho. Como lemos: “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele fossemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21). E ainda: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens a sua transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Co 5.19).

Com sua morte Jesus assume nosso lugar e manifesta sua justiça, julgando nossos pecados. Na cruz, Jesus "cancela o escrito da dívida que estava contra nós, despojando principados e potestades". Deus estava demonstrando o profundo ódio que ele tem pelo pecado, e o profundo amor que devota ao pecador.

Vamos tentar ilustrar.
Havia numa cidade um justo juiz. Seu filho, porém, era rebelde e transgressor. Um dia, o filho foi finalmente apanhado num grave delito, preso e levado a julgamento. Diante do seu pai recebeu a sentença que constava de uma fiança que o filho não poderia pagar, e por isto, deveria ir para a cadeia. Nesta hora, depois de dar a sentença, desceu da tribuna e falou a todos. Ele deve pagar, porque apesar de ser meu filho, ele é culpado perante a lei. Ele não tem condições de pagar sua dívida, mas eu a quitarei para que ele tenha liberdade. 

Foi isto que Deus fez por nós. Nossa dívida era impagável. Ele a colocou sobre o seu filho que a pagou por nós. A expressão, “tudo está consumado”, significa literalmente: “Tudo está pago!” Ele me absolveu do meu débito e me declarou livre. 


Conclusão:


A cruz faz parte do grande plano de Deus para a humanidade. No seu discurso no dia do Pentecoste, Pedro afirma que Jesus morrera determinado conselho e presciência de Deus (At 2.23). esta era a vontade do Pai. (Jo 18.11). A cruz era uma opção de amor de Deus, não uma imposição dos homens -Em Mt 26.53 Jesus afirma que poderia ter se livrado disto, se quisesse. Não foi impotência nem falta de poder de Deus? Se necessário ele poderia requerer uma legião de anjos (Mt 26.53). Uma legião romana era composta de 6.000 homens. A Bíblia relata em 2 Rs 19.35, que apenas um anjo exterminou em uma guerra de 185.000 assírios. Os evangelhos fazem questão de acentuar que a cruz de Cristo era um fato inegociável. Ele precisava morrer. Isto pode parecer estranho aos nossos olhos, afinal, o homem mais perfeito, o melhor Filho que a humanidade produziu, termina seus dias sendo julgado num processo altamente questionável, e numa morte desumana.

A história de Jesus, porém, nunca termina na cruz. A cruz é veredito de contradição: Morte/vida. A cruz é lugar de sofrimento e dor. Jesus nos convida a ir além. Ir ao túmulo vazio, enxergar a vida plena de Deus.

Na ressurreição, aqueles que voltaram às redes, redirecionam suas vidas. Aqueles que voltaram para casa, retornam a Jerusalém. A tristeza desaparece porque este Cristo morto, ressurgiu dos mortos. Cumpriu sua missão e voltou para o Pai!

sexta-feira, 11 de março de 2016

Jo 18.1-8 As Questões de Pilatos



Introdução:


Todos lidamos com grandes questões do coração. Algumas filosóficas, outras teológicas, outras ainda de ordem emocional ou prática. Uma das mais devastadoras coisas que pode acontecer numa comunidade local é quando um pastor ou líder resolve usar a tribuna ou o microfone para publicar suas dúvidas, trazendo assim efeitos nefastos para a igreja de Cristo, gerando heresias e até mesmo apostasia.

Muitas das questões são privativas e se resolverão com o tempo, outras nos acompanham sem que cheguemos a uma conclusão plausível, e neste caso é bom aplicar o princípio de Dt 29.29: “As coisas reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos, e as ocultas pertencem a Deus”. Silenciar-se diante do mistério, ou mesmo do paradoxo da fé, pode ser uma atitude de humildade, momento propício para acolher o mistério de Deus e de forma madura e profunda lidar com tais questões.

Neste texto vemos um homem angustiado com suas questões. 

Ele faz seis perguntas, sendo que a segunda está ligada à quarta. Pilatos não tem resposta para elas, ou não aceita as respostas dadas. Não aceitar as respostas dadas por Cristo é um problema sério na humanidade. Eventualmente o problema do homem não é a falta de resposta, mas a não concordância com elas. Determinadas orientações dadas pela Palavra de Deus não são aceitas, não porque haja discordância intelectual quanto ao seu conteúdo, mas porque, ao aceitá-las, para sermos coerentes, mudanças éticas e de caráter precisarão ser adotadas e isto pode custar caro em termos de comodismo, conforto, bem estar, popularidade e reconhecimento público.

Jesus afirmou que muitas pessoas não o seguiram porque amaram mais a glória dos homens que a de Deus. O problema não era na sua essência, teológico ou filosófico, mas de ordem prática. Seguir a Cristo, muitas vezes na história, e até o dia de hoje, significa desprezo, exclusão social, oposição, zombaria e até mesmo a morte.

Eis as questões de Pilatos.


Primeira, “que acusação trazeis contra este homem?” (Jo 18.29).

Pilatos era o preposto do governo romano. Um procurador biônico, colocado ali na Judéia pelo Império. Ele era o juiz no pretório, podendo livrar ou condenar pessoas. Ali eram julgadas as causas públicas, problemas do Estado e motins. Ele tinha o poder público por detrás. Pilatos era o responsável em plenos direitos para julgar as causas.

No entanto, ele percebeu que a acusação contra Jesus era sem fundamentação jurídica. Por duas vezes afirma: “Não venho neste homem crime algum”. Percebeu logo que se tratava de questões religiosas das quais ele tinha pouco conhecimento. Ele podia, pela sua autoridade liberar Jesus contra o radicalismo religioso dos judeus, mas isto lhe custaria perda de apoio político e popular.


Quando a vida é decidida à base da aclamação pública, pode-se estar certo de que existe grave risco espiritual. É fácil trocar a glória de Deus pela glória dos homens. Saul perdeu seu reinado pois ficou com medo da reação dos seus subordinados: “Pequei, pois transgredi o mandamento do Senhor e as tuas palavras; porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz ”(1 Sm 15.24).


Segunda questão: “És tu o rei dos judeus?” (Jo 18.33)


Esta segunda pergunta gira em torno da acusação dos judeus contra Cristo. Como afirmamos, esta pergunta deve ser associada à quarta questão: “Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei?” (Jo 18.37).

Na vs 23, Jesus leva Pilatos a pensar, porque ele usa o argumento de responder à pergunta com outra pergunta: “Vem de ti mesmo esta pergunta, ou to disseram a meu respeito?” (Jo 18.34). No vs 36 ele afirma: “respondeu Jesus: o meu reino não é desse mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18.36).

Na primeira resposta, Jesus inquieta a perturbada alma de Pilatos. No seu coração haviam graves e profundas questões em torno deste suposto Messias. Sendo preposto de Roma, tinha seus informantes e as notícias chegavam facilmente à sua tribuna. Ele ja devia ter ouvido dos feitos prodigiosos deste homem, das suas intervenções sobrenaturais, das curas e milagres, de suas palavras e enfrentamento. Pilatos poderia ter aquilo que poderíamos chamar de “fé antes da fé”. Este momento que antecede uma entrega genuína e radical da vida a Deus. Ao responder desta forma, Jesus toca no núcleo inquieto desta alma humana.

Na segunda resposta, Jesus deixa claro sua identidade: “Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo”. Ele afirma sua realeza. Não esconde mais quem ele é.

Quando Jesus faz uma afirmação tão radical, fico pensando naqueles que questionam a divindade de Cristo e sempre chego à clássica conclusão de Josh MacDowell: “Ou Jesus era um louco, ou um falastrão mentiroso, ou era Deus”. Suas afirmações sobre sua divindade são tão contundentes que devemos crer honestamente nisto, ou chegamos à conclusão de que Jesus era insano e louco.


Terceira Questão: “Que fizeste?” (Jo 18.35).


Esta pergunta tem a ver com a acusação que deveria ser imputada a Cristo. A não ser que o tribunal seja iníquo, nenhuma culpa pode ser atribuída a pessoas inocentes. As pessoas devem ser julgadas com base nos seus atos.

Pilatos quer encontrar o motivo da acusação. Na verdade, nem o povo sabia responder qual era o crime de Jesus, porque quando Pilatos indaga à multidão, ela se resume a gritar freneticamente: “Seja crucificado” (Lc 27.23).

Segundo o evangelista Lucas, esta pergunta de Pilatos é feita por três vezes (Lc 23.22). Finalmente vem o veredito conclusivo da boca de Pilatos: “Eu não acho nele crime algum” (Jo 19.4). Marcos também descreve: “Então, Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás” (Mc 19.15).

Pilatos tem o típico e lamentável comportamento humano de saber o que é certo e fazer o errado, por conveniência ou preguiça. Pilatos cede, não porque estava convencido, mas por causa da pusilanimidade e fraqueza de caráter.

Sua atitude de omissão quanto à verdade, e de lavar suas mãos numa bacia, não o desculpava perante o tribunal de Deus, assim como, a atitude moderna de muitos que ouvem, concordam sobre Jesus, mas não tomam uma posição quanto a segui-lo. Tais pessoas não estarão isentas no tribunal de Deus, no dia do juízo.


Quarta Questão: “Que é a verdade?” (Jo 18.38). 


Esta é a mais filosófica de todas. Muitos gostariam de ouvir a resposta de Cristo, apesar dele já ter declarado: “Eu sou o caminho, a verdade e a vdia, ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Esta pergunta é típica de pessoas que ao serem confrontadas com a verdade, tentam desviar o assunto.

Não foi assim que aconteceu com a mulher samaritana?

Quando Jesus a encontra e a confronta com a realidade de sua solidão, ética frouxa, vida desordenada, ela imediatamente levanta uma questão teológica: “nossos pais adoram neste monte, vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar” (Jo 4.20). Viram o que ela fez? Levantou uma questão para fugir da desafiadora tarefa de olhar com honestidade sua própria alma.

Não é assim ainda hoje?

Quantas vezes o evangelho começa a confrontar o coração do pecador, e ele vai se sentindo acuado e incomodado, então, ao invés de dizer: “Senhor, eu realmente necessito de sua graça, e me rendo”, prefere levantar uma questão para desviar a atenção.

É comum que pessoas façam isto, quando o Espírito Santo começa a trabalhar em suas vidas e confrontá-las, então elas levantam este tipo de pergunta: “Se foi Deus quem criou o mundo, o que ele fazia antes disto?”, e sentimos vontade de dizer a mesma coisa que Agostinho disse a um dos seus pupilos quando fez tal indagação: “Deus estava fazendo o inferno para colocar pessoas com perguntas cretinas iguais à sua”.

Foi isto que fez Pilatos

Ele pergunta: “O que é a verdade?” e imediatamente, “tendo dito isto, voltou aos judeus” (Jo 18.38). Pilatos não quer resposta, ele quer apenas perguntar. Tome cuidado com as questões de sua alma que se tornaram defesas no seu coração e estão impedindo que você tome uma posição genuína de conversão diante de Deus.


Quinta Questão: e  talvez a mais pessoal de todas: "que farei de Jesus chamado Cristo?"  (Jo 18.39).


Esta é a pergunta mais pessoal, e tem a ver com a grande indagação que explodiu no peito do próprio Pilatos. “Que farei, então, de Jesus chamado Cristo?” (Mt 26.22).

Aqui, chega-se a um momento crucial. O que fazer com Jesus? Esta é a pergunta que  nos inquieta. O que você faremos com Jesus? Que resposta daremos a este Deus que exige de nós uma resposta de rendição? Se ele é o Messias, ele nao pode ser ignorado, porque é o cumprimento de cerca de 600 profecias do Antigo Testamento que se cumprem no Novo Testamento. Se ele é o Filho de Deus, tal veredito demanda de nós uma resposta. 

A vida de Jesus é perturbadora, não apenas porque suscita questões filosóficas e teológicas, mas porque exige uma resposta direta, honesta e franca. Não dá para ouvir sobre Jesus, ter conhecimento sobre ele e não chegar a esta séria intersecção: O que faço com Jesus?

Pilatos resolveu manter a neutralidade. Opção mais segura. O problema é que, com Jesus não existe zona neutra. “Quem comigo não ajunta, espalha”. E ainda: “Aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do Pai”. Não existe este lugar seguro da indecisão, porque não decidir por Jesus é também uma decisão, isto é, a decisão de não decidir. Sua vida exige uma resposta.

A multidão resolveu rejeitar: “Crucifica-o, crucifica-o”. Ao dizer isto, fez a opção de suas vidas. Pilatos tenta resolver esta questão assumindo neutralidade. o problema é que, diante de Deus nao existe neutralidade. Jesus afirmou: "quem comigo nao ajunta, espalha." Afirma ainda: "Quem tem o Filho, tem a vida eterna, quem não tem o Filho, não tem a vida." A não decisão, é também uma decisão: A decisão de não decidir. Quando você decide lavar as mãos numa vasilha d'água, você, na verdade, está assumindo a mortal posição de indiferença, apatia e neutralidade que pode levá-lo à morte eterna. 

Conclusão

Quais são as perguntas que tem brotado em seu coração?

Que respostas você tem dado a elas?

Você percebe seu coração evadindo-se de uma decisão radical, e tentando buscar a neutralidade como quis fazer Pilatos?

Não acha que está na hora de uma tomada de posição? É necessário decidir.

Quando Jesus curou o cego de nascença, em João 9, o cego não tinha uma clara ideia de quem era Jesus. ele respondeu no primeiro momento que era um homem especial, depois afirmou que era um profeta. Mas quando Jesus lhe perguntou: Crês tu no Filho do homem? Quando ele entendia que Jesus era o Filho do homem, o cumprimento da profecia de Fn 7.13-14, ele caiu de joelhos e o adorou. A compreensão de quem Jesus realmente é, deve nos levar a uma resposta de devoção e adoração. A partir do momento da compreensão, aquele homem torna-se um seguidor e discípulo de Cristo. 

E você? O que fará de Jesus chamado Cristo? Esta é uma hora crucial e decisiva. Portanto, “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração”. 

O que você fará diante de Jesus?






sábado, 5 de março de 2016

Ef 1.3-6 Bençãos que motivam o o louvor- I. Eleição


Introdução:

Este texto é denso no seu conteúdo, e não é sem razão que Calvino pregou 48 sermões apenas sobre ele em Genebra, começando em 1 de maio de 1558, e M. Lloyd Jones pregou 50 sermões em Westmister apenas neste texto, nos anos de 1954-55.

Paulo fala sobre bênçãos espirituais.

Somos uma geração que parece ter pouco interesse em coisas espirituais. Falamos pouco do céu, não gostamos de considerar bençãos espirituais. Igrejas lotam de pessoas interessadas em teologia da prosperidade, auto-ajuda, coisas imediatas como sucesso e prosperidade materiais. Será que há espaço em nosso coração para considerar as bênçãos de Deus?

No sermão anterior considerei que todas estas bençãos procedem de Deus, o Pai; e que nos são dadas “em Cristo”, quando temos um relacionamento pessoal com Jesus de Nazaré, e que são aplicadas pelo Espírito Santo. Estudamos também que tais bençãos se dão numa esfera descrita na carta aos Efésios como “regiões espirituais”, este lugar no qual Deus revela sua graça. Falamos ainda que precisamos responder com louvor a tais bençãos espirituais. É exatamente isto que vemos no texto de Efésios. Paulo está glorificando a Deus, adorando-o, embevecido pela maravilhosa comprensão do amor e da graça de Deus por sua vida.

Agora, queremos considerar algumas destas bençãos descritas nestes textos:

1. Eleição - (exelexato) - Somos especiais para Deus.

Esta doutrina afirma que Deus, e não o ser humano, inicia o processo da salvação. Tudo provém de Deus. Ele dá tanto o querer quanto o realizar. A Bíblia não fala dos seres humanos interessados em procurar Deus, mas descreve um Deus amando e vindo ao encontro de Deus. Paul Washer afirma o seguinte: “Eu não encontrei a Deus, ele me encontrou. O perdido era eu, e não ele”.

Poucas doutrinas são tão pouco pregadas e até mesmo rejeitadas na teologia moderna quanto a eleição. Alguns afirmam que não a aceitam porque é incompreensível, mas outras doutrinas como a da pessoa teantrópica de Cristo, isto é, como Jesus era 100% homem e 100% Deus, também são, bem como a doutrina da Trindade.

A bíblia não explica a doutrina da eleição, ela apenas a expõe. Não é porque a julgamos complexa que tenhamos que negá-la. É igualmente complexa a questão de Jonas sendo engolido por uma baleia, e a ressurreição de Cristo dentre os mortos, mas nem por isto a negamos. Como afirma Hodge: "A bíblia não esclarece o mistério da eleição, mas o declara enfaticamente. Não foi inventada por Agostinho de Hipona, nem por Calvino de Genebra".

A Bíblia nos ensina que a eleição é um ato soberano e exclusivo de Deus, realizado “antes da fundação do mundo” (Ef 1.3), ou "antes dos tempos eternos" e realizado “segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef 1.5), ou segundo “o conselho de sua vontade” (Ef 5.11) (no grego, eudokia). Deus escolheu fazer assim, segundo seu propósito e vontade. Portanto, “Não deveríamos diminuir o vulto da eleição procurando fazê-la ajustar-se ao livre-arbítrio, e nem deveríamos diminuir a importância do livre-arbítrio, procurando ajustá-lo à eleição” (Chapmann, Comentário de Efésios, pg. 534)

Considerações necessárias

1. A doutrina da eleição é uma revelação e não uma especulação humana; Devemos aceitá-la humildemente embora não a possamos entendê-la completamente. Não foi criada por homens, mas por Deus. Se você diz eu não a aceito, ou não concordo com ela, ela não deixa de ser verdadeira, porque não está condicionada ao seu humor ou à sua aprovação. Assim como, Deus não deixa de existir apenas porque você afirma que não crê nele.

2. A doutrina da eleição é um incentivo à santidade, e não uma desculpa para o pecado. Neste texto vemos que o propósito básico da eleição, sua finalidade é formar um povo “para sermos santos e irrepreensíveis em amor”(Ef 1.4), e a fim de sermos para louvor da sua glória” (Ef 1.12).

Nós pensamos que precisamos deixar de fazer certas coisas para sermos santos, mas a verdade é que somos santos e por isso não devemos praticá-la. A base de tudo é o chamado para sermos santos. Paulo afirma que "o amor a Cristo o constrangia. Ser puro ou querer a vida santa, tem muito a ver com nossa condição em relação a Deus. "A santidade é o propósito de nossa eleição" (John Stott). Em última análise, a evidência da eleição é uma vida santa. Eleição não é apenas para salvação, mas para a santidade de vida.

A Bíblia usa duas palavras: santos e irrepreensíveis, que descrevem a mesma coisa, mas sob diferentes aspectos. Ambas referem-se à santificação. M.L. Jones faz a seguinte diferença: "Santo, refere-se a um estado interior de pureza. O sangue de jesus aplicado ao coração humano. Irrepreensível (sem ser envergonhado) significa uma condição externa de pureza".

Quando a pessoa diz: Como seu eleito, posso viver uma vida de degradação moral, interna e externa, está afirmando exatamente o contrário daquilo que a eleição faz no ser humano. O propósito básico da eleição é nos fazer santos e irrepreensíveis perante Deus.

3. A doutrina da eleição é um estímulo à humildade e não um motivo para o orgulho. As razões de Deus nos escolher estão fundamentadas em três aspectos:

3.1. Seu amor – “Ele nos tem abençoado com toda sorte de bençãos espirituais” (Ef 1.3). Costumamos afirmar que a razão da eleição é o amor, mas nunca saberemos porque ele nos amou.

3.2. O sacrifício de Jesus - "Nos escolheu nEle" (Ef 1.4) . A posição dos pronomes é enfática. Deus colocou a nós e a Cristo juntos em sua mente.

3.3. Sua livre vontade “segundo o beneplácito de sua vontade”. Deus fez assim, porque quis fazer assim.

4. Eleição é a única garantia nossa que um dia estaremos com o Senhor. Deus me enxerga pelo crivo de Jesus. À semelhança do povo de Deus, quando estava no Egito, na terra de Gósen, o sinal do sangue na umbreira da porta era representativo para que o anjo do Senhor não entrasse. Estamos fundamentados não no que somos e fazemos, mas no que Deus fez em Cristo.

O plano da salvação foi realizado “antes da fundação do mundo”. As obras de Deus estavam concluídas desde à fundação do mundo. Pedro afirma que o sangue de Cristo foi conhecido, antes da fundação do mundo, porem, manifestado no fim dos tempos, por amos de nós (1 Pe 1.20). Na mente de Deus, todas as obras estão presentes, desde a eternidade. Eleição não é um processo histórico, mas eterno.

Conclusão:
O que significa, na prática, a eleição: Somos especiais para Deus. Somos nação santa, sacerdócio real, propriedade exclusiva do Senhor. Quando nos sentimos acuados, desanimados, tristes, ou acometidos por tragédias, devemos considerar o amor especial de Deus em nos amar de forma tão incondicional por Deus. Não estamos nas mãos das circunstâncias e acaso, mas nas mãos de um Deus santo, amoroso e bom.


Ef 1.3-14 Bençãos Espirituais

Este é um texto de adoração e louvor. A maioria dos comentaristas concorda que este 12 versículos compõem uma doxologia, que era um cântico comunitário, cantado pela igreja primitiva. John Stott afirma que no grego estes 12 vs. formam um parágrafo complexo, que possui uma unidade profundamente interligada, apresentando o plano divino da salvação e cada sentença deve ser lida cuidadosamente, porque cada uma destas afirmações abre um leque maravilhoso de reflexão sobre o plano de redenção e o projeto de Deus para a humanidade, que foi realizado em Cristo.

É um texto muito especial para os reformadores. Alguns deles gastaram longo tempo refletindo sobre os conceitos aqui presentes:

-Calvino (Genebra). Pregou 148 sermões na carta aos Efésios, começando dia primeiro de Maio de 1558.

-Martin Lloyd Jones, (Capela de Westminster, Londres) Pregou 50 sermões entre 1954-55 analisando a referida carta.

A síntese do texto é chamada de "A divina economia", já que discorre praticamente sobre todo o tema da redenção, por isto não podemos pensar irrefletidamente sobre este texto.

Esta perícope possui três linhas de pensamento:

1 De eternidade a eternidade, Deus opera todas as coisas dentro de um plano perfeito. Isto inclui o tempo presente, agonias e alegrias.

2 Tal propósito encontra-se dentro de uma economia trinitariana, as três pessoas da Trindade estão aqui presentes:

O Pai Planeja - (a fonte

O Filho executa

O Espírito Santo aplica (Selo - Ef 1.13).

3 O propósito de Deus em criar o homem: Exaltar a sua graça.

O texto inicia com uma adoração: "Bendito" (grego: eulogetos). Muitos afirmam que não gostam de textos doutrinários e teológicos, por serem acadêmicos e pouco prático. No entanto, o grande problema atual é a falta de entendimento e conhecimento espiritual. Quando não temos compreensão da obra de Cristo, nossa espiritualidade se torna superficial e vazia.

Louvor é reconhecimento, tem a ver com gratidão. Por que louvar a Deus? Isto só acontece quando temos razões claras.

M.L.Jones: "Louvor é realmente o objeto chefe de nossos atos públicos. Louvor não é repetir frases mecânicas. Não deveríamos vir à casa de Deus meramente para encontrar bençãos ou simplesmente ouvir sermões, mas adorar a Deus".

Por esta razão, louvor precisa estar fundamentado em algo sólido. existe uma grande necessidade de conhecermos o caráter e a obra de Deus, para podermos louvá-lo. quanto menos você souber de Deus, menos você o louvará. Por isto o apóstolo Paulo ora de forma tão profunda pela igreja (Ef 1.15-23). Quanto mais alicerçados estivermos na obra de Cristo, mais encantados estaremos com sua graça e mais genuine e profundo será nosso louvor. Se entendermos o privilégio deste grande chamado, certamente haverá louvor em nosso coração.

Por esta razão todo louvor deve ser feito, com espírito (emoção) e com a mente (inteligência), como nos ensina 1 Co 14.15, bem como com arte e júbilo (Sl 33.3).

Este texto nos fala das bençãos de Deus.

1 A fonte das bênçãos – “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado”. (Ef 1.3). Deus é a fonte de todas as bençãos. Por isto o objeto do louvor bíblico é sempre a exaltação de Deus Pai.

2 A constância das bençãos - "Nos tem abençoado". O tempo da bençãos é atual e contínuo. Suas bençãos não tem fim, renovam-se cada manhã. Ele sempre nos tem abençoado. Mesmo que você não reconheça isto. Francis Shaeffer afirma que o maior dilema do ímpio é assentar-se à mesa tendo o alimento dado por Deus e não conseguir agradecê-lo por isto.

3 O tipo de bençãos : “toda sorte de bençãos espirituais”. A Bíblia é bem específica em demonstrar que a maior benção que temos não são materiais como a saúde, bens e dinheiro, que são temporais, mas as que tem implicações eternas. 

Estas bencaos espirituais são distintivas da nova aliança. É provável que haja aqui um contraste intencional com o AT, cujas bençãos eram notadamente materiais (Dt 28.1-14). Embora Jesus tenha promeitdo bençãos materiais como o sustento, a roupa, a comida (Mt 6.25-33), esta adição "espiritual" é fundamental. Hodge afirma que elas "são espirituais não apenas por pertencerem à alma, mas sim, por derivarem do Espírito Santo, cuja presença e influência são a grande benção outorgada por Cristo" (Hodge, pg. 28). As bençãos distintivas da nova aliança são espirituais, não materiais.

4 Como as recebemos? Em Cristo.
É importante observar que as recebemos "em Cristo", não "por Cristo". Qual a diferença? Elas acontecem quando temos um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Todas as grandes bençãos espirituais nos são outorgadas quando nascemos de novo, e Cristo vem morar em nosso coração, pelo Espírito Santo. É importante observar na Bíblia quantas vezes aparece a frase “em Cristo”. Observe apenas neste texto, quantas bençãos espirituais recebemos quando ele vive em nós.

-Em Cristo, ele nos escolheu antes da fundação do mundo (Ef 1.4).
-Fomos predestinados em amor, em Cristo (Ef 1.5)
-Fomos adotados por meio de Jesus (Ef 1.5)
-Por meio do seu sangue, temos a redenção (Ef 1.7).
-Quando cremos em Cristo, somos selados com o Espírito Santo (Ef 1.13-14)

5 Esfera das bençãos: "Nas regiões celestiais" (Ef 1.3). Nenhuma localização geográfica é subtendida. Esta expressão "regiões celestes" em Efésios aponta para vários sentidos.

-Esta é a esfera na qual os principados atuam (Ef 3.10; 6.12)
-Esta é a esfera do reinado supremo de Cristo (Ef 1.20; 2.6)
-Esta é a esfera em que Deus nos abençoa (Ef 1.3).

Conclusão:
Este texto nos induz a pensar de forma objetiva e prática. Se Deus tem tanta coisa maravilhosa, como podemos receber tais bençãos espirituais?

A Aceitando o presente que Ele tem dado- "tendo nele também crido” (Ef 1.13). Podemos ouvir a Palavra da verdade, o evangelho da salvação, mas não crermos. Por isto a Bíblia nos exorta a “não receber em vão a graça de Deus" (2 Co 6.1).
É possível ouvir o Evangelho com clareza, mas rejeitar sua oferta de amor e doação. Como na história do homem que por três anos frequentou regularmente uma igreja, mas nunca tomava uma decisão de assumir um compromisso com Cristo e se batizar. Um dia o pastor lhe perguntou porque, e ele disse que não cria em nada que o pastor dizia. E o pastor, sem entender, lhe perguntou porque ele ainda vinha a igreja se não cria em nada daquilo. O homem respondeu: “porque eu não creio, mas gosto de ouvir pregação de pessoas que realmente creem naquilo que pregam”.

O fato é que a fé do pregador, do seu amigo, seu cônjuge, não é suficiente para você. É necessário tomar uma posição firme com as verdades do Evangelho.

B Vivendo em atitude de louvor (Ef 1.3,6). O que Deus deseja e espera de nós? O vs. 12 afirma: “a fim de sermos para louvor da glória de sua graça, nós, os que de antemão esperamos em Cristo. Que resposta devo dar? Como responder à sua graça e por tamanha benção? Nada é tão fundamental quanto uma atitude de um coração grato, de verdadeiro adorador, que já foi impactado com a maravilhosa graça de Deus e se rendeu a ela.

O autor aos hebreus afirma: “por meio de Jesus, pois, ofereçamos sempre a Deus, sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15).

Todas religiões têm grande fascínio por sacrifícios. Parece que quanto mais sacrificial for a exigência de determinada religião, mais as pessoas se sentem prontas a um envolvimento. É como se fosse uma espécie de catarse: Grandes doações libertariam as pessoas de grandes culpas e as justificariam diante de Deus. A base de tais práticas é a justiça própria, mas fazem sentido no coração das pessoas: romarias, auto flagelação, auto punição, privações, auto punição, oferendas de animais, rituais secretos, etc.

Mas em Hb 13.15 ouvimos falar do sacrifício sacrifício de louvor. Este sim, agrada a Deus. Dr Russel Shedd afirma que tais sacrifícios são ações de graça” (Sl 37.4). É o tipo de relação que não possui uma agenda por trás. Não é uma relação de troca, de barganha, de conveniência, mas fundamentada na pura graça de Deus. Este é o sacrifício da gratidão, do muito obrigado, marcado pela compreensão da relação que o pecador, agora redimido, tem com aquele que morreu na cruz para perdoar seus pecados.