sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sl 77 Emoções distorcem a realidade


Certa pessoa, desempregada há vários meses, com todas as suas finanças em desequilíbrio, procura o terapeuta por causa de uma grave crise no seu casamento. Depois de um tempo de conversa e apoio, pode ver que aquela, definitivamente, não era boa hora para discutir relacionamento conjugal, afinal, poderia ele julgar corretamente os fatos debaixo da pressão da falta de recursos financeiros?

Uma jovem recém casada procura sua mãe, sentindo-se inadequada, triste e deprimida. Sua mãe, sabiamente a indaga se naqueles dias em que estava na sua tensão pré menstrual, ela estaria apta para julgar a realidade sem que fosse afetada pelas suas alterações hormonais.  A jovem compreendeu que realmente não estava em boas condições, já que sua TPM a fazia distorcer os fatos, fazendo com que os problemas parecessem maiores do que realmente eram.

Em todos estes casos, podemos perceber que as leituras que faziam estavam sendo distorcidas por uma circunstância ou pela saúde, e isto é muito mais comum do que imaginamos. Portanto, considere o seguinte: Ao fazer julgamentos duros, implacáveis e severos demais sobre a vida, os outros, sobre você ou Deus, pergunte a si mesmo: Estou emocionalmente bem para avaliar corretamente os fatos ou estou deixando que a pressão do momento, o stress ou meus hormônios me dirijam?

A realidade é que nem sempre vemos as coisas como de fato são, na sua essência, sem observá-las sobre o crivo de determinada visão ou preconceito, e sem sermos afetados emocionalmente pela leitura que fazemos. Até mesmo a leitura da Bíblia pode ser distorcida. Bultmann, teólogo não muito recomendável afirmou acertadamente: “Ninguém se aproxima da Bíblia sem pressuposições”.

Ambiente do Salmo 77

Neste texto, encontramos o relato e desabafo do salmista Asafe, um dos grandes músicos de Israel, e sua visão sobre a vida e sobre Deus estava profundamente alterada. “De noite indago o meu íntimo, e meu espirito perscruta. Rejeita o Senhor para sempre? Acaso não torna a ser propício? Cessou perpetuamente sua graça? Esqueceu-se Deus de ser bondoso?” Ao lermos atentamente estes versículos concluímos que algo estava distorcido na sua compreensão sobre o Eterno, mas em seguida, ele faz a seguinte observação: Então, disse eu: Isto é a minha aflição!”
Sua situação emocional estava profundamente abalada.

...”A minha alma recusa consolar-se” (vs.2)
...”Lembro-me de Deus e passo a gemer; medito, e me desfalece o espírito” (vs. 3). Sua comunhão com Deus tem efeito reverso. oração tem reação reversa. Ele geme ao lembra-se de Deus. Não deveria sentir paz e alívio? Ao meditar seu espírito se desfalece. Não deveria ser fortalecido pela meditação, por considerar a realidade de Deus?
...”Não me deixas pregar os olhos” – Insônia (vs.4)

Suas questões:
O Salmista encontra-se em crise com Deus (Sl 77.7-9), e isto afeta toda a compreensão de sua própria realidade. Não é assim que geralmente fazemos? Nossa amargura, murmuração e raiva, é antes de tudo contra Deus, ou não encontra-se Deus acima e detrás de tudo?

Princípios
Na leitura do texto, percebemos algumas verdades:

1.     Não há problema em Deus, mas na nossa lente – Como vemos na reação do salmista, a realidade é que sua dor causava distorção. “Isto é a minha aflição”. Quando estivermos alterados emocionalmente, precisamos lembrar que Deus é fiel. Sua fidelidade, estabilidade, devem nos orientar e não a situação que estamos enfrentando. Deus é santo, e seus motivos são sempre corretos.

2.     O estado do humor nos leva a conclusões equivocadas. Muitas vezes até mesmo a variação de hormônios pode gerar sentimento de irritabilidade ou depressão.

Em alguns parques de diversões temática podemos encontrar simuladores. Você entra em determinados tubos e carrinhos, e eles passam um filme em alta velocidade, e com alguns movimentos no seu assento, dando-lhe a impressão de que você está voando, mas na verdade, a tela é que está se movendo. Quando bate o desespero e ficamos com medo, a regra é simples. Basta olhar para o lado para perceber que na verdade tudo está no mesmo lugar. Você apenas tem impressão de velocidade.
Acho que isto ilustra bem o que sentimos na vida. Muitas vezes nos desesperamos, culpamos a Deus, fazemos leituras equivocadas, mas basta olhar para Deus, observar sua fidelidade e sua soberania na história para vermos como tudo está como Deus sempre quis que estivesse. Deus é Deus. Ele tem controle sobre todas as coisas.
Muitas discussões que temos em família passam por esta vertente. Pegamos uma linha de interpretação e começamos a fazer associações indevidas e eventualmente pesadas. Isto destrói a alegria e a espontaneidade.

3. Para superar esta distorção, precisamos colocar os olhos em Deus – Na sua estabilidade, no seu caráter, e ao mesmo tempo, tirar os olhos de nós mesmos, da instabilidade emocional, variação humoral.

Onde o salmista coloca seu olhar?
Antes de mais nada, ele se lembra do fato de que Deus já construiu história no meio de seu povo, de Israel. Sua ação na história é concreta, não abstrata. Ele não pode negar o fato de que Deus já deu vitória, participou de sua história.
Foi assim que Davi venceu o gigante Golias. “Tu vens a mim, com espada e escudo, eu vou a ti em nome do Senhor dos Exércitos”. Por que ele se sentia tão seguro? Porque Deus já lhe dera outras vitórias contra o leão e o urso. A vitória de ontem pode dar segurança e vitória hoje. Se Deus já revelou seu cuidado, porque deveríamos andar inseguros?

Para obter vitória, o salmista lança mão da memória. “Recordo os feitos do passado”. Esta foi a mesma estratégia do profeta Jeremias no meio do caos: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim, renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.23,24).
Quando o apóstolo Pedro escreve a sua segunda carta, ela fala muito da importância da memória (2 Pe 1.13,15; 3.1). “Quero recordar a vossa memória esclarecida”. Precisamos aprender que na vida, quem vive melhor não é quem se lembra mais, mais quem tem memória melhor.

O que o salmista recorda?
a.     A santidade de Deus – (Sl 77.13). Santidade tem a ver com motivos. Se Deus é santo, seus motivos para conosco serão sempre os melhores. Deus não brinca com nossa dor.

b.     Seu poder – “Que Deus é tão grande como nosso Deus?” Ele sabe que o Deus em quem ele coloca sua confiança, é Todo-Poderoso, soberano, e nada lhe é impossível. Se ele não faz alguma coisa é porque isto faz parte de seus propósitos eternos e muitas vezes misteriosos, que a nossa humanidade não é capaz de apreender. Somente Deus tem a prerrogativa de ser Deus. De fazer o que deseja, sem ter que explicar suas razões.

c.     Sua forma misteriosa de agir – “Deus caminha sem deixar vestígios”. É esta a afirmação que lemos no Sl 77.13. Ele passa misteriosamente pela história. Assim é o Espírito de Deus: Como o vento. Ouves a sua voz, mas não  sabe de onde vem, nem para onde vai.

d.    A direção sábia e pastoral de Deus – Esta afirmação encontra-se claramente no vs. 20: “O teu povo, tu o conduziste como rebanho, pelas mãos de Moisés e de Arão”. Deus usa pessoas para realizar seus propósitos, mas é Deus quem está por detrás de todas estas coisas.

Conclusão

Conflitos, enfermidades, lutos e tragédias podem nos desequilibrar, e quando tomamos decisões ou fazemos asseverações radicais nestes momentos, quase que inevitavelmente nos equivocaremos e traremos consequências danosas para nossa vida.
Então, se conseguir lembrar, veja se as emoções, a situação e a saúde são aliados ou inimigos. Se perceber que algum destes fatores o leva a julgamentos equivocados, reflita um pouco mais, antes de ser conclusivo. Outros momentos melhores virão quando, com ânimo sereno, você terá condições de julgar melhor os fatos.
Dráuzio Varella, no livro “o fio da navalha” afirma que “preconceitos distorcem a realidade mais do que alucinações”. O mesmo podemos dizer das emoções. Uma pessoa debaixo de pressão, pode encontrar dificuldade de ver as coisas como de fato elas são, e avaliar baseado naquilo que parecem ser. Cuidado com seu emocional: ele pode distorcer seus julgamentos e até mesmo a realidade.

Então, ao julgar, considere:
Primeiro: Estou com equilíbrio emocional para avaliar a situação?

Ou estou debaixo de grande pressão, com saúde debilitada, com variação humoral? É importante considerar estas coisas porque a saúde, o stress e a irritabilidade, podem alterar minha capacidade de julgamento.

Segundo, Estou entendendo bem que Deus é?
A confiança no caráter de Deus dá descanso. Nada é mais salutar que uma correta compreensão de quem Deus é, e nada pode nos adoecer mais que uma teologia errada, ou suspeita de Deus. Paulo afirma a Timóteo: “Eu sei em quem tenho crido, e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu tesouro, até o dia final”(2 Tm 1.12).

Faça as perguntas, mas não pare nas perguntas.
O Salmista fez todas as perguntas, mas não é um ser em permanente crise. Corre-se o risco de ficar apenas nos questionamentos, sem encontrar respostas e soluções. Certo casal tinha uma criança de 5 anos que pergunta incansavelmente, em todas as situações: “Por que papai?” Certo dia seu pai, irritado lhe disse: “filhinho, você pergunta demais, o tempo todo: por que? Por que?”, e o filhinho resignado perguntou: “Por que será que faço isto papai?”

Reflita sobre a obra de Deus
O salmista não para nas perguntas, mas reflete sobre a intervenção de Deus na história.
Que tal pensar na obra de Cristo?
A cruz é um lugar de paradoxos. Você nunca se perguntou porque Jesus foi para a cruz?
Quando olhamos para a cruz, não consigo entender mais nada.
Por que este Deus, que não precisa de nada de nossa parte, já que é auto suficiente, decidiu entregar seu filho por mim? Como entender a redenção?
Um Deus que morreu por mim, que paga a preço do meu pecado para me reconciliar com ele...
Como entender o paradoxo deste Jesus, verdadeiro Deus, que clama ao Pai, verdadeiro Deus, “por que me desamparaste?”

Apesar de não ter explicações para este tão grande amor, nos deleitamos na sua graça e no seu mistério. Ali, todas as grandes questões não explicadas, tornam-se claras, pelo poder de Deus.

Ef 4.25-32 O Padrão do “Novo Homem”

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Introdução:

No texto anterior, a Palavra de Deus demonstra o que Cristo faz na vida de alguém quando se converte e se torna nascido de novo. Dentre estas coisas destaca-se:

i.                     Mudança de cosmovisão – Não andam mais como os pagãos. Novos paradigmas, padrões de comportamento e visão de mundo (Ef 4.17)

ii.                   Mudança da natureza, tornando-nos sensíveis a Deus e ao Espírito Santo – Ef 4.18).

iii.                  Liberdade da corrupção moral, dando novos desejos de santidade e tristeza ao pecado (Ef 4.19).

Isto tudo só é possível através do Novo nascimento, quando o Espírito Santo faz morrer o velho homem e surgir uma nova criatura, criada com o DNA de Cristo.
Dos vs 25-32, a Bíblia passa a demonstrar os efeitos do novo nascimento e do surgimento deste novo homem, e que estilo de vida ele deve adotar.

Primeiro, o novo homem assume compromisso com a verdade – “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).

Normalmente as pessoas defendem o princípio da verdade. Não raramente ouvimos pessoas dizendo que detestam pessoas que mentem, e batendo no peito como guardiões da autenticidade e da verdade, mas será mesmo que temos vivido um estilo de vida marcado pela verdade?

Eis algumas questões:

a.       Será que não falamos mentira em nossa casa para evitar desagrados no lar? Muitas vezes não queremos explicar as coisas e achamos melhor suprimir ou dizer meias verdades para que o cônjuge não se sinta ofendido ou magoado.

b.      Será que falamos a verdade mesmo em prejuízo próprio? Mesmo quando a verdade nos denuncia? Mesmo quando o guarda de trânsito está prestes a nos multar, ou a distorcemos para nos justificar?

c.       Será que dizemos sempre a verdade quando estamos fazendo um negócio com boas possibilidades de lucro?

A verdade é que verdadeira autenticidade nem sempre é fácil, entretanto precisamos entender que “toda verdade é verdade de Deus” (Os Guiness). Quando a proferimos, seja a que custo for, estamos nos alinhando a Deus e rejeitando o diabo, que é o pai, o mentor, e o autor da inverdade.

Segundo, o novo homem aprende a lidar com suas emoções, mantendo a ira sob controle – “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4.26).  É interessante observar que é possível ira, sem pecar. Quando isto é possível?

a.    Quando não ficamos irados por causa da nossa hipersensibilidade, mas por causa da glória de Deus.

O problema é que não nos iramos quando vemos a opressão, a injustiça, a miséria, o abuso e estas coisas que ofendem o ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Também não ficamos perturbados quando a santidade de Deus está sendo ofendida, mas facilmente ficamos ofendidos, quando qualquer um dos meus “direitos” são questionados. Temos muita hipersensibilidade emocional, quando algo pessoal nos aborrecer, pois nos julgamos merecedor de um tratamento especial, mas pouca tristeza para o pecado.

O exemplo claro da Bíblia é do profeta Jonas. Por duas vezes ele mostra excessiva irritabilidade, direcionada à Deus, mas não possui nenhuma sensibilidade para com os perdidos e com uma nação de pessoas que estava morrendo sem discernimento essencial na alma. Sua ira era contra Deus, mas ele se julgava cheio de razão. (Jn 4.4,9).

b.      Quando não deixamos a ira azedar. “Não se ponha o sol sobre a vossa ira”. É fácil deixar a ira incubada no coração e não resolvê-la. Isto facilmente se transforma em desejo de vingança ou amargura. Quando sepultamos a ira, ela permanece viva em nosso coração, e com o passar do tempo vai se tornando cada vez mais forte, trazendo danos para nossa saúde e consequências inevitáveis e graves nos relacionamentos.

c.       Quando deixamos a ira nas mãos de Deus. “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira (de Deus, subtendida), porque está escrito: A mim me pertence a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).

Não devemos resolver a ira com nossas mãos. Isto significa transferir meus direitos a Deus. Se alguma ofensa foi praticada, Deus é quem resolverá este problema. Não tente fazer justiça com suas próprias mãos. Deixe este assunto com Deus, já que ele é a sua defesa.

Terceiro, o novo homem fica atento às sutilezas espirituais – “Nem deis lugar ao diabo” (Ef 4.27). É curioso observar que esta frase vem logo depois da ira. Se há uma área na qual Satanás  obtém vitórias em nossas vidas pela irritabilidade e amargura.

No Antigo Testamento, todas as vezes que o rei Saul ficava dominado por um Espírito maligno, isto tinha a ver com alguma experiência negativa do dia anterior. Satanás  é um ser de penumbra, e age por meio das brechas, portanto, precisamos ficar atentos para não dar passagem, nem permitir que ele encontre uma trilha em nossa vida para trafegar por ela.

Muitas vezes Satanás  encontra porta aberta por meio da promiscuidade: São as brechas da pornografia, há centenas de pessoas sendo dominadas pelos acessos rápidos feitos apenas por um click do computador, isto desautoriza espiritualmente, faz as pessoas se sentirem envergonhadas e as distancia de Deus; são as brechas da promiscuidade, jovens vivendo vida de pecado, tendo intimidades sexuais, namoros permissivos e se afastando da igreja, deixando a leitura da Palavra de Deus, e o coração vai esfriando espiritualmente, a vida de oração acaba, a fé se torna mecânica e fria. Adultério, homens e mulheres vivendo neste estilo de vida, não conseguindo mais equilibrar sua vida devocional, abrindo brechas e portas para o diabo, gerando afastamento, distanciamento, dores, deixando que o diabo tenha controle sobre suas vidas; é a corrupção financeira, outra brecha tremenda que leva a pessoa a viver uma vida dupla, de desonestidade, de favorecimentos ilícitos, perdendo a alegria do Espírito Santo. O mau uso do dinheiro, dívidas não pagas, desonestidade, são verdadeiras portas que se abrem para o inferno.

Quarto, o novo homem aprende a viver de forma honesta – “Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28.

Este texto nos leva a três considerações:

a.       Furtar é algo furtivo, esquivo, não é algo agressivo e violento como roubar. Um dos dez mandamentos diz: “Não furtarás”. Furtar é bem mais sutil que roubar, ou tomar à força. De qualquer forma, furtar é retirar do outro aquilo que lhe pertence, por meio desonestos, falcatruas, deixando de pagar a conta, explorando financeiramente o outro.

b.      Conseguir algo com furto é maldição, conseguir algo com o trabalho, é benção: “Aquele que furtava, não furte mais, antes trabalhe”. No furto ocorre a extorsão, no trabalho há produtividade, fartura, benção e riqueza. Isto deve ser feito “com as próprias mãos”, que pode ser traduzido pelos bens adquiridos com inteligência, talento, esforço, trabalho diligente.

c.       O trabalho não deve ser apenas para gerar lucro, para acumular bens, mas deve ter um aspecto de benevolência. “Para que tenha com que acudir ao necessitado”. Trabalhar e ter como dar a outros, é uma das grandes bençãos do dinheiro. Isto glorifica a Deus, dignifica as pessoas. Não considere o ganho apenas para si mesmo e para enriquecimento pessoal, mas pense em utilizá-lo para a gloria de Deus.

Charles Stanley fala de quatro princípios relacionados ao dinheiro, que toda pessoa nascida de novo e que decide ser discípula de Cristo, deve empregar.
ð  Ganhe honestamente
ð  Aplique sabiamente
ð  Desfrute abundantemente
ð  Doe generosamente.

Se retirarmos qualquer um destes pontos, a relação com o dinheiro sofrerá distorção.

Quinto, o novo homem reorienta sua linguagem – “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Ef 4.29).

Jesus afirmou que “A boca fala daquilo que o coração está cheio”, portanto, sua linguagem diz onde está o seu coração. Uma pessoa nascida de novo, precisa aprender a usar sua linguagem de forma que glorifique a Deus.

a.       Não use linguagem torpe – O termo “torpe”, significa literalmente “podre”. Algumas pessoas ao abrirem seus lábios, destilam podridão, empregam termos baixos, palavrões, e suas piadas são imorais. Se você é discípulo de Cristo, não use sua linguagem desta forma. Cuide de seu vocabulário, santifique sua forma de falar.

b.      Use a palavra apenas para edificação – Muitas vezes o que falamos não é mentira, nem a linguagem é podre, mas ainda assim, é desnecessária. Vigie para não falar de coisas destrutivas, desamorosas, cruéis e devastadoras para outros. É fácil ferir, ofender, machucar e acusar com nossa língua. Devemos usá-la para abençoar.

c.       Use a palavra para transmitir graça – Tiago afirma que a língua é como uma pequena chama, que pode colocar fogo numa floresta inteira. Um comentário nosso pode ser devastador para a vida de uma pessoa, destruir sua autoimagem, sua reputação, ferir. Por isto devemos usá-la para transmitir graça e edificação.

Como temos usado nossa língua?

Conclusão:
Este é o estilo de vida de alguém que se encontrou com Cristo.

Viver desta forma glorifica a Deus. Por isto o vs. 30 afirma: “Não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.

O novo homem criado em Cristo Jesus, em justiça e retidão procedentes da verdade, lidar de forma madura com a verdade, com a ira, rejeita as propostas do diabo não dando brechas à sua sugestão, usa corretamente o dinheiro e guarda sua língua para não pecar contra o próximo nem contra Deus.
Isto alegra o Espírito Santo de Deus.

1 Co 10.31 afirma: “Portanto, quer comais ou bebais, o façais qualquer coisa, fazei-o para a gloria de Deus”


Nosso alvo é dar glória a Deus. Viver como Cristo viveu. Sua vida foi de adoração ao Pai, ele estava sempre pensando em como exaltar o nome de Deus. Viver desta forma, transforma-se em gesto de adoração ao Deus, que nos deu todas as coisas em Cristo Jesus. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ec 4.9-12 Melhor serem dois do que um- Realmente???

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Introdução:

Você realmente acredita nesta afirmação bíblica de que “é melhor serem dois do que um?”
Muito bem, antes de responder sim ou não, pense no seguinte: somos hábeis em dar resposta que as pessoas esperam de nós, ou as respostas politicamente corretas, ou, se preferirem, teologicamente corretas.
Afirmamos confiar em Deus mas quando as coisas se fragilizam, somos facilmente desestruturados. Isto revela nossa falta de confiança em Deus e nossa confiança na força dos nossos braços.
Afirmamos crer na Bíblia, mas quando confrontados com versículos como: “trazei todos os dízimos à casa do Senhor”, ficamos em dúvida se isto realmente se aplica à nossa vida ainda hoje.
Então, antes de responder afirmativamente, pense seriamente: Você realmente crê que “é melhor serem dois do que um?”

Você me dá azar!
Talvez não!
Talvez você acredite que “seria melhor estar sozinho”, como a história daquele homem internado no hospital depois de um infarto que começa a dizer à sua esposa: “Querida, tenho refletido muito sobre nossa vida e chegado à compreensão de que todos os momentos difíceis da minha vida você está ao meu lado. Quando meu pai quase levou à empresa da família à falência, você estava ao meu lado. Quando sofri aquele grave acidente de carro, você estava ao meu lado. Quando perdi o emprego, estava agora lembrando, você estava ao meu lado. Sabe minha conclusão? Mulher, você me dá azar!”

As raízes do meu fracasso
Você nunca culpa seu cônjuge por não ser bem sucedido, não ser feliz, ou não ganhar dinheiro? Muitas vezes acreditamos que não tivemos sucesso, nem somos prósperos ou felizes, porque “o outro”, atrapalha a nossa vida. Seria melhor sem ele (a). O outro é o meu problema.
Não é difícil empregar todos os possíveis mecanismos de defesa nesta hora: Deslocamento, projeção, transferência de culpa. Responsabilizamos o outro. É menos dolorido.
Esta realidade é adâmica.
No Éden, ao se ver numa situação embaraçosa diante de Deus, ele respondeu de imediato: “A mulher que me deste!” Não apenas culpa a mulher, mas responsabiliza Deus por ter colocado aquele estorvo e encosto ao seu lado. Sem ela, nada errado teria acontecido. Se Deus tivesse um pouco mais de cuidado, estaria agora livre deste problema.
Alguém até chegou a afirmar que “marido é alguém que você convida para resolver problemas que você não teria se não fosse casado”. Mark Grougor, comediante cristão americano, afirma que há um texto claro da Bíblia sobre como evitar problemas, e que poucos o colocam em prática. Se ao menos considerássemos aquilo que a Bíblia ensina, jamais teríamos problema no casamento: “Queres ficar livre de preocupação? Não te cases!” (1 Co 7.32).  
Adão culpou Eva pelo seu fracasso. O seu problema era Eva.
Raquel culpou a Jacó pela sua esterilidade. “Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve ciúmes de sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos senão eu morro! Então, Jacó se irou contra Raquel e disse: Acaso estou eu lugar de Deus, que ao teu ventre impediu de frutificar?” (Gn 30.1,2). Não é este um comportamento comum? Acusar o outro pela nossa esterilidade, pela depressão que temos, pelo insucesso?

Relacionamentos permeados pela amargura
Qual o resultado disto?
Desenvolvemos amargura nos relacionamentos
Col 3.19 afirma: “Maridos, amai vossas mulheres e não as trateis com amargura”. Curioso como a falta de amor, desenvolve amargura no outro.
Sempre vi este texto na seguinte perspectiva: Quando o marido não trata bem sua esposa, ele gera amargura no seu coração. O amor do homem, é capaz de trazer cura e terapia na alma feminina. Ainda acredito que este princípio é verdadeiro. Recentemente, porém, minha esposa me mostrou um ângulo diferente a este texto, e que acredito seja talvez muito mais próximo do sentido deste texto. Ela chamou a atenção de que o marido pode fazer as coisas para sua esposa, eventualmente até de forma “positiva”, mas ainda assim, com amargura. Então, o resultado será, todo tratamento passará pelo filtro da raiva, rancor, ira, ressentimento. O tratamento assim se torna carregado de amargura, e assim, as respostas quase sempre serão repletas desta carga pesada. Assim, o marido se torna reativo, ferino, sem sensibilidade. Acho que esta análise tem um profundo sentido.

Andréia e o marido culpado
O nome acima é fictício, mas a situação é real.
Recentemente acompanhei o caso de uma mulher profundamente magoada com seu marido, e ressentida porque seu filho estava envolvido com drogas, e ela achava que ele nada fizera para impedir. Em outras palavras, ela está convencida de que a culpa para rebeldia de seu filho era responsabilidade dele. Ele era o problema.
Por causa de sua ira e hostilidade, ela vomitou ininterruptamente por quase meia hora, acusando-o de forma agressiva e triste. Ela realmente estava com raiva. Tentei interpor e argumentar, mas era inútil, ela estava no limite. Depois de um determinado tempo, pedi ao marido que saísse da sala para ver se encontrávamos um ponto de razoabilidade naquele diálogo. Tentei mostrar-lhe que “as emoções distorcem a realidade”, ela foi se tornando mais razoável, mas não estou certo de que consegui convencê-la de nada do que argumentamos.
Ela realmente pensa que o fracasso de sua família seja responsabilidade do seu marido. Ele é o estorvo! Sua indiferença, apatia, silêncio, tudo isto estaria gerando este caos, embora sua família, apesar desta luta pontual com seu filho adolescente, se encontre num estágio relativamente pacifico.
O que fazer quando achamos que o outro é o problema?
Será que realmente cremos que ““é melhor serem dois do que um?”

Tentando encontrar o eixo
É bom considerar que, por mais que julguemos o outro responsável pelo caos e fracasso, o outro não é o meu problema, nem a minha solução! Por isto não é possível culpar o outro pelo meu fracasso.
Só há crescimento emocional num quando não precisamos do outro para nossa própria sobrevivência. “Se não conseguirmos abraçar nossa própria solidão, simplesmente usaremos o outro como escudo contra o isolamento. Nossa relação será sufocante. Se você é incapaz de desistir do casamento, então o casamento está condenado”.
Quando acontece o oposto, surge o que Erich Fromm chama de “simbiose incestuosa” que pode ser ilustrado na figura de uma trepadeira que suga da ceifa da árvore, até exaurir toda sua energia. Quando a árvore morre, morre também a trepadeira, porque depende completamente da árvore para sua sobrevivência.  Só amadurecemos quando entendemos quando atacamos o inimigo real ao invés de atacar o outro. Diante do fracasso pessoal, depressão, envelhecimento, precisamos observar que o outro não é salvador nem adversário, nem vitima nem algoz, mas alguém que enfrenta o mesmo ciclo de vida, com suas lutas e desafios.

O caminho passa pela confissão, auto compreensão e auto percepção. O problema é que muitas vezes é mais fácil apodrecer que amadurecer. Quando não olhamos para nossas próprias lutas com reflexão desenvolvemos co-dependência e amargura.
Em Lc 15.17 vemos que o filho pródigo “caiu em si”. O problema é que, geralmente caímos no outro. Deslocamos, acusamos, culpamos, transferimos responsabilidade. Luta pelo poder, não necessariamente para mandar, mas como Jorge Maldonado chamou de “poder para saber quem tem razão”.
Na relação abusiva e patológica há sempre a possibilidade de que o sádico se encontre com o masoquista. Ai neuroticamente encontramos o que sente prazer em machucar e o outro que sente prazer em ser machucado, em sofrer a dor. Na violência domestica não é raro encontrarmos a mentalidade opressora convivendo com a mentalidade do oprimido. Um é o que fere, o outro, o que se deixa ferir, conscientemente ou não.

 “Melhor é serem dois do que um”
Ec 4.9-12


Neste texto de Eclesiastes, encontramos um elemento surpresa. Por varias vezes vemos a ênfase em duas pessoas caminhando juntas. “Dois”, é o termo que mais aparece (3 x), entretanto, quando o texto está no fim, o autor faz uma menção sutil e curiosa: “O cordão de três dobras não se rebenta com facilidade”.
O que é esta “terceira dobra”? Este “terceiro elemento” se imiscuindo na dualidade.
Na verdade, podemos entender esta “terceira dobra” como aquela que dá consistência aos dois cordões. Aqui temos uma terceira realidade.  Sem esta “terceira presença”, as dobras são frágeis, mas com a terceira dobra, o cordão não se rebenta com facilidade.
Esta é a presença invisível, “sacramental”(usando este termo na dimensão de Ef 5.32: “Grande é este mistério, mas me refiro a Cristo e a igreja”, já que a palavra misterium, foi traduzida por Jeronimo, do grego para a Vulgata Latina, como sacramentum).
Tim Keller no livro, O significado do casamento, pergunta: Por que achamos que duas pessoas narcisistas, pecaminosas e auto centradas, e que querem ser o centro e serem agradadas, entrariam num casamento para servir o outro? Ele chama isto de Idealismo fantasioso.
O outro não é perfeito, mas o outro revela a dimensão de Deus na minha história. Keller afirma ainda que o alvo de Deus para o marido é que este ajude a mulher na sua caminhada de fé em direção a Deus, assim como Cristo fez pela igreja, sacrificando-se para apresentá-la diante de Deus.
Jesus é a terceira dobra neste cordão.
Sua presença empodera casamentos como os nossos, de pessoas frágeis e pecadores, incapazes de refletir o caráter de Deus.

Não raras vezes já me vi diante de minha esposa, admitindo para Deus minha absoluta incapacidade de entendê-la, de ajudá-la. Facilmente acho que “melhor é serem um que dois”, que a vida seria mais fácil sem ela, e Deus, de forma misteriosa nos ajuda para que saiamos do ciclo da mesquinhez, insensibilidade e confusão para adentrar o misterium que ele desejou estabelecer em nosso relacionamento.

É graça divina operando.
É quando o Evangelho entra em ação.
Não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma coisa como se saísse de nós, pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus” (2 Co 3.5).
só desta forma seremos capazes de perceber a maravilhosa presença de Deus, que nos leva à compreensão de que “melhor é serem dois do que um”.