quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Atos 16 Como crescem as igrejas?



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Introdução:


O tema "crescimento de igreja" tem sido muito debatido nos últimos anos. Na década de 1980, estudiosos, encabeçados principalmente pelos teóricos do Fuller Theological Seminary em Pasadena-CA, com vários textos escritos por Peter Wagner começaram a provocar a discussão do assunto. Outros autores como Donald MacGravan e George Barna foram muito importantes neste debate.


Quando lemos neste texto a expressão “Assim as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número cada dia”(At 16.4,5) ficamos nos perguntando Assim como? Quais os elementos que levavam a igreja ao seu fortalecimento e consequente crescimento?

Igreja deve ou não crescer?

Parece estranha esta questão, mas a verdade é que há muitas pessoas que se opõem ao crescimento da igreja. Alguns dos argumentos clássicos são:
a.     Igreja boa é igreja pequena
b.     Nós somos  uma igreja pequena mas temos saúde
c.     Eu gosto é de igreja pequena
d.    Não temos quantidade mas temos qualidade.

Muitas vezes a rejeição do crescimento da igreja não é algo explícito, mas velado. Outras vezes, o crescimento parece alguma coisa pecaminoso: “Se a igreja está crescendo alguma coisa deve estar errado...” isto não é dito, mas é pensado...

Por outro lado, encontramos aqueles que passam a idolatrar o crescimento e acreditando que a estatística é o alvo da igreja. Isto gera um crescimento sem discipulado, sem compromisso e a igreja incha com um sem número de pessoas que ainda não entenderam o que é ser discípulo de Cristo.

Assim, temos um grupo numerófobo e outro numerólatra. Os dois extremos devem ser evitados.

O segredo é observar nas Escrituras Sagradas como a igreja primitiva lidava com estas questões.

a.     A Bíblia registra o crescimento numérico como sinal de benção. Afinal, organismos saudáveis crescem e uma igreja  saudável também cresce. Uma pessoa de 18 anos que tem corpo de bebê não pode ser considerada saudável. Uma velha igreja estagnada, certamente precisa reconsiderar sua realidade.

b.     Em atos 2.41 a igreja registra que batizaram 3000 mil pessoas. A igreja estava atenta ao numero de pessoas que se filiavam a ela.

c.     Em At 4.4 lemos que a igreja dá um salto no seu número chegando a quase cinco mil.

d.    Em At 9.31 lemos: “A Igreja crescia em número”.

e.     Em At 11.21 vemos a alegria de Barnabé ao ver que “muitos, crendo, se converteram ao Senhor”.  

f.      Em At 16.5 lemos mais uma vez: “as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número cada dia”.

Como interpretamos tudo isto?

Rick Warren, que se tornou pastor da maior igreja dos EUA, afirma que sua igreja mudou de local 68 vezes, porque ele não queria determinar o tamanho da igreja que Deus queria. Toda vez que a igreja chegava a 80% de sua capacidade de acolhimento, eles se mudavam para um lugar maior.

Na nossa igreja local (Presbiteriana Central de Anápolis), nunca tivemos obsessão em ter grande número de membros. Crescimento é desejado, mas não a qualquer custo. Celebramos cada novo membro na comunidade, mas não  planejamos ser uma grande igreja. (Atualmente estamos com cerca de 1100 membros). Um dos nossos presbíteros sempre afirma que “a melhor reunião do conselho da igreja é aquela quando se recebe os novos membros, afinal, é nela que vemos de forma concreta a graça de Deus ao nos dar uma colheita abundante”.

Deus na sua infinita misericórdia tem trazido as pessoas que ele mesmo deseja que estejam conosco para que desenvolvam seu discipulado. Desde 2003 nunca deixamos de receber menos de 60 novos membros por ano. Naturalmente muitos destes eventualmente se mudam da cidade, se transferem para outras comunidades ou, infelizmente, se afastam da comunhão. A nossa denominação determina que depois de um ano de afastado da comunhão, a pessoa seja colocada num rol de membros à parte e depois de dois anos, seja excluída do rol do membro, sem disciplina. Processo natural de afastamento, afinal, não somos nós quem as excluímos, mas elas mesmas tomam esta decisão.
Não estamos interessados em ter membros apenas para figurar na lista de membros, mas queremos pessoas que realmente desejam cuidar e ter compromisso com sua comunidade.

Hoje queremos refletir sobre a afirmação: expressão do texto que diz: “Assim as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número cada dia”(At 16.4,5). O “assim”, nos interessa. O que acontecia na igreja primitiva que gerava seu crescimento numérico. Quais eram os fatores ou causas, que estavam por detrás desta igreja que avançava.

1.     Igrejas crescem naturalmente quando seus membros gozam de bom testemunho.

Veja o exemplo de Timóteo:
“Chegou a Derbe e depois a Listra, onde vivia um discípulo chamado Timóteo. Sua mãe era uma judia convertida e seu pai era grego. Os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho dele.” (At 16.1,2).

Quando Paulo chegou a Listra (atualmente Turquia), havia um jovem na comunidade que se tornaria um dos grandes lideres da igreja primitiva. Seu nome era Timóteo, filho de uma judia convertida e pai grego (não sabemos se ele era crente ou não). O fato é que as pessoas falavam bem dele. Seu testemunho se tornou marcante na cidade.

Uma igreja é saudável cresce espontaneamente quando seus membros são amigáveis, simpáticos e íntegros. Testemunho é o cerne de uma igreja com saúde. As pessoas são atraídas à igreja quando a igreja possui membros que são “atraentes”. Igrejas com fraco testemunho não atraem os perdidos. At 2.47 registra que a igreja contava com a simpatia de todo o povo, enquanto isto, acrescentava-se-lhes o Senhor, dia a dia os que iam sendo salvos. Uma igreja com bom testemunho, atrai as pessoas.

2.     Igrejas crescem quando possuem sensibilidade cultural - Paulo, querendo levá-lo na viagem, circuncidou-o por causa dos judeus que viviam naquela região, pois todos sabiam que seu pai era grego”(At 16.3).

Paulo decide levar o jovem Timóteo consigo, mas pede que ele se circuncide. Sua atitude parece estranha, porque ele estava fazendo o oposto do que a igreja primitiva havia recomendado. A igreja de Jerusalém em Atos 15 afirmou que circuncisão não era algo importante para o desenvolvimento de uma vida de seguidor de Cristo. Então, por que Paulo fez isto?

A explicação natural é que ele não queria que o fato de Timóteo não ser circuncidado, se tornasse uma barreira na comunicação do evangelho aos judeus tradicionais. A circuncisão não era importante, mas as pessoas eram. Muitas vezes a Bíblia é relevante, nós é que não somos.

Existem determinadas atitudes que em si mesmas, não são certas ou erradas, mas que podem dificultar a assimilação do evangelho. É necessidade ter sensibilidade para aqueles que ouvem a palavra, e se identificar com sua cultura.

Paulo critica as mulheres de Corinto porque não usavam véus (1 Co 11.5,10). Ao ler o texto não somos levados a indagar qual a relevância do véu? Isto era realmente  importante, porque para nós parece algo inócuo. Por que então Paulo insiste em que usem o véu? Por uma razão simples. Véu era importante parte da vestimenta feminina na cultura de Corinto, embora não seja na nossa. Naqueles dias, apenas as mulheres de vida duvidosa ousavam andar seu véu. Então, se as mulheres da igreja decidissem andar sem véu, algo que para a fé cristã é insignificante, elas agrediriam sua cultura e sociedade, impedindo as pessoas a se aproximarem de Cristo.

3.     Igrejas crescem quando estão pensando na mesma direção  – “Nas cidades por onde passavam, transmitiam as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros em Jerusalém, para que fossem obedecidas. Assim as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número cada dia”(At 16.4,5).

A Igreja primitiva estava alinhada nas suas convicções, e isto era importante para seu desenvolvimento e missão. Por todos os lugares que passavam, Paulo e Barnabé transmitiam as decisões, uma forma de demonstrar coesão e unidade de pensamento. Um dos problemas comuns na vida da igreja é sua incapacidade de harmonização de projetos e ideias. Se numa igreja temos muitas pessoas pensando de forma diferente sobre sua doutrina e missão, certamente enfrentará grandes conflitos. Muitas vezes vemos igreja sem uma clara linha de pensamento, defendendo que cada um diga o que pensa e faça como quiser. Esta pluralidade pode ser no campo da teologia e dos planos da igreja, mas o resultado não é bom. A igreja não tem unidade e uma casa dividida contra si mesma não subsistirá. O mesmo se dá em relação aos projetos.

Paulo exorta aos Coríntios: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis a mesma coisa e que não haja entre vós divisões, antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer (1 Co 1.10). Veja quantas vezes os termos “mesma” e “mesmo” surgem no versículo.

Quando você tem na igreja grupos de pessoas que insistem em seus projetos pessoais, sem levar em conta a unidade da igreja, isto pode se tornar um sério problema. O texto de Atos 16 possui um encadeamento natural. Eles comunicavam as decisões, e “assim as igrejas eram fortalecidas na fé”. Assim como? Caminhando na mesma direção e propósito. Não pulverizando sua compreensão teológica e aliada aos mesmos princípios e valores.

4.     Igrejas crescem quando são fortes na fé -  Assim as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número cada dia”(At 16.4,5).

Como vimos em Atos 2.47, crescimento no livro de Atos parece algo orgânico, espontâneo e natural: “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-se-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.47).

Não parece um crescimento natural? O foco não era o crescimento, mas o crescimento era a consequência.

Organismos vivos saudáveis nascem, se reproduzem, nutrem, crescem, possuem um ciclo de vida harmônico e são adaptadas ao seu meio ambiente. Assim também é a igreja, corpo vivo de Cristo. O natural e o normal é que as pessoas sejam atraídas a Deus na medida em que a igreja possui uma espiritualidade saudável, fortalecidas na fé em Jesus. Um cristianismo atraente, marcado pela presença do Espírito Santo, atrai pecadores e traz vida.

Organismos fracos ou deficientes, com distúrbios evidentes, não terão desenvolvimento saudável.

5.     Igrejas crescem quando sensíveis à direção do Espírito Santo – “Paulo e seus companheiros viajaram pela região da Frígia e da Galácia, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu. Então, contornaram a Mísia e desceram a Trôade” (At 16.6-8).

Esta questão é muito sensível porque é subjetiva. Como entender a vontade de Deus? Como saber em que direção Deus deseja que caminhemos? Pelo texto percebemos que a igreja nem sempre tinha a direção certa, mas sempre era capaz de mudar a rota, sempre que entendia que Deus estava dando outra direção.

Algumas vezes Deus desorganiza a agenda da igreja. Uma leitura clara deste texto nos mostra isto. Eles tentaram ir para a Bitinia, mas o Espírito Santo não permitiu, tentaram ir para a Ásia, mas o Espírito impediu. Por que? Certamente dentro de seus sábios propósitos, Deus não permitiu que o projeto missionário avançasse naquela direção naquele tempo. Deus tinha uma agenda diferente e felizmente Paulo e seus companheiros entenderam isto. Queriam ir para a Ásia, Deus não deixou. Alguma coisa errada com a Ásia? Não! Simplesmente o plano de Deus é que a igreja fosse para a Europa. Isto se torna claro no texto abaixo:

“Durante a noite Paulo teve uma visão, na qual um homem da Macedônia estava em pé e lhe suplicava: "Passe à Macedônia e ajude-nos". Depois que Paulo teve essa visão, preparamo-nos imediatamente para partir para a Macedônia, concluindo que Deus nos tinha chamado para lhes pregar o evangelho” (At 16.9-10).

Faz parte do plano de Deus dar direção à sua igreja e quando a igreja insiste em ir na direção errada o resultado são investimentos, tempo e talentos desperdiçados. A igreja primitiva era muito aberta à liderança do Espírito Santo; em toda a expansão evangelística registrada em Atos, O Espírito é o elemento motivador e energizante.


Algumas vezes quem impede a obra missionária é Satanás. “Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho” (1 Ts 2.18). Como saber se é Deus ou o diabo quem está impedindo? Só estando sensível ao Espírito de Deus seremos capazes de discernir o que se encontra por detrás de cada ação. Em nenhuma destas circunstâncias, porém, devemos ultrapassar. Uma, porque Deus, quem nos direciona é que está dando o rumo, na segunda, porque determinadas barreiras espirituais não serão ultrapassadas enquanto Deus não destruir as defesas das trevas para que a igreja tenha livre acesso. Paulo queria ir, mas o diabo lhe barrou, e ele não conseguiu.

Deus estava dando uma direção para a Europa. Paulo agora tem esta visão, e, conclui que Deus “nos tinha chamado para lhes pregar o evangelho”, e em seguida navegam para Filipos, onde o cristianismo fincaria suas raízes.

6.     Igrejas crescem quando priorizam a oração – “No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração” (At 16.13).

Paulo, Silas e Timóteo estavam naquela cidade por causa da orientação divina. Deus os havia enviado para aquele campo e eles precisavam orar, para saber que métodos adotar e que estratégia deveriam seguir. Sabiam que o ministério exigiria deles vida de submissão e devoção. Oração era um ingrediente essencial para realizar a obra, num continente diferente de cultura e língua diferente. E embora já estivessem ali por alguns dias, o primeiro ato que o texto relata é a busca por um lugar onde pudessem se consagrar à oração. Assim os vemos saindo da cidade para orar, mas a oportunidade de pregação também, estaria naquele lugar para onde se dirigiram. Ali ocorre a primeira conversão na Europa, Lídia, uma empresária de Tiatira que estava em Filipos, onde ela havia fixado residência por causa de sua atividade comercial.

Quando se dispõem a orar, Deus se dispõe a fazer.
Logo em seguida veremos que outro relato da intervenção sobrenatural de Deus se dará quando saem para orar. "Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de um espírito adivinhador" (At 16.16). 

Em At 16.13 quando saem para orar, Deus traz conversão ao coração de Lidia.
Em At 16.16 quando novamente se dirigem para o lugar de oração, novamente vemos Deus operando, neste caso, trazendo libertação a uma moça cuja vida era dominada pelo diabo. 

A oração abre as portas da evangelização. A oração abre as portas para libertar almas debaixo do controle das trevas. A verdade é que, quando fazemos, nós fazemos, mas quando oramos, Deus faz por nós.

7.     Igrejas crescem quando aproveitam as oportunidades que Deus dá“Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que se haviam reunido ali. Uma das que ouviam era uma mulher temente a Deus chamada Lídia, vendedora de tecido de púrpura, da cidade de Tiatira. O Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo”. (At 16.13-14).

A Evangelização foi algo natural e espontâneo, conforme observamos no texto. Foram para aquele lugar fora da cidade para orar, ali se assentaram, nada era formal, ninguém ficou de pé, gritando e esbravejando, ninguém estava usando paletó ou terno, a evangelização ocorre através do diálogo e da conversa.

Michael Green, descreveu doze teses sobre como a Igreja Primitiva de Atos dos Apóstolos fazia para evangelizar (Michael Green, em A missão da igreja no mundo de hoje, ABU, p. 56-7). Eis algumas delas:

i. A igreja primitiva fez da evangelização sua meta prioritária.

ii. Na igreja primitiva esperava-se que cada pessoa fosse uma testemunha de Cristo.

iii. Na igreja primitiva construções não tinham importância.

iv. Na igreja primitiva, a evangelização era um "bate-papo" espontâneo e natural sobre as boas novas.

v. Na igreja primitiva, a política adotada era ir ao encontro das pessoas, onde elas estivessem, e fazer discípulos entre elas.

Observe a espontaneidade da ação evangelística. Era uma conversa, informal, aberta, que transcendia a barreira da estrita moralidade de então que impedia homens e mulheres de conversarem em lugares públicos. O evangelho simplesmente fluiu, e logo vemos as pessoas sendo alcançadas pelo poder do evangelho. O Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo”. Nós pregamos, mas a salvação é ato exclusivo do Espírito Santo. Os homens só podem crer se Deus abrir seu coração para crer. Por isto é que conversão é obra exclusiva do Espírito Santo. Ele é quem nos convence do pecado, do juízo e da justiça (Jo 16.8). Esta é a razão pela qual muitos não se converterem. Se o Espírito não fizer, não há conversão.

Conta-se que certa vez Moody encontrou um bêbado que lhe disse: “pastor, foi o senhor me converteu alguns anos atrás”. E ele respondeu: “Ah! Tenho certeza que fui eu sim, porque se fosse o Espírito Santo você não estará nestas condições”.

8.     Igrejas crescem quando os novos convertidos são naturalmente inseridos na nova comunidade – “Tendo sido batizada, bem como os de sua casa, ela nos convidou, dizendo: Se os senhores me consideram uma crente no Senhor, venham ficar em minha casa. E nos convenceu” (At 16.15).

Lídia se converteu e a seguir, foi batizada. E não batizou sozinha. Trouxe seus filhos para selarem seu compromisso com Jesus e receberem o sacramento. Toda a família aos pés do Senhor. Toda família se vinculando à igreja local. Não consigo entender como alguém afirma ser convertido e fica em dúvida sobre o batismo e seu compromisso com a igreja local. Se entendemos o evangelho, queremos obedecer seus mandamentos e estamos interessados em ver o avanço do reino na terra. Por isto, fazer parte de uma comunidade torna-se o processo natural e imediato de alguém que já recebeu a salvação em Jesus.

9.     Igrejas crescem quando os novos convertidos abrem seus lares para acolher – “...ela nos convidou, dizendo: Se os senhores me consideram uma crente no Senhor, venham ficar em minha casa”.

Sua casa, a partir de agora, torna-se lugar para acolher aqueles que criam no mesmo evangelho. Lares abertos a Jesus são um sinal evidente de transformação.

Quando os lares se transformam em templos e em lugares de acolhimento, o evangelho tem um poder impactante sobre a cidade. Igrejas crescem quando famílias abrem seus lares para que penetre em suas estruturas domésticas. O evangelho transforma a dinâmica da casa. Gente nova, novos temas, reflexão sobre o evangelho e sobre a palavra, oração, louvores.

Muitas vezes o evangelho não tem facilidade para entrar em determinados condomínios, empresas, lugares herméticos, mas quando os cristãos abrem suas casas, e recebem a acolhem sua mensagem dentro dela, o poder do evangelho se amplia e espalha.

Assim aconteceu com Lídia. Agora convertida, abre sua casa. Seu convite é extremamente humilde. Ela entendia que a aceitação deles seria sinal de que ela realmente já pertencia ao Senhor Jesus. Ela havia saído para ir à beira do rio, talvez para lavar roupas, o quem sabe para vender suas mercadorias porque ali as mulheres se reuniam. E retorna para sua casa, transformada pela poderosa mensagem do evangelho.

Conclusão
Igrejas não crescem por causa de marketing, propaganda ou estratégia. Os princípios que analisamos acima demonstram como as igrejas florescem e são dinamizadas.

Uma observação: o fato de uma igreja fazer todas estas coisas acima não é garantia de que “tais métodos”, redundarão em resultados numéricos. A Bíblia não nos dá métodos, mas nos dá princípios, e não adianta tentar transformar princípios em fórmulas mágicas. Não temos aqui 9 passos para o crescimento de igreja, mesmo porque, quem dá a vida é o Senhor. O crescimento de uma semente é um mistério assim como é o crescimento de uma igreja.

Assim nos ensinou Jesus: “E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra. E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como”. (Mc 4.26-27). O homem lança a semente e vai dormir. Ele não sabe como ele germina, como acontece seu processo e nem fica ansioso com seu crescimento. Há um mistério no florescer da semente. É uma obra sobrenatural, misteriosa, a semente brota e cresce, sem que saibamos como. Assim se dá com o semeador, o homem de fé, que prega a boa semente, que é a Palavra de Deus, emprega os princípios da Palavra de Deus e com fé aguarda que Ele traga colheita abundante.

Assim é o Reino de Deus.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Atos 15 Decisões de Hoje, impactam o Amanhã


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Introdução:

Em toda história, a igreja sempre enfrentou adversidades, questões controvertidas, acusações e heresias. Parece fazer parte da igreja este tipo de enfrentamento, talvez reverberando a Palavra de Deus que diz: “Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos” (1 Co 11.19).

No nosso imaginário, conservamos a ideia de que a Igreja Primitiva era idílica. Temos uma visão romântica de uma igreja sem problemas, mas a verdade é que a Igreja do Século I enfrentou enormes dificuldades.

Em Atos 6, foi a murmuração de um grupo da igreja. A acusação era séria: discriminação e preconceito. A igreja então, para dirimir a errônea impressão decidiu eleger sete diáconos, todos com procedência do grupo que estava fazendo as reclamações. Com temor, seriedade e santidade, o problema foi resolvido.

Em Atos 11 a igreja enfrentou controvérsias em relação à inserção dos judeus no cristianismo. Os que não eram judeus poderiam se tornar cristãos? Não era isto uma prerrogativa apenas do povo judeu, eleito? Vimos em Atos 10 como foi difícil para Pedro, e em Atos 11, Pedro teve que se explicar diante da igreja de Jerusalém por causa do seu atrevimento de “atravessar a linha divisória”, indo aos gentios, pregando, entrando na casa de Cornélio e comendo com eles.

Agora em Atos 15, nova controvérsia se levanta. Os gentios convertidos teriam ou não que se submeter ao rito judaico da circuncisão? “Alguns indivíduos que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At 15.1).

Mais uma vez a igreja precisou discutir o assunto: “Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão” (At 15.6)

Duas expressões chamam a atenção:
            Não pequena discussão” (At 15.2)
            Havendo grande debate” (At 15.5).

A Igreja de Cristo, constantemente enfrenta controvérsias. A igreja enfrentou severamente a questão do evolucionismo nas escolas, perguntas relacionadas ao problema da dor e sofrimento: Por que as pessoas sofrem? Por que Deus permite o mal?  Recentemente questões relacionadas à bioética como o Aborto, e ecologia, como a sustentabilidade e preservação da natureza, assim como às sementes modificadas geneticamente, o uso do solo, assim como disputas acerca do divórcio e novo casamento, eutanásia, racismo, movimentos gays.

A igreja primitiva também enfrentou problemas e teve que lidar com grandes disputas, como a formação do cânon, controvérsias cristológicas, desafios missiológicos e culturais. Em Atos 15, o problema estava relacionado a um antigo rito judaico, que era uma marca de todo judeu genuíno: A circuncisão. Deveriam agora os cristãos, se submeter a este rito, mesmo não sendo judeus?

Nos dias atuais, temas desafiadores como bioética, aborto, ideologia do gênero, injustiça social e ecologia, desafiam a discussão. A igreja precisa ter ideias claras sobre tais assuntos.

Em Atos 15, a igreja definiu pelo menos quatro aspectos importantes:
A.   Não há distinção entre judeus e gentios – (At 15.9). Reafirmam a decisão de Atos 11 quando a controvérsia dos gentios foi levantada.
B.    Nenhum rito judaico faz diferença no exercício genuíno da fé cristã. Rito é jugo (At 15.10). Porque em Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisao tem qualquer importância, mas o ser nova criatura” (Gl 6.15).
C.    Salvação é pela graça e somente pela graça, pois só ela é capaz de “purificar o coração” (At 15.9).
D.   Impor ritos é “tentar a Deus” (At 15.10). Posteriormente Paulo afirmaria que colocar ritos ao lado da livre redenção pelo sangue de Jesus, é não apenas um sério desvio da genuína fé cristã, mas que leva a pessoa a decair da graça (Gl 5.4).

O que gera controvérsias?
Muitos temas podem se transformar fortes pontos de discórdia como a sucessão de uma empresa, a herança familiar, luta pelo poder, ideologias, politica, questões ética e religiosas.
Em Atos 15, duas foram as razoes das controvérsias, e estas são, ainda hoje, razões de divisões dentro das igrejas contemporâneas.

Primeiro, a má compreensão do Evangelho
Os irmãos chegaram aos gentios com uma opinião formada e estavam ensinando a circuncisão como algo essencial para ser nascido de novo. A pergunta é: De onde estes irmãos tiraram esta ideia esdrúxula? Esta discussão se tornaria central no Novo Testamento.
Paulo posteriormente ensinaria: “Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne” (Rm 2.28).Pois nem a circuncisão, me a incircuncisão  é alguma coisa, mas, sim, a guarda dos mandamentos  (Gl 2.8). “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne” (1 Co 7.19).
Portanto, a má compreensão do evangelho gerou esta controvérsia.

Segundo, os ranços da tradição
Em Atos 15.5 lemos: “Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés”.
Quem estava por detrás disto? Os fariseus convertidos.
Apesar de terem se encontrado com Cristo eles traziam uma bagagem legalista muito profunda, de tal forma que, a tradição estava se tornando mais importante que o Evangelho.
Não foi assim que aconteceu também a Pedro em Atos 10? Mesmo com uma visão celestial ele não queria obedecer. Pedro não poderia acreditar que ele comesse animais que faziam parte da lista de animais impuros descritos pela lei de Moisés. 

Como a igreja enfrentou as controvérsias?
1.     A igreja Aprofunda a discussão do assunto – “Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros, para examinar a questão” (At 15.6).

Discussões muitas vezes são cansativas. Se você já participou da reunião de um presbitério ou de um concílio, sabe o que estou falando. Geralmente temos preguiça existencial e mental de tratar longamente  determinados assuntos, mas precisamos lembrar que a Confissão de fé de Westminster durou 6 anos (1643-1649) e se constitui no documento base das igrejas reformadas ao redor do mundo,  bem como os Catecismos Maior e Breve. Esta famosa assembleia foi uma das principais contribuições dos puritanos, os calvinistas ingleses. Seus integrantes foram cerca de 120 dos mais piedosos e cultos ministros puritanos, ao lado de uns poucos, mas influentes, presbiterianos escoceses. Após extensos debates, o texto da confissão foi concluído no final de 1649. 
Afirmam alguns, que a definição de quem era Deus, que se tornou a resposta à sétima questão do Catecismo Maior: “Quem é Deus?” Surgiu da oração de um dos membros deste conclave. Deus é espírito em si, e por si, infinito em seu ser, glória, bem aventurança e perfeição; todo suficiente, eterno, imutável, insondável, onipresente, infinito em poder, sabedoria, santidade, justiça, misericórdia e clemência, longânimo e cheio de bondade e verdade”.

Os cinco pontos do calvinismo, na verdade não foram criados por Calvino, mas foi o resultado de uma longa reflexão acontecida na Holanda, quando se reuniu o famoso Sínodo de Dort que teve sua primeira sessão em novembro de 1618 e foi encerrada em Janeiro de 1619, contando com a presença de mais de cem delegados, inclusive alguns da Inglaterra, Escócia, França e Suiça. O sínodo era composto de 84 membros e 18 comissários seculares. Dos 84 membros, 58 eram holandeses, oriundos dos sínodos das províncias, e os demais (26) eram estrangeiros. Todos tinham direito a voto. O documento final, os Cânones de Dort, foi formulado em 59 artigos, separados em 5 pontos de doutrina. O documento foi assinado por todos os delegados em 23 de Abril de 1619. Foram ao todo 154 reuniões ao longo de sete meses. Mais tarde, os cinco pontos de divergência em relação aos artigos arminianos passaram a ser conhecidos como os "cinco pontos do calvinismo" e um acróstico foi criado para facilitar a lembrança de cada ponto. A esse acróstico deu-se o nome de TULIP:

Total depravação
Uma eleição incondicional
Limitada expiação
Irresistível graça
Perseverança dos santos

É importante frisar que os cinco pontos e os cânones de Dort não são uma exposição da doutrina reformada. Esta é muito mais abrangente. 

Quando o assunto é amplamente discutido, torna-se possível levantar questionamentos e tirar as dúvidas de forma mais exaustiva. É importante esgotar o assunto, mesmo quando ele suscita grandes divergências e altercações. “contenda, e não pequena discussão” (At 15.2), e “havendo grande debate” (At 15.7). Estes textos nos levam a entender que as questões foram, de fato, bem fortes.

2.     A Igreja traz as decisões maiores para a liderança – “Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros, para examinar a questão” (At 15.6).

A presença destes dois grupos, apóstolos e presbíteros, é mencionada três vezes (At 15.6,22,23). Os diáconos recém eleitos (At 6.1-6) não participaram da discussão, e nem mesmo a igreja, agora composta de quase cinco mil pessoas (At 4.4), também não foi consultada. A liderança, ordenada e instituída por Deus, tinha sobre si a autoridade para tomar tal posição.

Muitas vezes a igreja quer ser democrática demais em suas decisões. Certa pessoa afirmou que muitas vezes, “democracia é demonocracia”. O sistem presbiteriano dá autoridade a seus presbíteros ordenados e investidos na função, para dirigirem a igreja. Sabemos que toda autoridade, por sermos instituições lideradas por homens pecadores, corre risco de desvios e abusos, mas a igreja primitiva não tinha nenhuma dificuldade de decidir uma questão doutrinária tão importante, convocando tão somente os apóstolos e presbíteros.

Por esta razão, assumir a liderança é difícil. Você tem que enfrentar o ônus da sua decisão. Trazer a responsabilidade para si.

3.     A Igreja é direcionada pelo Espírito Santo – “Ora, Deus que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera” (At 15.8).

Eles sabem que estas questões, antes de mais nadas, foram trazidas pelo Espírito Santo, para desfazer as errôneas compreensões relacionadas ao verdadeiro espírito da igreja de Cristo.

Uma afirmação, porém, registrada em Atos 15.28 nos desafia grandemente: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais” . O texto não diz: “pareceu bem a nós e ao Espírito”. O Espírito tem primazia, vem em primeiro lugar. Não era um parecer da igreja, para ser chancelado pelo Espírito, mas do Espírito, que direcionava a igreja. O que a liderança decide não pode vir em primeiro lugar, antes o que Deus decide.

4.     A igreja retorna aos princípios essenciais – “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais   (At 15.28).

Existe uma frase em inglês que diz: “Back to the basics”.
Foi isto que a igreja primitiva fez. Ela definiu a essência da fé cristã, a essência do Evangelho. Não dava para ficar gastando energia em questões polêmicas e rudimentares. Qual era a essência?

A.   Não há distinção entre judeus e gentios – “E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé, o coração” (At 15.9). A Igreja precisava de uma vez por todas deixar claro que a barreira entre gentios e judeus fora quebrada. Que Jesus não era posse de um grupo étnico ou religioso. Deus havia começado a quebrar tal barreira com Pedro, um dos mais conservadores, e ele se sentia honrado de ter sido escolhido por deus para em primeiro plano pregar aos gentios a palavra do evangelho e cressem na mensagem da cruz (At 15.7). Deus estava “constituindo dentre os gentios, um povo para seu nome” (At 15.14).

B.    A salvação é resultado da fé no evangelho – “purificando-lhes pela fé, o coração” (At 15.9). A circuncisão não acrescentava nada à salvação, porque ela era resultado da livre graça de Deus demonstrada na obra de Cristo em favor dos homens.

C.    A circuncisão não tinha qualquer valor essencial para a vida cristã. Embora esta não fosse a questão essencial, ela foi o ponto da discussão. Portanto, não vamos “impor maior encargo” aos novos convertidos (At 15.28), nem “perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus” (At 15.19). Esta seria a mesma instrução dada pelo Espírito na Carta aos Gálatas: “Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem valor algum, mas a fé que atua pelo amor” (Gl 5.6)

5.     A Igreja busca direção na Palavra – “Como está escrito” (At 15.15). O povo de Deus é constantemente pressionado pela cultura e pensamento humanista. O que deve definir nossas convicções? A Palavra. Não o pensamento secular, sociedade, tradições, mas a Palavra.

Por isto o texto afirma que, depois de consultarem a Palavra, chegaram às decisões necessárias. As Escrituras Sagradas são a regra de fé. “Pelo que” (At 15.20).

Este foi o divisor de águas também na Reforma:
Na Dieta de Worms, pressionado pelo Imperador, príncipes e senhores feudais, para que fizesse solenemente a retratação de seus escritos, Lutero declarou: “A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém.”

6.     A igreja deixa clara sua decisão – “Falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras   (At 15.13). Temos a nítida impressão que Tiago era o moderador da discussão, já que é ele quem clarifica o ponto de vista do grupo. Eles chegaram a um “pleno acordo” (At 15.25), e Tiago deixa clara o que eles decidiram. Em Atos 15.13 ele apresenta a resolução.

Muitas vezes a liderança da igreja toma uma decisão mas não deixa claro sua decisão. Quando falamos claramente o que pensamos, as pessoas poderão não concordar conosco, mas elas saberão o que pensamos. Liderar com ambiguidade e frouxidão numa época de relativismo e pluralismo como dos dias atuais, pode trazer graves consequências.

A Igreja Católica afirma que Pedro foi o primeiro Papa da história, mas a liderança deste conclave para decidir os problemas que estão sendo discutidos não foi de Pedro, mas de Tiago. Claramente podemos ver no texto que ele foi o moderador da reunião. No vs 13 lemos: “Depois que eles terminaram, falou Tiago˜. Visivelmente ele está na liderança e faz a síntese de tudo o que aconteceu.

A Igreja havia chegado a uma conclusão acerca da irrelevância da circuncisão, e eles tinham quatro recomendações para todas as igrejas: “que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne dos animais sufocados e das relações sexuais ilícitas” (At 15.20,29). Para entender este assunto, acesse outro sermão que escrevi: 

https://revsamucasermoes.blogspot.com/2018/11/como-interpretar-as-recomendacoes.html

7.     A Igreja escreve suas resoluções – (At 15.23).  Esta é a sexta forma que a igreja usou para enfrentar as controvérsias: Ela escreveu suas decisões. Para aqueles que acham que ata é algo desnecessário, eis ai uma boa razão para registrarmos o que decidimos. As pessoas mudam, passam, morrem, mas se está escrito, escrito está!

Os apóstolos e presbíteros escreveram as resoluções enviando-as aos irmãos das igrejas gentílicas que estavam em Antioquia, Síria e Cilicia. Esta era uma forma de impedir que a mensagem pudesse ser desvirtuada ou mudada, ou que, diante de algum questionamento, pudesse ser deturpada. Ao escrever garantem a exatidão do conteúdo, afinal, “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Escrever garantia a legitimidade das decisões e nos orienta, até os dias de hoje.

8.     A igreja comunica suas decisões – A decisão não fica escondida. Muitas vezes a igreja toma as decisões mas não as comunica, ou as comunica de forma parcial ou ineficiente.

Recentemente numa discussão com os obreiros da igreja, cuja dinâmica é bem movimentada, chegamos à conclusão que um dos maiores desafios que temos na ação da igreja é a comunicação clara. Será que as pessoas estão entendendo o que estamos falando? A mensagem está clara para as pessoas? Muitas vezes, decisões não são entendidas ou assimiladas sequer pelo staff da igreja e pela liderança.

Conclusão
A Igreja primitiva estava enfrentando grandes riscos. A decisão que tomaram haveria de influenciar e determinar a maneira como a igreja agiria, não apenas naquela hora em que a discussão estava sendo levantada, mas toda a história da igreja e sua teologia. Errar neste momento seria fatal.
Os líderes não apenas influenciaram a maneira como a igreja se comportaria naqueles dias , diante das discussões levantadas, mas, baseado nesta decisão, Paulo será insistente e redundante ao tratar do assunto da circuncisão.

O que concluímos?
Nossa decisão hoje, afeta o amanhã.
Não estamos pensando apenas numa igreja para hoje, mas numa comunidade que atinja nossos filhos e filhas.

Lembretes importantes para nossa vida diária:
1.     Todas as questões controvertidas devem ser tratadas com zelo, temor e santidade. A igreja cresce quando age desta forma. Não existe igreja perfeita, mas igreja fiel.

2.     É necessário guardar o que é essencial. Muitas vezes nos perdemos em muitas proibições, exigências cerimoniais e religiosa, entretanto, a obra de Jesus não precisa de penduricalhos, adereços ou ritos. Ela é completa. A cruz é suficiente. Somos salvos pela obra de Cristo. Qualquer outro item é secundário e até mesmo “fraco rudimento”. Se você ainda está fundamentando sua salvação na guarda de um rito ou baseado na sua moral ou esforços religiosos, você está equivocado quanto ao pensamento bíblico.

Tim Keller afirma: Se você busca retidão com Deus por meio de sua moral e de sua religião, não está buscando a Deus para ser salvo, mas está usando Deus como meio de obter a sua própria salvação”.

3.     A decisão de hoje determina o amanhã. Como indivíduos precisamos colocar os pés em fundamentos sólidos, não gastar energia em detalhes irrelevantes. Como família precisamos investir naquilo que é essencial, e como igreja não podemos vacilar. As controvérsias são imensas e falhar na interpretação é falhar na missão, a igreja sofrerá e isto impactará as futuras gerações.