domingo, 9 de setembro de 2012

Mc 13.24-37 A Volta de Cristo


Introdução:

Como falamos anteriormente, C.H. Dodd, no clima do otimismo humanista na virada do Século XIX, elaborou o conceito da Escatologia Realizada, que foi amplamente utilizada pelo Pós-Milenismo, e que afirmava que a volta de Cristo se daria pela ação da igreja que se expandiria e traria a mensagem do evangelho a todos os povos. Posteriormente Jurgen Molltman desenvolveu o conceito do “Horizonte utópico”, afirmando que a volta de Cristo não seria literal, mas uma utopia que sempre estava na mente dos seguidores de Cristo encorajando-os a permanecer firmes na luta pelo Evangelho.
O apóstolo Pedro, na sua segunda carta, fala de um grupo, já nos dias apostólicos, que tinha uma visão não muito ortodoxa da volta de Cristo: “Tendo em conta, antes de tudo, que nos últimos dias, virão escarnecedores, com os seus escárnios, andando segundo as proprias paixões e dizendo: Onde est;á a promessa de sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as cousas permanecem como desde o principio da criação” (2 Pe 3.3,4).
Neste texto, Jesus fala de sua volta, e faz questao de esclarecer sobre este assunto:

  1. A Volta de Cristo é certa – “Então, verão o Filho do homem vir nas nuvens” (Mc 13.26). Não se trata de especulação ou conjectura. Ele virá!
Quando Jesus estava sendo levado para os céus, se despediu de seus discípulos, e à vista dos mesmos, “foi elevado às alturas e uma nuvem o encobriu de seus olhos”(At 1.9), e enquanto ainda olhavam para os céus, eis que dois varões, vestido de branco, se puseram ao lado deles e lhes disseram: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Este Jesus que dentre vós foi assunto ao ceu, virá do modo como o vistes subir”(At 1.11).

  1. A volta de Cristo consumará uma era de “de grande tribulação”e estabelecerá um novo período na história – Jesus estava falando de todas as catástrofes que viriam (Mc 13.24-25), e logo em seguida afirma: “Então, verão o Filho do homem vir nas nuvens” (Mc 13.26). Será a transição do caos para a ordem suprema.
Este “então” demonstra ruptura e mudança. Uma nova realidade surgirá. Pedro afirma que Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas” (2 Pe 3.10).
Um antigo cântico do Grupo Milad, reflete bem esta teologia bíblica:

Vinde Vós Os Povos
Milad

Oh vinde vós os povos de todas as nações erguei-vos e cantai com alegria
Fazei no ar soar a vossa melodia que Jesus Cristo traz libertação.
È tempo de esquecer a vil escravidão que em vós exercem homens ou ideias
É tempo de dizer que só Deus pode ser: O único Senhor da humanidade.

A Verdade vos libertará sereis em Cristo verdadeiramente livres
Vinde todos sim oh vinde já E celebrai com alegria s vossa libertação

E vós os oprimidos, e vós os explorados e vós os que viveis em agonia
E vós os cegos, coxos, vós cativos sós sabei que em breve vem um novo dia
Um dia de justiça, um dia de verdade, um dia em que haverá na terra paz
Em que será vencida a morte pela vida e a escravidão enfim acabará.

A volta de Cristo estabelecerá uma nova ordem social. Será um dia de justiça, de estabelecimetno da verdade. No discurso de Pedro em At 3, ele afirma o seguinte: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor, E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio” (At 3.19-21).

  1. A Volta de Cristo será visivel – “Então, verão o Filho do homem vir nas nuvens” (Mc 13.26). Não será um retorno espiritual ou invisível, mas todo olho o verá. “Este Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, virá do modo como o vistes subir”(At 1.11). Os Testemunhas de Jeová afirmam que Jesus veio, invisivelmente, entre os anos de 1914-1918. e por isso, ninguém consegue vê-lo, e que ele agora se encontra reinando sobre a terra. A Bíblia não fala da volta de Cristo invisível, pelo contrário, faz questão de frisar que seu retorno será visto por todos os homens.
Em Ap 1.7 está escrito: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém”.

  1. A Volta de Cristo inesperada – “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai. Estai de sobreaviso, vigiai {e orai}; porque não sabeis quando será o tempo” (Mc 13.32-33)
Será um dia comum, a vida seguindo seu curso normal. Não haverá tempo para nada. A trombeta soará e Cristo se manifestará visivelmente a todos. Será como nos dias de Noé, em que os homens casavam e se davam em casamento, as pessoas negociavam, vendiam propriedades e compravam. O sol havia nascido da mesma forma. Quando Jesus voltar, o  cosmos será abalado pela sua presenca.
Em 1992 pastoreando no Rio de Janeiro, fui insistentemente convidado por duas senhoras de minha igreja para uma reunião da Adhonep no Hotel Nacional. Cerca de 2200 pessoas estavam presentes ali naquele auditório lotado, e o pregador pentecostal Morris Cerullo foi o conferencista da ocasião. Na sua palavra ele nos disse que a década de 1990, que estava começando, seria a década da decisão, porque o próprio Jesus estivera com ele num hotel em Londres e comunicara que ele não morreria, mas seria arrebatado com a igreja. Nesta hora uma pergunta veio à minha mente: “Jesus afirmou que ninguém sabe o dia, nem mesmo o Filho, senão o Pai”, e ele, antecipando esta pergunta dos ouvintes afirmou: “Muitos de vocês devem estar afirmando que ninguém pode saber a época da volta de Cristo, por causa da afirmação de Jesus, no entanto, nos esquecemos do o livro de Amós: “Certamente, o Senhor não fará cousa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas”. (Am 3.7). E o pregador foi além ao afirmar: “Eu não morrerei, mas subirei com a igreja, porque na década de 90, Jesus retornará!”. Como vemos, sua profecia era falsa, e não se cumpriu.
O fundador dos Adventistas do 7º Dia, Guilherme Miller, nos surgimento desta igreja, fixou, com base em Dn 8.14, que a data da volta de Cristo seria em 1843, Nada acontecendo no dia marcado (22.3.1843), mudou a data para 22.10.1844, e também nada aconteceu. Então, ele mesmo admitiu seu erro, mas Hirá Edson, seu seguidor, disse ter tido uma visão que Jesus, na verdade, no dia previsto, teria entrado no santuário celestial (por esta linha de raciocínio a gente não sabe onde Jesus se encontrava...) e iniciou o chamado juízo investigativo, que é uma das doutrinas mais temidas e ameaçadoras do adventismo.
Jesus afirma que “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor”. (Mt 24.37-42).
Sua vinda será inesperada. Pode ser hoje, amanhã, na próxima década. Jesus nos ensinou: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.27).
Por isto Jesus adverte: “Vigiai, pois...para que vindo ele inesperadamente não vos ache dormindo” (Mc 13.35)

  1. A Volta de Cristo será para julgamento – Hoje é o tempo de salvação. Hoje anunciamos a obra de Cristo realizada de forma cabal na cruz, trazendo redenção para todo aquele que crer. Mas quando ele voltar, não será  mais um tempo de oportunidade, e sim de julgamento. “E ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu(Mc 13.27).
Será um dia de muita perplexidade, porque todos serão julgados pelo reto juiz, e as obras dos homens serão manifestas a todos.E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo... Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.31-34,41).
Será um dia de grande espanto e susto para muitos.
Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima”(Lc 21.25-28).
No livro de Apocalipse ainda lemos:
Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” (Ap 6.15-17)

  1. A Volta de Cristo será gloriosa – “Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito. Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória. E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu” (Mc 13.23-27).
Jesus não voltará como o servo sofredor de Isaias 53, nem de forma frágil assumindo a identidade de uma criança dentro de um contexto de simplicidade e pobreza, mas virá em glória e poder, com todos os anjos ao seu redor.
A mensagem do livro de Apocalipse é que Jesus é o Senhor dos Senhores e rei dos reis, e todas as coisas, absolutamente tudo, até mesmo o inferno e a morte estão debaixo de seu domínio. Certo nordestino arretado afirmou: “O diabo é bicho frouxo, porque não consegue controlar nem sua casa!”. Eis como Apocalipse descreve a volta de Cristo:Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.12-16).
Na sua vinda manifestará toda sua glória e poder, todo o seu domínio e majestade. “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mt 25.31-32).

 Conclusão:
Gostaria de encerrar com três consideracões finais:
  1. Estas palavras são decreto de Deus, e ninguém poderá revogá-las – “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão”(Mc 13.41). “Os dons e a vocação de Deus são  irrevogáveis” (Rm 11.29). “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra tem sido entesourados para fogo, estando reservados para o dia do juizo e destruição dos homens ímpios” (2 Pe 5.7).
  2. Por não sabermos o dia do Senhor, o único salvo conduto é uma vida de vigilância – Devemos estar preparados. Vigiai... Esta é uma advertência que se repete no texto de nossa meditação, pelo menos 4 vezes (Mc 13.33,34,37). Devemos estar de sobreaviso para que este dia não nos pegue desprevinido, com um ladrão.
  3. Arrependei-vos e santificai-vos – Precisamos nos arrepender de nossos pecados, das nossas obras más que ferem o coração do Pai celeste, precisamos deixar nossa vida de obstinação e dureza, de viver deliberadamente em pecado, ignorando as solenes advertências das Escrituras Sagradas. Precisamos também nos arrepender da nossa justiça pessoal, que nos leva a crer que não precisamos da redenção que Cristo realizou na cruz.
Se Jesus voltasse hoje e lhe perguntasse: Você está preparado? Se a trombeta soasse esta noite, você iria para o inferno ou ainda não tem certeza. Se Deus lhe perguntasse: “Por que devo deixá-lo entrar no meu ceu, o que você responderia?”
Precisamos colocar nossa confianca em Cristo, confiar inteiramente na sua obra.
Gostaria de colocar sua vida de incertezas e entregar sua vida a Cristo? Gostaria de se arrepender e mudar de vida? Gostaria de se voltar para Deus de todo o seu coração.
Entao, ore ao Senhor, pedindo para que ele entre hoje em sua vida. Amanhã pode ser muito tarde, hoje Cristo te quer libertar. Hoje é tempo de salvação, reconciliação. Hoje é o tempo sobremodo oportuno para restauração de nossa comunhão com Deus.

domingo, 26 de agosto de 2012

Mc 13.1-24 Quando sucederão estas coisas?




Introdução:


Poucas doutrinas bíblicas tem sido tão mau interpretadas e negligenciadas quanto a Volta de Cristo. Estava tentando lembrar quando foi a última vez que preguei sobre este assunto e honestamente não me lembrei.
Desde os dias apostólicos, alguns deturparam e negaram a volta visível de Cristo. O apóstolo Pedro, na sua segunda carta afirma: “tendo em conta, antes de tudo, que nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permancecem como desde o principio da ciracao. Porque, deliberadamente esquecem...” (2 Pe 3.3-5a).
Recentemente, alguns intérpretes liberais como C.H.Dodd, falaram da escatologia realizada, afirmando que a volta de Cristo se daria por meio da ação da igreja, que vai combater sistemas iníquos, e que a volta de Cristo nada mais é que a expansão do reino visível da igreja na historia. Outro teólogo, Molttmann, na sua “teologia da esperança”,diz que devemos interpretar a vinda de Cristo, como uma “esperança utópica”. Utopia é uma expectativa que sempre nos mantém repletos de esperança, mas que não vai se cumprir na sua literalidade, e alguns pastores brasileiros conhecidos chegaram a veicular na internet esta visão.
Neste texto, os discípulos estavam apreciando a construção do templo de Jerusalém, que havia sido reedificado por Herodes. A construção era de fato magnífica. Herodes, o Grande, começou a reconstruir o templo no ano 19 a.C, usando mármore e ouro como materiais de decoração. O átrio exterior era magnífico, tinha 457 mts de comprimento, por 274 mts de largura, cercado por muros de pedras brancas maciças, algumas das quais eram de 5 mts de comprimento por 1 de largura. Os discípulos estão impressionados com a arquitetura do templo, e seu comentário sobre a sua beleza leva Jesus a falar de sua volta.
A pergunta dos discípulos no vs 3, parece apontar para a destruição do templo, mas a resposta de Jesus inclui não apenas este evento que se daria no ano 70, quando Jerusalém foi saqueada e o templo queimado e destruído pelo general romano, Tito Vespasiano, que posteriormente se tornaria o imperador. O arco de Tito, comemorando sua vitória sobre Jerusalém, ainda existe em Roma até os dias de hoje.
A destruição de Jerusalém é apontada por Jesus como o prenúncio do Juízo Final, e sinal da ira vindoura. No ano 70, os romanos entraram no templo de forma militar, com seus estandartes, insígnias cerimoniais e soldados e carregaram todos os utensílios sagrados do templo, levando-os para Roma.
O que devemos aprender destes ensinamentos de Jesus:
1.       Não devemos impressionar com a grandeza e pompa deste século, pois até mesmo as majestosas construções serão derribadas – Mc 13.1
Os discípulos estavam profundamente impressionados com a arquitetura, pompa e riqueza do templo. Herodes havia investido profundamente na construção do templo para agradar os juDeus. Setores mais conservadores afirmavam que ele era edomita, e que por isto não podia governar sobre Israel, pois ele não era um judeu puro, então ele resolveu politicamente dar uma resposta, se tornando forte defensor da religiosidade nacional, ainda que seu coração fosse completamente distante de Deus. Ele queria dividendos políticos e os obteve.
Jesus, porém, demonstra a fragilidade dos grandes impérios, grandes conquistas e construções. “não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada”(Mc 13.2). Os impérios e poderes humanos possuem pés de barro, como no sonho interpretado pelo profeta Daniel.
Muitas vezes nos impressionamos com a beleza dos templos e das grandes obras, mas o maior legado que podemos deixar para a próxima geração não está nos prédios que construímos, mas nas vidas que são edificadas aos pés de Cristo.

2.       Jesus fala de sinais. Precisamos estar atentos porque eles não deixam que nossa atenção se distraia. Quais são estes sinais?

a.      O surgimento de falsos Cristos – “Muitos virão em meu nome, dizendo: sou eu; e enganarão a muitos”(Mc 13.6). O termo “Cristo”, é a tradução grega para “Messias”, no hebraico. Jesus está se referindo ao messianismo, tão comum em tantas culturas. No ano 130 d.C, surgiu um famoso postulante messiânico, Bar Kochba – líder de uma rebelião contra os romanos. De lá para cá, sempre surgem substitutos de Cristo, e não me refiro a figuras bizarras como Inri Christi, que é ridículo, mas a todas as expressões que se revestem desta idéia de ser um redentor, revelada em famosos gurus com receitas e propostas que atraem centenas de atores, políticos e poderosos de nossos dias. São pessoas em quem levam outros a tomar decisões e firmar suas vidas nos seus ensinamentos.

b.       A profileração de conflitos – “Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerra” (Mc 13.7). É impressionante a capacidade do ser humano para viver em guerras. Existem muitas que se tornam conhecidas como os conflitos na Europa, e principalmente duas guerras mundiais num período de apenas 30 anos no século passado. Recentemente a Europa estava celebrando o fato de que nestes últimos 50 anos não houve sequer uma guerra entre nações daquele continente, mas existem ainda dezenas de sangrentos conflitos étnicos que não são sequer conhecidos ou anunciados pela mídia.

c.       Calamidades – “Haverá terremotos em vários lugares e também fomes”(Mc 13.8). Segundo a ONU, diariamente 800 milhões de pessoas passam por algum tipo de privação de alimento.  Entre 1964-94, período de grandes atividades sísmicas, houve mais terremotos que todos os séculos passados. A terra está em convulsão. Espera-se um terremoto chamado Big One, na Califórnia, que deverá mudar a geografia dos Estados Unidos. Tal incidente já tem sido anunciado por peritos e técnicos há muito tempo.

d.      Perseguição aos discípulos de Cristo – “Vos entregarão aos tribunais e às sinagogas” (Mc 13.9). Recentemente li o livro “O homem do céu”, de um pregador chinês chamado irmão Yun, descrevendo os horrores da perseguição religiosa na China. Milhares de cristãos tem sido dizimados, perseguidos em muitos países por causa de sua fé. Estatísticas apontam que apenas no Século XX tivemos mais mártires que a soma de todos os demais 19 séculos da cristandade. Estas estatísticas foram impulsionadas especialmente pela Cortina de Ferro (extinta Rússia), e a cortina de Bambú (China), ambas com vertentes marxistas.

e.       Evangelho pregado a todas as nações – “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10). O termo “nações” aqui não se refere a uma nação política, mas a etnias. Por exemplo, o Brasil é apenas uma nação, mas temos no nosso território nacional cerca de 200 etnias, grupos linguísticos e culturais distintos, entre os povos indígenas. Um dos sinais da vinda de Jesus é a pregação do evangelho a estes povos. Faz parte dos sinais da vinda de Cristo a pregação do evangelho a estas sub-culturas, não só do Brasil, mas de muitas outras regiões ao redor do mundo.

f.        Perda do afeto natural – “Filhos se levantarão contra os progenitores e os matarão” (Mc 13.12). O conflito entre membros da família revela a dificuldade de uma geração de organizar seus afetos. São pessoas que perderam o senso das coisas básicas da vida, e suas referências éticas e afetivas.

g.      Oposição frontal ao evangelho – “Sereis odiados de todos por causa do meu nome” (Mc 13.13). Fala-se muito em discriminação de grupos, mas você pode fazer opções das mais radicais hoje, na sua sexualidade, na sua crença, nas suas opções alternativas e terão menos rejeição que como evangélico. Assente-se num grupo que não lhe conhece, e verá que ali existem pessoas crêem  na reencarnação de Ramssés VIII, que foram lagartixas na outra vida, e outros estarão interessados em saber como é isto, mas se você falar que ama a Jesus, e que resolveu ser radical no discípulo, verá as pessoas torcendo o nariz para sua opção de fé. Ser cristão significa distanciamento e oposição.

h.      Manifestações do anti Cristo – “Quando, pois, virdes o abominável da desolação”(Mc 13.14). Em Dn 11.31 há uma profecia sobre a profanação do templo, que se cumpriu em 168 a.C., quando Antioco IV, se auto denominou Epifânio (manifestação divina) e invadiu o templo judeu, edificando ali um altar pagão, e sacrificando um porco no local mais sagrado do templo que era o Santo dos santos. Jesus faz uma aplicação deste incidente histórico com sua vinda, afirmando que este ser, surgirá “operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mc 13.22).

A Bíblia dá vários nomes ao Anti-Cristo, o abominável da desolação é um destes. Além deste podemos encontrar
(a) - O assolador (Dn 9.27);
(b)- O homem do pecado, o filho da perdição (2 Ts 2.3);
(c)- A besta (Ap 13.11)
(d)- O Anti-Cristo, nome usado apenas por João (1 Jo 2.18-22 e 4.3).
(e)- O Falso Profeta – Ap 13
Todos eles, personificação do mal.
i.        Grande tribulação“tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo” (Mc 13.14-20). Jesus se refere especificamente às grávidas, porque em tempos de escassez, catástrofes, ou tragédias políticas estas pessoas sofrem de forma muito intensa. Jesus pede para que oremos a fim de que tal sofrimento não se dê no inverno. Não é fácil fugir quando o clima é muito frio e não há abrigo.

Conclusão: Que resposta dar a estas palavras de Jesus?

1.       Jesus nos exorta a perseverarmos – Mc 13.13 Em momentos de perseguição e oposição, é fácil perder a capacidade de luta e desistir. A vitória, porém, não é daquele que corre até no meio da jornada, mas daquele que fica firme até o fim.
O autor de hebreus afirma que “não somos dos que retrocedem para a perdição”. Devemos continuar firmes na fé, inabaláveis, continuando a lutar por aquilo que cremos. Quanto maior for a oposição, mais necessidade teremos de perseverar, até o fim.

2.       Jesus nos alerta para não ficarmos impressionados com sinais e prodígios impactantes, porque muitos sinais são formas malignas que o anti-Cristo vai usar para enganar, se possível, os próprios eleitos (Mc 13.22). Este aspecto chama a atenção porque somos uma geração facilmente impressionável. Gostamos de ver coisas, não é sem razão que “João de Deus” de Abadiânia atrai tantos seguidores, simples e famosos; não é sem razão que propagadores de curas e fenômenos sempre enchem estádios. Queremos ver, acreditamos que nossas convicções, mesmo as espirituais, são autenticadas por percepções do sobrenatural. Jesus nos adverte: “Estai vós de sobreaviso, tudo vos tenho predito”(Mc 13.23).

3.       Jesus nos ensina a ficarmos alertas – Não ficarmos desatentos nem indolentes “vede que ninguém vos engane” (Mc 13.5) e “estai vós de sobreaviso”( Mc 13.9). Temos que ficar em estado de alerta, como o vigia de uma torre. A parábola das 10 virgens, contada por Jesus, mostra que o descuido e a sonolência na vida espiritual podem ser fatais. Não podemos viver de forma displicente. “Viva cada dia como se fosse o último, um dia, certamente será”.

Gn 2.18-25 O Casamento no projeto da criação

Introdução:



Casamento tem sido uma das instituições mais questionadas em nossos dias. Existe um bombardeio direto contra a família, parece que todos projetos de lei possuem o único objetivo de desmoralizar, desqualificar, depreciar e enfraquecer a família enquanto instituição.
Este é um dos mais claros textos para que entendamos o que é o casamento na perspectiva cristã. Como cristãos, ao invés de ficarmos pressupondo, filosofando ou psicologizando a família, precisamos abrir a Palavra de Deus e ouvi-la, ao invés de questionarmos e nos opormos a ela. O Rev. Wilson de Souza costumava dizer: “Se Deus não disse o que teria dito, por que ele não disse o que teria de dizer?”
Deus designou o casamento como fundação segura da sociedade humana. Antes que igrejas, escolas e outras instituições de negócios fossem estabelecidas, o casamento foi instituído. Se fosse um projeto meramente humano, poderíamos descartá-lo, mas ele foi projetado pelo próprio Deus, e Jesus afirmou: “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mt 19.6). O divórcio não fazia parte do propósito original de Deus, mas se tornou uma cláusula de exceção por causa da dureza do coração dos homens (Mt 19.8). Separação é um remendo mal feito na obra de Deus para resolver a incapacidade que temos de perdoar, cuidar, fazer concessões e abençoar os outros.
Este texto bíblico nos ensina profundas verdades sobre o casamento:

1.     Casamento: Projeto de Deus – “Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora”(Gn 2.18).
a.       Faz parte do projeto inicial de Deus, de sua criação. Antes de ser uma instituição humana, é iniciativa de Deus - Deus é seu arquiteto.

b.      Não é projeto resultante da queda da raça humana e nem foi dado como consequência do pecado.

c.       Jesus afirma: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher? Portanto...  O que Deus ajuntou  não o separe o  homem” (Mt 19.4,6b).

Perigos:
a.       Esvaziá-lo, transformando-o num evento meramente humano.  Um contrato oportunista no qual se busca vantagens. Sendo instituído por Deus, torna-se uma instituição sagrada, e por isto não deve ser dissolvido, até a morte.  Divórcio é uma ruptura no projeto de Deus.

b.      Casamento não é regulado pelo governo, ou pelas conveniências humanas, porque suas regras são dadas Deus e não por poderes públicos.

c.       O Estado tem a função de manter os recordes e as certidões em ordem, mas não pode determinar como deve ser o casamento ou o divórcio porque isto é ato exclusivo de Deus. Ele revelou seu plano nas Escrituras sobre este assunto.

d.      O ataque ao casamento não é coisa banal, mas vai direto ao projeto e propósito inicial de Deus para a raça humana. Deus chama o casamento de aliança, portanto não é um contrato (Pv 2.17). No Éden, Deus instituiu e oficiou este pacto. Um pacto nas Escrituras é solene compromisso entre o regulador e o sujeito. Um pacto assim formalizado traz benção quando mantido e maldição quando quebrado e não podemos fazer regras no casamento para justificar nossa tendência pecaminosa. Existem leis e princípios ordenados claramente por Deus e que devem ser cumpridos.

2.  Casamento: Projeto para romper a solidão: “Então disse Deus, não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora” (Gn 2.18).
a.       A razão principal da instituição do casamento foi o “companheirismo”.

b.      Jay Adams: O objetivo principal não era o sexo (não é necessário casar para ter sexo), nem procriação (não é necessário casar para ter filhos), mas uma companheira.

Perigos:

a.       Casar e ainda continuar na sua individualidade, onde os parceiros não constroem  intimidade suficiente para vencer o isolamento, protegidos pelas máscaras e ocultamento. Nega-se assim a vulnerabilidade da relação. Perigo de continuar “só”, depois de casados.

b.      O fator casamento, em si, não é suficiente para romper a solidão, como bem escreveu o poeta Mário Quintana no seu poema “Liberdade Individual” (1998). Para ele, os casais deveriam prometer "que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?”

2.     Casamento: Projeto de igualdade.Tomou uma de suas costelas”(Gn 2.21).

a.       Costela: Idéia de alteridade e igualdade. 

b.      Agostinho afirma: “A mulher não foi tirada do pé, para não ser subjugada, nem da cabeça,  para não ser superior”. Outro escritor completo, “mas debaixo do seu braço para ser protegido, e do lado do coração, para ser amada”.

Perigos:

a.       Opressão e dominação. Relacionamentos facilmente se tornam formas de manipulação e superioridade. Relacionamentos opressivos quebram o propósito original de Deus.

b.       Em Cristo, não há superioridade masculina ou feminina (Gl 2.17), embora no lar, Deus tenha delegado a liderança da casa ao marido, trata-se de função, e não de gênero. Submissão tem a ver com papéis, e não com masculinidade ou feminilidade. No lar o marido tem a liderança, por isto a mulher deve ser submissa ao seu próprio marido e não aos homens.

c.       Depreciação. Não valorizar o outro. Casar com um subalterno. Inferiorizar, diminuir ou desconsiderar o outro.

4. Casamento: Projeto de apoio e complementareidade“Far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”((Gn 2.18).
a.       Auxiliadora: literalmente “escudeira” (hebraico).

b.      Bíblia de Genebra: “A palavra auxiliadora implica na inadequação do homem, não a inferioridade da mulher, pois é usada geralmente para Deus”.

c.       Idônea: “A expressão assume um relacionamento de complementareidade; o que lhe falta, ela supre, e vice-versa. Ambos compartilham da imagem de Deus” (Bíblia de Genebra).

Perigos:
a.       Dormindo com o inimigo.

b.      Relacionamentos competitivos: Dinheiro /atenção/afeto dos filhos/poder/controle.

c.       Ver o outro como rival: “poder de ter razão”.

5. Casamento: Projeto de alegria: "Esta afinal é osso dos meus ossos, e carne da minha carne" (Gn 2.22).

a.       O texto é poético, e deve ser lido com paixão. Adão vibra de alegria.

b.      O texto revela o prazer que Adão encontra quando encontra Eva. Ele literalmente “salta de alegria”.

c.       Lar: Projeto de alegria, celebração, ninho, acolhimento e graça.

Perigos:

a.      Lares sem espontaneidade e alegria: Certa mulher assim se expressou: “Eu perdi o encanto”. Muitos lares perderam o lúdico.

b.      Lugar de castração, constrangimento, ambiente onde se patologiza e adoece o outro, onde a alegria nunca é encontrada.

c.       Lares enfermos e adoecidos. Nelson Rodrigues: “Família, na melhor das hipóteses, só serve para enriquecer a indústria farmacêutica e dar emprego a psiquiatras”.


6. Casamento: Projeto de privacidade - Por isso, deixa o homem pai e  mãe e se une à sua mulher”(Gn 2. 24)

a.      Casamento envolve ruptura. Casais sofrem quando não conseguem quebrar o vínculo umbilical e casam  sem “romper”.  Sogro (a)  por  perto para “ajudar”  nas crises.

b.      Jovens casais precisam de privacidade, para que possam crescer e resolver suas próprias dificuldades e lutas.

Perigos:

a.      Ausência de cumplicidade, incapacidade de preservar a privacidade, tudo é aberto demais, não há segredos nem cumplicidade.

b.      Pais que não deixam seus filhos resolverem os conflitos, não permitem que amadureçam.

c.       Sogros (as) invasivas, que tomam decisões pelos filhos.

7.  Casamento: Projeto de intimidade - Ora, um e outro, homem e sua mulher estavam nus, e não se envergonhavam” (Gn 2.25).

a.      Capacidade de serem autênticos, se exporem sem temor de serem ridicularizados ou diminuídos.

b.      Estar nú tem a ver com transparência e vulnerabilidade.

c.       Necessidade de intimidade física. Vida sexual plena, sem recalques, iras e culpas. Sexo foi criado por Deus, e antecede a queda. Não podemos deixar de falar daquilo que Deus não teve vergonha de criar.

Perigos:

a.       Diminuir o outro na sua nudez e vulnerabilidade, constranger e zombar.

b.      Ser desprezado por suas fraquezas e medos.

c.       Ser manipulado por confissões de dores, dramas e medos, e tornar público a dor do outro.

d.      Superficialidade, falta de transparência, medo de se revelar. Ausência de nudez física e psicológica.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mc 12.41-44 Dinheiro é coisa espiritual


Introdução:
Dinheiro é coisa séria. Jesus falou mais de dinheiro do que de céu e inferno. Howard Dayton, Fundador do Crown Ministries, ministério sobre treinamento financeiro, encontrou cerca de 500 versículos na Bíblia a respeito de oração, porém 2.350 sobre como tratar do dinheiro e bens materiais, que falam de forma direta sobre dinheiro, riqueza e temas relacionados à finanças.
Neste texto Jesus se assenta, acintosamente diante do gazofilácio. Imagine se eu fizesse alguma coisa semelhante num de nossos cultos. Cada pessoa que trouxesse suas ofertas eu olhasse o valor das contribuições... Todos os semestres o tesoureiro da igreja me manda o relatório pormenorizado das entradas e saídas dos recursos e contribuições individuais para eu olhar, fiz isto uma vez e lhe disse que nunca mais o farei, descobri que estas coisas me fazem mal. Saber que alguns dão generosamente e outros não me fez muito mal. Descobri o quanto o dinheiro reflete o coração. Mas o relato do texto nos diz que Jesus se assenta diante do gazofilácio para observar o comportamento das pessoas ao trazerem suas ofertas. Não ficamos com a sensação de que Jesus foi indiscreto? Como seria se Jesus fizesse a mesma coisa nos nossos cultos dominicais?
O texto diz que “muitos ricos depositavam grandes quantias” (vs 41). Trata-se, portanto, de contribuições generosas. Mas para Jesus, a oferta da viúva pobre foi a mais significativa: “esta viúva pobre depositou mais”(vs.43).
Desde Gênesis, vemos Deus observando as ofertas e a forma como são depositadas. Por que? Porque a forma como contribuímos revela o quanto estas coisas são significativas para nós. alguém afirmou que “Fé que não custa nada, não vale nada”.
No 1º culto registrado na Bíblia, vemos o episódio de Abel e Caim. Gn 4.3-5. O texto nos diz que “Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta, ao passo de que de Caim e de sua oferta, não se agradou” (Gn 4.4-5). Por não se agradar da forma como Caim ofertou, rejeitou o seu culto.
Em Mal 1.9, lemos: “Com tais ofertas nas vossas mãos, aceitará ele a vossa pessoa? Diz o Senhor dos exércitos” (Ml 1.9). Neste texto, Deus afirma que o desprezo e mesquinharia com que damos nossas ofertas em adoração, ou a ausência de tais ofertas, nos denunciam diante de Deus. Deus observa o que damos, porque damos e o quanto damos.
Diante disto, podemos considerar os seguintes princípios:
1.       A melhor medida de nossa fidelidade, não é o que damos, mas o que retemos. Jesus deixa bem claro. Deus observa a disposição e o sacrifício nosso em trazer e ofertar os nossos bens. No início de 2012, na igreja em que pastoreava nos Estados Unidos, um jovem de 34 anos, trouxe uma oferta de 1 milhão de dólares. Ele é um investidor que, apesar de toda esta situação de crise econômica mundial decorrente da sub prime americana, conseguiu ganhos significativos, e trouxe o seu dízimo mandando uma carta ao conselho da igreja dizendo o seguinte: “Não fiquem impressionados com a quantia, estou apenas devolvendo a Deus o que lhe pertence. Este dinheiro não é meu, mas do Senhor”. Fez ainda outra observação. “Não creio que como contribuinte tenha prerrogativas em determinar onde este dinheiro deve ser aplicado, mas considerando a instabilidade do mercado, gostaria de sugerir que a igreja pagasse o financiamento do templo, acabando assim com a dívida assumida”. O conselho da igreja concordou com sua proposta por entender que era sábia. Deus, porém, não se impressiona com grandes quantias, mas com a disposição de coração do adorador em contribuir.

2.       Circunstâncias desfavoráveis são a melhor prova de nossa fidelidade – Dias maus, tempos dificeis, mostram em quem depositamos nossa confianca: No Deus que supre todas as coisas, aquele que é Jeová-Jiré, o Deus da provisão, ou na nossa capacidade de prover. Quando somos fiéis, estamos transferindo para Deus a responsabilidade de nosso sustento. Isto não é uma justificativa para uma vida desordenada, nem para gastos supérfluos e despesas não planejadas, mas confiança na provisão de nosso Deus, como o Bom Pastor, que nada deixa nos faltar.
Épocas de dificuldade são o melhor teste para avaliar nossa fidelidade. Revelam quanto, de fato, confiamos em Deus e no seu caráter, na sua fidelidade e nas suas promessas, naquilo que ele é e nas suas promessas.

3.       Fidelidade não é uma questão de bolso, mas de vida espiritual – O Bispo Paulo Ayres, da igreja Anglicana do Recife gosta de afirmar que “bolso é o último a se converter, e o primeiro a esfriar”. Dinheiro reflete o coração do adorador, por isto são requeridas ofertas tanto no Antigo como no Novo Testamento. Ficamos perguntando porque Deus exigia ofertas, algumas delas eram para manutenção do próprio culto como sustento de levitas e sacerdotes, mas outras era chamadas pacíficas, com a finalidade de subir a Deus como “sacrifício de aroma suave”, e eram trazidos os melhores grãos que eram literalmente queimados. Não nos parece um desperdício? Imagine uma cena semelhante em nossos dias, se eu dissesse a todos vocês: “Domingo que vem teremos um levantamento de ofertas para o Senhor, nao vale cheque pré datado, tem que trazer em cash, dinheiro vivo, que será queimado numa pira que colocaremos no centro do templo, para adorarmos ao Senhor?”  Alguém já disse que a gente sabe quando uma pessoa realmente está ficando louca, quando começa a queimar dinheiro. Certamente ninguém traria dinheiro para este fim, e provavelmente me enviariam aqui a Maria Muniz e a Priscila de Souza, psiquiatras da igreja, para cordialmente me visitarem clinicamente.

4.       Outro princípio que este texto considera é o de que Deus tem prazer em ofertas sacrificiais. Não dar apenas o que sobra, nem quando temos muito, nem porque está garantido o nosso sustento, mas intencionalmente dar em confiança. Jesus implicitamente nos censura porque damos apenas do nosso excedente ao afirmar: “Todos eles ofertavam do que lhes sobrava”(Mc 12.44)

5.       Para Deus, “Money speaks”. Aos presbíteros e diáconos de nossa igreja é exigido que sejam fiéis nos seus dízimos e ofertas. Pessoas encarregadas de tais funções têm sobre si a responsabilidade de discutir onde os recursos da igreja serão investidos e de exortar outros que ainda não aprenderam a contribuir, a colocarem sua confiança em Deus., e serem fiéis nos seus compromissos de sustento de sua igreja local. Quando uma liderança é infiel, a igreja tende a ser infiel, posto que nenhuma comunidade vai além de sua própria liderança, além do mais, é muito sério e recebe severo julgamento de Deus, um homem que participa da liderança, discuta onde devem ser colocados os recursos da igreja, e ele mesmo não é fiel nas suas contribuições. A Bíblia diz que o que se espera do despenseiro, é que cada um seja encontrado fiel (1 Co 4.2). Como é que alguém, que tem as chaves da despensa, pode ser infiel diante de Deus?

Conclusão:
Para concluir, gostaria de sugerir quatro princípios de administração do dinheiro dadas por Charles Stanley:
A.                 Ganhe honestamente – Em dias nos quais o país se vê chafurdado de acusações e falcatruas, a gente pode achar que o caminho da corrupção é uma opção para nossa vida, mas não é. A Bíblia fala que “a corrupção faz enlouquecer até o sábio”. Gente boa pode ser atraída a ganhos desonestos, mas a corrupção é como areia e pedrinhas no prato de arroz e feijão. Melhor é a hortaliça com honestidade, que o boi cevado com desonestidade. Caia fora desta armadilha.

B.       Aplique sabiamente – Precisamos aprender a planejar, avaliar como investir nossos recursos, como gastar. Somos uma sociedade consumista, compramos o que não precisamos, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que a gente não gosta. Aprenda a fazer investimentos de longo prazo, a planejar sua vida financeira, saia da ciranda de dívida de cartão, cheque especial, e outros gastos só para ter uma TV maior, um carro novo, fazer uma viagem. “Delay gratification”é uma expressão em inglês que significa mais ou menos o seguinte: “Atrase um pouco o prazer”, para desfrutar melhor lá na frente.

C.      Dê generosamente – Aprenda a doar. A Bíblia diz em 2 Co 9.10 que Deus dá semente ao que semeia e pão para alimento. Nem tudo o que Deus lhe dá é para alimento, uma parte disto é para semear. Semeie com fé. “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. (Gl 6.7). Este é o princípio da semeadura e da colheita. Quem semeia colhe e só se colhe o que se semeia. Ao colocar sua semente no chão, ore para Deus lhe abençoar e mandar uma colheita abundante. Este é um princípio bíblico. Deus vai te surpreender.

D.      Desfrute profundamente – Não fique com crise quando Deus lhe manda abundância. Não precisa se sentir culpado, se Deus lhe tem abençoado. Paulo diz “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situacao, tanto de escassez como de fartura”.  Deus pode surpreender voce com coisas inimagináveis.

Certo dia viajava para um congresso na Carnival Airlines, indo de Newark para Fort Lauderdale. Era um encontro de minha denominação e compramos um bilhete de madrugada porque era mais barato. No caminho, enquanto dormia profundamente numa viagem de quase 3 horas, acordei com um senhor de aparência chinesa ao meu lado, me cutucando e dizendo: “I think it’s yours”. (eu penso que é o seu). Olhei para o lado, e havia uma pequena tigela com um número na cadeira ao lado. A empresa estava sorteando uma viagem, com voo, hotel e direito a acompanhante para Bahamas, e Sara e eu fizemos um turismo  por 4 dias,  num hotel luxuoso. Será que eu fiquei em crise por este gesto de bondade de Deus para com  minha vida? É ruim, hein?

Que Deus nos abencoe!!!