terça-feira, 28 de novembro de 2017

Ex 20.10 “De tuas portas para dentro”


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Introdução:

Meus colegas de Presbitério afirmam que tenho bons sermões  porque quem os prepara é minha esposa. Bem, embora não seja de todo verdade, tenho de admitir que boas ideias que muitas vezes usei, vieram de suas reflexões, das leituras e conversas sobre temas teológicos que tivemos. Mas hoje, este sermão, devo admitir de forma ainda mais enfática, é, na sua essência, resultado da reflexão dela, que sugeriu o tema de nosso encontro de casais em 2017. “De tuas portas para dentro”.
Este texto é extraído dos dez mandamentos, quando Deus diz ao povo: “Seis dias trabalharas e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro. (Ex 20.9,10).

Implicações sociais e espirituais

Deus está dizendo: O que acontece do lado de fora da sua casa, não é seu problema, mas o que acontece dentro, você tem que prestar contas. Dentro da casa as coisas precisam andar de acordo com aquilo que cremos.

Neste texto vemos que isto tinha grandes implicações, pois incluía até mesmo o animal doméstico. O tratamento dado aos bichos de estimação ou de produção, deveriam estar alinhados com a visão de Deus. Havia um propósito “ecológico”, neste mandamento. Outro aspecto ainda precisa ser considerado: as posses do povo de Deus precisavam estar alinhadas, já que ele fala dos servos e servas. Os escravos daquele tempo, e os funcionários nos dias de hoje, da porta de nossa casa para dentro precisam andar de acordo com aquilo que cremos. O sábado tinha portanto, um propósito “social”, que visava defender os trabalhadores dos abusos e ganância dos patrões. Da porta para dentro, eles deveriam andar alinhados com a visão de Deus para os seres humanos. Eles precisavam descansar e usar o dia de sábado para outras atividades não produtivas, como o descanso e o culto a Deus.

O texto fala ainda dos forasteiros, ou estrangeiros. Pessoas de outras culturas e convicções religiosas que eventualmente frequentavam a casa do povo de Deus. Eles deveriam também andar “das portas para dentro”, alinhados com a visão que Deus tinha para o ambiente doméstico do seu povo.

A verdade é que não temos condições de determinar o que cada um fará no ambiente externo, numa sociedade tão plural e relativista, mas podemos sim, estabelecer as regras, normas, princípios e valores que serão adotados em nossa casa, “das portas para dentro”.
Portas são o caminho de acesso para os lares. O que estamos permitindo que entre em nossas casas? Quais são as influências e costumes que estão penetrando e fazendo morada e não deveriam estar presentes? Este é um grande desafio quando precisamos lidar com a mídia, que entra sem pedir licença, conceitos opostos aos que cremos que invadem nosso lar através dos filmes e programas da TV e da influência da internet que abre um portal para o mundo inteiro.

Porta tem a ver com receptividade, abertura. 
Devemos estar conscientes de que abriremos o hall de passagem para nossa casa, para o que queremos, quando quisermos, para quem desejamos e se queremos. Nem todas as coisas serão bem vindas. Precisamos de um filtro e uma censura para não deixarmos entrar quem não queremos que entre.

Certa vez trouxe para dentro de minha casa uma pessoa que tinha um agudo quadro de esquizofrenia. No afã de ajudar um jovem que chegou em Anápolis e não falava inglês, a Polícia Federal me pediu para ajudar a traduzir, e não tendo para onde levá-lo, disponibilizei minha casa, enquanto conversaríamos com a embaixada de seu país sobre os procedimentos que deveriam ser tomados (Nova Zelândia), e o levei para casa. Depois de tomar um banho ele entrou num surto psicótico e nos fez reféns, ameaçando e se comportando de uma forma que eu, minha esposa, meu sogro e minha sogra, ficamos ameaçados e debaixo de sua alucinação e surtos psiquiátricos esdrúxulos, sem saber qual seria o seu próximo lance e se isto colocaria em risco nossa integridade física. Durante quase três horas ficamos praticamente assentados à mesa, debaixo de sua ira e doença, neutralizados e ameaçados. Felizmente dois amigos chegaram em casa, e isto permitiu que eles vissem e entendessem a situação e chamassem a polícia, que finalmente, depois de um longo diálogo, com a rua de minha casa já cheia de curiosos e pessoas procurando ajudar, a saga enfim terminou. Depois que ele saiu de casa, lembro-me que nos assentamos exaustos e perplexos sobre o fato acontecido. Nosso hóspede se tornou nossa ameaça. Ele entrou pela porta da frente, com nossa permissão e nos transformou em refém de sua insanidade e loucura.
Como isto tem a ver com o que falamos...

O lado de dentro e o lado de fora

Não podemos ter controle sobre o que acontece do lado de fora, mas precisamos saber o que fazer com aquilo que acontece de “nossas portas para dentro”. Ficamos muito preocupados com o que acontece lá fora, a violência social, bullying, competitividade, situações sobre as quais nada podemos fazer, mas será que temos sido prudentes em relação àquilo que acontece no quintal de nossa casa, nos nossos quartos e no ambiente familiar?
O que temos deixado entrar através da cultura, mídia, comentários, cultura, amizades, que podemos nos distanciar de Deus e de seu propósito? O que tem adentrado nossas portas?
Tive um forte impacto ao ouvir uma música do Gilberto Gil, que trata deste assunto. Meu choque se deu porque sei que ele é um artista que já defendeu muitas causas estranhas e eventualmente faz comentários sobre os quais eu não concordo, seja a nível de sua compreensão espiritual ou a ética, mas essa música, de forma muito estranha, parece discurso moralista de pastor. Ele a cantou no programa do Faustão, e não faço a mínima ideia sobre qual foi a reação do público, ou se a plateia entendeu seu conteúdo. Sua letra possui uma relevância impressionante para nossos dias. Creio que era sobre isto que Jesus se referia ao afirmar que “até pedras clamarão”. Leia com atenção:

Os Pais
Compositor: Gilberto Gil / Jorge Mautner

Os pais os pais
Estão preocupados demais
Com medo que seus filhos caiam nas mãos dos narco-marginais!
Ou então na mão dos molestadores sexuais
E no entanto ao mesmo tempo são a favor das liberdades atuais!

Por isso não acham nada demais
Na semi-nudez de todos os carnavais
E na beleza estonteante e tão natural
Da moça que expressa no andar provocante
A força ondulante da sua moral
Amor flutuante acima do bem e do mal

Os pais os pais
Estão preocupados demais
Com medo que seus filhos caiam nas mãos dos narco-marginais!
Ou então na mão dos molestadores sexuais
E no entanto ao mesmo tempo são a favor das liberdades atuais!

Por isso não podem fugir do problema
Maior liberdade ou maior repressão
Dilema central dessa tal de civilização
Aqui no Brasil sob o sol de Ipanema
Na tela do cinema transcendental
Mantem-se a moral por um fio
Um fio dental!

A grande ameaça vem de dentro

Certa vez o Rev. Júlio Andrade Ferreira afirmou: “Nada pode destruir a igreja exceto ela mesma. Nem cultura, nem poder, nem mesmo o diabo. Mas sua infidelidade pode levá-la à ruina”.

Esta tem sido a estratégia do inferno.
Enfraquecer as igrejas, atingir os corações, destruir os lares.

Em Números 23-25 temos o relato do rei Balaque, que contratou um famoso macumbeiro da região, cujo nome era Balaão, para amaldiçoar o povo de Deus. Como a quantia em dinheiro era alta, isto encheu o coração do feiticeiro que porém, nada pode fazer. O que ele afirmou foi extremamente interessante: “Eis que para abençoar recebi ordem; ele abençoou, não o posso revogar... Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito Deus!” (Nm 23.23).
Apesar de nada poder fazer espiritualmente, Balaão deu uma sugestão que se tornou altamente eficaz contra o povo de Deus. Ele aproximou prostitutas moabitas no arraial, e os jovens de Israel começaram a se envolver sexualmente e foram convidadas por elas para participarem dos sacrifícios de seus deuses, e isto trouxe a ira do Senhor contra o povo, no que ficou conhecido como a maldição de Baal-Peor. Vinte e quatro mil pessoas morreram de praga. Alguns comentaristas acreditam que eles pegaram doença venérea avassaladora que não tinha remédio e morreram por causa da promiscuidade. O diabo não destruiu o povo, a feitiçaria nada pode fazer, mas a infidelidade trouxe danos profundos sobre o arraial do povo de Deus. 
A estratégia das trevas é a infiltração. Como aconteceu no famoso relato grego “Cavalo de Troia”.

“O Cavalo de Troia foi um grande cavalo de madeira usado pelos gregos durante a Guerra de Troia, como um estratagema decisivo para a conquista da cidade fortificada de Troia, cujas ruínas estão em terras hoje turcas. Tomado pelos troianos como um símbolo de sua vitória, foi carregado para dentro das muralhas, sem saberem que em seu interior se ocultava o inimigo. À noite, guerreiros saem do cavalo, dominam as sentinelas e possibilitam a entrada do exército grego, levando a cidade à ruína. A história da guerra foi contada primeiro na Ilíada de Homero, mas ali o cavalo não é mencionado, só aparecendo brevemente na sua Odisseia, que narra a acidentada viagem de Odisseu de volta para casa. Outros escritores depois dele ampliaram e detalharam o episódio” (Wikipedia).

Muitas catedrais milenares na Europa tem conseguido se manter de pé apesar de eventos sísmicos e grandes terremotos, entretanto, algumas delas estão sendo ameaçadas por pequenos fungos que lentamente enfraquecem as estruturas e corroem seus fundamentos. Não são as ameaças internas que comprometem, mas as internas, quase invisíveis, que dilapidam o prédio e ameaçam sua estrutura.

Quais são as ameaças que podem destruir nossa casa “portas a dentro”?

1.      Perda da afetividade – quando os lares perdem a capacidade de refletir o caráter de Cristo e os relacionamentos se tornam secos, distantes, ameaçadores, correm sério risco de perder o respeito, a consideração, o cuidado de um para o outro. Cônjuges que se distanciam comprometem a alegria e a espontaneidade dentro de casa. Lares sem afeto, ternura, correm risco serio de desabar.

A Bíblia afirma que no cerne do ministério de Jesus, uma das coisas mais maravilhosas que nos aconteceria seria a conversão de pais aos filhos e filhos aos pais (Mal 4.5-6). Não apenas conversões verticalizadas, mas também horizontalizadas. Não apenas para Deus, mas de um para com o outro. Precisamos de conversões dos corações. Deus nos deu promessa que tiraria o coração de pedra e colocaria um coração de carne em nós. “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espirito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ez 36.26)

2.      Afrouxamento de princípios – Somos diariamente bombardeados por uma moral relativa, que consegue inverter até os termos. Já consideraram que para esta geração “ficar”, que dá uma ideia de solidez e permanência, traz a ideia de transitoriedade? “Ficar” significa “não ficar”. Esta linguagem é muito sutil. Já viram adolescentes conversando? Quando convidam para um programa e o outro responde imediatamente que vai, eles dirão: “demorou!”.
Vivemos numa época de fluidez moral, ninguém parece saber o que é certo e o que é errado. Alguns anos atrás, um conselheiro de adolescentes ligou apavorado para minha esposa dizendo: “Sara, me ajuda, a discussão do grupo agora é se ficar é errado ou certo e eu não sei responder”, e Sara respondeu: “Você como conselheira, deveria ter opinião clara, firme e bíblica sobre o assunto, não deveria estar em dúvida sobre algo tão sério”. É isto que tem acontecido repetitivamente com os pais. Eles não sabem o que é certo e o que é errado, qual o limite para permissão ou repressão. Educam com muita relutância e ambiguidade, querem ser modernos demais, e se tornando dúbios nos valores que precisam ser vigorosamente estabelecidos.
Famílias cristas precisam ter princípios claros. Precisam orientar seus filhos, dar norte e direção, dizer sim e não, com amor e com firmeza. “No temor do Senhor, tem o homem forte amparo, e isso é refúgio para os seus filhos” (Pv 14.26).

3.      Enfraquecimento da devoção – Como família cristã e como indivíduos, temos orado pouco, prestado atenção superficial à palavra e a vida devocional está anêmica. Falta compreensão da Palavra de Deus, falta oração profunda e intencional. Vida espiritual frágil sempre fraqueja na hora da tentação e da provação.


Filhos precisam ser protegidos pela oração dos pais. Há muita luta espiritual que vão muito além daquilo que supomos ou imaginamos. Vivemos intensa batalha espiritual das trevas contra a luz, os alicerces espirituais tem sido afrontados, e a vida de oração nos dará lucidez e graça para lidar com tais situações.
4.      Ações demoníacas – Não podemos ignorar a realidade espiritual que nos rodeia. Não precisamos satanizar todos os processos humanos, nem culpar o diabo por tudo de mal que nos acontece, mas ao mesmo tempo, precisamos de uma atitude de vigilância, “para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios” (2 Co 2.11).

O inimigo de nossa alma é real e ameaça a graça que vem de um lar abençoado por Deus. Uma santa suspeita precisa ser desenvolvida se quisermos proteger nossa casa de ações malignas. A ignorância sobre este assunto pode ser fatal. As Escrituras ensinam: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário anda em derredor, como leão que ruge, procurando alguém para devorar. Resisti-lhe firmes na fé, certos de que, sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade, espalhada pelo mundo” (1 Pe 5.8-9).  

5.     Perda do Evangelho – Corremos o risco de perdermos o evangelho, mesmo sendo evangélicos ou frequentando igrejas consideradas evangélicas. Paulo repreende a Pedro, que já era líder na igreja primitiva, porque não estava andando de acordo com o Evangelho. “Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas...” (Gl 2.14). Apesar de ser um líder respeitado, ele estava agindo de forma contrária ao que o Evangelho ensinava, quando discriminou os irmãos da Galácia para manter sua reputação diante dos líderes do presbitério que vieram de Jerusalém. Não é muito difícil perder o evangelho.  

Jesus afirmou que o divórcio ocorre, em última instância, por causa da “dureza do coração” (Mt 19.8), do marido, da mulher, ou de ambos. Nossos lares podem permitir que conceitos contrários ao evangelho desviem nosso coração da graça do Evangelho.

Embora o livro de Deuteronômio seja do Antigo Testamento, ele descreve a consequência da rebeldia aos mandamentos e ao plano que Deus tem para seu povo. “Todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído, porquanto não ouvistes a voz do Senhor, teu Deus, para guardares os mandamentos e estatutos que te ordenou” (Dt 28.45)

A ruína do Sacerdote Eli
Um dos textos mais duros contra um servo de Deus na Bíblia encontra-se no 1 livro de Samuel. Os filhos de Eli, que substituíram seu pai no sacerdócio, eram infiéis em todos os aspectos. Desviavam recursos da igreja, adulteravam com mulheres no templo e prosseguiam em fazer o que era mal perante o Senhor. Eli chegou a repreendê-los, mas parece que ele precisava ser mais incisivo e direto, porque eles continuaram a agir da mesma forma e Eli, por negligência ou comodismo, não os denunciou nem tomou uma posição mais firme. O julgamento de Deus foi veemente sobre sua família.

Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito a sua casa. Começarei e cumprirei, porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis e ele não os repreendeu” (1 Sm 3.10,13).

O problema de Eli, está claro. Ele não cuidou de sua casa, “portas a dentro”. As coisas precisavam ser arrumadas, denunciadas e confrontadas. Era o nome de Deus que estava em questão, mas ele negligenciou, ou quem sabe, tenha se cansado e não continuou fazendo o que era necessário. Ele permitiu ou aceitou o fato de que seus filhos “eram assim mesmo” e se esqueceu de promover a glória do Deus de Israel. Eli é julgado não por aquilo que fez, mas por aquilo que fizeram na sua família e pelo seu silêncio e omissão.

O efeito do Evangelho “portas a dentro”
Alguns textos bíblicos nos ajudam a entender o que acontece quando espiritualmente protegemos nossa família, das “portas para dentro”.

A.   Proteção espiritual – Na instituição da páscoa judaica, quando o povo estava saindo do Egito, Deus disse ao povo: “O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes, quando eu vir o sangue, passarei por vós e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito”. (Ex 12.13). 

Quando colocamos divisas entre os portões da nossa casa e aquilo que está do lado de fora, o resultado é proteção. O povo de Deus entrou para dentro, em obediência tomou uma posição clara e até mesmo bizarra, de tingir suas casas com o sangue de um animal abatido, mas isto os protegeu espiritual. A ordem de Deus foi seguida: “Tomai um molho de hissopo, molhai-o no sangue que estiver na bacia e marcai a verga da porta e sus ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir” (Ex 12.22).

B.    Salvação e redenção familiar – A história de Zaqueu nos mostra o que acontece quando selecionamos quem queremos receber em nossa casa. Zaqueu convida Jesus para entrar em suas portas. Sua casa recebe o Filho de Deus. Zaqueu é rico e influente, tem uma vida respeitada nos portões para fora, mas sua moral é falsa. Agora, diante de Cristo, que ele permitiu que entrasse em sua casa, ouve uma declaração libertadora: “Então, Jesus lhe disse: Hoje houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão” (Lc 19.9). Faz toda diferença trazer Jesus para casa. O mesmo aconteceu com o carcereiro de Filipos Diante do testemunho de Paulo e Silas ele os convida para sua casa e passa a tratar de suas feridas, ouvindo a resposta angustiante de sua alma sobre salvação:  “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa” (At 16.31).

C.    Companhia e celebração – Um dos textos mais conhecidos na Bíblia encontra-se em Ap 3.20: “Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei, cearei com ele e ele comigo”.

Jesus fala de duas coisas espontâneas que acontecem em nossa casa quando a abrimos para ele.

Companhia: “entrarei
Celebração: “Cearei com ele”.

Ele se compromete a repartir o pão conosco. Existe coisa melhor que comer uma refeição com gente que amamos? Só convidamos pessoas para comerem em casa se estamos identificadas com elas. Cozinha é lugar íntimo da família.

Conclusão:
Gostaria de encerrar esta palavra, falando de três elementos presentes na comunhão de Cristo em nossa casa:

O primeiro encontra-se no relato da Páscoa: O sangue do Cordeiro.
Deus pede ao povo que entre na sua casa, feche a porta com sua família (se fosse pequena poderia levar amigos), e a marcasse com o sangue nas vergas das portas e nos umbrais. Aquele sangue aponta para o sacrifício perfeito de Cristo, para o sangue do Cordeiro de Deus que seria derramado na cruz. Aquele sangue é a nossa proteção, ele mantém nossas casas protegidas das obras do diabo e do poder do destruidor.

O segundo, é o milagre que se dá com portas fechadas.
Quando Elias se encontrou com a viúva de um dos seminaristas da casa de profetas, que não tinha o que comer, ele pede para que ela reúna a quantidade de vasilhas que for possível, e depois instrui: “Então, entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o teu azeite em todas aquelas vasilhas; põe à parte a que estiver cheia” (2 Rs 4.4).
Milagres acontecem quando famílias fecham a porta da casa em obediência à Palavra. Ali, fora da pressão externa, das ameaças dos cobradores, o milagre é experimentado com devoção, temor e obediência.

O terceiro, a Palavra
Quando Moisés estava instruindo o povo em relação aos mandamentos e o amor a Deus, lhes instruiu dizendo: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração...e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6.6,9). Os judeus levaram tão a sério este mandamento que muitos deles, ainda hoje, colocam o mezuzah em suas portas, uma pequena caixa de metal, com uma porção das Escrituras Sagradas que diz: “Houve, ó Israel, o Senhor teu Deus, é o único Senhor”. Esta é a essência do Shemah hebraico.

O que temos feito das “portas a dentro” de nossas casas?
Mal e bem agem por concessão. O mal entra porque permitimos. Jesus entra porque permitimos. Quais são as influências externas que temos deixado entrar em nossa casa? Precisamos decidir se queremos ser norteados pela cultura pagã, midiática, relativista e pluralista ou a Palavra de Deus?


sábado, 18 de novembro de 2017

Ef 6.10-20 Batalha espiritual



Introdução:

Este texto é um dos mais claros sobre a natureza da batalha espiritual que o povo de Deus enfrenta. Somos aqui convocados a guerra. O texto fala do diabo, principados e potestades sob seu comando. São poderes, autoridades, e governantes deste mundo tenebroso, e todos estes termos são aplicados a entidades e espíritos malignos. O texto não nos fornece nenhuma biografia do diabo e nenhuma explicação sobre a origem das forças das trevas. Admite a realidade delas como fato conhecido de seus leitores. Todo o universo é descrito aqui como um verdadeiro campo de batalha.
Não é muito difícil encontrarmos situações nas quais poderíamos dizer: “O maligno estava lá, e nós o encontramos”. Certa pessoa chegou a afirmar: “Se você acorda de manhã e não se encontra com o diabo, você está seguindo na direção errada”.
Temos a tendência de achar que temos dois mundos, distantes e separados, mas a Bíblia fala de duas realidades presentes na história da humanidade. Uma presente e visível, outra presente, mas invisível. 

O inimigo que enfrentamos:
Temos aqui uma lista detalhada de nossas armas e doutro lado uma descrição completa e assustadora das forças organizadas contra nós. Nossa luta não é contra seres humanos.

Em Lc 11.21,22 vemos que o valente (ischuros: Satanás) encontra-se “bem armado” Ikathoplismenos: pronto para guerrear) guardando bem a sua própria casa, mantendo suas posses seguras, até que surge alguém mais valente (ischuteros, referência a Jesus), Satanás é derrotado e lhe é retirado a armadura (panoplian: proteção).
Neste texto de Efésios, Paulo fala que nossa luta não é contra a carne (aima kai sarka), conjunto de tendências humanas, mas contra as manifestações espirituais: Principados (archas), tiranos que se autodenominam príncipes, potestades (exousias), forças de combate, e “dominadores deste mundo tenebroso (kosmokratoras), estrategistas do mal. Somos exortados a tomar a armadura de Deus (panoplian: proteção), para termos vitória contra estes poderes espirituais.
Panoplian não se refere a simples armadura. Soldados comuns usavam armaduras (elekoi) para proteção, feitas de metal revestindo o corpo. Panoplian, entretanto,  era usada por oficiais. Traziam o brasão do imperador para dar proteção e indicavam a autoridade daqueles homens que representavam os interesses do império. Sob o panoplian residia todabase da autoridade daqueles homens.

Principados e potestades
Refere-se a inteligências demoníacas. Há uma teoria de que Paulo esteja referindo-se mais a estruturas de pensamento (tradição, convenção, lei, autoridade, religião). Ap 17.12,13, já que principados podem assumir muitas formas de poder e disfarces. Existem forças sociológicas e políticas que são demoníacas, verdadeiros principados e potestades, no entanto, este texto, de forma específica, não deixa muita margem para este tipo de interpretação.
O alvo de Deus é que a igreja consiga desmascarar o engano das potestades, sejam elas de que forma forem.

Para John Stott, existem 6 etapas no drama dos principados e potestades:[1]
1.   Sua criação original - Ez 28.12-17
2.   Sua queda - Ez 28.2-10; 17-19
3.   Sua derrota por Cristo - Col 2.15; Rm 8.38; 1 Pe 3.22
4.   O confronto e aprendizado com a Igreja - Ef 3.10
5.   Sua hostilidade contínua - Ef 6.12
6.   Sua destruição final - 1 Co 15.24; Ap 20.10

 Tais forças em ordem de batalha possuem três características:

1.   São poderosas - Não sabemos se principados e potestades se referem a diferentes categorias na hierarquia do inferno, mas os dois títulos chamam a atenção ao poder e à autoridade que exercem. Também são chamados de “os dominadores deste mundo tenebroso”.  A palavra kromoskratores  era usada na astrologia para os planetas que, segundo se pensava, controlavam os destinos da humanidade. Relembra-nos o título de príncipe deste mundo e sua oferta de dar todos os reinos do mundo ao Senhor;

2.   São malignas - O poder propriamente dito é neutro, pode ser bem usado ou não. Nossos inimigos espirituais, porém, empregam seu poder destrutivamente. Odeiam a luz, pertencem ao mundo tenebroso As trevas são o lugar de sua habitação natural. São descritos como forças espirituais do mal, que operam nas regiões celestes, isto é, na esfera da realidade invisível. São os agentes secretos do mal. Assim, as trevas e o mal caracterizam suas ações. Não possuem qualquer princípio moral, nem código de honra, nem sentimentos mais nobres. Não reconhecem a convenção de Genebra, nem as regras da guerra. São totalmente inescrupulosos. Usam dardos inflamados. Quando Dante Aleghieri escreveu sua famosa obra “A Divina Comédia”, colocou na porta do inferno a seguinte epígrafe: “Aqui acaba toda esperança!”

3.   São astutas - Paulo descreve as ciladas do diabo  (Ef 6.11). Estratagema seria também uma palavra adequada. Quando o diabo se transforma em anjo de luz, somos apanhados sem nada suspeitar. Às vezes ruge como leão, em outras é sutil como a serpente. “Sede sóbrios e vigilantes, o diabo vosso adversário, anda em derredor, procurando alguém para devorar. Resisti-lhe firmes na fé”  (1 Pe 5.8). Em Gn 3.1 vemos a artimanha do diabo, aproximando-se de Eva, fazendo atraentes sugestões, até que ela se convence de seus argumentos. Satanás é um bom marqueteiro e sabe desenvolver uma política infernal. A força e a fraude constituem sua ofensiva principal contra incautos e até mesmo contra a igreja de Cristo.

Como podemos resistir aos assaltos e sugestões malignas, se somos interiormente tão ingênuos e fracos? A maioria das derrotas são resultados da insensata auto-confiança e força de vontade, quando nos esquecemos do poder do inimigo. Apenas o poder de Deus pode nos livrar da maldade e astúcia do diabo.

Precisamos nos lembrar do poder de Deus em Cristo Jesus, quando o ressuscitou dentre os mortos, entronizando-o nas regiões celestes, no mundo espiritual no qual os podres invisíveis estão operando. Os principados foram derrotados na cruz e agora estão debaixo dos pés de Cristo (Col 2.15).


Como vencer esta batalha?

Este texto não apenas fala das armas do diabo, mas já que se trata de uma batalha espiritual, detalha cuidadosamente as armas que todo cristão deve usar.  

  1. A poderosa arma da verdade – “Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade” (Ef 6.14). Satanás possui uma “geografia” própria, na qual ele sempre obtém vitória, quando seu centro é deslocado, e ele se encontra em outro ambiente, seu poder diminui sensivelmente. A mentira é uma das regiões em que ele habita e gosta de transitar.

Podemos falar de outras geografias que o diabo sempre usa:
a.     A geografia do ódio é um lugar propício para sua trajetória,. Ele não consegue andar pelas estradas da afetividade.
b.     Ele consegue se movimentar facilmente pelas rotas das trevas, mas é facilmente desmascarado nas estradas permeadas por clareza e luminosidade.
c.     Ele sempre obtém vitórias quando atravessa as trilhas da mentira e do engano, mas não consegue obter sucesso quando está diante da verdade.

Se quisermos obter vitória sobre o diabo, a primeira arma é a verdade.
Jesus assim advertiu alguns dos seus opositores: “Vós sois do diabo, que é o vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44)
A Bíblia nos exorta a nos cingirmos da verdade. "Cingir", significa literalmente amarrar a verdade em nós como cinturão. Quando as pessoas iam fazer caminhadas longas caminhadas, com suas túnicas, o processo era complicado, então eles amarravam suas roupas pelo meio, para dar maior agilidade e mobilidade. A verdade deve estar nos rodeando, precisamos estar envolvidos com a verdade para termos liberdade de movimentos. A mentira escraviza. “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade” (2 Co 13.8).

Se quisermos obter vitórias contra o diabo, precisamos dizer e viver a verdade, mesmo com prejuízo pessoal. Satanás não é ser de luz, ele anda nas trevas, no engano e na mentira, e nesta geografia, certamente, ele obterá vitória. Mas se viermos para a luz, onde encontra-se a verdade, por mais assustador que a verdade pareça, obteremos vitória.

  1. A maravilhosa arma da justiça – “...vestindo-vos da couraça da justiça” (Ef 6.14b).

A segunda arma poderosa contra as trevas é a justiça, por isto somos encorajados a colocar esta vestimenta, protegendo com ela nosso corpo como uma couraça, que protegiam os guerreiros de setas e flechas que eram lançadas nas guerras. “outra parte essencial do equipamento do soldado romano era a “couraça”. Sem a couraça, o tórax do guerreiro ficava vulnerável a cada golpe do inimigo. Paulo diz que a justiça é a couraça do cristão” (Vaughan, Curtis, Efésios, Ed. Vida, Miami-FL, 1986, pg. 149). 

Vivemos numa sociedade naturalmente desigual e injusta. É fácil vermos injustiça contra os trabalhadores, contra os pobres, contra os fracos. Infelizmente muito do sistema jurídico que deveria ser colocado a serviço da justiça, se presta a conchavos e acordos. Viver na injustiça é fortalecer o inferno.

Por isto os cristãos são desafiados a assumir comportamentos públicos de justiça. Jesus afirma: “Bem aventurados os que tem fome e sede da justiça, porque serão fartos” (Mt 5.6). Nossa roupagem ética implica na bandeira da justiça, na luta por direitos humanos.
Felizmente a igreja de Cristo tem lutado em todos os continentes por justiça, são verdadeiros arautos que se levantam, alguns isoladamente, clamando por justiça social. Temos ai grandes  e belos exemplos como de Laslos Tokles em Timisoara (Romênia); Martin Luther King Jr (conflito racial nos Estados Unidos), William Wilbeforce na Inglaterra, lutando pela libertação dos escravos no mundo ocidental. Desmond Tutu e Nelson Mandela, bispos anglicanos na África do Sul, lutando pelos direitos dos negros e das minorias.
Toda vez que uma sociedade levanta a bandeira da justiça, ela está obtendo vitórias sobre as trevas. Toda vez que “homens de bem”, se calam e omitem diante da injustiça, estarão empoderando o inferno. Em tempos de corrupção, desigualdade, perseguição, precisamos vestir ousadamente a "couraça da justiça". Não se trata apenas de uma luta contra sistemas sociais e políticos, mas contra os poderes deste mundo tenebroso.
Deus precisa de pessoas comprometidas com a justiça em órgãos públicos e em movimentos sociais  defendendo causas justas, direitos humanos, liberdade de expressão, para declarar e promulgar o que é justo. Isto enfraquece o inferno.

3.     Fundamentar os pés no Evangelho – “calçando os pés com a preparação do evangelho da paz” (Ef 6.15).

Tenho considerado que é mais fácil entender o que é o evangelho pensando no que não é.

O Evangelho não é o relato histórico que Mateus, Marcos, Lucas e João fizeram. Eles falam do Evangelho, mas não são, por definição, o Evangelho. Evangelho é essencialmente o conteúdo das “boas novas” de que Deus enviou seu Filho por meio do qual se cumpriu toda esperança e promessa do AT. O Evangelho tem seu centro em Jesus, na sua pessoa e obra. O Evangelho consiste no fato de que Deus providenciou o seu próprio filho como propiciação pelos nossos pecados. (Rm 3.25). Deus, enviou seu Filho para assumir o nosso lugar na cruz. O ponto central dos Evangelhos não é a vinda de Cristo, nem seus milagres, mas sua morte. O centro da mensagem cristã é a remissão de nossos pecados. Não há salvação possível, a não ser que Jesus tenha morrido na cruz do calvário.

Calçar os pés no Evangelho é pisar em terreno sólido.

O problema que os fundamentos de nossas crenças estão quase sempre equivocados. Esquecemos quem Cristo é e pensamos em quem somos. Insistimos inconscientemente que podemos nos resgatar da condenação eterna, por meio do nosso currículo espiritual. O resultado quando pisamos neste solo movediço é sempre o mesmo: depressão ou orgulho espiritual.
Firmar os pés no evangelho, dá segurança espiritual. Nossa vida deve estar fundamentada em Cristo e não em nós mesmos, colocamos nossa admiração no que ele fez e não no que fazemos. Quando calçamos os pés no evangelho, trocamos as sandálias da justiça própria pela maravilhosa obra de Cristo realizada no calvário. A obra de Cristo nos livra da escravidão e nos dá esperança.
Que sapatos teológicos você tem usado? Coloque seus pés no evangelho da paz. Esta armadura nos livra do perfeccionismo, da culpa, das acusações do diabo e nos enche de louvor e alegria.

4.     Escudo da fé: Nossa proteção contra o mal - "Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno" (Ef 6.16).

Todo este texto ensina que estamos no meio de uma guerra. Os perigos surgem de todos os lados: Flechas, dardos, lanças, espadas. Curiosamente, a arma que nos protege contra estas armas letais que são as ideias, pensamentos e conceitos pagãos, só podem perder seu poder de destruição quando embraçamos a fé. Com ela podemos nos proteger ao surgirem as acusações e sofismas habilmente engendrados no inferno. As setas do diabo precisam ser destruídas com uma fé robusta.

Um padre estrangeiro da Universidade Católica de Goiás, repetia seu jargão: “muitos rapazes perdem a fé quando vem para a faculdade, porque sua fé é muito mexerica” (confundindo com a palavra mixuruca). Os dardos inflamados do maligno devem ser neutralizados com o escudo da fé. A Bíblia afirma: “E esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1 Jo 5.4).
Tente enfrentar o mundo e o diabo sem fé, ou tirem este escudo contra os ataques e flechas que ele manda. O resultado será abatimento e queda no campo de batalha. A primeira seta vai atingir o seu coração e você cairá sem folego.

Embrace a fé! Ela é poderosa para enfraquecer e neutralizar as setas do diabo.

Considere a extensão da afirmação deste texto: “com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno".

Já pensaram na ideia de dardos?
São flechas que surgem de onde não esperamos e muitas vezes vem de longe. Na verdade, tais setas surgem de todos os lados. Pense você enfrentando uma batalha e as flechas descendo de todas as direções. Como se defender? A única chance é o escudo. Ele te protege.

Considere outro aspecto: As setas são inflamadas.
Esta era uma das armas mais perigosas da antiguidade, tais flechas eram untadas com óleo e acesas antes de serem lançadas contra o adversário. Algumas vezes eram feitas de estopa embebida com substância combustível. Não só feriam, mas queimavam. Vinham pegando fogo! Onde encontrassem algo para queimar, seja madeira, feno, palha e lixo, transformavam-se rapidamente numa grande fogueira. As setas do diabo são verdadeiras chamas que sapecam e queimam aqueles que estão desprevenidos.

O texto ainda nos diz que elas vem do maligno.
Satanás joga estas setas nas áreas desprotegidas da razão e emoção. Elas vem em forma de pensamento, dúvidas, ideias, valores, conceitos, cosmovisão, sentimentos. Estamos sendo constantemente bombardeados. Precisamos de valores e convicções claros que mantenham nossa fé bem fundamentada. A fé é o escudo. Coloque a fé como meio de defesa. Só uma forte fé pode enfrentar uma batalha no campo de ideias e conceitos como temos enfrentado.
A única arma para apagar todos os dardos inflamados do maligno é uma fé robusta e sólida. Ela é escudo contra as setas inflamadas do maligno. A leitura variante preferida por muitos especialistas na leitura do texto original, usa a palavra “em todas as circunstâncias”, ao invés de “sempre”. O escudo deve ser usado em todos os momentos do conflito.

5.     Uma mente protegida espiritualmente – “Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Ef 6.17). A ordem agora era bem específica: Proteja a mente!

O soldado romano também usava um capacete para proteger-se na batalha. Indica o cuidado necessário com a cabeça (mente). Paulo afirma que nossas armas não são carnais, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas, anulando sofismas (2 Co 10.4-5). É interessante pensar que as armas espirituais podem “anular sofismas”, um termo claramente ligado à filosofia e a maiêutica de Sócrates. Nossa luta espiritual é, antes de tudo, apologética. Se não nos convencermos que a fé cristã é intelectualmente razoável e coerente, nunca nos tornaremos bons cristãos.

“Para o crente, salvação é parte da armadura defensiva que é essencial à sua segurança na luta...sem a confiança de resgate do cativeiro passado, o cristão pode ser facilmente ferido mortalmente no conflito”. (Foulkes, Francis- Efésios, São Paulo, Ed Mundo Cristão, 1963, pg 146).
A mente precisa estar protegida e isto envolve a salvação. Quando sabemos que somos de Deus, e que esta salvação nos foi dada graciosamente por Cristo, as tentações, lutas, embates e conflitos poderão ser vencidos. Se você ficar hesitante sobre a vida eterna, e o amor incondicional de Jesus, você estará sempre susceptível ao diabo. 

6.     A Palavra de Deus: A arma de ataque ““Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus (Ef 6.17).

“A sexta arma é ofensiva, a espada que o Espírito usa... a espada é a Palavra do Senhor, é a mensagem do Evangelho, quando ela vem aplicada pelo Espírito de Deus. Quando isto acontece, verifica-se a transformação de Cristo se manifesta”. (Shedd, Russel – Tão grande salvação, São Paulo, Vida Nova, 1991, pg 83).
Por isto Paulo afirma que nossas armas não são carnais, mas poderosas em Cristo, como narramos antes, “para destruir fortalezas”. A Palavra de Deus é fundamental na luta contra as trevas. Se você se deparar com uma pessoa possessa e não souber muito o que fazer em tal situação, abra a palavra de Deus e a leia corajosamente.

Uma das irmãs de nossa igreja, Oilba Andrade, tinha apenas 14 anos de idade quando foi convertida a Cristo, recebendo-o como seu salvador pessoal. Ela era na época, a única evangélica de sua família. Imagine as críticas e objecoes que sofreu, vivendo assim no interior de Goiás, nos idos de 1960. Um dia, voltando para casa deparou-se cum uma pessoa possessa de um espirito maligno. As pessoas estavam apavoradas com a cena, e ela também ficou, mas não se intimidou. Pegou sua Bíblia, e ousadamente começou a lê-la em voz alta, e o espírito maligno deixou aquele homem.
Foi assim que Jesus confrontou todo ataque do maligno. Quando Satanás fazia uma sugestão provocativa ele respondeu: "Está escrito”. Não há outra forma de confrontar o diabo e seus anjos, senão usando a poderosa arma que é a espada do Espírito, a Palavra de Deus.

Como temos lutado contra o diabo? Que armas usamos? A força da carne? Raciocínio? Proatividade?

Use a Palavra de Deus. Ela é viva e eficaz!

Ela destrói Satanás. Por isto aprendemos que “ou o pecado te afasta da Bíblia ou a Bíblia te afasta do pecado”. Quando estiver em dúvida, ameaçado, encurralado, assustado, use a Palavra de Deus! 

Conclusão:
Exortações finais

A.    Sede  fortalecidos no Senhor e na força de seu poder – “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6.10). Alguns são tão auto confiantes que acham que podem defender-se sozinhos. Outros estão tão desconfiados de si mesmo que imaginam que nada podem contribuir para esta guerra. Sem a força de poder de Deus falharemos e cairemos, por isso precisamos ser fortalecidos nele e na sua força. Esta ordem é para todos.

B.    Revesti-vos! Precisamos de toda armadura de Deus: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef 6.11). Não apenas uma das armas, mas “todas as armas”. Se usarmos o capacete, sem a couraça, ainda somos susceptíveis; se usarmos a verdade, sem a justiça, estamos fragilizados, e assim por diante...

C.    As ciladas do diabo assumem roupagens distintas, mas o seu maior êxito consiste em persuadir as pessoas de que ele não existe. “Uma das principais causas da má condição espiritual da igreja de hoje é o fato de que o diabo está sendo esquecido. Tudo é atribuído a nós mesmos; todos nós temos chegado a ser demasiadamente psicólogos em nossas atitudes e em nossos pensamentos”. (M. L . Jones). C. S. Lewis.

Lewis afirma que Satanás fica feliz quando assumimos duas posições: primeiro, negamos sua existência; Segundo, atribuímos tudo a ele. Não é muito difícil enveredarmos por uma dessas posições. Podemos satanizar tudo ou não ver o diabo em nada. A regra é simples: Não devemos ver o diabo em tudo, mas não podemos deixar de vê-lo onde ele se encontra.

Muitos olham para a vida sem considerar as forças espirituais que interagem neste mundo tenebroso. São pessoas crentes, de boa índole, mas ingênuas em relação às forças do mal e as armas que ele emprega. É necessário criar uma “santa suspeição”, para com temor e santidade, poder usar todas estas armas que o Espírito Santo de Deus deixou à nossa disposição.