sábado, 16 de setembro de 2017

2 Cr 33.1-16 Nunca é tarde para mudanças




Introdução:

O reinado de Manassés é um dos mais perniciosos de todos os reis de Israel. Ele assumiu o trono quando tinha 12 anos, e daí para a frente seu coração se afastou de Deus e de seus propósitos.

a.     Ele se curvou diante dos deuses da terra que Deus havia expulsado de Canaã, ele ressuscitou velhos hábitos religiosos condenados por Deus (1 Cr 33.2).

b.     Ele reconstruiu altares que o seu piedoso pai, Ezequias, havia derribado (1 Cr 33.3).

c.      Ele se tornou sincrético na sua religiosidade, abarcando vários deuses.

d.     Ele se tornou sacrílego, contaminando o Sagrado templo de Salomão, lugar da habitação de Deus (1 Cr 33.4,11).

e.     Ele sacrificou filhos a Moloque (1 Cr 33.2). Um culto pavoroso, no qual os filhos primogênitos eram atirados vivos a uma fogueira acesa como oferendas a este deus pagão (2 Cr 33.6).

f.      Era místico e esotérico: adivinha pelas nuvens, praticava feitiçarias, consultava com médiuns e necromantes (2 Rs 21.6).

Manassés era espiritualizado. Atraído a todas as formas de cultos pagãos, mas nunca se inclinava ao deus verdadeiro. Comportamento semelhante aos artistas e músicos brasileiros, que se inclinam diante de deuses da umbanda, são dados a cultos da terra, tomam chás alucinógenos em cerimonias religiosas pagãs, mas não se curvam diante do Deus verdadeiro.
Sua influencia trouxe graves problemas para a nação. Sua influencia politica induziu muitos à prática de religiosidade que se distanciava de Deus. Ele se recusou a ouvir o Senhor quando este lhes enviou os profetas (1 Cr 33.10). sua rebelião se tornou oposição a Deus, posteriormente apostasia, trazendo por isto o juízo de Deus.

O julgamento veio de forma severa. (1 Cr 33.11).

A péssima sugestão que Satanás sempre fez à raça humana de que “pode pecar que não há juízo de Deus” (Ml 3.13,14), mas uma vez é desmascarada. O juízo de Deus sobre Manassés trouxe humilhação pública, decadência social e muito sofrimento para o povo. Manassés foi levado para a Babilônia, com ganchos e cadeias. No primeiro caso, o nariz era perfurado, e as pessoas eram levadas como animais, no segundo, eram acorrentados e além do seu peso precisavam carregar as pesadas correntes no severo calor do deserto.

Manassés, convertido?
Na cadeia, o arrogante e místico rei, que desprezou a Deus e recusou ouvir sua voz, passa por uma reviravolta existencial, e tem um encontro com Deus. Manassés se converteu.

O texto narra sua mudança: “Ele, angustiado, suplicou deveras ao Senhor seu Deus, e muito se humilhou perante o Deus de seus pais” (2 Cr 33.12).

Observe os termos descritos aqui:
Angustiado”. Sabe o que é angústia. É um sentimento profundo de dor, que atinge o peito, consome o ser, e quando o médico pergunta ao paciente o que ele está sentindo ele diz: “Tá doendo, aqui!” e passa a mão no peito. Ele não sabe o que sente, mas o que ele sente é visceral.
“Suplicou”- em geral pensamos que suplica é uma oração. E de fato é. Só que tal oração, é aquela que vem acompanhada de choro e lágrimas profundas. O texto diz que ele “muito se humilhou”. Sua oração veio de dentro da alma. Já oraram assim? Já tiveram uma situação semelhante na qual suas orações não se organizam, mas você está ali orando a Deus, quebrantado e moído? Esta foi a experiência  de Manassés.

“...Muito se humilhou perante o Deus de seus pais”. É muito importante esta menção, porque na verdade ele retorna ao Deus de Israel. Ele não dirige suas preces a Moloque, nem aos deuses de Canaã. “...então, reconheceu Manassés que o Senhor era Deus”.

Certo vez ouvi uma afirmação de que conversão tem muitas fases: a primeira é a conversão dos deuses falsos para o Deus verdadeiro; segundo, do meu egoísmo e vida auto centrada, à obediência e submissão à Palavra de Deus; e terceiro, do bolso, que é o último a se converter e o primeiro a esfriar.

Manassés se converte ao Deus de Israel. Ele percebe a natureza do Deus de seu povo. Ele reconhece que só o Senhor é Deus, e que não há Deus além deste Deus. Yahweh.

Encontrando Deus na Babilônia
A espiritualidade no Antigo testamento é marcada pela centralidade do culto em Jerusalém e no templo. O judeu acreditava (e acredita), que Deus deve ser encontrado em Jerusalém, na terra santa. Alguns cristãos sionistas modernos, lamentavelmente possuem esta visão distorcida da adoração e do tamanho do Deus das Escrituras Sagradas.

Manassés se encontra com Deus na Babilônia.
Ele encontra Deus nos lugares improváveis da vida.

Já leram o livro de Philipe Yancey: “Encontrando Deus nos lugares inesperados”. É onde não se espera que Deus é percebido. Durante anos, Manassés esteve no templo, mas rejeitou a Deus frontalmente e não o discerniu. Agora numa prisão, em terra distante, Deus se revela ao seu coração de forma sobrenatural. “Deus se tornou favorável para com ele” (2 Cr 33.13).

“Deus não frequenta igrejas, apenas corações” (Pe Antonio Vieira).

Tempo de mudanças

A história de Manassés nos revela que nunca é tarde para mudanças.

Revela-nos ainda que não importa o nível de sua decadência moral e falência espiritual, Deus tem poder para mudar sua história.

Se olharmos para o currículo espiritual deste homem, veremos que ele foi rebelde, idolatra, prepotente, arrogante, desobediente, mas ainda assim sua história foi transformada.

É muito importante considerarmos uma história como esta. Muitas vezes achamos que para nós não há mais esperança, que nada pode acontecer por causa dos desvios praticados, mas a história de Manassés vem nos falar do triunfo da graça de Deus sobre o pecador. É sempre possível recomeçar.

É possível que o homem vá para longe demais de Deus, escrevendo uma trajetória de decadência, mas sempre é possível mudar. Nunca é tarde para que a obra de Deus triunfo no coração do pecador.

Comece reconhecendo seu pecado, se humilhando diante de Deus.
Reconheça que ele é realmente Deus...

Não se trata de delação premiada. Um artificio jurídico usado para favorecer o criminoso, que mesmo não tendo arrependimento, resolve contar um pouco dos seus imbróglios e se delatar. Arrependimento não é isto. Trata-se de voltar, de fato, para Deus.

Assim, de forma surpreendente, Manassés é restaurado. E Deus lhe dá uma segunda chance. Miraculosamente, o rei decide enviar-lhe de volta para Jerusalém e reassumir seu reinado. Isto não é um comportamento comum entre imperadores e dominadores. Manasses volta, mas ele é um novo homem. Sua conversão não foi circunstancial e oportunista. Ele decide agora buscar a glória de Deus.

Ao retornar, eis algumas de suas atitudes.
i.                Ele restaura Jerusalém que havia sido destruída pela guerra (2 Cr 33.14). ele restaura tanto os muros quanto o exército.

ii.              Ele restaura o templo. Ele que tanto havia profanado o lugar de Deus, agora decide trazer Deus de volta para o centro de Israel (2 Cr 33.15).

iii.             Ele destrói o que construiu. Nos tempos do seu paganismo, havia construído muitos altares a ídolos e outros deuses, mas agora ele manda destruir. O que ele fez, manda desfazer.

iv.             Ele restaura o culto (2 Cr 33.16). Não apenas o “local do culto”, mas o culto mesmo. Numa linguagem moderna diríamos: “Ele voltou à comunhão do Senhor”.

v.              Ele reconhece que apenas o Senhor era Deus. Até então, ele dividia seu coração a outros deuses e cultos, mas agora ele se quebranta diante do único Deus verdadeiro.

Manassés tem o seu coração mudado.
Deus muda sua condição.
Se o meu povo, que por mim se chama, com fé se humilhar e orar.
Eu ouvirei as suas preces e sararei sua terra”.

Antes do filho pródigo ser restaurado à condição de vida digna, ele precisa passar pelo momento de dor... “então, caindo em si...

A alma precisa ser tocada para que mudanças surjam. Muitas vezes queremos bençãos de Deus com infidelidade, queremos mudança sem transformação no coração, queremos graça sem arrependimento, perdão sem confissão, misericórdia sem quebrantamento. Quando o coração muda, a situação também é tangenciada. E se Deus não mudar a situação, mas se tivermos o coração mudado, teremos condições de enfrentar a calamidade com outros olhos. “Se diante de mim, não se abrir o mar; Deus vai me fazer andar por sobre as águas”.

Pe Antonio Vieira afirma que “arrependimento não é pedir perdão, é se voltar para Deus”. A alma precisa mudar a história ser transformada.

Queremos mudar a situação?
Deus quer mudar o coração.

Mude seu jeito de pensar, de agir, de se comportar. Transforme sua rebeldia em obediência, sua rebelião em submissão, e você vai experimentar uma história com desdobramentos absolutamente diferentes.

Manassés, na cadeia, não tinha mais nada a perder, mas agora tem a Deus.

Conclusão
Com Jesus é sempre fazer o caminho de volta. Deus permite retorno. Há sempre a possibilidade de restauração e mudanças. Ele pode tirar o pecador de sua condenação e dar-lhe absolvição. Foi isto que Jesus fez na cruz. Ele nos resgatou das trevas para sua luz, tirou-nos do tremedal de lama e colocou nossos pés sobre uma rocha.

Tenho encontrado pessoas que parecem ter ido longe demais no seu cinismo, indiferença, chafurdada em pecado, opondo-se a Deus. Temos a tendência de olhar para elas com certo descredito. Haverá ainda esperança? Muitas destas pessoas, por sua vez, desacreditam de si próprias, dominadas pela escravidão do pecado, dos vícios. Aquilo que faziam por prazer agora se tornam seu pesar. Vem a angustia, o vazio da alma, a solidão, a escravidão de um estilo de vida de mentira e engano, de malandragem, esperteza, os laços da iniquidade amarram. Nem ela mesma acredita que ago possa ser feito. O desespero, a dor, a solidão, o descredito.

Deus pode mudar?
Is 1.18 afirma: “Vinde pois e arrazoemos, porque ainda que vossos pecados estejam vermelhos com a escarlate, eles se tornarão brancos como a neve”. Arrazoar é discutir, argumentar. Deus é quem está convidando seu povo para experimentar liberdade e cura, para ser restaurado. Deus convida o seu povo para experimentar a graça da restauração.

Portanto, duas lições profundas podem ser tiradas da vida de Manassés:
Primeiro, independentemente da capacidade de Deus nos amar de forma incondicional, o pecado traz sérias consequências;
Segundo, independentemente da gravidade do pecado, é sempre possível retornar.



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ef 6.1,2 Filhos...obedecei


 Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo” (Ef 6.1-2)
“Filhos, em tudo obedecei a vossos pais, pois fazê-lo é grato diante do Senhor” (Col 3.20)


Introdução:
As regras de relacionamentos entre pais e filhos geralmente são claras em todas as culturas. Podemos encontrar algumas variações entre um grupo étnico e outro, mas a realidade é que pais foram dados por Deus para proteger e dirigir os filhos.
A ordem aos filhos nas Escrituras é clara: Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor”.
Em determinados momentos, os filhos podem achar que a obediência aos pais é uma imposição tirânica, eventualmente ficarão chateados com os pais quando determinados limites são impostos. Antigamente tínhamos muitos problemas com o autoritarismo dos pais, hoje estamos enfrentando o reverso: A tirania dos filhos. Filhos que não se submetem, não respeitam, não sabem limites de direção paterna, e pais confusos em relação ao seu papel e autoridade dentro de casa. Alguns pais parecem mendigar autoridade aos filhos quando estes ainda não sabem sequer trocar uma fralda ou sentar no vaso sozinho.
Nestas horas, precisamos retornar os princípios da Palavra de Deus. Será que a Bíblia, com princípios milenares e valores eternos pode nos ajudar com as tensões tão palpitantes da educação dos filhos ainda hoje?  O que o texto nos diz sobre este assunto?

  1. A obediência dos filhos aos pais não é negociadaFilhos, obedecei a vossos pais no Senhor”. Precisamos de mandamento mais claro? Será que não conseguimos entender o que a Palavra de Deus está nos ensinando?
Esta obediência faz parte do âmbito da justiça natural. Na verdade, não depende de revelação especial. Faz parte da justiça natural que Deus escreveu em todos os corações humanos. Não é confinada à ética cristã. É o comportamento padrão em todas as sociedades, seja entre os moralistas pagãos gregos e romanos, os filósofos estóicos, os ensinos de Confucio que valorizam profundamente o respeito e obediência aos mais velhos da milenar cultura chinesa e o budismo tradicional japonês.
A cultura da desobediência e rebeldia é a marca da sociedade decadente que foi entregue à sua própria impiedade por Deus. Paulo afirma que “nos últimos dias, os homens seriam...desobedientes aos pais” (1 Tm 3.2).

  1. O alcance da obediência - “Filhos, em tudo obedecei a vossos pais, pois fazê-lo é grato diante do Senhor” (Col 3.20).  Observe a ênfase deste texto: “em tudo”. Pode ser que os filhos não tenham dificuldade com a obediência, mas tenham problema com a ideia de que obediência deve ser aplicada a todas as coisas.
Deus colocou os pais com a responsabilidade de dirigir, orientar, disciplinar e decidir pelos filhos, até que tenham condições, por si mesmos, de assumir a sua própria vida. Enquanto estamos debaixo da responsabilidade de nossos pais, devemos obediência a eles. A ordem é simples e abrangente: "em tudo obedecei" e nela não há o menor traço de dúvida.
Neste contexto, surge uma perguntas clássica: “E quando nossos pais estão errados?” Afinal, pais pecadores podem se equivocar. O que fazer quando uma ordem parece radical ou até mesmo esdrúxula? Quando os pais colocam limites com os quais não concordamos?
Só existe um limite estabelecido por Deus neste texto: Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor”. Apenas quando os limites extrapolam a consciência, filhos podem questionar e recusar.

Deixe-me tentar ser mais claro.
Certa jovem recém convertida nos procurou porque seu pai a proibiu de vir à igreja. Ela realmente teve um encontro profundo com Jesus, e havia entregado sua vida a ele. Sua alegria em servir a Deus e participar das atividades da igreja era notório. Agora, com a proibição de seu pai, ela não poderia mais vir à igreja. Ela já estava trabalhando, e tinha condições até mesmo de sair de casa se quisesse, e esta foi a tentação inicial do meu coração quando a aconselhava, mas o texto de Col 3.20 estava muito claro em minha mente: “Filhos, em tudo obedecei a vossos pais”. Eu li este texto e lhe assegurei que seu pai jamais poderia retirar do seu coração a experiência do amor de Jesus, ainda que ele pudesse impedi-la de vir à igreja. Afirmei que quando os pais estão errados, Deus provê um escape.
Lemos juntos outro texto sugestivo das Escrituras: “O coração dos reis está nas mãos do Senhor, e este, segundo o seu querer, o inclina” (Pv 21.1). Entendemos que acima do seu pai estava o próprio Deus. Rei é uma figura de autoridade, mas Deus pode inclinar a autoridade para a direção que ele quiser. Sabíamos que seu pai era rude e alcoólatra, mas oramos para que Deus inclinasse seu coração, e ela foi embora disposta a obedecê-lo e glorificar a Deus com sua atitude.
No domingo de manhã, estávamos com uma classe com grande grupo de pessoas que estavam se preparando para o batismo, e sabíamos que Rosângela não viria. Mas Deus estava fazendo algo maravilhoso naquele dia. Quando seu pai acordou, foi até o boteco e bebeu uns goles e retornou para a casa perguntando: “Onde está a Rosangela?”. Sua esposa respondeu que ela estava no quarto. Ele foi até lá e bateu na porta. Ela abriu e ele disse: “Você não vai na igreja, não é mesmo?” E ela respondeu: “Não papai, a Bíblia diz que eu devo obedecer e honrar o Senhor, e apesar de sua ordem me ter deixado muito triste eu sei que Deus vai orientar o Senhor e a mim quanto a isto”. Sabe o que aconteceu? Aquele homem caiu de joelhos diante dela, chorando e a liberou para ir novamente à igreja.
Estávamos no meio da sala quando Rosangela chegou e contou o que Deus havia feito na sua casa naquela manhã e glorificamos a Deus pela sua fidelidade.

Existe algum limite?
Quando conversávamos com Rosangela, afirmamos que seu pai poderia tirá-la da igreja, mas não poderia tirar Jesus do seu coração. Este é o limite da consciência.
Um filho não deve obedecer aos pais quando a ordem é para transgredir a lei de Deus, ou para cultuar outros deuses, ou quebrar valores e princípios éticos definidos nas Escrituras Sagradas. Trata-se de uma questão de consciência. Este é o limite.
Os pais não podem entrar em questões de consciência e destruir a fé genuína, colocada pelo Espírito Santo no coração, pode fazer proibições, mas não pode impedir a fé, pode impedir de ir à Igreja, mas não pode impedir um jovem de orar e confiar em Deus.
Podemos considerar aqui algumas situações extremas: considere o caso de um pai que descrente que deseja que seu filho vá ao prostíbulo com ele, mas por ser cristão, o filho se recusa. Seria errado desobedecer? Outro exemplo: Reflita no caso de um pai que deseja envolver o filho numa série de atos desonestos e fraudulentos contra o estado ou contra outras pessoas e o filho diz não. Seria errado desobedecer? Podemos considerar ainda outra situação extrema: Um pai que deseja que seu filho beba álcool com ele, porque ele acha que isto é importante para um homem, e o filho se recusa?
Certa ovelha minha, hoje um respeitado pastor, tinha um pai alcoólatra. Certa vez, quando se preparava para ir à Escola Dominical seu pai o procurou para dizer que já tinha bebido, até aquela hora, uma garrafa de pinga. O filho, ainda adolescente disse: "Não vejo nisto nenhuma razão..." e o pai, quase o bateu por seu comentário.
Situações extremas podem acontecer, e nestes casos, a consciência, o temor do Senhor, e não a obediência às práticas pecaminosas, podem ser questionadas. Mas geralmente os questionamentos dos filhos não passam exatamente para estas questões de consciência, ética e moral. São, pelo contrário, muito mais complexas em sua natureza.


“Posso fazer tatuagem?”
Um adolescente da igreja nos EUA, queria fazer tatuagem. Seu pai o proibiu veementemente. Ele não se conformou, procurou o pastor da igreja querendo saber sua opinião sobre o assunto, e este lhe respondeu: “eu não tenho uma ideia muito clara sobre o assunto, porque a Bíblia não possui ordens claras sobre o assunto. O único lugar em que tal recomendação é feita encontra-se em Lv 19.28, mas o contexto é muito difícil para dizer se isto se aplica a nós”. E, percebendo que aquele garoto estava na verdade tentando encontrar no pastor um aliado para sua rebeldia, o pastor respondeu: “Eu não tenho muita certeza sobre tatuagem, mas a Bíblia é clara sobre obediência dos filhos aos pais”.

Quando a obediência não é mais requerida?
Outra pergunta comum à obediência dos filhos aos pais é a seguinte: “Existe um momento em que não preciso mais obedecer aos meus pais?”.
A resposta é afirmativa.
Quando amadurecemos, nos tornamos independentes, nos casamos e vivemos fora da tutela dos pais, não precisamos mais obedecê-los, eventualmente nem mesmo nos submetemos acerca de  escolhas e decisões, no máximo os consultamos. Entretanto, outro princípio jamais deixará de valer aos filhos, independentemente da idade que tiverem: Jamais poderemos deixar de lhes prestar honra. Este é o quinto mandamento: “Honra a teu Pai e tua mãe”, e trata-se do único mandamento com promessa “para que se prolonguem os seus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Ex 20.12). Num determinado momento de nossa vida, não mais precisamos obedecer-lhes, mas nunca deixaremos de honrá-los, principalmente na sua velhice. Isto traz bênçãos sobre nossas vidas.
Pv 30.17 faz ainda uma advertência mais severa: "Os olhos de quem zomba do pai, ou quem despreza a obediência à sua mãe, corvos no ribeiro os arrancarão e pelos pintãos da águia serão comidos". A figura de linguagem aqui é grave. Ter os olhos arrancados pelos filhotes de águia, é uma expressão agressiva. A verdade, porém, é que filhos desobedientes e rebeldes, perdem seus olhos, a capacidade de enxergar e discernir, andarão sem saber para onde se dirigem. 

  1. O motivo da obediência: O próprio Deus. Os dois textos que estamos estudando, apontam claramente nesta direção. Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo” (Ef 6.1-2). “Filhos, em tudo obedecei a vossos pais, pois fazê-lo é grato diante do Senhor” (Col 3.20).
Em Efésios, a justificativa para a obediência é “pois isto é justo”, isto é, o motivo é que isto faz parte da ordem natural da vida, isto é justo. Em Colossenses, há uma outra razão: “pois fazê-lo é grato diante do Senhor”. Esta é a segunda razão: o fato de que obedecer é agradável ao Senhor, traz louvor e honra para o nome de Deus. Todas as vezes que você lidar com ordens de seus pais com as quais você não concorda, você pode até dizer: “Não concordo com a decisão deles, acho desnecessária ou radical”, mas ao mesmo tempo entenda que deve fazer isto para Deus. O que está em jogo aqui não é mais o que o pai ou a mãe pensa, se eles estão certos ou não, nem se são voluntariosos ou não, mas como isto repercute diante de Deus. Um jovem que teme a Deus vai pensar na dimensão de que a obediência à palavra traz glória ao nome do Senhor.
Honrar aos pais, traz promessa de longa e abençoada vida, bem como prosperidade, segurança, equilíbrio e longevidade. Ter a benção dos pais está sempre relacionada a alegria ( Pv 4.11,12).
Fazer a vontade de Deus e seguir sua palavra sempre traz consequências abençoadoras: Na Bíblia observamos que obediência traz orientação (Pv 6.23a); Proteção (Pv 6.23b); Instrução (Pv 6.21,22) e Shalom (Ef 6.2-3). A honra embeleza (Pv 1.8-9); Agrada ao Senhor (Col 3.20) e é justa (Ef 6.1), trazendo benção espiritual “Para que te vá bem”, e benção material “Para que se prolonguem seus dias na terra”.







terça-feira, 12 de setembro de 2017

Ef 5.22 Maridos, Amai...



Resultado de imagem para imagens maridos amai
Introdução

Antes de estudarmos o texto, quero fazer algumas observações:
Primeira: A coisa mais difícil quando se fala de casamento é no que concerne a funções, isto porque, ao ler a lista de funções e de obrigações de cada um, tende-se a ler para o outro, e nunca para si mesmo. Então, para começo de assunto, vamos fazer um exercício: O homem lê a tarefa masculina, e a mulher a feminina: É possível? Certa pessoa se aproximou do pastor no final do culto e elogia o sermão: “Pastor, esta mensagem foi muito importante. Era tudo que meu marido precisava ouvir”. E o pastor pergunta: “Onde está seu marido?”, e a mulher responde: “Ficou em casa!” Nada pode ser mais danosa para a alma que ouvir a Palavra de Deus para o outro. Deus quer comunicar algo à nossa vida, e precisamos estar atentos à sua verdade para sermos transformados.
Segunda: Este texto fala de funções no casamento. Funções são engrenagens e estas sempre tem a tendência de emperrar em algum momento. É fácil construir uma “to do list” e passarmos a viver em função das coisas que precisamos fazer, sem considerar que existe uma dimensão muito mais ampla no relacionamento que as tarefas do dia a dia. O pecado distorce as funções, transformando-as em instrumento de manipulação e controle. Por isto este texto precisa rigorosamente começar sua leitura em Ef 5.21 e só fechar o bloco de ideias em Ef 5.32, quando ouvimos a palavra “mistério”.
Esta palavra foi traduzida do grego, onde originalmente o termo é “misterium”. Jeronimo traduziu para a vulgata latina como “sacramentum”, o que deu ensejo à igreja Católica de considerar o casamento como um sacramento. Apesar de minhas convicções reformadas, entendo que casamento, de fato, é “um sinal visível de uma graça invisível”. Que lugar pode traduzir tanto a graça de Deus para a vida de uma pessoa que um lar sob a orientação do Sagrado, vivendo no temor do Senhor?
Terceiro: em Ef 5.22 vemos a função da mulher, ou seu papel. “Mulheres, sede submissas ao seu próprio marido”. Como já estudamos este tema anteriormente, agora, precisamos avançar um pouco mais. Em Ef 5.25 lemos: “Maridos, amai vossas mulheres”. Submissão e amor se constituem nos termos centrais. Mas as funções só cumprem seu papel se contempladas à luz do “mistério”. Deus entrelaçando as atividades.

Maridos, Amai...

Esta é a ordem clara da Palavra. O marido deve amar sua esposa. (Ef 5.25; Cl 3.19).
Consideramos anteriormente como o oposto do amor é ódio, mas que a expressão mais sutil do ódio é a indiferença. Esta é a reclamação central das mulheres em relação aos seus esposos. “Meu marido não me considera!”, não se importa com o que sinto, como eu vejo as coisas, qual é a minha opinião. Portanto, o oposto do amor, não é exatamente o ódio, mas sua mais sutil e devastadora expressão que se revela no desaso e no desvalor à esposa.
Quando Deus nos ordena algo, ele o faz para nosso bem. “Os mandamentos são dados para a vida”. O que acontece quando o amor bíblico é praticado?

Implicações do amor à esposa:
1.       O amor traz vitória sobre a indiferença – Nada pode ser mais efetivo quanto ao descaso que o amor genuíno. “Ele não busca seus próprios interesses”. Quando se ama, importa sim o coração da pessoa amada. Por isto a Bíblia afirma: “Maridos, vós igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida para que não se interrompam as vossas orações” (1 Pe 3.7).
Observe como é sugestivo o texto: “tendo consideração”.
A falta de consideração sobre o que a mulher pensa, sente e deseja, facilmente se torna um grande empecilho para a relação respeitosa e amável que deve reger a vida doméstica.

2.       O amor tira a amargura do coração da mulher. Esta é a primeira coisa que observamos. O amor dá significado e valor. Certamente esta é a razão da palavra de Deus nos exortar: “Maridos, amai vossa esposa e não as trateis com amargura” (Col 3.20). Não é significativo considerar que a amargura tenha sido citada em relação ao amor? Quando um marido ama sua mulher, faz desabrochar nela o sentimento profundo e belo que pode tirá-la da depressão e melancolia tão presentes no sentimento feminino.
A palavra grega para “amargura” que aparece no texto é a mesma de Apocalipse 8.11 no qual vemos que o absinto amargou as águas a ponto de se tornarem venenosas e matarem os homens que dela beberam. Em Ap 10.9 novamente surge a mesma palavra. O estômago se tornou amargo. Sempre existe o perigo que o cinismo, incompreensão e autoritarismo amargurem a existência do outro, trazendo sensações viscerais que atingem os órgãos vitais do ser humano. Esta era a forma da antropologia hebraica expressar extrema alegria e dor, sempre associados aos órgãos como fígado, rim e intestino.

3.       O amor elimina os maus tratos no relacionamento - “Maridos, não as trateis com amargura” (Cl 3.19). Chamo atenção agora para o verbo “tratar”, que tem a ver com “tratamento”, forma de se relacionar e falar. Muitos homens maltratam e desprezam. A Bíblia não permite os maus tratos e a relação animosa em relação à mulher. Pelo contrário, precisa “ter consideração para com a mulher como parte mais frágil”.
Quem ama cuida, protege, apoia, encoraja. Só uma relação neurótica e doentia sobrevive num relacionamento de culpa, violência e acusação. Minha esposa chamou atenção para este texto afirmando que talvez o que ele sugira seja alguma coisa muito sutil. É possível tratar a mulher, mesmo tendo atitudes relativamente positivas, mas com sentimentos de amargura. Um homem pode tratar com amargura. Seu coração está chateado e suas ações passam a ser desenvolvidas dentro deste contexto de amargura.

4.       O amor realça a auto-imagem e auto estima da mulher – auto imagem se relaciona com o aspecto externo, e auto estima com o interno. Na primeira, trata-se da forma como a pessoa se vê, e na segunda, como ele se sente. A falta de amor pode acabar com a auto imagem da mulher e com seu senso de valor.
O amor protege o relacionamento em ambos os casos. Declarações de carinho, confissões de amor e elogios, ajudam positivamente na cura imagens distorcidas quanto ao corpo. Num contexto onde se cultua o corpo (fisiculturismo é uma palavra sugestiva: culto ao físico), não é comum que as mulheres se sintam tão negativas acerca de si mesmos e de sua beleza. O amor estimula a linguagem sensual e amorável no tratamento.
O amor exalta também a auto- estima feminina. A maioria das mulheres possui um amor próprio muito ruim e uma imagem ainda pior. À medida que o marido revela sua admiração por ela, e  declara seu amor ela encontrará mais facilidade em perceber seu valor próprio Não se mede a auto-estima da mulher apenas na forma de se aprontar e vestir, às vezes isto tem a ver com condição financeira, mas a forma exterior é uma boa forma de se perceber como a pessoa tem passado.
Uma pergunta desconfortável fica para os homens: Será que a forma como tratamos nossa esposa a leva a um crescimento de sua auto estima e auto imagem?
5.       O amor tem o papel de encorajar a espiritualidade da mulher – Tim Keller no seu livro “o significado do casamento”, afirma que a função bíblica mais relevante do homem é ajudar a sua esposa na sua caminhada em direção à Deus.
A Bíblia monstra como a atitude insegura de Abraão gerou crise no coração de Sara. Ele lhe disse que Deus lhe daria um filho por meio dela. Como o tempo ia passando e o filho não chegava, Sara resolveu “ajudar” para que a promessa de Deus se cumprisse para Abraão, dando-lhe Agar. Nesta hora, Abraão deveria ter confirmado a palavra recebida, mas ele vacilou e cedeu. Mais tarde, quando Deus revelou a Sara que seria através de seu corpo frágil de uma idosa mulher, ela riu, descreu e duvidou. A atitude de Abraão gerou insegurança quanto à fé de Sara.
O marido tem o compromisso de levar sua esposa para mais perto de Deus. O apóstolo Paulo diz que o esposo deve honrar, santificar e purificar sua esposa, estes passos são fundamentais na caminhada de fé. Assim como Cristo está preparando sua noiva, a igreja, para se encontrar com Deus, os maridos precisam ajudar sua esposa na direção de Deus.
O objetivo maior do casamento não é uma vida sexual abundante, nem a graça de superar traumas psicológicos e emocionais, mas ajuda-la na sua caminhada de fé. Através da unidade sexual, marido e mulher se tornam uma só carne e esta intimidade vai além do sexo e das funções, apontando para o mistério.
Veja quantas vezes aparece no texto a expressão “para que” (Ef 5.26); “para” (Ef 5.27) e “Eis porque” (Ef 5.31). Todas elas dando-nos senso de direção e objetivo.

Conclusão:

Uma pergunta fundamental e ultima fica então para os maridos na tarefa de amar suas esposas. Será que nosso amor as ajuda na caminhada de discipulado, serviço e entrega ao Senhor? Temos ajuda nossa esposa a se aproximar de Deus, ou temos gerado cinismo, incredulidade e dúvidas quanto às coisas de Deus?