segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ec 7.28 A Vida é essencialmente simples





“Eis o que tão somente achei; que Deus fez o homem reto, mas
ele se meteu em muitas astúcias”.



Introdução:

Como a vida é complicada:
ü       Neuroses: angústias, medos, inadequações, culpas, ansiedade.
ü       Psicoses: Fobias, síndrome do pânico, desequilíbrio mental.
ü       Paranóias: medo de envelhecer, de ficar pobre, da solidão, de adoecer, crises fóbicas.
ü       Enfermidades Físicas: câncer, AVCs, infartos.
ü       Doenças mentais: Esquizofrenia, bipolaridade, depressão.

Diante disto, ficamos com a seguinte pergunta: De onde surgem todos estes problemas? Como chegamos a este ponto de degradação moral, insensibilidade e indiferença com a dor do outro? Como a raça humana é contraditória e paradoxal?
Francis Schaeffer escreveu até mesmo um livro sobre o assunto: “O que aconteceu com a raça humana?” Vivemos num mundo caído. Sensação de que algo está errado com o nosso universo moral. De que a vida que vivemos não é aquilo que Deus queria para nós. Apenas no século XX, tivemos duas grandes guerras mundiais. Além do conhecido fato de que 5 a 6 milhões de judeus foram exterminados, precisamos lembrar também que cerca de 18 a 25 milhões de russos perderam sua vida. Isto é quase toda uma geração de pessoas de um país.
A história de nossas famílias demonstra bem a tragédia humana. São traições, desenganos, ódios, abusos, fatos inenarráveis. Felizmente não existe um big brother para tornar público a caminhada de mentiras, farsas e podridão. Seria muito vergonhoso. Toda história familiar é permeada de abusos, absurdos e contradições.
Outro aspecto a ser considerado é o nosso próprio coração: confusão, medo, depressão, infidelidade não admitida, fantasias não ditas, doenças das mais estranhas. Vivemos atormentados pelos fantasmas da alma. Quando olhamos para fora de nós, nos tornamos cínicos, e quando fazemos uma leitura introspectiva nos desesperamos com nossa confusão, ansiedade, manipulação, controle, luta pelo poder, falta de fé, desânimo.
A psicopatologia e a psiquiatria estão sendo constantemente desafiados. Um poeta afirmou: “Desisti de procurar o psiquiatra, depois que descobri que o meu psiquiatra também precisa de um psiquiatra”.
Ao lermos a Bíblia nos surpreendemos com este versículo: “Eis o que tão somente achei; que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”. O que este texto afirma é que não foi assim desde o princípio, o desenho original do homem, feito por Deus, não foi esboçado para ser assim tão fragmentado. Outra versão da Bíblia afirma: “Deus fez o homem direito, mas ele se envolveu em muitos esquemas” (NVI). Não se trata de um problema no design, nem de fabricação, mas o mau uso levou a raça humana a esta desestrutura. “A estultícia do homem perverte o seu coração” (Pv 19.3).

Como chegamos a este ponto?

  1. A humanidade decidiu viver de forma independente de Deus - A história bíblica nos mostra que Deus fez o homem reto e colocou nele o seu imprimatur. Em Gênesis 1.26 vemos a afirmação de que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. (Imagem é uma tradução de eikon, e semelhança, omioma na septuaginta). Os seres humanos não só são uma criação especial de Deus (Gn 2.7), mas foram criados à sua imagem, ou seja, estão dotados de características tais que lhes permitem entrar em uma relação pessoal com Deus e exercer, como seus representantes, o governo do mundo (G 1.28; 5.1; 9.6).
Em Gênesis 2.7 nos é dito que "formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente". Estes atos distinguem o homem de outros seres criados. Há uma diferença entre animal e homem desde a criação. Existe aqui um processo de continuidade e descontinuidade. Animais possuem fôlego de vida (Gn 2.7; 7.22), mas não nos é dito que sejam imago Dei. Animais são criados como bestas, embrutecidos (Sl 32.9).

Deus dá ao homem cinco privilégios que os animais não possuem:
  1. Entendimento – racionalidade e auto consciência. Podemos ser auto-críticos. Inquirir sobre mistérios, criar abstração, formular idéias. Pensamento.
  2. Escolhas Morais – O homem possui senso ético, é capaz de estabelecer diferença entre certo e errado. Nosso vocabulário usa termos como obrigação, escolha, valores, culpa e vergonha e de tomar decisões.
  3. Criatividade – Ele é colocado por Deus para dar nome aos animais. Não são computadores, antes possuem capacidade de argumentar, ter novos pensamentos. Seres humanos são pensadores originais, podem mudar a história, olhar para fora de si mesmo e especular, ou para dentro e indagar sobre o sentido e significado de sua própria existência.
  4. Afetividade – O ser humano possui a capacidade para estabelecer relacionamentos de amor. O que une os seres humanos é mais que instinto gregário ou proteção da espécie.
  5. Eternidade – O homem possui senso de mistério, desejo de Deus, fome de sua intimidade e relação. Mesmo quando correndo de Deus tem esta compreensão de sobrenaturalidade, que é um arquétipo da raça humana. Sem Deus o homem se sente perdido, confuso e desorientado. Deus deu ao homem a capacidade para adoração.

Infelizmente, o homem decide viver à margem de Deus. Sua liberdade tornou-se a rota da escravidão. A coroa de sua obra prima decidiu viver sua vida longe de Deus. É o que os teólogos chamam de “teomania”. Mania de querer ser Deus e viver separado dele.

  1. O homem perdeu a referência de si mesmo -  Ao fugir do centro de sua vida, que é Deus, ele se perdeu num emaranhado de difíceis escolhas e se “meteu em muitas astúcias”. A Bíblia afirma que “o caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam” (Pv 4.19).
A queda da raça humana, que consistiu na rejeição do homem em aceitar a direção de Deus para sua vida nos revela graves conseqüências: A harmonia, a razão de ser da raça humana se perde. “O mundo que conhecemos não é o mundo bom, saído das mãos de Deus, mas um mundo de pecado e de morte, um mundo separado de Deus”.[1] O homem duvida da bondade de Deus, quer assumir seu lugar, compete com Deus e o resultado é caótico. Desde então, o homem se perdeu na tentativa de viver fora do plano de Deus e de excluí-lo de suas relações. A queda revela a rebeldia, a oposição e o fracasso do gênero humano.

Eis algumas de suas conseqüências:
A.      Desequilíbrio com a natureza – trazendo ruptura da relação pacifica entre homem e natureza e maldição sobre a terra. “Maldita é a terra por tua causa” (Gn 3.17); O trabalho deixa de ser uma experiência de alegria, e torna-se uma experiência de luta e sofrimento.  “Em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida” (Gn 3.17) e a natureza reage contra a agressão sofrida – “Ela produzirá cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo” (Gn 3.18).

B.      Desequilíbrio consigo mesmo –O homem agora experimenta sentimentos que lhe eram, até então, desconhecidos. O seu mundo interior torna-se confuso, se desintegrando em neuroses, acusações e defesas. Trazendo um senso de culpa moral mal resolvido. O homem se percebe nu, vindo sobre ele a dolorosa experiência do medo. “Esconderam-se da presença de Deus” (Gn 3.8). Desesperado tenta fugir existencialmente de Deus: “Onde estás?”

C.      Desequilíbrio com o próximo, surge a transferência de culpa e a acusação (3.12). A relação harmoniosa dá espaços para a disputa e suspeitas.

D.     Desequilíbrio com Deus – O homem desenvolve uma relação de suspeita, questionando as motivações e intenções de Deus. Decide viver de forma autônoma. A queda trouxe para o coração humano a ambição de não mais quere estar subordinado a ele, mas desobedecê-lo e de rebelar-se.

O homem perde o eixo central de sua psique, e todos os demais eixos se fragmentam.

  1. O homem se meteu em muitas astúcias – A perda de referencia do Sagrado o fez perder toda a noção de eticidade (ethos).
Quando Jonas não consegue entender a forma como Deus age, passa a se irritar com ele e o desobedece frontalmente. Deus pacientemente demonstra a razão de sua compaixão. “Não terei eu misericórdia de 120 mil almas que não sabe discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e de seus muitos animais?” (Jn 4.11)
Deus procura demonstrar que as pessoas, ao se afastarem dele, precisam receber misericórdia, porque perdem o senso do certo e do errado e dos valores morais, não sabem discernir entre o direito e o esquerdo chamando o mal de bem, o bem de mal; a luz de escuridade e a escuridade, luz, põem o amargo por doce e o doce por amargo (Is 5.20).
A Bíblia afirma que Deus se compadecia das pessoas, porque pareciam como ovelhas sem pastor. Já pararam para pensar quão frágil e desorientado ficam as ovelhas quando o seu pastor é ferido? Elas facilmente se dispersam e são presas fáceis dos lobos. O homem se perdeu em muitas astucias: ambição, cobiça, concupiscência, malicia – e tudo isto vai se tornando uma armadilha. Suas decisões sem a compreensão do próprio Deus, se tornam laços e armadilhas para sua vida. Nem sabem eles em que tropeçam.

Conclusão:
Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.
É assim que tenho encontrado tantas pessoas: desorientadas, confusas, presas de suas próprias decisões e paixões. O papel da igreja é proclamar a graça redentora e re-orientadora de Cristo para a vida de tantas pessoas que perderam “o eixo de sua própria história”. Em Cristo há sempre oportunidade de recomeço.
O carpinteiro de Nazaré pode reconstruir as madeiras tortas.
Estamos no meio de muita confusão, medo, dor e tristeza resultantes do nosso distanciamento.
O profeta Jeremias afirma que o povo longe de Deus comete dois graves males (Jr 1.13):
                A. Deixam o Senhor
                B. Buscam novas soluções – cisternas rotas
A pergunta que Deus faz por meio do profeta, revela bem os resultados:
Acaso tudo isto não te sucedeu por haveres deixado o Senhor?” (Jr. 1.17)
Em 2009, um homem começou a freqüentar nossa igreja. Sua vida estava uma desordem:
ü       Devia ao banco e não podia ter um talão de cheques. Seu nome estava completamente comprometido com dívidas não pagas;
ü       Não conversava com seu pai, sua ex-esposa e seu filho adolescente havia entrado com uma ação na justiça contra ele.
ü       Seus pensamentos estavam em verdadeira desordem, sua vida emocional uma bagunça.
ü       Sua vida longe de Deus.
Naquela ocasião, ele foi desafiado a construir uma nova história, agora ao lado de Deus.
ü       Seu pai o perdoou e transferiu parte de sua empresa para ele;
ü       Resolveu a pendência com seu filho e voltaram a conversar – hoje estão andando juntos e viajando.
ü       Sua pendência financeira – que parecia impossível de ser resolvida – foi solucionada com um acordo surpreendente
ü       Casou-se novamente – Ele e ela foram batizados na igreja.

Deus restaurou sua história.
Não é exatamente isto que este texto de Eclesiastes nos ensina: “Eis o que tão somente achei: Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”.
Em 2 Co 5.17 lemos: “Aquele que está em Cristo é nova criatura. As coisas antigas passaram, eis que tudo se fez novo. Esta é a história da redenção. A obra de Cristo na cruz tem o propósito de restaurar o homem ao design original criado por Deus. Deus fez o homem reto. A atitude de ser envolvido em muitos esquemas foi uma opção rebelde do homem. Em Cristo, nossos relacionamentos e ética são restaurados. Em Cristo, nossa história pode ser reescrita, um novo e maravilhoso capítulo pode ser narrado.
Deus pode restaurar nossa história. Fazer um novo homem, criado em Cristo Jesus em justiça e retidão procedentes da verdade.
Venha a Jesus!





[1] Dietrich, S. De – O desígnio de Deus – São Paulo, ed. Loyola, 1977, pg 12

domingo, 20 de julho de 2014

A Vida não é uma tragédia - Livro de Rute



A Bíblia pode ser lida de diversas formas. Podemos ler textos pequenos e refletir neles, podemos optar por uma leitura geral da Bíblia, começando em Gênesis indo até Apocalipse, podemos ler um bloco de idéias como os profetas maiores e menores, ou os Evangelhos, e assim por diante. Uma das formas mais sugestivas que tenho encontrado é ler um livro num bloco, para absorver a idéia geral ali envolvida. O livro de Cantares e de Eclesiastes, só pode ser entendido num bloco de idéias, o livro de Rute também, especialmente por sua narrativa histórica, que ajuda bastante a compreensão de seu conteúdo.

O texto sobre na forma que está sendo exposta não foi dividido nem organizado por mim. Ele me chegou às mãos, e infelizmente não sei quem é o autor, a quem gostaria de prestar a consideração necessária. Ele veio em forma de novela-narrativa, e seus princípios são realmente fascinantes, e é exatamente desta forma que me proponho a falar sobre este assunto, naturalmente dando minhas contribuições pessoais e enxertando o texto com minhas impressões e idéias.

A pergunta mais profunda, mais abrangente e mais difícil que o homem tem que responder na época em que ele vive é “O que significa a vida?”.

Todos os dias estamos em contato com pessoas que trabalham para ganhar dinheiro, para levar comida para casa, para poder criar seus filhos que, por sua vez, vão crescer, enterrar os pais, trabalhar para ganhar a comida que precisam para criar seus filhos e netos que continuarão nesta eterna mesmice. Vivem numa prisão de ocorrências que nunca muda, sem nenhuma perspectiva do controle da vida.

Foi assim para o povo de Israel na época dos juízes. Ele ilustra 335 anos em que a coisa ia muito mal, mas eram justamente os anos em que Israel devia começar a usufruir da terra prometida. Agora, cada família tinha seu pedaço de terra. Ainda havia muito trabalho pela frente, mas o principal da conquista já tinha sido feito. Chegou o momento de tomar posse mostrando para o mundo que Deus cumpre sua promessa.

O livro de Juízes descreve a história do ponto de vista do fracasso. Há um ciclo que ocorre várias vezes no livro de Juízes: o povo cai na idolatria e, como punição, Deus envia uma opressão. O povo clama a Deus e Ele tem misericórdia e envia um libertador. Isso acontece vez após vez. Parece que não há saída.

É como em nossas vidas. Há certas horas em que somos levados a pensar que a vida consiste numa sucessão de pecado, conseqüência de pecado e libertação por Jesus. Ficamos cansados. Um enfado se apodera de nós. O escritor de Eclesiastes disse que não há nada de novo debaixo do sol, tudo é canseira e enfado. E é verdade que muitas vezes parece que não há nada que realmente vale a pena nesta vida.

Deus não nos permite pensar assim. Por isso o livro de Juízes não está sozinho no Antigo Testamento. Uma janela se abre no livro de Rute que nos ajuda a ver a vida como ela pode ser encarada. Trata-se duma história verídica que ocorre no período dos juízes durante os dias de Gideão.

Podemos encarar o livro de Rute como se fosse uma novela. Os quatro capítulos de Rute seriam os quatro capítulos da novela. Todos os acontecimentos do livro se interligam de uma maneira dinâmica, de maneira que é uma verdadeira aventura. Cada capítulo oferece uma explicação diferente para a vida.

Capítulo 1 - A vida é uma tragédia

O primeiro capítulo é muito triste. “Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra, e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe com sua mulher e seus dois filhos. Este homem se chamava Elimeleque, sua mulher Noemi; seus filhos Malom e Quiliom” (Rute 1.1-2).

Noemi viveu num período de grandes turbulências histórico-geográficas.

Deixe-me traduzir um pouco essas palavras. Belém significa “casa de pão”. Elimeleque significa “Deus meu Rei”. Malom significa “doente” e Quiliom significa “a morte”. Por isso, se você fosse um hebreu, você iria ler a passagem assim, “havia um homem da ‘Casa de Pão’ que sai a habitar a terra de Moabe porque havia fome na terra da ‘Casa de Pão’. Este homem se chamava ‘Deus é meu Rei’ e morava na ‘Casa de Pão’. Como não tinha pão na ‘Casa de Pão’, ‘Deus é meu Rei’ pegou sua mulher e seus dois filhos, Malom e Quiliom, ‘Doente’ e ‘Morte’ e foram até Moabe. E chegando lá ‘Deus é meu Rei’ morreu. E o ‘Doente’ morreu e ‘Morte’ também”.

Esta é a situação: uma coisa ruim leva a outra pior. Noemi está enfrentando uma tragédia. Ela sai da terra, buscando algo melhor. Lá na outra terra perde o marido e os dois filhos. Não tem mais herança. Não tem mais quem cuide delas. Ela ouve dizer que na “Casa de Pão” voltou a ter pão. Quando resolve voltar, as duas noras resolvem acompanhá-la. Mas ela não acha certo: “Vocês não tem coisa alguma que prenda vocês a mim, vocês são jovens, vivam a vida, vão em frente”.

Orfa resolve voltar para casa, mas Rute diz aquelas palavras que nós conhecemos dos casamentos; “onde quer que fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, e o teu Deus é o meu Deus” (v. 16). Assim, Rute resolve prosseguir junto com a sogra.

Imagine aquela vila de Belém quando Rute e sua nora caminham na rua principal. De repente as mulheres começam a olhar Noemi e dizem: “Olha, apesar das rugas eu acho que é Noemi. Seu cabelo está mais branco. Olha o seu rosto, ele está marcado. “Não é esta Noemi?” (v.19), perguntam as mulheres que a conheciam. “O que aconteceu?” E começam a espalhar murmurinho.

Todo mundo vai ao encontro de Noemi (v. 20). “Noemi, que prazer ver você! Bem vinda! Quanto tempo! Como foi?” A resposta de Noemi reflete toda a dor e fracasso que havia experimentado: “Não me chamem Noemi. Noemi significa feliz. Esse nome não serve para mim, sabe. Agora podem me chamar “Mara”, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. Ditosa eu parti, porém o Senhor me faz voltar pobre. Por que pois me chamais feliz, ou Noemi, visto que o Senhor se manifestou contra mim?” Aí acaba o primeiro capítulo da nossa novela. Para Noemi a vida não passara de uma amargura e tragédia. Quando ela saiu ela não estava exatamente “ditosa” como afirma, ela saiu porque havia fome na região. Noemi reflete muito bem a atitude de nosso coração que tende a achar que os dias de outrora foram mais promissores ou felizes.

Aplicação:

Pois é, muitas vezes nessas horas nós também culpamos a Deus como fez Noemi: “O Todo-Poderoso me fez isso. Ele tirou a alegria e ele me deu amargura” (1.20). Nessa hora a gente pergunta: “Será que a vida não passa de uma tragédia?” Para uns é pior, para outros é menos ruim, mas todos nós, de uma forma ou de outra, já vivemos uma tragédia. Ficamos com raiva de Deus e o culpamos pela nossa situação. A vida parece dura demais.

Capítulo 2 - A vida é uma sucessão de acasos

Começa um novo dia. Elas tinham chegado sem nada e Noemi conhecia muito bem os costumes da terra: Em Israel havia uma provisão legal dando aos pobres o direito de ir aos campos na hora da colheita e recolher o necessário para passarem o dia. “Noemi”, disse Rute, “agora vamos dar um jeito em nossa vida. Vamos cuidar primeiro da nossa comida. Você vai sair e recolher um pouco de mantimento e trazer aqui para a gente”.

Ela se foi e chegou ao campo e apanhava com os segadores. Mas aí a Bíblia diz (v. 3) “por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz, o qual era da família de Elimeleque”. Veja só que interessante: de todos os campos que existem em Belém, ela entra “por casualidade” no campo de Boaz, que, “por casualidade”, era parente do marido de Noemi que tinha falecido. Também “por casualidade”, naquele dia Boaz veio de Belém dar uma olhada na colheita.
Boaz perguntou, “quem é essa moça aí?” Ele começou a ficar interessado. Disse Boaz: “Rute, quer saber duma coisa? Você veio aqui hoje por acaso, mas de agora em diante você é convidada oficial minha. Você tem todos os direitos aqui”.

Aqui percebemos como um homem de negócios começa a fazer coisas estúpidas. O homem mais machão, mais sério, mais controlado, mais matemático, financista que existe, nestas horas perde a cabeça. Ele diz, “Você pega tudo o que você quiser. Eu já dei ordem aqui, ninguém vai tocar em você. Você tem todos os direitos”.

Não somente isso! Ele diz para os homens: “Olha, vocês pegam algumas espigas, jogam ali perto dela. Quando ela estiver colhendo que tenha o mínimo de trabalho possível”. Ele, um homem de negócios, está dizendo: “Vamos diminuir um pouco o lucro”. No fim do dia, ela volta para casa. Uma grande quantidade de espigas de cevada e Noemi faz a primeira pergunta: “Onde você roubou tudo isso?”

“Eu não roubei. Por acaso eu entrei num campo, de um homem chamado Boás, que me permitiu trazer essas espigas. Ah, e tem mais, ele falou que é seu parente”. Nessa hora a sogra quase desmaia. “Ah, é Boaz, não?”

Noemi começou a ter algumas idéias. Começou um romance. Fico impressionado de ver como a Bíblia é cuidadosa em colocar no versículo 3 as duas palavras “por casualidade”. Muita gente vê a vida como um processo do acaso. Alguns têm um pouco mais de sorte, outros têm um pouco menos. Rute seria uma dessas pessoas que foram aborrecidas pela vida, mas, no entanto, parece que as coisas vão começar a ficar a favor dela.

Há certas pessoas que não têm a mesma sorte. Tudo acontece errado. Elas vão para o lugar errado, parece que casam com a pessoa errada, e por fim, arrumam emprego errado. Resignados dizemos: Sabe, é assim mesmo. Um tem sorte, outro não tem. Rute é o exemplo de alguém que teve sorte. A Bíblia dá a impressão, pela descrição aqui, que de fato a história é essa. A vida não é simplesmente uma tragédia, mas é uma sucessão de acasos.

Capítulo 3 - A vida é uma grande armadilha
Noemi sabia que Boaz era um solteirão. Aquele tipo que não casava. Todo o mundo era caidinho por ele, mas ele não se definia. Tinha bens, uma fazenda próxima e prospera, não era casado. E Noemi começa a ficar preocupada: “Se eu não fizer alguma coisa, não vai dar em casamento. Eu preciso de um herdeiro. Rute é jovem. Ela precisa casar. Ela precisa me dar um neto”. E Noemi começou a ter aquelas idéias normais de mulher que está querendo ser avó, ou mulher que está querendo tornar-se sogra.

— “Escuta Rute, nós vamos bolar um plano. Vamos fazer o seguinte: hoje você vai lá no campo”.
— “Ah, lógico. Eu vou sim. Inclusive, já pus a roupa aqui”.
— “Não, não é bem assim. Você não vai agora, vai mais tarde”.
— “Mais Tarde? Mas agora é hora de colher”.
— “Não, você não está entendendo. Nós vamos fazer um negócio diferente dessa vez. Eu quero que você vá lá no seu baú e pegue o vestido mais bonito. Lembra-se daquele que você usava lá em Moabe naquelas noites de festa de lua cheia? Toma um bom banho. Eu quero que você fique linda, cheirosa. Capricha mesmo! E você vai sair de casa assim no final do dia. Provavelmente não vai dar tempo de vender cereais no mercado hoje. Boaz, que é o dono da colheita, vai ter que dormir lá para cuidar daquele montão de grãos. Você fica escondida até a hora em que ele estiver dormindo. Então vá e descubra os pés de Boaz. Acontece que ninguém agüenta ficar com o pé descoberto no clima da madrugada. Ele vai sentir frio, vai começar a tremer e vai levantar para se cobrir. Nessa hora, o que ele vai ver? Aquela visão monumental. Você vai estar ali deitada aos pés dele”.
Não há homem que resista a um plano como esse! Noemi tinha tudo preparado e Rute fez exatamente como ela tinha falado. De fato, Boaz não resistiu e pediu Rute em casamento.

Aplicação:
Aí termina o terceiro capítulo de nossa novela. Este capítulo dá a impressão de que a vida é realmente uma grande armadilha, uma grande cilada, que a vida é dos espertos. Quem for mais vivo, consegue mais. E olha, muita gente pensa assim: quem conseguir planejar o melhor bote fica com a melhor parte. A vida é dos sábios, dos espertos. Quem consegue enganar mais, sobe na vida. Quem é honesto e faz simplesmente o que deve fazer, não vai para frente. Você já não teve esse tipo de sentimento e pensamento passando por você?

Capítulo 4 - Deus controla as circunstâncias da vida

Havia um problema nas pretensões de Boaz. Ele tinha todo direito dele continuar a descendência de Noemi, casando-se com Rute. Isso estava perfeitamente de acordo com a lei daqueles dias. Porém, havia um homem, cujo nome nós não sabemos, que era um parente mais próximo. Segundo o costume da época, Boaz foi na prefeitura e colocou um cartaz bem grande de: “Vende-se um pedaço de terra que pertenceu à família de Noemi pelo preço de ...”, e aí ele escreveu pequenininho, lá embaixo: “Quem comprar a terra leva como brinde a viúva Rute”. E lá então passa o parente mais próximo que tem direito. Boaz está com uma grande expectativa, esperando que ele leia a parte principal e não leia o P.S. O homem passa e se interessa. “Vamos ver quanto é”. Pegou a calculadora. Faz lá os seus cálculos. “Eu acho que tenho dinheiro para comprar a terra”.

Conforme o costume da época, Boaz, reúne testemunhas, Dez anciãos daqueles que ficavam na porta da cidade, e então começa a negociação. Aí Boaz disse, “Mas você prestou atenção no brinde?” O homem responde assustado: “Não. Com a esposa fica muito caro. Pode ficar com tudo para você”. E assim foi que Boaz conseguiu o direito de casar com Rute.

A história aparentemente termina num chá de nenê (v. 13,14). Lá estão todas as mulheres da cidade. Uma delas tem uma idéia brilhante: “Vamos dar um nome ao filho de Boaz”. Pois este era o costume. E deram o nome de “Obede”. A mãe e o pai ficaram contentes e aceitaram o nome, porém um nome de muito significado. O nome significa “certo”.

A história acaba aí. Parece que acaba tudo bem, vivendo felizes por muitos anos. Mas a chave desse livro se encontra precisamente nos últimos versículos. Aqueles que a gente lê rapidamente e não se interessa. Há uma pequena genealogia aí. Veja os versículos 18 em diante.
“São estas, pois, as gerações de Perez. Perez gerou a Hesrom, Hesrom gerou a Rão”.

Nessa altura você já pára porque os nomes são difíceis de ler. Mas vamos continuar. Vamos ser persistentes. “Rão gerou a Aminadabe, Aminadabe gerou a Naassom, Naassom gerou a Salmon, Salmon gerou a Boaz, Boaz gerou a Obede, Obede gerou a Jessé e Jessé gerou a Davi”. Tudo indica que há um Deus trabalhando. Muitas vezes através das tragédias, muitas vezes usando casualidades e, certamente, contando com diversas ciladas e armadilhas. Mas acima de tudo há um Deus em ação.

A história do ponto de vista bíblico e cristão é muito mais do que uma tragédia, do que o acaso, do que uma questão de esperteza. A história é providencial. Há um Deus controlando todos os acontecimentos. Ele não se deixa surpreender por uma tragédia, nem por um acaso, nem por uma armadilha.

Há muita gente hoje passando por tragédias, surpreendidas pelo acaso, ou caindo em armadilhas. Crentes das nossas igrejas. Talvez até nós mesmos. Mas nós podemos ter certeza que há um Deus por trás de tudo, desenvolvendo um tema que Ele conhece e levando a história a um fim que ele já determinou.

Na época dos juízes cada um fazia o que parecia melhor aos seus olhos. Deus, no entanto, estava preservando o plano eterno da redenção, de tal maneira que através de uma moabita, Ele suscitou o descendente que mais tarde seria o ancestral de Jesus Cristo. Esse é o nosso Deus, o Deus que controla a história. Se Deus controla a história, consequentemente Ele também controla as nossas vidas. Não existe tragédia, circunstância, catástrofe, cilada ou armadilha que possa barrar e impedir o amor de Deus em nossas vidas - até o mal que nos é feito, Deus pode transformá-lo em bem.
A grande lição que fica para todos nós nesta novela é: Deus está no controle da nossa vida e da história.

Noemi jamais poderia pensar que Deus restauraria sua vida daquela forma. Mas a maior surpresa de Noemi seria poder imaginar o plano que Deus tinha para ela a longo prazo: ela estava carregando no colo aquele que seria o avô do rei mais querido de Israel  de todos os tempos: Davi. Se Noemi pudesse olhar em perspectiva, veria ainda mais: Ela estaria abraçando aquele que seria o ancestral de nosso salvador Jesus, que veio desta família.

Seria que Rute também poderia imaginar, que ela, ex adoradora de Quemós (deus pagão de Moabe) e proveniente de um dos povos mais corruptos e corrompidos no Oriente Antigo, família repleta de mulheres com moral questionável, berço de prostitutas, figuraria contra todos os parâmetros na genealogia de nosso salvador Jesus?

Ah se pudéssemos contemplar o amor de Deus.
Ah se pudéssemos admirar seu projeto de vida para nós..
Em conversas pessoas, tenho afirmado em forma de brincadeira que já desisti de planejar minha vida – A Bíblia não me proíbe fazer isto, é questão pessoal mesmo. “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor”. O que tenho aprendido é que Deus sempre me surpreende! Ele faz roteiros magníficos e diferentes que jamais poderíamos imaginar.

Pra onde Deus quer nos levar?

A história da humanidade, individual e coletiva está segura nas mãos de Deus. Controle integral, Deus domina sobre o universo, família, nações, igreja. Nunca perde o controle.
Se cremos nisto ele reina, se não cremos ele reina da mesma forma.
Este é o fundamento básico da missiologia: Deus governa. Deus tem preferência em usar o fraco para mostrar que sua é a glória, não dos homens. Fez e continuara fazendo.
Um caso relativamente recente em missões aconteceu nos idos de 1950 com a hoje conhecida missionária Ruth Stam. Ela tinha o forte desejo de pregar aos tibetanos. Apresentou-se ao conselho missionário de sua denominação e por três vezes foi recusada sob a alegação de sua saúde era frágil e ela estava despreparada para entrar neste pais fechado. Ele queria ir para o Tibet, mas as condições políticas eram complicadas. A China havia se fechado com o governo comunista e expulsado todos os missionários.
Então, Deus abriu uma porta para ela realizar a obra missionária. Não exatamente para onde gostaria de ir, mas foi enviada para Missuini (índia), com o propósito de abrir uma escola de inglês.
Uma guerra civil, porém, mudaria todo o quadro. A China expulsa muitas famílias de suas casas e cerca de 500 famílias tibetanas decidem vir para a Índia. O governo fica preocupado e manda estas famílias para Missuini, e pedindo a missionária que desse aulas de inglês para estas pessoas, e colocaram-na no palácio da cidade para ela expandir sua escola de inglês, tudo isto pago pela Índia. Ela jamais foi ao Tibet, mas Deus trouxe o Tibet a ela. Evangelizou centenas de tibetanos. Isto nos mostra que estamos em boas mãos.
 Você está passando ou passou por uma tragédia? Deus está no controle de tudo!!!
- Você se sente eu já se sentiu abandonado(a) ao acaso? Deus está no controle de tudo!!!
- Você já foi ou está sendo aprisionado por uma armadilha? Deus está no controle de tudo!!!

O desafio de hoje é este:
Mesmo que você não entenda; mesmo que você não concorde; mesmo que você esteja sofrendo...você aceita e crê que Deus está no controle de tudo. E mais, você se submete a esse controle?


sexta-feira, 4 de julho de 2014

1 Jo 5.13-20 Verdades que precisamos saber



Quando crianças éramos submetidos anualmente a um ritual de tortura. Para combater enfermidades a mamãe nos dava um poderoso vermífugo chamado tetraclorietileno, que causava reações de tonturas, vômitos e mal estar. Numa destas vezes minha irmã teve que ser levada ao hospital para se recuperar. Se você é médico mais antigo certamente deve se lembrar deste remédio que era vendido normalmente nas farmácias populares. Recentemente descobrimos que ele era feito à base de uma lavanda altamente tóxica, que é usada para clarear roupas e é cancerígeno. Naturalmente o ministério de saúde já proibiu sua venda e a mamãe só nos receitava porque ela não tinha todas estas informações.
Ela não sabia dos riscos inerentes a este remédio quando nos dava. A falta de informação tem efeitos danosos. O profeta Oséias disse que o povo de Deus estava sendo destruído porque lhe faltava “conhecimento” (Os 4.6). A ignorância quanto às coisas espirituais estava gerando morte na vida do povo de Israel.
Neste texto de João, vemos o apóstolo se apropriando de um elemento importante para a vida cristã: o saber. Por cinco vezes ele usa este verbo (1 Jo 5.13,15,18,19,20). O saber tem a ver com conhecimento. Nestes 8 versículos que lemos (13-20), ele fala de seis coisas que precisamos saber para nossa caminhada cristã.
O apóstolo João é profundamente anti pós-moderno. A atual geração tem uma tendência para dubiedade e ambigüidade. As coisas podem dizer e ao mesmo tempo não dizer, é a famosa dialética hegeliana, cujo relativismo comporta até mesmo os opostos. Por exemplo, “ficar”, verbo que dá idéia de permanência, estabilidade – para a geração moderna significa “não ficar” e expressa transição – e rápida! Para o apóstolo João, as coisas são o que são, e não podemos ter dúvidas, mas convicções – precisamos saber. As coisas são ou não são, não existe dubiedade. Luz é oposto de trevas; ignorância é oposto de conhecimento; filhos de Deus são diferente dos filhos do diabo.

Neste texto, encerrando sua primeira carta, ele faz questão de frisar alguns destes pontos:

1.      Precisamos saber que temos a vida eterna – “Estas coisas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes no nome do Filho de Deus” (1 Jo 5.13). Esta carta foi escrita com este objetivo. Para nos assegurar e dar convicções sobre nossa realidade eterna.

As promessas de salvação são muito claras nas Escrituras. Jesus não fala dos céus e da salvação eterna em termos de possibilidades, mas de realidades. Não se refere em termos de probabilidade, mas de fato.
Em geral, as pessoas falam de coisas eternas com muita ambigüidade e eventualmente com muito medo. Não aprenderam as verdades sobre a salvação, e quando falam dela, falam em termos difusos, ou com fundamentação errada.
Certo adolescente da igreja em Minaçu-GO, foi o primeiro de sua família a se converter. Hoje é o pastor da Igreja Presbiteriana de Rio Verde há mais de 25 anos. Numa aula de religião na sua escola, a professora afirmou que ninguém podia ter certeza das coisas espirituais, porque ninguém sabia ao certo o que iria acontecer, e ele retrucou: “Se a senhora não sabe que isto é verdade, por que está ensinando para nós?”
Jesus fala da vida eterna em termos de convicções claras. “Não se turbe o vosso coração, credes em Deus, credes também em mim, na casa de meu Pai há muitas moradas, se assim não fora eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar” (Jo 14.1-2). Os apóstolos também falam de salvação em termos de convicções, não de hipóteses. “Estas coisas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna”. Você tem certeza da vida eterna em Cristo Jesus?
A base da vida eterna está firmada. “Em Cristo Jesus”. Se você pensa que ter certeza da vida eterna é vaidade espiritual, estou convencido de que você está pensando em salvação em termos de uma conquista pessoal e não através da obra meritória de Cristo, de sua justiça que pagou o preço do nosso resgate na cruz. A certeza nunca pode estar em nós, já que salvação não é meritória. Você não “ganha salvação”, por causa dos esforços pessoais. Salvação é “dom de Deus, não é de obras para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9), ela foi conquistada por Cristo.

2.      Precisamos saber que Deus se pedirmos alguma coisa, ele nos ouve – 1 Jo 5.14. Alguns princípios sobre oração são afirmados neste texto e que precisamos saber:

a.      “Esta é a confiança que temos” (1 Jo 5.14) – Precisamos ter confiança no efeito das orações. Nem sempre estamos convencidos de que oração realmente é importante. Temos muitas crises com a oração e por isto quase não oramos. Eventualmente mantemos um discurso de confiança mas nosso coração é desconfiado e carregado de suspeição.

b.     “Se pedirmos alguma coisa”- (1 Jo 5.14). Nem sempre pedimos. Quando pedimos, ainda pedimos mal. Eventualmente não pedimos por causa de nossa independência, outras vezes não o fazemos por causa de nossa incredulidade. Nem sempre temos pedido. O apóstolo Tiago afirma: “Nada tendes, porque não pedis” (Tg 1.3).

c.      “Segundo a sua vontade” – (1 Jo 5.14). Deus não vai atender pedidos que estão fora do seu propósito. Não ore para Deus lhe dar alguma coisa que é contrária à sua palavra, nem oposta aos seus princípios e valores. O apóstolo Tiago afirma: “pedis e não recebeis porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 1.4).

d.     “Ele nos ouve”- (1 Jo 5.14). Esta é uma verdade maravilhosa. Você sabe, realmente, que Deus ouve suas orações? O clamor e pedidos de sua alma são conhecidos de Deus? Seus medos, sonhos e projetos? Se pedirmos... ele nos ouve... se o fizermos segundo a sua vontade.

3.      Precisamos saber que todo aquele que é nascido de Deus, não vive pecando – (1 Jo 5.18). Este texto gera algumas reações, porque originalmente o que é dito é que “todo aquele que é nascido de Deus, não peca”. Por causa disto, alguns grupos na história da igreja defenderam o conceito de que seria possível viver num estilo de vida tão santo que viveríamos sem pecado, e estes grupos não foram poucos nem isolados. No Brasil tivemos pessoas respeitáveis defendendo esta possibilidade.

Acredito que o texto esteja afirmando que, aqueles que nasceram de Deus, não vivem “pecando”, no sentido de que “intencionalmente” não querem ferir o coração de Deus, e por desejarem uma vida de santidade e desenvolveram o horror ao pecado, não vivem pecando.
O apóstolo Pedro afirma que quando nascemos de novo, nos tornamos “co-participantes da natureza divina, livrando-nos da corrupção das paixões que há no mundo” (2 Pe 1.4). Este semente divina implantada em nós nos impulsiona à Deus, e por isto, aquele que é nascido de Deus, não vive pecando. Não vive intencionalmente, quebrando princípios de Deus.
Precisamos saber desta verdade, para não viver vida de corrupção. Se você se julga nascido de novo, mas continua numa deliberada vida de corrupção, deve questionar seriamente a natureza do seu novo nascimento, já que, aquele que é nascido de Deus, não vive na prática do pecado.

4.      Precisamos saber que, o nascido de Deus, é protegido do maligno – “Aquele que nasceu de Deus, (Deus) o guarda, e o Maligno não lhe toca” (1 Jo 5.18). Por vivermos numa cultura espiritualizada, não é incomum encontrarmos cristãos com medo de obras malignas, de influências satânicas e do poder do diabo sobre suas vidas.

Muitas vezes já abri a Palavra de Deus para pessoas que se sentiam ameaçadas espiritualmente, mesmo já tendo entregado suas vidas a Cristo. Elas precisavam “saber” que estavam protegidas do maligno, por causa do sangue do Cordeiro. Não precisamos temer o diabo, embora não devamos desafiá-lo. Quando Jesus chamou os seus discípulos, ele os designou para pregar as boas novas e lhes deu autoridade para expelir demônios (Mc 3.14-15).
Veja quantos textos bíblicos nos falam sobre este assunto:

Nm 23.8,20: “Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou?... eis que para abençoar recebi ordem; ele abençoou, não o posso revogar” – estas frases foram ditas por  um poderoso  macumbeiro que havia sido contratado por um rei pagão para “fazer um trabalho” contra o povo de Deus.

Sl 91.1-3,10: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu em quem confio. Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa... nenhum mal te sucederá, praga nenhuma cegará à tua tenda”.

Lc 10.17: “Então, regressaram os senta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!”

2 Ts 3.3: “Todavia, o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do Maligno”.

1 Jo 4.4: “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 Jo 4.4).

5.      Precisamos saber que somos de Deus – (1 Jo 5.19). Esta é outra verdade que precisamos assimilar pela sua importância e porque tem a ver com a nossa identidade. “Somos de Deus”.

Muitos sabem teoricamente desta verdade, mas possuem uma mentalidade de órfão. Não percebem que realmente pertencem a Deus. Viver como órfãos nos transforma facilmente em vítimas ou tiranos. A orfandade gera sentimento de abandono, de rejeição, que precisa ser restaurado. Curiosamente a bíblia nos fala que “em Cristo, fomos adotados”. Isto seria suficiente para retirar do coração a sensação de abandono. Somos convidados pelo Pai para entrarmos na família celestial, e ele nos trata como filhos, dando-nos todos os direitos conquistados por Cristo na cruz. Paulo afirma que em Cristo, fomos feitos filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo.
No entanto, a maioria vive não como filho amado, mas como órfão, com um grande senso de orfandade na alma. Quando não temos relação de filho, cobramos de Deus e nos sentimos sempre inseguros. João faz questão de frisar: “Sabemos que somos de Deus”. O mundo, a pessoa não-regenerada, não é de Deus, pelo contrário, jaz no Maligno, está debaixo da orientação das trevas, mas nós somos filhos, amados, eleitos, acolhidos. Temos colo e direção.

6.      Precisamos saber o que Cristo veio fazer – “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro, e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo”  (1 Jo 5.20). O que Cristo veio fazer? Ele nos deu entendimento para reconhecermos o verdadeiro.

Há muito engano e sedução neste mundo, e podemos facilmente ser enganados, quando não iluminados pelo Espírito de Deus. Ao nos convertemos, a luz do evangelho da glória de Cristo, nos ilumina e nos dá a graça de distinguir o falso do verdadeiro (2 Co 4.4).
Um expert do tesouro americano foi convidado num “talk show” para falar de sua experiência em distinguir dólares americanos falsos e verdadeiros. No mundo inteiro existe milhares de notas falsas, algumas com imitações grosseiras, mas outras incrivelmente bem feitas, que a pessoa comum não distingue facilmente. Então, o entrevistador lhe perguntou como ele fazia para reconhecer tantas notas falsas, e ele disse: “Eu não conheço as notas falsas... eu conheço a verdadeira”. Quando ele entrava em contacto com as simulações, facilmente as distinguia por ter capacidade de perceber o falso e o verdadeiro.
O apóstolo João afirma que o Filho de Deus nos tem dado entendimento “para reconhecermos o verdadeiro”. A obra de Jesus nos livra de engano, da mentira, da operação do erro e do espírito enganador.

Conclusão:

Estas coisas foram escritas para nos tirar da ignorância espiritual. A ignorância quanto a elas traz graves prejuízos e eventualmente tais prejuízos são fatais, porque tem implicações eternas
Guarde estas verdades de forma clara na mente. Satanás vai usar cada uma delas de forma invertida e perturbada para abater a fé, gerar dúvidas e enganar. Ele vai lançar dados inflamados sobre a mente nas horas em que você estará mais despreocupado e desprotegido, mas se sua mente estiver clarificada, você certamente se manterá firme nos dias maus.


Que Deus nos abençoe!