terça-feira, 28 de abril de 2015

Salomão. O perigo da vaidade


Introdução:


Salomão é um dos homens mais paradoxais na Bíblia.

A. O homem mais sábio – que se perde na sua sabedoria e se torna pessimista e amargurado; 
B. O homem com extravagante vida com Deus – que posteriormente assume uma fé sincrética e idolátrica; 
C. O homem mais admirado na política externa – Que se revela um tolo no final da vida; 
D. O homem que impressiona os súditos – No final se torna mulherengo, e sofre críticas severas do seu próprio povo.
E. O homem com o reino unificado e admirado que e deixa o legado de reino dividido para seu filho Roboão.


Qual é o pecado básico de Salomão?


                        i. Luxúria?
                       ii. Vaidade?
                      iii. Idolatria?
                      iv. Arrogância?

Tais pecados são evidentes, mas a vaidade se torna o problema central na sua vida. Salomão precisa de holofotes. Scott Peck, psiquiatra renomado nos EUA, afirma que o diabo é um ser da penumbra e das trevas, e só é descoberto, porque é “show-off”, gosta de se aparecer, não quer deixar de ficar em evidência. Quando coloca um pedaço de sua face na luz, é denunciado. 
Salomão escreveu muito sobre a vaidade no seu livro de Eclesiastes. Aliás, apenas num versículo deste livro, que é o título, ele fala cinco vezes disto: “Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades, tudo é vaidade”. (Ec 1.2). 
No entanto, a vaidade que ele descreve ali, não era exatamente a mesma vaidade que o consumiria. A palavra do hebraico para vaidade é hebhel, e significa, bolha de sabão, isto é, a vida não tem consistência. Seu livro é proto-existencialista do existencialismo moderno. O que Nietzsche, Camus, Jaspers e Sartre dizem tem profunda relação com o conteúdo de Eclesiastes. Por exemplo, o primeiro capitulo de Eclesiastes fala da falta de objetividade na vida, e como ela se repete. Esta é a mesma tese do eterno retorno de Niestsche, que posteriormente será explorada no livro “a insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera. 
A vaidade destrói Salomão. Poder, fama, popularidade e glória o mataram, afinal “vaidade é o pecado predileto” para Satanás. 


Salomão: Um homem obcecado pela sua imagem

Não é fácil seguir uma lenda. Salomão teve que calçar os sapatos de seu pai que era um herói. Assumiu o trono em meio a tensões familiares e com muitas disputas no reino e era ainda novo e inexperiente em questões políticas (1 Cr 29.1). Ele tinha sobre si uma sombra pesada, ela era filho de uma mulher estigmatizada em Israel pelo escândalo público que causou ao se envolver com Davi numa relação adulterina, provocando a morte de seu marido. Apesar de ter sido chamado por Deus para construir o templo, quem fez o projeto foi o seu pai e ele desejava fazer bem mais que seu pai (Ec 2.4-8). Sua vida se tornou uma tentativa de auto afirmação (Ec 2.9-10). Tornou-se maior na sua mente que em sua vida. Taxou severamente seus súditos ao ponto de exaustão por causa de seus caprichos e decidiu se casar com outras mulheres gentias para ampliar seu reino, apesar da ordem explicita na Palavra do Senhor sobre este assunto (Dt 17.16-17). Sua imagem era mais importante que obediência. Na meia idade encontrou-se com seu lado negro.


O que vemos em Salomão?



1. Salomão iniciou seu reinado com a benção de Deus – (2 Cr 1.1,7); 



2. Salomão iniciou seu reinado com devoção, humildade e piedade – (2 Cr 1.9-12);



3. Salomão iniciou seu reinado colocando Deus em primeiro lugar – “Resolveu Salomão” (2 Cr 2.1). Seu amor por Deus no início de sua vida era extravagante. Nos sacrifícios para a consagração do templo não poupava esforços. Sacrificou 22 mil bois e 120 mil ovelhas (2 Cr 8.63). Já pararam para considerar a grandeza destes números? 



4. Salomão começou seu reinado colocando a glória de Deus como primazia – (2 Cr 2.5). A construção do templo ocupa completamente os primeiros capítulos do segundo livro das crônicas.



5. Salomão colocou os olhos dos seus liderados no Deus de Israel. Ele fazia questão de unir o povo num culto comunitário, para celebrar o nome do Deus de Israel. Veja quantas vezes aparece o termo “todos” apenas nestes 4 versos (2 Cr 5.2-6)



6. Deus demonstra seu prazer na atitude de Salomão. 

                      i. Deus se manifesta no templo - 2 Cr. 5.13-14
                    ii. Deus se manifesta a Salomão – 2 Cr 7.12
 


7. Salomão se torna uma referência de sabedoria dentro do seu governo. (1 Rs 3.16-28).



8. Salomão se torna uma referência na política externa – Pessoas de várias partes do mundo vinham se encontrar com ele. Certamente a mais famosa foi a rainha de Sabá (que historiadores afirmam ser a atual Etiópia, que naqueles dias era uma potência militar). “Todo mundo procurava ir ter com ele para ouvir a sabedoria que Deus lhe pusera no coração” (1 Rs 10.24). 



9. Salomão deixou um legado de obras escritas em seus dias, Salomão deixou um legado de obras escritas em seus dias, sobre os temas mais variados como botânica, répteis, peixes, zoologia, escreveu 3000 provérbios e 1005 cânticos. Deixou um legado acadêmico (1 Rs 4.29-34). 



10. Sua glória, poder e sabedoria se tornaram superlativas – “Excedeu a todos os reis do mundo, tanto em riqueza como em sabedoria”. 



12. Salomão se tornou poderoso financeiramente – 1 Rs 10.14. 

Seu reinado era opulento e ostensivo – Todas as taças com que se servia o rei eram de ouro. Sua riqueza impressionava (1 Rs 10.4-6). 


Como começou a derrocada de Salomão?



Apesar de todo a glória inicial, Salomão não terminou bem sua vida e reinado. O primeiro livro dos Reis, no capítulo 11, registra o início do seu fracasso. 

O que deu errado?

Primeiro, Salomão relativizou princípios básicos da Lei de Deus

Bem antes de Israel se tornar uma monarquia, Deus já havia estabelecido as “Normas dos futuros reis”. O livro de Deuteronômio já instruía que quando Israel tivesse um rei, ele deveria seguir 4 princípios ou diretrizes:
                     • Não devia ter muitos cavalos
                     • Não devia fazer o povo voltar ao Egito
                     • Não devia ter muitas mulheres
                     • Não devia possuir muita prata e ouro


Estas normas estão registradas em Dt 17.14-17
 

No entanto, o que fez Salomão? Ele quebrou todos os princípios estipulados. Ele obstinadamente quebrou todos os quatro valores estabelecidos por Deus para os reis de Israel. Isto é rebeldia.
Deus havia instruído seu povo a não se casar com mulheres pagãs e a contrair casamentos mistos 
Os filhos de Israel não deveriam se envolver com mulheres estrangeiras (Dt 12.2; 1 Rs 11.1-2).


Segundo, Salomão construiu um harém para demonstrar seu poder e luxo



A palavra de Deus registra em 1 Rs 11.1-3:
“Ora, além da filha de Faraó, amou Salomão muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, edomitas, sidonias e heteias. Mulheres das nações de que havia o Senhor dito aos filhos de Israel: Não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor. Tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração” (1 Rs 11.1-3)

O texto afirma que tais mulheres lhe perverteram o seu coração, mas não é difícil pensar que sua atitude já demonstrava a tendência de um coração que se pervertia na luxúria e sexo desenfreado. Poderíamos até afirmar: “Por causa da perversão do seu coração, construiu harém para mil mulheres”. Salomão não é vítima. O texto bíblico não quer dar esta impressão.


Terceiro,
A vaidade de seu coração se tornou idolátrica. Lutero afirmava que a idolatria é o pecado detrás de todos os demais pecados. No caso de Salomão, sua vaidade o induziu a dividir a atenção na adoração ao Deus único (1 Rs 11-5-8). Salomão se tornou decadente na sua espiritualidade. Seu narcisismo o destruiu. O livro de Eclesiastes, de sua autoria, é auto biográfico, e fala da grave consequência do homem quando se distancia de Deus. Seu livro é cínico e pessimista, revela uma amargura e uma falta de sentido sem par. Aliás a palavra “vaidade” seria melhor traduzida no texto como “falta de sentido”, porque ela vem do hebraico “hebhel”, que pode ser traduzido como “fôlego”, ou “bolha de sabão”. Muito brilho, mas nenhum conteúdo, afinal, “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Ou como Vinicius definiu a vida na música “Aquarela”, afirmando que “O futuro é uma astronave, que devemos pilotar, não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar. Pinto um barco a vela, branco navegando, que no fim de tudo, se descolorirá”. 



Quando a imagem é tudo

Para pessoas narcisistas, o eixo do mundo gira em torno deles. A órbita do universo está girando ao seu redor. Tornam-se auto-absorvidas, apresentam intensa ambição, grandes fantasias, sentimentos de inferioridade e dependência excessiva de admiração externa e aclamação pública. Por causa de sua insegurança, colocam outros para promoverem sua auto-imagem. Possuem um sentimento inflacionado de valor para suas organizações, e uma necessidade exibicionista por constante admiração e atenção dos outros. A despeito de serem conduzidos por este desejo de aclamação, raramente são satisfeitos. Por esta razão, apesar dos impostos já estarem estratosféricos, Salomão sobretaxou-os para financiar seus projetos de auto promoção. 
Narcisistas tendem a valorizar excessivamente suas próprias conquistas e habilidades, e encontram dificuldade de reconhecer estas mesmas características em outros, porque fazer isto os ameaça. Usam outros para alcançar seus objetivos.
Narcisismo é uma palavra que procede da lenda grega de Narciso. Ele era um jovem lindíssimo, usava a mais perfeita pérola nos seus cordões e por causa de sua beleza, muitas mulheres eram atraídas a ele, mas não podiam se aproximar porque ele não se interessava por nenhuma delas. Ele se apaixonou pela própria imagem quando um dia olhou para o rio e viu seu rosto refletido nele. Narciso não podia amar ninguém mais, ou responder a qualquer amor. Na medida em que o tempo passava, Narciso gastava mais e mais tempo se contemplando, até que não conseguiu mais sair de perto do reflexo, foi absorvido pela terra e se tornou uma flor.


O conhecido tele-evangelista Jim Bakker é um exemplo clássico da vítima de uma desordem narcisista de personalidade. Sua visão de grandeza surgia de seu profundo senso de inferioridade e inadequação. Ele sempre fazia as coisas para mostrar que era digno de ser aprovado. Por isto não conseguia interromper nada, por mais pecaminoso que fosse, para receber aprovação. Muitas igrejas têm sido destruídas pela vaidade de seus líderes. Muitos usam a igreja para plataforma de exaltação do ego com pouca preocupação com o povo de Deus ou com Deus. 

Quando pastores estão constantemente iniciando novos projetos mesmo quando os atuais não estão funcionando bem, isto pode ser um sinal de narcisismo e muitos seguem tais lideres pensando que tais atividades surgiram no coração de Deus.
 



Quarto, Salomão atraiu a ira de Deus sobre sua vida


Isto causou uma divisão em Israel Deus, que só não aconteceu nos dias de Salomão, por causa de Davi, mas reverberou no seu filho e netos. Nos dias de Salomão, o profeta afirma que Aías trouxe uma dura palavra profética, de denúncia, por causa de sua atitude pagã: 
Sucedeu, pois, naquele tempo que, saindo Jeroboão de Jerusalém, o profeta Aías, o silonita, o encontrou no caminho, e ele estava vestido com uma roupa nova, e os dois estavam sós no campo. E Aías pegou na roupa nova que tinha sobre si, e a rasgou em doze pedaços.

E disse a Jeroboão: Toma para ti os dez pedaços, porque assim diz o Senhor Deus de Israel: Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei as dez tribos. Porém ele terá uma tribo, por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, a cidade que escolhi de todas as tribos de Israel. Porque me deixaram, e se encurvaram a Astarote, deusa dos sidônios, a Quemós, deus dos moabitas, e a Milcom, deus dos filhos de Amom; e não andaram pelos meus caminhos, para fazerem o que é reto aos meus olhos, a saber, os meus estatutos e os meus juízos, como Davi, seu pai. Porém não tomarei nada deste reino da sua mão; mas por príncipe o ponho por todos os dias da sua vida, por amor de Davi, meu servo, a quem escolhi, o qual guardou os meus mandamentos e os meus estatutos. Mas da mão de seu filho tomarei o reino, e darei a ti, as dez tribos dele” (1 Rs 11.29-35). Qual a causa desta divisão? “Porque Salomão me deixou” (1 Rs 11.33). 


Sua infidelidade trouxe sérias consequências para o povo de Deus e graves implicações sobre o governo de seu filho. 10 nações abandonaram o reinado de Roboão e passaram a seguir outro rei, quando Roboão decide guerrear contra o grupo dissidente Deus os proíbe, dizendo: “...Eu é que fiz isto!” (1 Rs12.24)
 



Conclusão:


A história de Salomão nos ensina várias lições:


A. Salomão se perdeu na sua trajetória e assumiu uma atitude de apostasia – O apóstolo Paulo nos exorta a nos examinarmos a avaliar nossa vida espiritual: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13.5). É essencial continuar firme.



B. Salomão não se afastou de Deus repentinamente – Heresia e apostasia se constroem em longos períodos da vida, cumprem processos e seguem certos protocolos. Lentamente a alma se esfria, perde-se o vigor espiritual, abandona a vida da igreja, as orações, a leitura contemplativa da palavra, o sustento financeiro da obra do Senhor. É um processo letal e lento.

Salomão se envolve com a filha de Faraó. Egito era um grande reino. Isto dava status e reconhecimento, e o protegia politicamente, mas era desobediência. Sua vaidade, porém, o atraia mais que todas as coisas. Salomão se envolve com outras mulheres pagãs, numa clara desobediência a um preceito conhecido em Israel, que o povo de Deus não deveria se casar com pessoas que adorassem outros deuses. Salomão, para ser agradável e popular (característica daqueles que estão sendo engolidos pela vaidade), chega ao cúmulo de construir templos pagãos para homenagear suas mulheres. Inclusive altares a deuses que exigiam sacrifícios de crianças, e finalmente, Salomão comparece e toma parte nestes rituais pagãos. 


C. As escolhas pecaminosas de Salomão demonstram como o pecado pode se tornar cada vez mais dominante . A Bíblia fala de “laços de iniquidade”. Iniquidade tem o poder de nos aprisionar, tirar o nosso coração do Senhor. Perder a primazia de Deus em nossa vida. Isto pode se dar por preguiça espiritual, desejo de popularidade, concessão às ofertas de Satanás, desejo por poder e dinheiro. 



D. Salomão terminou seus dias com alma em profundo desespero e vazio. O Livro de Eclesiastes, escrito no final de sua vida, é autobiográfico. Ed René Kivitz afirma que é o livro “mais mau humorado da bíblia”. Nele Salomão extravasa toda sua desorientação espiritual e crise de alma. Torna-se ácido, pessimista e vazio. 



E. A história de Salomão nos ensina que, não importa como a gente começa, e sim como terminamos a caminhada com Deus. 
Por isto a Bíblia afirma que “aquele que perseverar até o fim, este será salvo”. Vida cristã não é uma corrida de 100 metros rasos, não é velocidade, mas maratona, corrida longa e perseverante, na qual o atleta muitas vezes sente-se cansado e com desejo de entregar os pontos.







Certa pessoa afirmou: “na medida em que envelheço tenho me tornado mais cético, cínico e grosso”. É possível terminar mau os dias, mesmo para aqueles que começam bem. Mas a Bíblia diz que “não somos dos que retrocedem para a perdição”. 
É preciso terminar bem, amando a Deus, honrando o Senhor.



Se nosso coração se desviar e seguir outros deuses, ou se perder na vaidade e na luxúria, é importante voltar, admitir o equívoco, pedir graça e poder e voltar ao primeiro amor, confessar os pecados, admitir nossa impotência, buscar e clamar ao Senhor.



Davi era um homem segundo o coração de Deus. Cometeu muitos equívocos, mas não continuava sua caminhada sem Deus.
Seu filho Salomão, pecou contra Deus, e não há na bíblia registro de seu arrependimento e volta ao Senhor. 



Davi não ficou longe de Deus. Salomão se acomodou longe de Deus.
A distância do senhor, sua luxuria, vaidade, idolatria, narcisismo não o levaram ao choro.





Que Deus nos ajude a enfrentar estes monstros da alma e voltar para Aquele que é rico em perdoar, e que não tem prazer na morte do ímpio, mas enseja a todos que nos voltemos, em arrependimento, para que sejamos curados, tratados, perdoados.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Mt 24.32-44 O Arrebatamento e a volta de Cristo



Introdução:


Estamos estudando o sermão escatológico de Cristo. Um dos textos mais desafiadores para os hermeneutas. É chamado “escatológico” porque se refere às últimas coisas. Em Mt 23.37-39 Jesus dá uma dura mensagem sobre o futuro de Jerusalém e o templo (Mt 24.1-2). Dá detalhes da vinda do Império Romano sobre Israel (Lc 19.41-44).
O primeiro sermão desta série foi a destruição do Templo e como a profecia de Cristo se cumpriu completamente, 36 anos depois;
O segundo, o Princípio do fim. Os discípulos, ouvindo a profecia, indagam sobre quando e que sinais haveriam da consumação do século (Mt 24.4-14). Jesus fala dos sinais mais genéricos de sua vinda, advertindo-os que isto era apenas o principio, não o fim.
No terceiro sermão, A Grande tribulação (Mt 24.15-28), mostrando que será um período de grande e intenso sofrimento, embora abreviado, por causa dos eleitos.

Agora, vamos falar especificamente da volta de Cristo. O que o Senhor ensinou sobre seu retorno.

Temos aqui a mais extraordinária promessa que ainda não se cumpriu.
Muitas profecias já tiveram seu cumprimento, mas essa ainda não. Ele fez esta afirmação há 2000 anos atrás, de que voltaria a este mundo, em poder e glória, para buscar o seu povo escolhido e estabelecer o seu reino de justiça e paz. O apóstolo Pedro, que ouviu estas promessas da boca de Jesus, afirma: “Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pe 3.13).

Quando ela ocorrerá?  

Interpretações equivocadas:
Alguns acham que essa profecia já se cumpriu, na destruição de Jerusalém quando Cristo veio em juízo; Outros, quando houve o Pentecostes, e Cristo veio pelo Espírito; outro, quando morre o crente, e Cristo vem busca-lo. Alguns ainda acreditam que Cristo virá por meio da presença da igreja, atuando diretamente no mundo, e dando sinais do reino de Deus (Escatologia Realizada); outros, que sua vinda é apenas uma “esperança utópica” (Moltmann), que nos mantém sonhando com uma nova realidade espiritual, mas Jesus não virá de forma literal.

O pensamento cristão
Historicamente, porém, a Igreja sempre pensou de forma diferente. Ela aguarda uma volta literal de seu Cristo, e é exatamente isto que Cristo nos ensina neste texto.
Jesus usa a figura da figueira, uma árvore bem conhecida na Palestina para falar de sua vinda.
Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam,
sabeis que está próximo o verão” (Mt 24.32).
O que ele está afirmando é que, os sinais referidos por ele são o meio seguro para entendermos que ele está voltando. Muitos sinais sobejamente já se deram, alguns sinais estão por acontecer, ou estão em processo.

Existem três questões sobre tais sinais que ainda não se cumpriram.
ð  O Anti Cristo já está entre nós? Jesus fala deste abominável da desolação, que vai gerar grande tribulação no meio do seu povo. Esta profecia já se cumpriu parcialmente na Invasão de Roma a Jerusalém nos Anos 70 d.C., mas será que este personagem final já existe?

Não nos parece.
Embora os sistemas do mundo conspirem violentamente contra o evangelho em todos os lugares, ainda não vemos todo carisma e sinais que esta pessoa carismática, espiritualmente forte e agregadora. Este personagem receberá aprovação popular e apoio político de grandes lideres mundiais. Paulo o chama de “homem da iniquidade e filho da perdição” (2 ts 2.3).

ð  O Evangelho já foi pregado a todas as nações (etnias)? A Grande comissão de Mt 28.18-20 já se cumpriu? O Evangelho já foi pregado a todo mundo? No Brasil existem 200 etnias, e em Nova Guiné, existem 800 dialetos. A missão já se cumpriu? A Vinda do Filho do homem não virá enquanto isto não se der (Mt 24.14). Talvez seja por isto que Pedro fala que devemos viver “esperando e apressando a vinda do dia do Senhor” (2 Pe 3.12). Talvez seja o apelo para que sejamos mais enfáticos na Evangelização e missão.será que a missão já se cumpriu?
Com os meios de comunicação modernos, o Evangelho tem sido ouvido em todos os rincões do mundo. Mas ainda há muito povo sem ouvir falar de Jesus. Missionários ligados à Missões Novas Tribos, A SIL, trabalham arduamente para traduzir pelo menos uma porção das escrituras a estas culturas.

ð  A Grande tribulação já aconteceu? Muitos veem no martírio do povo de Israel (Holocausto) e na perseguição à igreja no Século XX, uma evidência disto, e talvez estejam certos. Cristãos em diferentes culturas tem sido sistematicamente perseguidos.
Minha esposa, dá cursos no Instituto Haggai Internacional já recebeu relatório de duas colegas dela, que foram violentamente perseguidas por causa de sua fé em Cristo em nossos dias. Pracetti, uma tailandesa frágil, viu sua casa ser invadido enquanto oravam, e os moradores da vila jogarem literalmente todos seus pertences e de sua família (panelas, roupas, adereços, móveis) na rua, pelo simples fato de serem cristãos e estarem orando. Recentemente a Dra. Clara, juíza de Direito e colega também da Sara, teve um incêndio criminoso na sua casa na Nigéria, por causa da fé em Cristo.
Seria esta referência à profecia de Jesus? Acredito que não.

Precisamos ficar atentos aos sinais da figueira.
“Quando os seus ramos se renovam, está próximo o verão”. Não passará esta geração quando tudo isto se dará.

Mas Jesus faz algumas advertências:
  1. Cuidado com o descrédito nas profecias. “Passará o céu e a terra, porém, as minhas palavras não passarão” (Mt 24.35). Já nos dias apostólicos, alguns irmãos começaram a dizer: “Onde está a promessa de sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem desde o princípio da criação” (2 Pe 3.4).

  1. Tome cuidado com a preocupação cronológica: dia e data. Não caia na tentação de querer marcar data. Várias seitas (Testemunhas de Jeová, Mórmons, Adventismo) e pregadores empolgados (Wim Malgo, Hall Lindsey) já cometeram tais equívocos e ficaram envergonhados. “A respeito daquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai”.

  1. A vinda do Senhor será num dia “extraordinariamente ordinário” (Mt 24.37-39). Nos dias de Noé a vida acontecia normalmente: As pessoas continuavam pagando seus impostos, fazendo compras, trabalhando, casando, assim como nos dias de Noé. As coisas aconteciam sem transtornos, não houve um aviso prévio. Por isto, sua vinda vai surpreender os desatentos e descuidados. “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que hora vem o vosso Senhor” (Mt 25.42).

  1. A vinda do Senhor atrairá (magneticamente) a si o seu povo – “Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra” (Mt 25.40,41). Este é o arrebatamento, que virá, em primeiro plano, invisivelmente, e a seguir, de forma visível (1 Ts 4.16-18).

Sua vinda terá algumas características:


1. Encerrará a presente ordem, tal como a conhecemos. “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas” (Mt 25.29); "Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão" (2 Pe 3.10-13). 


2. Será visível.Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt 24.30). O Novo Testamento não fala de uma vinda secreta ou invisível de Cristo. 

3. Será Universal “...e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem” (Mt 24.30). 

4. Será gloriosa, em grande poder – “...e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt 25.31). 
O texto que melhor descreve a volta gloriosa de Cristo encontra-se em Apocalipse. 
E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (Ap 19.11-16). 
Em contraste com a sua primeira humilde e simples vinda quando nasceu numa humilde estrebaria, dentro de um coxo. Sua volta será em poder, e destruirá Satanás com apenas um sopro. “E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2 Ts 2.8). Diante Dele todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é Senhor. “Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra. E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.10,11). 

5. Será para estabelecimento do juízo - 
               i. Juízo da besta, falso profeta e o anti Cristo. “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (Ap 19.20). 
              ii. Juízo da humanidade. “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras” (Ap 20.12.13). Causará terror nos ímpios. “E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas” (Lc 21.25-26) e exultação aos santos “Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21.28).


Aplicações:
A. O retorno de Cristo ocorrerá com certeza (Mt 24.35)

B. Não sabemos o dia nem a hora (Mt 25.36)

Geração após geração os cristãos consideram os eventos, estudam a Bíblia, analisam as circunstâncias e perguntam: “Será que nós seremos a geração em que essa promessa irá se cumprir?”
Da mesma forma a Igreja tem debatido como esse retorno haverá de acontecer. Será depois do milênio? Será antes do milênio? Não haverá milênio algum? Será em duas ou três etapas? Apesar as diferentes interpretações esta esperança é compartilhada por todos. O Senhor Jesus voltará pessoalmente a este mundo em poder e glória, para estar com os Seus e para julgar a humanidade.
A vinda do Senhor traz promessas de alivio aos que sofrem sob poderes e oposição em face de sua fé; fala da vitória sobre os inimigos da Igreja, da consumação dos tempos, e do cumprimento das profecias.
Seu retorno marcará a vitória da Igreja. Devemos exultar, porque chegou aquele o grande dia do encontro com o Salvador. A igreja está espalhada pelo mundo, em alguns lugares sofrendo, perseguida e martirizada.


Conclusão:
a)       Será que temos expectativa da vinda de Jesus? Aguardamos de fato sua vinda? Ela tem lugar em nosso coração? A vinda do Senhor representa motivo de alegria


b)       Aos que não são cristãos. Todas as profecias de Jesus, todas literalmente, se cumpriram. O que faz você pensar que a profecia da vinda Dele também não vai se cumprir exatamente como Ele disse? Ele conhece o seu coração e enquanto você tem oportunidade, não espere mais para se curvar diante Daquele que agora, nos céus, aguarda o momento do Seu retorno, no tempo marcado por Deus. 

Mt 24.15-28 A Grande Tribulação




Introdução:

Poucos assuntos despertam a imaginação e discussão dos intérpretes da Bíblia, que “A Grande tribulação”, com seus agentes: a besta, o falso profeta, o Anti Cristo, e aqui neste texto, “o homem da desolação”. O próprio Mateus, ao narrar as palavras de Jesus já antecipa a dificuldade destas palavras e afirma: “Quem lê, entenda!”.

Alguns anos trás foi publicada uma novela evangélica que se transformou em best-seller, o título: “Deixados para trás”, que fala do arrebatamento da Igreja, da grande tribulação e do reinado do anticristo. Milhares de pessoas tiveram acesso a este material, e mesmo pessoas de fora da igreja demonstraram grande interesse neste tema. Geralmente pregadores que falam da segunda vinda de Cristo, e se tornam “experts” no assunto, tornam-se muitos populares. Quando mais extravagante e mirabolantes as interpretações, mais fascínio exerce.
É exatamente este tema que vemos neste texto. Ele se encontra no cerne do famoso “sermão escatológico” de Jesus, assim chamado porque Jesus revela aos seus discípulos as últimas coisas que haveriam de acontecer.
Este sermão é a resposta de Jesus à uma pergunta dos discípulos sobre a destruição do Templo, quando eles pergunta sobre os sinais e quando seria este evento. A resposta de Jesus vai de Mt 24.3 a 25.46. Ele adverte os discípulos a que não se deixarem enganar, mas que estejam alertas, pois estas coisas acontecerão de surpresa e inesperadamente.
Jesus fala da destruição do templo e depois entra especificamente na “grande tribulação”, e o sinal da grande tribulação é o “abominável da desolação” (Mt 24.15). O que significa isto? A que Jesus se refere?
Lucas dá a resposta, interpretando as palavras de Jesus (Lc 21.20-24). Para o evangelista, o cerco de Jerusalém pelos  exércitos inimigos era a resposta (Lc 19.41-44).
Jesus está citando o profeta Daniel, que menciona esta figura três vezes (Dn 9.27; 11.31; 12.11). Daniel se refere a Antíoco Epifânio, rei pagão que invadiu Jerusalém e adentrou o lugar mais sagrado para o povo judeu, o “Santo dos santos”, onde sacrificou porcos no altar, cometendo uma abominação desoladora. Jesus, faz o paralelo desta profecia de Daniel, aplicando-a ao cerco e a invasão de Jerusalém por exércitos inimigos. Isto é chamado, de profecia atrás da profecia, ou o duplo sentido profético. Como alguém que vê uma montanha e a descreve, mas não vê a outra montanha que está atrás da montanha descrita.
Jesus então diz aos discípulos o que deveriam fazer quando vissem Jerusalém cercada de exércitos.
Eles deveriam fugir de Jerusalém (Mt 24.16) ir para os montes, região que não interessava muito aos romanos por não oferecer resistência e por ser uma região de camponeses e pobres (Mt 24.18). Deveriam fazer isto com urgência, deixando tudo para trás, para salvar a vida (Mt 24.17,18). A fuga seria difícil, especialmente para as grávidas (Mt 24.19) e ainda mais difícil se ocorresse no inverno, quando o frio torna uma fuga insuportável (Mt 24.20). Jesus recomenda que orassem para que não fosse no sábado, porque muitos judeus ortodoxos, não podiam andar, apenas uma determinada quantidade de quilômetros, de acordo com a interpretação que faziam da lei, , e seriam presa fácil dos romanos.
Em resumo,
O Abominável da desolação viria ao lugar santo – referência à invasão romana ao templo (vs. 15);
Afetaria as pessoas mais vulneráveis, como as grávidas;
Seria de uma magnitude indescritível (vs. 21);
Não haveria tempo para se preparar. Tinham que sair rapidamente. Por causa da natureza da tribulação (vs 21) Jesus menciona Daniel 12.1, “tempo de angústia a qual nunca houve”. Por misericórdia e por causa dos eleitos Deus abreviaria aqueles dias,.
Estas palavras de Jesus se cumpriram primariamente na destruição de Jerusalém. No ano 66 d.c. o General Tito cercou a cidade de trincheiras, destruiu a cidade, arrasou o templo, e massacrou cerca de 500 mil a um 1 milhão de judeus. É esta “abominação desoladora” a que se referiu Jesus. Há uma lenda, não confirmada, narrada pelo historiador Eusébio, que diz que quando Jerusalém foi cercada por Tito, muitos cristãos na cidade escaparam para os montes, porque se lembraram da profecia de Jesus, enquanto muitos judeus correram para dentro dela, para se proteger e para defendê-la, e se engrossaram a fileira das pessoas que foram massacradas.
Os judeus resistiram, crendo que haveriam de vencer, confiando na presença de Deus, pois o templo estava entre eles. Ainda durante o cerco, as seitas judaicas brigavam entre si. Alguns profetas afirmavam que o Messias haveria de chegar para salvar os judeus. O que, historicamente, não aconteceu.
Após 4 anos de cerco, Tito e seu exército entraram na cidade. Mataram a todos, velhos, crianças, homens e mulheres, da forma mais selvagem e cruel possível. Queimaram a cidade, arrasaram seus muros; queimaram e o templo e o saquearam, e o restante dos judeus foi disperso pelo mundo.
Apesar desta profecia ter se cumprido exatamente como Cristo anunciou, ao lermos o texto percebemos que ela não se cumpriu completamente. Há vários detalhes na passagem que sugerem que ainda resta um cumprimento maior e futuro para as palavras de Jesus.
Será que Tito encerra toda profecia acerca do abominável da desolação?
Se não, quem é este personagem, símbolo do anticristo, este poder que se levanta contra Deus e seu povo?
Paulo fala deste assunto em 2 Ts 2.7-12. “A vinda de Jesus não virá sem que primeiro venha a apostasia” (2 Ts 2.7). Aafirma que “o mistério da iniquidade já opera, aguardando apenas que seja removido aquele que agora o detém””. O que detém este homem iníquo?
Daniel se referiu ao abominável da desolação, no lugar santo. Esta profecia se cumpriu em Antíoco Epifânio, mas será que ela encerra toda a questão deste ser abominável? O próprio Mateus observa que esta interpretação é complexa. “Quem lê, entenda” (Mt 24.15). Então nos parece que a profecia não é assim tão simples de ser analisada.
O mesmo se dá com a ideia da “tribulação sem igual no mundo” (Mt 24.21). Com certeza nada houve igual antes para os judeus, mas certamente houve coisa igual ou pior depois. Por exemplo, o holocausto da II Guerra, sob Adolfo Hitler exterminou de 5 a 6 milhões de judeus, cruelmente assassinados com requinte de perversão em Auschwitz, Mauthausen, Dachau. Portanto, o texto parece fazer referência a um evento futuro, que ainda não se deu.
Por esta razão, O Evangelista Mateus faz uma ligação imediata com a vinda de Cristo. “Logo em seguida” (vs.29) “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem” (vs 30).
Jesus está falando de dois eventos como se fossem um só, coisa comum nos profetas. É uma profecia com duplo sentido. Como falamos é uma montanha com dois picos superpostos. Uma montanha detrás de outra. Jesus se referiu à destruição de Jerusalém e a um período de intenso sofrimento. O que aconteceria a Jerusalém seria um tipo da tribulação parecida com a dos dias finais, mas a invasão romana não encerra toda profecia.
A Grande tribulação, portanto, é um evento escatológico.
Jesus faz uma narrativa sequencial e cronológica sobre tais eventos.

Primeiro, o aparecimento do homem da iniquidade. Uma referência ao Anti Cristo. É Isto também que vemos na carta do apóstolo Paulo: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição” (2 ts 2.3).
i.                     A grande tribulação afetará as pessoas mais vulneráveis como as grávidas (Mt 24.19).
ii.                   Será de magnitude indescritível, um período curto de intenso sofrimento (Mt 24.21).
iii.                 Não haverá tempo para se organizar (Mt 24.17,18). Quem tem casa, não deve voltar para buscar o que ficou. A parábola das 10 virgens é uma alerta clara quanto à imprudência (Mt 25.11-13).
iv.                 Será um período de muita propaganda religiosa falsa – “Falsos cristos e falsos profetas”. Haverá uma multiplicidade de propostas espiritualizantes: gurus, religiões, ofertas religiosas.
v.                   Este falso ensino terá um forte poder de atração: “Grandes sinais e prodígios” (Mt 24.24). Pessoas atraídas por manifestações serão facilmente seduzidas. “Se possível (não será), enganando os próprios eleitos”. Até os cristãos serão abalados na sua fé, porque estas coisas trazem enorme confusão. Paulo afirma: “ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder e sinais, e prodígios da mentira” (2 Ts 2.9).

Neste contexto de grande religiosidade, logo a pós a tribulação, o Filho do homem virá.
  1. Sua vinda será visível – “Todo olho o verá”. Não há qualquer esperança no texto de que os cristãos serão arrebatados antes deste período, para um encontro secreto com Jesus nos ares.
  2. Será repentina – “como um relâmpago”.
  3. Será universal, pública. “De uma a outra extremidade do céu”.
  4. Atrairá de forma magnética, o povo redimido. O texto de Mt 24.28 é enigmático. “Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres” (Mt 24.28). Esta confusa afirmação de Cristo, embora seja um exemplo de coisas aparentemente ruins como cadáveres e abutres, ilustra algo positivo. O Filho do Homem, atrairá a si, aqueles que são identificados espiritualmente, como uma atração química de determinados objetos sobre outros.
Thomas Edison, o famoso cientista criador da lâmpada incandescente, era um cristão fervoroso e fiel. Certa vez se deparou com um grupo de estudantes na sua fábrica,  discutindo sobre como seria a vinda de Cristo, então ele espalhou borrachas e pregos sobre uma mesa, e com um imã, passou perto deles. O ferro imediatamente grudou no imã, enquanto a borracha não se moveu. E então ele afirmou: Assim será! A identificação física atrai objetos parecidos.
Jesus continua seu sermão. “Logo em seguida” (Mt 24.29). Marcos afirma: “Naqueles dias” (Mc 13.24). Dando a ideia de não haverá um hiato de tempo. Esta afirmação dá ideia de sequência e cronologia. Isto é importante para a interpretação da bíblia, porque muitos querem ver aqui um hiato de tempo que exegeticamente o texto não pressupõe.
Depois dos eventos genéricos (O princípio das dores), virá o homem da iniquidade, sem seguida, a grande tribulação, com forte atração religiosa e mística, e então, repentinamente, o Filho do Homem. Sua vinda desencadeia alguns eventos:
  1. Um impacto cósmico e universal – “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas” (Mt 24.29). Pedro afirma que “os elementos se desfarão, abrasados” (2 Pe 3.10). Todas as coisas serão atingidas: sol, luz, estrelas.
  2. A manifestação da glória de Jesus Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
    E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”
    (Mt 24.30). Vinda em poder, triunfante, trazendo o lamento das nações, domínio absoluto de Cristo.
  3. A reunião do povo de Deus (Mt 24.31). E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”. Isto nos dá a ideia da universalidade da igreja.
Dia 18.04.2015 minha esposa viajou para o Hawai para ministrar no curso de treinamento de leigos, promovido pelo Instituto Haggai. Cerca de 60 mulheres cristãs, de 29 nacionalidades do terceiro mundo, estarão presentes. Isto dá ideia da catolicidade do evangelho. Por toda a parte encontramos pessoas reunidas ao redor da cruz de Cristo e em nome de Jesus. Na volta de Cristo, todas estas pessoas serão atraídas de forma irresistível ao Senhor, nas nuvens. Paulo afirma: Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.16-17)

Aplicações:  

  1. Vemos a exatidão das profecia bíblicas. “Passarão os céus e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mt 24.30).
  2. Não devemos nos assustar com a tribulação.
  3. Não devemos nos impressionar com as manifestações. Mantenha uma fé simples, vida em comunidade, santidade, oração, estudo da palavra. As vezes achamos que isto não é o bastante, e ficamos procurando “outros sinais”. Alerta!
  4. Não perca de vista o plano de Deus – Jesus está descrevendo o projeto cósmico. O mundo caminha inexoravelmente para o cumprimento destas profecias. Assim será. Ele voltará.
  5. Continue perseverante. Fique de sobreaviso. Um dia ele volta para reunião o seu povo dos quatro ventos, formando assim uma comunidade universal, a igreja invisível.Isto é um alerta aos crentes que estão vivendo vidas mundanas. Prepare-se!
  6. Fiquemos alerta contra aqueles que tentam nos enganar quanto à chegada do Messias.
  7. Este texto é um alerta para os descrentes. A vinda de Jesus não depende de sua crença ou não. Ele não está condicionado à sua fé para executar seus planos. Hoje é dia de arrependimento e mudança. Entregue-se à Cristo. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Mt 24.1-2 Quando serão estas coisas?





Introdução:

Este capítulo fala do sermão escatológico de Cristo, um dos seus sermões mais famosos. O termo escatológico refere-se ao “escaton”, ou às ultimas coisas. Jesus revela aos seus discípulos as últimas coisas que haverão de acontecer.

Neste texto Jesus fala de 4 áreas:
                  a. A destruição do templo de Jerusalém
                  b. As perseguições e a grande tribulação
                  c. A segunda vinda em glória para julgar o mundo
                  d. A Necessidade de vigilância

Estudar o sermão escatológico é importante, porque há muita especulação sobre a segunda vinda de Cristo. Muitos pregadores imaginativos se utilizam de textos enigmáticos e simbólicos, para fazer um sequenciamento da vinda de Cristo, a partir de textos simbólicos e proféticos, quando na verdade, seria muito mais fácil seguir a sequencia que o Senhor Jesus nos apresenta, e a ordem como as coisas se sucederão.

O princípio da dores

Jesus deixa claro que estes sinais ainda não falavam do fim, mas do “princípio do fim”. “É necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim” (Mc 13.7. Em Mt 24.8 lemos: “Porém tudo isto é o princípio das dores”.

O que motivou este sermão?
Jesus fez uma dura análise da condição espiritual de Jerusalém (Mt 23.37-39). Só existem duas vezes que Jesus chora na Bíblia, e esta é uma delas. Jerusalém não havia reconhecido a oportunidade da visitação de Deus sobre suas vidas. A discussão escatológica se deu depois da admiração dos discípulos pela beleza do templo (Mt 24.1,2) A partir daí inicia-se o “sermão”.

A primeira declaração de Cristo foi acerca da destruição do templo de Jerusalém.

Este era o templo que Herodes o Grande iniciou sua restauração desde 19 a.C. Este Herodes não era o mesmo dos dias da crucificação de Cristo (ano 30). O primeiro foi o responsável pela matança dos inocentes em Belém, o segundo, seu filho Herodes, Antipas, participou de seu julgamento.
Este templo não era tão grande e glorioso quanto o de Salomão, mas com muito ouro, prata, mármore. Herodes, o Grande, era idumeu, e não havia comprovação genealógica de que descendesse dos judeus, então, para ser agradável aos judeus, tomou algumas medidas populares como a construção do templo, porque isto trazia ganhos políticos.
Herodes não poupou recursos. O muro que cercava o templo era de enormes pedras brancas.Os discípulos na certa não queriam acreditar que o Templo de Deus seria destruído e arrasado outra vez.eles estavam impressionados com a arquitetura do templo e sua grandeza, mas Jesus não está nem um pouco impressionado com sua imponência e profetiza sua destruição em termos fortes (Mc 13.2). Isto parece chocar os discípulos, porque quando chegaram ao Monte das Oliveiras para passar a noite, os 3 discípulos mais chegados se aproximam com duas perguntas:

            A. Quando sucederão estas coisas?

            B. Quais seriam os sinais?


O interesse dos discípulos fazia sentido porque o templo ocupava lugar central na teologia judaica. Nele ficava o santo dos Santos, local concreto da presença de Deus – representava toda a religião do Antigo Testamento. Tudo convergia para o templo. Nele se ofereciam os sacrifícios diários a Deus. Ali ministravam os sacerdotes. José e Maria levaram Jesus para a circuncisão, no oitavo dia, com o sacrifício adequado para ser imolado. Um casal de rolinhas, quando se tratava de uma família pobre.
Jesus anuncia que a destruição do Templo estava associada com o início de uma nova era, a que daria início ao fim do mundo.era o “principio das dores”. Em Mt 24.3, a pergunta inclui “consumação do século”. “Quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século” (Mt 24.3). Este século é o termo “eon”, que dá ideia de uma era, ou um tempo, e não um período fechado de cem anos, como normalmente pensamos.

O que Jesus profetizou acerca do Templo?

1. O templo seria arrasado. “Não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada”(Mc 13.2).
2. Jerusalém seria cercada de exércitos, com trincheiras contra ela (Lc 19.41-43). A cidade seria queimada e arrasada, e a população massacrada.
Jesus chora ao antecipar esta dolorida visão da destruição de Jerusalém e do templo (Lc 19.41), ele afirma que isto seria resultado da rebeldia do povo em não reconhecer a oportunidade da visitação de Deus (Lc 19.44).

A exatidão profética
Tudo aconteceu exatamente como Jesus afirmou. 36 anos depois, os judeus se rebelaram novamente contra os romanos, e o Imperador Vespasiano mandou o exército romano à Palestina, sob o comando do general Tito, seu filho, que mais tarde seria imperador.Os exércitos romanos vieram até Jerusalém em 66 e a cercaram durante três anos.No ano 70, Jerusalém caiu, e os romanos a destruíram completamente, juntamente com o Templo. Mais de um milhão de judeus que haviam se refugiado em Jerusalém foram massacrados. Existe ainda hoje nas ruínas de Roma um Arco de Tito, comemorando a vitória contra os judeus. Apenas um pequeno grupo da resistência se manteve por mais 2 anos, em Massada, e para não serem apanhados pelos romanos, decidiram entre si fazer um suicídio coletivo. Ainda hoje, o lema do exercito judeu é “Massada, nunca mais!”
Josefo, comandante judeu na Galiléia foi vencido e poupado pelos romanos, sendo recebido e tratado com muito favor pelo Imperador. Ele mudou seu nome para Flávio Josefo e passou o resto de seus dias em Roma, onde escreveu duas obras extraordinárias: As Guerras Judaicas e Antiguidade Judaicas.

Em Guerras Judaicas ele narra como testemunha ocular a destruição do Templo de Jerusalém:

“Aquela construção, que era o Templo, Deus havia sentenciado há muito para o fogo. E agora havia chegado o dia fatídico. Um dos soldados, sem esperar a ordem e sem temer o que haveria de fazer, mas movido por um impulso sobrenatural, tomou um tição de fogo da madeira que ardia, e ajudado por um companheiro, lançou o petardo terrível através de uma das janelas douradas do templo. Quando as chamas cresceram, um grito, tão agudo quanto a tragédia, ouviu-se da parte dos judeus, pois aquilo que haviam guardado tão cuidadosamente estava para ser destruído”.

“Enquanto o santuário ardia em chamas, não se mostrava misericórdia pela idade nem posição social. Ao contrário, crianças e velhos, leigos e sacerdotes iam sendo massacrados igualmente”

“O imperador determinou que a cidade inteira e o templo fossem arrasados até aos fundamentos, com exceção das torres altas de Fasael, Hípico e Mariame, e aquela parte da muralha que cerca a cidade pelo oeste. O resto da muralha foi de tal forma nivelada a não deixar aos futuros visitantes qualquer indicação de que ali, antes, tinha sido um local habitado”. [nota: escavações feitas em 1968 desenterraram muitas das pedras que foram derrubadas do muro do templo e da cidade]


Aplicações:

A. As palavras proféticas de Jesus cumpriram-se integralmente. As profecias são tão exatas que muitos não aceitam que Jesus tenha realmente pronunciado estas palavras, mas que trata-se de “vaticia ex eventu”. Não crêem que Jesus teria dito isto, mas sim os discípulos. Partem da ideia que Deus não poderia ter dado este conhecimento antecipado a Jesus, mas aqueles que creem na profecia bíblica, não encontram qualquer problema em reconhecer a autenticidade destes registros. Este texto alerta aqueles que tem duvida sobre a autenticidade da Bíblia. “Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i nem til jamais passará até que tudo se cumpra” (Mt 5.18).

B. A destruição do templo foi o julgamento de Deus contra a incredulidade e rebeldia do seu povo. Jesus sabia que isto se daria, por isto chora e lamenta pela cidade (Mt 23.37). Os romanos foram instrumentos de Deus para executar juízo.

C. A destruição do templo inaugura uma nova dispensação - Não mais baseada nas cerimônias e rituais do Templo. O véu foi rasgado, de cima a baixo, na morte de Cristo. Ele não habita em templos humanos, nem em lugares sagrados. “Vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores do pai o adorarão em espírito e em verdade, porque são estes adoradores que o pai procura para si” (Jo 4.23-24). A partir dos anos 70 d.C. toda religiosidade centrada no templo deixa de existir. Curiosamente, até aquela data, até mesmos os judeus cristãos de Jerusalém ainda iam ao templo e realizavam cerimônias judaicas.
Para aqueles que crêem na restauração física do templo, e a volta dos sacrifícios em Jerusalém, fica uma pergunta de difícil resposta: Por que o templo será restaurado, se o próprio Deus permitiu a sua destruição? Caso isto se concretizasse, não seria novamente um centro de peregrinação e idolatria, com forte despreza da obra de Cristo? Qual o sentido da obra de Cristo, se os sacrifícios novamente forem realizados?
O sionismo cristão aguarda fortemente que se cumpra esta profecia de Zacarias, que acreditam será para os dias da volta de Cristo, que reinará fisicamente em Jerusalém e reconstruirá o templo de Salomão. Será que estas declarações fazem sentido na visão geral das Escrituras e do Plano de Deus para a história?

D. Não devemos ficar impressionados com a beleza de coisas passageiras, pois tudo é transitório. Os discípulos estavam admirados com o templo. Jesus diz: “Não ficará pedra sobre pedra”. Paulo faz interessante analogia entre a Antiga e nova aliança, em 2 Co 3.1-11 mostrando o contraste entre as mesmas:

                   A Antiga Aliança                                             A Nova Aliança
                    Tábuas de pedra                                             Tábuas de carne
                     Letra Espírito                                                    vivificante
                        Morte                                                                  Vida
                  Desvanescente                                                        Perene
                    Condenação                                                          Glória

Aos que acreditam numa futura reconstrução do templo de Jerusalém como parte do plano de para Israel, é bom lembrar Deus está construindo um novo povo, inscrevendo sua mensagem em seus corações, habitando não em templos e catedrais, mas no coração do contrito e abatido de espírito.
E. Este texto é um alerta aos que vivem de forma descuidada. Jesus chora por Jerusalém por não reconhecer a oportunidade da visitação de Deus. Ele andou entre eles, mas ainda assim continuaram rebeldes e displicentes, abusaram da paciência de Deus. Firmaram-se em falsos pressupostos de que Deus habitava entre eles e fizera ali sua morada, e nada lhes aconteceria, pensaram que sua eleição garantia imunidade, e que Deus era somente amor e não os castigaria. O juízo veio, a oportunidade foi tirada. Jerusalém destruída, o templo arrasado.

E isto é ainda, apenas o princípio das dores...

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mt 24.3-14 O Princípio do fim




Introdução:

Poucas doutrinas bíblicas têm sido tão mal interpretadas e negligenciadas quanto a Volta de Cristo. Em geral, os pregadores também não gostam de pregar sobre estes assuntos.
Desde os dias apostólicos, alguns deturparam e negaram a segunda vinda de Cristo. O apóstolo Pedro, na sua segunda carta afirma: “tendo em conta, antes de tudo, que nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permancecem como desde o principio da ciracao. Porque, deliberadamente esquecem...” (2 Pe 3.3-5a).
Alguns intérpretes liberais como C .H. Dodd, falaram da escatologia realizada, afirmando que a volta de Cristo se dará por meio da ação da igreja, que vai combater sistemas iníquos, e que a volta de Cristo nada mais é que a expansão do reino visível da igreja na história. Outro teólogo, Molttmann, na sua teologia da esperança, fala que devemos interpretar a vinda de Cristo, como uma “esperança utópica”. Utopia é uma expectativa, que sempre nos mantém repletos de esperança, mas que não vai se cumprir na sua literalidade, e alguns pastores brasileiros conhecidos chegaram a veicular na internet esta visão.
Neste texto Jesus está pregando um dos seus sermões mais famosos, o “sermão escatológico”. Ele é assim chamado porque aqui o Senhor Jesus revela aos seus discípulos as últimas coisas que haverão de acontecer. Qual foi a causa deste sermão?
Os discípulos estavam apreciando a construção do templo de Jerusalém, que havia sido reedificado por Herodes. A construção era de fato magnífica. Herodes, o Grande, começou a reconstruir o templo no ano 19 a.C, usando mármore e ouro como materiais de decoração. O átrio exterior era magnífico, media cerca de 457 mts de comprimento, por 274 mts de largura, cercado por muros de pedras brancas maciças, algumas das quais mediam 5 mts de comprimento por 1 de largura. Os discípulos estão impressionados com a arquitetura, e seu comentário sobre a beleza do templo leva Jesus a falar de sua vinda.
A pergunta dos discípulos no vs 3, parece apontar para a destruição do templo, mas a resposta de Jesus inclui não apenas este evento que se daria no ano 70, quando Jerusalém foi saqueada e o templo queimado e destruído pelo general romano, Tito Vespasiano, que posteriormente se tornaria o imperador. O arco de Tito, comemorando sua vitória sobre Jerusalém, ainda existe em Roma até os dias de hoje.
A destruição de Jerusalém é apontada por Jesus como o prenúncio do Juízo Final, e sinal da ira vindoura. No ano 70, os romanos entraram no templo de forma militar, com seus estandartes, insígnias cerimoniais e soldados e carregaram todos os utensílios sagrados do templo, levando-os para Roma. Jesus havia profetiza que templo de Jerusalém seria destruído completamente, bem como a queda da cidade e dispersão dos seus moradores. Quando chegam ao Monte das Oliveiras para passar a noite, os 3 discípulos mais chegados se aproximam e lhe fazem duas perguntas (Mc 13.3).

a. Quando seria a destruição do Templo (Tempo).
b. Quais seriam os sinais (Evidências internas)

A resposta de Jesus vai de 13.4 a 37, dividida em 4 partes:

1. O surgimento de falsos profetas, perseguições e apostasia, num período que Jesus chama de “princípios das dores” (Mc 13.5-13).
2. Advertência quanto ao período de grande tribulação, que viria sobre o mundo (Mc 13.14-23).
3. O anúncio do seu retorno em glória (Mc 13.24-27).
4. Duas parábolas sobre a necessidade de ser vigilante e alerta, (Mc 13.28-37).

Os sinais são bem gerais, visam apenas dar certeza de que estas coisas vão acontecer e não marcar uma data no calendário.
Jesus ensina que não devemos nos impressionar com a grandeza e pompa das grandes construções, pois elas serão derribadas (Mt 24.2). Os discípulos estavam profundamente impressionados com a arquitetura, pompa e riqueza do templo. De fato era magistral. Para agradar os judeus, Herodes havia investido profundamente na sua construção. Setores mais conservadores afirmavam que ele era edomita, e que por isto não podia governar sobre Israel, então ele resolveu politicamente dar uma resposta, se tornando forte defensor do resgate da religiosidade nacional, ainda que seu coração fosse completamente distante de deus. Ele queria dividendos políticos e os obteve.
Jesus, aponta para a fragilidade dos grandes impérios, grandes conquistas e construções. “não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada” (Mt 24.2).
Muitas vezes nos impressionamos também com a beleza dos templos, das grandes obras, mas o maior legado que podemos deixar para a próxima geração não está nos prédios que construímos, mas nas vidas que são edificadas aos pés de Cristo.

Os sinais do “Princípio do Fim”.
Jesus fala dos sinais. Precisamos estar atentos porque eles não deixam que nossa atenção se distraia.
Quais são estes sinais?

1. O surgimento de falsos Cristos – “Muitos virão em meu nome, dizendo: sou eu; e enganarão a muitos” (Mt 24.5). No ano 130 d.C, surgiu um famoso postulante messiânico, Bar Kochba, que foi líder de uma rebelião contra os romanos, afirmando ser ele o Messias. De lá para cá, sempre surgem os substitutos de Cristo, e não me refiro a figuras bizarras como Inri Christi, que é alguém ridículo, mas a todas as expressões que assumem a ideia de redentor, revelada em famosos gurus com receitas e propostas que tem atraído centenas de atores, políticos e poderosos de nossos dias. São pessoas nas quais depositam sua confiança, e passam a se firmar nas suas declarações e ensinamentos.

Jesus descreve suas características:
               i. Seriam muitos.
               ii. Viriam em nome de Jesus, dizendo ser o Messias.
               iii. Enganariam a muitos.
               iv. A mensagem deles é que o fim do mundo chegou!
Jesus adverte seus discípulos a terem cuidado e não serem enganados.

2. A proliferação de conflitos. Guerras e rumores de guerras (Mt 24.6) – É impressionante a capacidade do ser humano para gerar guerras. As guerras trazem medo, temor e angústia, e fragilizam a sociedade. Na Europa se deram duas Guerras Mundiais num período de apenas 30 anos. Recentemente a Europa estava celebrando o fato de que nestes últimos 50 anos não houve sequer uma guerra entre nações daquele continente, mas existem ainda dezenas de sangrentos conflitos étnicos que não são sequer conhecido ou anunciados pela mídia. Só nos últimos 300 anos houve 300 guerras somente na Europa.
Na época de Jesus havia a Pax Romana, mas 40 anos depois, guerras sacudiram o Império. Em apenas um ano, 4 imperadores foram colocados e depostos: Galba, Otho, Vitelo e Vespasiano. Jesus adverte seus discípulos a não se assustarem com as guerras. Jesus não afirma que o fim do mundo virá através da guerra, como se o homem a si mesmo se destruísse, mas elas mostram o pecado do homem e a ira de Deus.

3. Calamidades – “Haverá terremotos em vários lugares e também fomes” (Mc 13.8). São tragédias naturais: pestes, doenças, fome. Segundo a ONU, diariamente 800 milhões de pessoas passam por algum tipo de privação de alimento. Entre 1964-94, houve mais terremotos que todos os séculos passados. A terra está em convulsão. Espera-se um terremoto chamado Big One, na Califórnia, que deverá mudar a geografia dos Estados Unidos. Tal incidente já tem sido anunciado por peritos e técnicos há muito tempo.

Estas calamidades viriam em vários lugares e assim tem acontecido:
a)- Entres os anos 60-80 houve fome na Judéia, conforme Atos.
b)- No verão de 70 o Vesúvio matou duas cidades, Pompéia e Herculano.
c)- No Século 19 ocorreram mais de 700 tremores e terremotos!
Contudo, todas estas coisas são apenas o “princípio das dores” (Mt 24.8). Os rabinos usavam esta figura para descrever um período de sofrimento antes da chegada do Messias mas Jesus descreve esta frase como sendo as dores de contração da história, que se aproximava do clímax, mas ainda não é o fim. O mundo não acabará com estas coisas.

4. Perseguição ao povo de Deus – “Vos entregarão aos tribunais e às sinagogas” (Mt 24.9). O livro “O homem do céu”, do pregador chinês irmão Yun, descreve os horrores da perseguição religiosa na China. Milhares de cristãos foram dizimados, perseguidos em muitos países por causa de sua fé. Estatísticas apontam para o fato de que na Cortina de Ferro (extinta Rússia), e na cortina de Bambú (China), tivemos mais mártires no Século XX que todos os demais que morreram por sua fé nos 19 séculos anteriores.
Jesus profetizou que os cristãos seriam entregues aos tribunais e sinagogas, para serem julgados por causa da fé em Jesus Cristo, Seriam levados diante de reis e governadores, açoitados e também mortos. O objetivo é que dessem testemunho aos poderosos.
A perseguição dos cristãos começou a acontecer logo após o surgimento da igreja cristã. O livro de Atos registra a terrível perseguição dos judeus aos cristãos, antes da queda de Jerusalém. Depois houve dez perseguições promovidas pelo Império romano (de Nero a Diocleciano). Na Idade Média e após a Reforma, as perseguições da Igreja Católica, foram de natureza indescritível, no Século XIX os comunistas e ateístas, e agora governos muçulmanos ou de pluralistas intransigentes, que não aceitam a fé cristã.
Jesus adverte a ficar atento, para não ser surpreendidos pela dor, sofrimento e morte, e pensar que Deus nos abandonou, porque o Espírito Santo estaria conosco. Tertuliano afirmou que “O sangue dos mártires é a sementeira da Igreja”. Jesus se refere a uma oposição frontal ao Evangelho. Fala-se muito em discriminação de grupos, mas você pode fazer opções das mais radicais hoje, na sua sexualidade, na sua crença, nas suas opções alternativas e garanto que serão vistos com menos rejeição que se você afirmar que é um cristão.
Assente-se num grupo numa festa que não lhe conhece, fale a pessoas intelectuais que você crê na reencarnação de Ramssés VIII, e as pessoas terão interesse em saber como é isto, mas se você falar que ama a Jesus, e que resolveu ser radical no discípulo, e você verá como as pessoas torcerão o nariz para sua opção de fé. Ser cristão hoje significa distanciamento e oposição.
O que Jesus afirma é que haverá um ódio generalizado contra os cristãos. “Sereis odiados de todas as nações, por causa de meu nome” (Mt 24.9) Este ódio é por causa “do nome de Jesus”, que trará perseguições e morte dos cristãos. Jesus admoesta a perseverem até a morte, sem se desviar da fé. Os que fizerem isto são os eleitos.

5. Pregação do Evangelho a todas as nações – “E será pregado este evangelho do reino para todo mundo” (Mt 24.14). Marcos afirma que será pregado a todas as “nações” (Mc 13.11). O termo “nações” não se refere a uma nação política, mas a etnias. Por exemplo, o Brasil é apenas uma nação, mas temos no nosso território nacional cerca de 200 etnias, grupos linguísticos e culturais distintos entre os povos indígenas.
Um dos sinais da vinda de Jesus é a pregação do evangelho a todos os povos. Faz parte dos sinais da vinda de Cristo a pregação do evangelho a estas sub-culturas, não só do Brasil, mas de muitas outras regiões ao redor do mundo. As boas novas serão anunciadas, não a todo indivíduo, mas a todas as nações do mundo, em meio a perseguição e sofrimento, e assim tem sido através dos séculos. Os discípulos se espalharam pelo mundo, na Idade Média, na Reforma. Depois surgiu o movimento das missões de fé e o movimento missionário. Hojé é possível evangelizar cada parte do mundo. O fim do mundo não virá antes disto.

6. Perda do afeto natural – “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24.12). Marcos, o Evangelista afirma: “Filhos se levantarão contra os pais e os matarão” (Mc 13.12). O conflito entre membros da família revela a dificuldade de uma geração de organizar seus afetos. São pessoas que perderam o senso das coisas básicas da vida, e suas referências éticas e afetivas.
Este sinal aponta para a divisão familiar por causa do Evangelho, na época de perseguição, pessoas trairão e entregarão familiares que professam a Cristo. Haverá mesmo assassinato dos pais por parte dos filhos. O ódio a Cristo será maior que os laços familiares. Isto tem ocorrido na história e ocorre ainda hoje.

7. Manifestações do Anti Cristo – “Quando, pois, virdes o abominável da desolação”(Mt 24.15). Em Dn 11.31 há uma profecia sobre a profanação do templo, que se cumpre em 168 a.C., quando Antíoco IV, que se auto denominou Epifânio (manifestação divina), invadiu o templo judeu e edificou um altar pagão, sacrificando um porco no local mais sagrado do templo que era o Santo dos santos. Jesus faz uma aplicação deste incidente histórico com sua vinda, afirmando que este ser, surgirá “operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mc 13.22).

A Bíblia dá vários nomes ao Anti-Cristo, o abominável da desolação é um destes. Além deste podemos encontrar
         (a) - O assolador (Dn 9.27);
         (b)- O homem do pecado, o filho da perdição (2 Ts 2.3);
         (c)- A besta (Ap 13.11)
         (d)- O Anti-Cristo, nome usado apenas por João (1 Jo 2.18-22 e 4.3).

9. Grande tribulação – “tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo” (Mt 24.15). Jesus se refere especificamente às grávidas, porque em tempos de aflição e dores, tais pessoas sofrem de forma muito intensa. Pede para orarmos a fim de que tal sofrimento não se dê no inverno. Não é fácil fugir como o clima é muito frio e você não tem abrigo.

Conclusão:
A. Jesus aponta para a necessidade de perseverarmos – Mc 13.13 Em momentos de perseguição e oposição, é fácil a gente perder a capacidade de luta e desistir. Porém, a vitória não é daquele que corre até no meio da jornada, mas daquele que fica firme até o fim.
O autor de hebreus afirma que “não somos dos que retrocedem para a perdição”. Devemos continuar firmes na fé, inabaláveis, continuando a lutar por aquilo que cremos. Quanto maior for a oposição, mais necessidade teremos de perseverar, até o fim.

B. Jesus nos ensina a ficarmos alertas – Não ficarmos desatentos nem indolentes “vede que ninguém vos engane” (Mc 13.5) e “estai vós de sobreaviso”( Mc 13.9). Temos que ficar em estado de alerta, como o vigia de uma torre. A parábola das 10 virgens, contada por Jesus, nos mostra como o descuido e sonolência na vida espiritual podem ser fatais.

C. Jesus nos alerta para não ficarmos impressionados com sinais e prodígios impactantes, porque muitos sinais são formas malignas que o Anti-Cristo vai usar para enganar, se possível, os próprios eleitos (Mc 13.22). Este aspecto me chama a atenção porque somos uma geração facilmente impressionável. Gostamos de ver coisas, não é sem razão que João de Deus de Abadiânia atrai tantos seguidores, gente simples ou famosos; não é sem razão que curandeiros e milagreiros sempre lotam estádios. Queremos ver, acreditamos que nossas convicções, mesmo as espirituais, são autenticadas por percepções do sobrenatural. Jesus nos adverte: “Estai vós de sobreaviso, tudo vos tenho predito” (Mc 13.23).

Este período antes do fim do mundo é chamado por Jesus de “o princípio das dores”. As coisas acontecidas são sinais de um mundo que se aproxima de seu final – mas não é ainda o fim. Este tempo de perseguição e sofrimento é também de salvação e evangelização. Ele quer evitar que os discípulos sejam enganados por falsos mestres que virão anunciando sua vinda e o fim do mundo. Continuamente ele diz: ainda não é o fim!

D. Os sinais visam apenas confirmar que seu retorno e o fim do mundo são certos – e não dar dicas para se marcar uma data. Jesus não lhes dá um cronograma nem marca datas.

Podemos concluir em que etapa da história do mundo estamos: No princípio das dores. Precisamos ficar alerta contra os marcadores de datas, baseados nestes sinais e com os que relacionam cada guerra que acontece com alguma profecia bíblica específica. Fiquem de sobreaviso: haverá perseguições e muito ódio contra os seguidores de Jesus Cristo. Contudo, não devemos nos assustar e continuar a anunciar o Evangelho entre as nações.

Este texto traz duas implicações finais:

==> Aos que ainda não receberam a Jesus como Salvador: Reflita sobre a veracidade das profecias bíblicas, considere que com certeza que o fim do mundo virá, e com ele o julgamento final. Prepare-se!
==> Aos crentes que estão sofrendo por causa de Cristo, rejeitados pelos familiares, aflitos e assustados pela maldade e violência do mundo. Deus não nos abandonou. Ele continua no controle de toda situação caótica, e a história caminha para o fim que ele mesmo deseja. A promessa existe para aqueles que se mantiverem firmes na esperança.

“Aquele que perseverar até o fim, este será salvo”.