domingo, 16 de abril de 2023

2 Co 7.1-16 Dois Lados, uma direção

 



 

 

 

 

Introdução

 

Para quase todas as áreas da vida há sempre duas interpretações. Sem querer com isto defender a linha de pensamento hegeliana, que nega os absolutos e tenta, através da síntese, fazer com que A, mesmo quando oposto e antagônico a B, sejam ambos verdadeiros. Este é o princípio da relativização de todas as coisas que tenta negar a beleza das verdades divinas. Para a Bíblia, a verdade é o que é. Cremos sim, em princípios, valores e verdades absolutas e as verdades do Evangelho são absolutas. Jesus é o único caminho, a única verdade, e a única vida... Não existem muitas verdades sobre isto, apenas uma. Jesus é o único Senhor e único salvador.

 

Quando falo de diferentes visões, quero me referir àquilo que costumeiramente ouvimos, principalmente de casais em tempos de conflitos. Muitas vezes quando você ouve apenas um lado, você pode transformar o outro em um monstro, mas quando você ouve, avalia, pondera, reflete, você acaba percebendo que as versões dependem do ponto de vista de cada um. Por isto é fundamental não ser precipitado nos julgamentos, aprender a ler nas entrelinhas, avançando pela cortina de fumaça que tenta encobrir a verdade.

 

Uma música da banda The Carpenters “two sides” diz o seguinte:

 

Bem... há dois lados, para cada situação

Bem, há dois lados, duas interpretações

Uma risada é um choro, olá quer dizer adeus

(...) Há escuridão em nossa luz, e há e há erro em nosso certo

(...) Há dois lados, há outro lado de mim

Há aquele que você acha que conhece e o outro que você nunca vê

 

Este texto fala de dois lados da vida em muitas situações, e isto nos obriga a olhar a vida com perspectivas mais amplas, considerando o lado de cada uma das situações com as quais devemos lutar.

 

1.     Precisamos ter uma visão mais abrangente do pecado. “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.” (2 Co 7.1)

 

A Bíblia nos ensina que existem pecados da carne e do espírito.

 

A impureza da carne tem a ver com os pecados que praticamos contra o corpo, que incluem a gula, a bebedice, o vicio, sedentarismo, e os pecados sexuais como adultério, formicação, lascívia e sexo fora do padrão aprovado por Deus. Estes são os pecados visíveis e explícitos. A moral cristã, erroneamente, tem facilidade para identificar e julgar alguns destes pecados porque são mais visíveis e perceptíveis, transformando o corpo num bode expiatório, e quase assumindo uma visão platônica de que o mal está na corporeidade.

 

Mas e quanto aos pecados do espírito? Pecados como avareza, luxúria, narcisismo, vaidade, orgulho, arrogância? Você já viu algum membro ou líder de igreja sendo julgado por causa de um “pecado do espírito?” Não! Porque tais pecados não são objetivos, nem mensuráveis, embora sejam tão danosos como os primeiros.

 

Por esta razão a Bíblia fala da impureza da carne e do espírito. O problema não é apenas o que você faz com seu corpo, mas com sua mente e emoções. Afinal, “do coração procedem todas as fontes da vida.”

 

Por isto, com o poder do Evangelho e a operação do Espírito Santo em nossas vidas, precisamos nos purificar de toda impureza, tanto da carne como do espírito. Somos exortados a aperfeiçoar nossa santidade no temor do Senhor. O temor do Senhor nos impulsionará a uma vida de santidade.

 

2.     Precisamos de uma compreensão mais ampla das lutas que enfrentamos. “Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro.” (2 Co 7.5)

 

Nossas lutas não são apenas externas, mas também internas. Paulo afirma que ao chegar à Macedônia a situação se tornou muito pesada, porque foram atribulados com lutas externas e angústias interiores. Esta é a natureza de nossas lutas.

 

Muitas vezes sofremos por batalhas e pressões externas. Perseguições, ameaças, concorrência, acusações, injustiça. Elas surgem das circunstâncias ou das pessoas que andam ao nosso redor. Paulo teve muitas lutas com poderes políticos, perseguições de religiosos e até mesmo oposição dentro da igreja. Não é assim que vivemos também num mundo de negócios competitivos como o nosso que “precisamos devorar no almoço para não sermos engolidos no jantar?” As pressões sociais, as cobranças que recebemos, a insegurança no mercado do trabalho. Hoje estamos empregados e amanhã desempregados. É assim a vida, não temos segurança e nem estabilidade.

 

Muitas vezes, entretanto, as batalhas surgem dentro de nós. Não é apenas o que nos fazem, mas a forma como reagimos à vida. Nossas neuroses, dislexias, insegurança, medo, ansiedade. Como somos frágeis, dependemos do aplauso e da aprovação dos outros. Qualquer comentário negativo ou critica nos desmonta, vivemos à beira de um ataque de nervos. Nossas emoções são frágeis.

 

Paulo fala dos “temores por dentro.” Quais são os medos que nos atormentam? Precisamos de uma compreensão mais ampla da natureza dos problemas que enfrentamos: internos e externos. Mas precisamos ainda mais, enfrentar as lutas externas e internas com o olhar de Cristo. Muitas vezes nos esquecemos de que temos um pastor que caminha conosco, luta as nossas lutas e alivia a nossa carga.

 

3.     Precisamos de uma compreensão do que causa nossa dor. “A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte. (2 Co 7.9)


O texto bíblico nos ensina que existem duas fontes da tristeza: Uma pode brotar do mundo, outra pode ser gerada pelo Espírito Santo. Desta forma entendemos que existem duas formas de sofrimento: Uma positiva e outra negativa.

 

Se sofrermos por causa do nome de Cristo, e por causa de nosso estilo de vida somos abençoados porque o Espírito repousa sobre nós. Biblicamente Deus pode causar o sofrimento a fim de nos corrigir, educar, advertir. Ele pode usar o sofrimento para nos provar e para efetuar seu proposito em nós, que é sempre de amor e paz (Jr 29.11). Entretanto, o sofrimento geralmente é causado pelos nossos pecados, pela ação do mundo e do diabo, que usa o mal para nos desestabilizar e gerar angústia. Mas, nas Escrituras Sagradas, ainda que Deus permita que o mal nos sobrevenha, ele sempre em bem para nosso benefício.


Então temos dois tipos de tristeza, a tristeza segundo Deus e a tristeza segundo o mundo. Pedro afirma: “Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.” (1 Pe 4.19). Portanto podemos sofrer segundo a vontade de Deus, mas também podemos sofrer não segundo a vontade de Deus. Se sofremos por causa do testemunho cristão ou porque defendemos a justiça, não há motivo para ficarmos envergonhados, pois sofremos de acordo com a vontade de Deus.

 

Qual é a fonte de seu sofrimento?

 

No texto lido Paulo fala da “tristeza segundo o mundo que produz morte.” Esta é uma tristeza gerada pelos pecados. Fazemos escolhas erradas, agimos com motivos errados, estabelecemos alvos e propósitos errados e sofremos por isto. Sofremos por causa de nós mesmos, por causa de nossa ira, ressentimento, amargura, culpa e medo. Esta tristeza tem um fim terrível: ela produz morte. Ela não nos ajuda em nada, pelo contrário, nos faz afundar cada vez mais nas trevas e na dor. Não podemos esquecer que muito da nossa tristeza está associada ao nosso pecado. O salmista fala abertamente: “Suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18). O pecado rouba a alegria, gera culpa, fracasso, retira a autoridade moral e espiritual de nossa vida, como fez com Davi. Pecado gera tristeza.

 

Mas existe uma santa tristeza. Esta é gerada pelo Espírito de Deus. Ela acontece quando pecamos, e nos sentimos devastados e corremos para Deus. Ficamos tristes porque entendemos que ferimos o coração amoroso de Deus. Esta tristeza  gera vida, traz arrependimento. Deus precisa gerar em nós tristeza pelo pecado. Arrependimento é obra do Espírito Santo. Feliz é o homem que se entristece pelo mal praticado e não fica endurecido pelo engano do pecado. Sua tristeza é benéfica porque ele percebe que sua vida não está alinhada à vontade de Deus e se volta para receber cura e ser restaurado. A tristeza segundo Deus pode ser muito dura, mas é restauradora. Gera transformação.

 

Temos dificuldade de reconhecer nossos erros e estamos sempre dispostos a explicá-los e justificá-los. Arrependimento não é remorso, que surge por causa do medo das consequências, mas é uma experiencia de humilhação, ao compreendermos o pecado e como ferimos a Deus.  Arrependimento não é o um simples pesar ou rancor. A tristeza de acordo com o mundo se preocupa com as consequências resultantes do pecado, não com o fato de que o pecado tem nos separado do coração de Deus. O pecado é uma ofensa a Deus. Infelizmente, a tristeza que muitos sentem é a do mundo.

 

Quando sofremos segundo o mundo, perdemos a alegria da salvação, por isto o salmista ora: “Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste” (Sl 51.8). Pedro chorou amargamente por ter negado a Jesus (Lc 22.62). Davi teve tristeza pelo seu pecado.: “Contra ti, somente eu pequei.” (Sl 2.4) Há muita tristeza devida exclusivamente ao pecado.

 

A tristeza segundo Deus é saudável, necessária, provocada por Deus, com finalidades terapêuticas. É a tristeza que leva o pecador ao arrependimento. A tristeza genuína pelo pecado é obra do Espírito de Deus. Todo arrependimento genuíno brota por entendermos que nosso pecado foi cometido contra Deus.

 

A diferença é simples: a tristeza do mundo focaliza você, enquanto a tristeza piedosa focaliza Cristo. Quando uma pessoa está preocupada porque seu pecado pode afetar seu status, seu bem-estar, sua posição ou reputação, não é uma tristeza piedosa, porque o enfoque é egoístico, e leva a pessoa, cada vez mais, a um estado de endurecimento do coração!

 

Até aqui temos visto que sempre há dois lados:

 

A.   Existem dois tipos de pecados: Aqueles que são da carne, e outros que são do espírito.

 

B.    Existem dois tipos de lutas: De natureza externa: pressões e circunstâncias, e internas: temores e ansiedade que enfrentamos

 

C.    Temos dois tipos de tristeza: Segundo Deus que produz arrependimento e salvação, e a tristeza segundo o mundo, que produz morte.

 

Mas precisamos entender que existem situações em que a verdade é inquestionável e única. Aqui neste texto vemos dois destes aspectos.

 

1.     Existem amigos de valor inestimável.

 

Paulo faz aqui referência a um amigo especial e companheiro do ministério. No meio de suas tribulações Tito tornou-se sua referência de consolo e alegria (2 Co 7.6). A presença de Tito também lhe trazia contentamento. (2 Co 7.13) Gosto de refletir sobre a afirmação deste texto que diz que o coração de Tito foi “recreado”. Existem pessoas que trazem contentamento e alegria ao nosso coração. Chegam trazendo graça. São amigos mais chegados que irmãos. Gente de bom humor. É difícil andar com pessoas que parecem o zangado, um dos sete anões, sempre mau humorado.

 

A Nova Versão internacional diz:

Ficamos mais contentes ainda ao ver como Tito estava alegre, porque seu espírito recebeu refrigério de todos vocês.” ( 2 Co 7.13)

 

O segredo para que a amizade de Tito fosse assim tão significativa pode ser explicado na frase: “e o seu entranhável afeto cresce mais e mais.” (2 Co 7.15). Tito era um cristão amoroso, e seu carinho vinha das entranhas, de dentro do coração, do lado esquerdo do peito, algo profundo e sensível. A presença de Tito trazia contentamento para a comunidade de Corinto e para a vida de Paulo.

 

Esta é uma verdade maravilhosa. A benção de termos irmãos queridos, que trazem alegria ao nosso coração e enriquecem a nossa vida.

 

2.     A presença de Deus é fundamental. A presença de Deus consolo e nos livra da morte espiritual.

 

a.     A presença de Deus traz consolo. “Porém, Deus, que conforta os abatidos nos consolou com a chegada de Tito.” (2 Co 7.6).

 

Ele sabe o que precisamos e nos envia consolo no meio das tribulações. Paulo relata como ele estava sofrendo com as lutas que enfrentava, mas ao mesmo tempo relata como ele foi consolado por Deus. O que Deus fez para trazer conforto ao coração do apóstolo? Deus enviou Tito, seu amigo. É assim que Deus faz. Ele nos dá presentes inesperados. Ele envia gente querida para andar conosco e nos abençoar. A presença de Deus traz conforto, nos revigora para enfrentar as duras batalhas.

 

b.    A presença de Deus nos livra da morte espiritual. Gera arrependimento, desejo de transformação, tristeza pelo pecado.

 

Enxergar nosso pecado não é algo fácil, muitas vezes é duro e triste, mas ao mesmo tempo é transformador e terapêutico. Este texto fala de “arrependimento segundo Deus” e de sermos “contristados segundo Deus.” (2 Co 7.9). O Arrependimento é algo essencial para nossa vida. Precisamos entender a gravidade de nosso pecado.

 

Tim Keller gosta de falar da “dança do Evangelho”. O Evangelho precisa gerar em nós tristeza, dor e desespero, porque denuncia nossa condição espiritual, nosso fracasso enquanto seres humanos, da nossa arrogância e vaidade. Isto deve nos assustar e nos fazer aproximar de Deus. Por outro lado, o evangelho traz deleite. Sabermos que fomos amados, justificados e perdoados. Somos chamados para uma relação de amor e amizade com o Deus santo por meio do sangue de Cristo. Isto traz paz, segurança, alegria ao nosso coração.

 

Então a dança do evangelho vai do desespero ao deleite. Muitas vezes só vivemos no lado negro. Ficamos desesperados pela nossa condição de pecador, mas não experimentamos alegria por nossa condição de filhos amados, salvos pela graça de Cristo. Se você apenas sofre pelo seu pecado, você ainda não entendeu a beleza de Cristo em sua vida. O evangelho ainda está mal compreendido em sua história.

 

Conclusão

 

Desta forma, além dos dois lados presentes na nossa história, temos duas outras grandes bençãos, verdades fundamentais nas quais precisamos nos apegar. Estas são: Os amigos que Deus nos concede e a presença consoladora e transformadora do Espírito de Deus em nossa vida.

 

Temos dois lados em algumas situações, mas temos apenas uma direção: A obra de Deus em nossas vidas.

 

Esta é a realidade do povo de Deus!

 

 

 


domingo, 2 de abril de 2023

2 Co 6.14-18 Jugo desigual

 


 

 

 

Introdução

 

 

Neste texto lemos:

Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2 Co 7.14-18)

 

Este texto é um texto forte, que nos leva a avaliar seriamente alguns vínculos que temos estabelecido. Neste texto, Paulo tira esta ideia de “jugo desigual”, ou “canga desigual”.

 

O que vem à sua ideia quando você fala de “Jugo desigual?’

 

Na zona rural é muito comum vermos bois levando cargas pesadas, mas atados lado a lado por uma peça de madeira no pescoço. O nome que se dá a esta peça é canga ou jugo. São animais da mesma espécie colocados juntos para fazer um trabalho específico. Eles são cuidadosamente treinados para responder aos mesmos comandos. O fazendeiro geralmente coloca dois animais do mesmo tamanho, força e temperamento porque sabe que precisarão trabalhar juntos. Se um animal desequilibra, o outro terá que fazer uma força extrema, porque a tarefa é dada para ser desenvolvida como uma equipe. Se estiverem fora da sintonia possivelmente o equipamento poderá se quebrar, sofrerão ferimentos, haverá confusão e o trabalho não será feito. Afinal, “andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” (Am 3.7)

 

Calvino afirma que o texto não está falando diretamente de “casamento”, mas sua ideia é muito mais simples. De fato o contexto não nos conduz a isto. O que a Bíblia nos ensina é que o crente não pode fazer nenhum vínculo com a pessoa que não comungue da mesma fé. Não pode se atrelar a ela, colocar a canga no seu pescoço e no do outro que não conhece a Deus.

 

O texto é mais objetivo na questão da idolatria e adoração a outros deuses. Pessoas que criam vínculos que comprometem sua fidelidade a Deus. Estou absolutamente certo de que o problema de Daniel em não querer se envolver com o vinho e a carne do rei era pelo vínculo idólatra que isto criava.

 

 

 

O que é “Jugo desigual”?

 

  1.  Primeiramente, são pactos e associações com Instituições filosóficas/religiosas que não conhecemos bem e que comprometem o Reino de Deus

 

Por exemplo, envolvimento com seitas místicas. No Brasil é muito comum pessoas cristãs, inadvertidamente, se tornarem membros da maçonaria. Para alguém ser admitido na maçonaria, no seu rito de entrada (também chamado de batismo), a pessoa deve declarar: “Estou nas trevas em busca da luz”. Apesar de negarem este aspecto da religiosidade, eles usam termos próximos de uma religião. Por exemplo, a loja deles é chamada de Templo. Podemos encontrar estes títulos claramente apresentados na Davis Square e Church St, em Massachussets, onde surge o termo “Masonic Temple”. Já tive presbíteros que eram mais fiéis à reuniões maçônicas que a reunião de oração.

 

Ao escrever este texto, o apóstolo estava muito preocupado com a distinção que os cristãos tinham que fazer com os ídolos. Vinham de uma sociedade pagã, onde conviviam sem nenhum problema como vários deuses, e ele tenta demonstrar que o Deus que agora servem é um Deus exclusivo, que não reparte sua glória com ninguém, por isto não deveriam participar de sociedades com demônios ou de comidas sacrificadas a eles.

 

O texto nos adverte para não nos envolvermos ou fazermos qualquer pacto que possa dividir nossa atenção. Nada que nos distraia ou nos envolva em compromissos e pactos que nos distanciem de Deus.

 

  1. Rituais místicos que podem criar alguma ligação com obras demoníacas

 

É comum pessoas sem muito conhecimento do que significa ser cristão e imaturas na fé, participarem de brincadeiras e atividades aparentemente inocentes que estão relacionadas ao demônio. Algumas destas incluem meditação e levitação, tabuas de Ouija, a aparentemente inocente brincadeira do copo, a consultas a videntes, cartomantes ou quiromantes.

 

No Rock in Rio (2011), a direção do evento, convidou 50 pais de santos para darem passes às pessoas que participavam do evento. Foram construídas pequenas tendas, onde podiam receber passes. É curioso que nenhum pastor ou padre tenha sido convidado...

 

Outro perigo que surge nesta área é a linha tênue entre parapsicologia e demonismo. Muitos se envolvem com supostas práticas parapsicológicas, e na verdade estão andando na linha do demônio, sem o saber. Parapsicologia e demonismo possuem uma linha divisória muito pequena.

 

Um dos diáconos queridos em Goiânia foi o Sr. Jabes de Souza Santos. Um dia ele nos contou que era comum em sua casa, antes de aceitarem a Jesus, que num encontro da família chamassem as crianças entre 3-5 anos, e pedirem que as mesmas colocassem seus dedos mindinhos ao redor de uma pesada mesa de madeira, para a levitarem. Todos os adultos ficavam ao redor e aquela cerimônia “despretensiosa” era praticada. Perguntei-lhe porque não fizeram mais depois de sua conversão e ele me respondeu que eles, misteriosamente, não tinham mais prazer nestas coisas.

 

“Jugo desigual” tem a ver, primariamente com envolvimento com ídolos e outros deuses. A Bíblia conta que Salomão se envolveu com muitas práticas terríveis. “Seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e a Milcom, abominação dos moabitas; assim, fez Salomão o que era mau perante o Senhor”. O texto é claro ao afirmar que “Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses, e o seu coração não era de todo fiel para com o Senhor, seu Deus, como for a o de Davi seu Pai.”. (1 Rs 11.4)

 

A gente pensa que estas coisas não acontecem atualmente, mas sabemos de pessoas que saíram da graça de Deus para oferecerem altares a deuses falsos. Um dos casos mais conhecidos é o de um ex-professor do Seminário do Norte, que se casou com uma babalorixá e hoje, embora não se curve diante dos sacrifícios de forma explícita, está ao lado de sua esposa para comprar as coisas que ela precisa para fazer suas oferendas aos demônios, e leva estes objetos para ela, quando ela invoca as entidades para as sessões que são feitas.  Definitivamente são vínculos com demônios e coisas sacrificadas a ídolos.

 

  1. Negócios altamente rentáveis, cujo enriquecimento é lícito do ponto de vista da lei, mas contrários à lei de Deus e à nossa consciência

 

Muitos cristãos podem adquirir ações em bolsas ligadas a cassinos, clínicas de aborto, venda de cigarro, pesquisas genéticas reprovadas pela ética cristã como clonagem de seres humanos e células troncos abortivas.  Investimentos em hospitais que subsidiam propaganda homossexual ou projetos antiecológicos que trazem danos à natureza ou guerras e conflitos militares. Não devemos nos associar com este tipo de empresa que desenvolve material que é contrário às nossas convicções de fé.

 

A Bíblia nos ensina que o crente não pode fazer nenhum vínculo com pessoas que não comunguem da mesma fé. Não pode se atrelar a ela, colocar a canga no seu pescoço com alguém que se opõe a Deus. O texto é mais objetivo na questão da idolatria e adoração a outros deuses. Como cristãos não podemos ter vínculos que comprometam nossa fidelidade a Deus. Estou absolutamente certo de que o problema de Daniel em não querer se envolver com o vinho e a carne do rei era pelo vínculo idólatra que isto criava.

 

Nesta categoria ainda se incluem sociedade com pagãos. O homem do mundo tem valores diferentes do homem que serve a Deus. O mundo age com base no lucro e no sucesso. Embora o homem cristão possa trabalhar nesta perspectiva, este não pode ser o nosso último alvo ou final. Antes disto, devemos buscar a glória de Deus e adorá-lo com nossa vida.

 

  1.  Vínculos afetivos ou comerciais com pessoas que são hostis ou rejeitam o evangelho e a Jesus

 

    1. Proposta de trabalho onde você não pode testemunhar a Jesus, ou no qual você tem que se silenciar acerca do que você crê, ou mesmo defender comportamentos e princípios éticos que você condena.

 

Existem cristãos aceitando isto, enquanto grupos e ativistas gays encontram espaço para expressar suas atividades e fazer suas propagandas, corremos o risco de sermos intimidados. Existem muitos saindo às ruas para defender marcha de gays e vadias, e não saímos às ruas para defender princípios éticos e valores ligadas à família.

 

    1. Casamento com pessoas contrárias ou indiferentes ao Evangelho. É o que convencionamos chamar de “Casamento misto”.

 

O maior de todos os pactos humanos, é, sem dúvida, o casamento. Colocar-se num jugo desigual, pode trazer danos tremendos à vida daqueles que amam a Deus. Muitas pessoas cheias do Espírito Santo perderam sua vida de piedade e reverência a Deus depois que se envolveram com uma pessoa sem Jesus. Canga igual para animais de hábitos diferentes é complicado. Tente colocar uma canga num cabrito e num boi, ao mesmo tempo...

 

Estar casado com alguém que não ama a Deus é um preço muito caro! Por que? Casamento, depois da decisão de seguir a Cristo, é a maior e mais importante de sua vida. O problema é que muitos cristãos começam um namoro acreditando que isto não seja algo tão sério.

 

Queria apresentar algumas razões bíblicas e práticas para nos esquivarmos de um casamento misto.

 

  1. Primeiro, por causa do princípio bíblico - A Bíblia afirma que o casamento deve ser “somente no Senhor” (1 Co 7.39).  

 

Nestas horas, geralmente as pessoas reagem e ficam indignadas porque Deus diz certas coisas que eles não gostam. Em alguns casos, se rebelam e fazem do jeito que querem fazer, contrariando frontalmente a Palavra da verdade. O apóstolo Tiago afirma que devemos “acolher a palavra da verdade, com mansidão”. É bom lembrar, que os princípios de Deus são dados para a vida, portanto, “nunca devemos violar os princípios de Deus se desejamos ganhar ou manter as bençãos de Deus” (Andy Stanley). Deus não tem compromisso com a infidelidade. A quebra de princípios pode não levá-lo ao inferno, mas podem trazer o inferno até você. Veja o que este texto diz: “Qual a comunhão entre o crente e o incrédulo?”.

 

Por isto a Palavra de Deus recomenda que casamento deve ser feito, “apenas no Senhor” (1 Co 7.39). Caso você deseje servir ao Senhor no seu lar, então ambos precisam de um acordo para que a tarefa seja realizada. Este princípio é realmente simples, por isto me impressiona que tantos ainda decidam ignorar a Palavra de Deus e agir sem considerar seus princípios.

 

A Bíblia nos recomenda a não colocar nosso pescoço debaixo da mesma canga, fazendo nossos planos e sonhos com alguém que não possui a mesma compreensão espiritual que temos.

 

  1. Segundo, por razões práticas: os interesses são diferentes.

 

Uma pessoa sem Deus pensa e age de forma diferente daquele que ama a Deus. O crente pensa nas coisas relacionadas à missão e ao reino de Deus, enquanto a pessoa sem Deus, busca fazer as coisas para sua carne. Mesmo que o que fazem não seja, necessariamente ruim ou eticamente condenável. O problema é a motivação. O lazer do cristão é diferente, as férias possuem objetivos diferentes e as prioridades são diferentes. No domingo de manhã, o crente quer ir para a Escola Dominical, o descrente, para o clube; no carnaval, o crente quer ir para o retiro, o descrente, para a folia.

 

Quais são as justificativas mais comuns para um casamento misto?

Jaime Kemp apresenta algumas das mais comuns no seu livro “Namoro, Noivado, casamento e sexo”.

Þ  Estou somente namorando, não temos intenção de nos casar…

Þ  Nós temos tanta coisa em comum...

Þ  Não sei se ele é crente, estou namorando a pouco tempo e ainda não tive condições de verificar isto...

Þ  Ele não é crente, mas é um cara legal...

Þ  Creio que ele (a) está aberto (a) ao Evangelho...

Þ  Ele quer que nossos futuros filhos freqüentem a Igreja...

Þ  Eu lhe falei que só namoraria pessoas crentes, e então ele aceitou o Evangelho...

Þ  Conheço poucos rapazes (moças) crentes, meu círculo de amizades envolve mais pessoas descrentes...

Þ  Ele é mais cavalheiro que a maioria dos rapazes que eu conheço...

Þ  Ele não é crente porque não quer ser hipócrita...

 

Qual é o problema do casamento misto?

O casamento misto não tem uma base cristã para o lar. O ambiente dele não é o seu. O problema no Brasil ainda é maior porque todos dizem que tem uma religião cristã. Você quer um casamento nos princípios e propósitos de Deus? Onde vocês podem orar juntos para resolver seus problemas pessoais? Na hora da crise vocês tem uma rocha comum?

 

Outro aspecto a ser considerado:

É muito mais fácil alguém te puxar para baixo, que ser levado para cima.

 

A recomendação bíblica é muito clara. O casamento tem que ser no Senhor. “Fica livre pra casar com quem quiser, mas somente no Senhor” (1 Co 7.39). A liberdade restringe-se a um vínculo com uma pessoa que possua as mesmas convicções quanto à sua fé.

 

Isto nos leva a considerar outro aspecto muitas vezes esquecido. Muitas pessoas namoram pessoas que andam perifericamente na igreja, e até mesmo a freqüentam com certa regularidade, acreditando que ela é cristã por causa disto. Mas o fato de alguém cultivar certa presença numa comunidade ou mesmo se batizar, não significa que ela tem compromisso com Deus.

 

Deixe-me fazer algumas perguntas para você checar se esta pessoa ama o Senhor ou não:

Þ    Ela é comprometida com a Palavra de Deus?

Þ    Tem interesse em orar e buscar a Deus?

Þ    Está envolvido com a Igreja local?

Þ    Tem amor pela obra?

Þ    Prega e ensina a Palavra de Deus?

Þ    Tem sede de crescer em Jesus?

Þ    Já assumiu o compromisso de ser verdadeiramente um discípulo de Cristo?

Estes pontos ajudam a clarificar a vida de uma pessoa que está “No Senhor”.

 

Testemunho:

 

Uma vez que você entrega seu coração e suas emoções para alguém, você ficará surpreso ao notar quão difícil será uma ruptura, mesmo quando você sabe que é necessário tomar tal decisão. Uma jovem cristã escreveu a seguinte carta para seu conselheiro:

 

“Tenho 16 anos e sou filha de missionários no Oriente Médio. Eu tenho mantido um relacionamento de intimidade com o Senhor e recentemente encontrei um garoto na escola que não é cristão e estamos namorando por três meses. De início acreditei que estava tudo certo, afinal eu não estava me casando com ele e nem tinha intenção de fazê-lo, uma vez que ele não tinha um compromisso pessoal com Jesus, mas ultimamente encontrei alguém que me afirmou que eu estava errada e que eu não deveria manter este tipo de relacionamento desde o princípio”.

 

“Uma noite ele veio à minha casa, e eu estava ouvindo um CD de música evangélica, e ele ironizou as letras dizendo que eram letras tolas e riu do que ele chamou ´deste estranho Jesus´. Quando ele saiu, senti-me ferida pela forma como ele zombou das coisas de Deus, e eu realmente me senti profundamente triste, chegando à conclusão de que deveria por um fim em nosso relacionamento, mas está sendo muito difícil porque nós temos um carinho muito grande um pelo outro e eu estou com medo de que o meu testemunho enfraqueça se o nosso namoro acabar. Eu realmente tenho pedido ao Senhor que me dê sabedoria. Gostaria de pedir que orasse por mim sobre este assunto”.

 

Este é o típico caso de rapazes e moças cristãs que oram por uma decisão depois de terem assumido o relacionamento. Ela não precisa de sabedoria para saber o que fazer, o que ela precisa é de graça e poder para fazer aquilo que sabe que está errada, afinal, “Que comunhão há entre o crente e o incrédulo?”. É muito fácil permitir que nosso coração dirija nossa consciência ou nossa obediência. Uma vez que seus desejos demandam prioridades, seu zelo por Deus facilmente esmaece.

 

Nossas emoções são poderosas e podem facilmente nos controlar, afinal, “Enganoso é o coração, e demasiadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jr. 17.9). precisamos sempre indagar se temos sido orientados pela Palavra de Deus ou pelos nossos sentimentos.

 

Quando Caim pecou contra o Senhor, Deus veio admoestá-lo e reorientá-lo, já que ele havia se distanciado completamente de sua vontade. Sua palavra é muito oportuna: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.7).

 

Desejo precisa ser dominado, e apenas quando os submetemos a Deus, eles poderão estar sob controle, já que no nosso coração existe uma predisposição para o engano, como afirma o profeta Jeremias. Precisamos dominar nossos desejos, para que eles não nos dominem e nos animalizem.

 

Esclarecimento necessário:

Creio ser interessante fazer outro comentário sobre casamento misto. Já vi alguns dizendo: “Estou casado com alguém que não ama a Jesus, logo o meu casamento não pode ser abençoado por Deus, porque é um casamento misto” Pessoas assim estão tentando justificar seu fracasso no casamento, e buscando uma justificativa espiritual para romperem seu matrimônio. O que a Bíblia ensina àqueles que já estão casados?

 

Dois textos podem nos ajudar nisto:

 

I Co 7.12-14:

Aos mais digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido. Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos”.

 

Portanto, não pode pairar nenhuma dúvida sobre o fato de que uma pessoa casada com um descrente está autorizada por Deus a se divorciar.

 

1 Pe 3.1-2:

Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor”.

 

Há uma promessa de Deus que, pela atitude cristã da mulher temente a Deus, o marido incrédulo vai ser despertado para a salvação e conhecerá a verdade do Evangelho. Esta é uma promessa que pode revolucionar nossa história.

 

 

A Bíblia apresenta algumas razões para que o Jugo desigual não aconteça:

 

  1. O Evangelho não é inclusivo e tolerante com todas as coisas: (2 Co 6.17). Deus nos chama para sermos santos, separados. Por natureza o cristianismo precisa ser diferente.

 

ü  Retirai-vos”- (2 Co 6.17)- Esta é uma forte afirmação. Ser cristão envolve ruptura com tudo aquilo que compromete a santidade de Deus. “Sede Santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.16). Todas as exigências éticas de Deus para o seu povo podem ser resumidas neste chamado: “Sede santos”. Apesar da simplicidade óbvia, a ordem tem sido encarada com grande confusão, negligência e receio dos crentes e escárnio dos incrédulos. Deus exige santidade de seu povo.

 

ü  “Não toqueis” (2 Co 6.17) - Esta afirmação nos leva a considerar que é necessária uma ruptura com certos processos e atitudes de nossa vida. Associação ou envolvimento com determinados comportamentos e rituais, comprometem nossa santidade com Deus.

 

  1. Porque existe uma diferença de conteúdo

 

As perguntas feitas no texto, são retóricas, isto é, levam-nos a responder da forma como são feitas. “Que comunhão entre Luz/trevas; crente/incrédulo; Justiça/iniqüidade; Cristo/maligno?”. Todos estes elementos são contrários na sua natureza e essência. As trevas não comungam com a luz, a justiça não se associa com a iniqüidade, Cristo se opõe ao maligno, e o crente não pode se associar e pactuar com o incrédulo. Porque são, por sua natureza, como água e óleo.

 

A proposta aqui não é para um isolamento monástico nem fuga do mundo. O apóstolo Paulo já esclareceu esta questão na carta anterior que escreveu. “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo.” (1 Co 5.9-10) A questão, porém, tem a ver com vínculos, pactos e associações que fazemos. E certamente a aliança do casamento está no centro desta questão.

 

  1. Porque associações nos comprometem

 

A Bíblia narra a história interessante dos gibeonitas em Josué 9. Quando ouviram o que Israel fizera a Jericó e Ai, duas cidades prósperas e vizinhas, resolveram pactuar com o povo de Israel, e para isto fingiram vir de longe, vieram com sandálias rotas e sacos velhos e odres de vinhos rotos e trouxeram um pão seco e bolorento dentro dos sacos de viagem. Assim fizeram um pacto com o povo de Deus. O povo de Israel não pediu conselho ao Senhor antes foram enganados e fizeram aliança acreditando que eram pessoas vindas de longe, quando na verdade eram vizinhos, estavam no caminho da terra que o povo queria conquistar, e por causa do pacto que fizeram, Israel foi impedido de guerrear contra eles.

 

Muitas pessoas, ainda hoje, sem o saber, envolvem-se com coisas satânicas, para serem agradáveis e populares. Tomem cuidado com os vínculos, pactos e associações que são feitos, muitos destes compromissos podem estar desagradando a Deus.

 

  1. Porque precisamos rejeitar coisas impuras (2 Co 6.17). 

 

Nossa vida deve ser uma vida de pureza e santidade aos olhos de Deus. A sociedade atual é extremamente inclusivista, licenciosa e tolerante até com o pecado e com o mal, e deseja unir trevas com a luz. Deus diz que é necessário pagar o preço para sermos aprovados, e este preço muitas vezes é da impopularidade e do radicalismo. Precisamos lembrar do status que recebemos de Deus, que nos chamou para sermos seus filhos (2 Co 6.18).

 

Certa vez, Luiz XIV, um jovem príncipe, herdeiro da coroa francesa teve que ser deportado para não morrer. No seu exílio, foi morar com muitos guerreiros e soldados que tinham uma péssima conduta ética, e ele ainda adolescente tinha que suportar todas as provocações, os soldados se excediam nas bebidas, gritarias, mau temperamento e brigas, além da licenciosidade moral, fornicação e prostituição. Quando lhe perguntaram porque não agia como os demais, ele respondeu de forma segura: “Porque um dia serei o rei da França, e isto não é um comportamento digno da realeza”. Ah! Se nós entendêssemos a vocação e o chamado que Deus nos tem dado e qual a suprema grandeza de sua glória, certamente seriamos mais prudentes e cautelosos na nossa ética, para glorificar nosso rei.

 

Conversões de conveniência

 

Em geral, tenho muita dificuldade em fazer casamentos mistos. Condiciono sempre o casamento a alguns encontros com os noivos, para abrir meu coração e falar do propósito de Deus para suas vidas. Eventualmente faço apelos para conversão, evangelizando pessoas durante tais encontros.

 

Por desejarem que eu realize a cerimônia de seus casamentos, não é muito difícil encontrar pessoas que “aparentam” ter uma certa espiritualidade, e para desfazer qualquer possibilidade de continuar mantendo um contacto fundamentado numa mentira, afirmo diretamente que não condiciono o casamento ao fato da pessoa fazer parte da comunidade na qual sou pastor. Aprendi que isto elimina qualquer predisposição para a hipocrisia e as conversões de conveniência.

 

Por outro lado, vejo rapazes e moças crentes, namorando descrentes, e criando uma “cláusula” nos relacionamentos: “Só me casarei com você, se você se converter”. É obvio que se o descrente está apaixonado pela pessoa crente, como não possui qualquer compromisso espiritual, facilmente concordará em “se converter e se batizar”, mas será que realmente esta pessoa teve uma experiência com Jesus e entendeu o plano de Deus para sua vida? Em geral, tais compromissos mostram-se superficiais, logo após o casamento.

 

Nunca confiei em uma conversão deste tipo. Não seguimos Jesus por causa de alguém, este não é o tipo de discipulado que Jesus deseja; mas seguimos a Cristo por causa dele mesmo.

 

“Namoro Missionário”

Eu não estou muito certo quando surgiu o termo “namoro missionário”, mas ele é mais que apropriado para ilustrar o que falamos. Imagine você – uma jovem cristã, cheia de zelo por Deus - indo para uma tribo remota de nativos para evangelizar o perdido e sentindo grande peso espiritual pelo charmoso filho do chefe da tribo. Ele parece interessado em Deus e você gasta um bom tempo na esperança de trazê-lo para o Senhor...

 

Então, sem que você saiba, sua amiga de uma sociedade missionária recebe um cartão postal dizendo que ela está se casando e não volta mais. Será que ele se converteu? Bem, na verdade não – mas ela está confiante de que em breve isto acontecerá. Enquanto isto, ela está tentando organizar as coisas da casa, na sua cabana cheia de ídolos (que não verdade, ela não pensa em adorar...) e sonhando com um futuro maravilhoso que construirão juntos.

 

Se você ouve falar de uma situação como esta, deve se perguntar quais são as chances desta garota encontrar real felicidade – ou dela professar seu amor pelo Senhor? Suas ações certamente parecem contradizer aquilo que ela realmente afirma crer.

 

O Jogo do Namoro

Vivemos dias em que os jovens têm tratado o relacionamento de namoro como algo superficial e vazio. Uma música contemporânea reflete bem este pensamento moderno: Já sei namorar, já sei beijar de língua, agora só me falta sonhar... Não sou de ninguém, eu sou de todo mundo, e todo mundo me quer bem” (Tribalistas). Esta idéia de “ser de todo mundo” é uma grande falácia. Ninguém é de todo mundo, todos nós precisamos de intimidade e responsabilidade nos nossos relacionamentos, caso contrário, haverá muitas feridas e dores.

 

O resultado tem sido o conhecido conceito de “ficar”. Embora “ficar” seja um verbo que dá idéia de estabilidade, neste caso ele expressa algo efêmero e passageiro. “Ficar”, na linguagem moderna significa se entregar a alguém durante um tempo curto, sem nenhum compromisso ou envolvimento afetivo. Namoro tem se tornado algo vazio e pecaminoso.

 

Tenho a convicção de que namoro não deve ser feito de forma superficial, e muito menos sem a aprovação de Deus. Ouvi certa vez a afirmação de que “namoro é para se conhecer, noivado é para planejar e casamento é para executar”. Embora não estejamos certos de que vamos casar com a pessoa que namoramos, uma vez que a estaremos conhecendo, é prudente pensar que estaremos nos conhecendo porque a outra pessoa se tornou interessante. Antes de um envolvimento, devemos ser capazes de ver as qualidades de um sincero amor de Deus na vida desta pessoa, e os frutos de sua fé também devem ser claros.

 

É natural que você comece a namorar alguém com quem você já esteja observando sua forma de ser por algum tempo. Para iniciar um namoro, que é um relacionamento mais profundo, você deve entrar quando o Senhor lhe mostrar que este passo deve ser dado. Se você teme ouvir um não de Deus, muito provavelmente você não está interessado em saber sua vontade para sua vida. Isto é um sinal vermelho de que alguma coisa vai mal no seu processo de seguir a Cristo, já que você não está realmente interessado em segui-lo.

 

Muitos estão num casamento miserável, porque ignoraram a orientação de Deus, e resolveram seguir seus próprios desejos e a voz de seus corações. Estão aprendendo lições de uma forma muito dura. Casamento é um pacto indissolúvel, selado por Deus, e a Palavra de Deus nos ensina que “O que Deus juntou, não o separe o homem” (Mt 19.7), e que “Deus odeia o divórcio!” (Ml 2.16).

Quando falamos do casamento, estamos nos referindo a um compromisso de uma vida de amor, honra, cuidado – até que a morte nos separe! Então, como fazer uma aliança com alguém que não ama Jesus?

 

Apelo aos que ainda não tomaram uma decisão em ser um discípulo de Cristo

 

Muitos ainda não quiseram fazer pactos com a Igreja e com o Evangelho. Fazer pactos é dizer, “eu assumo, eu me comprometo”. Não fazem tais compromissos por causa do medo dos vínculos!  É importante, porém, reconhecer que o Deus do Evangelho é um Deus pactual, Deus das alianças, que exige compromisso e deseja nossa fidelidade plena, sem reservas.

 

Muitos nunca disseram: “Eu aceito, eu me envolvo, eu entrego meu coração a Jesus e meu rendo ao convite de ser um discípulo”. Se você ainda não assumiu compromisso porque ainda não aceita o Evangelho é coerente e razoável que não deve assumir tal compromisso. Agora se você já aceita, e por razões familiares, comodismo ou preguiça tem negligenciado ao adiado uma entrega incondicional, você ainda não tem a vida, porque não a entregou a Jesus. Lembre-se do que Cristo afirmou: “Quem me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante do Pai que está nos céus. Quem, porém, me negar diante dos homens, eu o negarei no último dia”. (Mt 10.32,33).  O Deus da Bíblia é um Deus do pacto, da aliança, do compromisso. Por isto a palavra afirma: “Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração…”

 

Conclusão

 

A dura realidade é que aqueles que amam a Jesus e se casam com descrentes, jamais terão a experiência da plenitude de um casamento como Deus planejou. Nunca experimentarão a verdadeira intimidade se estarem unidos nos vínculos do amor de Jesus. Verdadeiras alianças só podem ser construídas debaixo do altar do Senhor.

 

Confie no Senhor, ande em obediência, e Deus satisfará suas necessidades no Seu tempo e da Sua forma. Confie no Senhor de todo o seu coração e não te estribes no teu próprio pensamento. Não se engane! Quem verdadeiramente ama o Senhor, nunca vai comprometer sua história com alguém que ama o mundo.

 

Ore sinceramente ao Senhor, pedindo-lhe para que oriente seu coração para que ele não se afaste dos ensinamentos do Senhor. Se você está pensando em se casar com uma pessoa descrente, ter um lar cristão, temente a Deus e que busca seguir os mandamentos de Deus, criando filhos na disciplina e temor do Senhor, como você espera alcançar estes objetivos se seus desejos são tão distintos?

 

Creio que é isto que o texto da Palavra de Deus está ensinando: “Que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?”. Que Deus possa abrir o seu coração e mente, na medida em que você, sinceramente, busca fazer sua vontade.