quarta-feira, 27 de março de 2013

Mc 16.6 “Ele não está mais aqui”





Introdução:

No dia da ressurreição, precisamos lembrar deste que é um dos mais memoráveis eventos da história, e que autentica nossa fé. Paulo chega a afirmar que “se Cristo não ressuscitou é vã a vossa Fe, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais, os que dormiram em Cristo, pereceram” (1 Co 15.17-18).
O texto lido narra a experiência de algumas mulheres, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, indo ao túmulo de Jesus, levando especiarias aromáticas para embalsamá-lo, e seu encontro com um jovem assentado ao lado direito, vestido de branco, que faz esta afirmação: “Ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto” (Mc 16.6). Apesar da incredulidade inicial com o evento, tendo Dídimo (Tomé), como o paradigma de tudo isto, a verdade é que os cristãos não apenas passaram a proclamar estas verdades, mas morreram por ela.
A pergunta inicial que podemos fazer é se alguém morreria por uma mentira. A resposta inicial, apesar de parecer estranha é sim. Muitas pessoas morreram na história por mentiras, pensando que tais mentiras eram verdades. É possível ser sincero, e estar errado, por isto não basta a sinceridade. Agora, podemos afirmar em contrapartida, que ninguém morre por uma mentira, sabendo que é uma mentira. Os apóstolos foram testemunhas da ressurreição de Cristo e morreram por esta convicção – isto valida este evento histórico.
O texto afirma “Ele ressuscitou, não está mais aqui”. Jesus não podia continuar naquele local, porque a morte não era o seu local definitivo e final. Pedro no Pentecoste afirma que Jesus seu corpo “não foi deixado na morte, nem experimentou corrupção” (At 3.31), porque era impossível que pudessem matar o autor da vida. Era impossível que ele fosse retido pela morte, apesar de ser necessário que ele passasse por ela.

O que Jesus fez durante este tempo entre sua morte e ressurreição, é o que queremos considerar:

  1. Na sua morte, ele pagou o preço do resgate pelos nossos pecados

Seu sangue foi a moeda de troca. Quando ele afirmou: “Tudo está consumado!”, a idéia original é de que “tudo está pago”. Não há mais nada que seja necessário fazer. Ele consumou a obra requerida pelo Pai. Era exatamente esta idéia que tinha na mente. Ele satisfez a justiça divina, que requeria que o sacrifício fosse ao mesmo tempo puro e completo. Jesus pagou cabalmente pelos nossos pecados.
Por isto Paulo afirma:
“Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica”. (Rm 8.33,34). Por causa da obra de Cristo, podemos afirmar confiantemente: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
Em outro texto bíblico podemos ainda ler:
“Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus”. (2 Co 5.21).

2. Na sua morte, Jesus destruiu a força opressiva do diabo

O pecado subjuga o homem, controla sua mente e vontade e o impossibilita de um querer voltado para as coisas de Deus. Sua natureza é decaída e moralmente incapaz. Na cruz, Jesus não apenas pagou pelos nossos pecados, mas tirou o jugo opressivo de uma vontade rebelde e subordinada ao diabo. 
Em Colossenses 2.15 lemos:
Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz” (Col 2.13-15).
Na cruz, Jesus despojou principados e potestades. Despojar significa tirar as armas da guerra do inimigo. Tirar seu poder de fogo, seus recursos e seus bens. Jesus esvaziou o inferno de seu poder. Por esta razão, John Piper afirma que ao incitar os judeus e romanos a levarem Jesus para cruz, o diabo cometeu suicídio, deu um tiro no pé, porque foi na cruz que Jesus esmagou a cabeça da serpente, e tirou do diabo o poder destrutivo.
O apóstolo João afirma: “Aquele que pratica o pecado é do diabo, porque o diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo”. 
(1 Jo 3.8).

  1. Na sua morte, desmistificou o poder da morte

Esta foi outra obra realizada por Cristo durante estes dias em que Satanás acreditou que estava tendo o controle das coisas. Ao vencer a morte, Jesus enfraqueceu seu poder sobre nossas vidas. Paulo ironiza a morte:
"Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?" (1 Co 15.55). Aguilhão é o ferrão usado para espetar o boi e feri-lo. Esta capacidade da morte em roubar a alegria, e assustar as pessoas foi minimizada pela eficácia e vitória de Cristo sobre a morte.
O autor aos hebreus afirma:
“Portanto, visto que os filhos são pessoas de carne e sangue, ele também participou dessa condição humana, para que, por sua morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo, e libertasse aqueles que durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte” (Hb 2.14-15)
Sua ressurreição é a garantia de nossa vitória sobre a morte, sendo ele as primícias dos que dormem. Quando esta vida se desfizer, sabemos que na casa do pai há muitas moradas, preparadas por Jesus para aqueles a quem ele ama.

  1. Na sua ressurreição, demonstrou sua autoridade

Em vários relatos do Evangelho, vemos associada a idéia de que Jesus demonstrou sua autoridade através de sua morte e ressurreição.
Deus ressuscitou este Jesus, e todos nós somos testemunhas desse fato. 
Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora vêem e ouvem (At 2.32,33).
Embora saibamos que Cristo é o Alfa e o Ômega, Princípio e fim de todas as coisas, o texto parece colocar sua autoridade como causativa, ou como conseqüência de sua ressurreição. A mesma idéia ocorre ainda no vs. 36: "Portanto, que todo Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo".
Em Pe3.18 a Palavra nos ensina:
“Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus. Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito, 
no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão” (1 P 3.18-19). Este texto é realmente enigmático. Qual o significado de Jesus “pregar aos espíritos em prisão?”. O Credo apostólico ainda acrescenta outro aspecto enigmático ao declarar que Jesus “desceu ao hades”.
Em apocalipse vemos outra afirmação contundente e maravilhosa de Jesus: “Sou aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades” (Ap 1.18).
Todos estes textos apontam para a autoridade daquele que esteve morto, mas vive!
Os louvores ao Cordeiro entoados no Apocalipse estão sempre associados à sua obra redentiva e sua ressurreição. “E eles cantavam um cântico novo: "Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. e cantavam em alta voz: "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!" (Ap 5.9).

Conclusão:

Jesus não podia ficar retido pela morte. Ele que é o Senhor da Vida!
A mensagem do ano que afirmou: “Ele não está aqui, mas ressuscitou”, revela que a morte não era o local destinado a Cristo. A morte foi o meio que Deus utilizou para evidenciar toda sua maravilhosa graça e o triunfo de seu filho sobre o pecado, sobre o diabo, e para revelar sua autoridade.
Jesus jamais poderia continuar no túmulo. Seu lugar não é a tumba, mas o trono!

1 Co 5.7-8 Cristo, nosso cordeiro Pascal




   

Introdução:

Um dos feriados mais conhecidos do nosso calendário é a Páscoa, contudo, existe enorme confusão sobre o seu significado. Para começar existem diferentes conceitos e imagens sobrepondo a idéia original da páscoa. Existe o ovo de chocolate, uma “obrigação” agregada às nossas tarefas. Nossas crianças esperam que lhe demos um ovo, por menor que seja, e muitos se sentem desconfortáveis se não presenteiam pessoas amadas com esta dádiva.
Depois existe a confusão do coelho botando ovo, esta confusão se expressa de forma clara neste pequeno diálogo de um filho com o pai sobre a páscoa:
“-Papai, o que é Páscoa?
-Ora, Páscoa é ... bem ... é uma festa religiosa!
-Igual Natal?
-É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
-Ressurreição?
-É, ressurreição. Marta, vem cá!
-Sim?
-Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
-Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
-Mais ou menos ... Mamãe, Jesus era um coelho?
(...)
-Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
-Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
-Coelho bota ovo?
-Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
-Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
-Era, era melhor, ou então urubu”. 

 “O coelho é um intruso que nada tem a ver com a festa da páscoa. Esta festa é a festa do cordeiro, do Cordeiro de Deus. Ele sim, deve ser o centro, o conteúdo, a atração e a razão de ser desta festividade” (Hernandes Dias Lopes).
Neste texto, vemos a afirmacao: “Cristo, nosso cordeiro Pascal, foi imolado” (1 Co 5.17). Esta frase é equivalente à expressão que usamos em muitas igrejas, que fala do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

Quais são as lições que podemos aprender deste texto:

1.      Nosso pecado (Escravidão), não é vencido, sem o sangue do Cordeiro – Esta é a principal mensagem de toda bíblia, a presença do sangue percorre todas as Escrituras, e o autor aos hebreus vai declarar: “Sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados” (Hb 9.22). Toda a expiação aponta para o sacrificio, por isto vemos o sacrificio de animais no Antigo Testamento, todos eles apontam para Cristo, o Cordeiro pascal, que nos seria dado por Deus, para remissão de nossos pecados.
Vemos também este mesmo princípio descrito pelo apóstolo Pedro: “sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pe 1.18).

2.      O sangue de Cristo é que retira o nosso pecado, portanto, se ele não for aplicado em nós, somos incapazes de nos apresentar diante de Deus -
O sangue de Cristo remove a culpa, os pecados e tira a condenação. “Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1). O apóstolo João afirma que “O sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.9).
Nossa bondade, méritos, justiça pessoal, moral, realizações pessoais ou currículo, serão incapazes de nos recomendar diante de Deus. Sem a operação de Jesus em nós, seremos incapazes de nos apresentar e manter de pé diante do altar de Deus.

3.     Ao chegarmos diante de Deus, precisamos do sangue de Cristo para sermos perdoados.
O apóstolo João afirma: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo: e ele é a propiacao pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.1,2). Diante de Deus, vamos precisar de um bom advogado.
Paulo afirma que gostaria de “ser achado nele (em Deus), não tendo justiça própria, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (Fp 3.9).
Há um texto em Apocalipse, no qual um dos anciãos toma a palavra e diz: “Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. Ele então me disse: São estes os que vem da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razao por que se acham diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite, no seu santuário” (Ap 7.13-15).
Sem que nossas roupas estejam alvejadas no sangue do cordeiro, não poderemos comparecer e ficar em pé, diante de Deus.
Um dos cânticos mais tocantes dos nossos poetas brasileiros, foi escrito por Stênio Marcius, chamado “Sonhos, ele diz o seguinte:

 

Sonhei que eu tinha morrido
Não lembro direito de quê
Me vi frente a um alto e belo portão
Com uma placa escrito: Céu
Bati com um certo receio
Um anjo saiu pra atender
Me disse: " Pois não ? " - eu falei; quero entrar
Pois aí é o meu lugar
O anjo me disse: "curioso,
Eu não acho o seu nome em nossos registros"
Eu disse: procure num livro antigo
Escrito antes que houvesse mundo
E ali achará com a letra do Rei
Meu nome com tinta vermelha

Alguém entregou para o anjo
Registros que eu reconheci
Compêndio de todas as leis que eu quebrei
E os pecados que cometi
O anjo olhava os registros
Visivelmente assustado
E me perguntou: "Foi assim que viveu? "
E eu então respondi que sim
" Então como é que você tem coragem
De vir nessa Porta bater? "
Eu disse: olhe bem no final dessa lista
Você reconhece esta letra?
E o anjo sorrindo me disse:
" É verdade!!! O Rei escreveu: Perdoado! "

E ao som dessa bela palavra
Aquele portão se abriu
Então eu entrava cantando um hino
Que pena que o sonho acabou
Ficaram comigo aquelas palavras:
" Primeiro eu quero ver meu Salvador"

domingo, 24 de março de 2013

Ap 2.8-11 ESMIRNA: NADA A PERDER!





Introdução:

A Igreja de Esmirna é marcada por três características: tribulação, pobreza, e blasfêmias. Um cenário social e humano difícil. Por isto nos chama a atenção o fato de que esta igreja é a única que não recebe nenhuma reprimenda de Jesus, nenhum censura, apesar do cenário e das circunstâncias históricas e políticas serem as piores.
A palavra tribulação, do grego thlipsis, significa pressão, aflição, traz a idéia de estar sendo esmagado debaixo de um peso descomunal. O grego possui duas palavras para a pobreza, e a palavra aqui é ptocheia, que significa “pobreza absoluta”.
Barclay sugere que isto pode ter se dado por duas razões.
A primeira: muitos daqueles cristãos poderiam ter sido escravos, e este grupo de pessoas tinha uma vida muito difícil; Outra possibilidade: Haviam sido espoliados por sua fé (Hb 10.4). Quando o texto fala de blasfêmia, refere-se a acusações, difamação e calúnia. Em Esmirna, havia uma forte colônia judaica, e eles se aliaram aos romanos na perseguição contra os cristãos como já havia acontecido em outros lugares. Jesus afirma que por causa desta atitude dos judeus, ao invés de serem “sinagoga de Deus”, haviam se tornado “sinagoga de satanás”, o principal acusador dos irmãos.
A Igreja de Esmirna atravessava um momento extremamente difícil, ser cristão era ter o estigma da morte. E o pior de tudo, Jesus não faz promessas de que a vida iria melhorar para estes irmãos, pelo contrário, o texto anuncia mais sofrimento: “Não temas as coisas que tens de sofrer” (Ap 2.10). “Sereis provados, tereis tribulações”.
A vida cristã continuaria a ser marcada não por definições, mas por incertezas, não por promessas de libertação, mas convicção de tribulações ainda maiores. Felizmente este sofrimento seria limitado a 10 dias, que Barclay significava um tempo curto que iria acabar num fim breve.

Duas grandes questões diante deste cenário:

1.       Por que Jesus deixa a sua igreja sofrer tanto?– Se Ele é Aquele que passeia por meio da igreja, porque permite que provações tão fortes aconteçam ao seu povo? Se Deus é todo poderoso, e se Ele está no controle dos eventos, como podemos conciliar situações de tamanha perplexidade com seu caráter santo?

2.       Como uma Igreja pode demonstrar fidelidade num contexto tão adverso? A resposta à primeira questão não é encontrada no texto. Não sabemos o porque disto tudo estar acontecendo e Deus não se dispõe a responder a esta questão fenomenológica que o texto reflete. Mas quanto à segunda questão, vemos duas razões no texto:

Ø       É possível superar toda tribulação e oposição, toda calúnia e afronta, quando encontramos sentido maior na relação de afeto e ternura com o Deus que servimos - Em outras palavras, nenhuma acusação é forte demais, profunda demais, nenhuma crise é grande demais, quando encontramos nosso sentido maior na comunhão com o Pai celestial.
Por que tememos tanto o infortúnio, as circunstâncias adversas? Porque na verdade, nosso sentido está nas coisas, nas situações, e não no Senhor. Não temos relação de afeto com o Pai, que seja capaz de nos satisfazer por completo, e ficamos buscando prazer nas coisas que temos e nas circunstâncias favoráveis que encontramos.

Ø       Ninguém é pobre, quando Deus declara que é rico – Esta pobre igreja, sem futuro, atribulada, perseguida pelo Estado, é declarada rica diante de Deus, e o é verdadeiramente, ainda que de uma forma ignorada pelos homens. Curiosamente Jesus afirma no presente e não no futuro: “tú és rico”. 
Deus tem uma forma diferente de avaliar nossa situação e nossas finanças. Laodicéia achava que era rica, mas era pobre. Esmirna era pobre, mas Jesus a declara rica. Como estamos nós, ricos, mas pobres, ou a despeito da pobreza, ricos?  Esmirna aparentemente era pobre, mas na verdade era rica.

No meio de toda a oposição, calúnia e pobreza, Jesus dá dois conselhos à igreja de Esmirna:

1.       Haja o que houver, não tenhas medo! “Não temas as cousas que tens de sofrer”. (Ap 2.10) Quando fala para não ter medo, é porque ele nos dá poder para tanto. Esta capacidade de não ter medo vem de Jesus!  Quando Jesus diz para a gente não ter medo, algo poderoso acontece dentro de nós, que nos transforma em tigres enche-nos de ousadia. Esta igreja não tem que combater apenas carne e sangue, a perseguição não é apenas um caso de prisão e tortura, é o próprio diabo agindo...

2.       Aconteça o que acontecer mantenha-se firme na fé! 2:10 “Sê fiel até a morte!” Até a morte. Não pare no meio do caminho, aconteça o que acontecer. Não retroceda, não desista! É tudo ou nada! Existe uma coroa para ser entregue àquele que cruzar a linha da chegada com fidelidade. Corrida até o meio não é bastante! O que conta não é como você começa, mas como você termina.

Conclusão:

Qual é seu maior medo? Luto? Falência financeira? Abandono? Solidão? Loucura? Morte? Diabo? Tragédias? O meu maior medo é a infidelidade, porque ela e somente ela pode me destruir, nem mesmo o diabo pode me destruir... Por isto Jesus nos adverte: “Não temais aqueles que podem matar o seu corpo, temei antes aquele que pode colocar no inferno tanto o seu corpo como sua alma”. 
A Igreja de Esmirna está sob ameaça, mas Aquele que fala, que a exorta, é Aquele que relativizou a morte, ironizou-a, ao ressuscitar dos mortos ao terceiro dia. “Estas cousas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou viver” (Ap 2.8). Estas pessoas podem ter o mesmo destino do seu mestre: podem morrer na perseguição, mas apenas terão de sofrer a morte física, não sofrerão a segunda morte, têm a garantia da ressurreição. “O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte” (vs. 11).
Esmirna era uma cidade que tinha jogos olímpicos, e no final os vitoriosos recebiam seus lauréis. Jesus os lembra da grande promessa da “coroa da vida eterna” que eles têm adiante, e eles seguem firmes, porque quem conheceu verdadeiramente as promessas reservadas àqueles que amam a Jesus, não podem mais negociar seus valores, mesmo diante tribulação, pobreza e mesmo da própria morte, porque aspiram a uma coroa celestial, imarcescível, a qual o Senhor, reto Juiz dará, não somente a alguns, mas a todos quantos amam a promessa da vida eterna.


Gn 12.10-20 Heróis de barro




Introdução:

A Bíblia não tem heróis nem super-homens. Não existe ninguém imbatível e perfeito. Pr. Jeremias afirma que quando convida um pregador famoso para ministrar na sua igreja ele pede para que tais pessoas fiquem junto com o povo. No primeiro dia fazem uma tietagem, querem tirar fotografia, pegar autógrafo, mas no 2º dia, as coisas diminuem e no terceiro dia se tornam todos iguais.
Não vemos heróis na bíblia. Todos possuem pés de barro, são frágeis, inconstantes, volúveis, eventualmente gostam de popularidade, falham com sua família. Gente de carne e de osso. A imagem que tenho ao falar dos “heróis”, é a mesma que vemos na descrição do rei em Daniel 2, que tinha cabeça de ouro, peito e braços de prata, quadris e ventre de bronze, pernas de ferro e pés de barro. Não adianta ter cabeça de ouro, se os pés são frágeis. A ruína é iminente. Tal é a natureza da humanidade.
Considere o exemplo de Abrão. Ele é o nosso “pai da fé”. Pelo menos três religiões possuem um profundo respeito e devoção por sua figura: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. No entanto é frágil, caráter pusilânime, enfia o pé pelas mãos e toma atitudes covardes, mente.

Abraão: Um homem frágil

Onde está aquele corajoso homem cheio de fé, que se arrisca por um chamado, abandona sua zona de conforto por causa de um chamado de um Deus que não era o deus de seus pais e vai, sem saber para onde. Onde está o homem corajoso que “crê contra a esperança”? Veja o que este texto fala sobre este homem...
Ao chegar na terra prometida, Canaã, sua primeira experiência foi lidar com a fome naquela terra. Então ele caminha ainda mais e desce até o Egito. Ao chegar ali, as pessoas começaram a olhar para sua esposa, que apesar de seus 65 anos, era ainda uma mulher muito bonita. Uma “gatosa” como dizem os adolescentes: “Uma gata idosa”. E os homens daquela região, inclusive os príncipes, ficam impressionados com sua beleza. A sensação que tenho é que ela possuía uma característica diferente daquele povo, mais queimado, mais escuro, e que Sara tinha olhos azuis. É comum assim acontecer quando algo diferente ocorre. Por exemplo, as mulatas brasileiras fazem enorme sucesso no Norte da Europa, quando ali chegam, com seu jeito charmoso, assim como faz sucesso as suecas entre os brasileiros. Para nós, as morenas possuem uma beleza normal; para os suecos, as loiras fazem parte da normalidade...
Então, o que faz Abraão quando os homens olham para Sara? Ele mente para salvar sua pele. E não apenas faz isto, mas a entrega nas mãos daqueles homens. O texto diz que “a mulher foi levada para a casa de Faraó”. O que aconteceu com ela? O que ela foi fazer lá? Foi para o harém de Faraó? Foi apenas uma deferência da corte? O texto parece nos indicar que a coisa teve implicações maiores, porque “O Senhor puniu Faraó e a sua casa com graves pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão” (Gn 12.17). O rei chama Abrão e lhe dá uma dura: “Que é isso que fizeste? Por que não me disseste que era ela tua mulher?” (Gn 12.18). O Pai da fé sofre uma grande descompostura, por causa da pusilanimidade de seu caráter.
O que isto nos ensina? A Fragilidade da natureza humana. O Pai da fé possui pés de barro.

Abraão compromete sua mulher

A Bíblia nos mostra, que não apenas uma vez, mas duas, Abrão tem o mesmo procedimento. O outro relato se encontra em Gn 20.1ss. Abrão não a protege, mas a expõe.
Eu tenho a impressão de que isto compromete seriamente a fé de Sara. Afinal, este homem afirma que Deus o visitou, lhe deu um chamado, lhe deu uma missão de abençoar o mundo, mas agora a expõe a esta situação. O que fazer?
Quando Deus diz a Sara que ela terá um filho na sua velhice, ela tem duas reações estranhs:
a)- Ela ri das promessas – Gn 18.12. E Deus a repreende por sua atitude. “Acaso para o Senhor, há cousa demasiadamente difícil?”. Eu fico me perguntando se este “riso”, que não é de alegria, mas de suspeita, não tem a ver com a forma como o seu marido decodificava a fé. A genuinidade e autenticidade da fé e das experiências de Abrão, talvez tivessem sido a razao de sua desconfiança;
b)- Ela questiona – “Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer?” (Gn 18.12). O texto diz que tudo isto se opera no intimo de sua alma, são coisas que não são articuladas nem verbalizadas, mas que estão na alma de Sara.
Já vi muitas mulheres de presbíteros e pastores perdendo a fé em Deus, por causa do comportamento dúbio e a duplicidade de caráter. São pessoas que parecem fervorosas, mas são tão contraditórias, que a mulher passa a não crer em nada do que ele afirme sobre sua fé. Já vi muitas mulheres de pastores em  crise, por causa da enorme contradição que havia entre o que o seu marido falava no púlpito, e o que ela via em casa. Quando ainda estávamos no seminário, um colega me relatou que estiveram visitando uma igreja no domingo passado, e era amigo do pastor e de sua esposa. Na hora do sermão, na medida em que ele ia pregando, e falando de relacionamento, a esposa do pastor o cutucava e dizia: “Falso, hipócrita!”.
Outra esposa de pastor, no meio de uma grave crise de casamento, discutia mais uma vez com seu esposo, desta vez, dentro de um carro, e ela chorando disse que tinha vontade de morrer, e ele disse de forma zombeteira: “É fácil! Está vindo um caminhão atrás de mim, abra a porta do carro e salte. Eu direi que foi um acidente e a gente faz um bonito funeral para você!”
Ao lembrar destes fatos fico me perguntando quanto de incredulidade geramos na nossa família, por causa de nosso comportamento pecaminoso. Quantos filhos e filhas rejeitaram a fé, por causa da incoerência dos pais. Quantas esposas já não crêem mais no evangelho, porque seus esposos estão sempre envolvidos em situações constrangedoras e pecaminosas.
Abrão compromete a fé de Sara quando a expõe a estas situações constrangedoras, quando mente para se defender, quando a entrega na mão de outro homem para salvar sua pele. Fico me indagando qual deve ter sido o sentimento de Sara diante disto? Será que as coisas eram culturalmente diferente e isto não a afetou tão seriamente? Qual deve ter sido o seu sentimento quando os homens vieram buscá-la e ela teve que se afastar de Abrão, seu marido? Quais pensamentos, reações e juízos vieram à sua mente? Como deve ter se sentido ao perceber que era moeda de troca para o seu marido, que ele não a protegeria nem a defenderia, mas facilmente a entregaria para sua proteção física e sua ambição. O homem que deveria protegê-la, a expõe cruelmente.
Como se sentem filhos e esposas com a incoerência de nossa fé, quando agimos por conforto ou preguiça numa linha duvidosa de caráter e afetamos e constrangemos a integridade espiritual e emocional de nossos filhos?
Pv 11.29 afirma: “O que perturba a sua casa, herda o vento”. Sua colheita não será muito boa. Quando plantamos e não colhemos, perdemos a semente e nosso tempo.

A graça incondicional de Deus

O último aspecto a ser considerado neste texto é a teimosa e perseverante graça e misericórdia de Deus.
Por que Deus chamou Abrão? Por causa de seu caráter inigualável? Pelo seu exemplo como homem de família? Por que nunca mentia nem falhava em nenhum princípio ético? O texto parece demonstrar de forma quase intencional que não. Deus chama Abrão, não por causa do que ele era, mas por causa de seus propósitos eternos.
Se não é este o caso, porque a narrativa bíblica relataria uma história desta logo após o seu chamado surpreendente? Se a fé cristã se fundamentasse no relato de super-homens e heróis da fé, este comportamento escuso do pai da fé cristã e judaica, não poderia aparecer aqui. Ao ler este texto, eu tenho que pensar na intencionalidade do Espírito Santo, ao inspirar Moisés a escrever isto.
Por crermos que a Bíblia é a nossa regra única de fé e prática, e que tudo que nela foi escrito, serve para nos ensinar a ter paciência, paz e esperança, temos que perguntar, porque este constrangedor relato foi narrado logo após o chamado de Abrão, sendo este o primeiro relato de sua história?

Temos que entender que este texto não é acidental, e nem foi colocado ali por acaso, mas faz parte de um propósito de Deus em nos ensinar a base de nosso chamado.
A Bíblia faz questão de nos ensinar que Deus não nos escolhe e chama por causa de nossa bondade, competência, eficiência e santidade, mas por causa de sua livre escolha. A graça pressupõe falta de méritos, ou então, deixa de ser graça. Não somos salvos por causa de nossa vida, nem porque somos melhores, mas pela infinita misericórdia de Deus.
Graça e misericórdia são dois temas cristãos. A graça implica que Deus nos dá coisas que não merecemos, sendo a mais importante dela, a salvação. Nossa salvação e eleição não são meritórias; misericórdia significa Deus deixar de nos dar o que merecemos. Por isto o profeta Daniel afirma: “Não lançamos as nossas suplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias” (Dn 9.18), porque “a nós, pertence o corar de vergonha... porque temos pecado contra ti” (Dn 9.8). Deus nos salvou, apesar de não termos méritos; Deus nos escolheu, apesar de não termos feito nada de bom; e Deus nos declara justos por meio de Cristo, apesar de não termos justiça alguma, a não ser a de Cristo (Rm 5.1;8.1).
O tema da eleição é muito presente na Bíblia, mas qual é a base de nossa eleição?
Tanto no Antigo como no Novo Testamento, aprendemos o mesmo princípio: Deus chama seu povo, não por causa de sua excelência moral, mas por sua livre e espontânea vontade. Por isto é graça, favor não merecido.
Alguns textos bíblicos:
Dt 9.5-7: “Não é por causa de sua justiça ou de sua retidão que você conquistará a terra deles. Mas é por causa da maldade destas nações que o Senhor, o seu Deus, as expulsará de diante de você, para cumprir a palavra que o Senhor prometeu, sob juramento, aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. Portanto, esteja certo de que não é por causa de sua justiça que o Senhor seu Deus lhe dá esta boa terra para dela tomar posse, pois você é um povo obstinado. Lembrem-se disto e jamais esqueçam como vocês provocaram a ira do Senhor, o seu Deus, no deserto. Desde o dia em que saíram do Egito até chegarem aqui, vocês têm sido rebeldes contra o Senhor”.
Ef 1.4-6: “Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado”. 
Ef 2.8-9: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”.

O Exemplo de Abraão

Na carta de Paulo aos Romanos, vemos exatamente a vida de Abrão, quando o Espírito Santo quer trazer uma ilustração sobre a graça de Deus na salvação. Como é que Deus trata a Abrão? Por que ele foi eleito para esta tarefa? Deus teria se impressionado com sua performance espiritual e por isto o transformou o pai da fé?
Leia o texto de Rm 4.1-8
“Portanto, que diremos do nosso antepassado Abraão? Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus. Que diz a Escritura? "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça". Ora, o salário do homem que trabalha não é considerado como favor, mas como dívida. Todavia, àquele que não trabalha, mas confia em Deus que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça. Davi diz a mesma coisa, quando fala da felicidade do homem a quem Deus credita justiça independente de obras: "Como são felizes aqueles que têm suas transgressões perdoadas, cujos pecados são apagados. Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa". 
O texto é claro em nos ensinar, que não foi por causa das coisas boas que ele fez que Deus o aceitou, se isto acontecesse, Abrão poderia se orgulhar espiritualmente disto, mas o que fez para Abrão não foi lhe dar um “salário”, para pagar. Salvação não é pagamento de Deus de algo que Deus lhe deve, pelo contrário, “Deus credita justiça, independente das obras”, isto é,Deus coloca saldo na vida de quem está devedor. Ele nos torna justos independentemente de nossa justiça mediante os méritos de Cristo, e credita justiça, independente das obras.
Abrão não tem que se gloriar. Seu currículo não é bom o bastante. Seu padrão moral e espiritual está muito aquém do padrão de Deus.
É isto que rm 3 tenta nos ensinar. “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus” (NTBLH), por isto Cristo se sacrificou por nós, morrendo em nosso lugar. “Será que temos motivos de orgulho espiritual? De modo nenhum” (Rm 3.27).

Conclusão:

Abrão é nosso pai da fé e sua vida demonstra suas angustiantes lacunas na alma. Abrão é protótipo da natureza caída, frágil e pusilânime;, inconstante e incoerente, mas Abrão creu em Deus, e isto lhe foi imputado por justiça. Ele abraçou a oferta de amor que Deus lhe deu, e colocou toda sua confiança em Deus.
A graça maravilhosa de Deus o transformou. Isto também me encoraja a viver, olhando para a misericórdia e graça de Deus revelada na obra de Cristo na cruz. “Como escaparemos se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2.3)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Gn 12 Qual é o seu currículo?



Introdução:


Em Gênesis 12 vemos o chamado de Abrão.

O termo “chamado” traz no meio cristão uma vertente distorcida, que não é fácil de ser reparada. Em geral, ao falarmos de vocação, geralmente nos referimos ao chamado missionário e pastoral, isto é, um chamado para ser “religioso”.
Durante anos, o Dr. Gordon, fundador do Hospital Evangélico de Rio Verde-GO, lutou em relação a isto. Ele sentia o chamado de Deus, mas não se sentia chamado para ser pastor, nem missionário. Ele era “apenas” um medico. Um dia, porém, ouviu um pregador afirmar que Deus quer usar cada um de nós com os dons e talentos que possui. Imbuído desta visão, deixou sua terra e se estabeleceu, nos idos de 1920, na então insólita terra do Sudoeste de Goiás. É bom lembrar que nesta época, não existia nem Goiânia, nem Brasília. Esta terra era uma terra dos rincões esquecidos do Centro Oeste do Brasil.
No livro de Ester, Mordecai pressiona Ester a tomar uma posição diante da iminente tragédia que viria sobre o povo judeu, suas palavras são fortes: “Mandou dizer-lhe: "Não pense que pelo fato de estar no palácio do rei, de todos os judeus só você escapará, pois, se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família de seu pai morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?" Et 4.13,14
Mordecai chama atenção de Ester para o seu chamado “secular”, que fazia parte de um plano eterno de Deus, e ele fala deste assunto. Precisamos entender que em qualquer área de nosso ministério, Deus vai usar o nosso currículo, aquilo que ele mesmo nos deu, e as experiências acumuladas no decorrer da história.
Qual é o seu currículo?
Quando Elias se encontra com a viúva de Sarepta, ela só tinha um punhado de farinha, mas daquele pouco que ela possuía, Deus multiplicou seus recursos, sustentando-a, e ao profeta que com ela estava. Deus vai usar o que temos e o que somos, para a glória dele mesmo, quando nos dispormos a colocar o que temos a seu serviço.
Neste texto, Abrão é convocado por Deus, para a obra que ele queria fazer. Por definição, o que Deus deseja fazer com Abrão, não é um chamado para o sacerdócio, nem para o pastorado, mas para uma missão que iria muito além de sua imaginação. O próprio Abrão, posteriormente, vai trazer seus dízimos e ofertas a Melquisedeque, reconhecendo neste, a função religiosa. Abrão não foi chamado para ser um religioso, apesar de que sua missão, como a de qualquer outra profissão é espiritual na sua essência. Se somos cristãos podemos exercer uma entre várias profissões, mas precisamos entender que temos apenas uma vocação. O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.

  1. O chamado não tem destino definido para o homem, mas está clara na mente de Deus. “Eu te mostrarei”. Fico pensando se não seria mais fácil se Deus tivesse dito a Abrão qual seria a terra para onde ele seria enviado. Quando penso no chamado de Deus para minha vida, começo a querer saber detalhes sobre a missão. Onde vou morar? Faz muito calor nesta terra? Qual o pacote salarial? Tem plano de saúde? Quais são os benefícios? E escola para as crianças?
Deus não dá o endereço final a Abraão, mas o convida a seguir um roteiro que só ele mesmo conhece. Esta é a trilha da fé e da obediência. O chamado desafia a depender da provisão e sabedoria de Deus. Não sei o que me aguarda no futuro, mas sei quem me espera no futuro.

  1. O chamado tem sempre promessas a quem o segue – “De ti farei uma grande nação, te abençoarei e te engrandecerei” (Gn 12.2).
Isto não significa que será uma vida sem lutas. Na caminhada de Abraão a primeira experiência na “terra prometida”, é a fome (Gn 12.10). É uma estrada repleta de percalços. O que nos mantém no caminho? A convicção de que quem anda por este caminho não erra: Deus fez a promessa, e ele faz nos sustentar. Este texto nos ensina que a responsabilidade do cuidado vem de Deus e quem faz as promessas é fiel. Deus quer apenas usar o currículo que ele mesmo nos deu para cumprir seu propósito na história.

  1. O chamado não tem o objetivo apenas de nos abençoar, mas de abençoar outros também –  Sê tu uma benção” (12.2) .
Deus queria abençoar todas as famílias da terra através de Abraão. Este era o plano para sua vida. Abraão estava numa zona de conforto, e Deus o tira daquela situação confortável e o coloca numa vocação, dando-lhe sentido e projeto para a alma. É um chamado para outros, não apenas para nosso bem estar, para projeção pessoal, ou mesmo para ganhar dinheiro, mas para abençoar.

  1. Não existe limite de idade para a vocação: Coloque seu currículo à disposição de Deus, e inscreva-se hoje! As vagas estão abertas!
“Tinha abraão 75 anos”: Não era um jovem. Para Deus, não existe vocação tardia, toda vocação vem no tempo certo! O convite à obediência e vocação deve ser atendido na hora em que chegar. Se Deus fala, é melhor atender e percorrer a vocação dada. Tudo o que você conquistou até hoje, todo seu cabedal de conhecimento, tudo o que você sabe fazer, pode ser colocado nas  mãos de Deus para que ele aplique para expansão de seu reino na terra.

  1. Você deve glorificar a Deus, fazendo o que você faz. É na caminhada que tudo o que você tem e é, transforma-se numa experiência de adoração.
Quando Abrão chega à terra prometida, a primeira coisa que ele faz é levantar um altar. No carvalho de More, faz o seu primeiro culto “Ali edificou Abraão um altar ao Senhor” (Gn 12.7). Em seguida, faz outro altar, agora entre a Betel e Ai (Gn 12.8). Ele entendia que, antes de qualquer coisa, o mais importante era seu relacionamento com Deus. O grande chamado é para ser .
Quando Jesus escolheu seus doze apóstolos, é interessante notar que o fez depois de passar a noite inteira orando. Mas seu chamado inicial era “para estarem com ele”, e não para fazerem algo por ele. Só depois, lhes deu tarefas “Jesus subiu a um monte e chamou a si aqueles que ele quis, os quais vieram para junto ele.  Escolheu doze, designando-os como apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar  e tivessem autoridade para expulsar demônios. (Mc 3.13-15).

Conclusão:
Qual é o seu currículo? O que você tem nas mãos?
Deus quer usar sua vida, onde quer que você esteja: Na fabrica, na escola, no restaurante, nas diversas funções e profissões que cada um de nós possui. Traga a Deus sua vida, e veja que ele pode, através de você, “abençoar todas as famílias da terra”.

Is 54.1 EU TENHO UM SONHO!



Introdução:

Um dos mais famosos discursos da história foi pronunciado por Martin Luther King Jr, diante do capitólio em Washington, no qual declara: “I have a dream”. Eis alguns trechos do seu discurso:

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e
amanhã. Eu ainda tenho um sonho.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes
de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa
da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira
com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um
oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação
onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um
sonho hoje!

Eu também tenho sonhos!
Como pastor e como ser humano tenho sonhos!
A Bíblia nos fala que uma das características das pessoas que experimentam o poder do Espírito em suas vidas é que, mesmo idosas ainda sonharão! “vossos filhos e filhas profetizarão, vossos velhos sonharão e vossos jovens terão visões” (At 2.4).
O texto do profeta Isaías, nos fala que o povo de Deus, precisa estar focado em duas direções:
A.    A face visível – “Alarga o espaço de tua tenda”;
B.     A face oculta: “Firma bem as tuas estacas”.
Antonio Carlos Sá Costa me disse certa vez que “a nós cumpre dar profundidade, a Deus, largueza”.
Neste texto, o Profeta fala da utopia de uma igreja que caminha em 4 movimentos, sincrônicos e complementares. Eu também sonho com isto. Por onde passam estes sonhos?

  1. Eu tenho um sonho de ver a igreja de Cristo aprofundando suas raízes nos valores do Evangelho“firma bem as tuas estacas” (Is 54.2). A igreja de Cristo precisa tomar cuidado com a superficialidade da sua fé. Historicamente a igreja facilmente se perde.
Gal 1.6: “Admira-me que estejais passando tão rapidamente deste evangelho para outro evangelho, o qual não é outro”.
Jesus ä carta de Sardes: “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, mas estás morta” (Ap 3.1)
Paulo a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina, continua nestes everes, porque fazendo assim, salvaras a ti mesmo como os teus ouvintes” (1 Tm 4.16).
Portanto, não é possível alargar a tenda, sem considerar o fundamento. Crescimento sem aprofundamento gera desequilíbrio. Quando existe profundidade bíblica, os ventos podem vir, mas a tenda continuará firme, porque tem profundidade.
Alguns princípios a serem considerados:
a.       Conhecer melhor o Deus da palavra
b.      Conhecer melhor a palavra de Deus
c.       Aprender melhor a servir a Deus
ü      Servir com tempo
ü      Servir com talento
ü      Servir com tesouro.

  1. Eu tenho um sonho de ver uma comunidade crescendo em números de forma madura e sistemática– parece que esta era a profecia de Isaias para o povo. “alarga o espaço de tua tenda... estenda o toldo da tua habitação” (Is 54.2). para que isto aconteça, ela precisa evitar alguns erros.
ü      Não pode ser ensimesmada e auto centrada. A Igreja de Cristo não pode ser um fim em si mesma. Ela existe para o mundo.
ü      Não pode ser descontextualizada – Precisa ser uma igreja que entende seu tempo, e a geração que está servindo. O texto de Is 54.3 fala de novas gerações. Deus está levantando esta igreja neste lugar, para dar resposta às necessidades desta região. A Bíblia afirma que Jesus pregava “conforme a capacidade de seus ouvintes”(Mc 4.33). isto significa, que ele considera o seu público, o alvo de sua mensagem.
ü      Não pode pensar pequeno:
a.       “Igreja boa é igreja pequena”.
b.      “Não queremos igreja grande”
c.       “Preferimos qualidade a quantidade”
80% das igrejas atualmente encontram-se no plateau on declínio. A igreja precisa ser desinstalada para atingir o propósito de Deus na história.
Temos que fazer o ministério com base na promessa de que a seara é grande, há muito a fazer, a colheita é ampla. Precisamos olhar com fé o crescimento da igreja local.

  1. Eu tenho um sonho de ver uma igreja com os olhos missionários abertos – missões para mim significa tudo aquilo que a igreja faz que vai além de si mesma. “transbordarás para a direita e para a esquerda” (Is 54.3). Se a igreja existe apenas para auto manutenção, deixa de ser um organismo vivo.
ü      Olhar para a cidade, resgatar a vocação de plantar igrejas, de sustentar novos projetos, de alocar recursos para novas áreas.
ü      Crescimento espiritual – “transbordarás para a direita e para a esquerda”. (Is 54.3). Onde queremos estar daqui cinco ou 10 anos? Queremos estar só ou sermos mães de outras comunidades?
ü      Ministrar aos pobres e necessitados através de projetos sociais.
ü      Acolher o solitário, o órfão e a viúva através da comunhão.
ü      Olhar para o mundo – alcançando regiões não alcançadas com o Evangelho.

Conclusão:
O texto faz uma chamada interessante: “canta alegremente o estéril, que não deste à luz, exulta com alegre canto e exclama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária do que os filhos da casada, diz o Senhor” (Is 54.1).
Este é o ponto de partida. Ter sonhos com alegria e pensando na colheita que o Senhor da Seara tem designado, fazer a obra do Senhor com alegria. 
Este é o meu sonho com relação ao futuro desta comunidade!