terça-feira, 22 de maio de 2012

Mc 10.46-52 QUE QUERES QUE EU TE FACA?

Introdução: Uma numerosa quantidade de pessoas seguia Jesus. Em algumas ocasiões, chegava a 5000 homens, sem contar mulheres, já que elas não entravam nas estatísticas. Um dia, ao passar por Jericó, a cidade das palmeiras, uma das cidades mais antigas do mundo, com cerca de 13 mil anos, um homem chamado Bartimeu, começou a gritar desesperadamente: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim". Normalmente, os leprosos, cegos, pedintes e prostitutas ficavam na porta da cidade. O texto nos afirma que ele encontrava-se “assentado à beira do caminho” (Mc 10.46), uma descrição característica de gente que vive na periferia e na margem da vida. Bartimeu tinha nome, sua família era conhecida, mas sua tragédia pessoal o colocou à margem. Sua situação era irreversível: ele era cego! Sua cegueira aliou-se à falta de oportunidades e à necessidade de sobrevivência, levando-o a uma vida de dependência e mendicância, como outros tantos que viviam marginalizados. Sua vida de abandono e seus parcos recursos o levaram a viver muito aquém da linha da esperança. O nome de Jesus cria expectativa, gera fé. Esta fé o capacita a “ver o invisível”, faz renascer nele uma nova esperança, a despeito das circunstâncias adversas, passa a “crer contra a esperança”. Bartimeu é tomado por uma convicção de que esta oportunidade não podia ser perdida. Ele não conhece a Jesus, mas já ouvira falar dele e de seus milagres. Quando Jesus se aproxima dele, ele começa a gritar com todas as forças da alma: "Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim", a ponto de incomodar os outros. Nem sempre consideramos a dramaticidade deste texto. Bartimeu clama! O seu clamor é um brado, um gemido, um grito inquietante e sua resposta aos que o impediam de gritar foi a de clamar ainda mais (Mc 10.48). Tentam sufocar sua alma, colocá-la em silêncio, mas ele grita ainda mais.. Só ele sabe quanto dói a sua angústia. Clamor é o gemido da alma. Quem clama e ora é porque percebe que precisa fazer isto. O salmista parece entender isto ao afirmar: "À tarde, pela manhã, e ao meu dia, farei as minhas queixas ao Senhor e lamentarei, e ele ouvirá minha voz" (Sl 55.17). Ele não deixa de clamar porque os outros querem que ele se cale. "Muitos o repreendiam" (vs. 48). mas ele que sofre, sabe a sua própria dor, sabe o que é ser cego e estar vivendo à beira do caminho. Viver sem viver, viver pela metade, viver sem sentido. Viver sem perceber a vida. Jesus então interrompe sua caminhada e o chama para perto de si. O chamado de Jesus o reanima, e ele assume uma atitude simbólica muito interessante, "lançando de si a capa". Capa era sua proteção, no frio e na chuva. Ele não precisava mais dela. A capa era sua defesa, mas ela agora nada mais significa. Algumas das coisas mais significativas do passado em nossa vida, se a gente insistir em manter serão nada mais do que peso. Dependência de coisas do passado são pesos mortos, valores e princípios que não mais servem. Bartimeu joga fora aquilo que era seu bem mais precioso para sua cegueira e pobreza que o havia acompanhado a vida inteira. Paulo diz: "Deixando as coisas que para trás ficam, prossigo para o alvo..." mas a mulher de Ló não conseguiu superar a perda de coisas que ficaram para trás, pois estava amarrado a suas lembranças e experiências. Não conseguiu lançar de si sua capa. Seu encontro com Jesus foi, digamos, frustrante, pois Jesus, ao se aproximar dele faz uma estranha pergunta: "Que queres que eu te faça?" (10.51). Jesus encontra-se com um homem cego e lhe pergunta o que você quer? Não era óbvio demais? O que um cego pode querer? Esta pergunta não parece estranha? Por que Jesus faz esta pergunta? A. Jesus faz esta pergunta, porque nem sempre doentes querem ser curados. Nossas enfermidades, muitas vezes se transformam numa desculpa e justificativa para o doentio estilo de vida que temos. Nossa doença torna-se o nosso álibi. Já ouviram falar em hipocondria? Determinados fracassos e doenças podem ser a forma que usamos para manipular e chamar a atenção dos outros. Existe uma doença terrível que usamos mais costumeiramente que acreditamos: O vitimismo! Será que realmente queremos a solução de nossos problemas ou encontramos prazer secreto na nossa dor? Falar e articular nossos desejos nos leva de encontro aos nossos medos, nos ajuda a refletir sobre nosso ponto de tensão, nossa dor, mensurá-la, a entendê-la, a não criar subterfúgios. É exatamente isto que Jesus faz, ao perguntar-lhe: "Que queres que eu te faça?" Nem sempre as pessoas querem cura para seus problemas ou resolver seus problemas. O hipocondríaco está interessado em cura ou na manutenção da doença? A doença é o seu mecanismo de fuga! A pessoa que se acha vitima do sistema, da vida e de Deus encontra sentido nesta existêencia patológica de auto comiseração e auto piedade. Existem muitos relacionamentos truncados, nos quais a pessoa não deseja se libertar, pois de alguma forma patológica, a enfermidade (neste caso, o relacionamento), pode ser interessante. A pessoa passa a encontrar significado no outro, ainda que doentiamente. Erich Fromm analisou casos como estes em psiquiatria chamando-os de “simbiose incestuosa”, na qual duas pessoas continuar a viver juntas para se matar, mas de alguma forma este relacionamento ainda faz sentido. Certa vez lidamos com uma jovem que vinha do satanismo, mas quando foi confrontada com o custo do discipulado cristão preferiu não abrir mão da vida de promiscuidade e coisas que a satisfaziam no satanismo. Ela sabia que ela iria morrer se continuasse seguindo aquele caminho, mas não queria abandonar as coisas que o diabo lhe oferecia. Outro jovem, que cresceu na igreja, ao ser confrontado com a necessidade de abandonar seu pecado para seguir a Jesus, afirmou que não queria, porque gostava do pecado e queria viver daquela forma, mesmo entendendo as conseqüências de virar as costas para Jesus e rejeitar o convite do discipulado. Certo pastor foi orar com uma pessoa possessa de espírito maligno, e ao chegar àquela casa, se recusou a orar por aquele rapaz, porque percebeu que ele queria apenas fugir dos sintomas da perturbação, mas não queria lidar com as causas de sua perturbação e não queria deixar a macumba. B. Jesus também fez esta pergunta porque ele quer que elaboremos nossa dor e desejo, caso contrário, não haveria sentido em orar. Para que orar, se Deus já conhece nossas palavras antes mesmo que a profiramos? Oração não é para que Deus saiba, Ele já conhece nossas palavras, mas é a demonstração de nossa dependência e confiança na sua provisão. Oração é uma palavra dita com desejo. Nós não oramos para que Deus saiba de nossos problemas, mas para estabelecermos comunhão. Oração não é um pé de cabra para forçar Deus a tomar uma ação diferente da que ele gostaria de tomar. Perguntaram a Madre Tereza de Calcutá: “O que você fala quando ora?” E ela disse, “Nada, eu apenas escuto”. E então tornaram a perguntá-la: “E o que Deus fala?”. Ela respondeu: -“Nada, ele apenas ouve!”. Oração é uma oportunidade de clarear nosso próprio desejo e lançar luz na nossa confusão, ajudando-nos a discernir nossas reais necessidades. Quando oramos definimos melhor nossos alvos e objetivos. Ao orarmos, temos a oportunidade de aprofundar e distinguir o que realmente queremos. Muitas vezes pensamos que queremos um bem material, quando na verdade estamos atrás de coisas que possam preencher mais significativamente nosso coração. Desejo excessivo por coisas revela o anseio de nossa alma que ainda não encontrou sentido e procura preencher o vazio comprando objetos mais caros e mais sofisticados. Oração nos ajuda a discernir nossos reais desejos. Se lhe fosse dado chance de dizer a Deus qual é o seu ponto de desequilíbrio, a deficiência de sua visão, o que você diria? O cego disse: que eu torne a ver! Nossas palavras substancializam nossos desejos, tornando-os reais. Por isto, depois de ouvir o desejo de Bartimeu, Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te salvou” (Mc 10.52). . Na hora de nosso clamor, porém, muitos se inquietarão com nosso clamor. O texto afirma que muitos o repreendiam para que se calasse. Existem sempre os que se sentem incomodados com nossa dor. Qual é a reação do cego? “mas ele gritava cada vez mais” (Mc 10.48). Ninguém conhece a nossa dor e o valor daquilo que nosso coração busca, e Jesus restaura a visão daquele cego. Visão tem algumas dimensões interessantes:  Visão tem a ver com perspectiva – Muitas vezes perdemos a perspectiva e sonhos, a capacidade de enxergar oportunidades. Barna define a visão como a “antecipação do futuro”. Muitos perderam a capacidade de esperar algo bom da vida. Transformaram a vida em mera repetição de eventos, sem um significado e valor maior. Perderam a capacidade de expectativa. Steve Jobs falava aos acionistas da Apple sobre a necessidade de “imputar grandeza” àquilo que faziam. Acho que é exatamente isto que faz a grande diferença entre vitoriosos e fracassados. Alguns possuem perspectivas, e vivem dentro desta disposição, outros não.  Visão tem a ver com luminosidade. Nossa capacidade de ver traz cores ao nosso mundo não permitindo que nosso universo seja sombrio e escuro. Quando vemos, criamos senso estético, vemos as formas, contemplamos de longe. Com a visão somos capazes de perceber sombras e contrastes, distinguir entre luz e trevas: Ver as cores, tonalidades.  Visão revela movimento – traz noção de que as coisas não estão estagnadas, mas em processo. Com a visão discernimos a velocidade e a marcha lenta, a vida torna-se ativa, revela sua dinâmica. Quem enxerga vê a vida em constante mudança. O texto paralelo de Mt 20.29-34 nos diz que Jesus, condoído, toca-lhe os olhos (Mt 20.34). A sua situação provoca compaixão em Deus, Jesus se move em direção a este moço. Jesus ministra cura: "Vai, a tua fé te salvou?". Pessoas carregadas de fé acessam os canais de bênçãos de Deus. Fé é uma moeda de grande valor no mundo espiritual. Conclusão: Normalmente nos apegamos muito à cura física esquecendo o maior milagre que Deus quer fazer em nossa vida, que é o de nos transformar em seus discípulos e seguidores. A Bíblia não faz qualquer outro registro acerca de Bartimeu a não ser neste texto e nos outros evangelhos sinóticos, mas este texto nos afirma que depois da cura, ele "seguia Jesus estrada fora" (10.52). O grande desejo de Jesus é que tendo restaurado nossa visão, sejamos capazes de enxergar a coisa mais bela de nossa vida que é o processo de discipulado. O texto afirma que assim que passou a ver, começou a seguir Jesus. Este é o grande milagre que Jesus pode fazer em nós, iluminar os olhos do nosso coração para nos tornarmos seus seguidores. A maior visão é aquela que nos capacita a crer em Jesus e a segui-lo e a recobrar nossos sentidos espirituais. Nenhum projeto é mais importante que este. A maior cegueira da vida é nossa incapacidade de seguir a Jesus. A sua nova visão gera um novo estilo de vida. Bartimeu quer seguir a Jesus. O contacto com Jesus cria nele uma nova experiência de viver. El Rancho 14.6.2003

Gn 1.1 No princípio ... Deus

Introdução: O livro dos princípios, ou mais conhecido como Gênesis, abre o Cânon Sagrado, a Bíblia com uma declaração enfática: "No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Segundo este texto, o mundo não é eterno, somente Deus. “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Deus surge sem cartão de visitas. Não há necessidade de apresentação, Ele simplesmente é. Quando Moisés tenta descobrir seu nome, ele afirma: “EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel : EU SOU me enviou a vós outros” (Ex 3.14). A Bíblia não se detém para provar que Ele existe, apenas afirma que Ele existe. Deus é, na linguagem de Jung, um dos arquétipos da raça humana. Todos os seres trazem em si mesmos, um conceito de sacralidade, do misterioso, do “Numinoso” (Otto Rank). A Bíblia afirma que “Os atributos de Deus, assim como a sua eternidade divindade, são claramente reconhecidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso, indesculpáveis” (Rm 1.20). Nenhum ser humano será isento de julgamento sobre a existência de Deus, porque insistentemente a sua criação proclama a realidade de sua existência (Sl 19.1). "No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Para Moffat, "Céus e terra" se referem ao universo com toda sua estrutura e sistema. A Bíblia anuncia que a matéria foi criada antes da existência da vida humana. Certa vez perguntaram a Agostinho o que Deus fazia antes de criar o universo, e ele respondeu asperamente: “O Inferno, para colocar pessoas com perguntas estúpidas como a sua”. Certamente a sua resposta não foi polida. 1. Qual é mais fácil admitir: A criação feita por um ser inteligente, racional ou a matéria cega e inerte gerando a si mesma? Este é um dos argumentos racionais (ontológicos) usados por Thomas de Aquino, teólogo da Idade Média. Para provar a existência de Deus dizia que era necessário evocar a idéia do primeiro motor. Todas as coisas provêm de um outro motor que impulsionou os demais movimentos, mas qual foi este primeiro motor? A Bíblia afirma que este mundo é o mundo de Deus, nascido por causa de sua palavra. Por meio da sua palavra, todas as coisas vieram a existir. Lei do primeiro motor - Não existe nada causado sem causa, os átomos surgem de uma primeira força, de uma energia que o antecede, desde os menores elementos possuem uma força por detrás delas. Gn. 1.1-3; Rm. 4.17 É o que os cientistas atualmente chamam de “partícula Divina” Emil Brunner, no seu clássico, “Nossa Fé”, já no primeiro capítulo, introduz a discussão com a provocativa pergunta: "Existe Deus?" Para Brunner, tanto faz dizer que sim ou que não, por que Ele continuará existindo da mesma forma, sendo sempre o que sempre foi. Deus não deixa de ser real porque alguém não acredita na sua existência. O termo “criar”, do vs. 1, vem do hebraico “Barah”, e significa “criar, sem o auxílio do material pré existente”. Quando os hebreus usavam o termo “Barah”, para falar de algo criado, referiam-se exclusivamente a Deus (Hb 11.3). Criar a partir do nada é prerrogativa divina. A natureza pode mudar, a partir daquilo que já existe nela. Os cientistas “criam”, juntando a química dos elementos gerando novas substâncias e bactérias, mas tal criação precisa de elementos anteriormente criados por Deus. Satanás não cria, copia. Os cientistas trabalham o material básico deixado por Deus. Einstein chegou a afirmar que em cada descoberta ele estava pensando os pensamentos de Deus. O ponto de partida da teologia bíblica precisa ser “a criação”. Alguns teólogos tem, com razão, criticado a teologia atualmente pregada, afirmando que ela começa da queda, mas que precisamos resgatar a idéia do projeto de Deus, realmente é importante pensar assim, porque antes da queda da raça humana registrada em Gn 3, temos a maravilhosa descrição bíblica da genialidade de Deus, expressa na sua artística criação. Quando Deus completou a sua obra, ele disse que tudo era “muito bom”, no sentido estético e ético. As coisas eram harmônicas, belas, mas eram também eticamente corretas. Criação perfeita. Resgatar os aspectos doutrinários da criação é um grande desafio para nossa vida. A obra da criação é antagônica aos seguintes conceitos seculares ensinados em nossas academias e universidades: 1. A criação divina se opõe ao ateísmo. Se Deus criou, o mundo não é fruto do acaso ou do nada. Existe uma inteligência superior e poderosa por detrás de tudo o que vemos. Enquanto os sistemas pagãos falam de um universo desgovernado, a Bíblia afirma a ordem e a harmonia de todas as coisas realizadas pela palavra de poder que existe em Deus. Ele não apenas é o criador, mas é também o seu mantenedor. 2. A criação se opõe ao politeísmo. A Bíblia não fala de outros deuses, nem de demiurgos criando as coisas, mas fala de um único Deus, criador de tudo o que existe. O conceito de Deus e entidades é muito presente em religiões animistas. No Brasil, o candomblé e a macumba exploram muito este conceito das entidades e forcas espirituais criativas. A Bíblia fala apenas de Deus, e ele deve ser exaltado por causa de sua criação. “Porquanto tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1.21-22). 3. A criação se opõe ao materialismo – A Bíblia não afirma que as coisas do encontro casual de amebas e átomos, nem atribui inteligência, ordem e harmonia à matéria, mas afirma que Deus tudo criou. A matéria não possui inteligência, ela foi criada pelo propósito soberano de Deus. 4. A criação se opõe ao fatalismo – As coisas não estão desgovernadas e sendo conduzidas acidentalmente. Existe a agência e a soberania de um ser Supremo, que faz todas as coisas, segundo sua própria vontade, para executar seu propósito. A natureza foi criada para um plano divino. Não estamos seguindo para o caos, mas para o sentido. O Livro de Apocalipse mostra isto, ao revelar que “tudo está sob controle”. Os céus não são pegos de surpresa e Deus conduz a história e é Senhor da história, dentro de seu plano soberano e sábio. Não há maktub ou fatalismo. 5. A criação se opõe ao evolucionismo – O princípio filosófico que existe nesta teoria tida como cientifica, é o da “geração espontânea”. O problema deste sistema de pensamento é que ele implicitamente exclui Deus. Deus sofre um problema habitacional nos métodos científicos, sendo excluído do universo. Segundo esta teoria, o mundo estaria se organizando e encontrando seus caminhos, sem nenhuma supervisão divina. 6. A criação se opõe ao panteísmo – Este sistema de pensamento afirma que “Deus é tudo e tudo é Deus”. A Bíblia ensina que não. Uma coisa é a criatura, outra o criador. A natureza é obra de Deus. Nós não somos deuses, mas criaturas. As florestas não são entidades animistas, nem as cachoeiras possuem vida e são realidades espirituais. As coisas que existem são criadas por Deus, e anunciam a existência de um Deus. 7. A criação se opõe ao deísmo – Esta teoria afirma que Deus pode até ter criado todas as coisas, mas ele não mais as governa. Seria como um relojoeiro que faz o relógio, mas não tem contacto com sua criatura. Uma criação sem supervisão. A Bíblia diz que Deus está sustentando todas as coisas. Os discípulos entenderam isto de forma dramática, quando Jesus ordena ao mar para se acalmar. “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem”. A criação segue o governo de Deus, ainda que seja tão ferida pela ambição e cobiça humana. Conclusão: Qual é a importância destas verdades para minha vida? 1. A compreensão de um Deus criador e mantenedor traz sentido à existência. A vida abre janelas quando percebemos Deus. Certa jovem me disse que não acreditava em Deus, apenas nela mesma. Eu lhe disse que achava sua vida muito pobre, pois quando não existe a realidade de Deus, nada podemos fazer se nossos recursos pessoais acabaram? A verdade é que o ateísmo é desesperador. Viver sem uma compreensão maior do significado do universo é um grande tragédia. A vida torna-se uma mera sucessão de acasos. Quando entendemos e cremos no Deus que criou toda as coisas a vida encontra sentido. Sabemos da origem, e entendemos porque existimos... fomos criados por um propósito divino. 2. A compreensão de um Deus criador, traz segurança para o presente – Aconteça o que acontecer, eu não sou regido pelo acaso. O poderoso Deus que criou todas as coisas pela palavra de seu poder, também está cuidando de minha vida. Se Deus cuida dos lírios do campo, e valoriza os pequenos pardais, dando-lhes sustento e provisão, não fará o mesmo com a minha vida? 3. A compreensão de um Deus criador, traz esperança para o futuro – Não vivo no caos e no desespero. O Universo não é formado de partículas desorganizadas, mas segue um rigoroso cronograma de ordem e harmonia, eventualmente quebrado pela intervenção humana e pela cobiça. O universo não é caótico, mas possui ordem, simetria e propósito. Estou nas mãos deste Deus, e embora não saiba o que me aguarda no futuro, sei quem me espera no futuro. Rev. Edson Caetano (Black) pastoreava a cidade de Abadiânia, quando foi convidado a participar de um evento político, com uma vertente ecológica. Era uma manifestação pública, o caminhão com o trio elétrico puxava a passeata, e o pastor estava ali presente. Na hora do discurso, o líder do movimento, falava das suas reivindicações, e da luta por habitação, educação, lazer, transporte e saúde. Para demonstrar isto, fizeram um quadro mostrando uma grande árvore, e cada um dos galhos apontava para uma destas solicitações, e foi nesta hora, que o articulador, vendo o pastor Black por ali, o convidou a subir no palanque, e lhe perguntou o que ele achava. O Pr. Black disse que concordava com a árvore, mas afirmou que havia um problema grave naquele painel: “Não estou vendo a raiz da árvore. Qual é a raiz?” E aproveitando este momento, falou que a raiz era Deus. Ele dava o suporte para todas as demais causas legitimas que estavam sendo reivindicadas naquela manifestação. O princípio é simples: Sem Deus, a árvore não tem sustentação. Que Deus nos ajude!

Gn 1.1-25 Por que foi criado o Universo?

Introdução: Sempre achamos que existe algo errado com a criação. As deturpações, aberrações da natureza, a dor e o sofrimento, as tragédias e calamidades nos levam a pensar que este universo é caótico e que encontra-se assim porque não tem governo. No entanto, do ponto de vista da ciência e da Bíblia, vivemos num universo absolutamente integrado e harmônico, com chuvas, estações, gravidade, movimentos, um ecossistema que se equilibra e se organiza. Muitas das tragédias e calamidades da natureza apontam para a ganância e vaidade humana, que solapa os alicerces da natureza. A Biblia fala que Deus criou o universo, absolutamente harmônico. Os primeiros versículos da Bíblia são essenciais para se entender as Escrituras Sagradas. Deus se apresenta sem cartão de visitas. A grande questão de Gn 1.1 não é onde e quando, mas porque e quem. Enquanto os cientistas se preocupam em datar e estabelecer onde seria o ponto de partida de tudo, o principio causador, a Bíblia começa afirmando Quem. A Bíblia afirma que “Deus criou os céus e a terra”, e que, na medida em que se dava a criação, Deus apreciava sua estupenda obra, e por isto a expressão “e viu Deus que tudo era bom”, ocorre 4 vezes (Gn 1.10,12,17,21). O termo “no principio” (Hebraico: Bereshit), é traduzido na septuaginta para o grego “en arché”, daí as palavras “arcaico”e “arquétipo”, dando a impressão de coisas muito primitivas e remotas. Tim Keller, analisando este texto afirma que a grande preocupação aqui não deve ser COMO, mas PORQUE da criação. Quais as implicações que este texto traz para a raça humana. A Bíblia inicia seu relato com uma afirmação: "No princípio criou Deus os céus e a terra". 1:1 A primeira mensagem que ela quer deixar é que por detrás deste universo, existe um ser superior, uma inteligência, que este mundo não é mera soma de acasos. Deus é auto-criado, e é a partir dele que surgem todas as coisas. Este texto apresenta algumas dificuldades de interpretação: Para C.Hodge e John Stott, existe um intervalo entre Gn 1.1-1.2, nos quais teriam surgido os dinossauros e outros animais não descritos na Bíblia. Agostinho e Thomas de Aquino,interpretam “dias” não como 24 horas, mas “eras”, já que na septuaginta surge o termo “eons”, portanto, não seria uma linguagem literal, mas simbólica. Esta era disforme seria o que conhecemos por neolítica e paleolítica, ou mais comumente conhecido como “era jurássica”. Por milhões de anos, a terra estaria sem forma e vazia, e o espirito de Deus, “pairava” sobre as águas (literalmente “chocava”). Foi quando Deus deu ordem para que a natureza tivesse a forma tão qual a conhecemos nos dias de hoje. Por trás do conceito da criação, existem conseqüências espirituais profundas. Quais são estas implicações? 1. A criação reflete o senso estético e moral de Deus – “e viu Deus que tudo era bom”(Gn 1.10,12,17,21). O cosmo reflete uma inteligência moral, transmitindo ideia de ordem e não anarquia ou caos. Todos os elementos cósmicos estão sincronizados. Existe alguém inteligente e criativo por detrás de todo este movimento intergalático, dos sistemas solares, bem como sobre os seres minúsculos, como os insetos, bactérias e vírus. Existe um propósito neste mundo aparentemente frio e repleto de causas/efeitos. Além disto, este Deus é alguém presente e ativo, não é um ser amorfo, indiferente e impessoal. Faz as coisas segundo sua própria visão, e as coisas acontecem pela sua palavra. Existe um ser que domina todas as coisas e isto se torna a razão e o fundamento último do ser e do agir de tudo. Tudo caminha de forma absolutamente sincrônica, harmônica, complementar, com perfeito equilíbrio entre sistemas, ecologia e estações. Além do mais, possui estética, beleza. O homem ama o belo – Esta é uma das dimensões do sagrado em nós. buscamos excelência, visual, forma, conjunto, design, beleza. O belo, porém, pode se desvirtuar tornando-se algo idolátrico em nós, que tende a substituir nossa adoração a Deus, pelo belo. É assim que muitas pessoas, impressionadas com o belo sacrificam sua fé, valores, princípios e família. O belo desvirtua-se em paixão e Deus deixa de ser prioritário, sendo substituído pela forma. Em Paris, existe um famoso museu que estampa em sua fachada os dizeres: “Para a glória da arte!” Isto contrasta diretamente com a compreensão de Juan Sebastian Bach que escrevia nas partituras de musicas que compunha: “Soli Deo Glory!”. Bach também buscava a excelência e o belo na musica, mas colocava Deus como objeto de sua adoração. Berkhof afirma: “Deus criou primeiramente para Receber glória, mas para tornar sua glória saliente e manifesta. As gloriosas perfeições de Deus são demonstradas em toda sua criação” (Teologia sistemática, pg. 127) No vs. 2 lemos: "A terra era sem forma e vazia". É a ameaça do negativo. O caos, as trevas, o informe, o abismo. Deus tira o caos do universo criado, assim como tira o caos de minha vida sem sentido, da minha existência sem razão. Dá sentido ao meu modo de viver, me enxerta de razões para viver. Curiosamente, a primeira coisa que Deus produziu em meio ao caos foi a luz: "Haja luz!". Deus fez o universo para seu deleite. Depois de ter feito todas as coisas Deus aprecia o que fez afirmando que tudo era muito bom. Deus revela aqui um profundo senso estético, Deus é um arquiteto que faz tudo a partir de sua capacidade criativa e tem prazer naquilo que fez. Como um músico, um poeta, um engenheiro, um artista que vibra com aquilo que concluiu. A criação foi feita por Deus, para que ele pudesse apreciá-la. Um dos programas prediletos meus na TV é aquele que costuma apresentar lugares inóspitos e pouco conhecido dos homens. Algum tempo atrás foi mostrada uma cena monumental: Uma montanha íngreme, que tinha no final de sua escarpa inacessível, uma pequena floresta com muitas flores. Quando minha esposa viu aquilo ela afirmou: Isto aqui foi algo que Deus fez só para apreciar, já que é algo tão inacessível a animais e homens. 2. O Propósito da criação é glorificar a Deus – Deus fez a natureza para sua glória – “os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” (Sl 19.1). Pe. Antonio Vieira comentando este texto afirma que os céus foram os primeiros pregadores, anunciando a gloria de Deus a todo universo. Paulo afirma que “os atributos de invisíveis de Deus, assim como o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1.20). Deus é por nós discernido através da obra de sua criação. O por do sol reflete a gloria e majestade de Deus. As arvores, aves, chuvas, ventos, mar, floresta, campo falam-nos desta revelação geral que Deus faz de si mesmo. Um antigo hino assim afirma: “As grutas, as rochas imensas, Dos vales, o grande esplendor, Proclamam bem alto e constante, Um hino de glória ao Senhor” Deus fez a natureza para anunciar sua presença. O texto de Romanos diz que porque a natureza anuncia os atributos invisíveis de Deus, os homens são inculpáveis diante de Deus. Ninguém poderá chegar a Deus e dizer, não conheço a Deus¸ porque Deus é percebido por meio das coisas que foram criadas. “Os céus proclamam a glória de Deus” (Sl 19.1). Quando vemos a natureza e a apreciamos vemos a presença de Deus, vemos o rosto de Deus. A natureza é tanto proclamação quanto juízo. Quando recusamos a admitir a natureza de Deus, somos indesculpáveis (Rm 1.20). 3. Por ser criação divina, a criação deve ser tratada como algo sagrado. No designo da criação, Deus colocou o homem para cuidar da natureza. O texto descreve a profunda unidade entre a terra e o homem – “formou Deus o homem (Adam: ser humano) do pó da terra (adamã, ou terra cultivável) (Gn 2.7). Não considerar a natureza é desconsiderar a nossa raiz. Agressão à natureza é agressão contra nós mesmos. As frases bíblicas “tenha o homem domínio sobre os peixes do mar... (vs 26) e “enchei a terra e sujeitai-a e dominai sobre os peixes do mar” (vs.28) de ensejo para muita distorção. Historicamente a natureza tem sido oprimida e maltratada gerando desequilíbrio no ecossistema. No entanto, o texto aponta para a responsabilidade do homem com a natureza, já que Deus o “Colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar…”.(Gn 2.15 ). Ao homem foi dada a responsabilidade de exercer, com prudência e zelo, o cultivo e a guarda da terra. Cultivo tem a ver com a relação de produção. Terra é fonte de riqueza, alimentação e extrativismo. Mas, mais do que isto, Deus nos colocou para guardá-la. A terra precisa ser protegida, amparada. Conclusão: A questão ecológica não deveria ser defendida, prioritariamente, pelo Green Peace, mas pelos cristãos, que receberam este “mandato cultura” para cuidar da terra e protegê-la. Cristãos não deveriam investir em empresas que provocam danos ecológicos. Existe muita dor na natureza, causado pela cobiça e ganância. Em Rm 8.18-23, a Bíblia descreve a natureza como que sofrendo dores, por causa do pecado da raça humana. Pecados individuais possuem dimensões cósmicas, já que o universo é um sistema integrado. A obra de Cristo aponta para a re-criação e restauração de todas as coisas, não apenas espirituais, mas físicas. O plano da redenção envolve também um resgate do cativeiro da natureza, produzida pela queda da raça humana. Em 2 Pe 3.18, lemos que com a vinda do Senhor, “os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas”. O texto descreve que a terra sofrerá uma enorme hecatombe. Já em Ap 21.1,2, vemos uma nota de esperança, brotando da restauração de todas as coisas. “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”. Em Gênesis, vemos Deus criando o universo harmônico; em Gênesis vemos também a natureza produzindo cardos e abrolhos, e sendo atingida pelo pecado humano, mas Apocalipse nos fala de uma re-criação: Deus fará surgir novamente a natureza, da forma como sempre intencionou que existisse. Samuel Vieira 12 de Maio 2012

Mc 11.15-19 PERIGOS DE UMA RELIGIÃO ACOMODADA

Introdução : Este texto nos ensina várias lições: (a)- É possível ser profundamente religioso e mesmo assim ofender a Deus no exercício da religiosidade; (b)- Grandes desvios espirituais surgem com fachadas de atitudes de bom senso; (c)- Pequenas permissões trazem grande permissividade, por isto os alcoólatras anônimos tem um princípio de que uma pessoa viciada não pode fazer concessões, ainda que seja mínima: "nem um gole"; (d) Determinados costumes são trazidos para dentro da igreja e nem sequer sabemos quem e onde começou, e de repente se torna um sistema; (e) O diabo sempre vai achar meios de penetrar na Igreja através das brechas e concessões que são feitas; (f) Gente bem intencionada pode se envolver em práticas que trazem a ira de Deus sobre suas vidas. Ambiente: Por que Jesus se mostrou tão duro ao lidar com os vendilhões do templo? Literalmente falando, Ele “virou as mesas”. Duas práticas simples estavam ali presentes, mas que apontaram para problemas internos muito sérios: a. Venda de animais para o sacrifício; b. Troca de moedas para estrangeiros. Havia um sistema de câmbios no templo. Os dois problemas estavam relacionados ao culto, tinham uma relação com o adorador. O que isto tem a ver conosco? Quais são os pecados implícitos neste texto que levaram Jesus a ter uma reação tão inusitada e agressiva? 1. O sistema religioso possui uma enorme capacidade de se tornar meio de opressão e exploração - Estes homens estavam explorando os fiéis. Os judeus criaram ali um sistema de câmbios no qual trocavam as moedas e vendas de animais para o sacrifício. As pessoas que vinham de fora de Jerusalém traziam as moedas de seus países, não era difícil ter cerca de 2 milhões de pessoas na época das páscoa, e todo judeu, ou prosélito (convertido ao judaísmo) com mais de 19 anos deveria pagar ao templo a taxa de quase dois dias de trabalho de um operário. As taxas tinham que ser pagas em Shekels da Galiléia ou do templo, pois as demais moedas eram consideradas impuras. Contudo, ao fazer o câmbio, eles taxavam profundamente os adoradores simples e fiéis que se aproximavam sinceramente diante de Deus. Sistemas religiosos facilmente exploram os adoradores, e passam a negociar para ter lucros em nome de Deus e criar estruturas que exploram o fiel. Durante a Reforma, vimos a igreja vendendo pequenas imagens e até perdão de pecados através das indulgências, as religiões facilmente se transformam em negócios. Atualmente vemos a manipulação da fé de pessoas desesperadas, nos programas que atraem milhares de pessoas atrás de uma cura ou de uma resposta imediata ou das estruturas comercial que gira em torno de santinhos e objetos sagrados nos centros de romaria e peregrinação do Brasil. Cultos podem perder sua reverência e se tornar um business. Os líderes religiosos aliados aos comerciantes instrumentalizaram a fé dos peregrinos nos dias de Jesus, assim como hoje as religiões sabem fazer. Mesmo quando um culto tem verdadeiros fundamentos, voltados ao Deus verdadeiro, pode se tornar algo fortemente corruptível, nas mãos de líderes carismáticos e corruptos. 2. Adoração facilitada - O que estavam fazendo? Facilitando a adoração. Parece que existe tanto bom senso no que estão fazendo. Trocava-se moedas para se adorar a Deus, vendia-se animais para sacrificá-los. Os gestos parecem inofensivos, afinal, as pessoas vinham de longe. Já imaginou trazer um cordeirinho de sua casa, que ficava numa região do deserto da Judéia? Atravessar montanhas em procissão, quando podiam comprar na porta do templo e oferecer o sacrifício? Este texto parece nos ensinar que existe um grave perigo neste negócio de tornar fácil a vida do adorador. Nossos cultos tem se tornado quase sempre assim. O alvo não é glorificar Jesus, mas manter o adorador entretido. Todo nosso culto é uma tentativa de fazer as pessoas se sentirem bem. Pregamos coisas politicamente corretas porque não queremos ofender, temos um agradável pastor, falando de um agradável Jesus, numa linguagem agradável, mas será que as pessoas estão entendendo a necessidade de arrependimento e mudança de vida, ou temos feito de tudo para que se sintam bem? Culto tem que ser curto, a música tem que ser de qualidade, grupos musicais tem que cantar bonito e agradar os ouvintes. As pessoas não mais participam do culto, mas elas assistem o culto. Não vem para adorar a Deus, mas para um encontro social agradável. As pessoas se sentem como senhores assentados nos bancos, aguardando o momento de serem servidas, quando deveriam estar aprendendo em como servir a Deus e ao próximo. Os cultos estão centrados nos homens. Ficamos pensando em estruturas, imagens, som, mas onde fica Deus nisto tudo? Jesus percebe que os líderes do templo colocaram tantas coisas dentro dele, que Deus, o principal personagem, já não cabia e estava do lado de fora, e quando Jesus resolveu entrar, já não havia lugar para ele dentro desta estrutura humana e maligna. Tenho visto pessoas tão confortáveis nas igrejas. Não querem pagar preço algum, nem de tempo, nem de vida, nem de compromisso, nem de dinheiro. Stanley Jones afirmou que "Fé que não custa nada, não vale nada". Se seu compromisso com Deus não está lhe custando nada, nenhum sacrifício, fique atento a possíveis riscos. Se você é do tipo que quer uma igreja que tenha dízimo de 8% e bebedouro de coca-cola, você ainda não se comprometeu com o reino de Deus. 3. Jesus denuncia como o pecado paulatinamente pode entrar na igreja – Satanás tem a capacidade de lenta e progressivamente nos acostumar ao pecado, de tal forma que mesmo quando ele se torna tão expandido, não mais nos assustamos com ele. Assim foi sua estratégia na tentação diante de Adão e Eva. Primeiramente ele dá a impressão de que sabe realmente da recomendação dada por Deus, pois afirma: “É assim que Deus disse”. Em seguida, coloca um ponto de interrogação naquilo que era uma afirmação. Coloca dúvidas naquilo que era certo: “Não comereis de toda árvore do jardim?”, e por último, nega o que Deus afirmou: “É certo que não morrerei”, e para fazer isto, lança dúvidas sobre a intenção de Deus, já que afirma que quando Deus estabelece esta lei, ele estava sendo mentiroso, e não queria correr risco na sua soberania, o que ele havia dito, nunca aconteceria. Certo beduíno possuía um camelo e numa noite muito fria ele se surpreendeu ao ver o seu animal colocando uma pata dentro de sua tenda. Compassivo resolveu nada fazer com o animal. Em seguida ele colocou outra pata e finalmente o camelo colocou o pescoço, e a tenda desabou, porque não comportava o animal dentro dela. Assim fazemos com nossas atitudes pecaminosas. Assumimos uma atitude de complacência, barganhamos, não queremos tomar posições, ficamos ali flertando com o perigo, com as tentações e com o diabo, e quando vemos, nossa casa inteira desaba. Como Jesus age diante desta situação? Jesus se torna radical: “Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo” (Mc 11.15-16). Fico sempre pensando na autoridade moral e espiritual para fazer isto. Esta é a única vez que vemos Jesus irado na Bíblia. Sua ira é direcionada contra o pecado. Pecado para Deus é coisa séria. Hebreus fala do pecado como algo que "calca aos pés o Filho de Deus e profana a aliança com a qual fomos santificados, e ultrajamos o espírito da graça" (Hb 10.29). Quais os problemas revelados no texto? A. Os meios tornaram-se mais importantes que os fins - Todas as vezes que o meio e fim forem confusos, tornamo-nos desagradáveis a Deus. Não sabiam mais a razão de estar ali: comércio ou culto? Se o que estamos fazendo é mais importante que o porque, somos vendilhões do templo. Se cantar é mais importante que a razão de estarmos cantando, algo está errado! Para Deus não conta apenas o que fazemos, mas porque fazemos o que fazemos. Como escapar desta armadilha? 1. Nenhum método é sagrado, sim os princípios- Deve-se agir com rigor quanto aos princípios, não quanto aos métodos. Por que estou fazendo? Onde estou querendo chegar? Como estou fazendo? Deus não vê o que fazemos, mas sim o porque fazemos. Podemos ter ações corretas, mas motivações erradas. Auto- promoção? Lucro? Vaidade? Soberba? Deus enxerga as motivações. Não podemos negociar princípios. 2. Nunca devemos pensar que os fins corretos justificam os meios errados- Os meios tem que ser legítimos como os fins, não vale gol de mão. Não podemos embarcar no novo em nome do novo, nem no velho apenas porque é velho. O novo nem sempre é legítimo, e o velho tantas vezes é repetido sem que se saiba porque tem sido feito, apenas pela tradição. A verdade nunca é absolutamente nova, e nem é verdade apenas por ser velha. A verdade não está no novo nem no velho, mas no eterno. Deus está interessado nas razões de nossos atos, não apenas nos atos em si. 3. Nunca devemos achar que as estruturas em si dão favor diante de Deus Nome de Igreja, nome de pastor, construções sofisticadas, ar condicionado no templo, bancos macios. Antes de estruturas, precisamos de Deus e de sua graça, pois se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. 4. Não devemos invejar o aparente sucesso de quem usou métodos excusos para chegar onde chegou. Jamais confunda sucesso, riqueza e prosperidade com aprovação de Deus. Grandes heróis da fé foram homens e mulheres dos quais nunca ouvimos falar. Caráter não pode ser substituído por carisma, nem integridade por aclamação pública. Conclusão: O texto nos mostra: A. Aqueles homens não entenderam a mensagem de Jesus. Ele estava querendo mostrar o coração missionário de Deus. Esta casa tem que estar aberta “para todas as nações” (Mc 11.17). Não apenas para uma etnia arrogante que se firmava na sua história, dizendo ser filho de Abraão, únicos herdeiros das promessas e detentores de toda benção divina. Jesus estava anunciando que a casa de Deus não podia ser fechada, porque seu propósito é permitir que todas as nações conheçam o Deus verdadeiro. No entanto, aquelas pessoas ao invés de serem impactados e se convencerem do erro que praticavam, conspiravam contra Jesus; B. O texto revela também que a obra de Cristo, que deveria transformar interiormente suas vidas, não lhes causa impacto. Apesar de sua religiosidade e talvez por causa dela, não conseguiam aprofundar sua fé. A obra de Cristo não os regenera. Tiveram a oportunidade de mudarem suas vidas, e de serem transformados por Jesus, no entanto, o hostilizavam e planejavam matá-lo (Mc 11.18). Enquanto o povo se maravilha da doutrina de Cristo, eles rejeitavam a obra de revitalização que cristo anunciava. É fácil ser muito religioso e ainda assim ofender a Deus. Nossa religião acomodada e manipulativa, que não exige sacrifício e comprometimento pode se tornar algo hostil a Deus e provocar sua ira. Que Deus na sua misericórdia não permita que isto aconteça conosco! Samuel Vieira

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Mc 10.23 Quem pode ser salvo?

Introdução: 

O homem rico do encontro anterior, por causa das exigências impostas por Cristo para o discipulado, saiu triste e desistiu de segui-lo. Diante deste episódio, o texto mostra que os discípulos se mostraram preocupados, afinal, se justamente aquela pessoa tão boa, cumpridora da moral e dos deveres, fiel na prática de todos os rituais da religião, estava distante do reino, apesar de sua moral tão elevada, o que poderia acontecer com eles?

A preocupação dos discípulos se reflete na pergunta: “Então, quem pode ser salvo?” (Mc 10.26).

Encontramos nestes dois textos duas perguntas correlatas e complementares.
Na primeira, a questão é pessoal: “Que farei pra herdar a vida eterna?”(Mc 10.17),
na segunda, vemos uma questão mais teológica: “quem pode ser salvo?” (Mc 10.26).

Ambas importantes.
Uma fala do processo da salvação, outra fala das credenciais que o homem precisa ter para sua salvação.

 Respondendo a este tema Jesus ensina alguns princípios fundamentais:

1. Não é fácil entrar no Reino de Deus

a. É difícil para os que os que têm riquezas – “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas”(Mc 10.23) e “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”.

Pessoas com muito recursos se tornam mais facilmente auto-suficientes, arrogantes e dependem pouco dos outros. Esta relação facilmente se projeta no relacionamento com Deus.

 b. É difícil para todos os homens – Diante da pergunta dos discípulos “Então, quem pode ser salvo?” (Mc 10.26).

Jesus deixa claro que “Para os homens é impossível, contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível”(Mc 10.27).

Observe que o texto entre colchetes que surge no vs. 24 não se encontra nos melhores manuscritos, por isto pode ser que algum amanuense ou escriba, achando o texto demasiadamente pesado, tenha tentado amenizar sua mensagem.
O texto afirma que os discípulos “estranharam estas palavras” (Mc 10.24).

 c. É impossível para qualquer homem, através de seus méritos e confiança na sua espiritualidade ou moral, entrar no reino dos céus.

Jesus deixa claro que não se trata apenas de ser difícil, mas também impossível (Mc 10.27).
Salvação é impossível pelos méritos ou esforço pessoal. (Mc 10.27). Para que um homem pudesse ser salvo, ele teria que atender todas as exigências de Deus, e nenhum homem foi capaz de realizar isto. Por que?

 A. O Padrão de Deus é perfeito – “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10).

B. Nossa vida deveria ser perfeita para agradar a Deus – “Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher? Eis que até a lua não tem brilho, e as estrelas não são puras aos olhos dele. Quanto menos o homem que é gusano e o filho do homem que é verme” (Jó 25.4-6).

 C. Nossa tentativa de justiça própria nos incapacita de entender o significado da obra da redenção operada por Jesus – Se você ainda está tentando, pelos seus esforços pessoais, encontrar a salvação através de suas boas obras, você ainda não entendeu a clássica afirmação, que provavelmente você deve ter repetido tantas vezes. “Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

Paulo afirma: “De Cristo vos desligastes, vós os que procurais justificar-vos na lei. Da graça decaístes”(Gl 5.4). Você está desligado do grande projeto de Deus, realizado na cruz, porque você ignora o que Deus fez por você e ainda tenta encontrar sua salvação através de seus esforços pessoais.
Desista de si mesmo.
Se o grão de trigo não morrer, fica ele só... não confie em ninguém com mais de 30 anos... "Nós é que somos a nova circuncisão. Nós que confiamos em Deus e não confiamos na nossa própria capacidade de salvação" (Fp 3.2).

 O que Cristo fez na cruz?
Sua justiça se torna minha justiça Seus méritos se tornam meus méritos. Tudo que Jesus conquistou na cruz, se torna direito meu. Ele é meu substituto na cruz.

 2. Não se deve confiar nas riquezas para se entrar nos céus
Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que tem riquezas!”(Mc 10.24).
Você pode pensar da seguinte forma: “Eu não confio nas riquezas para minha salvação, afinal eu sei que dinheiro não pode comprar o favor de Deus”, mas o que Jesus está demonstrando que o grave problema nosso é confiar nas nossas riquezas para viver baseado nelas, como afirmou o profeta Jeremias: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas cousas me agrado, diz o Senhor”(Jr 9.23-24).

“Então, Quem pode ser salvo? (Mc 10.23).
O homem rico tinha transformado o dinheiro em seu ídolo, e sua riqueza passou a governar a sua vida. Jesus o exorta a colocar o dinheiro no lugar devido: Não para ser glorificado, mas para glorificar a Deus (Mc 10.24).
Este texto coloca nosso coração em suspense.
Fala da relação do homem com o dinheiro. Richard Foster chama a atenção para o fato de que Jesus falou mais de dinheiro que de inferno, e depois do tema “reino de Deus”, foi o segundo tema mais comentado por ele. O dinheiro torna-se um problema para nossa salvação, quando passamos a confiar nas riquezas ao invés de confiar em Deus. Dinheiro gera falsa segurança, tornando-se o centro de nossa vida, e por isto mesmo criando uma relação idolátrica.

 Karl Meninger, aclamado psiquiatra americano, no seu livro “O pecado de nossa época” narra seu encontro com um homem riquíssimo, mas que estava vivendo dias muito conturbados. Na terapia ficou claro que o que causava toda sua angústia era sua relação obsessiva com o dinheiro, então foi aventada a possibilidade dele doar parte dos seus bens, para resolver esta relação patológica que ele tinha com seus bens. Ele reconheceu que isto seria libertador, mas ao mesmo tempo afirmou: “Eu não posso fazer isto, porque me angustio só em pensar em tirar alguns de meus bens para doar”.

Richard Foster no livro Dinheiro, sexo e poder, chama a atenção para o fato de que Jesus se refere ao dinheiro, não como um poder neutro, mas como uma entidade, ao chamá-lo de Mamon. Esta entidade, como todas as demais, exigem adoração, culto e liturgia. Passamos a servi-lo entregando-lhe nossa vida, tempo e saúde. O caminho para se vencer a idolatria é quebrar e menosprezar nossos falsos deuses, no caso do dinheiro, sugere Foster, a única forma de zombar desta entidade é doando. Quando assim fazemos, deixamos claro que é o Senhor.

Por isto Jesus afirma: “Quão difícil é para os que confiam nas suas riquezas, entrar no reino de Deus” (MC 10.25).

3. Não de deve confiar no currículo espiritual para entrar nos céus
A obra de Cristo na cruz revela o estado da incapacidade do homem de operar sua salvação. Jesus morreu como nosso substituto pagando o preço de nossa culpa e fracasso, ele morreu a nossa morte. Paulo afirma aos que se julgavam merecedores de salvação: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne”(Fp 3.3). Ele se refere aos que ensinavam que a salvação se dava pelos méritos humanos, esquecendo-se da obra de Cristo. Somos salvos pela justiça e mérito de Cristo (Fp 3.1,9). Existem vários textos nas Escrituras que procuram nos mostrar como nossas obras são frágeis, e como não podemos confiar nelas. Paulo afirma que quer ser encontrado diante de Deus, “não tendo justiça própria, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus”(Fp 3.9).

Em Gl 2.16 lemos: “sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus, para que fossemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, pelas obras da lei, ninguém será justificado”. Gl 5.4 afirma: “De Cristo vos desligastes, vós os que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes”. Ef 2.8: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé,e isto não vem de vós, não de obras para que ninguém se glorie”. Portanto, não confie na sua capacidade espiritual, confie na obra de Cristo.

4. Algumas prioridades devem ser estabelecidas para se entrar nos céus
Jesus ensina os discípulos que reino de Deus deve ocupar a prioridade em nossa vida, e ele vai falar de duas áreas que muitas pessoas tem dificuldade de entender.

                   a. Reino de Deus é mais importante que relacionamentos, até mesmo familiares- irmãos, irmãs, mãe, pai e filhos (Mc 10.29-30).

Muitas pessoas acham que Jesus está ensinando a não termos responsabilidade com os familiares, não honrar pai e mãe e não cuidar dos seus. Nada pode ser mais equivocado que esta leitura, afinal, “Se alguém não cuida dos seus, especialmente dos de sua própria casa, e pior do que os descrentes e tem negado a fé” (1 Tm 5.8). O que Jesus tenta ensinar é que tudo é uma questão de foco e prioridade. Que lugar os nossos bens e familiares ocupam em nossos corações? Isto tem feito com que nossos olhos se desviem de Deus?

                 b. Reino de Deus é mais importante que bens: casas, campos, propriedades (Mc 10.29,30).

O reino deve estar em primeiro lugar. “Buscai, pois, em primeiro o seu reino e sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

Howard Dayton, Fundador do Crown Ministries, ministério sobre treinamento financeiro que é oferecido na nossa igreja, encontrou cerca de 500 versículos na Bíblia a respeito de oração, porém 2.350 sobre como tratar do dinheiro e bens materiais.

Eis alguns princípios de administração do dinheiro, segundo Charles Stanley:

==> Ganhe seu dinheiro honestamente – Por mais que queiramos lucros ou ganhos, não podemos nos enganar... não vamos vender nossa consciência por dinheiro, nem nossa honra a lucros extorsivos. “Contentai-vos com o vosso soldo”.

==> Aplique sabiamente – Muitas pessoas se enriqueceram porque souberam trabalhar com seu dinheiro, investindo-o. Entretanto, muitos não estão fazendo planejamento a médio prazo. Pessoas que aplicarem hoje 100 reais mensais, ao completarem 65 anos, com taxa media de investimento a 8% anual, terão a quantia de R$ 2.365,000,00. Não é surpreendente?

==> Dê generosamente – Este é o principio da semeadura, amplamente recomendado nas Escrituras. Na 2 Carta aos Coríntios 9.10, Deus nos afirma que ele dá pão para alimento e semente para semear. Muitos estão comendo a semente, e por isto vão ficar sem novas colheitas. Aprenda a servir a Deus com seus bens.

==> Desfrute profundamente – Dinheiro não é apenas para acumular, serve também para nos abençoar. Aprenda a desfrutar daquilo que Deus lhe dá, sem exageros e desperdícios, glorificando a Deus com seus bens.

 Alguns princípios de Mordomia, podem nos ajudar muito na nossa caminhada de fé:
         • O que retemos é a melhor medida de nossa liberalidade;
         • Circunstâncias desfavoráveis são a melhor prova de nossa fidelidade;
         • Mordomia não é problema de bolso, mas de vida espiritual.


Conclusão: Não coloque seu coração nos seus bens.
Pv 1.19 afirma que “O espirito de ganância tira a vida de quem o possui”.

Por isto Jesus afirma:

Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que tem riquezas”(Mc 10.23).

A tendência natural é colocar a confiança nos bens, e não no Senhor.
Que farei para herdar a Vida eterna? Acertos e Equívocos Mc 10.17-22 Introdução: Nenhuma questão é tão importante, tão urgente, essencial e imprescindível que a pergunta que este rapaz faz: “Que farei para herdar a vida eterna?” Este homem aproxima-se de Jesus com algumas questões absolutamente corretas: 1. Ele vem com a atitude correta: "Ajoelhando-se" (Mc 10.17) – Para um judeu ajoelhar-se diante de alguém não era fácil, mas aquele homem percebe em Jesus a dimensão de sua sobrenaturalidade e divindade. Ele era alguém especial, por isto este homem ajoelha-se. Muitas vezes nos aproximamos de Jesus, não com joelhos em terra, mas com arrogância, nariz empinado, como se Deus fosse grandemente abençoado em nos acolher. 2. Tem um correto senso da urgência de sua alma – “correu... ao seu encontro” (Mc.10.17). tinha percepção de que sua situação era inadiável e aquela era a hora de uma tomada de posição. Ele vem correndo, trata-se de colocar em ordem a sua vida e ele não quer mais perder tempo. Certa vez estava pregando em Goiânia, e no meio de meu sermão, ouve um derramamento especial da graça de Deus e uma mulher interrompeu minha palavra e disse: “Pastor, quero entregar minha vida a Jesus neste momento”. Enquanto vacilei um pouco, indefinido sobre o que fazer, outra pessoa se levantou e em seguida afirmou: “Eu também quero!”. Talvez o Espírito Santo, que estava agindo no coração daquelas pessoas tenha feito o mesmo que fez com Pedro em At. 10. No meu caso acho que Deus considerou o seguinte: “Se Samuel continuar pregando pode atrapalhar a obra que estou plantando nestes corações...” Você sente urgência em relação à sua alma, percebe que precisa tomar uma decisão imediata? Não hesite. Hoje, se ouvir a voz do Senhor, não endureça o seu coração. 3. Faz a pergunta correta, a questão essencial: Que farei? Nenhuma pergunta é tão importante. Valores eternos. Qual é sua pergunta? Existem muitas pessoas levantando muitas questões periféricas, que consomem quase todo o seu tempo, faz a mente chafurdar em ansiedade e preocupação e que consomem quase todo o tempo. Vivem ansiosas quanto à reputação pessoal, sucesso, fama, dinheiro, casamento, mas nenhuma destas perguntas tem a ver com eternidade. Você sabe onde vai passar a eternidade? Se você morresse hoje, para onde iria sua alma? Você já sabe o que dirá quando estiver diante do trono branco de Deus? Você acha que seus fundamentos espirituais são suficientes para lhe dar certeza de vida eterna? Do ponto de vista psicológico, entendo porque tantas religiões do mundo professam a tola doutrina da reencarnação. Elas querem crer que, de alguma forma, mesmo fazendo tanta besteira e cometendo tantas tolices, ainda terão uma segunda chance. Mas a Bíblia diz claramente que: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo”((Hb 9.27). 4. Procura a pessoa certa – Jesus! Tenho visto muitas pessoas buscando respostas espirituais, gente sedenta do Sagrado, mas indo atrás de médiuns, benzedores, misticismo e esoterismo, representações do sagrado e se sentindo cada vez mais desesperadas porque estão cavando cisternas rotas que não retém a água, que não sacia a sede do coração. Jesus afirma: “Quem tem sede, venha e mim e beba, porque do seu interior, fluirão rios de água viva”. Este homem, porém, comete alguns equívocos. A. Possui pressupostos teológicos equivocados – “Bom mestre”(Mc 10.17). Jesus não o censura por lhe chamar de bom, antes o seu julgamento superficial sobre a bondade humana, principalmente sobre a sua justiça própria, afinal, ele não era um homem tão bom? Jesus quer ensinar-lhe que só existe um bom que é Deus. A bondade da humanidade é relativa. Ao fazer isto, Jesus está procurando esvaziar sua arrogância espiritual de pessoa moralmente correta, que o fazia compreender a si mesmo, e entender o quanto ele precisava de Deus e quanto seu coração estava longe. B. Constrói sua vida em fundamentos equivocados – Quando Jesus se dirige a ele sobre a guarda dos mandamentos, ele não lhe pergunta se ele guardava os mandamentos, mas afirma que o fazia. Sua afirmação não deixa dúvidas: “Tudo isto tenho observado, desde a minha juventude” (Mc 10.19). Pessoas religiosas e exemplares moralmente são as que menos sentem necessidade da graça de Deus. Por isto se afastam do evangelho. A justiça própria é o inimigo numero 1 do Evangelho. tenta tirar dele o senso de justiça pessoal. Justiça pessoal faz a pessoa se considerar justa. O problema é que gente cheia de si mesma, não pode ser preenchida por Deus, pois não cabe mais nada: Ele era socialmente bom e correto. A Bíblia está sempre questionando nossa capacidade espiritual. “Onde está a jactância? Foi de todo abolida” (Rm 3.27). Li recentemente um texto do Paul Tripp que exemplifica isto. Ele afirma que todos os dias ao começar o seu tempo de oração ele diz a Deus: “Senhor, tu sabes como eu preciso de ti, e nada posso sem ti”. Pensando na sua oração, lamentei pelo meu coração, porque na minha auto suficiência, nem sempre estou realmente convencido de que eu sou pobre e necessitado. Continuo sempre vangloriando-me de minha autonomia e independência. Este homem rico está fundamentando sua vida nos méritos e no currículo moral que ele construiu. Sua honradez e comportamento. Milhares de pessoas que professam hoje ser discípulas de Cristo, no fundo realmente não sentem que precisam de um salvador. Salvador é para quem está perdido. A maioria se acha boa demais... Jesus percebe que esta é a realidade do coração daquele homem, por isdto questiona sua afirmação sobre sua bondade para desestruturar seus fundamentos. “Não há nenhum bom, exceto Deus”. Paulo afirma que os judeus tinham zelo por Deus, porém não com entendimento, porque tentaram construir sua justiça própria ao invés de aceitar a justiça que vem de Deus através de Jesus. Estes judeus não eram displicentes nem negligentes com sua fé, mas possuíam zelo sem entendimento (Rm 10.1-3). Aquele rapaz mede a sua vida pela lei, Jesus o mede pelos seus afetos. O que está no seu coração? A observância religiosa não havia tocado seu íntimo. Não tinha gerado desapego pelas coisas mundanas que ele amava. A Nova Aliança tem a ver com o coração. C. Coloca seus afetos em coisas erradas. Jesus denuncia a centralidade do seu coração, por isto diz: “Vai, vende tudo que tens, e dá-o aos pobres, depois vem e segue-me”(Mc 10.21). É interessante notar que Jesus nunca pediu que outros de seus seguidores fizessem o mesmo. Algumas pessoas ricas serviram a Jesus com seus bens e ele nada lhes disse. No entanto, pede a este homem que venda seus bens para segui-lo. Por que? Não é o dinheiro que ele possui que é o seu problema, mas o dinheiro que o possui. A questão aqui é como o seu coração se relaciona com as coisas que possui. Jesus sabia que por detrás de toda aquela camada religiosa e disciplina espiritual, havia um coração dominado não por Deus, mas pelas coisas que possuía. Ele tinha uma relação idolátrica com seus bens. É questão de intensidade e foco. Coisas que nos dominam tornam-se substitutos de Deus (Ez 14.3,4,5,7). Ídolos nos fazem crer que não podemos viver sem eles. O coração dele estava nas coisas. Para nenhuma pessoa Jesus pediu que vendesse os bens para se tornar seu discípulo, mas este precisava confrontar o que o prendia. A questão é: “Onde estão seus afetos?” Pergunte a você mesmo: “O que você ama, teme, serve, deseja mais do que a Deus”. Isto é um ídolo no seu coração. O centro do coração daquele homem estava apontando para coisas erradas. Ele se retira triste: O dinheiro era mais importante que Deus. Acho impressionante a declaração do texto que diz: “E Jesus, fitando-o, o amou”(Mc 1021). Jesus não fez esta exigência para pisoteá-lo, mas para resgatá-lo. Era uma tentativa de livrá-lo da subordinação que ele mantinha com seus bens. Sua lente estava desajustada e seu foco errado. Coloque seu coração no foco certo... Para seguir a Cristo não pode haver atenção dividida. O coração tem que estar por inteiro. No entanto, ao sermos assim confrontados, podemos sair triste da presença de Deus e não rendermos o nosso coração a ele. Achamos que somos donos de muitas propriedades sem perceber que nossos bens é que são nossos donos. Achamos que possuímos as coisas quando elas é que nos possuem. Conclusão: Este jovem faz a pergunta certa, com a atitude certa, com a urgência certa, à pessoa certa, mas responde a interpelação de Cristo de forma errada. Não entrega o centro de seus afetos a Deus. Não consegue se desvencilhar de seu ídolo. Que tal render aquela parte de sua vida que o faz crer que não é possível viver sem. Que tal trazer esta dimensão de sua vida rendida a Deus? Talvez você até ore: "Senhor, eu não quero, mas gostaria de querer abrir mão disto que é um obstáculo à minha vida de fé. Mude a minha vontade e sonhos”. Quais são as posses que tem dominado a sua vida. Por que é mais fácil ser religioso que entregar meu coração por inteiro a Deus? No Séc XVIII, o Rio Mississipi era um dos principais canais para transportar grãos e gado nos EUA. Certo homem rico, vendeu sua propriedade e recebeu seu pagamento em dólar, e o levava consigo numa destas viagens, quando o barco em que estava, começou a naufragar. Desesperado ao ver que iria perder toda sua riqueza, rapidamente começou a colocar ouro no bolso da sua calça e do paletó, para salvar o máximo de seus bens. Três dias depois, o encontraram morto, no fundo do rio, com seus bolsos repletos de ouro.