sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

At 2 A Singularidade de Jesus

Introdução: Este foi o primeiro kerigma legitimamente cristão. Ele possui duas características essenciais:
(a) Centrado na Soberania de Deus – Deus está no centro dos acontecimentos. “O que ocorre é o que foi dito”(At 2.16). As profecias antecedem o evento – As coisas não se dão num vácuo histórico, mas possuem uma intencionalidade divina. O texto mostra também que Jesus foi entregue pelo desígnio e presciência de Deus (At 2.22). O Evento Jesus e sua humanidade não era uma peça solta na ordem mundial, mas fazia parte de um projeto de Deus para a humanidade. Deus se antecipa ao evento.
Há uma tendência atual de se desconsiderar, negar ou menosprezar a soberania de Deus. No entanto, Ap 4 afirma “Eis armado no céu um trono, e no trono, alguém sentado”. Deus está assentado no seu trono, Deus governa, e seu trono não está vago!
(b) É absolutamente Cristocêntrico - como deve ser a mensagem cristã. O que este texto ensina sobre Jesus?

Ed René aponta para 4 últimosaspectos que são mencionados nesta mensagem,embora as argumentacoes sejam minhas. Apenas introduzi o primeiro aspecto.
1. Jesus de Nazaré nasceu de um jeito que nenhum outro ser humano nasceu – O Texto revela que Jesus nasceu como cumprimento profético (At 2.22). Cerca de 600 profecias sobre Jesus foram feitas no AT e se cumpriram no NT. Qual ser humano nasceu cercado com tão claras profecias quanto Jesus?
A Bíblia nos mostra seu nascimento foi cercado de muitos sinais especiais: O nascimento de João Batista; a revelação dada a Simeão e Ana; os pastores sendo visitados no deserto; os magos recebendo uma compreensão nova sobre um evento especial, fazendo uma viagem de 1500 kms. Deus invade a terra. Que outro humano nasceu debaixo de tão grandes eventos?

2. Jesus de Nazaré viveu de uma forma que nenhum outro ser humano viveu – O texto afirma duas coisas:
i. Aprovado por Deus (At 2.22). Isto é, livre de rebelião contra o Pai.
Pecado é mais que qualquer falta de conformidade com a lei de Deus. É um estado de rebeldia, uma recusa da submissão, uma pretensão de autonomia. Henry Nouwen chama de “teonomia”, ou mania de querer ser Deus. O homem torna-se a sua própria lei.
Pecado é uma indisposição interior, uma tendência para o mal. Jesus foi aprovado por Deus. Ele andou entre nós “fazendo o bem”. Sua agenda se identificava com a de Deus, cumpria o que Deus esperava dele, por esta razão foi “Aprovado por Deus!”.
Ed Rene aponta para 4 aspectos:
ii. Realizou Atos extraordinários “Milagres, prodígios e sinais” (At 2.22)...
Suas palavras o diferenciavam dos religiosos de seus dias, e lideres religiosos de seu tempo. As pessoas se maravilhavam de sua doutrina (Mt 7.28-29) e de suas obras maravilhosas: os mudos falavam, os coxos andavam, os cegos viam (Mt 15.31). Após a cura de um leproso teve que ficar fora dos limites da cidade, tamanho alvoroço que sua presença gerava (Mc 1.45); depois da cura de um paralitico em Cafarnaum, as pessoas diziam: “Jamais vimos coisa assim”(Mc 2.12).
Jesus viveu de uma forma que nenhum outro ser humano viveu.
“Se houve alguém que transitou naturalmente pela dimensão espiritual e que dedicou sua vida a fazer com que as pessoas encontrassem o caminho, este foi Jesus – o homem completo. Na verdade, Deus encarnado: 100% Deus, 100% homem: mistério divino” (Ed René, vivendo com propósitos, pg 105).
John Wimber afirmou que Jesus foi um homem naturalmente sobrenatural: conseguiu andar no meio da massa sem perder o individuo, “Jesus não apenas montava e desmontava legos mentais, padrões de pensamento, paradigmas e raciocínios (...) mas também conduzi pessoas neste processo extraordinário de transformação pessoal”(Ed, idem, Pg 106).
3. Jesus de Nazaré morreu de um jeito que nenhum outro ser humano morreu – Morreu por atos políticos e religiosos: “vós o matastes” (At 2.23). O s?
Mas não é por esta razão que sua morte foi excepcional. Muitos outros homens morreram por atos políticos na história. Sua excepcionalidade encontra-se no fato de que cumpria um propósito divino. Isaias 53, um texto messiânico escrito 600 anos antes diz: “Ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Is 53.10). Afirma ainda: “O Senhor fez cair sobre ele, a iniqüidade de nós todos” (Is 53.6). Sua morte foi singular – não por ter morrido ao lado de outros malfeitores - (Muitas execuções na historia foram feitas coletivamente); não por ter sido condenado por um sistema injusto e opressor – (muitos outros também o foram). A singularidade de sua morte está no fato de que “pelas suas pisaduras fomos sarados”. Estava na expiação dos nossos pecados que Ele fazia pelo sangue.
Jamais esteve contido nos limites da matéria em relação ao mundo natural: curou enfermidades, andou sobre as águas, multiplicou pães, exerceu domínio sobre espíritos malignos, conduziu pessoas ä transformação, ressuscitou mortos.

4. Jesus de Nazaré venceu a morte como nenhum outro ser humano venceu– Deus o ressuscitou, rompendo com os grilhões da morte (At 2.24).
Sua excepcionalidade pode ser percebida também pela sua vitória sobre a morte. Grandes líderes religiosos: Maomé, Buda, Krishna e Confúcio, morreram e seus túmulos atraem milhões de turistas em romarias. O túmulo de Jesus também é visitado, mas todos os cristãos sabem que ele não se encontra mais ali, mas ressuscitou. A bíblia diz que Deus não deixou que seu Santo visse corrupção (At 2.22).
Jesus é singular na sua vitória contra a morte. Isto o distingue de todos os demais homens da história. Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, pois era impossível que fosse retida por ela.

5. Jesus de Nazaré detém uma autoridade que nenhum outro ser humano detém: (At 2.33-36).
Jesus é singular porque é Senhor de todas as coisas, sua palavra é autoritativa. Ele tem poder sobre a obra criada, a natureza, o cosmos, poderes e potestades. Ele está assentado ä direita de Deus donde há de vir para julgar vivos e mortos.
A Bíblia afirma que todas as coisas foram colocadas debaixo de seus pés (1 Co 15.27). na visão descrita por Estevão, o 1º mártir cristão, ele viu os céus abertos e o Filho do Homem em pé ä direita de Deus (At 7.56); Ap 19.16 afirma que ele é “Rei dos reis e Senhor dos Senhores”.

Conclusão: Estas evidências acerca de Jesus precisam de uma resposta. Podemos dizer sim ou não a estes fatos, mas não podemos continuar neutros acerca delas. Estas evidências precisam de veredito. Por isto, diante de tais fatos, as pessoas disseram: “Que faremos, irmãos?” (At 2.37).
Nós também precisamos responder a estas verdades. Hb 1.14 indaga: “Como escaparemos se negligenciarmos tão grande salvação?”

Paulo responde que precisamos dar três respostas a esta realidade. O sermão de Pedro acaba no vs 36, mas agora precisamos responder ao que ouvimos:
a. Arrependimento – Precisamos entender que temos vivido fora do propósito de Deus, que temos nos rebelado contra ele, e que precisamos mudar a forma de interpretar a vida.
b. Cada um seja batizado – Batismo é um selo. Sinal externo de uma graça interna. É uma resposta pública ao chamado que Deus faz à minha vida.
c. Receba o dom do Espírito Santo – Esta é a conseqüência quando nos rendemos a Jesus e entregamos nossa vida a ele. O Espírito santo passa a morar em nós. Por causa de seu caráter, santo, sua santidade se aplica a nós. Assim como espíritos malignos produzem malignidade nos corações humanos e espírito imundos produzem imundície, o Espírito de Deus, Santo, nos impulsiona à uma vida de santidade, desejo de Deus e horror ao pecado.
Não gostaria que você saísse daqui hoje, sem dar uma resposta à realidade daquilo que Jesus é, sem responder à sua singularidade.

Gn 28 A Presença “Escondida” de Deus.

Introdução:Jacó está saindo de casa no meio de uma situação complexa. As coisas não estavam bem.
 Desavença Esaú, seu irmão, ameaça de morte, relacionamentos estremecidos. Esaú jura vingança.
 Deserto: solidão, travesseiro como pedra. Ali descobre: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (Gn 28.16).
Deus estava perto, sua presença era real, mas Jacó ignorava esta realidade.
Fico pensando quão facilmente Deus pode estar perto sem que tenhamos consciência de sua realidade. Deus estava perto de Abraão quando ele levantou o cutelo para sacrificar seu filho, mas Deus o impede dizendo: “Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhe faças” (Gn 22.12). Deus estava tão perto, mas provavelmente Abraão não foi capaz de percebê-lo... Deus estava por perto quando Hagar tem de enfrentar o abandono, a rejeição e a exclusão e sai desatinada para o deserto, sem rumo certo, tendo que enfrentar a solidão terrível e a ausência de água, quando Deus lhe diz: “Que tens Hagar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino daí onde está” (Gn 21.17) e Hagar percebe que Deus “estava com o rapaz” (Gn 21.20). Quantas vezes ignoramos a presença de Deus entre nós, ou não a percebemos.
Quando Jacó diz: “O Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (Gn 28.16), ele usa no hebraico o termo Iadá, que significa penetrar. Esta frase, então, poderia ser traduzida da seguinte forma: “na verdade o Senhor está neste lugar e eu não o penetrava” (Chouraqui). Não era que Deus estava ausente, mas a percepção falha de Jacó o impedia de se conectar e se aprofundar nos mistérios de Deus ao seu redor.
Esta é a nossa angustiante realidade – Estamos desconectados do Eterno, e não o “penetramos”, nem o percebemos. Falta-nos a capacidade de aprofundar na sacralidade de um Deus que sempre esteve presente. “Invoca-me e te responderei, anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes” (Jr 33.3).
Um dos grandes problemas de nossa natureza humana é a dificuldade de perceber Deus na história, no dia a dia.
Você tem percebido Deus em sua história?
O sl 36.1 Biblia Viva: “No coração dos maus o pecado tem sempre a última palavra, eles não tem o menor respeito por Deus”. O ímpio, na verdade, não é uma pessoa necessariamente má, antes, aquela que considera Deus nas opções que tem que fazer em sua vida. São pagãs. Não necessariamente más, mas sem Deus.

Conclusão:No Filme Narnia (III): Vou vê-lo novamente? Aslam responde: “Eu sempre estarei por perto, basta estarem atentos, vocês me perceberão”.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Hab 3.1-2 AVIVA A TUA OBRA!

Contexto:
Habacuque se vê acuado e ora para que Deus coloque vida. Dê avivamento! O Profeta encontra-se diante de uma catástrofe. Ano 605 a.C. (Jer.22:17-19), provavelmente Jeoaquim fosse o rei em Israel, quando esta profecia aconteceu. Todo Israel estava debaixo da terrível noticia da eminente invasão dos Caldeus. Como homem de Deus, Habacuque encontra-se deprimido, tentando entender a forma de Deus agir.
 Habacuque estava desanimado (2.4)
 Entre os vs. 3-16 só vê calamidade!
 Compara sua situação com o poder de Deus.
O profeta: "Tenho ouvido, ó senhor, as tuas declarações e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida" (Hab 3.2). O profeta ora por avivamento.

O que é avivamento?

Fala-se muito hoje em avivamento. Aliás, tornou-se moda falar de avivamento. Pessoas vivem atrás de sinais acreditando que sinais são o termômetro de avivamento, enquanto que, historicamente, o que define avivamento não são os sinais, embora eles aconteçam, mas um profundo desejo de adorar a Deus, um forte sentimento de pecado, e uma vontade profunda de promover a glória de Deus.

M. L. Jones, no seu livro "Avivamento", define o avivamento da seguinte forma: Um período de benção incomum e atividade na vida da igreja de Cristo. Algo é avivado quando existe vida, quando a presença de Deus se torna manifesta. Quando a vida começa a murchar, a desvanecer, temos o oposto do avivamento. Avivamento é um despertamento que estimula a vida. É uma visitação especial do Espírito Santo. As pessoas se conscientizam de sua presença e de seu poder, de uma forma nunca antes percebida. O primeiro efeito é uma consciência de realidades espirituais, perspectiva clara destes fatos. O Espírito Santo ilumina a mente e o entendimento, e algo inusitado acontece. Um novo calor espiritual, tristeza pelo pecado, a busca pela glória e a santidade de Deus. Avivamento, por definição é a poderosa ação de Deus, um ato soberano que nenhum homem poderá realizar. Homens não controlam avivamento. Seu começo é repentino e o seu fim também repentino.

Em geral temos duas reações ao avivamento:
 Pessoas que vivem atrás de profetisas, manifestações, sinais, queda no espírito, dente de ouro, etc., embora nunca busquem uma vida pessoal profunda com o Senhor;
 Medo de avivamento – Não sabem bem o que é e o associam a tantos eventos históricos e se tornam reativos.

O que não é Avivamento?
 Avivamento não é barulho.
 Avivamento não é movimento com repercussões apenas dentro da igreja local. Pode ser antecedido pela renovação, mas nunca para na renovação interna da igreja.
 Avivamento não é apenas uma experiência mística, mas é algo que tem a ver com a ética social, trazendo implicações na família, igreja e sociedade.
 Avivamento não é iniciativa humana, mas divina.


O que é Avivamento?
 Avivamento é restauração: sair dos monturos. A vida invadindo a morte (Ez 37)
 Avivamento tem a ver com a vida: evil: to live.
 Avivamento é sopro de Deus (Is 64.1-3).


Por que o profeta ora por avivamento?
Parece que o próprio texto é auto explicativo. Ele começa afirmando: "Tenho ouvido, ó senhor, as tuas declarações e me sinto alarmado" (Hab 3.2). O profeta ora porque a situação era calamitosa. Do jeito que estava algo precisava acontecer. Ele afirma que estava alarmado. Alguma coisa que ele percebera tirara sua paz, inquietara o seu coração. Percebe que a nação inteira estava sob juízo, e que a condenação era imediata, por isto clama. "Senhor, estou alarmado com tuas declarações". Se as coisas continuarem da forma como estou, eu sei o que vai acontecer, e por isto estou alarmado. Algo precisa acontecer, o Senhor precisa intervir na história.

Quem ora por avivamento, está imbuído de duas convicções:
a)- Ora por avivamento, quem sente a necessidade de mudança.
b)- Ora por avivamento, quem tem expectativa da intervenção de Deus na história.

O profeta tem as duas.
Sabe que as coisas estavam angustiantes, tem percepção clara do momento em que vive e por isto clama. Ele se afirma alarmado. Ele vê que as coisas não podem continuar assim, por o resultado será catastrófico.

Muitas pessoas oram assim ainda hoje: são pessoas que percebem a realidade das igrejas do Senhor Jesus, e clamam por uma transformação histórica. São pessoas que vêem as famílias longe de Deus, e intercedem por estas famílias, gente que vê os jovens se afastando de Deus, perdendo suas vidas no ocultismo, satanismo, drogas, fornicação, e choram por isto. Pessoas que possuem sensibilidades pelas coisas que tocam também o coração de Deus. Pessoas assim estão orando.

Tais pessoas também oram porque sabem que apenas Deus pode transformar. Quando Habacuque diz "aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida" (Hab 3.2), ele o faz por saber que Deus age de forma soberana, poderosa e miraculosa na história, e por isto clama.

Por que precisamos de avivamento?
Poucas pessoas têm orado por isto. Normalmente nossas orações estão focalizadas em problemas emergenciais, e não consideramos a urgência de pedirmos a Deus para que ele avive a sua obra.

1. Porque não temos outra forma de viver a vida de Deus. No cerne do termo avivar, encontra-se vida. Quando clamamos para que Deus avive sua obra estamos desejosos de ver sua vida se manifestando entre nós. Avivar é um termo que é oposto de dormência, inconsciência, apatia. Muitos encontram-se adormecidos, e estarão despreparados quando Cristo vier buscar sua igreja, precisam acordar, precisam voltar à consciência, tornar a viver.
Qualquer outro esquema é carnal (parte da carne). “Ele vos batizará com Espírito Santo” (João)
“sereis batizados com poder” ( !t 1.8)
Você pode ter um comportamento justo, mas se seu desejo é auto centrado, já não é a vida de Deus que opera em você. Só a obra de Deus nos capacita a viver para Deus.
O Espírito é ruah (hebraico). Ele age e nos impulsiona a viver para Deus.
Aviva a tua obra Senhor!

2. Por causa de nossa vida interior. Nossa alma seca, ossos secos: apatia, indiferença, perda da motivação, paixão, fogo, vigor espiritual, alegria da salvação, poder na oração, desejo de Deus, ausência de encantamento com a cruz, esfriamento.
Voce já se perguntou porque não tem desejo de comunhão?
O avivamento nos tira de uma condição, e nos leva para outra. “Ele vos batizará com fogo!”. Muitos vivem de profetizas em profetizas, atrás de lenço ungido, óleo ungido, pastor ungido, mas não vai atrás da verdadeira unção que surge com um coração quebrantado.
É possível levar as coisas, por certo período de tempo, na base da tradição, costume ou habito, mas vai chegar a hora que não teremos mais reservas sobrando e compreenderemos que estamos enfrentando algo absolutamente básico e fundamental. É a necessidade da vida em si, este poder e vigor essencial na igreja de Cristo, em nossa família e dentro de nós. Gloriosos períodos de avivamento e despertamento foram precedidos de grande secura, indiferença e entorpecimento na história da igreja. Para que a obra de Deus seja novamente avivada, é necessário um retorno à Palavra de Deus.

3. Nossos lares precisam de avivamento- Fico pensando naquele brado da mulher Siro-Fenícia. “Minha filha está horrivelmente endemoninhada” (Mt 15). Lares desamorosos, competitivos, mamon entronizado, famílias que não oram. Satanás vai ruindo (fantasia, pensamentos de divorcio, amarguras, tentações, pecados). Lares precisam entrar em casa e fechar a porta com a cobertura do sangue do cordeiro, para que o destruidor não cause dano. Filhos desagregados, perdendo o evangelho. Nós nos esquecemos da fonte, de onde brota a vida, clamor pela obra.

4. A Igreja precisa de avivamento – Inglaterra (bares e prostíbulos fechados).coisas que corriqueiramente não fazemos mais, e quando Deus faz coisas extraordinárias em nosso caráter. Muitas pessoas quando falam em avivamento pensam logo em manifestações excêntricas da graça de Deus na história, e eventualmente Deus faz isto, mas avivamento é a vida de Deus em nós, transformando nossa forma de ser e agir, dando-nos novo vigor e poder. É a vida de Deus em nós trazida pelo Espírito Santo
A igreja de Cristo precisa ter o fogo de Deus queimando no coração. Estamos secos espiritualmente, estamos falidos moralmente. A religião tem se tornado um esteriótipo que facilmente rouba de nós a espontaneidade e a vida com Deus.
Somente avivamento pode renovar nossa psique, restaurar nossa vida. Veja o estado histórico que o profeta se encontra (Hab 3.16). Avivamento nos capacita a termos um testemunho não hipócrita, autêntico, que nos possibilita lutar contra as trevas. Deus operando nas profundezas de nosso coração, desmascarando nossas defesas e artifícios fugazes, nossa religiosidade cheia de vícios e artimanhas. Avivamento é Deus colocando um novo princípio de vida em nós, que resulta em um novo homem, "criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade" (Ef 4.24).
Existe um conhecida frase de Lord Melbourne, primeiro ministro da Rainha Vitória: "Podemos saber que as coisas estão se tornando serias, se a religião começa a se tornar pessoal".

5. A sociedade precisa de avivamento - Estudiosos afirmam que só foram registrados 9 avivamentos históricos no mundo.
Características:
 Medo de pecado
 Desejo de santidade
 Resgate das doutrinas básicas das Escrituras
 Impacto nas gerações
 Transformação social – implicações morais. Sec. XVIII


Conclusão:Quem ora por avivamento?
a. Quem sente necessidade – O profeta ora!
b. Quem tem expectativa de que Deus pode agir na história.Existem pessoas que nada esperam, nada recebem, e nada acontece em suas vidas. Muitas pessoas ao virem na igreja aos domingos me dão a impressão que vieram fazer uma visita a Deus. Será que esperamos e desejamos que algo aconteça a nossas vidas?
"Tenho ouvido, ó senhor, as tuas declarações e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida" (Hab 3.2).
Precisamos de vida abundante. Temos tido migalhas da graça de Deus, temos vivido uma vida cristã miseravelmente feliz. Onde estão as riquezas da vida de Deus, da obra do Espírito Santo?
Stanley Jones faz uma comparação entre cisterna e poço artesiano. Ele afirma que na cisterna precisamos de uma bomba manual, e vamos tirando um pouco de água que dá para nossa sobrevivência, mas com poço artesiano, a água brota espontaneamente.
Jesus afirma, que se crêssemos nele, como diz as Escrituras, do nosso interior fluiriam rios de água viva (Jo 7.37). Você não sente necessidade desta vida abundante de Jesus jorrando dentro de seu coração?
Precisamos de vida, não da vida artificialmente comprada nas boutiques, nos salões de beleza e na fogueira das vaidades, precisamos de vida que jorra de dentro de nossa alma. Precisamos de vida dentro de nossos lares, revelando-se na igreja de Cristo. Se entendemos isto, precisamos orar como o profeta "aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida" (Hab 3.2). Dá-nos vida plena, abundante, plena, estamos fartos de comermos migalhas e dos restos de comida espiritual, o Senhor tem vida e vida em abundância para nos dar (Jo 10.10).

Hab 3.16-19 A FÉ DO “AÍNDA QUE”

Introdução:Habacuque é um homem de Deus que tem que lidar com algumas dificuldades filosóficas tremendas. Diante da ameaça dos Caldeus, ele ora livramento, e Deus, além de demorar na resposta de sua oração, quando responde o faz de forma absolutamente contraria àquilo que ele esperava: Deus não impede o livramento.

Como conciliar:
A Bondade de Deus e o Caos
O poder de Deus x violência/impiedade.

Aflito com alguns dilemas espirituais, levanta algumas questões perturbadoras:

1. Por que Deus muitas vezes se parece alguém inativo em meio a situações provocativas? (1.3)

2. Por que Deus se demora na resposta das nossas orações? (1.2)

3. Por que Deus responde a algumas de nossas orações de forma totalmente diferenet daquela que achávamos ser a correta? (1.13)

Para responder estas questões da alma, Habacuque:
 a)- Fundamenta-se em princípios básicos - Não esconde seus conflitos, para pra pensar, não esconde seus conflitos; 1:12-14 Funda-se no caráter de Deus
 b)- Entrega o problema a Deus - 2:1
 c)- Aguarda a resposta de Deus (2.1-3) "Por-me-ei na minha torre de vigia...

Qual a resposta que Deus dá?Deus lhes diz algo que é tão essencial que Deus pede para que seja colocado num “out-door”. Deus se instala como o primeiro agente publicitário, Deus quer que isto seja clássico na teologia e prática cristã: O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ!" Habacuque se diz alucinado com tudo. As notícias não eram boas, a catástrofe era inevitável. E Deus diz: "O Justo viverá pela fé" (Hab 2.4). O cristão deve andar assim, pela fé, vendo o invisivel, crendo contra a esperança, vendo graça em situações onde existem tragédias, vendo Deus no meio do caos, vendo luz na escuridão. Bonhoeffer no seu livro Ética afirma que ter fé é “Ser cativo do olhar de Cristo, ser arrancado do cativeiro do próprio eu, é um deixar acontecer e dentro deste acontecimento é um agir, somente a fé é certeza. Fora dela tudo está sujeito à dúvida” (Pg 71). Declara ainda: “Fé significa fundamentar a vida num fundamento fora de si mesmo” (pg. 72).

No sermão anterior, vimos que fé não pode se basear na emoção. Apesar da emoção não ser inimiga da fé, ela não sustenta a fé. Muitas pessoas acham que porque sentiram, tiveram um calafrio, isto significa que Deus os ouviu. Mas fé e emoção são coisas absolutamente distintas. Obviamente gostamos de ter uma experiência mais calorosa, mas não podemos confundir nossos arrepios com manifestação de Deus. Fé está acima das emoções.
Um antigo hino afirma:
"Mesmo na tempestade podeis andar,
sem ter medo da escuridão.
Quando o dia surgir. Haverá um sol, e as aves cantando estarão.
Andai pelo vento, andai pela chuva.
Pois logo vem o sol.
Andai com Deus nos vossos corações e a sós não andareis.
E a sós não andareis!".

Habacuque mostra como suas emoções estão abaladas:
1. Ele tem uma profunda comoção interior - “O meu íntimo se comoveu” (3.16). Um agitamento interno, taquicardia.
2. Voz trêmula – "à sua voz tremeram os meus lábios" (3.16). O profeta encontra-se estarrecido, pasmo, atrapalhado e confuso com tudo o que sente e percebe.
3. Tem dores musculares e ósseas – "entrou a podridão nos meus ossos, e os joelhos me vacilaram" (Hab 3.16). Sente fraqueza na sua coordenação motora, sente seus ossos fragilizados.

Qual é o problema? Impotência espiritual! Sabe que o inimigo vem e Israel não tem forças para enfrentá-lo, e além do mais, sabe que Deus está por detrás deste incidente.

No entanto, mesmo com suas emoções em frangalhos, ele se lembra do que Deus diz: "O justo viverá pela fé". Não me norteio pelas minhas emoções, nem pelo que sinto, mas pela minha confiança em Deus.

Hoje gostaríamos de destacar outro ponto fundamental na vida cristã: Fé não pode se basear nas circunstâncias.
Habacuque não apenas está confuso em seus sentimentos, mas as circunstâncias históricas, também não lhe são favoráveis. Tudo está caótico. Veja a descrição que ele faz das possibilidades que teria que enfrentar. Leia o texto de Hab 3.17.
 Figueira não floresce.
 Uva não produz.
 Azeitona falha, não nasce.
 Campos não produzem – seca ou chuva excessiva.
 Ovelhas são arrebatadas dos currais - ladrões saqueiam, a peste atinge.
 Não há gado nos currais. Os bandidos dizimaram nossos rebanhos.

Será que ainda assim creríamos? Você já passou por situação idêntica?
O que significa viver pela fé?
Viver pela fé é a Teologia do “ainda que”. Isto é, não se abater quando todas as perspectivas são ruins, quando nossa história parece se desmoronar. Habacuque descreve aqui uma catástrofe numa economia agro-pastoril, ele pensa na possibilidade de que tudo o que existe de ruim pudesse acontecer de uma hora para outra.

Vamos traduzir isto para nossa economia: Seria como se estivéssemos diante de uma situação de falência e quebra em todos os segmentos econômicos do país, uma espécie de grande depressão que acometeu os Estados Unidos nos anos 29-32. Existe uma crise de dinheiro, você perde o trabalho, funcionários começam a ser demitidos mais e mais. Você tem o aluguel para pagar, vem a doença, falta o dinheiro para compra de matéria básica para casa. E agora?

JOSÉCarlos Drummond de Andrade
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
É fácil falar de viver pela fé quando se tem um emprego, quando há comida na mesa, quando se vive numa economia estabilizada, quando se tem boa casa, quando a escassez do dinheiro não atinge substancialmente áreas que comprometem apenas o nosso luxo. Mas, e se tudo isto faltasse?
Não é este tipo de Teologia do Sucesso que arrebenta a mulher de Jó? Quando ela percebe que servir a Deus não era mais uma bom negócio, quando Deus lhes privou de certas coisas essenciais, ela não teve dúvidas em dizer: "Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!" (Jó 2.9).
Se olhássemos para a vida de Jó, atualizando-a para o dia de hoje, o veríamos com um líder bem sucedido da igreja, homem "integro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal" (Jó 1.8). Certamente era membro da Igreja, talvez fosse para o culto num carro do ano, fizesse parte do Coral da igreja, trouxesse todos os seus filhos para a casa do Senhor. Aquele homem era um sucesso, sua fé lhe dava vitória, era um sucesso, se deu bem na vida. Esta é a fé de pessoas vitoriosas, sem crises. Mas, e quando a crise vem? Dias depois, Jó precisa continuar ainda crendo quando nada disso mais existe. Será que daria para crer ainda, continuar firme no Senhor diante de situações tão catastróficas? O que pode nos sustentar nos dias maus?

"O justo viverá pela fé"- Ele não se baseia nas suas emoções, nem nas circunstâncias. Ele confia na Palavra de Deus, nas promessas de Deus no caráter de Deus, na fidelidade de Deus, naquilo que Deus é. Sua fé não está firmada na vitória conquistada, nem nas circunstancias, mas em Deus.

Depois da 2a Guerra Mundial encontraram a seguinte frase nas paredes de uma adega, em Colônia, Alemanha: “Eu creio no sol, mesmo quando não está brilhando. Creio no amor mesmo não sendo alvo dele. Creio em Deus, mesmo quando está silencioso".

Pamela Reeve afirmou: "Fé é me lembrar que em meio às minhas aflições, dores e perplexidades, absolutamente nada e jamais poderá mudar a minha benção maior: a presença dele em minha vida. Fé é...confiar que Deus está realizando a sua obra em mim mesmo quando eu me sinto frio interiormente, sem vida, superficial, desertado e carente de sentimentos que possam me proporcionar segurança. Fé é confiança na fidelidade de Deus para comigo num mundo errado, num curso tortuoso em direção o a um futuro incerto."

O que este texto nos ensina é a teologia da Cruz : A teologia do “ainda que”. A teologia que não depende das circunstâncias. Está acima delas, porque Deus é fortaleza. Pode não acontecer nada de bom, Todavia eu me alegro no Senhor. Não estou feliz com o caos, nem com as desordens, nem com a crise, mas consigo encontrar alegria naquele que é a única fonte de alegria: no Senhor.

Como podemos nos regozijar nas tribulações? Somente a fé do Ainda que pode nos libertar (3.17,18). Esta é teologia que não depende das circunstâncias, pois está acima delas. Deus torna-se nossa fortaleza, mesmo quando nada de bom parece estar acoantecendo. Minha alegria está no Senhor.
Não há nenhuma visão otimista, as coisas estão emaranhadas, há complicações, mas existe um Deus que controla a história, e que sustenta a nossa vida
.
Viver pela fé, é viver no ainda que…É ter certeza das coisas que ainda não são visíveis - É crer a despeito de…É ser capaz de dizer em meio ao caos: Eu sei que o meu redentor vive! Jó 19:25
Não é resignação, nem comodismo, nem escapismo, mas alegria positiva no meio da dor e da ameaça. Ele pode regozijar-se na tribulação e ser triunfante a despeito da crise de sua história humana. Como é possível encontrar alegria.

Conclusão:Três coisas parecem sustentar o profeta:
1. Lembra-se que Deus conduz a história- "Os caminhos de Deus são eternos. Vejo as tendas de Cusã em aflição; os acampamentos da terra de Mídia tremem" (Hab 3.6,7). Ele traz a memória um fato da história do povo de Deus. Ele recorda de que Deus tirou um povo pequeno do Egito, e o colocou numa terra firme, atravessando desertos, mares, enfrentando oposição de inimigos, e ali, quando não tinham água, Deus abriu rochas, quando não tinham alimento, Deus enviou maná, codornizes no deserto, e por quarenta anos cuidou daquele povo. Se Deus cuidou de seu povo daquela forma, eu sei que ele tem poder para cuidar de minha vida também. Não preciso temer!
Nestas horas é importante lembrar que Jesus foi levado para uma cruz, aquilo aparentemente era derrota. Foi colocado num madeiro, crucificado, humilhado, colocado num túmulo. Aquela era a hora das trevas. No entanto, Deus ressuscitou a Jesus, tirando-o da morte, fazendo triunfar sobre a morte. Se Deus fez isto, ele pode mudar minha história. "Se diante de mim, não se abrir o mar, o Senhor vai me fazer andar sobre as águas". Assim vou rompendo em fé!
Nestas horas precisamos lembrar que Deus já conduziu nossa história, nos sustentando em tempos difíceis, com dinheiro escasso, nos abençoou, cuidou de nossas vidas. Alguns de nós já fomos desenganados, já passamos por acidentes em que fomos libertos de forma sobrenatural, e diante de todas estas coisas, pudemos ver o cuidado de Deus conosco.

2. O profeta não depende das circunstâncias favoráveis ou não para servir a Deus – (3.17). Resolve servir a despeito de … Mesmo que tudo dê errado… ainda que... Apesar de toda oposição histórica, ele não tem os olhos postos na circunstâncias, mas em Deus. “A fé não é crença a despeito das evidências, mas vida vivida com menosprezo das conseqüências”.
Se sua vida está fundamentada em coisas você não está vivendo pela fé, e sem viver pela fé, não pode se regozijar nas tribulações.

Habacuque diz algo imprescindível para que este regozijo seja experimentado na sua vida. “Deus é minha fortaleza” (Hab 3.19). A Assíria não era a sua fortaleza. Dinheiro, saúde, bens, etc. não eram seu ponto de apoio, mas sua solidez e firmeza estavam no senhor. Deus era o único lugar onde ele podia estar seguro, sua única rocha. Isto é viver pela fé!

3. Habacuque Coloca a fonte de sua alegria no único que podia ser a fonte de sua alegria. “Todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus de minha salvação" (Hab 3.18). Ele está com medo, alarmado, mas ainda que o pior aconteça, ele acredita que tem o melhor!
Eli Wiesel foi um judeu que esteve no campo de concentração, e se tornou um grande e respeitado filósofo. Durante aqueles assombrosos dias, nos quais eram atormentados, violentados e abusados, tomou uma decisão que haveria de sustenta-lo em pé. Diante de tanta dor, resolveu tomar a seguinte posição. Não permitiria que aqueles homens determinassem quem ele era. Sua frase clássica foi": "Vocês podem controlar a situação, mas não podem controlar que resposta vou dar a esta situação".
Esta deveria ser a atitude daqueles que tem fé. Eu não posso controlar a circunstância, as coisas que me acontece, mas em Deus, estarei sempre dando uma resposta de fé. Estarei sempre encontrando em Deus a alegria e o encorajamento que precisa para continuar a viver.
Em 1 Sm 30, temos o relato impressionante de Davi diante de uma situação dramática. A cidade na qual se encontrava sua família e a de seus companheiros, Ziclague, foi saqueada e queimada. Os amigos de Davi se revoltaram com ele, e estavam pensando em apedreja-lo, mas a Bíblia nos diz que, no meio a este caos, “Davi se reanimou no Senhor” (1 Sm 30.6).
Em Filipos, Paulo e Silas foram colocados numa prisão, humilhados e espancados, mas por volta da meia noite, cantavam e louvavam ao Senhor (At 16.25). A fé nos ensina que não podemos ser passatempo das circunstâncias.

Alegria no Senhor! É isto que significa viver pela fé. Basear toda nossa vida no caráter e nas promessas de Deus, e não ficarmos a mercê dos dias bons e maus. Existe uma frase em Hb 11.27, que nos mostra porque Moisés foi o grande líder que foi. “Ele permaneceu firme como aquele que vê o invisível”. Vida baseada no princípio da fé, que crê a despeito das circunstâncias, e que continua firme, ainda que…
Isto é tão importante que Deus manda colocar num out-door!
O Justo viverá pela fé, não nas ondas instáveis das emoções e nem nas variações circunstanciais da vida. O Justo viverá pela fé!.

Rev Samuel Vieira
Rua S 101, Q. 113 Lote 1 - Anápolis City.
Anápolis-Go. 75.096-630
A FÉ DO “AÍNDA QUE”
Hab 3.16-19

Habacuque enfrentou problemas sérios na sua alma. Como conciliar:
A Bondade de Deus e o Caos
O poder de Deus x violência/impiedade.
Aflito, com alguns dilemas espirituais para responder, levanta algumas questões que ainda hoje nos perturbam:
4. A aparente inação de Deus - :13
5. A demora na resposta das orações - 1:2
6. A resposta inesperada de Deus: Ora por avivamento, Deus envia os inimigos.
Para responder estas questões da alma, Habacuque trabalha em 3 pontos:
a)- Fundamenta-se em princípios básicos - Não esconde seus conflitos, para pra pensar, não esconde seus conflitos; 1:12-14 Funda-se no caráter de Deus
b)- Entrega o problema a Deus - 2:1
c)- Aguarda a resposta de Deus.
Qual a resposta que Deus dá?
Deus lhes diz algo que é tão essencial que Deus pede para que seja colocado num “out-door”. Deus se instala como o primeiro agente publicitário, Deus quer que isto seja clássico na teologia e prática cristã: O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ!
Habacuque se diz alucinado com tudo. As notícias não eram boas. Quais são as notícias que você tem ouvido?
Amedronta-me a teologia do sucesso. Deus sempre vai responder. As palavras tem poder em si mesmas. Habacuque era um homem que orava, e um profeta inspirado, no entanto, as declarações feitas a ele por Deus eram alarmantes:
4. Profunda comoção interior - “O meu íntimo se comoveu” Agitamento interno, não localizado; 3:6
5. Voz tremula - Pasmo, atrapalhado. Nervosismo;
6. Dores musculares e ósseas - Fraqueza na coordenação motora. Ossos frágeis.
Qual é o problema? Impotência. Sabe que o inimigo vem e Israel não tem forças para enfrentá-lo, e além do mais, Deus está por detrás.

Você já passou por situação idêntica? O que significa viver pela fé?
Viver pela fé é a Teologia do “ainda que”. Todas as perspectivas são péssimas. Numa economia agro-pastoril, tudo o que ele poderia imaginar de ruim talvez acontecesse.
 Figueira não floresce.
 Uva não produz
 Azeitona falha, não nasce
 Campos não produzem - seca, chuva, excessiva
 Ovelhas arrebatadas - ladrões, saques
 Não há gado nos currais.

Vamos traduzir isto para nossa economia: Existe uma crise de dinheiro, você perde o trabalho, funcionários começam a ser demitidos mais e mais. Você tem o aluguel para pagar, vem a doença, falta o dinheiro para compra de matéria básica para casa. E agora?
É fácil falar de viver pela fé tem um emprego, economia estabilizada, boa casa, dinheiro - Mas e se tudo isto faltasse?
Não é este tipo de Teologia do Sucesso que arrebenta a mulher de Jó: Amaldiçoa este Deus e morra! Certamente era membro da Igreja, fosse para o culto num carro do ano, fizesse parte do Depto do Coral, ou fosse líder no Ministério feminino. Sua fé era a fé do sucesso, de Tiago e João que queriam assentar-se a direita de Deus.
Esta é a fé de pessoas vitoriosas, sem crises - Mas e quando a crise vem?
O que este texto nos ensina é a teologia da Cruz : A teologia do “ainda que”. A teologia que não depende das cirscunstâncias. Está acima delas, porque Deus é fortaleza. Pode não acontecer nada de bom, Todavia eu me alegro no Senhor. Não está feliz com o caos, nem com as desordens, nem com a crise, mas que se alegra no Senhor.
Como podemos nos regozijar nas tribulações? Somente a fé do Ainda que pode nos libertar. 3:17,18 Esta é teologia que não depende das cirscunstâncias, pois está acima delas. Deus é a fortaleza, pode não acontecer nada de bom, todavia, sua alegria está no Senhor.
Não há nenhuma visão otimista, as coisas está emaranhadas, há complicações, mas existe um Deus que controla a história, e que sustenta a vida deste homem.
Viver pela fé, é viver no ainda que…É ter certeza das coisas que ainda não são visíveis - É crer a despeito de…É ser capaz de dizer em meio ao caos: Eu sei que o meu redentor vive! Jó 19:25
Não é resignação, nem comodismo, nem escapismo, mas alegria positiva no meio da dor e da ameaça. Ele pode regozijar-se na tribulação e ser triunfante a despeito da crise de sua história humana. Como é possível encontrar alegria.

Conclusão:
Três coisas parecem sustentar o profeta:
2. Lembrar que Deus conduz a história-
Lembra-se do Egito - vs. 5
Lembra-se de Josué: Deus parou os astros para que seu povo triunfasse. Lembre-se do que Deus fez em Jesus: morto, rejeitado, ressuscitado. A forma como Deus tem conduzido a história da sua Igreja.
Em nada ponho a minha fé….

2. Não dependa das cirscunstâncias favoráveis ou não para servir a Deus - 2:17 Sirva a despeito de …Se tudo der errado…ainda assim (Jó)
Otávio Frias Filho: Perigo da fé materialista, num mundo cada vez mais desencantado, pragmático - a mentalidade do toma lá, dá cá. Comércio com a divindade. Fé de Jacó: “Se me abençoares, darei o dízimo de tudo”. Perigo de estar em busca de um Deus que funcione a nosso favor, e quando as coisas não acontecem assim. Habacuque diz: “Ainda que”… Numa realidade agro-pastoril, perdeu tudo. Ele está falido. E agora?
Se sua vida está fundamentada nestas coisas você não está vivendo pela fé, e sem viver pela fé, não pode se regozijar nas tribulações.
Habacuque diz duas coisas imprescindíveis para que este regozijo seja experimentado na sua vida. “Deus é minha fortaleza” - A Assíria não é a sua fortaleza. Dinheiro, saúde, etc.

3. Coloque a fonte de sua alegria no único que pode ser a fonte de nossa alegria. “Eu me alegro no Senhor” Habacuque afirma estar com medo, alarmado, mas ainda que o pior aconteça, ele acredita que tem o melhor!
Wiesel: Vocês podem controlar a situação, mas não podem controlar que resposta vou dar a esta situação.
Em I Sm. 30:6 Davi/ Ziclague. “Davi se reanimou no Senhor”.
Paulo aos Filipenses 4:10: “Alegrei-me no Senhor”
Fp. 4:4: “Alegrai-vos no Senhor”
Em Filipos, Paulo e Silas foram espancados(At. 16:25), Por volta da meia noite, cantavam e louvavam ao Senhor.
Alegria no Senhor - É isto que significa viver pela fé! Basear toda nossa vida sobre a fé em Deus. O Segredo de todo VT é visto na frase de Hb. 11:27, na qual a Bíblia fala que Moisés “permaneceu firme como aquele que vê o invisível” . Vida baseada no princípio da fé, que crê a despeito das circunstâncias, e que continua firme, ainda que…
Isto é tão importante que Deus manda colocar num out-door.
O Justo viverá pela fé, a fé que vê o invisível.

Hab. 2DEUS FAZ SENTIDO MESMO QUANDO ELE NÃO FAZ SENTIDO

O que fazer quando você possui o conceito de Deus, mas vê as coisas acontecendo de forma totalmente imprevista. É isto que está acontecendo com o Profeta Habacuque. Ele vê o cerco se apertando contra sua nação, ele sabe que aquela nação é Santa, povo escolhido de Deus. Ele mesmo sabe da vocação que tem, ele é um arauto de Deus, sabe que Deus se comunica com ele, no entanto se vê agora com as terríveis crises existenciais, emocionais e intelectuais. Deus não faz sentido. Age de forma que não faz sentido. As coisas parecem sem direção. Mesmo para um homem de Deus as coisas que estão acontecendo são muito estranhas.
Habacuque tinha uma visão correta de Deus. Sabia que ele era Eterno - 1:12; Fiel 1:12; Justo 1:13 e Santo 1:12, mas ainda assim, as coisas continuavam a não fazer sentido para sua alma. Tinha também Pressupostos corretos da atuação de Deus na história, sabia que:
a. A história está sob controle divino -
b. A história segue um plano divino
c. A história segue um horário divino.

Mas, apesar de todas estas evidências, existe ainda alguma coisa incompreensível… Continuam os porquês.

A Igreja tem uma dúvida na área intelectual. Normalmente usa uma linguagem mais histérica e melodramática que lógica. Muitas vezes se recusa a pensar. Dr. Francis Schaeffer diz que a Igreja tem que estar preparada a “dar respostas honestas a perguntas honestas”.

Habacuque honestamente admite: “Não consigo entender…” As suas interrogações o afligem (1.13,14). A sua crise o leva a reflexão. Há sérias questões sendo levantadas aqui pelo profeta:
 Como conciliar a aparente inação de Deus?
 Como entender a prosperidade do povo caldeu?
 Por que Deus tolera os pérfidos - 1:13
 Por que Deus permite que homens sejam aparentemente esquecidos pela miséria e dor? 1:14

A crise tem propósito didático. Há uma pedagogia divina sendo exercitada. A fé cristã sempre se inicia com a apreensão de um dado de crise: O nosso pecado e nosso fracasso como ser humano…O Espírito Santo precisa nos ensinar acerca destes pontos doloridos. Sem que o profeta entendesse bem, ao narrar sua experiência de perplexidade, ele é usado por Deus para nos ensinar a como lidar com nossas questões interiores e nos dá dicas imprescindíveis. Sua reação merece ser analisada. O que aprendemos deste texto?

I. Reformule princípios básicos
Esta é a primeira lição que este texto nos ensina. Precisamos ter fundamentos claros para resistir às questões existenciais que nos afligem. Este é um dos problemas mais sérios na alma humana. Pessoas que sofreram grandes rejeições na sua infância, tendem a inexplicavelmente se sentir rejeitada por outros. A desconfiar das pessoas. A não confiar no que lhe dizem.

O que Habacuque faz para resolver os dilemas de sua alma: Ele começa um pouco atrás. Ao invés de focalizar apenas no problema imediato que ele tem diante de si, ele volta para aquilo que é básico no seu conhecimento de Deus. Ele busca os fundamentos. Fundamentos teológicos errados são seriísimos nas horas de nossas crises.

Um dos exemplos claros:
R. R. Soares é um conhecido pregador brasileiro, que tenta fundamentar sua doutrina num pressuposto conhecido como confissão positiva. Esta doutrina, que foi defendia por uma heresia conhecida ciência cristã, cuja base é Boston, MA, e teve por fundadora May Baker Eddy, afirma que você precisa rejeitar toda enfermidade, que dor de cabeça não existe, que Jesus já levou sobre si todas as nossas enfermidades e doença é, em certo sentido, falta de fé. O problema é que quando tais pessoas que crêem nestas coisas, passam por crises de enfermidades, além da doença em si, elas terão outro problema. Sentir-se-ão culpadas, porque se eu estou doente e declarei que não existe a doença, então isto deve ser falta de fé.
Conceitos teológicos errados tornam-se areias movediças quando temos que passar por crises existenciais e humanas.
O que faz Habacuque: Ele volta para os fundamentos de sua fé. Ele olha para quem Deus, para seu caráter, e se firma nisto. Este é o seu fundamento! Quando as coisas não vão bem e você não tem um conceito firme de Deus, você está realmente num grande problema. Num problema duplo: O circunstancial (o problema em si), e o extra-temporal (desvio teológico).

Os inimigos da última guerra era a Alemanha, mas os aliados começaram a derrotá-la no Norte da África. Sabiam que não podiam ataca-lo de frente, mas poderiam tirar suas bases. Uma das coisas que satanás tenta fazer em nós é esvaziar os fundamentos do Evangelho. Perdemos a capacidade de ver um Deus gracioso, achamos que Deus não nos ama, perdemos a capacidade de crer que somos filhos de Deus, e por isto ruímos.

Aplique isto a sua vida. Diante de um problema são levantadas várias dúvidas, questões não solucionadas. A questão de uma enfermidade contínua na casa, do desemprego, de tensos relacionamentos que se arrastam anos a fios, e que apesar de nossas orações não são resolvidos. Como lidar com estas coisas. Habacuque tem estes mesmos problemas aqui:
a)- O da aparente silêncio, fraqueza e derrota de Deus;

b)- O de conciliar o caráter divino com o uso que Deus faz do exército caldeu. Como Habacuque os resolve? Começando um pouco atrás. Admitindo determinados fatos sólidos sobre quem Deus é. Bill Bright certa vez afirmou: “Tudo na nossa vida cristã é determinado, ampliado e enriquecido pela visão que temos de Deus. Nos cinqüenta anos que tenho andado com ele, compreender os seus atributos tem sido a mais importante lição que aprendi".


1. Deus é Eterno - 1:12 “Não és tu desde a eternidade?” Nada é mais consolador, quando estamos no meio da crise, lembrar que Deus é aquele que vê toda nossa história, sabe o nosso passado, sabe de onde viemos e para onde estamos indo. Sabe nosso nome, nosso endereço, o número de nossa carteira de Identidade, tem a nossa ficha em suas mãos. Não estamos fazendo uma viagem para o nada, não vivemos num mundo sem causa e efeito, não estamos num universo cego. O universo não é apenas uma casca de nós. A história tem sentido. Deus dá sentido a esta história e à nossa história. O título deste sermão, foi extraído de um livro do Dr. James Dobson. “Deus faz sentido mesmo quando Deus não faz sentido”. Porque na nossa história confusa e tensa, não somos um amontoado de peças soltas. A história tem coerência, sua vida tem coerência, seus desatinos tem coerência: Deus é Eterno… Podemos entender que nosso Deus está para além da história. Ele é o dono da história.

J.I. Packer no livro, O Conhecimento de Deus diz 5 coisas que são derivadas desta imutabilidade de Deus:
(a) - A Vida de Deus não muda - Ele não se torna mais forte ou menos forte na medida em que o tempo passa. Ele existe para sempre e é sempre o mesmo;

(b) - O caráter de Deus não muda - No curso da vida humana os gostos, as perspectivas, o temperamento, podem mudar radicalmente; um homem gentil, equilibrado, pode se tornar amargo e excêntrico, um homem de bom gênio pode se tornar cínico e insensível. Mas Deus não muda.

(c) - A verdade de Deus não muda - Muitos de nós temos que mudar nossas próprias palavras, porque elas deixaram de expressar aquilo que cremos; às vezes temos que engolir nossas palavras porque as realidades dos fatos revelam que nos enganamos. Mas sua verdade não muda!

(d) - Os caminhos de Deus não mudam - Ele continua a agir com os pecados da mesma forma que agia. Seus objetivos e atos permanecem constantes, nunca, em tempo algum, age em desacordo com o seu caráter;

(e) - Os propósitos de Deus não mudam- "A glória de Deus não mente nem se arrepende”. I Sm. 15:29 Reubin Welch : "Com Deus, mesmo quando nada está acontecendo, alguma coisa está acontecendo".

2. Deus é Santo - 1:12 Ele é total e absolutamente santo. Deus é luz e nele não há treva alguma. Pode o Senhor cometer injustiça? Ao permitir que algo aconteça ao mundo, a você e a mim, Deus age com base no seu próprio caráter que é Santo, não pode conviver com o pecado, e rejeita veemente nossas sombras. Deus é Santo, Deus tremendo! Por isto você pode confiar plenamente nele. Ele não está querendo lhe passar uma rasteira, nem retirar o prazer de sua vida. Ele sabe o que é melhor para você, e sabe onde deseja que cheguemos. Muitas vezes, neste processo de tratamento conosco, ele nos leva ao deserto, ele nos faz chorar, mas o resultado dele é sempre o seu amor e cuidado. Porque Deus é santo.

3. Deus é Todo-Poderoso- A palavra "Todo Poderoso" tem a ver com majestade, um termo que vem do latim e significa grandeza. Hoje em dia damos muito a idéia de que Deus é pessoal. Apesar deste conceito ser verdadeiro, não podemos deixar a impressão de que porque Deus é uma pessoa nos esquecemos que ele é grande. Deus não tem limites: Ele é eterno, infinito e poderoso. Diante de nossas crises desconsideramos o tamanho de nosso Deus, e seu poder maravilhoso.

4. Deus é Fiel - Quando ele faz uma promessa, ele não pode quebrá-la. Para que isto acontecesse ele teria que negar aquilo que ele é. Lembre-se das promessas de Deus, qualquer um que ele tenha feito. Ele não pode deixar de cumpri-las, porque Ele é Fiel. Tenessee Williams: "Deus necessariamente não surge quando nós o necessitamos; porém, ele está sempre no horário."

O que pode sustentar você diante das questões mais angustiantes da alma? Quando as provações são maiores que você? Quando o seu interior está confuso? Quando você pensa que não existem mais saídas: O caráter de Deus. O que sustenta você não são as respostas que as pessoas dão a você (muitas vezes elas falham); não são as circunstâncias (tantas vezes adversas), mas a certeza de que, aconteça o que acontecer, o Senhor vai estar do seu lado. É isto que fez Habacuque. Apesar da crise ele diz: Senhor, estou olhando para aquilo que tu és…
Existem áreas sobre as quais estamos absolutamente certos que estão fora de dúvida. O caráter de Deus é de todas estas áreas, a mais importante. Anote-as, relembre-as, este é um campo sólido no meio do pantanal encharcado de lodo.

II. Entregue a Deus o problema não solucionado“Por-me-ei na minha torre de vigia…” (Hab 2.1)

Apesar de termos o conceito certo (pensar naquilo que Deus é, e como ele cuida de nós), às vezes não temos condições de responder a todas as indagações da alma. Há questões não facilmente solucionadas. Nestes casos, leve o problema a Deus e espere…
Não basta raciocinar e ter o método certo, porque as nossas dúvidas esbarram em problemas básicos:

1)- Não conseguimos responder a todas as questões - Há áreas que não são resolvidas. Exemplo: A questão do filho com um comportamento homossexual dentro de casa; O filho com um problema de saúde insolúvel.

2)- Há uma distância tremenda entre nossa admissão intelectual do fato e a aceitação emocional do mesmo -
Muitas vezes a emoção encontra-se oposta à razão. A pessoa sabe de tudo, mas não consegue fazer com que aquele fato seja admitido. Leve isto a Deus…“Volta minha alma ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para contigo”.
Desligue-se do problema. Não segure o problema. Se você continua a se preocupar, não houve entrega autêntica. Deixe a dificuldade com Deus, vá para a sua torre de vigia. A ansiedade é espiritualmente paralisante e fisicamente debilitante.

III. Aguarde a resposta –
“Vigiarei, para ver que resposta o Senhor me dirá…”

Não basta orar, contar a Deus nossas perplexidades, lançar sobre ele nossas cargas. Devemos esperar em Deus. Deus nunca nos chama para fazer um trabalho sem abrir as portas. Pode demorar algum tempo, ele poderá fechar portas, mas abrirá uma em particular. Pode permitir obstáculos, mas o caminho adiante permanece claro. Deus vai dar claros sinais de orientação.

Aqui percebemos algumas questões da alma do profeta:

a) - Sua expectativa - Quando aguardamos uma resposta do Senhor, uma manifestação divina, ela nos parece demorada - mas não tardará!

b) - A ambigüidade e o paradoxo do profeta - Demorada: Não tardará! Uma das coisas mais importantes neste texto é o paradoxo que acomete o profeta. 2:3. “Se tardar espera, porque não tardará.” Ai dá vontade de perguntar ao profeta: Como é, vai demorar ou não. Ele diz: Se tardar espera, mas não tardará…Vai ou não vai? Ele sabe que vai demorar as vezes, mas esta demora é relativizada pelo fato de que Deus vem, e quando ele chega, a gente percebe que apesar daqueles dias terem parecidos tão longos, eles de fato não o foram. São longos porque para a alma inquieta e ansiosa ou atribulada, uma noite é uma eternidade…Deus virá, logo em seu auxílio! E nós ficamos na nossa dor clamando: “Oh Senhor, venha logo!”.

c) - A certeza do profeta - Deus responderá as suas inquietações de uma forma clara e inequívoca. 2:2 Deus vai colocar num out-door…

Conclusão:a. Deus fará cumprir seu plano - 2:3
Deus tem propósito na história mundial e tem propósitos na minha vida pessoal. Vai se cumprir, não falhará!!! Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Deus vai sempre honrar suas promessas. Deus diz: “Tenho ouvido suas orações, eu entendo suas perplexidades…aqui está minha resposta. Os caldeus que se levantam contra Israel, também vão cair. Eu estou sob controle. Tudo está nas minhas mãos.

b. Deus adverte que, apesar do aparente sucesso do ímpio, seu fim será dramático - 2:4
Pense no fim do povo caldeu… Vitorioso (Nabucodonozor, Beltessazar), daí a alguns anos, uma nação inexpressiva, os medos e persas chegam e os destroem. Onde o poderio caldeu??? Energia nenhuma, caiu a grande babilônia…Não se impressione com o sucesso atual do ímpio, não imite seus caminhos. 2:5 “Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante”.

c. Ainda que não esteja vendo nada, eu vou esperar! 2:1
Vigilância tem a ver com observações, estar atento aos movimentos. O vigia está atento ao que acontece. A posição de vigia não é o ataque, é a atenção! Estar na torre significa, esperar, não é uma espera apática…Depois de colocar diante de Deus as nossas perplexidades, colocar-se na expectativa da resposta.
Muitas vezes falhamos nas orações porque oramos e nos esquecemos do que falamos. Ore, mas fique na ponta dos pés, descanse, mas fique atento! Ora pelo namoro, mas fique atento!

b. Deixe o problema com Deus -
Ira para a torre significa, sai do vale da depressão. Leva a Deus a diga: Senhor, eu tenho um problema terrível e não sei o que fazer. Vou deixá-lo aqui contigo. V Peale: Orando e deixando bilhetes com pedidos dentro da Igreja. Esta é a mensagem básica deste texto: “O justo viverá pela fé! Eu não estou vendo, mas eu creio".
Isto é tão revolucionário que Deus diz: Coloque num outdoor! 2:2

habacuque 1 QUANDO DEUS PARECE INATIVO

Introdução:

Para aqueles que tem dificuldades para localizar o livro de Habacuque, gostaria de facilitar-lhes dizendo que ele se encontra entre Naum e Sofonias. Eh, parece que não vai ajudar muito...
Este texto relata o dilema de um profeta, que vê em seus dias, uma tragédia vindo sobre sua nação. Israel é outro dos pequenos paises que será dominado, em questão de dias, pela força imperialista dos Assírios. Os paises que ficavam ao norte de Israel, já estavam sendo dominados, e eles queriam conquistar e subjugar todas as pequenas nações para ampliar seu domínio.
O profeta como homem de Deus, se vê desafiado a orar. Afinal, espera-se que um servo do Senhor clame quando vê sua nação sendo destruída por homens inescrupulosos. Deus podia livrar Israel, Ele já fizera tantos milagres portentosos, e poderia libertar o seu povo, se assim o desejasse.
O problema é que, quando ele ora, Deus demora-se para responder e quando responde, o faz de forma inesperada. Gostaríamos de estudar este texto de hoje, focalizando neste tema que tem incomodado tantas pessoas hoje em dia: Por que Deus se parece tantas vezes inativo? Por que Deus muitas vezes parece não fazer sentido?

Há muitos problemas relacionados a vida de fé. Muitos pensam que a o tema exclusivo da Bíblia é o de Deus com os homens, mas a verdade é que a Bíblia relaciona-se com a condição do mundo inteiro e seu destino. Se não compreendermos que a Bíblia tem uma versão toda sua, não é de surpreender que o mundo nos desespere.

No final do século passado até os anos 60, existia o problema da ciência: “teoria da evolução” parecia ameaçar toda a fé bíblica. A questão era do como compartilhar esta teoria (supostamente científica), com o criacionismo adotado no nosso sistema de fé?. Alunos saiam para suas classes, e enfrentavam enormes problemas em relação a esta discussão, quando professores agnósticos zombavam dos pressupostos cristãos sobre este tema

Conhecido escritor brasileiro, ex-pastor, chegou a afirmar que sobre este assunto devemos pensar em duas dimensões. Ciência é a forma como de fato são as coisas. Religião, contudo, usa uma linguagem poética, fala de desejos. É a forma como gostaríamos que fossem as coisas. Ao fazer isto, contudo, negou o pressuposto da verdade na fé cristã, e a reduziu a uma utopia. Apenas um discurso romântico.

O problema atual, contudo, parece caminhar noutra direção: Duas guerras mundiais parecem incompatíveis com a idéia de um Deus bom e Todo-Poderoso. O problema da exploração do pobre, do massacre de inocentes, de tragédias geradas pela natureza, levam-nos a uma questão filosófica tremenda, como alguém já definiu: “Ou Deus é bom, mas não é poderoso, ou é poderoso mas não é bom”.

No texto que lemos, o profeta Habacuque enfrenta exatamente esta questão. Ela encontra algumas dificuldades para conciliar sua fé, com a questões que os fatos históricos trazem sobre ele. É exatamente sobre este assunto que queremos considerar hoje. Por que Deus parece muitas vezes inativo em meio a situações provocativas da história, diante da dor humana?

O profeta Habacuque levanta pelo menos duas incômodas questões:1. O aparente silêncio de Deus- 1.2 Por que Deus muitas vezes não se pronuncia diante de questões aflitivas? O profeta ora, e parece que sua oração não encontra eco no ouvido do Senhor dos Exércitos: “Até quando clamarei e tu não me escutarás?".

2. A aparente impotência de Deus – Que vê a atitude daquela nação perversa e parece não se importar. O profeta sente isto na pele, ao ver a iniqüidade e a opressão e não ter instrumentos para poder reagir. E pedir a Deus resposta ela simplesmente parece não vir.

E, por que Deus demora em reagir o profeta percebe que:
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(a) As pessoas perdem a noção de ética e surge a frouxidão moral – (Hb 1.4)
Esta mesma tensão foi levantada por Rui Barbosa, ao afirmar:
“De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver crescer as injustiças,
De tanto ver agitarem-se os poderes nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra,e a ter vergonha de ser honesto”.

(b) Torna-se difícil conciliar o caráter de um Deus bom com a aflitividade e o desespero humano. Ou Deus é bom, mas não é poderoso, ou Deus é poderoso, mas não é bom. Ou Deus é frágil ou é bom…

(c) Perde-se a razão de viver "Por que fazes os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não tem quem os governe?" (Hab1.14) Você por acaso nunca viu gente desiludida com a vida dizendo que a vida é apenas biológica? Que não existe racionalidade na existência? Que os homens são como animais? É exatamente isto que o profeta está mostrando aqui.

Por que o profeta sente assim?1. Porque como nós, pessoas no meio da dor, não conseguem ver além de seu sofrimento - a dor retira de nós a capacidade crítica, impossibilita-nos de olharmos friamente e vermos as coisas numa perspectiva mais ampla.

2. O profeta faz uma Leitura Parcial da história - Habacuque só vê um bloco da história no qual ele está inserido. Ele não vê o plano maior. O propósito de Deus para a história como um todo. Como Jó, encontra-se no meio de um grande drama, no qual ele é protagonista, sem saber… As coisas parecem não ter coerência, simplesmente acontecem. Por isto ele pergunta: "Até quando?".
Deus, na sua sabedoria, está conduzindo a história a um fim, e parece-nos, em determinado momento, que as coisas não fazem sentido. Como uma colcha de retalhos, mal costurada por debaixo.

3. Porque o cronograma de Deus nem sempre bate com o nosso. Deus muitas vezes se parece inativo - “Até quando?” (1.2) e “porque” (1.13). Deus pode parecer estranhamente silencioso e inativo em circunstâncias provocativas. Oramos por alguém, jejuamos e o problema persiste (Hab 1.13). Por que? Ex. Da esposa do Carlos Alberto em Brasília…

4. Por causa das respostas inesperadas de Deus. No texto lido ele demora, e quando responde, usa instrumentos incomuns e dá respostas inesperadas. Demora, e quando responde, responde de forma adversa (Hab. 1.6). Ele ora preocupado com os caldeus e Deus diz: "Estou enviando os caldeus". Pensamos que Deus deve responder de uma forma, mas Deus o faz de forma completamente distinta. Usa os caldeus…Às vezes o último instrumento esperado…

Como encontrar sentido nestas coisas?
No meio desta contradição presente no texto, Martin Lloyd Jones, grande pregador reformado de Londres, mostra três grandes verdades que surgem desta experiência:

1. A história está sob controle divino - “Suscito os caldeus”. (Hab 1.6). Os caldeus, ou qualquer outro evento histórico, não são obras do acaso, da coincidência histórica, antes cumprem propósitos determinados por Deus. Aquela nação está fazendo aquilo que Deus queria que ela fizesse. Ela não surge sem que uma força maior a controle. O texto demonstra que Deus controla não apenas Israel, mas os caldeus.
Idéia semelhante nos é demonstrada em Jeremias. O povo de Deus havia sido exilado. Encontrava-se desanimado na terra dos Caldeus, queixoso e aborrecido, e Deus traz uma palavra por meio do seu profeta dizendo. “Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para a Babilônia ” (Jr 29.4). O que Deus lhes diz é que nunca, em nenhum momento, a história deixou de ser história de Deus. Os homens fazem as coisas, mas Deus está no controle divino, e vai realizar aquilo que Deus deseja através dos agentes da história, mesmo quando os homens não tem consciência desta verdade.
Mais surpreendente ainda é quando Deus afirma que o Rei Ciro, rei dos Medos e Persas , portanto um homem absolutamente pagão, distanciado das verdades de Deus, afirmando que ele era seu pastor. “Assim diz o Senhor ao seu ungido, A Ciro, a quem tomo pela mão direita (...) Ainda que não me conheces" (Is 45.1,5).
Toda nação da terra e todo indivíduo estão debaixo da soberania de Deus. Mesmo o diabo não é capaz de impedir a obra de Deus na história. Não há poder neste mundo que não seja controlado por Deus e que possa resistir a sua vontade.
O tema mais constante em Apocalipse é que “Todas as coisas estão sob o controle de Deus”… Às vezes achamos que nosso mundo é caótico, que não há coerência nem propósito. Mas as coisas não são como aparentam ser. Em Hebreus 2.8 nos é dito “Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas…” Nem tudo está claro para nós, mas todas as coisas seguem um propósito de Deus.
John Stott afirma que esta é uma clara dialética da escrituras sagradas. Temos na Bíblia o “Já e ainda não”. Deus é Senhor de todas as coisas por Lei, mas na prática ainda não vemos todas estas coisas sujeitas a ele, e achamos, eventualmente, até que satanás pode ter algum controle. Mas a Bíblia nos diz, nem um fio de cabelo cai sem a permissão de Deus. Todas as coisas estão sob seu controle. Ele, e apenas Ele é Deus! Existem alguns inimigos ainda não destruídos. A MORTE é um destes inimigos, vencida sim, na cruz, mas ainda não destruída (I Co 15.26).
A façanha militar dos caldeus era permissão de Deus…

2. A história segue um plano divino: As coisas não acontecem por acaso. Um antigo hino afirma: "As tuas maos dirigem meu destino", e mais à frente afirma em outra estrofe "O acaso para mim não haverá". Os acontecimentos não são acidentais. Há um plano definido para a história. Deus vê o fim desde o princípio.

O capitulo 19 de Apocalipse é um bom texto para que entendamos isto. Nele nos é relatado a volta do Cordeiro, a volta de Jesus. Três verdades claras são estabelecidas naquele texto, e tais verdades não podem ser revogadas pelo diabo:
2.1. O Povo de Deus é vitorioso – Ap 19.9 e 22.14 fala-nos da bem aventurança deste povo. Satanás não pode impedir a igreja, não pode impedir que aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro não participem da festa. A igreja segue vitoriosa no nome de Jesus. Isto não pode ser revogado, porque "os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis". A Igreja esta no sempre do plano de Deus.
2.2. O diabo já tem sua derrota decretada. Ele será manietado e jogado no lago de fogo e enxofre – "mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre" (Ap 19.20).
2.3. O cordeiro é vitorioso - A descrição do texto de Apocalipse 19.11ss é magistral. "Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus" (Ap 19.11-13) Vale a pena continuar a leitura do texto.

3. A história segue horário divino – Este é um dos dilemas mais pesados para nós. Muitas vezes achamos a intervenção de Deus demorada. Veja o que Pedro nos diz: "Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrario, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pe 3.9). A razão da aparente demora de Deus é porque ele ainda está dando tempo para que nos voltemos para ele, e sejamos salvos.

A Bíblia nos afirma que "Há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ec 3.1). Algumas vezes Jesus se referiu a esta questão do tempo de seu ministério, tempo de sua ação. “Ainda não é chegada a minha hora…” (Jo 2.1). Para que Jesus se revelasse, havia ao tempo certo de Deus. Mas, “Vindo porém a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho, nascido de mulher” (Gl 4.4). No centro do drama da história está o Filho de Deus.


Conclusão:
Todas estas questões incomodam profundamente a nossa alma, principalmente quando estamos na expectativa de um livramento, ou nos sentindo ameaçados, mas uma coisa pelo menos temos que nos lembrar: O profeta Habacuque continua a orar, apesar de não entender, a crer e a esperar, apesar de não ver ainda as respostas de suas orações, ou mesmo de ver respostas diferentes daquelas pelas quais orou. Ele sabe que Deus está acima. Deus ministra ao seu coração.

A Bíblia diz: “Sede firmes e perseverantes, sabendo que no Senhor, o nosso trabalho não é vão” (1 Co 15.58). Não deixe de perseverar e fazer o que é certo, porque Deus, deixa de lhe atender como você espera que ele faça. Isto significa “perseverança”.

Jesus afirmou varias vezes no livro de Apocalipse: "Eis que venho sem demora, guarda o que tens para que ninguém tome a sua coroa" (Ap 22.7).