segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ne 6.3 Estou fazendo uma grande obra



Introdução:

Sempre me fascinou pessoas imbuídas de uma clara  convicção e chamada para suas vidas. A igreja Presbiteriana de Anápolis tem nos seus anais históricos, duas pessoas com esta percepção:

Dra Rettie Wilding em 1930 abandonou a Inglaterra, adotando o Brasil como sua pátria, adentrando a inóspita Ilha do Bananal, num tempo em que não existia Goiânia, Brasília ou a estrada Belém Brasília. Sua base missionária ficava na cidade de Goiás, antiga capital do Estado e ela saia dali andando no lombo de um cavalo, indo até o Rio Araguaia, onde tomava uma canoa e viajava 7 dias para chegar à Ilha do Bananal, alimentando-se de peixe, tracajá e ovo de tracajá, a ali criou seu pequeno Josiah, hoje nosso querido Dr. Joe Wilding. Seria o ovo de tracajá o segredo de sua vitalidade?

O segundo é o Dr. James Fanstone que chegou ao Brasil em 1924, e em 1927, inaugurava o Hospital Evangélico de Goiás, em Anápolis.
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Seu pai fora pastor e fundador em Recife-PE da 1ª. Igreja Congregacional em 1879. Ele tinha o mesmo nome de seu pai, e formou-se em medicina pela Universidade de Londres, em 1914, e entre quase 2000 formandos, foi o segundo melhor aluno. Convocado pelo seu país, serviu como médico na 1a.  Guerra Mundial e com o fim da guerra doutorou-se em ciências tropicais, já pensando em vir para o Brasil. Para se habilitar como médico no Brasil e ter seu curso de medicina reconhecido, submeteu-se a uma pesada banca de exames na Universidade Federal de Minas Gerais, onde finalmente recebeu seu CRM e pode clinicar.
Quando chegou a Anápolis, a cidade tinha apenas 2000 habitantes[1] e certamente o que muito o traumatizou foi o fato de que não havia nesta cidade, nenhuma padaria, porque ele registrou isto em suas memórias, não havia também açougue. Há um relato pitoresco de que, D. Dayse, sua esposa, fez uma reclamação na prefeitura da cidade, porque se compadeceu da vaca que era amarrada numa praça, onde era morta e sua carne vendida ao ar livre.
Outro detalhe interessante é que em todo Estado de Goiás, com quase 500 mil habitantes, nunca havia sido feito uma cirurgia e a primeira foi feita numa mesa de cozinha, antes mesmo do hospital ter sido construído. Era um paciente com uma obstrução intestinal conhecida como “nó na tripa”.
Em 1934 fundou a Escola de Enfermagem e foi um dos conselheiros na fundação da Associação Educativa Evangélica, a Escola Couto Magalhães e a Universidade Evangélica. Em 1951 recebeu de Sua Majestade, o Rei Jorge VI, o título de oficial de Divisão Civil do Império Britânico, e foi entrevistado pela BBC de Londres, que se interessou em relatar sua história de dedicação e fundação do Hospital Evangélico em Anápolis, numa de suas raras visitas a Londres.. Foi ainda tema de uma matéria publicada na Revista Time, à qual não tive acesso. O livro, Dossiê de Goiás, publicado em 1996, dedica 3 páginas inteiras para falar do pioneirismo do Dr. James Fanstone[2].
Dr. Fanstone, foi organista da Igreja Presbiteriana Central de Anápolis por muitos anos, e faleceu aos 97 anos de idade, depois de quebrar sua perna num acidente na porta do templo da igreja, na Rua Desembargador Jaime, 194, e ficar um longo tempo de recuperação, foi promovido para a glória.
O livro Missionários Americanos, de Mário Ribeiro Martins[3], dedica 3 páginas inteiras sobre o Dr. Fanstone. O livro Missionary Adventure in Brazil, (que lamentavelmente nunca foi traduzido para o português, traz as reminiscências do Dr. Fanstone e foi editado pela sua irmã Baird, em Londres.
Minha reflexão desta noite é sobre a razão que dá a tais pessoas um senso de missão tão claro. Neemias, no texto citado acima, abandonou todo seu prestígio trabalhando ao lado de Artaxerxes, poderoso imperador, e retornando à Israel, para construir os muros da cidade, debaixo de muita perseguição política e com uma estrutura perigosa. Quando provocado, não apenas uma vez, disse: “Estou fazendo uma grande obra”, e se recusava a abandonar o chamado e a vocação que entendia ser proveniente do próprio Deus.

Deixe-me falar de três coisas que se tornam inspiração para tais pessoas:

1.       Compreensão da grandeza da vida – Neemias era um copeiro do rei, homem de confiança, vivia no palácio, rodeado de nobreza, com remuneração à altura de seu cargo, respeito, dignidade, estabilidade financeira, mas descobre um chamado que enche seu coração de sentido. Ele percebe uma grandeza que existe na vida que tem propósitos, se sente parte de um projeto de Deus, e nada o desafia mais do que isto.
Muitas pessoas percebem que suas vidas não podem ser desperdiçadas com auto-satisfação, mas com o serviço e a glória de Deus. Sabem que possuem apenas uma vida para viver e que esta vida não pode ser desperdiçada. Paulo afirma: “Em nada considero minha vida preciosa, conquanto complete a carreira que me foi dada, por isto, de boa vontade me gastarei e me deixarei gastar”.
Dr. Fanstone sai de Londres em 1927 para se dedicar a uma vida sem reconhecimento, numa região inóspita e central do Brasil. Ele jamais poderia imaginar qualquer glória, mas entendia que sua vida deveria ser consumida neste lugar. O chamado de seu pai para ser pastor no Recife, em 1879, se deu depois que ele ouviu que um missionário havia morrido de febre amarela, e estavam precisando de outro obreiro para substituí-lo no Recife, e foi este apelo que o trouxe ao Brasil para fundar a primeira Igreja Congregacional da cidade.
Que grandeza de visão e de sonho. Que compreensão da vida!

2.       Percepção da dor humana – Neemias é profundamente desafiado quando percebe a calamitosa situação do seu povo em Jerusalém. Depois de receber o relatório de Hanani, alguém que estivera em Jerusalém, ele descobriu que as pessoas estavam em grande miséria e desprezo, e por isto ele se assenta solitário e em oração muitos dias. Ele fica em choque ao perceber a grande necessidade e sofrimento daquele povo.
Uma das coisas que encantava o Dr. Fanstone, era servir num local onde as pessoas morriam por causa de uma simples crise de apendicite. O mesmo sentimento percebemos na Dra Rettie. Ela relata sua convivência com os índios que chegavam à base da missão na Ilha do Bananal da seguinte forma: “Centenas de pessoas acometidas por malária”. Seu próprio esposo morreria pouco tempo depois por causa da insalubridade da região. Sua vida também poderia ter sido ceifada, bem como a de seu pequeno filho, mas em última instância, tais ameaças não eram capazes de inibir o desejo de servir e amar.
Centenas de vida foram salvas aqui neste hospital, por causa de um chamado que Deus deu a este homem. Pessoas que são capazes de sair de si mesmas, do seu narcisismo e egoísmo, tornam-se livres, generosas, doadoras e resolvidas. Boa parte de nossa depressão atual reside no fato de que estamos muito auto-enamorados, e não somos capazes de perceber ninguém além de nós mesmos, e este movimento egóico nos neurotiza e adoece.

3.       Compreensão da grandeza de Deus  – Vemos em Neemias, uma profunda relação de amor com o seu Deus. Para o judeu, o templo estava identificado com a glória do Senhor. O magnífico templo havia sido profanado, destruído, o Santo dos Santos saqueado. Todas as promessas anteriores que foram dadas em relação à Jerusalém agora pareciam esquecidas. A glória de Deus precisava ser novamente exaltada.
No livro, sowing in tears, A Dra Rettie[4] fala do grande prazer que ela trazia em seu coração em fazer a obra de Deus. Sua alma era invadida por uma presença sobrenatural, e a alegria que ela encontrava em Deus perpassa todo o relato de seu chamado e ministério. Podemos perceber isto em cada uma das páginas de seu livro. Ela graduou-se em Medicina em 1923 e após três anos de experiência num hospital em Londres, onde trabalhou de 1926-1929, tinha sua própria casa e carro e uma grande possibilidade de crescimento na carreira na cidade mais prestigiada do mundo e num país que era, literalmente, dono de metade do mundo – Inglaterra.
Seu chamado se deu numa manhã de domingo, no início de 1929, quando ouviu a voz do Senhor através do Mr. Emery of Bristol, um pregador convidado, que leu o texto sobre a chamada de Abraão: “Sai da tua terra e da tua parentela, e da casa de seu pai, e vai para uma terra que eu lhe mostrarei”. Ela relata que seu corpo tremia da cabeça aos pés, ela sabia que Deus estava falando com ela. Naquela noite, enquanto orava consagrando sua vida, uma paz que ela nunca havia experimentado inundou seu coração.
Quando entendemos quem é o Deus a quem servimos, e a grandeza de seu propósito para nossa vida, todas as demais coisas são relativizadas. Como estamos precisando deste mesmo mover de Deus sobre as novas gerações, tão preocupadas com auto satisfação, entretenimento, conforto, mas tão vazias de inspiração.
Nas suas memórias, Dra Rettie escreve: “Meu alvo é Deus em si mesmo, não alegria, nem paz, nem mesmo benção, mas apenas Deus, o meu Senhor. Que ele possa me conduzir então, a qualquer custo, em a qualquer estrada, amado Senhor!” quando conhecemos a Deus desta maneira, todas as demais riquezas e tesouros são pequenas demais, diante da grandeza de Deus.

Conclusão:
O livro “sowing in tears”, inicia com um desafio: “Para que a igreja brasileira possa aumentar o compromisso com as tribos e suas fronteiras, enviando outros jovens homens e mulheres para ganha-los para Cristo, pois ainda há muita terra para ser alcançada”.
No livro “Missionary Adventure in Brazil”, a irmã do Dr. James Fanstone escreve: “Este pequeno volume tem sido publicado em louvor de uma pessoa mas acima de tudo, como um tributo aos dedicados obreiros e inumeráveis missionários que vivem que vivem suas vidas, anonimamente, sem honra, em inóspitas terras estrangeiras.  Suas contribuições e o valor de suas vidas, excedem a dos embaixadores e diplomatas”.
São pessoas que decidiram dizer:
“Estou fazendo uma grande obra!”.





[1] Baird, Missionary Adventure in Brazil, Sussex, England, Errey’s Printers, 1952, pg 71
[2] Silva, Antonio Moreira. Dossiê de Goiás – Um perfil do estado e seus municípios. Goiânia, Máster Publicidade, 1996, pgs. 413-415
[3] Martins, Mário Ribeiro - Missionários Americanos e algumas figuras do Brasil Evangélico, Goiânia, Ed. Kelps, 2007
[4] Rettie, Wilding sowing in tears, London, Ed. The Evangelical Union of South America.(não encontramos a data).

Ef 5.8-16 Andai como filhos da luz



Introdução:

Parece normal e natural que as pessoas queiram a luz, afinal, a luz aquece, orienta, liberta (se você andar nas trevas vai precisar de energia dupla para não se contradizer, e lembrar as histórias que você inventou, se você andar na luz a verdade vai fluir sempre, naturalmente), mas acima de tudo, a luz nos aproxima de Deus: “Deus é luz e nele não há treva alguma”.

Apesar de todos os benefícios da luz, Jesus afirma: “O julgamento é este, que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más” (Jo 3.19). Por que, então, os homens amaram as trevas?

  1. Para ocultar o mal – Satanás, o pai da mentira, é mentiroso. Onde houver sombras, penumbras, mentiras, ele estará obtendo vitória. A única forma de vencer o mal é trazendo luz. No entanto, “Enganar-se a si próprio é contrair a barriga quando se sobe à balança” (seleções).

  1. Quando as obras são más, passamos a desejar e a viver na penumbra. Filhos das trevas amam as sombras, o ocultamento. Por esta razão, confissão e admissão de pecados é tão poderoso contra o mal, ele desmascara e denuncia, traz libertação da culpa e da acusação.
Alguns anos atrás, a Prefeitura de Anápolis resolveu fazer uma reforma geral na Praça Oeste, conhecida zona de prostituição e travestis em Anápolis. Então o prefeito de então, mandou colocar bastante luz naquele lugar. Depois de alguns dias, vieram algumas pessoas que tinham o seu ponto lá, pedindo ao prefeito, para que tirasse os postes de luz de lá, porque a clientela estava desaparecendo. Os “clientes” desapareceram depois que a praça teve claridade.

As trevas não arguem nem confrontam o mal que habita em nós: Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras” (Jo 3.20). Esta é razão pela qual os homens fogem da luz.
Quem se aproxima da verdade, não tem medo da argüição e confrontação. Se existe alguma algo obscuro, mensagens camufladas, a verdade negada. Os e-mails se tornam furtivos, as mensagens precisam se ocultar, os recibos falsificados e é necessário criar caixa 2.
A escuridão e as trevas ocultam o mal. Filhos das trevas detestam a luz.
A melhor forma de afugentar o mal é lançar luz. Se sua vida está cheia de sombras e você quer vir para a luz, comece a jogar holofote nestas sombras de sua alma. Venha para a luz!

Por isto, se você é filho da luz, viva como filho da luz. Deixe a luz do céu entrar. “Deus é luz e nele não há treva alguma”.
Pessoas das trevas amam a respeitabilidade, reputação, honra – mesmo quando são podres. Fogem da luz porque esta desmascara segredos, expõe chagas e mentiras e denunciam. Preferem viver nas sombras, mesmo que sejam destruídos pelas suas mentiras. “Nada há mais visível do que o secreto. Nada mais manifesto do que o minúsculo. Portanto, o homem superior cuida de si mesmo quando está sozinho”. [1]
O apóstolo Paulo afirma que antes da conversão o “velho homem se corrompe segundo as concupiscências do engano”. (Ef 5.22). As trevas enganam, geram falsa segurança trazem morte. Por isto, Paulo afirma que, como filhos da luz precisam “deixar a mentira”. Os filhos das trevas amam a mentira.
Jesus afirmou: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida deste o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, falsa do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Esta é uma dura afirmação: “Vocês são filhos do diabo, vocês amam a mentira”.
Por isto lemos aqui em Efésios 5.8: “Andai como filhos da luz”. Esta é uma mudança de status. Como filhos da luz, andai na luz. Não é possível continuar nas trevas se somos filhos da luz. Filhos da luz se deixam penetrar pela clareza de Deus e recusam as sombras do diabo, que nos enganam fazendo-nos pensar que estamos sendo libertos na escuridão.
Ef 5.11 afirma que “não podemos ser cúmplices das trevas”. Não apenas não andar nas trevas, mas também não ocultar as trevas para proteger quem quer que seja. Porque as “obras das trevas são infrutíferas”. É impossível ser noiva de Cristo e ter um caso com o diabo.
Ef 5.12 afirma que as obras das trevas envergonham. O caminho para fugir das trevas é apontado aqui no vs 14: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará”. Não tenha medo da luz, mas fuja das trevas. Quando Paulo se encontrou em Damasco, e recebeu a oração de Ananias, “imediatamente, algo como escamas caiu dos olhos de Saulo e ele passou a ver novamente. Levantou-se e foi batizado” (At 9.18). Que figura maravilhosa da obra de Deus na vida do homem. Caem as escamas e a visão é restabelecida.

Qual o efeito da luz?
  1. A luz traz liberdade– A Bíblia diz que a confissão de pecados cura enfermidades, mas se não curar o nosso corpo, pelo menos cura a nossa “cara de pau”. A verdade é sempre libertadora, porque toda verdade é verdade de Deus. “A falsa luz só pode nos levar para uma escuridão mais profunda”[2].

  1. A luz liberta do diabo – Quando Jesus afirma que aquele povo era do diabo, ele o faz, por causa do estilo de vida mentiroso, ele afirma que ao fazerem isto, se tornavam filhos do diabo, já que o diabo é o Pai da mentira. A verdade é que “um abismo chama outro abismo”. Quando vivemos nas trevas, atraímos mais trevas. Jesus chegou a afirmar: “Se a luz que há em ti são trevas, quão grandes trevas serão!”

  1. A luz traz segurança espiritual – “O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam. Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais, até ser dia perfeito” (Pv 4.19,18).

  1. A luz nos aproxima de Deus – Por que os homens rejeitaram a Cristo? Jesus afirma que não fizeram isto porque chegaram a alguns pressupostos lógicos, mas por causa de suas praticas más. Deus é o Pai da luzes. “Não vos enganeis, amados irmãos, toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do pai das luzes, em quem não pode existir variação nem sombra de mudanças” (Tg 1.16-17)

Conclusão:
Só existe uma forma de destruir as trevas. Acendendo a luz. Por isto o texto fala: “Levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará”. As trevas aprisionam e matam.
O caminho é o da auto-denúncia. Você precisa se denunciar para Deus. Chamamos isto de confissão. Jaqueline, uma quase desconhecida mística cristã da Idade Média afirmou que “confessar é antecipar o juízo”. Significa se apresentar diante daquele que pode lhe condenar e admitir o seu erro. Não aceite sequer pequenas “zonas das trevas” porque neste pequeno espaço Satanás pode fazer um grande estrago. Pequenas trevas causam grandes desgraças. Elas podem matá-lo.
A regra é se aproximar da luz, para que a graça nos liberte. “Onde tenha sol, é prá lá que eu vou!”.




[1] Confúcio : Pensamento vivo de Confúcio, pg. 70

[2] Martin., George R. R. -  Guerra dos tronos, livro quatro., São Paulo, Ed Leya, 2012, pg 448

domingo, 21 de setembro de 2014

Jo 3 O Novo Nascimento



Introdução:

O tema do Novo nascimento foi introduzido por Jesus num diálogo com um rabino de Israel, que era um admirador secreto. Sabemos de seus anseios e receios pela forma furtiva com que se dirigiu a Jesus. O texto afirma que ele veio “de noite”, se encontrar com Jesus. Podemos imaginar sua figura esgueirando-se pelas sombras para não ser percebido. Este homem tinha um legitimo anseio de encontrar-se com Jesus, e é movido por este desejo que ele o procura.
A conversa preliminar mostra um Nicodemos apreensivo. “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que t fazes, se Deus não estiver com ele”(Jo 3.2). Chamar Jesus de rabi era algo impensável para um líder judaico. Isto demonstra a admiração e atração que as palavras e a vida de Jesus exercia sobre sua vida.
A resposta de Jesus foi incisiva e direta. Ele afirma categoricamente que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus (Jo 3.3), ou entrar no Reino de Deus (Jo 3.5). Ele não teceu comentários com Nicodemos sobre sua situação, se de fato aceitava a afirmação sobre si mesmo, mas incisivamente fala de um tema inteiramente novo na teologia judaica. É necessário nascer de novo! Jesus sabia que estava lidando com um homem preparado, mas sabia que, a não ser que algo profundo e radical acontecesse na sua história, ele continuaria sendo a mesma pessoa.
Por esta razão, Jesus fala do novo nascimento. “Nascer de novo”, torna-se o imperativo mais importante e ponto de partida da espiritualidade cristã. Não nos transformamos em um cristão porque nos filiamos a uma igreja, ou porque cumprimos certos rituais e dogmas, ou aderimos a uma nova ética. Vida cristã começa com uma obra profunda e singular do Espírito Santo em nossa vida, sem isto não podemos ver ou entrar no Reino de Deus.
Nicodemos se surpreende com o discurso direto de Jesus, e procura saber não o que fazer, mas como fazer. Esta é a típica pergunta de pessoas gestoras e com forte tendências administrativas e de liderança. “como funciona?” qual é o modus operandis disto? 

ð      “Como pode um homem nascer, sendo velho?’ (3.4)
ð      “Como pode suceder isto?” (Vs. 9).

Por ser um tema central na vida cristã, precisamos estudar este assunto, e não apenas conhecer o tema, mas acima de tudo indagar. De fato nasci de novo? Minha vida chegou a um ponto de que algo especial aconteceu, seja esta decisão de forma imediata e dramática como acontece a muitos, ou num longo processo quando chego a um ponto em que realmente entendo a obra de Cristo, sou transformado pelo poder de sua palavra e pelo Espírito Santo.

Nascer de novo é importante por duas razões vitais. Jesus fala delas neste texto:

A.     Quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus- (Jo 3.3) – O mundo espiritual só é perceptível para quem nasce de novo. Este é um ponto fundamental. Você pode ser doutor em teologia, conhecer a bíblia inteira, ler seus textos no original, mas se não nascer de novo, não é capaz de discernir as coisas mais elementares da vida cristã. Aqueles que passam pelo processo de discipulado para o batismo, sabem que estou sempre dizendo: “Back to the basics”.  Volte para o ponto de partida. Sem nascer de novo não há vida espiritual.
Muitas vezes queremos falar de coisas espirituais para pessoas que ainda não tiveram uma transformação efetuada pelo Espírito de Deus, e é impossível, porque as coisas espirituais se discernem espiritualmente. O homem natural não consegue entender as coisas do Espírito. “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?”(Jo 3.10).
A pessoa pode ter doutorado e não entender a linguagem simples do reino, porque estas coisas são imperceptíveis aos seus olhos. O texto não diz que Nicodemos não era uma pessoa, pelo contrário, era honorável, tinha respeitabilidade, reputação, era mestre da lei, um dos principais dos judeus, mas não podia discernir espiritualmente o reino de Deus.
Gente sem novo nascimento não tem percepção do reino: projetos do reino, conceitos do reino, ética do reino, investimentos no reino, submissão ao reino – tudo isto não faz parte do seu dia a dia – ela não consegue abstrair nem perceber o reino de Deus.

B.      Quem não nasce de novo, não pode entrar no reino de Deus – (Jo 3.5) – O segundo verbo usado por Jesus, aprofunda ainda mais esa questão do reino. Jesus afirma que a pessoa, não apenas não consegue ver, mas também não consegue entrar.
Sem novo nascimento, vive-se na periferia da espiritualidade cristã.
Recentemente preguei num encontro de casais em Brasília, e nos assentamos com um jovem casal que ouvira uma de minhas palestras sobre as consequências das decisões de Ló sobre sua família. Ló levou sua esposa e filhas para um ambiente profano e secularizado, e posteriormente acabou se envolvendo sexualmente com elas. O resultado foi o surgimento de dois povos: moabitas e amonitas. Este povo era aparentado de Abraão, mas nunca se tornou povo de Deus, andava junto com os judeus, eventualmente eram opositores, tiveram uma herança de um homem que foi chamado de justo pela bíblia, mas nunca teve acesso às promessas de Deus, a legislação dos judeus. Nunca foram povo de Deus. Tão pertos e tão distanciados. Aquele casal confessou: “Estamos nos sentindo como os moabitas, pertos mas não o povo de Deus. Nunca tomamos uma decisão pela vida cristã, já vimos milagres em nossas vidas, nunca nos batizamos, nunca nos tornamos parte da comunidade de Deus”.
Jesus disse que sem novo nascimento, “ninguém pode entrar no reino de Deus”. Pode-se viver perto, andar na fronteira, ouvir as trombetas tocando no arraial de Deus, perceber o mover de Deus no meio do povo, mas nunca se submete à constituição do reino, não se torna súdito, não paga impostos, não tem cidadania e não entrar no reino.

Para aprofundar melhor o novo nascimento, precisamos desfazer alguns equívocos da nossa mente:

O que não é Novo Nascimento?

  1. Para nascer de novo, não basta apenas ter um assentimento intelectual sobre Jesus, concordar sobre algumas coisas sobre ele. Nicodemos faz algumas declarações impressionantes sobre Jesus, inclusive aceitando o fato de que ele tinha uma intima relação com Deus (Jo 2.2), mas ainda não fazia ideia do que era nascer de novo. Jesus é mais que uma concordância intelectual, ele precisa explodir em nosso peito como Senhor e dono de nossa vida;
Cristo não veio pregar moral. A moral centraliza-se no homem. Novo nascimento é obra de Deus em nós, não é de fora para dentro. Nicodemos admitia certos fatos acerca de Jesus. Ele admitiu que Jesus era mestre ao chamá-lo de  “Rabi”; reconheceu sua procedência divina:  “vindo da parte de Deus”, e sabia que Jesus era um homem especial” “ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes se Deus não for com ele”. No entanto, tais coisas não foram suficientes para o novo nascimento. Em Jo 2.23-25 nos é dito que muitos viram os sinais que Jesus havia feito, mas Jesus não se confiava a eles. Nicodemos era um destes, mas Jesus não se impressionava com pessoas que o procuram apenas por curiosidade e por milagres, ou porque ficavam impressionados com seus ensinos e personalidade, como ficou Nicodemos. Portanto,  novo nascimento não significa ficar impressionado apenas com o poder de Deus;

  1. Novo nascimento não é religiosidade – Nicodemos era um mestre religioso entre o povo de Israel (Jo 3.1). Era um dos principais dos judeus, praticante da lei, cumpridor dos mandamentos. Seus ritos e práticas religiosas, não geraram um novo estilo de vida que vinha de Deus. Não se trata de Proselitismo: Deus não quer religiosos, que apenas mudam de grupo sem mudança de caráter, de rótulo, mas sem vida. Um hindú disse para Stanley Jones: “Por 20 rupees e um bom emprego eu me batizarei”.  O missionario metodista respondeu: “Nem se o senhor me desse 20 mil rupees, eu o batizaria nestas condições”.

  1. Novo nascimento não é reencarnação –  a sociedade brasileira, tem recebido muita influencia do espiritismo, que eventualmente cita este texto da Bíblia para falar de reencarnação, mas Jesus afirma que se você nascer novamente da carne, se isto fosse possível, ainda assim seria carne (Jo 3.4-5). A  Bíblia afirma que “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo”(Hb 9.27). Jesus não está falando de carne, mas de um nascimento espiritual.

  1. Novo Nascimento não é um processo natural. Quem nasce de carne, continua sendo natural. O homem natural não pode discernir as coisas de Deus, porque sua mente é carnal.

  1. Novo nascimento não é emocionalismo, entusiasmo e euforia. Mas é algo que vem de dentro, faz uma nova criatura.

O que é Novo Nascimento?

Jesus fala de duas coisas fundamentais: precisamos nascer da água e do Espírito.

  1. Nascer da água. Qual o significado destas palavras: “Se alguém nas nascer da água?” (Jo 3.5) Definitivamente não é o batismo, um ritual importante na vida cristã, sinal de obediencia dos que creem (Mt 28.18-20) mas que não tem poder regenerativo, nem pode salvar alguém. Água deve ser entendida como símbolo do arrependimento, da lavagem que o sangue do Cordeiro faz na vida daqueles que são por ele transformados. Em Tt 3.5 lemos: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”.

  1. Nascer do Espírito. A segunda compreensão que Jesus nos dá é a seguinte: “Se alguém não nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5). Ele está se referindo a uma obra do seu Espírito em nossa vida. É um derramar do Espírito no coração. É regeneração, novo nascimento. Você continua na mesma pele, na mesma carne, a casca é a mesma, mas o coração é diferente. Mente, coração e valores são mudados de dentro para fora.  Por isto a Bíblia afirma que “se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas antigas se passaram, eis que se fizeram novas”(2 Co 5.17)

Como pode acontecer isto? (Jo 3.9)

  1. Jesus afirma que Novo Nascimento é para agora, na nossa história. É coisa contemporânea! Ele diz estar falando de coisas concretas, terrenas (Jo 3.12). Não é uma experiência para além da vida, mas algo que pode se dar hoje.

  1. Jesus exemplifica esta história com outra história do antigo Testamento (Nm 21.8). A Bíblia relata que por causa do pecado do povo, Deus enviou serpentes abrasadoras para o meio do arraial, cuja picada era fatal. Então, Deus ordenou a Moises que fizesse uma serpente de bronze no meio do deserto, e quem fosse picado de cobra, bastaria olhar para aquela imagem que seria restaurada. Jesus afirma que assim como a serpente de bronze mudava a situação de pessoas condenadas à morte e trazia vida, assim também, quando o Filho do homem fosse levantado na cruz, faria o mesmo (Jo 3.14);

  1. Então, se você quer nascer de novo, olhe para Jesus. Novo nascimento é prerrogativa do homem de Nazaré. Ele tira a peçonha do pecado que de forma tão destrutiva, penetra em nosso ser, o seu sangue é capaz de tirar o efeito do veneno de nossas veias. Ele nos purifica e nos cura! Isto é novo nascimento. Obra de Deus em nossa vida. Relembremos a história: o povo de Israel estava enjoado do maná, blasfemando contra Deus. Deus envia serpentes abrasadoras. Todo que olhava para esta serpente de bronze voltava a viver. Jesus diz: “Quem crer, vai nascer de novo” (Jo 3.15). Ao olharmos para a obra de sua cruz e reconhecermos o que ele estava fazendo, somos transformados pelo poder do calvário. Jesus tira a peçonha maligna da mentira, roubo, adultério. Nos faz novas criaturas. Basta olhar para ele, para a cruz.

Jesus afirma que esta experiência não é apenas possível, mas imprescindível, condição sine qua non, para participarmos das coisas de Deus. É necessário nascer de novo para ver e entrar no Reino de Deus (Jo 3.7). Jesus afirma também que esta é uma experiência histórica – pode acontecer hoje (Jo 3.12). Nicodemos estava imaginando que estas coisas seriam transcendentes e Jesus faz questão de dizer que se tratavam de coisas terrenas, plausíveis, concretas, realizáveis hoje.

Bênçãos do novo nascimento?

1.       Ver o Reino - Ter compreensão espiritual. Deus dá novos olhos. O mundo é percebido com outro significado. Alguns relativos perdem espaço para o absoluto de Deus. Tira o efeito do veneno da serpente que é satanás. “Se antes conhecemos a Cristo segundo a carne, já não o conhecemos deste modo” (2 Co 5.16).

2.       Entrar no Reino- Isto tem a ver com a salvação eterna. Pergunte a você mesmo se já nasceu de novo? É salvo?  Ver e entrar são duas verdades que andam juntas. Quando meus olhos espirituais começam a ser abertos pela obra de Jesus em minha vida, eu não apenas passo a ver com os olhos de Cristo e com sua mente, mas eu aspiro entrar neste reino.

3.       Absolvição dos pecados e da culpa – Jesus cita a serpente de bronze. Quem olhava para aquela serpente ficava curado. O veneno ia embora, isto é absolvição, Deus libertando o pecador de sua culpa e da peçonha que caminhava nas suas veias. É a declaração de Deus me libertando, dando-me habeas-corpus divino.

4.       Atração para a luz – Jesus afirma que o Filho do homem veio salvar o mundo, mas os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más. (Jo 3.20). Sem percepção do reino de Deus, nossa disposição é para as coisas do mundo, porque não discernimos o reino, ,mas quando somos transformados, regenerados, ocorrer um tropismo natural, como o de uma planta que se move em direção ao sol, como insetos atraídos à luz.
Nicodemos era um homem que tinha status, mas Jesus disse que aquilo apenas não bastava. Você já nasceu de novo? Hoje, se você ouvir a voz de Deus, não endureça o seu coração (Hb 4.7); pois aquele que o confessar diante dos homens, Jesus o confessará diante do Pai (Mt 10.32).

Conclusão:

O problema da raça humana não é a ético nem comportamental. Ele é mais profundo, tem a ver com a natureza. Assim acontece conosco em relação as coisas de Deus. Por isto Jesus enfatiza a necessidade de nascermos de novo.
Uma alegoria nos fala de certo lobo que começou a ter crise de identidade. Ele já não gostava de agir como lobo, agir como lobo, por isto, todas as noites saia para a caçada, mas o seu estilo de vida não o satisfazia mais. Via a forma de viver das ovelhas, dentro de um curral, vivendo de forma pacifica e harmoniosa, protegidas pelo pastor e desejava profundamente se tornar uma ovelha. Um dia, encontrou uma pele de ovelha, vestiu-se e foi para o aprisco. Aquela noite foi serena e tranquila, mas ao acordar, vendo-se rodeado de ovelhas só tinha um sentimento: gostaria de morder e devorar. Seu instinto aflorou com força tal que ele se sentiu constrangido e com crise, saiu do aprisco e pela primeira vez conversou com seu Criador, disse que não suportava viver mais como lobo, mas que sua natureza era assim, e que ele precisava de uma transformação. Pediu a Deus que transformasse sua natureza. É exatamente disto que Jesus está falando.
O evangelho não está interessado apenas naquilo que faço, mas lida com as questões mais profundas de meu ser. Quem eu sou? Por que ajo desta forma? Porque me comporto assim? A questão não é o que faço, mas o que sou. Minha natureza precisa ser transformada.
É disto que Jesus está falando. Algo precisa acontecer de dentro para fora, transformando minha mente, meu caráter, minha natureza. É isto que a Bíblia chama de novo nascimento. Só o Espírito de Deus pode fazer isto em sua vida.

Ore hoje mesmo, pedindo a Deus para que faça tal transformação em sua vida. Porque se alguém não nascer de novo, não pode ver nem entrar no reino de Deus. 

Casamento não foi feito para dar certo!


                                                                     

Introdução:

Que me perdoem os românticos, mas casamento não foi feito para dar certo...

Dan Doriani afirma que ao celebrarmos bodas de ouro de um casal não deveríamos perguntar se viveram bem, mas como conseguiram viver. Ele afirma que deve ser como a percepção que temos de um cachorro andando sobre duas pernas. O ponto não é se ele anda bem, mas como consegue andar.
Stephen Kanitz afirma no seu artigo “o segredo do casamento”, faz uma paródia sobre este tema afirmando que não dá para viver a vida inteira com a mesma pessoa, ouvindo as mesmas piadas, frequentando os mesmos lugares, usando as mesmas roupas e perfumes e com os mesmos hábitos.
Casamento não foi feito para dar certo... Nós precisamos fazê-lo dar certo.
Kanitz afirma que o segredo do casamento é divorciar, mas casar novamente com a mesma pessoa. Não procurar outra, mas descobrir novas formas criativas para se andar a dois.
Em Pv 30.18-19 o autor afirma que há uma coisa maravilhosa demais: O caminho do homem com uma mulher. Este caminho de fato é misterioso e maravilhoso. Mas se esta vida compartilhada é tão mágica, por que um casamento, previsivelmente, tem tudo para dar errado?

Deixe-me enumerar alguns pontos:

1.       Questão de Gênero – Homem e mulher são muito diferentes. Existe um livro do Larry Crabb que afirma que devemos celebrar as diferenças, mas o que percebemos é que as diferenças, na maioria das vezes, não são fonte de celebração, mas de irritação.
Homem é mais racional, dedutivo, lógico e genérico, a mulher, mais intuitiva, visceral, especifica. Mulher possui uma relação uterina com as coisas, meio simbiótico.
Leia este texto de Luiz Fernando Veríssimo, e veja como ele demonstra isto:

Nunca tinha entendido por que as necessidades sexuais
dos homens e das mulheres são tão diferentes.
Nunca tinha entendido tudo isso de Marte e Vênus.
E nunca tinha entendido por que os homens pensam com a
cabeça e a mulheres com o coração.
Uma noite, semana passada, minha mulher e eu estávamos
indo para a cama.
Bom, começamos a ficar à vontade, fazer carinhos, e
nesse momento, ela fala:
"Acho que agora não quero, só quero que você me
abrace".
Eu falei: "O QUEEEEEE??????"
Ela falou: "Você não sabe se conectar com as minhas
necessidades emocionais como mulher".
Comecei a pensar onde podia ter falhado.
No final, assumi que naquela noite não ia rolar nada,virei e dormi.
No dia seguinte fomos a um grande hipermercado, do tipo
Makro, com muitas lojas dentro dele.
Dei uma volta enquanto ela experimentava três modelitos
caríssimos.
Como não podia decidir por um ou outro, falei para
comprar os três.
Então ela me falou que precisava de uns sapatos que
combinassem, a R$200,00 cada par. Respondi que tudo
bem.
Depois fomos à seção de joalheria, de onde saiu com uns
brincos de diamantes.
Estava tão emocionada! Deveria estar pensando que
fiquei louco,
agora penso que estava me testando quando pediu também
uma raquete de tênis, porque nem tênis ela joga.
Acredito que acabei com seus esquemas e paradigmas
quando falei que sim.
Ela estava quase excitada sexualmente depois de tudo
isso;
Vocês tinham que ver a carinha dela, toda feliz!
Quando ela falou: "Vamos passar no caixa para pagar"
Tive dificuldade para me segurar ao falar com ela:
"Não, meu bem, acho que agora não quero comprar tudo isso".
Ela ficou pálida. Ainda falei: "Só quero que você me abrace".
No momento em que começou a ficar com cara de querer me
matar, falei: "Você não sabe se conectar com as minhas
necessidades financeiras como homem.."
Acredito que o sexo acabou para mim até o natal de
2008...

Colocar um homem e uma mulher juntos, com todas suas diferenças, chega a ser jocoso. Mulher nunca vai entender cabeça de homem, nem homem vai entender cabeça de mulher. Freud, em um de seus últimos tratados afirmou categoricamente que jamais conseguira entender como funciona a mente feminina.
Casamento não foi feito para dar certo... Nós precisamos fazê-lo dar certo.

2.       Questão de temperamento – Além das diferenças entre de gênero, os seres humanos são muito diferentes entre si, na forma como lida com a vida, nas ações e reações que tomam. Dizem que os opostos se atraem, mas no casamento, opostos tendem a se tornar fonte de irritabilidade.
Já ouviram falar de incompatibilidade de gênios? É exatamente do que estou falando. Somos incompatíveis. Se quisermos usar esta desculpa para o divórcio, ela se aplica a qualquer relacionamento. Ninguém é compatível de gênio. Pense na sua mulher (ou marido). Ele é compatível de gênio? Você não o acha estranho demais? Ou previsível demais ou explosivo demais?
Paul Tournier, celebrado psiquiatra suíço afirma que “incompatibilidade de gênios é uma frase de grande efeito criada por pequenos juristas, para justificar o divórcio”.
Você conhece um homem e uma mulher que sejam iguais, gostam das mesmas coisas, possuem o mesmo temperamento, pensam do mesmo jeito? Quero afirmar de imediato: Este relacionamento é tedioso! A menos que o outro se anule por completo, por apatia, indiferença ou submissão doentia. Nós somos diferentes.
Casamento não foi feito para dar certo... Nós precisamos fazê-lo dar certo.

3.       Questão de formação e educação – Outro aspecto que dificuldade muito no casamento tem a ver com backgrounds culturais e familiares distintos. Um vem de herança européia, outra latina; um vem do catolicismo, outra do luteranismo; um é grego, outro é troiano; um é bahiano, outro goiano; aquele tem formação rígida, inflexível, o outro vem de um lar liberal, frouxo.
Os jovens judeus ortodoxos não decidem com quem vão se casar. Quando chega a idade apropriada, existe uma figura casamenteira na comunidade que vai procurar identificar o perfil do rapaz e da moca, da família, da formação e assim gerar um casamento entre eles. A taxa de divórcio entre eles é praticamente zero. No entanto, este é o estilo de vida que queremos adotar?
Numa sociedade plural, nossa procedência é geralmente distinta, cultural, religiosa, educacional. Aí resolvemos nos casar. Estão percebendo como é difícil?
Casamento não foi feito para dar certo... Nós precisamos fazê-lo dar certo.

4.       Experiências e histórias – Acima de todos estes fatores já enumerados, ao chegarmos no casamento, já temos uma história de vida marcada por traições, enganos, amores, doenças emocionais. Não somos uma tábua rasa. Temos o “infinito particular”, já levamos pancadas, batemos, apanhamos. Aprendemos a criar mecanismos de defesa: reação, introjeção, projeção, deslocamentos. Já sabemos acusar e defender, atacar e proteger.
Certa pessoa, vendo seu casamento indo para o atoleiro, desabafou de forma muita honesta: “quando me casei, não sabia a quantidade de lixo que estava trazendo para casa!” Nós chegamos com nossos pacotes de frustrações, histórias mal resolvidas, traumas e dramas. Quando isto eclode no relacionamento e no cotidiano, torna-se um problema muito sério. Não é o outro o problema, mas o problema está ai, presente.
Casamento não foi feito para dar certo... Nós precisamos fazê-lo dar certo.

5.       Narcisismo e egocentrismo – As pessoas entram no casamento, achando que o outro as fará feliz, que estará ao seu dispor e todos os seus problemas desaparecerão porque finalmente encontraram alguém para resolver os problemas. Não entendem que existe uma solidão na alma, que nenhuma outra pessoa pode resolver. A depressão, o mau humor e narcisismo que historicamente acompanham a vida inteira.
Certo casal estava à beira da separação, a casa toda bagunçada e a vida em desordem. O marido reclamou e ela disse: “Eu não nasci para cuidar de casa, eu sou uma princesa!” E ele respondeu: “Então a princesa acabou de ser destronada, apanhe esta vassoura e o rodo e vamos limpar esta casa que virou um lixo!”
Imagine uma pessoa narcisista, auto centrada, criada em ambiente de proteção, acreditando que os pais e funcionários devem estar à sua disposição e servi-lo, achando que o outro vai tratá-lo como sua mãe tratava, protegendo, dando tudo o que queria. Este tipo de narcisismo muito comum de filho mimado não vai se manter em pé.
Nos frustramos nos relacionamentos porque somos auto enamorados. A síndrome de narciso está presente, olhamos no espelho e acreditamos que “não existe ninguém mais belo do que eu”, e de repente o egocentrismo é denunciado. O outro não é satélite, o outro tem luz própria.
Por isto precisamos considerar que casamento não foi feito para dar certo... tem todo os ingredientes necessários para dar errado. Precisamos fazê-lo dar certo.

Como podemos fazer o casamento dar certo?
Quero me atrever a dar duas sugestões sobre este complexo tema: um de natureza psicológica, outro de natureza espiritual.

1.       Natureza psicológica – Penetre neste universo, com vontade lutar para sua preservação. Se você adentra e se atreve a compartilhar a vida com alguém, seja radical: Invista prá valer!
Se você entra num casamento pensando que se ele não der certo, ele não vai dar certo. Se você não lutar pelo seu casamento, ele não vai durar.
Para isto é necessário investir não apenas 50% de seu sonho, mas 100%.
Existem dois termos na língua inglesa que nos ajudar a entender isto: Commitment e compromisse!
O primeiro, significa compromisso unilateral. A pessoa entro no negócio prá valer e vai se sacrificar por este compromisso assumido. Ela decide lutar, na saúde e na enfermidade, na alegria e na tristeza. Decidi amar e quer investir, sem suspeita e reservas, sua vida neste projeto. Pode quebrar a cara? Sim! Pode se decepcionar? Sim! No entanto vai fazer as coisas não pela metade.
O segundo termo, compromisse, é uma barganha: A pessoa diz: “Eu dou isto, se você fizer isto”. Existe uma negociação. Ela deseja saber qual vantagem terá. Quando pensa em fazer um compromisse, significa que entra com 50% e o outro com 50%. O problema é que na maioria das vezes todos achamos que damos mais que o outro. Eu sempre dei mais no meu relacionamento que minha esposa (pergunte a ela se isto é verdade e você verá que estou mentindo...) Contratos e cláusulas estão aqui presentes, e a pessoa vai se sentir lesada, em desvantagem.
Uma música do Simon & Garfunkel diz: “Como ponte sobre águas turvas, eu me estenderei para que você passe”. Ser ponte para o outro não é fácil. Isto é Commitment. Decidimos ser alicerce e suporte para o outro que está desestabilizado.
Se você está no casamento procurando alguém para lhe fazer feliz, assumindo a “sua parte”, 50% por cento, acredite: seu casamento não vai dar certo. Você deve entrar no casamento querendo fazer o outro feliz. Casamento não dá certo, automaticamente, precisamos querer que ele dê certo!

2.       Natureza Espiritual – Agora adentramos uma dimensão sacral, um universo místico, uma área densa e misteriosa, mas igualmente importante. Leve Deus para morar contigo.
Um dos textos que mais me tem surpreendido é o que narra o primeiro milagre de Jesus, que foi numa festa de casamento. Sabiam disto? Ele fez tantos milagres impressionantes: Curou cegos, paralíticos, surdos, ressuscitou mortos, era, portanto, de se esperar, que ele fizesse no seu primeiro milagre alguma coisa mais impressionante. Além do mais, foi numa pequena vila, em Caná da Galiléia, que naqueles dias não tinha mais que 300 habitantes, e o milagre foi feito na cozinha, escondido de todo mundo.
Creio que todos os milagres que Jesus fez e da forma como fez, tinham uma clara intencionalidade. Havia um motivo para ser feito desta forma.
Curiosamente, o último texto do Antigo Testamento afirma que quando o Messias viesse, ele converteria o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos pais (Ml 4.5-6). Portanto, sua missão tinha a ver com a recuperação e restauração dos lares, unindo as pessoas. Existe alguma área que precisamos mais de milagres que esta?
O texto que fala do primeiro milagre de Cristo encontra-se em João 2. “Houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali, a mãe de Jesus. Jesus também foi convidado”(Jo 2.1-2). Veja que nota interessante: “Jesus também foi convidado!” Ora, convidados são pessoas a quem apreciamos e consideramos. As pessoas queriam que Jesus estivesse ali, ele não foi àquela festa como penetra. Ele era alguém que os donos da festa queriam que ele estivesse presente.

Quais são os convidados que trazemos para nossa casa?
Você pode convidar entidades, espíritos malignos, forças negativas e destrutivas, energias antagônicas. Particularmente não gosto do termo energia e força, porque dão ideia de coisas impessoais, e Jesus nunca lidava com tais poderes desta forma, antes lhes dava nomes, chamando-os de espíritos malignos, espíritos imundos, etc. Jesus dava pessoalidade ao que hoje queremos tratar de forma impessoal.
Aquelas pessoas convidaram Jesus para sua casa. Convide Jesus!
Estamos falando do homem de Nazaré, que veio em forma humana, nasceu da virgem Maria, morreu numa cruz, se doou por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia. Falamos do Deus trino: Pai, Filho, Espírito Santo. Falamos do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!”.

A presença de Jesus muda nossa casa.

Casamento não foi feito para dar certo... Nós precisamos fazê-lo dar certo. Mas para que isto aconteça, nem sempre somos capazes de agir de forma correta, precisamos de seu poder e graça.
Não estou falando de uma energia, mas de uma pessoa, que um dia transformou água em vinho e pode hoje transformar lares sem vida e alegria em lares repletos de sentido e celebração. Que pode tirar a tristeza e dar alegria.

Muitos lares precisam deste milagre. A festa acabou porque não há mais vinho, não há mais alegria, não há mais shalom, um lar diluído, sem cor e cheiro, que passa a receber textura, sabor e alegria, porque Jesus é capaz de trazer um vinho novo para nossos lares.