segunda-feira, 30 de junho de 2014

Gn 41 Tempos de vacas gordas (e magras)




Introdução:

Já ouviram o ditado: “São tempos de vacas gordas?”. Esta é uma referência a uma situação na qual as coisas estão dando certas, os negócios estão melhorando e a situação financeira está melhor. Tempos de “vacas magras”, refere-se aos dias em que as coisas não andam nada bem, e que os esforços não estão sendo recompensados.
Todos passam por dias bons e maus. Paulo afirma. Psicólogos reunidos elegeram Paulo como o homem mais feliz da terra, por causa da declaração feita em Fp 4.11: “Aprendi a viver contente e em toda e qualquer situação. Tanto sei estar em situações de escassez como de abundância, de fartura ou de necessidade”. Muitos não sabem viver com prosperidade, outros não sabem viver com carência, mas a vida exige de todos uma certa adaptabilidade. Precisamos aprender a viver em dias bons e dias maus, de chuva e seca.
O autor de Eclesiastes afirma que existe tempo de ganhar e de perder, tempo de amontoar e tempo de dividir (Ec 3).
Muitas vezes o problema não é apenas individual, mas atinge uma coletividade. Não apenas pessoas passam por problemas, mas regiões inteiras, atingidas por uma hecatombe, grandes períodos de seca, depressões econômicas, tragédias. Épocas de guerras e cataclismas levam pessoas a perderem tudo que construíram de uma hora para outra.
A vida de José e sua estratégia nos ensinam como se preparar para os dias maus? O Egito passaria por uma enorme tragédia, que atingiria toda região, e alguns princípios administrativos ajudaram em muito aquela comunidade.

  1. Antecipe-se!  

José se torna uma pessoa diferenciada, pela capacidade de fazer provisão. A Bíblia exalta até mesmo a atitude de insetos que são capazes de se preparar para dias difíceis. “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega ajunta o seu mantimento” (Pv 6.6=8).
Fui procurado certa vez por um rapaz que morava sozinho numa grande cidade. Ele estava angustiado, porque sempre tivera suas finanças em ordem e agora estava desordenado. Ele me afirmou que conseguia pagar seu aluguel (já que morava sozinho, suas despesas pessoais e seus estudos), mas desde que a moto dele quebrou, ele entrou em dívidas e não se organizou mais. Na conversa ficou claro que ele nunca havia se preparado para uma eventualidade, e agora, com um pequeno problema, ele estava passando por dificuldades. Falta de planejamento!
Muitas pessoas não fazem provisões para dias maus.
Especialistas americanos afirmam que o ideal é que tenhamos, pelo menos seis meses de economia, em caso de uma demissão ou enfermidade.
Em administração pessoal, o elemento da previsão e da provisão se torna crucial. É exatamente o que vemos na atitude de José. Ele afirma para Faraó que, porque dias de vacas magras virão, seria necessário fazer uma antecipação de recursos, e sugere que 20% de toda produção fosse colocada à parte para sustentar os duros e magros dias que viriam. Sua estratégia e planejamento deram certo salvando suas vidas e de muitas pessoas da região.

  1. Organize-se!

José sugere a Faraó: “Ponha administradores sobre a terra” (Gn 41.34). José tinha em mente o conceito de ganhar/perder.
É errado um cristão fazer previsão?
Num perturbador livro de Jacques Ellul, O homem e o dinheiro, ele chega muito perto desta conclusão, falando da dependência de Deus como elemento fundamental para nossa vida. Mas quando olhamos para a Bíblia, não vemos muita base para não fazermos provisão.
Ter celeiros cheios e lagares transbordantes de vinho era sinal de benção de Deus (Pv 3.9-10). Muitos outros textos podem ser enumerados quando fazemos uma leitura adequada e ciosa do livro de Provérbios, que trata das questões práticas da vida.

Charles Stanley fez uma colocação que considero muito precisa quando pensamos na relação dinheiro/reino de Deus:
  1. Ganhe honestamente
  2. Aplique sabiamente
  3. Desfrute abundantemente
  4. Doe generosamente.

Quando Jesus multiplicação os pães e os peixes, ele deu uma aula de prática de administração:
Em primeiro lugar, ele ensinou sobre a necessidade de avaliar, organizar e planejar. Jesus organiza a situação: “fazei o povo assentar” (Jo 6.10). Isto tem a ver com organizar a vida, a casa.
Gastar mais do que se ganha é o caminho de se tornar deficitário. Esta é a questão básica da economia financeira. Temos que descobrir para onde estão indo nossos recursos.
Precisamos assentar e planejar.
Em segundo lugar, Jesus toma o pão e dá graças (Jo 6.11). O pão era mínimo, o povo era muito, mas quando apresentamos o pouco que temos a Deus isto se multiplica. Agradeça o pão recebido?  Grandes milagres de multiplicação acontecem quando se dá graças.
A questão não é se você come coisas caras ou comprar roupas caras: A questão é se você está conseguindo agradecer a Deus, e já aprendeu viver contente com o que tem? Em terceiro lugar, Jesus manda repartir. Deus multiplica recursos quando não se come a semente (1 Co 9.10). Precisamos aprender a ser generosos. Quando queremos abundância de sementes, devemos plantar. Plantar é um projeto insano, projeto de fé: Jogar no chão a semente que você tem na mão. Às vezes compramos roupas caras, mas não somos capazes de dar. Um dos nossos problemas é o de gastar, por mero hedonismo.
Em quarto lugar. Jesus manda recolher o que sobra (Jo 6.12), para que “nada se perca”. Há muito desperdício, e isto traz pobreza. Jesus tenta ensinar aos seus discípulos que não se pode desperdiçar. O nosso Deus é o Deus da fartura, pois a Bíblia diz que lhe deu o “quanto queriam”,  mas não do desperdício.
Esta foi a mesma atitude em José. Planejamento, administração, cuidado, diligência. Estas coisas enriquecem a vida.

3. Use sua capacidade não apenas para amontoar mas para proteger os desprotegidos
A capacidade administrativa de José em se antecipar e planejar os dias de vacas magras que viriam, se tornou a salvação de milhares de famílias daquela região. A Bíblia afirma que “o povo clamou a Faraó por pão” (Gn 41.55); que “José abriu os celeiros” (Gn 41.56) e que “todas as terras vinham ao Egito” (Gn 41.57).
Quando homens bem sucedidos tem sensibilidade, passam a usar sua capacidade de planejamento e administração para proteger vidas. A atitude de José teve impacto internacional, já que a noticia chegou até Canaã (Gn 42.1).
José tem uma percepção clara de que Deus o usou como um instrumento. “Deus me enviou adiante de vós, para vos preservar a vida” (Gn 45.7).

Conclusão:

Apesar de todos estes princípios serem tão práticos e relevantes, precisamos entender que a maior provisão que podemos fazer para nossa vida não é material. Jesus advertiu seus discípulos para trabalhar, não pela comida que perece, mas pela comida que subsiste para a vida eterna.
Ele já fez provisão especial para cada um de seus discípulos.
Na casa de meu pai há muitas moradas, se assim não fora, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14.2-3)

Ninguém pode deixar de ter a provisão para a vida eterna, porque elas são espirituais e tem implicações para toda a vida. 

domingo, 22 de junho de 2014

GN 47.8,9 VIVER COM CELEBRAÇÃO OU DESISTÊNCIA?



Introdução:

Erick Erickson, conhecido psicólogo afirma que chegamos ao final da vida com duas atitudes: Celebrativa ou amargurada. Não é muito difícil desenvolver uma atitude de ressentimento com a vida e as pessoas, eventualmente com o próprio Deus. No filme “Num lago Dourado” (Jane Fonda), um homem está completando 80 anos (Henry Fonda), e é conhecido pelo seu mau humor. Seu genro, querendo parecer-lhe simpático, pergunta-lhe como se sente nesta data e ele responde secamente: “Duas vezes pior que 40”.
Por outro lado, é possível viver com celebração. Quando estava com 101, a revista Ultimato/78 entrevistou o Missionário Haroldo Cook e lhe perguntaram se sua vida fora como a de Jacó, e ele respondeu com humor. “Não! bons e longos tem sido os meus dias”.
Jacó estava vivendo seus momentos de glória. Para trazê-lo de Canaã José mandou os melhores carros para buscá-lo para o Egito, onde teve uma recepção principesca, indo para encontrar-se com o filho que julgava morto há muitos anos. Uma das primeiras atividades dele seria o encontro com Faraó, que na época de então governava um dos mais poderosos impérios do mundo.
No encontro, Faraó lhe pergunta "Quantos são os dias dos anos de tua vida?" E a resposta de Jacó foi: "Os dias dos anos de minhas peregrinações são cento e trinta anos; poucos e maus foram os dias dos anos de minha vida e não chegaram aos dias dos anos da vida de meus pais, nos dias de suas peregrinações" (Gn 47.8-9). Jacó não responde apenas quantos anos viveu, mas responde também o "como" viveu.
Sua resposta revela amargura e tristeza com a vida. Na verdade, ele não pergunta “como” fora sua vida, mas quantos anos ele tinha, mas Jacó enfatiza a qualidade: "Poucos e maus foram os meus dias na terra". Apesar de já ter vivido 130 anos e tendo ainda alguma expectativa de vida, estava descontente. Ele afirma que havia vivido pouco – o que não era verdade – e a qualidade de sua vida não fora boa.

O que fez seus dias se tornarem "maus" pode nos ajudar a entender o que pode fazer nossos dias também parecerem maus:

1. Um lar desestruturado

O lar de Jacó era profundamente desequilibrado e desestruturado. No mínimo poderia ser considerado neurótico e disfuncional.
Isto já pode ser percebido pelo nome que lhe dão ao nascer. Jacó significa enganador ou embusteiro. Sua família coloca-lhe um estigma, uma marca que como nódoa vai andar com ele. Na própria escolha do nome, vemos um lar que nega a benção, deixa de afirmar algo positivo sobre o filho e coloca-lhe uma marca.
A Bíblia registra ainda alguns ângulos tenebrosos desta casa:
Seu pai entrega a esposa a Abimeleque, dando a entender que era sua irmã apenas para não se sentir ameaçado. Talvez por isto, Rebeca nunca confiava no marido e isto pode ser percebido pela sua atitude bisbilhoteira, escutando secretamente as conversas de Isaque (Gn 27.5). Rebeca revela-se incoerente quanto aos seus princípios e valores ao ordenar a Jacó que engane o pai (Gn 27) e diante da resposta coerente de Jacó, torna-se autoritária e obriga Jacó a enganar o pai.
Sua atitude errada parece ter dado certo, mas Esaú, seu irmão, ao perceber, decidi matá-lo, tão logo seu pai fosse sepultado. Rebeca descobre isto e o manda fugir. Sua vida daí por diante é marcada por uma inimizade histórica com o seu irmão leviano, de quem já havia negociado o direito de primogenitura. Esaú decide se vingar dos pais e se tornou um filho birrento, que descobrindo que seus pais não gostavam de algumas meninas dos povos vizinhos, resolve se casar justamente com uma delas ( Gn 27.41).
Já em Padã-Harã, onde atualmente fica o Iraque morava os parentes de sua mãe, e ele encontra abrigo na casa de seu tio, Labão, onde vai viver uma relação complicada, ambos tentando sempre enganar o outro. O seu tio trapaceiro muda seu salário sempre que Jacó tinha oportunidade de receber um pouco melhor. Jacó afirma: "dez vezes me mudaste o salário" (Gn 31.36-41). Este homem barganha suas filhas e esta manipulação traz revolta às filhas e à Jacó (Gn 31.15). Finalmente precisa sair da casa de seu sogro, e as relações estavam tão estremecidas que o faz de noite, na surdina, sem se despedir. Uma das mulheres de Jacó (Raquel) rouba deu seu pai os ídolos do lar, e Labão vem atrás para reaver seus bens, e o clima não era dos melhores, com acusações e ameaças (Gn31.34).
Ao chegar no local onde morariam, o clima de tensão familiar estava sempre presente. Suas esposas competiam o amor do marido e brigavam entre si. Os filhos tomavam as dores das mães e sua casa vive num ambiente de desconforto agravado pela atitude de Jacó que explicitamente revela predileção por José, dando-lhe presentes que nenhum outro filho tinha. Os filhos então decidem vender a José para um bando de mercadores que o levam ao Egito. Os irmãos afirmam que um animal havia dilacerado José, e quando Jacó recebe a noticia, passa a viver um luto permanente, recusando a ser consolado (Gn37.35). Esta família, a partir de então vive com um segredo, numa relação de co-dependência que se arrasta por mais de 20 anos. Apesar de saberem da verdade, nenhum era capaz de romper esta mentira e denunciar o engano.
Uma família assim, certamente traz muitas dores.
.Rúben, seu filho mais velho, se envolve com uma concubina de seu pai e na hora da benção, preparando-se para morrer, Jacó faz uma pesadíssima sentença sobre ele. "Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, o mias excelente em poder. Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porque subiste ao leito de teu pai e o profanaste; subiste à minha cama" (Gn 49.3,4).
Uma família desestruturada destrói a alegria de viver. "O filho sábio alegra seu Pai, mas o insensato é a tristeza de sua mãe" (Pv 10.1). Nada é mais destrutiva que filhos rebeldes, lares desencontrados, filhos crescendo com a auto estima destruída, amarguras, medos, mentiras, farsas e temores. São mulheres que não conseguem amar nem confiar em homens porque viram seu pai maltratando sua mãe, enganando e traindo. São meninos que crescem desconfiados do amor sempre buscando o amor e a atenção dos pais.
Lares precisam ser reduto da graça e da paz, um ninho para acolhimento da alma cansada, refrigério diante da competitividade, uma ilha de descanso para a vida agitada, para uma sociedade frenética e corações inquietos. Se nosso lar se transforma num cantinho do inferno, nossos dias serão maus, ainda que sejam muitos.

Jacó afirma que algumas realidades o sustentaram neste contexto tão disfuncional:

1.       O Deus de meus pais” (Gn 31.5) -  Uma das coisas fortes naquela família é a presença do Deus de seus pais. Jacó tem consciência de que Deus está sobre sua família, que estão debaixo de um signo ou sinal maior, que sua herança não era apenas de bens materiais, mas era, acima de tudo, espiritual. É uma grande benção ter pais que oram dando suporte aos filhos e abençoando-os.

2.       Altares levantados – (Gn 35.7) -  No meio de todo este caos, Jacó levanta altares. Deus é uma presença incômoda no meio da mentira e da falsidade reinante naquele lar. Deus é sempre lembrado, e isto os mantém mas ao mesmo tempo se torna uma presença perturbadora e inquietante.

3.       Superação e perdão– (Gn 50) -  José parece ser esta pessoa que se interpõe e quebra o angustiante circulo do mal, como afirma Mirolasv Wolf no livro “O fim da memória”. José quebra e desmantela este círculo de engano, competição e ódio. Ele desarma o círculo de mentira que mais uma vez tentam fazer no final do capítulo 50, quando mentem em nome de seu pai. José rompe com o ódio familiar, sepulta a ira  e refaz a história da família, tão habituada a mentir e a enganar.

2. Uma vida equivocada

Outro aspecto que faz a vida de Jacó ser tão pesada são as suas próprias escolhas pessoais e atitudes diante da vida. Ele nasceu num lar complicado. Nasce com uma sombra na vida e assim passa a viver. Sua vida será sempre correspondente ao seu nome.
Por duas vezes trapaceou seu irmão Esaú, tomando-lhe o direito de primogenitura e roubando a benção. Ele trapaceia seu pai, mentindo-lhe, e engana o seu sogro criando mecanismos que o levavam a viver numa vida de “espertezas” e desonestidades.
Tenho visto muitas pessoas optando por viver um estilo de vida na linha da marginalidade. Enganando e sendo enganados. Seus negócios são escusos, vivem uma vida de infidelidade em casa, lidam mal com o dinheiro, mentem, enganam e não inspiram confiança. Pessoas assim “enfiam os pés pelas mãos”.
A Bíblia nos adverte sobre isto:
"O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito". 
Esta é a colheita do pecado à qual se refere Paulo: “Naquele tempo, que resultado colhestes, somente as coisas de que agora vos envergonhais porque o fim delas é a morte” (Rm 6.21). A colheita do pecado é tristeza, confusão, vergonha, embaraços.
Jacó não é vitima!
Ele também é responsável por sua história, pelas suas decisões, pelas suas atitudes.
Sua vida que já era difícil por causa do ambiente hostil dentro de sua casa, torna-se um inferno.
A Bíblia afirma: “Eis o que tão somente achei, Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ec 7.28). Estas astúcias são armadilhas, laços, decisões erradas, pecados. A vida reta que Deus nos deu para que andássemos nelas tornam-se pesadas.
Existem pessoas que possuem boas oportunidades na vida e as despreza; recebe boas propostas de emprego e faz pouco caso; tem oportunidade de estudar e não o faz; recebe propostas de casamento e as menospreza. No entanto, são hábeis para fazer as piores opções para sua vida. Adota um estilo de vida pecaminoso, despreza princípios e valores, rejeita a Deus, a fé, a boa consciência, a vida e parece gostar das propostas do diabo, esquecendo-se que todas as maças do diabo são bonitas, mas todas tem bicho.
A trapaça, as mentiras, o descaso com as oportunidades, uma vida de desonestidade, de descaminhos, de rejeição de Deus fazem nossa vida um inferno. A gente faz, pensa que ninguém viu e aquilo estoura lá na frente como um câncer. No entanto, a vida tem uma regra simples: Melhores atitudes geram maiores altitudes.

3. Demora de um encontro real com Deus

Jacó nasceu num lar cristão, num lar que temia a Deus. Isaque, seu pai, era um homem de oração, tinha hábito de levantar altares por onde passava. Poucos homens na Bíblia levantam tantos altares para adorar a Deus como Isaque. Era um homem que cria que Deus ouve as orações de seu povo, e a Palavra de Deus nos diz que ele orou durante vinte anos para que Deus lhe desse filhos, já que sua esposa era estéril, e Deus lhe ouviu (Gn 25.20,26).
Apesar de ter um lar devoto e religioso, paradoxalmente foi no seu lar que ele começou a desconsiderar as coisas de Deus na sua própria vida. Um dia sua mãe lhe pede para quebrar a lei de Deus por causa de interesse material, ele questiona sua mãe, mas a vontade autoritária da mãe prevalece, e daquele dia em dia, alguma coisa parece ter desmontado dentro de sua alma. Passou a considerar as coisas de Deus como questões relativas, dessacralizando o sagrado em sua história. O resultado não poderia ter sido pior (Gn 27.12-13).
Na sua mocidade teve encontros arrebatadores com Deus mas nada muda sua mente. Nem suas experiências carismáticas, sobrenaturais, lhe faziam ser o homem de caráter que precisava ser. Quando está fugindo de sua casa, depois de ter trapaceado seu pai roubando a benção que era de seu irmão, fingindo ser Esaú. No meio de seu atropelo, com medo de ser assassinado pelo próprio irmão, ao atravessar o deserto tem uma linda visão. Sonhou que Deus estava naquele lugar, e os anjos de Deus desciam e subiam numa grande escada que dava aos céus. Quando acordou, sobre um profundo impacto, entendeu que aquilo era uma promessa que o Deus de seus pais estava fazendo, e que aquela terra seria a terra prometida de Deus para sua futura geração. Deus confirma sua promessa sobre sua vida: "Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra" (Gn 28.13-14).
Mesmo diante do que havia acabado de fazer, a graça de Deus se revela e Deus lhe faz promessas. É a graça de Deus em ação. No entanto, experiência não transforma o seu caráter. Jacó continua seu estilo de vida de enganos e falcatruas. Deus se manifesta mas ele não se entrega. Pelo contrário, faz barganhas: "Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão pao para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus (...) e de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dizimo" (Gn 28.20-22). Em outras palavras, está dizendo: "Se me deres, pão para comer, roupa para vestir, segurança, vou ser fiel no dízimo" (Gn 28.22). Condiciona sua fidelidade ao sucesso.
Só muito tarde na vida, Jacó se rende, ou “rende a Deus”, que se vulnerabiliza e se deixa vencer. Ali finalmente percebe a importância de ter Deus não apenas como o Deus de seus pais, não apenas como um conceito uma experiência institucional e forma, e numa luta existencial e profunda, finalmente não mais prossegue sem Deus. "Não te deixarei ir". Nasceu-lhe o sol, houve um Peniel, trazia cicatrizes, marcas do encontro, mas tinha um novo nome, um novo caráter: De suplantador (Jacó), tornou-se Israel (lutou com Deus e prevaleceu).

Conclusão:

"Quantos são os dias dos anos de tua vida?" Parafraseando a resposta de Jacó, focalize no “Como”  tem sido os seus dias e anos?
Na verdade, o mais importante não é o quanto se vive, mas o “como” se vive. Jesus morreu aos 33 anos, mas viveu de forma intensa. Experimentou a dor de viver como ser humano, sofreu os reveses e paradoxos de sua humanidade, no entanto, concluiu a obra que lhe estava proposta pelo pai. Na cruz, ao expirar, afirmou: "Tudo está consumado!" ou, tetelestai, que foi a frase usada por ele em grego. A vida lhe fora plena.
Haroldo Cook, faleceu aos 101 anos e 6 meses. Viveu intensamente a sua vida. Amou a Deus, viveu a vida. Outros morreram jovens, mas foram igualmente abençoados. O que conta, no fim das contas, não é o número de anos de sua vida, mas a qualidade de sua vida. Para Jacó, seus dias haviam sido longos e maus, para o Rev Haroldo Cook, seus dias foram "Longos e bons".
Esta faz a diferença entre terminar os dias com celebração ou desistência.
Quando se experimenta Jesus na vida. A vida toma forma, cor, assume tonalidades mais fortes e mais plenas. Isto é o que conta!

Que Deus nos abençoe!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Gn 50.15-21 Deus controla sua história




Introdução:
Ter ideia certa sobre determinados pressupostos é uma das coisas mais fantásticas da vida. Morremos e vivemos a partir de conceitos estabelecidos e tidos como corretos. Quando se trata de perspectivas espirituais, afirmamos que uma das maiores desgraças da vida são pressupostos teológicos equivocados, e que uma das maiores bênçãos é uma boa teologia, isto é, a forma como vemos a Deus e a vida – filosoficamente isto é chamado de cosmovisão.
Nenhuma fé é genuína e saudável se não se sustenta em pressupostos corretos sobre a divindade. O que pensamos de Deus, correta ou equivocadamente, traz muito sossego ou muito desconforto para a nossa alma.
Um exemplo clássico disto pode ser percebido no profeta Jeremias, quando vê sua cidade amada, Jerusalém, devastada por um império cruel e reduzida a pó. Seus símbolos sagrados foram agredidos, famílias e amigos morreram na guerra, crianças ficavam atônitas nos cantos sem saber o que comer, para onde correr, muitas meninas foram levadas para se tornarem escravas sexuais dos guerreiros, e diante do caos, da falta de sentido e da desordem ele diz a si mesmo: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim, renovam-se a cada manhã”(Lamentações, 3.22-23). Jeremias se firma num pressuposto, numa concepção – e esta era a única coisa que lhe podia dar esperança.
Larry Crabb Jr afirma que esta é a tarefa fundamental do conselheiro cristão diante da angústia, desespero e medo. Ele afirma ser fundamental “colocar a mente no lugar”. Para ele, o passo crucial para a mudança é a renovação da mente. “O pensamento sempre tem conteúdo”[1].
Deus providencia para cada pessoa um significado. A ausência deste sentido é a crise mais profunda do ser humano. Significado tem a ver com auto-aceitação, mas tem a ver com a compreensão de que a vida está relacionada a um projeto maior, e não apenas a uma caminhada que vai encerrar seu último capítulo num túmulo frio. Um ponto finito requerer um ponto de referência infinito, como afirmou J. P. Sartre: “nenhum ponto finito tem sentido se não se conectar a um ponto infinito”.
Para Crabb Jr “O ponto inicial de todos os problemas emocionais da causa não-orgânica é um problema de pensamento, uma crença errada sobre como as necessidades pessoais podem ser supridas”[2]. Já que “As proposições que uma pessoa tem em sua mente, isto é, sentenças que ela diz a si mesma, controlam diretamente aquilo que ela acaba fazendo[3]
A Bíblia faz exatamente esta declaração, muito anos de uma elaboração sistemática ter sido elaborada: “Como o homem pensa em seu coração, assim ele é”. O sistematizado deste pensamento de forma filosófica foi Albert Ellis: “Como uma pessoa avalia o evento isto determinará sua resposta emocional”. Este princípio é chamado em psicologia de “teoria do controle proposicional”. O evento não controla o sentimento, mas a avaliação do evento é que o controla. Por isto, uma crença errada, uma equivoco na interpretação ou conceitos deformados sempre leva a comportamentos errados e a sentimentos neuróticos.
A história de Jose nos mostra como uma mente teologicamente correta ajuda a lida com oposição/sofrimento, ingratidão e injustiça. Toda leitura que ele faz está submetido às percepções que ele tem de Deus. Se José tivesse uma concepção errada de Deus, certamente isto afetaria profundamente a sua interpretação de vida, diante de tudo que viveu.
Quando atravessamos um brejo ou pântano, o único modo de fazê-lo com êxito é encontrando lugares sólidos onde colocar os pés. M. L Jones sugere: “Coloque o problema particular no contexto dos princípios sólidos que estão adiante”[4].
José supera toda oposição, por causa de seus pressupostos:
  1. Ninguém ocupa o lugar de Deus – “Não temais, acaso estou no lugar de Deus?” (Gn 50.19). Ele não precisava fazer nada, nem vingar-se, porque o Eterno tinha o controle da história e ninguém ocupava seu lugar neste papel de ator principal.
Quando o apóstolo João começa a ter as visões celestiais, a primeira coisa que ele vê é um trono e nele alguém assentado. “imediatamente eu me achei em espírito e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado” (Ap 4.2). João estava preso por pregar o evangelho, e talvez sua mente estivesse confusa por Deus ter permitido que ele, seu fiel servo estivesse nestas condições; talvez a igreja estivesse perplexa com o desenrolar da história quando viu seu velho e fiel pastor sendo levado por um sistema corrupto para morrer numa ilha sem condições básicas de vida. Nesta hora, Deus afirma sua soberania. Alguém está no centro das decisões do universo, Deus governa todas as coisas visíveis e invisíveis. O trono não está vazio, esperando alguém que possa assumir este lugar. No trono tem alguém sentado.
  1. Ninguém pode fazer o que Deus não permite – (Gn 50.20). Esta é a segunda percepção que José tem. Vocês não fizeram isto sem que Deus quisesse. “Vós intentastes o mal, mas Deus transformou o mal em bem”.
Esta percepção é tão clara nas Escrituras, que existe até mesmo o relato de um famoso macumbeiro na Bíblia, que a compreende. Me assusta pensar que um ímpio com um background religioso como este tenha esta percepção que muitos cristãos não são capazes de ter. Balaão é contratado por Balaque, um rei, para “fazer um trabalho”, e enfraquecer espiritualmente o povo de Israel . Havia muito dinheiro envolvido nesta transação espiritual, mas quando ele chega perto do povo, ao invés de fazer sentenças de maldição, começa a abençoá-lo. O rei o censura e então ele faz uma das melhores declarações sobre a soberania de Deus em toda bíblia:
Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou?
Como posso denunciar a quem Deus não denunciou?...
Eis que para abençoar recebi ordem, ele abençoou, não o posso revogar.
Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel;
agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: que coisas tem feito Deus!” (Nm 23.8,23).
José também possui uma percepção clara de que Deus está no controle da história. É exatamente esta leitura que o sustenta todos os difíceis anos que teve de enfrentar e o livra de ressentimentos e desejo de vingança, tão comuns em nós quando nos sentimentos injustiçados.
  1. Deus pode transformar o pior episódio, em uma maravilhosa graça e intervenção. “Vós intentastes o mal, mas Deus transformou o mal em bem”.
José não ameniza a realidade do mal, nem minimiza a crueldade e maldade dos irmãos, mas percebe que Deus usou este ato desumano como uma forma de abençoá-lo. Lembra-se do conceito de Ellis citado anteriormente? “O Evento não controla o sentimento, mas a avaliação do evento é que o controla”. José analisa o evento na perspectiva da soberania e da graça de Deus.
i.                 Ele entende que Deus é santo – “Deus é luz, e nele não há treva nenhuma”. Pode o Senhor cometer injustiça? Fazer algo errado? Ter motivações pecaminosas? Não! Em Deus os motivos são sempre puros e santos.
ii.                Ele entende que Deus é Todo-Poderoso – O Deus criou o mundo do nada e tem todas as coisas sobre o seu domínio é também aquele que governa a vida pessoal de José e da sua vida. “Quereis, acaso, saber as coisas futuras? Quereis dar ordens acerca dos meus filhos e acerca das obras das minhas mãos? Eu fiz a terra e criei nela o homem, minhas mãos estenderam os céus e todos os seus exércitos deis as minhas ordens”(Is 45.11,12). Deus fez a história da forma que Ele quis. Ele é o Alfa e o Ômega, o principio e o fim. Ele depõe reis e estabelece reis.
iii.               Ele entende que Deus é Fiel – Apesar de todas oposições e sofrimento, a fidelidade de Deus estava presente sobre sua vida. Não sabemos se José murmurou contra Deus nos reveses que sofreu, se o fez, a Bíblia não descreve. Entretanto, a bíblia afirma todo o tempo que “O Senhor era com José” (Gn 39.2,5,21,23). Sua fidelidade e cuidado nunca se apartaram da vida de José, mesmo nos momentos mais antagônicos. Deus era com José. Você crê que Deus é contigo? Voce crê que ele controla sua história pessoal?
Nos sermões expositivos que Martin L. Jones faz sobre o livro de Habacuque[5], ao expor o clássico versículo O Justo viverá pela fé (Hab 4.4) ele tira duas lições:
  1. Os acontecimentos históricos devem ser interpretados à luz do reino de Deus – “Se desejamos ter paz interior, a despeito do que acontece no mundo e ao nosso redor, o único modo de consegui-lo é mediante a compreensão da filosofia bíblica da história” (Pg 54).
  2. Perplexidade diante dos acontecimentos correntes não é experiência nova – “Temos sido bastante tolos em imaginar que nossos problemas são excepcionais e peculiares. Não o são... nossas perplexidades não de forma alguma novas” (Pg. 54).
O mesmo autor aponta 4 aspectos que apontam para a soberania de Deus:
  1. A história está sob controle divino – as coisas não são o que aparentam ser. Não há poder neste mundo que não seja por ele controlado. Deus é senhor da história (Is 40.15).
  2. A história segue um plano divino – As coisas não acontecem por acaso. Os acontecimentos não são simplesmente acidentais. Há um propósito na história.
  3. A história segue um horário divino – Deus tem o seu tempo, tem o seu caminho; ele age e trabalha de forma ordenada.
  4. A história está ligada ao seu reino divino – A chave da história do mundo é o reino de Deus. Desde a queda, Deus vem trabalhando no estabelecimento do universo de um novo reino no mundo. Não devemos ficar desconcertados quando coisas surpreendentes acontecem no mundo.
Diante disto, pergunte a si mesmo:
    1. Tenho percebido, de fato, que Deus controla minha história?
    2. Quando ocorrem os eventos, de bençãos ou dificuldades, tenho conseguido discernir o que Deus está querendo me ensinar?
    3. Nos eventos particulares da minha vida tenho me perguntado o que isto tem a ver com o reino de Deus? Como minha vida, família, sucesso ou fracasso estão sendo interpretados em relação ao reino?
    4. O que os acontecimentos tem a ver com a luz do grande, eterno e glorioso propósito de Deus?






[1] Crabb Jr. Larry L. Princípios Básicos de Aconselhamento Bíblico , 1977, Ed. Refúgio, Brasília, 1984, pg 45
[2] Idem,  Crabb Jr. Pg. 77
[3] Idem,  Crabb Jr. Pg. 77
[4] Jones, M. L - Do temor à fé. São Paulo, Ed. Vida, 1977, pg 28.

[5] Idem, Jones, pg 54

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Gn 49 Não se prive da benção!




Introdução:

Quando Jacó vê que seus dias estão chegando ao fim, e sente o prenúncio da morte, convoca seus filhos para abencoá-los. No entanto, nem todos os filhos o são, pelo contrário, para três deles era uma sentença condenatória, por causa de atitudes pecaminosas e bárbaras, que haviam tomado no passado. A sensação que temos é que, por causa de atitudes anteriores, estes filhos foram “privados” da benção, porque o que haviam feito os impediu de recebê-las.
Uma música de Nani Azevedo afirma o seguinte: “Eu não correrei atrás de bençãos. Sei que elas vão me alcançar. Onde eu colocar a planta de meus pés. Sei que a sua benção chegará”. Esta afirmação é verdadeira. Existem muitos correndo atrás de bençãos, sem considerar que benção é resultante de fidelidade. Aquele que crê em mim, disse Jesus, nunca será confundido (ou envergonhado). Isto é benção. O Salmo 128 afirma: “Bem aventurado é o homem que teme ao Senhor, e anda nos seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem” (Sl 128.1,2). A benção é resultante do temor. Muitas vezes queremos bênçãos, vivendo uma vida de infidelidade, esquecendo-nos do princípio da semeadura: “aquilo que o homem planta, isto ele colherá.
Desobediência gera morte. Fidelidade gera vida, paz, Shalom.
Portanto, procure viver uma vida que permita que a benção flua através dela. Não obstrua os canais da benção de Deus para sua vida. Muitas vezes Deus quer nos abençoar, mas se o fizesse ele estaria se contradizendo, porque estaria abençoando a rebeldia, incredulidade e infidelidade.
Em Malaquias 2.1-2, o Senhor afirma que muitos sacerdotes queriam dar a benção de Deus para coisas que Deus abominava, e a benção se transformava em maldição. As bençãos pastorais, quando fogem dos princípios de Deus, ao invés de serem bençãos, se tornam maldição. Portanto, “nunca viole os princípios de Deus se você deseja ganhar ou manter as bençãos de Deus” (Andy Stanley).
Na benção proferida por Jacó aos filhos, vemos alguns destes princípios:

1. Leviandade e luxuria privaram Rúben de bençãos – (Gn 49.3-4). A sentença de Jacó contra seu filho primogênito foi duríssima. Eu jamais gostaria de ouvir uma afirmação desta sobre minha vida. “Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, o mais excelente em altivez e o mais excelente em poder. Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porque subiste ao leito de teu pai e o profanaste; subiste à minha cama” (Gn 49.3-4).
O que aconteceu?
Rúben se envolveu com a concubina de seu pai. Concubina era uma “mulher substituta”. Ela não tinha os mesmos direitos de uma esposa legitima, em geral eram criadas que serviam aos seus donos e lhes geravam filhos, mas eram consideradas suas mulheres, ainda que, com direitos menores.
Determinado dia, Rúben se envolveu com Bila, uma das concubinas de seu pai (Gn 35.22), mãe de Dã e Naftali (Gn 35.25). tal atitude era muito desrespeitosa naquela cultura, como o seria ainda hoje, mas, impelido pelos seus impulsos, não considerou a gravidade do que queria fazer e atendeu à sua luxúria.
Luxúria nos priva de muitas bençãos.
Muitos jovens perdem intimidade com Deus, se tornam levianos, quebram princípios, por causa da sua promiscuidade e fornicação, quebrando princípios de Deus e perdendo bençãos em suas vidas. Muitos homens e mulheres casados, para satisfazer uma paixão ou mesmo por pura leviandade, entregam-se à infidelidade, traição, quebram seus votos, deixam seus corações e desejos orientarem suas vidas, esquecem-se dos princípios, negam sua fé, igreja e reputação por causa da concupiscência de seus desejos sexuais mal orientados.
Quando isto acontecem, esfriam na fé, perdem a intimidade com Deus, ficam com vergonha e deixam de ler a bíblia, orar, se afastam de sua comunidade ou perdem o interesse pelas verdades do evangelho, não conseguem mais testemunhar e muitos menos compartilhar usa fé, porque sentem-se desautorizados.
Homens e mulheres quando traem seus companheiros, arrebentam seus filhos, geram escândalo nas suas igrejas e na sociedade, levam as pessoas a zombarem de sua fé, deixam seus filhos confusos e seus companheiros despedaçados e eventualmente isto desemboca no divórcio.
Luxuria e leviandade nos privam das bençãos de Deus.
Jacó não abençoou Rúben, pelo contrário, disse-lhe que apesar de ser o primogênito, por ter se entregue à leviandade, perdera todos os benefícios da linhagem familiar, direitos e privilégios. Não era mais excelente, porque havia profanado o leito de seu pai. Por sua luxúria as bençãos são retiradas. “Impetuoso como a água, não serás o mais excelente”. A benção lhe foi retirada.

2. Ira e Violência privaram Simeão e Levi de bençãos – Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência. No seu conselho, não entre minha alma; com o seu agrupamento, minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram homens, e na sua vontade perversa jarretaram touros. Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira; dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel” (Gn 49.5-7). O que aconteceu com estes dois irmãos que motivou Jacó a dar uma sentença tão dura contra eles?
Este episódio está registrado em Gn 34. Para vingar sua irmã Diná, que na sua visão havia sido violentado por Siquém, um rapaz que era princípio de um povo vizinho (O texto é meio ambíguo, dando idéia eventual que não fora um estupro, mas um ato sexual com consentimento) eles decidiram exterminar à espada toda aquela família. Usando um estratagema maligno, conseguiram alcançar seu intento e praticaram um genocídio.
Isto trouxe muita tristeza ao coração de Jacó, que já estava resolvendo a situação com o pai do rapaz. Aqueles homens foram assassinados sem direito de defesa, Simeão e Levi foram frios, premeditados e cruéis. Quando isto aconteceu, Jacó ficou devastado e repreendeu seus filhos por tornarem sua família odiada de todos os vizinhos, e declarando que a atitude deles havia afligido sua alma (Gn 34.30). Agora, na hora da benção, Jacó não profere palavras positivas para seus filhos, mas um severo juízo, que atingiria de forma direta, os seus filhos e netos.
Os outros nove filhos, contudo, recebem a benção do pai. Os três primeiros, não.

Que lições podemos aprender?

  1. Não se prive da benção que Deus tem para sua vida – Abra os canais de Deus para que o Senhor possa derramar bençãos sem medida sobre sua história, sua casa, seus bens, seus filhos. Tenho pensado sobre isto em várias áreas:
 ü       Área Financeira – Deus, em vários textos do Antigo e Novo Testamento, promete bençãos materiais àqueles que são fiéis nos dízimos e ofertas.
*“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, e provai-me nisto, diz o Senhor, se eu não vos abrir as janelas dos céus e derramar sobre vós, bençãos sem medida” (Ml 3.10).
*“Honra ao Senhor com os teus bens, e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão de fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares” (Pv 3.9-10).
* “E isto afirmo: aquele que semeias pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus” (2 Co 9.6-11).
A partir do momento que sou fiel com meus bens, sendo generoso eu abro os canais de Deus para me abençoar. Por que? Ao fazer isto em obediência e fidelidade, eu transfiro a Deus a responsabilidade do meu sustento que torna-se responsabilidade de Deus, que fez a promessa, e não minha, que acho que tenho o controle das coisas.

ü       Área Emocional – Quando a Bíblia afirma que não devemos nos vingar, antes dar lugar à ira de Deus (Rm 12-17-21), ela está pedindo que eu transfira os supostos direitos de retribuir o mal que me fizeram, deixando tal pessoa nas mãos de Deus. O juízo é do Senhor, não meu; a vingança é de Deus, não minha. Eu não tenho responsabilidade de fazer justiça com minhas próprias mãos, porque eu deixei Deus ser Deus na minha vida e cuidar daquele que me ofendeu. Deus vai decidir o que fazer com esta situação. Isto não é da minha conta.

ü       Nossa história pessoal – Quando me submeto a Deus em fidelidade, estou semeando. Não preciso correr atrás de bençãos, elas vão me alcançar. A Bíblia diz: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6.7-10). Semeie com confiança, aguarde o tempo, a semente está brotando. Plante sementes de justiça, solidariedade, simpatia, seriedade e misericórdia. Encha seu tanque emocional e a colheita virá.

  1. Benção é outorgada – Jacó abençoou seus filhos “a cada um deles abençoou, segundo a benção que lhe cabia” (Gn 49.28). Outra tradução da Bíblia diz: “Dando a cada um a benção que lhe pertencia” (NVI).
Não existe benção autóctone, independente de Deus.
Quando os sacerdotes proferiram bençãos que Deus não havia autorizado a dar, tais bençãos se transformaram em maldições (Ml 2.1-2). A Benção é uma sentença dada a alguém que já tinha recebido de Deus, era algo que fora dado, a cada um, segundo lhes pertencia. Já era deles. A benção foi apenas proferida. Por isto não pode haver benção para Rúben, Simeão e Levi. Suas atitudes os privaram de bençãos.
Certa vez um casal me procurou para lhes dar uma benção no casamento. Como eles eram novos e recém chegados à igreja, marquei um horário e fui visitá-los e ali pude saber um pouco da história deles.
Ela havia se separado do marido, deixando seus três filhos para trás e se mudara para os EUA. Ali conhecera aquele rapaz e resolveram morar juntos, e agora me pediram para abencoá-los porque não queriam estar morando juntos sem a benção de Deus.
Naquela hora, minha benção se tornou sentença condenatória. Disse-lhes que não poderia abençoar o que Deus não abençoava, que a atitude dela estava trazendo ira sobre si, que estavam vivendo em pecado e precisavam se separar, ela deveria se arrepender, voltar para casa para cuidar de seu marido e filhos. Li o texto de Malaquias 2.1-2, onde Deus afirma que transformaria a benção dos sacerdotes em maldição, porque não os havia autorizado a dar aquela benção. É muito perigoso a benção de pastores para coisas contrárias a orientação da Palavra de Deus. Isto não traz benção, traz maldição, sobre os pastores e sobre o rebanho.
Queremos benção sem obediência.
Queremos benção sem que ela nos pertença, sem que tenha sido dada por Deus.
Queremos benção vivendo um estilo de vida pecaminoso.
Deus, no entanto, não tem compromisso com a infidelidade.

Se perserveramos, também com ele reinaremos;
se o negamos, ele, por sua vez, nos negará;
se formos infiéis, ele permanece fiel,
pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo”.
(2 Tm 2.12-13).

Conclusão:

Muitos estão vivendo fora da benção de Deus, por causa da rebeldia, desobediência, infidelidade. Precisamos voltar para o lugar da benção.

Dois caminhos são requeridos:

Precisamos de Arrependimento – Compreensão de que estamos pecando contra Deus, contra sua palavra, contra a santidade. Muitos cometemos pecados sérios, mas quando nos arrependemos e voltamos para Deus, podemos encontrar a graça restauradora de Deus.

Precisamos do sangue de Cristo – A morte de Cristo são boas novas e também denúncia. Ela revela nosso fracasso. A verdade é que, sem a obra de Cristo, ninguém é suficiente para coisa alguma. Por isto Paulo indaga: “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?” ((2 Tm 3.5). Quem é merecedor de benção? Quem pode, por sua justiça própria, reivindicar de um Deus santo, bençãos, por se julgar merecedora delas? A Bíblia diz que todos merecemos o castigo de Deus, por causa de nossos pecados.
A cruz de Cristo nos aponta para este lugar onde podemos ser restaurados e tratados. O sangue de Cristo tira de sobre nós a condenação de nossos pecados, a acusação, grave de estarmos lutando contra Deus. A cruz de Cristo realizar estas coisas e nos restaura aos olhos de Deus.
Por esta razão Paulo afirma que “nenhuma condenação há, para os que estão em Cristo Jesus”. A benção virá, não por causa dos nossos méritos, performance e justiça própria, mas pelos méritos e pela justiça de Cristo Jesus, que nos deu um nome  e nos restaurou aos olhos do Pai, e nos fez assentar nos lugares celestiais, trazendo com ele, para as nossas vidas, toda sorte de bençãos espirituais (Ef 1.3). É isto que o antigo hino dizia: "Os pecadores indignos, graças dos céus obterão". Tudo isto nos é dado por meio de Cristo.
A maior de todas as bençãos que podemos ter são espirituais. Jesus é a nossa maior benção. A Bíblia nos diz que nele estão todos os tesouros de Deus. Quem tem a Cristo não precisa de outras bençãos, que bênçãos poderemos desejar mais que a Jesus. Por meio de Jesus temos recebido de Deus “toda sorte de bençãos espirituais” e ele nos tem feito assentar, com Cristo, nos lugares celestiais (Ef 1.3)
O ponto essencial não é correr atrás de bençãos, mas não se afastar de Cristo. Ele é o herdeiro, e nós somos co-herdeiros com ele.
A saúde pode faltar e um milagre acontecer e sermos curados.
Mortos podem ressuscitar
Mas mesmo que sejamos tratados fisicamente, nossa saúde vai se complicar em outro momento. Mesmo ressurretos, como Lázaro, morreremos novamente. Bens, podemos ganhar e perder.
Jim Elliot afirmou: “Não é tolo quem dá o que não pode reter, para ganhar aquilo que não pode perder”.
Conta-se que um riquíssimo general romano tinha um filho que lhe feria o coração, pois era desregrado e desequilibrado nas suas decisões e condutas. Este mesmo homem  tinha também um escravo que lhe enchia o coração de alegria e orgulho, por causa de sua fidelidade e cuidado. No seu leito de morte, o general resolveu deserdar o filho e deixar todos os seus bens para seu escravo Marcellus. Registrou então sua decisão no papel, fazendo um testamento e depois chamou seu filho para lhe comunicar a decisão, dizendo-lhe: “Eu decidi deixar todos os meus bens para meu escravo Marcellus. Vou no entanto permitir que você escolha para si apenas um item dos meus bens”. Você pode pensar, escolher calmamente uma das minhas propriedades, mas lembre-se, você tem direito a uma só delas, portanto, escolha sabiamente.
O jovem impetuoso voltou-se para o seu pai e lhe disse. “Eu já fiz a escolha”. E o seu pai tentou convencê-lo a refletir melhor, mas o jovem afirmou sem pestanejar:

-“Eu fico com Marcellus!”