quarta-feira, 22 de março de 2017

Gl 1.11-24 Paulo e a experiência do evangelho




Introdução:

Na medida em que Paulo vai narrando o conteúdo desta carta, ele vai falando de sua própria experiência de fracasso/sucesso.

Seu fracasso está relacionado, diretamente, à sua luta por viver na carne, mesmo depois que conheceu o evangelho. Este texto, de forma particular, é autobiográfico. Paulo fala de sua tentativa de viver por si mesmo, ao invés de confiar no Senhor.
Neste texto ele vai mesclando sua experiência com as descobertas do evangelho. Veja o que ele descobriu:

1.     O Evangelho não buscar agradar os homens – vs 10

a.     O evangelho desagrada porque é denúncia. Mostra o fracasso da humanidade em tentar viver para Deus.

b.     O evangelho desagrada porque mexe com nosso orgulho. Não ha qualquer motivo de orgulho, a obra não é nossa.

c.      O evangelho retira o homem do centro – Ele não se salva, mas é salvo. Precisa de alguém para resgatá-lo.

2.     O Evangelho não procede do homem – vs. 11

a.     Nenhuma homem poderia criar o evangelho. Sua mensagem foge ao senso comum. A maioria das religiões coloca a salvação nas obras humanas, o evangelho o coloca na obra de Cristo.

b.     Evangelho é revelação

3.     O testemunho de Paulo – vs. 13

a.     Paulo: perseguidor – 1 Tm 1.12-14. Sujeito improvável de se converter. Não parece?

b.     Sua presença na igreja assustou os irmãos de Jerusalém. At 9.26. O que este homem está fazendo aqui?

c.      Sua história de perseguição – At 26.10-11

4.     O reconhecimento de Paulo

a.     O propósito eterno de Deus – Gl 1.15 “antes de nascer”

b.     A base do chamado – Gl 1.15  “graça”

c.      A essência do chamado – Gl 1.15. “revelar Jesus”

d.     O propósito da chamada – “pregar aos gentios”

                                               i.     Salvos de que...


                                              ii.     Salvos, para que...

quarta-feira, 1 de março de 2017

Lc 16 A parábola do rico e Lázaro




Esta parábola só ocorre em Lucas. Teófilo (a quem a carta foi enviada) deve ter sido um homem muito rico, pelo uso do termo inicial feito por Lucas: "Excelentíssimo" (Lc 1.3), apesar disto, o evangelho de Lucas é curiosamente para as camadas mais pobres e os marginalizados.

Esta parábola é a parábola das contradições:

1."Certo homem rico". Não tem nome, só tem bens. Jesus o descreve não pelo que ele era, mas pelo que ele tinha. Se vestia de púrpura real, que era símbolo de realeza, e roupas de linho, símbolo de poder econômico. “Regalava-se". Era tão rico que não precisava se preocupar com o amanhã. Provavelmente fosse saduceu, um grupo de judeus liberais que não cria na vida após a morte, e na ressurreição.

2. "Certo mendigo", esmolava mas tinha nome (Lázaro). Não tinha nada que o outro tinha, mas tinha identidade. Lázaro é a forma grega para o nome hebraico Eleazar, que foi reduzido para "Lazar", aquele a quem Deus ajuda. Na Bíblia, as coisas não são ocasionais. Não podemos fazer as nossas bíblias, nem escrever o quinto evangelho.
Sua realidade não humana não era boa. “Coberto de chagas e jazia à porta". Era um homem esquecido socialmente, mas não era esquecido por Deus. Diante da meritória teologia judaica, o saduceu, por ter muitos bens era, portanto, tido como abençoado por Deus.

3. “Os dois morreram". Aqui está a semelhança. Morte é democrática e chega para ricos e pobres. Um foi “levado pelos anjos”, outro, “morreu e foi sepultado”. Percebe-se uma clara ênfase na narrativa de Jesus para revelar o contraste entre a realidade dos dois. Os judeus achavam que o pobre era desgraçado, assim como fazemos hoje, mas Jesus inverte aqui. O desprezado era aceito, tinha um lugar de proeminência no céu. "Ouvistes o que foi dito..."Jesus confronta  o pensamento da época. Foi para o seio de Abraão, ficar perto do Senhor. Ao afirmar “morreu o rico e foi sepultado" percebemos a ênfase de Jesus.

Duas realidades:
“Foi levado pelos anjos para o seio de Abraão” – vs 22 – A Bíblia usa muitos termos para descrever a vida após a morte. Surgem termos como “hades, sheol, inferno, seio de Abraão, céu, paraíso”, cada um destes possui sua particularidade, similaridades e oposições. A descrição da vida após a morte para este pobre homem é extremamente privilegiada.

"No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio". Só no inferno, o rico viu a Lázaro. Nunca se importara, mas agora o vê. Ele sabia o nome de Lázaro,   portanto, não tem desculpa pela sua indiferença, sua recusa em cuidar de Lázaro fora uma decisão consciente. Negligenciou...
Joaquim Jeremias, conhecido exegeta afirma: "Esta perícope não deveria chamar-se a parábola do rico e Lázaro, mas a parábola dos seis irmãos".

"Pai Abraão"- Invoca a paternidade. Sou teu filho, sou membro de tua fé, tem misericórdia de mim... Nunca estendera a mão e agora queria a ponta do dedo. Nunca dera água e agora queria o dedo molhado. Tormento horrível. Seu status social não lhe valia nada, sua religião de nada valia, seus recursos, posição e dinheiro, agora nada valiam.
Abraão diz: "filho". Mesmo no inferno não deixa de chama-lo de filho. "Lembra-te". A pobreza não é mérito para Lázaro, nem a riqueza desgraça para o rico.

Observações:
1. O rico não foi ao inferno por ser rico, nem o pobre foi ao céu por ser pobre - a pobreza em si mesma não é virtude, nem a riqueza em si mesmo é defeito.
Se existe alguma crítica é pelo comportamento excêntrico do rico:
            a. se vestia de púrpura e linho;
            b. Todos os dias se regalava esplendidamente.


2. Há separação depois da morte. Apesar do discurso universalista, de que todos serão salvos, a Bíblia não faz esta asseveração em tempo nenhum, pelo contrário, é clara em fazer afirmações distintas sobre o destino do ímpio e do justo.  Acerca daquele que preferiu não crer e aceitar as verdades da salvação e da obra de Cristo para suas vidas, e daqueles que foram redimidos pelo sacrifício de Cristo no Calvário.

Este texto ainda nos revela que não existe:
           
2.1. Possibilidade de mudança após a morte - vs. 24
            O rico queria uma mudança de situação, mas isto lhe foi negado, era impossível.  “Eles tem Moisés e os profetas". Esta é a resposta do Pai Abraão. Ouça o que diz as Escrituras Sagradas.

           
2.2. Possibilidade de um terceiro caminho- só existe o céu e o inferno. Não existe purgatório, aniquilacionismo,  reencarnação ou algo alternativo. vs.22
           
2.3. Possibilidade de comunicação entre o céu e o inferno- vs. 26"Está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós".
           
2.4. Possibilidade de que alguém saia da outra vida para trazer um "recado" aos vivos. Este texto contradiz toda pregação espirita sobre mediunidade ou contato dos vivos com os mortos. “Eles tem Moisés e os profetas, ouçam-nos” (Vs 29). O pedido foi específico, ele queria que alguém fosse aos seus irmãos e desse o recado para que não viessem para aquele lugar de tormento, mas seu pedido foi negado. "Abraão, porém, lhes respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que alguém ressuscite dentre os mortos" (vs 31). Isto demonstra uma absoluta impossibilidade mediúnica.

Deus já deu todos os recursos para que saibamos como proceder: “Moisés e os Profetas; ouçam-nos". O corpo doutrinário das Escrituras é suficiente para fazer-nos sábios para a salvação (1 Tm 3.15). A Bíblia contém tudo o que é necessário, e não há nada além que precisamos. Caso o retorno fosse possível muitos dos que já morreram diriam: Mudem de vida! Quantos não quiseram aceitar... Nos ensina que os rebeldes aprendem tarde demais.
           
A morte vem para todos, mas não é igual para todos. Para uns é o fim do gozo, para outros, é o início dele. Para o crente é promoção, para o não crente, julgamento.

Na hora da morte, Deus cuida de maneira especial das almas dos crentes. "O rico morreu e foi sepultado, o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abrão. vs. 22. O rico tem sepultura, pompa. O crente tem anjos. O ímpio não é aniquilado. Morte não é aniquilamento, morte é ausência de Deus. Inferno é descrito em termos de tormento. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Mc 1.15 Arrependei-vos e crede no Evangelho… II




Introdução:

Se é verdade afirmar que é difícil se arrepender, igualmente o é “crer no Evangelho”.

É fácil crer em muitas coisas, algumas até bizarras
Mas não é fácil crer no Evangelho.

Jesus certa vez fez uma pergunta aparentemente sem sentido: “Quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8). Já faz mais de 2000 anos que ele partiu, e a raça humana é carregada de fé, crendices, superstições, religiões, deuses e demônios. A raça humana tem tanta fé... Será que Cristo estava se referindo a este tipo de fé?
Se observarmos o encadeamento desta pergunta narrada em Lucas, veremos que, em seguida, Jesus contará a parábola do fariseu e do publicano. O objetivo da parábola é claro: “Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (Lc 18.9). A pergunta de Jesus tem a ver com a fé salvadora, não a fé em qualquer coisa, do tipo “fé na fé”. O ponto é: quando o Filho do Homem voltar, vai encontrar pessoas crendo na obra que ele realizou?

Por que é difícil crer no Evangelho?

1.     Porque o Evangelho é denúncia – A palavra Evangelho significa literalmente “boas novas”. Uma mensagem nova chegou para que substituísse as más notícias.

O ser humano se perdeu na sua trajetória.
“Eis o que tão somente achei. Que Deus fez o homem reto,
e ele se perdeu em muitas astúcias”(Ec 7.29).

Deus o fizera sua imagem e semelhança, mas o homem decidiu construir uma vida independente. O Evangelho vem denunciar as consequências da “teomania” da raça humana, esta atitude de se colocar no lugar de Deus e se idolatrar. O resultado tem sido confusão, desordem, guerras, ódio, violência, porfia, inveja, luta pelo poder, ganância, e poderíamos colocar mais duzentos adjetivos que mostram a falência do ser humano.
Deus enviou seu Filho para buscar e salvar o perdido (Lc 19.10). Perdido é alguém que não sabe mais onde se encontra, não tem senso de direção, não sabe mais o que é errado e o que é certo, não faz diferença entre sul e norte. A morte de Cristo na cruz, para que houvesse um evangelho a ser pregado, denuncia a humanidade sem rumo.

2.     Porque o Evangelho mexe com o nosso orgulho – Imagine o homem na sua arrogância. Ele não quer depender de Deus a quem ele rejeitou. Quando rejeitamos a obra de Cristo estamos declarando: “Não preciso de ninguém para me salvar, eu posso salvar a mim mesmo”.

A verdade é que Jesus morreu a nossa morte para que vivêssemos sua vida. Certa pessoa ao ouvir esta declaração, reagiu violentamente: “Eu não preciso de ninguém para morrer a minha morte. Eu mesmo a morro!”
O Evangelho fala da impotência do homem em salvar-se a si mesmo.
Mas isto é contrário a todos os princípios de todas as religiões no mundo inteiro. Todas elas afirmam que você pode ser salvo se for uma pessoa boa, se fizer boas obras, praticar caridades, afinal, perguntam intimamente: “Qual foi exatamente o motivo da morte de Cristo?”
Boa parte das pessoas rejeitam a obra vicária de Cristo, sua voluntária entrega na cruz, para nos resgatar do pecado. A Bíblia afirma que Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado (2 Co 5.7). O que isto significa? O Cordeiro de Deus foi sacrificado por nós.

Você tem confiado na cruz de Cristo ou nos seus esforços?

O Evangelho destrói todo orgulho humano, desfaz toda auto suficiência em relação à sua salvação.
Paulo afirma: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”(Rm 3.28). “Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das  obras? Não; pelo contrário. Pela lei da fé” (Rm 3.27).
O Evangelho mostra que Deus nos tornou justos aos seus olhos gratuitamente, mediante a sua graça. O homem não “ganha” a salvação, no sentido meritório, como conquista pelo seu currículo moral ou espiritual, mas ele a recebe graciosamente. Não há mérito, nem há conquista humana, mas apenas a graça e a bondade de Deus.

Será que conseguimos crer nisto ou ainda insistimos em crer nos nossos esforços pessoais?

3.     Porque o Evangelho retira o homem do centro – O Evangelho coloca Deus no centro, não o homem. Não há antropocentrismo, mas teocentrismo. Os homens não são soberanos, Deus é.

Paulo afirma ainda:
“pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus
como gregos, estão debaixo do pecado”(Rm 3.9).

O homem não está no centro, Deus está.
“Não que por nos mesmos sejamos capaz de pensar
alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário,
a nossa suficiência vem de Deus” (2 Co 3.5).

Tudo vem de Deus. A glória é dele.

Quando Jesus estava morrendo na cruz ele declarou ao Pai que “tudo estava pago”: 
“Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca. Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Tudo Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”. (Jo 19.28-30).

“Está consumado” literalmente significa “Tudo está pago!

Jesus estava dizendo ao Pai que estava concluída a sua obra na terra. Ele tentou explicar isto aos seus discípulos: “Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome...” (Jo 12.27-28)

Quando ele disse: “Está consumado!” foi uma afirmação ao Pai. Sim, a obra estava concluída, de uma vez por todas. Jesus realizou-a plenamente. Estava cumprida a missão.

A conta estava paga.
Quando quitamos uma dívida, as pessoas devolvem a duplicata, ou entregam o recibo de quitação. Foi isto que Jesus disse: “Tudo está pago!” Na cruz ele pagou a dívida de nosso pecado.
O apóstolo Pedro disse que Jesus sofreu em nosso lugar, 
“carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados” (1 Pedro 2:21,24).

Nenhuma obra humana.
Deus realizando todas as coisas por meio de Cristo.
Obra consumada pelo seu sangue. Tudo está resolvido, quitado, consumado. O homem não pode salvar a si mesmo, mas precisa confiar no Evangelho.

Tim Keller, no livro Igreja Centrada (Pg 35), afirma que o Evangelho é uma mensagem sobre como fomos resgatados de um perigo: condenação e morte eterna.

Ele dá algumas dicas sobre o Evangelho:
A. Evangelho é uma boa notícia não um bom conselho - Não é fundamentalmente um modo de vida. não é algo que fazemos, mas que foi feito por nós e ao qual devemos responder.

B. O Evangelho é uma boa notícia que anuncia que fomos resgatados - 1 Ts .10 afirma: "fomos resgatados da ira vindoura". O mundo está desajustado e precisamos ser resgatado. Os problemas "horizontais" não são a raiz do problema, o o motivo de toda infelicidade tem a ver com nosso relacionamento com Deus.

C. O Evangelho é uma boa notícia sobre o que Jesus Cristo fez para restaurar o nosso relacionamento com Deus. Tornar-se cristão diz respeito a uma mudança de condição perante Deus. 1 Jo 3.4 afirma que "já passamos da morte para a vida", e não que "estamos passando". Ou você está em Cristo, ou não está. Ou você é aceito e perdoado ou não é.

Por isto, dois inimigos mortais do Evangelho sempre estão presentes: (1)- O moralismo (legalismo), que diz: "para ser salvo precisamos ter uma vida santa e moralmente boa", e (2)- O relativismo moral, ou antinomismo que diz: "Como já fomos salvos, não precisamos de uma vida santa e moralmente boa". 

O Evangelho nos fala da grande obra de Cristo a nosso favor.
Ele assumiu nosso lugar, ele nos salvou.
Isto é o Evangelho.


Achamos fácil crer na obra de Cristo ou ainda confiamos em nós mesmos para salvação? Onde está sua confiança?
"Se você crê somente no que gosta do evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas sim, em si mesmo" (Agostinho).