Introdução
O livro do profeta Zacarias é marcado por perguntas e questões entre o profeta, os anjos e o Senhor. Trata-se de um dos mais dialogais e "interrogativos" textos do Antigo Testamento. Devido às suas visões complexas e à constante interação entre o profeta, o anjo e o próprio Deus, o texto é repleto de questionamentos.
Embora o número exato possa variar levemente dependendo da tradução da Bíblia (pois algumas transformam afirmações em perguntas retóricas ou vice-versa), estudiosos e entusiastas de curiosidades bíblicas chegam a falar de 40 perguntas ao longo dos seus 14 capítulos.
Algumas comparações curiosas podem ser feitas. Embora Zacarias tenha muitas perguntas para um livro de seu tamanho, ele não é o recordista da Bíblia. O livro de Jó é o que contém o maior número de interrogações (aproximadamente 330), especialmente nos capítulos finais, onde Deus questiona Jó sobre a criação. Outro livro marcado por um estilo inquisitivo é Malaquias, que funciona quase como um debate jurídico entre Deus e o povo.
Zacarias utiliza as perguntas como uma ferramenta pedagógica e profética. Elas podem ser divididas em três categorias principais:
1. Perguntas do Profeta (Busca por Entendimento):
Frequentemente Zacarias pergunta ao anjo: "Que é isto, meu Senhor?" (Zc 1.9, 4.4). Ele representa a igreja que na sua caminhada, está sempre procurando entender as visões complexas de Deus e seu propósito para nossas vidas.
2. Perguntas do Anjo ou de Deus (Instrução):
Deus ou o anjo respondem com outras perguntas para testar a percepção de Zacarias ou enfatizar um ponto, como em Zacarias 4.10: "Pois quem despreza o dia das coisas pequenas esse se alegrará vendo o prumo na mão de Zorobabel?" Uma referência clara à restauração e renovação da cidade de Jerusalém, que Deus estava fazendo conforme havia prometido ao profeta Jeremias, 70 anos antes.
3. Perguntas de Retórica e Desafio:
Usadas para confrontar a hipocrisia do povo ou dos líderes, como em Zacarias 7.5-6, quando Deus questiona se o jejum deles era realmente para Ele. “Fala a todo o povo desta terra, e aos sacerdotes, dizendo: Quando jejuastes, e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, porventura, foi mesmo para mim que jejuastes? Ou quando comestes, e quando bebestes, não foi para vós mesmos que comestes e bebestes?”
Ainda que não tenhamos tempo para falar de todas as perguntas formuladas, gostaria de colocá-las aqui, caso você tenha curiosidade em aprofundar o tema. Para o sermão em si, usaria apenas algumas perguntas centrais que serão o centro de nossa mensagem.
Aqui estão as perguntas mais marcantes dentro das oito visões noturnas de Zacarias (capítulos 1 a 6). Note como o profeta usa a pergunta como uma "chave" para abrir o entendimento espiritual:
1ª Visão: Os Cavalos entre as Murtas (1.7-17)
- A pergunta de Zacarias: "Senhor meu, quem são estes?" (Zc 1.9). O profeta vê algo no mundo espiritual e admite que não entende, pedindo auxílio.
- A pergunta do Anjo ao Senhor: "Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém...?" (Zc 1.12). Aqui, o anjo intercede pelo povo, questionando o tempo do julgamento.
2ª Visão: Os Quatro Chifres e os Quatro Ferreiros (Zc 1.18-21)
- A pergunta de Zacarias: "Que é isto?" (Zc 1.19). Ao ver os chifres (poderes nações que espalharam Judá), ele busca o significado dos símbolos.
- Segunda pergunta: "Que vêm estes fazer?" (Zc 1.21). Ao ver os ferreiros, ele quer entender a ação de Deus contra os opressores.
3ª Visão: O Homem com a Linha de Medir (Zc 2.1-13)
- A pergunta de Zacarias: "Para onde vais tu?" (Zc 2.2). Ele questiona o agrimensor, revelando o plano de Deus para a expansão e restauração de Jerusalém.
4ª Visão: O Sumo Sacerdote Josué (Zc 3.1-10)
- A pergunta/desafio do Senhor: "O Senhor te repreenda, ó Satanás... não é este um tição tirado do fogo?" (Zc 3.2). Deus faz uma pergunta retórica para defender Josué, mostrando que ele foi resgatado por graça.
5ª Visão: O Candelabro de Ouro e as Oliveiras (Zc 4.1-14)
Esta é a visão com mais perguntas e contém a famosa resposta sobre o poder do Espírito.
- A pergunta do Anjo: "Que vês?" (Zc 4.2). O anjo estimula a observação do profeta.
- A pergunta de Zacarias: "Senhor meu, que é isto?" (Zc 4.4).
- A pergunta retórica de Deus: "Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel serás uma planície" (Zc 4.7). Um desafio contra os obstáculos humanos.
- A pergunta sobre a valorização: "Pois quem despreza o dia das coisas pequenas?" (Zc 4.10). Uma das perguntas mais citadas da Bíblia sobre encorajamento.
- O detalhamento de Zacarias: "Que são estas duas oliveiras...?" e "Que são aqueles dois ramos de oliveira...?" (Zc 4.11-12). Ele não se satisfaz com uma resposta superficial e quer entender os detalhes do "azeite" que flui.
6ª Visão: O Rolo Voante (Zc 5.1-4)
- A pergunta do Anjo: "Que vês?" (Zc 5.2). Zacarias responde descrevendo a dimensão do rolo, que representava a maldição sobre o pecado.
7ª Visão: A Mulher no Cesto (Efa) (Zc 5.5-11)
- A pergunta de Zacarias: "O que é isto?" (Zc 5.6).
- A pergunta sobre o destino: "Para onde levam elas o efa?" (Zc 5.10). Ele quer saber para onde a maldade está sendo removida.
8ª Visão: Os Quatro Carros (Zc 6.1-8)
- A pergunta de Zacarias: "Senhor meu, que é isto?" (Zc 6.4). Ao ver os carros saindo de entre montanhas de bronze, ele busca o encerramento do ciclo de visões.
O Livro de Zacarias nos ensina que a revelação é um diálogo. Ele não recebeu apenas imagens passivas; ele interagiu com elas. Para que possamos de forma mais eficaz agradarmos a Deus e servirmos no seu reino, precisamos ter três atenções:
- Observação atenta: "Que vês?".
- Humildade para perguntar: "Que é isto?".
- Persistência nos detalhes: Perguntar de novo até entender, como acontece no caso das oliveiras, na quinta visão, que se encontra no capítulo 4.
O livro termina com a promessa de que as perguntas cessarão quando a santidade for plena: "Naquele dia não haverá mais mercador no templo do Senhor" (Zc 14.21). Para nossa reflexão, gostaria de suscitar hoje, na virada do ano, três perguntas que considerei essenciais para nossa caminhada de fé.
1. Perguntas relacionadas a autocompreensão - Frequentemente Zacarias pergunta ao anjo: "Que é isto, meu Senhor?" (Zc 1.18, 4.4; 5.6; 6.3)).
Estas perguntas apontam para a necessidade que temos de julgar corretamente a vida e sua dinâmica. Há tantas questões envolvidas na vida, mistérios, desafios emocionais e intelectuais. Os filósofos sempre buscaram este sentido último e a compreensão clara do que é a vida e a natureza. Por causa do pecado e dos julgamentos errados que fazemos, invariavelmente os filósofos desembocam no desespero e na ausência absoluta de entender com clareza a existência em si. Se você retira Deus do centro da sua compreensão, o que resta é o vazio, o nihilismo e o desespero, que foi a conclusão de quase todos pensadores existenciailistas como Sartre, Nietzsche, Jaspers, Camus.
É fundamental entender as coisas de forma pura, entender a realidade como ela é e assim entender o propósito de Deus para nossas vidas. Chamamos isto de hermenêutica divina.
Por isto Zacarias insiste nesta questão essencial: "Que é isto, meu Senhor?" Não raramente precisamos colocar o joelho no chão e na perspectiva de Deus, tentar encontrar o sentido último sobre questões paradoxais como morte, dor, mistério, mal. A vida é marcada por contradições e ambiguidades, muitas vezes sem resposta. Precisamos ter uma compreensão a partir do próprio Deus do significado da vida. O que é a vida? De onde viemos? Para onde vamos? Por que estamos aqui? Por que coisas doloridas acontecem conosco?
A Bíblia é o manual de Deus para nossa vida. Ela é a Palavra de Deus. Deus se revela no seu conteúdo. Nela encontraremos respostas a partir daquele que nos criou. Por isto a interpretação correta da Bíblia é tão importante. A Bíblia mostra como homens de Deus perderam sua capacidade de entender as coisas de Deus por estarem fazendo julgamentos equivocados da realidade. Zacarias está sendo desafiado pelo que vê, e por isto pergunta: "Que é isto, meu Senhor?" precisamos analisar corretamente os fatos a partir de uma hermenêutica divina.
Apenas em Mateus 16 podemos ver três exemplos de como facilmente nos equivocamos ao julgar os fatos:
Primeiro, os fariseus e saduceus, líderes religiosos e empresários dos dias de Jesus, se aproximam dele pedindo sinal:
“E, chegando-se os fariseus e os saduceus, para o tentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. Mas ele, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não discernis os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se.” (M 16.1-4)
Eles nunca conseguiram entender de forma correta o grande sinal que Deus havia dado ao povo através da vida do profeta Jonas. Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim importava também que o filho do homem morresse e ressuscitasse. Eles não conseguiram fazer a leitura correta, nem mesmo dos textos sagrados que tinham em mãos.
Segundo, na leitura equivocada dos discípulos sobre o fermento dos fariseus:
“E, passando seus discípulos para o outro lado, tinham-se esquecido de trazer pão. E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus. E eles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão. E Jesus, percebendo isso, disse: Por que arrazoais entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes trazido pão? Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantos cestos levantastes? Nem dos sete pães para quatro mil, e de quantos cestos levantastes? Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus? Então compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus e saduceus.” (Mt 16.5-12)
Os discípulos estão confusos acerca de uma advertência simples que Jesus faz. Eles confundem o fermento dos fariseus, que era a forma sutil com que eles esvaziavam o reino de Deus, com a necessidade material de terem pão. Jesus se surpreende com a pequenez e a limitação que eles tem em entender sua advertência.
Terceiro, quando Jesus lhes falava sobre sua morte e ressureição e Pedro o repreende:
“Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.” (Mt 16.21-23)
Pedro não entende o sentido da palavra de Cristo, e até mesmo o repreende. Pedro chama a atenção de Jesus porque achava que ele estava falando algo indevido, quando o que Jesus falava era o centro da sua missão. Algo tão direto e claro estava confuso para Pedro.
Em todos estes casos, o que vemos? Problemas relacionados à interpretação. Todos eles interpretaram erroneamente o que Deus queria comunicar. É muito comum interpretarmos erroneamente a vida. Quando passamos por tempestades e angústias, por fazermos leituras erradas, nos deprimimos, acusamos Deus, murmuramos, lamentamos, praguejamos.
É importante aprender a não se julgar, a não julgar os outros nem a Deus quando estamos emocionalmente deprimidos. Coisas como insônia, stress, ou saúde física e cansaço podem nos afetar e a afetar nosso juízo das coisas.
O problema é que errar na interpretação, é errar na missão de Deus para nossas vidas. Por isto faz todo sentido a pergunta do profeta Zacarias: “"Que é isto, meu Senhor?" (Zc 1.18, 4.4; 5.6; 6.3)). O profeta estava tentando entender o que Deus estava querendo comunicar. Ele queria saber o significado dos eventos que estavam diante dos seus olhos. Ele precisava julgar corretamente. Ele então pergunta a Deus.
Este é um dos grandes desafios da vida. Você está entendendo o que está acontecendo com sua história? Para onde as coisas estão sendo conduzidas? O que Deus deseja fazer contigo? Quando se sentir alarmado ou confuso, a pergunta relacionada a autocompreensão precisa ser feita: "Que é isto, meu Senhor?"
2. Pergunta relacionada à capacidade de percepção – Esta foi a pergunta feita pelo Anjo: "Que vês?" (Zc 4.2). O anjo estimula a observação do profeta.
Sou sempre desafiado diante deste fato. Algum tempo atrás estava lendo um texto que se transformou num grande alerta para meu coração.
“Quem é cego, senão o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro, a quem envio? E quem é cego como o que é perfeito, e cego como o servo do Senhor? Tu vês muitas coisas, mas não as guardas; ainda que tenhas os ouvidos abertos, nada ouves.” (Is 42.19,20)
Deus descreve seu servo como alguém que, apesar de ver e ouvir, falha em prestar atenção, não observa, não ouve a verdade, tornando-se espiritualmente cego e surdo para as coisas de Deus.
O anjo indaga a Zacarias: “O que você está vendo?” (Zc 4.2)
Esta é a mesma pergunta de Deus ainda hoje para nós: “O que você está vendo?”
Quando Jesus se encontra com o cego em Jericó (Mc 10.46-52), Jesus lhe pergunta: "O que queres que eu te faça?". Bartimeu, que mendigava à beira do caminho, respondeu com fé: "Mestre, que eu veja" (ou "que eu possa ver novamente"). Jesus, tocado pela fé do homem, o curou, dizendo: "Vai, a tua fé te salvou", e Bartimeu imediatamente passou a ver e seguir a Jesus.
Jesus usa muitas formas estranhas de abordagem na Bíblia. Sua pergunta a este homem cego, desesperançado, parece algo estranho e desnecessário, pois seu desejo estava claro. Mas Jesus lhe pergunta: "O que queres que eu te faça?".
É importante entender, que Jesus nunca fez qualquer pergunta sem objetivo claro e específico. Seus gestos e palavras relatadas nas Escrituras revelam intencionalidade, são sempre didáticos, possuem conteúdo pedagógico. Seus milagres, suas reações, suas perguntas eram forma de ensinar às pessoas alguma mensagem extremamente importante.
Assim é a pergunta que o anjo do Senhor faz a Zacarias. Deus quer orientá-lo, colocar sua visão no lugar certo, para que ele veja com clareza, porque há pessoas como o feiticeiro Balaão, que até sua jumenta tem mais capacidade de percepção espiritual que ele.
Perguntas ajudam a nos situar existencialmente - Fazem-nos refletir sobre a vida com mais clareza e maturidade. Esta é a chave de boa parte da psicologia moderna ao usar aconselhamento não diretivo. Ajudar a pessoa a se defrontar com sua própria questão e a buscar uma compreensão melhor e mais clara de sua condição. Quando eu sou indagado, quando a pergunta me volta em forma de reflexão, posso me situar de forma mais direta.
"A quem você deseja matar?"
Esta foi uma pergunta que fiz a uma mulher deprimida, cujo nível de ódio para consigo mesma era algo assombroso e se manifestou em sintoma de depressão. Era um desejo inconsciente de morte. Mas a quem este instinto de “tanatos”, a força propulsora da morte na mitologia grega, estava voltado? No caso desta mulher, ela queria a morte de sua mãe, o nível de rejeição e ódio contra o autoritarismo e o controle de sua mãe e que veio à sua alma era algo assombroso. Ainda que chocante que foi sua compreensão, lidar com este monstro foi algo que a ajudou a reorientar a vida.
A pergunta “o que vês? “ É fundamental porque nem sempre o problema visível é o nosso maior problema - Lutero afirmava que sempre existia o pecado debaixo de outro pecado. Isto é, por detrás do problema que aparentemente surge em na vida, em geral, existe outro maior que tentamos disfarçar. Por isto, Jesus ao lidar com o paralítico afirma que seus pecados haviam sido perdoados, para escândalo dos religiosos. Não foram seus pecados que impulsionaram seus amigos a levá-lo até Jesus, mas sim a cura de sua enfermidade. Jesus, entretanto, percebeu que seu maior problema não era a incapacidade de andar, mas seu sentimento de rejeição, de dor, de culpa diante da acusação do inimigo e da consciência, da associação indevida que ele fazia entre sua enfermidade e sua vida e Jesus agora quer absolvê-lo da sua mais profunda dor que era seu sentimento de culpa e pecado. Ele precisava de absolvição e redenção.
Jesus fez algo similar com o cego Bartimeu. "O que queres que eu te faça?" Com isto ele faz um convite à reflexão sobre sua necessidade mais profunda. O cego pediu visão, não apenas para seus olhos físico, mas para ver e julgar com clareza.
A pergunta do anjo a Zacarias é a pergunta que Deus quer fazer a cada um de nós:
“O que você está vendo?”
Como você analisa os fatos?
Que realidades você tem extraído para sua própria vida?
3. Pergunta relacionada à direção da vida: "Para onde vais?" (Zc 2.2).
Esta é a terceira pergunta que quero destacar a partir do livro de Zacarias. Neste texto, o profeta questiona o agrimensor, e ao fazer isto lhe é revelado o plano de Deus para a expansão e restauração de Jerusalém. E algo maravilhoso acontece: A pergunta de Zacarias vai gerar esperança histórica Sua pergunta desemboca numa grande promessa de Deus ao povo de Deus que estava ainda no meio do escombro e do caos, tentando reconstruir a cidade destruída que estava em ruinas por 7 décadas.
“E disse-lhe: Corre, fala a este jovem, dizendo: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão dos homens e dos animais que haverá nela. Pois eu, diz o Senhor, serei para ela um muro de fogo em redor, e para glória estarei no meio dela.” (Zc 2.4-5)
Que promessa surpreendente! Deus lança luz e esperança. Jerusalém não continuaria sendo uma ruína, pois um tempo de paz estava chegando, e Deus promete ser um muro de fogo ao redor e sua glória estaria no meio dela.
Uma das perguntas mais profundas e tocantes de toda a Bíblia encontra-se em Gênesis e marca o primeiro encontro registrado de uma mulher com o Anjo do Senhor no deserto, que lhe pergunta: "Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais?" (Gn 16.8)
Agar estava grávida de Abrão e, devido a conflitos e humilhações causados por Sara, e pela própria soberba que Agar demonstrou quando engravidou, ela foge para o deserto. Ela estava no caminho de Sur, lugar ermo que a levava de volta ao Egito, sua terra natal. Viajava sozinha, grávida, sem recursos e fugindo de um ambiente de dor, ela pensou que a fuga era a solução, que se afastar de todos, ir para o deserto, rejeitar sua própria história, a livraria do seu problema, mas sua situação tornou-se ainda pior. Não é assim que geralmente acontece conosco? É nesse cenário de desespero e desesperança que Deus a encontra.
A pergunta do anjo vai em duas direções: "Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais?" (Gn 16.8) Deus leva Agar a lidar com seu passado, a encarar a realidade da qual ela estava fugindo. "De onde vens?" Ao mesmo tempo a ajuda a refletir sobre seu futuro: "Para onde vais", com isto confronta sua falta de rumo. No deserto, ela não tinha um destino seguro, ela estava apenas fugindo, não necessariamente indo para" algum lugar melhor. Esta, certamente, é a realidade de muitos. Vivendo sem direção. Estão caminhando como o conhecido personagem Forrest Gun, sem direção alguma.
Agar responde apenas à primeira parte: "Fujo da presença de Sarai, minha senhora". Ela sabia de onde estava vindo, era capaz de fazer leitura correta a partir do seu passado de dor e rejeição, mas não tinha uma resposta clara para onde estava indo. Muitos são capazes de detectar a fonte da frustração, do vazio e tristeza que a vida desencontrada gerou, mas poucos são capazes de se reorientar e reconstruir sua história.
O resultado desse encontro foi transformador. Agar tem uma nova percepção de quem era Deus, e lhe dá um nome que ninguém antes tinha atribuído a Deus: El Roi, que significa "Tu és o Deus que vê". Ela percebe que, mesmo no deserto, na sequidão e solidão, onde ninguém mais se importa, existe um Deus que observa e tem um plano.
Muitas vezes estamos como Agar: fugindo de algo, mas sem saber para onde estamos indo. Neste momento, Deus na sua graça, se encontra conosco para dizer: "Eu te vejo, eu tenho um plano, volte e cumpra o seu propósito, eu cuidarei do seu futuro".
Essa pergunta "Para onde vais?" faz sentido para algum momento que você está vivendo hoje?
Conclusão
Estas três perguntas são fundamentais:
1. Perguntas relacionadas ao entendimento pessoal: "Que é isto, meu Senhor?" (Zacarias 1.18, 4.4; 5.6; 6.3)).
2. Pergunta relacionada à capacidade de percepção – "Que vês?" (Zc 4.2). Deus estimula a observação do profeta.
3. Pergunta relacionada à direção: "Para onde vais ?" (Zc 2.2).
Será que temos tido clareza do proposito e direção de Deus para nossa vida?

