Introdução
É interessante observar, na abertura deste livro de Zacarias, como ele faz questão de registrar o dia, o mês e o ano em que ele recebeu as revelações de Deus. Isso revela seu zelo e seriedade com as profecias. Esta abordagem contrasta com os supostos profetas, profetisas e gurus de nossos dias, que afirmam o tempo todo que Deus está falando com elas dando mensagens, que nunca passam pelo crivo daquilo que as Escrituras afirmam: “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem.” (1 Co 14.29) Profecias precisam ser julgadas.
Ao receber a profecia, Zacarias faz questão de registrar a data.
“No oitavo mês do segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido.” (Zc 1.1)
“No quarto ano do rei Dario, veio a palavra do Senhor a Zacarias, no dia quarto do nono mês, que é quisleu.”(ZC 7.1)
Se você olhar com cuidado verá que entre as revelações do capítulo 1 e o capítulo 7, há um intervalo de dois anos. Isso aponta para um fato interessante: O Deus das Escrituras Sagradas fala pouco, porque quando ele fala ele zela pela palavra para que se cumpra. “Disse-me o SENHOR: Viste bem, porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.” (Jr 1.12)
Nos dias de Eli, nos é dito que a palavra de Deus era muito rara e as visões não eram frequentes (1 Sm 3.1). Deus falava pouco naqueles dias. Samuel recebe a Palavra de Deus, ainda menino, dando a impressão de que Deus não encontrou alguém mais velho para comunicar as duras verdades que precisavam ser ditas ao sacerdote Eli.
Entre Malaquias e Mateus, há um longo intervalo de 400 anos chamado de “período intertestamentário” ou “período silêncio de Deus”. Entre o Antigo e Novo Testamento há um longo silêncio histórico de Deus nos registros canônicos. Por que que Deus fala tão pouco? Porque quando ele fala ele zela pela sua palavra.
Quando lemos o texto de Zacarias, nem sempre atentamos para isso. Não consideramos como ele trata com seriedade e registra o tempo das revelações que ele recebe. A Palavra de Deus é algo tão marcante que ele faz questão de registrar a data. Este detalhe é muito importante.
Em Jeremias Deus afirma: “Não mandei esses profetas, todavia eles foram correndo, não lhes falei a eles, contudo profetizam.” (Jr 23.21). Quando Deus fala não precisamos ter dúvidas, porque sua voz é uma voz inconfundível, perturbadora e inquietante. Mas Deus fala pouco...
Em Zacarias, somos introduzidos às várias visões que ele teve. A primeira visão aparece no capítulo 1.8, descrevendo os três cavalos. Os cavalos são vermelhos, baios e brancos. Ao lermos adiante, um quarto cavalo será introduzido, ou quatro carros, e ali aparece também o cavalo preto. Esses cavalos, sem dúvida nenhuma, são forças, e Zacarias as descreve. (Zc 6.1-3) Curiosamente, João terá essa mesma visão que está registrada no Livro de Apocalipse, cerca de 600 anos depois, no texto correlato que descreve pormenorizadamente a função de cada um destes cavalos ou destas forças que se manifestam na história.
Ao lermos a descrição destes cavalos, ficamos sempre indagando sobre seu significado. Por isto, é necessário, em primeiro lugar, caminhar na compreensão individual de cada uma dessas forças e considerar o significado destes cavalos. O que eles significam?
Esses cavalos são agentes de Deus na história. Zacarias diz que eles são enviados por Deus para percorrerem a terra. (Zc 6.7)
Algumas compreensões básicas são necessárias.
1. São forças, são cavalos. (Zc 6.7)
2. Estão em constante movimento, não são forças estáticas, mas ativas, que percorrem a terra. (Zc 1.10; 6.7) Não estão imobilizadas, são dinâmicas. (Zc 1.11)
3. São agentes divinos (Zc 1.10) Apesar de serem catastróficas, não agem sem permissão de Deus. São enviadas à terra pelo Senhor, não agem de forma independente (Zc 6.5). Em Apocalipse o Cordeiro de Deus abre o selo e um dos quatro anjos diz: “Vem!” (Ap 6.1). São chamados para percorrer a terra (Zc 6.7).
Jacques Ellul, no livro “Apocalipse, Arquitetura em Movimento”, afirma que essas são as forças da história.
“A história não é estática, nela se movem forças distintas e antagônicas. Nela se agitam interesses múltiplos. Cabe ao cristão, na sua contemporaneidade, interpretar o evento aparentemente desproposital como oportunidade e ação de Deus.”
A ideia da força é clara: Cavalos, ventos. Estas forças sempre são atualizadas e participam ativamente na história. Isto é fácil de perceber porque Zacarias, descreve estes cavalos em movimento. Quando lemos Apocalipse, veremos da mesma forma os cavalos em movimento, 600 anos depois. Estas mesmas forças continuam em movimento, sempre agem na história.
Compreendendo estas verdades iniciais, podemos ver o significado de cada um destes cavalos. Apocalipse 6, texto correlato de Zacarias é mais exaustivo, e nos ajuda a compreender melhor o significado destas forças.
Cavalo Vermelho
O primeiro cavalo que aparece em Apocalipse 6 é o cavalo branco. Por uma questão didática e pela aplicação futura, vamos começar pelo cavalo vermelho, ele aparece tanto em Zacarias (Zc 6.2), como em Apocalipse (Ap 6.3-4). No capítulo 1, Zacarias os descreve como cavalos baios. Qual o significado deste cavalo?
Em Apocalipse 6, ele usa a espada, e rouba a paz da terra (Ap 6.4). Por usar a espada, aponta para a força da guerra, as rebeliões, as lutas, os conflitos. A história da humanidade é marcada pelo sangue, guerras que fazem surgir e desaparecer nações por razões mesquinhas, políticas, econômicas, ou mesmo vaidades pessoais de líderes que desejam expandir seu poder e domínio, massacrando vidas inocentes, destruindo civilizações.
As guerras vêm de uma mistura complexa de fatores como disputas por recursos (econômicos/territoriais), poder (político), identidade (étnica/religiosa), ideologia, e até mesmo de desejos e paixões humanas como cobiça, inveja e busca por prestígio, que geram conflitos internos e externos, resultando em brigas e lutas armadas entre grupos ou nações.
O Apóstolo Tiago indaga:
“De onde vêm as guerras e as brigas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, mas não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vivem lutando e fazendo guerras.” (Tg 4.1-2 NVI)
As guerras surgem por causa da ganância e da corrupção do coração humano. São violentas e cruéis e se movimentam na história. Atualmente (2026) podemos ver essas forças agindo de forma brutal na Ucrânia, com a invasão da Rússia; pode ser visto na imposição cruel do Boko Haram, um grupo jihadista militante islâmico que iniciou uma insurgência armada na Nigéria em 2009, visando estabelecer um estado islâmico, causando violência religiosa e terror, incluindo sequestro de meninas (como as de Chibok) e massacres, com ataques que se espalharam para países vizinhos como Camarões, Níger e Chade.
Pode ainda ser visto no conflito entre Israel e a Palestina, que já deixou mais de 50 mil mortos, depois que o grupo terrorista Hamas invadiu Israel em 7 de outubro de 2023, matando 1.200 pessoas, a maioria civis, marcando o início de uma escalada de violência no conflito israelo-palestino.
Pode ser percebido no conflito entre USA e Venezuela, depois de anos de ditadura e massacre do ditador Maduro que foi sequestrado e levado para para enfrentar uma corte americana. Como Jesus nos advertiu, ouvimos falar de guerras e rumores de guerra. É a força deste cavalo vermelho, da guerra, que age na história.
A história é marcada por forças que parecem estar fora de controle, Existe um "jogo de forças" espiritual que permanece o mesmo, em Zacarias e nos dias de João, o apóstolo, em Apocalipse, e chega até os nossos dias.
Cavalo Preto
Em segundo lugar, temos os cavalos pretos (Zc 6.2; Ap 6.5-6). Esses cavalos medem, pesam, distribuem, com uma balança na mão. Apontam para a força e o poder da economia, com a pesagem do dinheiro. Uma medida de trigo é vendida por um denário, isto aponta para uma distorção (Ap 6.6). A medida de trigo é o mínimo para uma pessoa sobreviver, portanto trata-se de uma medida de escassez. Um denário é o salário de um dia de um trabalhador, que em situações normais, conseguiria cobrir a necessidade de uma família inteira, mas que nesse caso só é suficiente para a comida de uma pessoa.
Há uma informação curiosa nesse texto, “não danifiques o azeite e o vinho.” Felizmente o azeite e o vinho são protegidos. O poder econômico não consegue atingir todas as coisas, Deus estabelece um limite para que a cobiça e a ganância irrestritas sejam de alguma forma limitadas. O poder econômico não atinge tudo porque Deus, na sua infinita misericórdia, não permite. Esse poder é uma força cruel na história. Dinheiro tem uma dimensão espiritual: traz vida ou morte. É uma força viva, domina, controla, mata, pesa, penaliza os assalariados e atinge as famílias.
Nasci numa família que não pode ser tratada como “pobre”. Tínhamos casa, uma chácara, e nunca nos faltou o que era básico. Mas minhas recordações da infância me fazem lembrar de um tempo em que meu pai não tinha dinheiro para comprar arroz. Minha mãe, sempre criativa e trabalhadora, entretanto, fazia canjiquinha, cozinhava inhame e mandioca, fazia angu de fubá. A limitação econômica atingia algumas áreas, mas não tinha poder absoluto. Assim tem sido a misericórdia de um Deus que provê no meio da escassez e dos recursos limitados.
Cavalo Amarelo
Em terceiro lugar, temos o cavalo amarelo, lívido, símbolo da morte e da peste. (Zc 1.8; 6.3; Ap 6.8) Refere-se às calamidades e tragédias, forças poderosas que agem na história. A Bíblia diz que o inferno (Hades), estava seguindo após eles, ou seja, a morte, a tragédia, a dor atingindo todos os povos, de tempos em tempos, com efeitos devastadores. Apocalipse relata que um ¼ da terra seria destruído. Seu cavaleiro é a morte, que britam da mortandade, tragédias naturais, doenças e pestes.
Uma das tragédias trazidas pelo cavalo amarelo foi a peste negra, conhecida também de peste bubônica, que atingiu o continente europeu em meados do século XIV. O resultado foi catastrófico, pois a doença atingiu praticamente todo o continente e resultou na morte de milhões de pessoas. As estimativas mais tradicionais falam que cerca de 1/3 da população europeia morreu por causa da crise de peste negra, mas algumas estatísticas sugerem que a quantidade de mortos possa ter ultrapassado a metade da população europeia, cerca de 75 a 200 milhões de pessoas morreram. Alguns historiadores afirmam que de 30 a 60% da população da Europa deve ter morrido nessa época. Portanto, trata-se de 40% da população.
Outra tragédia foi a gripe espanhola, pandemia causada pelo vírus influenza em 1918, que causando impacto profundo e devastação. Os especialistas até hoje não sabem o local exato onde esse tipo de gripe surgiu. O surto aproveitou-se da Primeira Guerra Mundial e espalhou-se rapidamente pelo mundo, causando a morte de cerca de 50 milhões de pessoas, embora algumas estatísticas falem em até 100 milhões de mortos.
A cólera, é ainda responsável por dezenas de milhares de mortes anuais, com estimativas variando entre 20.000 e 130.000 mortes por ano em áreas endêmicas, apesar de ser rara em países ricos; os surtos recentes, como em 2023 e 2024, mostram um aumento de casos e mortes na África e Sudeste Asiático sendo as regiões mais afetadas, e os óbitos podem chegar a 50% se não houver tratamento adequado.
A AIDS, apareceu em 1981 e já exterminou de 25 a 35 milhões de pessoas. A varíola, 56 milhões de mortes. Essas pestes, esse cavalo amarelo, estão sempre indo e vindo e formando essa realidade dura que atinge indiscriminadamente. O Covid está aí para nos lembrar desse evento desastroso e dessa força brutal. Eu ainda fico refletindo sobre o que aconteceu na época do Covid e ainda fico impressionado como este vírus conseguiu nos afetar tanto e quao estranhos foram aqueles dias. Igrejas fechadas, amigos morrendo, todo mundo assustado, é a força do cavalo amarelo, indo e vindo percorrendo a terra.
Mais uma vez, queremos lembrar que o jogo das forças permanece o mesmo em todas as eras da humanidade. São forças não previsíveis, evocadas de tempo em tempo, que saem na sua voracidade.
Entretanto, existe ainda uma força da qual não falamos. Trata-se da Quarta Força: O cavalo branco. É uma força que contrapõe e interage com estas forças destrutivas. O cavalo branco, é a figura de Cristo. No final do Livro de Apocalipse vemos o relato glorioso do retorno de Cristo:
“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.” (Ap 19.11-16)
Apesar do vs. 1 afirmar “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco.” Em seguida ele não falará apenas de um cavalo, mas de uma milicia celestial, o exército de Deus, “E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro.” E no seu manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.” Nenhuma dificuldade hermenêutica para entender que se trata de Jesus, “A Palavra de Deus.”
Em Apocalipse seis, antes da descrição de qualquer outra força, surge o cavalo branco em primeiro plano. Observem o que diz o texto. “Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.” (Ap 6.2) A primeira afirmação sobre ele é que “lhe foi dado uma coroa.” Quem usa coroa é o rei, ele governa, ele tem um controle. A segunda afirmação é que “ele saiu vencendo e para vencer.”
Quem evoca esses cavalos é “um dos quatro seres viventes” logo depois que o Cordeiro abre um dos sete selos (Ap 6.1) Estas forças imateriais, contudo, não ficam soltas, porque o cavalo branco é o primeiro a aparecer, antes de qualquer outro cavalo. Em Zacarias há um relato maravilhoso de sua ação. “Respondeu-me o anjo: São os quatro ventos do céu, que saem donde estavam perante o Senhor de toda a terra.” (Zc 6.5) Mas, a seguir há uma noticia maravilhosa: “O carro em que estão os cavalos pretos sai para a terra do Norte; o dos brancos, após eles.” O cavalo branco estará junto dos aterradores cavalos, no meio delas, sai para o norte, logo após os cavalos pretos.
O livro de Naum afirma:
“O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado; o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés. (Na 6.3). “O Senhor é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam.” (Na 6.7). Deus caminha no meio da tempestade e da tormenta, no meio da dor. O bom pastor caminha no vale da sombra da morte. A tragédia pode nos atingir, mas nunca estaremos sós. Essas forças imateriais não são livres para fazer o que querem fazer, mas estão debaixo do domínio do Cordeiro.
Essa é a grande notícia, não há liberdade para a morte e para o diabo fazer o que quer. O cavalo branco é que tem a coroa e governa. Ele sai vencedor e para vencer. Há uma dialética das figuras que se movem, mas não há dúvidas sobre quem é vencedor. Jesus é o alfa e a ômega, o que é, que era e que há de vir. O cavalo branco segue junto ao cavalo preto, é a presença consoladora do Cordeiro vencedor caminhando com as forças mais brutais, tragédias mais inconcebíveis, guerras mais violentas, da dor, perdas e morte. Há um cavalo branco caminhando no meio de tudo isso.
Ao lermos este texto e analisando nossa própria história à luz da tragédia, precisamos fazer algumas observações.
Primeira, qual cavalo ou força tem atropelado sua história? Muitas vezes somos tomados por épocas de grande escassez, onde os recursos econômicos faltam, no qual capacidade financeira é limitada, e somos levados a viver em escassez. Cerca de 800 milhões de pessoas passam fome diariamente, e a maioria por causa de conflitos regionais, grandes secas, doenças, infecções.
Às vezes o que atinge são as guerras: Tenho um amigo que conheceu uma vibrante igreja evangélica em Kiev, Ukrânia. Estas pessoas amam a Deus, mas uma guerra desencadeada por Putin, na União Soviética, atingiu diretamente suas vidas, e até mesmo o prédio foi atingido pelos bombardeios. Ela tinha cerca de quatro mil membros e de repente os irmãos tiveram que sair da cidade, abandonar sua estabilidade e aderir à trágica realidade de quatro milhões de refugiados ucranianos espalhados hoje no mundo. Essas pessoas saem sem levar absolutamente nada, deixam sua casa para trás, sua história, seus amigos e fogem apenas com a roupa do corpo e documentos. É a força do cavalo vermelho em ação!
Segunda, você consegue ver o cavalo branco se movendo no meio da sua tragédia pessoal, da espada, da guerra, do fracasso financeiro, da peste? Você consegue perceber no meio de tudo isto a consolação de Deus?
Creio que minha história pessoal, em algum nível, pode ajudar a entender isto. Quando criança meus pais não tinham muito dinheiro para cobrir as despesas decorrentes e necessárias para criar cinco filhos. Eles nunca tiveram dificuldade em nos alimentar, graças a Deus nunca passamos fome, e não sei o que significa acordar e não ter comida. Esta nunca foi, felizmente, nossa realidade. Mesmo assim, havia limitação financeira e houve uma época em que não tínhamos arroz em casa porque era muito caro, e minha mãe, sempre muito proativa, inventava receitas, criava e resolvia nossa situação. Hoje quando compro arroz acho engraçado, porque é muito barato, mas naquela época não tínhamos o recurso pra comprá-lo, e minha mãe fazia angu, cozinhava abóbora, canjiquinha e sempre tínhamos fartura. Sempre havia uma mandioca, uma farinha, e comíamos bem. Apesar da escassez, o cavalo preto não foi capaz de “danificar o azeite e o vinho.” (Ap 6.6) A graça e o cuidado de Deus estavam presentes.
Terceira, precisamos lembrar que sempre teremos promessa da graça e da presença consoladora de Deus, mas a grande promessa é a de que esse Cordeiro, esse cavalo branco, saiu vencendo e pra vencer. Quando ele foi levado para a cruz, apesar de todo ambiente hostil, no qual as forças das trevas e do inferno, e a violência do jogo politico, financeiro e da guerra estavam presente, naquela tosca cruz, o Cordeiro de Deus estava esmagando a cabeça da serpente e expondo ao ridículo, principados e protestares nas regiões celestes. Naquela cruz: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” (Col 2.14-15)
A vitória é de Jesus, que um dia voltará em sua plenitude e glória, montado no cavalo branco. Ele é o rei dos reis, Senhor dos senhores. Pode ser que você esteja vivendo dias assustado com as forças que têm impactado a sua história, mas nunca se esqueça de olhar a história com esperança. O rei dos reis, o Cavalo Branco, tem o controle de todas as coisas: “Ele saiu vencendo e para vencer.”
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