Este texto exige do leitor um pouco de imaginação. A cena é a de um tribunal, e nele se encontra o réu, que será apontado como culpado pela promotoria, defendido pelo advogado, e sentenciado pelo juiz. O texto ainda relata a presença de outras que estavam ali. Os personagens são: O sumo sacerdote Josué (3.1); O Anjo do Senhor (3.1); Satanás (3.2); Yahweh – O SENHOR, e as testemunhas “os que estavam diante dele” ((3.4).
Josué encontra-se diante do Anjo do Senhor, mas o papel de Satanás é declarado: Ele estava ali para se opor a Josué. O termo Satanás vem do hebraico, cujo significado é “acusador”. Em Apocalipse 12.10 vemos o céu em festa, porque Satanás, o acusador, havia sido expulso dos céus pela autoridade de Cristo. Curiosamente, o acusado, Josué, não esboça qualquer defesa, nem abre sua boca.
Satanás encontra-se diante do Anjo do Senhor para se opor a Josué. Ele não está dirigindo sua atenção nem está interessado em qualquer outro personagem do texto, sua acusação é contra Josué.
O sacerdote com a roupa suja
Num esforço para fazer compreensível a doutrina da justificação pela fé, R. C. Sproul escreveu um livro para pré-adolescentes e jovens com o título: “O Sacerdote com a roupa suja”.
Muito tempo atrás, num reino antigo de uma terra distante, certa noite, os habitantes de uma pequena vila encheram uma igreja bem grande para a ordenação de Jônatas, um jovem muito querido de todos que estava se preparando para receber o ofício do sacerdote. Ao final da cerimônia de ordenação, o bispo entregou a Jônatas as roupas especiais do sacerdote e ele então as vestiu. Na primeira semana, Jônatas foi convidado para ir ao castelo do rei, onde deveria pregar o primeiro sermão para a família real. Jônatas caprichou bastante para preparar o sermão, queria fazer o melhor possível, mas quando chegou a hora de ir para o castelo estava chovendo demais e mesmo com toda proteção que podia, sua roupa ficou toda molhada e quando estava chegando próximo ao castelo, o cavalo escorregou e Jônatas caiu no chão. Apesar de não se machucar sua roupa ficou cheia de lama. Ele tinha lama no rosto e nos sapatos e a faixa da cintura não era mais branca. O turbante que ele usava parecia um enorme bolo de lama. Jônatas fez de tudo para ficar limpo, mas não conseguiu, e enquanto ele ainda tentava se limpar o sino começou a tocar, a família estava reunida para ouvir o sermão. Ele entrou com suas roupas sujas e o rei ficou surpreso ao ver o sacerdote entrando desta forma. O rei era um governante bondoso e gentil, viu que Jonatas estava envergonhado pela sua aparência. Jonatas começou a falar, mas o mágico da corte chamado Maluz, ficou de pé e gritou: “Espere, você não pode pregar na presença do rei com a roupa suja!” Maluz era um homem muito mau, ele era mágico e odiava todos os sacerdotes. Ele tentava humilhá-los de todas as formas e tinha muito poder para influenciar as pessoas. Ele apontou para as roupas sujas de Jonatas e logo outras pessoas começaram também a criticar o sacerdote pelas vestes que ele usava.
O rei interveio diante das acusações de Malus e disse: “Tenham calma, pare de falar, eu vou resolver esse problema.” As pessoas ficaram caladas e até o próprio Malus se calou, o rei então olhou pra Jonatas, pediu que se aproximasse e quando ele chegou disse: “Por que você veio aqui com essa roupa tão suja? Jonatas explicou o que havia acontecido, o rei ouviu e disse: “Eu compreendo, eu lamento que tenha acontecido, mas você não pode pregar com essa roupa suja, volte na semana que vem e aí você prega, eu te dou outra oportunidade, mas só se você voltar usando roupa limpa.” Jônatas agradeceu: “Obrigado, majestade eu lamento estar assim tão sujo, prometo que na próxima semana minha roupa vai estar limpa.” Jonatas saiu depressa do castelo e a primeira coisa que ele fez pra ao chegar em casa foi tentar lavar a roupa, mas a lama tinha manchado tão profundamente que não dava pra tirar tudo.
No dia seguinte, o Jonatas pegou a roupa, procurou a lavanderia da cidade, usaram um sabão especial, mas quando olhou para a roupa ela ainda continuava manchada. Ele então disse: “Essa roupa está tão suja que não sei se dá para limpar tudo. Volte amanhã e eu vou te dizer o que foi possível fazer.” Quando Jonatas voltou, o lavandeiro disse: “Não deu para limpar a sua roupa, a mancha não sai. O único jeito é arrumar outra roupa.” Jonatas responde: “Mas isso é impossível, foi o bispo que me deu e ele não vai me dar outra.” E o homem respondeu: “Lamento, mas não posso fazer nada.” Jonatas foi direto para o escritório do Bispo. O Bispo ouviu com paciência a história e disse: “É uma coisa triste o que aconteceu com você, Jonatas, mas não há nada que eu possa fazer para ajudá-lo. Jônatas ficou muito triste e não tem nada que eu possa fazer para conseguir uma roupa limpa. É preciso fazer alguma coisa? O bíceps intercedia e disse, Jonatas, as regras são claras, nada que você mesmo possa fazer para ajudar ela a conseguir suas roupas, a única pessoa que pode ajudá-la é o grande príncipe, acho melhor falar com ele. O bíceps então escreveu e ensinou a Jonatas como chegaram ao palácio do grande príncipe e Jonatas seguiu as instruções com muito cuidado e logo chegou ao palácio onde vivia o grande príncipe. Jonatas disse ao guarda que desejava falar com o príncipe, o guarda levou até o grande príncipe e que se assentava no seu trono. Quando Jonatas viu o príncipe ficou maravilhado, jamais havia visto alguém com uma aparência como aquela. O príncipe trajava uma vestimenta pura com muitas pedras preciosas. O príncipe olhou para Jonatas com simpatia e perguntou: “Por que você veio aqui e que possa ajudá-lo?” A voz do príncipe era macia e bondosa. Jonatas falou com muito cuidado, o grande príncipe, eu sou um sacerdote, eu sujei minha roupa e agora não posso comparecer diante do rei. Não teve jeito de limpar minha roupa, fui mandado aqui para ver se você pode. Você pode me ajudar. Jantas contou ao Príncipe, como sua roupa tinha ficado suja, o Príncipe ouviu silenciosamente e disse, eu compreendo o seu problema e vou te ajudar. Você vai me dar uma roupa limpa? perguntou Jantas e disse, logo você vai saber Jantas, mas antes vem pra cá. Jantas.
O grande príncipe levou Jonatas perto de uma lareira e pediu pra ele pegar num carvão que estava ali por próximo e ele, ao pegar, ficou com a mão toda suja e o príncipe disse, tá vendo, a sua roupa é como a sua mão e é como você, tem muita sujeira, mas pode ir que eu vou estar com você na presença do meu pai e vai pregar a sua irmã. Quando ele foi, a roupa dele ainda estava suja e chegou diante do rei e mais uma vez o rei perguntou pra ele e disse, por que você voltou aqui com essa roupa suja? Eu já lhe disse que você não pode estar na minha presença desse jeito. E as pessoas começaram a cochichar e Jonatas foi ficando vermelho e naquele momento alguém entrou na sala, era um homem vestido com a túnica marrom e o homem carregava um presente debaixo do braço. Ninguém conhecia. Aquele estranho, mas de repente alguém gritou, é o grande príncipe. Malus não sabia o que fazer, mesmo assim, atacou. O que quer dizer com isso? Por que você está aqui e que está usando essa roupa grosseira? O príncipe não respondeu depressa, ele foi sorrindo até a frente, ele estava juntas e disse ao sacerote, tire a sua roupa suja e me dê. Ele tirou a sua roupa suja e o bispo, e o príncipe pegou a roupa suja de juntas e a vestiu e entregou o presente a juntas. Todos ficaram olhando curiosos enquanto a juntas abriu o presente. A juntas regalou os olhos, era um presente perfeito, era a linda roupa que pertencia ao príncipe. O príncipe sorriu outra vez para juntas e ele disse, essa é a roupa limpa que ele prometia, não há sujeira nela, pode vestir e pregar seu sermão. O rei estava muito satisfeito e disse ao príncipe, agora você pode, é obrigado filho, agora a juntas pode estar na minha presença. E o rei e o príncipe disse a juntas. Essa roupa é sua pra sempre, ela nunca vai estragar e nada pode sujá-la, ela é perfeita pra você. Naquele dia, Jônatas pregou e dali em diante passou o resto da sua vida pregando sobre o grande príncipe. Jônatas usou o presente perfeito até o dia da sua morte.
Quem é este Anjo do Senhor?
O termo “Anjo”, especificamente neste texto, aparece com letra maiúscula. Trata-se daquilo que os teólogos chamam de “teofania”, isto é, uma manifestação cristológica. Vemos o anjo do Senhor aparecendo várias vezes no AT. Jesus se manifestando a-temporalmente, já que não havia assumido sua forma humana e revela-se como uma figura angelical.
Temos, portanto, um homem, Satanás, Jesus e Deus – além das testemunhas. O tribunal está montado.
Por que Josué não se pronuncia? Várias razões podem ser apontadas, entre elas:
ð Ele é réu confesso – Ele está “trajado de vestes sujas” (3.3), ele não tem defesa, seria realmente condenado. Por isto Satanás se opõe a ele e o acusa.
ð Porque, mesmo que as acusações de Satanás fossem exacerbadas, o fato é, que num nível inconsciente ele se percebia culpado. Não é assim que acontece conosco? Eventualmente nos sentimos injustiçados por certas acusações que nos fazem, e isto nos fere muito, porque em certo nível, todos temos algum grau de culpa;
ð Porque Deus é sua defesa. Ele não se defende, mas Deus o defende: “Mas o Senhor, disse a Satanás: O Senhor te repreende, ó Satanás” (3.2). Não é isto maravilhoso? Ter Deus julgando a nosso favor? A Bíblia diz todos somos pecadores, e, “Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo.” (1 Jo 2.1). Por isto, no diz do juízo, nossas defesas são ineficazes e inoperantes, mas a defesa de Cristo, é suficiente e eficaz. Portanto, no juízo, certifique-se de que Jesus Cristo, o justo, será seu advogado.
A defesa que Deus faz a favor de Josué, possui alguns elementos:
A. Sua eleição – Deus repreende a Satanás tendo por base sua livre escolha. “O Senhor, que escolheu a Jerusalém, te repreende”.
Muitas pessoas discutem sobre a questão da eleição na Bíblia, mas esta verdade bíblica é coerente, exaustiva e sistemática, tanto no AT como no NT. A mente de Deus não pode ser equacionada, mas em todos os lugares da Bíblia você encontrará a afirmação da eleição livre e soberana que Deus faz ao seu povo. Este é o primeiro argumento que Deus usa para absolver Josué: “O Senhor, que escolheu a Jerusalém, te repreende.” (Zc 3.2)
Eleição é sempre um processo soberano de Deus, feito pela sua livre vontade e não pressupõe virtudes naquele que é eleito - é sempre ato de sua graça. Sua graça é abundante, imerecida e plena. Não há qualquer mérito naquele que é eleito. (Dt 7.7-8; 9.4-5)
B. Deus tem pleno conhecimento da realidade espiritual de Josué – “Ora, Josué, trajado de vestes sujas, estava diante do Anjo.” (Zc 3.3)
Deus não ignora sua realidade. A aceitação de Deus a favor de seu povo não se dá porque Deus não nos conhece, mas antes, apesar de nos conhecer. “Não é este um tição tirado do fogo?” (Zc 3.2) Deus sabe da biografia de Josué. Sua condição moral e espiritual não era nada boa, ele está trajado de roupas sujas. Apesar de se encontrar diante de Deus e do Anjo do Senhor, sua condição e aparência são horríveis. Deus sabe que ele é “tição”, chamuscado, queimado, torrado, e por isto mesmo, ele precisa da graça. Ele não a recebe por merecer, pois quem merece alguma coisa de Deus não precisa de sua graça. Graça é favor imerecido. Se somos justificados por méritos, não precisamos de graça; se somos justificados pela graça, logo infere-se que não o somos por causa de nossa justiça. Mérito e graça são auto excludentes.
C. Deus declara sua absolvição – “Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade.” (Zc 3.4).
O sacerdote Josué não conquista sua absolvição, mas a recebe livremente do Pai. Ele está inadequadamente em pé diante deste tribunal, mas graciosamente recebe a noticia de que sua iniquidade não mais estava sobre seus ombros. Neste tribunal onde todos os segredos são revelados, ele seria totalmente reprovado se as bases de sua justificação fossem seus atos e suas roupas.
Esta é uma promessa maravilhosa. Não mais condenado, nem à mercê da acusação do diabo, não mais vítima de uma consciência culpada, não mais tendo que se esconder por causa da devastadora culpa, resultado de decisões pecaminosas, mas perdoado. “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou antes, quem ressuscitou, o qual está a direita de Deus e também intercede por vós.” (Rm 8.33-34) Percebe quanto regozijo e alegria há nestas declarações de Paulo? Você também tem se apropriado do perdão de Deus através de Cristo, desta forma?
Mas o texto prossegue, após a sua maravilhosa declaração de perdão, absolvendo o Sacerdote maltrapilho, Deus passa a instruir seu servo.
D. Deus ordena trocar as vestes – “Tomou este a palavra e disse aos que estavam diante dele: Tirai-lhe as vestes sujas.” (3.4)
No livro de Apocalipse lemos que vestes brancas, são os “atos de justiça dos santos.” (Ap 19.8) Tem a ver com nossa atitude, comportamento, ética. Mas é bom lembrar que é Jesus quem tem vestes brancas para nos vestir. É ele quem substitui nossa roupa imunda, manchada pelo pecado.
Na parábola do casamento relatada por Jesus, um dos convidados decidiu entrar na festa sem trocar suas roupas sem colocar as “vestes nupciais”, e logo vem o dono da festa e pergunta: “Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial?” (Mt 22.12) Estas vestes eram geralmente providenciadas pelo dono da festa, mas aquele homem se recusou a usá-las e ainda mantinha sua roupa inadequada. Muitos ainda hoje querem participar do convite amoroso da graça de Jesus, trajando suas antigas e maltrapilhas roupagens, sujas do pecado e da imoralidade.
Hernandes Dias Lopes tem uma frase que explica bem esta realidade: “A igreja aceita todos, mas não aceita tudo. Venha como está, mas não permaneça como veio.”
E. Deus restaura sua dignidade e autoridade – “Ponham-lhe um turbante limpo sobre a cabeça” (3.5).
Roupa limpa e turbante limpo. Estes turbantes são espécies de mitras sacerdotais, símbolos de autoridade espiritual. Ainda hoje vemos isto em concílios católicos e de igrejas mais litúrgicas como as luteranas e episcopais, com os cardeais colocando estas mitras, e em religiões como o islamismo com seus talibãs colocando estes símbolos de autoridade e gerando temor e respeito no povo.
Um detalhe interessante e não pode ser esquecido: “E o anjo do Senhor estava ali.” (Zc 3.5) Tudo isto é feito na presença de Jesus, tudo isto encontra-se diante do nosso advogado. Restauração plena. “Agora, pois, nenhuma condenação há, para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
Este sacerdote maltrapilho somos todos nós. Este sacerdote Josué é um paradigma da natureza daquilo que somos. Diante do tribunal eterno, não ousamos levantar a voz. Que autoridade temos? Nossas roupas estão sujas, nossa autoridade destituída. Satanás, de forma avassaladora denuncia implacavelmente e nos acusa. Graças a Deus por Jesus, que é o nosso advogado. Ele assume nossa condição e se torna propiciação pelos nossos pecados. Ele nos substitui, assume nosso lugar de culpado e nos veste de sua justiça. Ele tira a culpa dos pecados, assumindo-a em nosso lugar, nos deixando limpos.
F. Deus lhe ordena a viver em santa obediência e temor- (3.7). A obra de Deus é tão maravilhosa que a única resposta que se pode dar é de uma vida de santidade.
Por que isto é tão importante?
Porque Deus quer que ele tenha autoridade para fazer sua obra e ter “livre acesso entre os que ali se encontram.” (3.7) Quem são estes que se encontram neste tribunal?
i. As testemunhas – O texto sugere que outros personagens acompanhavam com interesse o desenrolar deste julgamento. A estes foi ordenado que lhe tirassem a roupa suja e lhe restituíssem a dignidade (Zc 3.4), e é diante destes que Deus deseja que Josué permaneça. Não mais uma vida de fuga e medo, mas uma vida de pessoas redimidas e tratadas.
ii. Satanás – Uma vida de obediência e perdão, habilita Josué a não ficar constrangido diante das acusações do diabo. Satanás sabe muito bem de nossa situação, e nós sabemos também quão culpados somos. Mas agora, Satanás sabe tudo o que somos diante de Deus. Restaurados, perdoados, sem culpa.
Esta foi a compreensão de Paulo: “Sou grato a Deus que me confiou o ministério, a mim que antes era blasfemo e insolente.” (1 Tm 1.12) Satanás não tem poder de nos acusar, quando Deus já nos perdoou. “Quem os acusará? É Deus quem os justifica.”
iii. O Anjo do Senhor – É uma benção estar diante de Cristo, pecador sim, mas redimido e restaurado. Amado, aceito, adotado, herdeiro das infindáveis graças de Deus. Estamos diante de Cristo, ele é o nosso advogado, ele é a nossa justiça, a roupagem que vestimos não são os trapos da nossa iniquidade, mas as vestes limpas que nos foram fornecidas pelo Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
G. Deus promete a vinda do Messias – “Eis que farei vir o meu servo, o Renovo.” (Zc 3.8)
Este texto é profético e messiânico, escrito cerca de 600 anos antes da vinda de Cristo. “Tirarei a iniquidade desta terra, num só dia.” (Zc 3.9) A obra que Deus realizaria pelo sacrifício de Cristo seria completa, cabal e única. Com o sangue de Jesus, toda condenação perdeu seu efeito porque toda justiça de Deus foi satisfeita. “Tudo está pago!”. Jesus morreu, uma vez só, pelos pecadores, e naquele ato tirou toda culpa.
Este texto, desconstrói uma série de pressupostos religiosos apregoados e defendidos em diferentes religiões:
a)- O conceito do purgatório – A expiação humana não se dá por um longo e complexo processo de sofrimento e pagamento de contas depois de nossa morte. Não temos que purgar nosso pecado, fomos perdoados. Não precisamos pagar pelos nossos pecados, Jesus já pagou a dívida que eram contra mim. Nosso Senhor Jesus, num único ato naquele dia, fez a obra que séculos não farão. s
b)- O conceito de reencarnação – Mediante o qual, precisamos de várias vidas para sermos aperfeiçoados, até conseguirmos elevar nossa natureza moral e espiritual e nos tornamos espirito de luz, sem necessidade de nova encarnação. Já observaram como o conceito de reencarnação retira o conceito do perdão dado por Deus?
c)- Autoflagelação – A ideia de que, através do sofrimento, mutilação, cilícios e autopunição seremos capazes de nos purificarmos. Para Deus, nenhum sacrifício pessoal que fazemos é suficiente para nos justificar. O que este texto nos ensina, contudo, é que a obra do Servo de Deus, realizaria tudo isto num “único dia”.
d)- Moralismo – Muitos acreditam que se viverem uma vida justa, com alto padrão moral, nós seremos justificados diante de Deus. A maioria das religiões defende esta ideia. O homem é capaz de salvar a si mesmo com sua ética. Este texto, porém, nos ensina que a iniquidade não é retirada pelo homem, nem somos absolvidos porque vivemos um padrão moral que nos impressiona, mas pelo sacrifício único, pleno, eficaz do Cordeiro de Deus. Deus nos justifica por meio de Cristo.
H. Deus promete uma experiência de vida comunitária e compartilhada – “Cada um de vós, convidará o seu próximo para debaixo da vide e debaixo da figueira.” (Zc 3.10)
Deus não nos chama para um projeto espiritual solitário, mas para uma vida de comunhão em torno das verdades de Deus. Esta foi a marca da igreja primitiva. Os discípulos de Cristo logo aprenderam a viver vida comunitária, encorajar os outros na fé. Não somos chamados por Deus para uma vida espiritual solitária, mas para uma comunidade, onde “cada um de vós, convidará o seu próximo para debaixo da vide e debaixo da figueira.” Um relacionamento de amor e vida compartilhada, amizades duradouras e longas. O texto nos ensina que teremos alegria de assentarmos debaixo de um pé de manga e tocar moda de viola, assentar com os amigos para comer um gostoso feijão com arroz. Vida compartilhada, sem solidão ou abandono.
Isto tem feito um sentido cada dia maior para mim. Quanto mais envelheço, mais sinto necessidade de amigos e pessoas para compartilhar minha história, para conversar e contar “causos”. Deus deseja que experimentemos esta maravilhosa restauração, compartilhando a sombra do dia e comendo juntos. Deus fala do seu povo vivendo em comunidade e comunhão.
Conclusão:
Que benção estar diante do tribunal de Cristo, tendo ao nosso lado o Anjo do Senhor. As acusações estão presentes, mas aquele que nos restaura e purifica, traz sua graça e misericórdia para experimentar tão grandes benefícios como os que foram mencionados nesta passagem das Escrituras Sagradas.
Neste tribunal, tão temido, podemos experimentar não a condenação, mas a restauração da dignidade e da honra que Deus deseja dar àqueles que são renovados pela maravilhosa expiação e graça que pode ser encontrada na cruz de Cristo.
Deus seja louvado!!

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