Introdução
Ricky Warren, no seu livro “Uma vida com propósito”, afirma que existem vários motivos que podem orientar nossa existência.
A. Dinheiro - Muitos são movidos por dinheiro. O objetivo é ganhar mais, acumular, ter, possuir.
B. Sexo - Outros são movidos por prazer sexual, luxúria, obsessão pelo corpo e pela conquista.
C. Poder – Alguns são movidos pelo poder, desejo de controlar, de mandar, de dirigir.
D. Medo - Alguns ainda são dirigidos pelo medo. Passam a vida dominados por uma insegurança profunda acerca de tudo: medo da velhice, da doença, da violência, de ficarem pobres, da morte, e não vivem a vida plenamente porque são dominadas pelo medo.
E. Culpa - Outros são movidos pela culpa, sempre há algo acusando sua consciência sensível. Sentem culpa até por se sentirem culpados, não conseguem liberdade interior, são presos pelas amarras da consciência, e isso é o que as dirige.
F. Ira - Alguns são movidos por ira e cólera, tratam a vida na ótica da bronca, tudo é mau humor, tudo é chateação, são intragáveis, agressivos e reativos.
G. Ressentimento – Muitos são movidos por mágoa, experiências negativas que não foram tratadas no decorrer da vida e que sempre estão ali dominando suas vísceras, enfrentando seus fantasmas da raiva e da dor e e tristeza. São movidos por mágoa das pessoas, ou das situações vividas, e até mesmo por Deus.
Em quase todas as situações, o que podemos entender é que sempre há um enorme risco de distorção em nossas emoções, da forma como percebemos, julgamos e interpretamos a vida. Quando estamos lidando com sentimentos distorcidos não somos capazes de analisar os fatos corretamente. Por isto é sempre sábio indagar se estamos fazendo leitura correta dos eventos ou se é fruto da dor e da própria distorção. Será que os fatos são reais? Nem sempre os nossos sentimentos são coerentes.
O profeta Jeremias faz uma afirmação interessante. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9) Quem pode conhecer seu próprio coração, sentimentos, percepção da vida? Será que julgamos corretamente?
O Salmo 77 é um texto de crise. O salmista faz várias reflexões sobre os seus sentimentos e sua percepção parece confusa:
“Penso nos dias de outrora, trago à lembrança os anos de passados tempos. De noite indago o meu íntimo, e o meu espírito perscruta. Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício? Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?” (Sl 77.5-9). Todas estas perguntas revelam insegurança, dúvida, medo de abandono de Deus. Mas ele mesmo responde estas indagações com lucidez: “Então, disse eu: isto é a minha aflição; mudou-se a destra do Altíssimo.” (Sl 77.10).
Sua conclusão é de que suas dúvidas resultavam não porque Deus havia mudado, Ele continuava sendo o mesmo: confiável, santo, amoroso. Entretanto ele responde: “Isto é minha aflição.” Nossa dor e aflição é capaz de alterar nossa fé e a forma como julgamos Deus e as coisas espirituais. Quando estamos em aflição, é possível fazer leituras equivocadas sobre Deus.
Em Lucas 24, encontramos alguns sentimentos interessantes. Todo este capítulo descreve reações emocionais de pessoas diante da ressurreição de Cristo.
Do capítulo 24.1-12 há uma narrativa sobre as mulheres indo ao túmulo para levarem aromas e derramarem no corpo de Cristo. Ao chegar, veem que a pedra do túmulo estava movida e tem uma visão de um anjo que diz: “Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou.” (Lc 24.5-6) Suas reações são descritas. Elas ficaram “perplexas” e “possuídas de temor” (Lc 24.4-5).
Perplexidade descreve uma pessoa confusa, indecisa, sem reação ou atônita diante de uma situação complexa ou inesperada, sem saber como agir ou o que pensar, mostrando espanto ou dúvida e pode ser usada para expressar confusão, desorientação ou pasmo. Quando perplexa a pessoa fica entre o susto, a incredulidade ou admiração, essa foi a primeira reação emocional que tiveram.
A segunda foi de medo, ficaram possuídas de temor, atemorizadas, e quando chegaram para contar aos apóstolos que estavam em Jerusalém, a Bíblia diz que eles ouviram seu relato com incredulidade. (Lc 24.10) pois o que contavam lhes parecia um delírio, alucinação, fruto de emoção instável. Esses são os sentimentos e as reações que podemos encontrar nessa primeira parte de Lucas 24.
Na segunda narrativa (Lucas 24.13-35), dois discípulos estão a caminho de Emaús. A Bíblia diz que Jesus se aproxima deles e eles não o reconhecem, porque seus os olhos estavam impedidos de o reconhecer. Talvez tivessem chorado, ou estavam tristes, por alguma razão sua percepção por causa da dor e da frustração, de ver todo projeto em que eles estavam envolvidos simplesmente desaparecer na morte de seu mestre, e agora retornavam acabrunhados e talvez até envergonhados, porque teriam de explicar aos outros o fracasso de terem entrado num projeto sem consistência, porque, afinal de contas, o suposto Messias tinha morrido numa cruz. A reação deles pode ser descrita de desilusão. Quando Jesus pergunta o que está acontecendo, eles começam a contar a história e dizem, “nós esperávamos”. (Lc 24.21) Ou seja, eles não estavam esperando mais. Estavam desiludidos com tudo que tinha acontecido.
Nem mesmo o relato das mulheres fazia sentido para eles. Antes do desfecho de tudo, eles decidiram retornar à sua aldeia. É interessante a linguagem deles: “É verdade também que algumas mulheres.” (Lc 24.22). Sublinhem a palavra “é verdade!” Em seguida usam outra expressão: “De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram.” (Lc 24.24) Marquem esta outra expressão: “De fato”.
As duas afirmações falam de “verdade” e “fato”. Estas palavras são muito interessantes porque verdade e fatos não foram suficientes para romper a tristeza e o desânimo. Nem sempre os fatos são percebidos como são. Muitas vezes o que importa não é como são os fatos, mas como os interpretamos. Muitas vezes os interpretamos à luz dos nossos sentimentos, nossos medos, nossa ira, nossa mágoa, e assim por diante.
Depois dessa segunda narrativa, Jesus aparece aos discípulos (Lc 24.36-43). Surgem aqui outros sentimentos. O primeiro que nos é relatado é que “ficaram assustados.” (Lc 24.37) Não era para menos, porque Jesus tinha morrido, eles o viram na cruz, sabiam onde havia sido ressuscitado e agora aparece no meio deles, sem bater na porta, de forma estranha, então era natural que ficassem assustados. Por isto reagiram com medo.
Temos aprendido que medo não é bom conselheiro porque ele distorce a realidade. O medo retira o potencial que temos para fazer as coisas. Muitas pessoas conduzidas por medo, não são capazes de sair da situação de mediocridade por medo do fracasso. Elas têm medo de errar, medo de julgamento e assim por diante.
Eu me lembro de uma experiência que eu tive quando era criança. Fui pescar com um grupo de amigos, todos meninos ali na faixa de 8, 10, 12 anos, e pelo que me lembro, eu era o mais velho, e, de repente, ao voltar do rio vimos uma cabeça brilhando no meio do mato. Ficamos assustadíssimos e saímos correndo, perdemos nosso material de pesca e chegamos em casa com muito medo, tentando contar para meu pai o que tinha acontecido e ele começou a rir do episódio explicando que existe uma época do ano, em que os cupinzeiros ficam luminosos, porque as larvas de um besouro vaga-lume, brilham com uma luz esverdeada para atrair cupins alados (siriris ou aleluias) e outros pequenos insetos, que saem dos ninhos no início da temporada de chuvas. A luz funciona como uma "armadilha luminosa". Ao se aproximarem da luz, os cupins alados são capturados pelas larvas, que os consomem. A luz funciona como uma "armadilha luminosa". O fenômeno é mais comum em noites quentes e úmidas, logo após as primeiras chuvas, quando a atividade de reprodução dos cupins é alta. Naturalmente o meu pai não usou essa linguagem sofisticada, mas era isso que estava dizendo.
Viram o que o medo gera em nós? Para nós, tratava-se de uma “assombração”, e tudo foi assustador e ficamos apavorados com o que vimos. O que parecia um fantasma podia perfeitamente ser explicado pela lei da natureza.
Voltando ao texto bíblico, podemos observar ainda que havia outro sentimento: eles ficaram com dúvidas quando viram Jesus. “Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração?” (Lc 24.38) Um coração dominado pela dúvida sofre tremendamente. Até mesmo João Batista, um homem tão especial, quando preso entrou em crise sobre Jesus, e enviou dois discípulos para irem conversar e perguntar se ele era o Messias ou deveria esperar outro.
Tomé é outro personagem bíblico dominado pela dúvida. Ele não estava na primeira aparição aos discípulos, e mesmo ouvindo o relato afirmou que só creria se pudesse colocar as mãos do lado de Jesus e nas suas mãos. Jesus se manifesta a Tomé e diz: Tomé, por que não vistes não credes? Não seja incrédulo. Diante de Jesus, Tomé cai de joelhos fazendo uma declaração profunda de fé: “Meu Senhor e Deus meu.” Talvez Tomé tenha sido o primeiro a fazer uma declaração tão clara sobre a divindade de Cristo. Entendendo que estava diante não apenas de alguém muito especial, já que um fenômeno tão sobrenatural como a ressurreição, só poderia acontecer a alguém que fosse o Senhor da vida: o próprio Deus.
Com todos os relatos descrevem os sentimentos dos discípulos nessas três narrativas que encontramos, queríamos então reafirmar que nossos sentimentos nos traem, nós não podemos confiar sempre nas nossas emoções, você não pode dizer “eu confio nas minhas emoções”, porque as emoções podem ser muito enganosas e equivocadas.
Quando era estudante de teologia em Campinas, São Paulo, recebemos a visita de um preletor que era bem conhecido na Igreja Presbiteriana na época, Rev Jacó Silva. Ele era um homem muito firme nas suas asseverações, e falou para centenas de igrejas no Brasil sobre contribuições, dízimos e ofertas. Ele fez um trabalho muito interessante sobre este assunto nas nossas igrejas pregando em conferências e nos seminários ministrando aos futuros pastores. No final de uma de suas palestras, um dos nossos colegas fez uma pergunta:
-“Pastor, se eu sinto que eu não devo trazer o meu dízimo à igreja, mas devo dar pra alguma pessoa ou levar para outro lugar, o que o Senhor acha?”
Ele respondeu de forma bem enfática:
“Bacharel, o que que diz as Escrituras Sagradas? Repita comigo: Trazei todos os dízimos a casa do Senhor” e fez o seminarista repetir. “Então, completou ele, se a Bíblia diz que é pra trazer pra casa do senhor e você faz de forma diferente, você sentiu errado, pode sentar bacharel!”
Ao mesmo tempo que esse texto nos fala tanto sobre sentimentos equivocados, sentimentos de medo, dúvidas, incredulidade, vamos encontrar vários sentimentos positivos e isso nos ajuda a refletir sobre como nossos sentimentos podem ser alinhados corretamente.
Admiração
O primeiro sentimento que tem me desafiado bastante, é a admiração. Ele é relatado em Lc 24.41. “E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer?” Os discípulos estão admirados. Este sentimento é relatado em Lc 24.12, na reação de Pedro: “e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido.”
Esta era a característica da Igreja Primitiva: Em At 2.43 lemos: “Em cada alma havia temor”. Outra tradução diz: “Em cada alma havia espanto.” Mas eu gosto muito da tradução da NVI internacional, que diz em inglês que em cada alma havia awe, uma interjeição que deve ser lida como “oh!” Que expressa espanto e admiração, como se alguém colocasse a mão na boca espantado com algo que presenciou.
De fato, os discípulos estavam admirados, e este sentimento parece que se perdeu entre nós. Temos perdido a capacidade de admirarmos com as coisas que Deus tem feito e muitas vezes nem temos mais ficado surpreendidos, em admiração, louvor e adoração por uma compreensão de que existe algo contagiante na nossa espiritualidade.
Brennan Manning relata que um dia ele foi visitar um velho sacerdote já aposentado e na conversa ele ouviu do sacerdote a seguinte afirmação: “eu nunca procurei posição, honra, nem aplausos dos homens, mas eu sempre pedi a Deus para que ele não me tirasse a capacidade do assombro, da admiração.” Como isso é sério...Como precisamos nos admirar com aquilo que Deus faz.
Nessa semana, janeiro de 2026, tivemos uma experiência muito interessante na temporada no Acampamento El Rancho. Nós sempre fazemos no mês de janeiro uma temporada para adolescentes e pré-adolescentes. Cerca de 120 pré-adolescentes estavam reunidos e minha esposa foi dar duas palestras, e neste dia a luz acabou. Ela então pediu que todos os adolescentes viessem para perto dela, e pediu pra apagar todas as luzes, e não acender os celulares, e fez uma vivência sobre a morte de Cristo. Ela descreveu a morte de Cristo mostrando que quando ele morreu tudo escureceu e agora, todos eles estavam ali, no escuro, vivenciando este momento. Houve absoluto silêncio, o que é difícil entre pré-adolescentes. No final ela fez um apelo para que aqueles que quisessem entregar sua vida a Jesus fizessem uma oração de rendição aos pés da cruz, e a resposta foi surpreendente, porque sem que ela pedisse todos começaram a mexer as cadeiras no escuro para ajoelharem pedindo que Deus os visitasse. Houve um profundo quebrantamento e visitação de Deus sobre todos.
Esse tipo de experiência precisa gerar em nós admiração, encantamento, que é uma das coisas que temos perdido, precisamos aprender a olhar pra cruz, olhar para redenção, olhar para a obra de Deus, com encantamento e profunda gratidão.
Nossa espiritualidade muitas vezes se torna meramente institucional, mecânica e religiosa. O Profeta Isaías fez essa profecia dizendo que o povo honrava a Deus apenas da boca para fora, mas seu coração estava longe Dele. (Is 29.13). Jesus citaria este mesmo texto para alertar os religiosos de seus dias. “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mt 15.9) Precisamos romper o jeito automático da fé que temos exercitados e sermos surpreendidos pela graça renovadora de Deus. O sentimento de admiração é transformador.
Alegria
O segundo sentimento que esse texto descreve é de alegria. A Bíblia diz: “por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria.” (Lc 24.410) Em Lucas 24.52, vemos que eles estavam cheios de alegria. Esse é o sentimento que tira nossa depressão, desânimo, descrença, dúvida, desencorajamento. São os cinco “Ds” mortais e fatais para a alma. Vou repetir:
ü Depressão
ü Desânimo
ü Descrença
ü Dúvida
ü Desencorajamento.
A admiração retira de nós a morbidez e a apatia e as substitui por alegria. Foi assim que os discípulos foram transformados no caminho de Emaus, “E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lc 24.32)
Adoração
A terceira coisa que eu queria extrair desse texto, e nem podemos afirmar que é um sentimento, porque é uma atitude, é o resultado da admiração e alegria: Adoração.
Em Lucas 24.52-53, os discípulos estão em atitude de adoração: “Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; e estavam sempre no templo, louvando a Deus.” Eles não veem Jesus mais como apenas um homem, ou um amigo com quem compartilhavam o pão, o vinho e o peixe, nem apenas com aquele homem poderoso que curava. Não. Eles o veem agora como Deus, como a segunda pessoa da Trindade, e a adoração se manifesta como resultado de uma compreensão nova. Voltaram, cheios de alegria, adorando a Deus por tudo que tinha acontecido.
Como ter novas percepções?
Para concluir, é importante considerar os aspectos finais. O que pode gerar em nós uma nova percepção, um novo entendimento, uma nova emoção, uma nova atitude em relação a Jesus e a sua obra e que nos ajuda a superar sentimentos destrutivos que nos desviam do projeto de Deus e que paralisam a nossa história? O que pode gerar novos sentimentos e percepções, que podem trazer novas realidades para o nosso coração?
1. O encontro com a verdade.
Uma das primeiras coisas que percebemos é que quando as mulheres visitam o túmulo, elas esperam encontrar o mestre morto, mas são surpreendidos com o Cristo ressurreto: “Por que buscais entre os mortos ao que vive?” Elas então levam a notícia da aparição e da mensagem. Uma nova realidade estava se revelando, a verdade de Deus se descortinava.
Os discípulos acharam que elas estavam delirando. Eles ainda não tinham acesso à verdade., eles não estavam fazendo leitura correta dos fatos. Eles precisavam se encontrar com a verdade que é sempre libertadora. Quando nos encontramos com aquilo que é verdadeiro isso muda a nossa história e a dinâmica da nossa vida. A fé cristã é histórica, factual, se baseia na história, não é apenas uma ideia ou conceito. Pode ser averiguada.
Francis Schaeffer no livro “A Morte da razão” é muito enfático ao declarar que a fé cristã está fundamentada em fatos e não em sentimentos, não se trata de ideias, mas se trata de história.
2. Atualização do discipulado.
O segundo aspecto a ser considerado é que o que aprendemos nem sempre é o que está presente no nosso coração. Com o passar do tempo podemos perder a noção daquilo que já sabemos.
Por exemplo, os anjos dizem às mulheres: “Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galileia (...) então, se lembraram das suas palavras.” (Lc 24.6,8
Os anjos não dizem algo novo, apenas refrescam a memória daquelas mulheres sobre o que Jesus já lhes havia dito. Não era algo novo, mas algo que estava esquecido e que precisava ser trazido novamente à memória. Talvez o que você precisa não é aprender alguma coisa nova, mas simplesmente recordar ardentemente aquilo que você já sabe. Quem vive melhor não é o que sabe mais, é o que se lembra mais.
Jesus também vai enfatizar isso aos discípulos no caminho de Emaús: “Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.” (Lc 24.25-27)
Jesus os faz recordar dos textos de Moisés e dos profetas, e dá uma aula de Escola Dominical, explica as Escrituras Sagradas. A palavra “expunha-lhes”, vem do grego “dihermeneuem”, cuja raiz é a palavra hermenêutica. Jesus, na verdade, está dando uma explicação bíblica acerca do que a Palavra de Deus diz a seu respeito no Antigo Testamento. E o resultado é que o coração dos discípulos arde quando eles atualizam o discipulado, relembram o que já lhes foi ensinado, lembram daquilo que Deus fez e são trazidos novamente à mesma compreensão daquilo que já sabiam.
É desta forma que atualizamos o nosso discipulado, lembramos da Palavra de Deus, de suas promessas, quem somos e quem Deus é, e o nosso coração arde novamente e arde por quê? Arde pela palavra, por aquilo que ouvimos e sabemos, portanto, é preciso reaprender o que já aprendemos, precisamos atualizar o nosso discipulado.
3. Encontro com o Sobrenatural
Em terceiro e último lugar, precisamos ter um encontro com o sobrenatural. Eles se encontraram com o Cristo ressurreto, eles ouviram várias afirmações e também tiveram várias experiências.
Não é sem razão que Jesus afirma neste texto: “Ficai em Jerusalém, até que, do Alto, sejais revestidos com o Espírito Santo.” (Lc 24.49)
As mulheres ficaram frente a frente com o túmulo vazio, e ouviram a declaração do do anjo: “Ele não está mais aqui, mas ressuscitou.” (Lc 24.6) No meio do medo e da admiração, são tomadas por uma experiência com o Sagrado. Elas precisavam entender que a obra de Cristo não acabava num túmulo, mas na ressurreição, onde Jesus demonstraria sua glória e seu poder, porque não era possível que o Senhor da vida fosse retido pela morte. Agora passam a ter uma nova compreensão de quem Cristo era.
Os discípulos também precisaram passar pela mesma experiência. Precisavam entender que Jesus não era um fantasma, um mito, uma lenda. Jesus Cristo faz questão de afirmar isso. “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” (Lc 24.39) E para que isso ficasse bem claro, ele perguntou se eles tinham alguma coisa para comer. Os discípulos estão admirados vendo Jesus novamente comendo.
Finalmente, não verão apenas o Cristo ressurreto, mas ele sendo elevado às alturas, dando-lhes missão e dizendo que voltaria. Em Atos 1, eles continuaram a olhar extasiado para o céu quando Cristo voltou para o Pai, e os anjos lhes promete que ele voltaria em glória.
Este encontro com o sobrenatural é transformador. Quando nos encontramos com este Cristo ressurreto e glorificado nossa perspectiva de vida muda radicalmente.
Pra encerrar eu queria então perguntar:
A. Quais sentimentos dominam o seu coração? O que tem dirigido sua vida? Você tem sido controlado pelo medo, dúvida, desencorajamento, desânimo? O que é que tem dominado o seu coração? Ou você tem sido dominado pela alegria, e admiração por entender quem é Jesus?
B. Como tem sido o seu discípulo? Você tem se encontrado com a verdade? Você tem atualizado o seu discipulado? Seu compromisso de seguir a Jesus? As mesmas verdades simples do evangelho ainda atingem seu coração?
C. Você já teve um encontro com o sobrenatural, com quem de fato Cristo é? Essas coisas todas são fundamentais para dirigir a sua vida. Eu espero em Deus que você seja dirigido por essa compreensão do Evangelho.
Que Deus nos abençoe!

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