domingo, 12 de junho de 2011

1 Cr 12.32 O FATOR ISSACAR Você entende o seu tempo?

Introdução:
Meio século atrás, um grupo de pequenos empresários procurou a industria Suíça, naquela época a maior produtora de relógios do mundo, oferecendo a possibilidade de produzir relógios de quartzo. Os suíços alegaram que não estavam interessados, afinal, detinham o mercado de 98% dos relógios produzidos no mundo. Então, por que mudar?
Aqueles homens procuraram os japoneses. Hoje, 99% dos relógios produzidos no mundo são de quartzo. Os suíços não perceberam os novos tempos e possibilidades. Será que a igreja percebe?
Neste texto que lemos, Davi selecione os homens que fariam parte do seu staff no reinado. Dentre eles, selecionou 200 jovens da tribo de Issacar, uma tribo quase esquecida de Israel , porque eram “conhecedores de seu tempo e sabiam o que Israel deveria fazer”.
Este é um dos grandes desafios que temos a enfrentar. Encontrar homens identificados com seu tempo.
Nossa geração está plugada em genética, bio ética, software de última geração, empresas offshore, network, redes sociais, ecossistema. Será que a igreja conhece sua época para saber que estratégia usar para alcançar esta geração?
At 13.36 afirma que “tendo Davi, servido à sua própria geração, adormeceu”. Só podemos servir e tocar uma geração. Qual é a geração que estamos servindo?
Eis algumas características de nossa geração:
 Pluralismo – admite-se vários universos de “verdades”, opiniões divergentes sobre o mesmo assunto são possíveis. Cada um ser abriga uma “pluralidade” de conceitos sobre os mesmos assuntos. O pensamento não é mais homogêneo...
 Mobilização – somos uma geração em movimento. Ninguém é de algum lugar. As pessoas saem de suas cidades em busca de educação, melhores oportunidades de emprego e salários. Isto pode ser ruim, mas pode ser também uma chave na evangelização do tempo presente.
 Urbanização e migração. Temos que pensar a igreja com uma teologia urbana, e não apenas com a metodologia e sociologia urbana. O que há por detrás do silêncio urbano de nossa teologia?
 Pragmatismo – A pergunta se dirige para o universo da fé: “Isto funciona?”. Esta pergunta traz alternativas, mas também grandes riscos...
 Experiencialismo – se antes a idéia era: “Penso, logo existo”, hoje a questão está mais para: “Sinto, logo me autentico!”. As pessoas gostam de adrenalina e acham que a fé deve ser definida a partir de uma sensação.
 Misticismo – Denominações históricas estão falindo. Esta é uma geração esotérica, com seus desdobramentos mais macabros e perigosos. Geração sensorial. Devemos perguntar que estilo de mensagem vamos usar para alcançar estas pessoas que possuem perguntas tão distintas. “Jesus pregava, segundo a capacidade de seus ouvintes” (Mc 4.33). temos conseguido fazer esta transição para comunicar o evangelho de forma criativa e relevante, sem prejudicar seu conteúdo?
 Desconstrucionismo – “Eu prefiro ser, esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. É uma geração que questiona todos paradigmas e padrões. Quantos modelos familiares existem em sua igreja? Um pastor identificou mais de 60 modelos em sua comunidade. Homens e mulher estão confusos quanto aos seus papéis. Será que ainda podemos falar de papéis e funções?
 Relativismo – Esta geração não pensa mais com categorias de absolutos. Para este tempo, tudo é relativo, até mesmo esta afirmação que diz que “tudo é relativo!”, isto é, a relatividade do relativismo. Hegel conseguiu questionar todas as coisas filosoficamente, e é isto que nossos filhos aprendem nas universidades. Não existe posição e oposição, nem tese x antítese. Tudo pode ser encontrado na síntese, que integra os opostos e faz a mentira verdade e a verdade, mentira. Dependendo naturalmente de sua percepção e ponto de vista.
 Subjetivismo – A verdade não é algo que deve ser encontrado. A verdade não está “lá!”, mas se encontra dentro de cada um. Com a influência das religiões orientais, até Deus é o seu próprio EU. Por isto, apenas precisamos estar coerente com as próprias convicções interiores... A verdade é a verdade de cada um, e não como definia Sócrates ao afirmar que “A Verdade é o que é”.
 Envelhecimento da população – Nossa geração é mais madura. Temos pessoas idosas lúcidas, com saúde, inteligentes e com dinheiro, tempo e talento. Como aplicar isto para o reino de Deus em nossos dias.
 Consumismo – Uma geração que gosta de coisas caras, e que tende a gastar mais do que ganha. Nossos filhos são burgueses...
 Tribos urbanas – Segmentos dos mais diversos brotam dentro e fora da igreja: Temos a tribo dos “emos”, “góticos”, “radicais”, etc.
De repente, aquilo que vivemos nos dias da mocidade não serve mais. Temos um processo de aceleração da história.
Dois eventos históricos se tornaram verdadeiros marcos:
1989 – Queda do Muro de Berlim – De repente descobrimos que o mundo não é mais dirigido por ideologias. Acabou a guerra fria de comunismo e capitalismo. “O Mundo é plano” (George Friedman).
2001 – 11 Setembro. Não há mais lugar seguro. Apesar de todos avanços, a busca por uma ideologia e religião se torna o cerne do significado. As pessoas vão continuar morrendo e matando por sua fé.

Qual é o perfil de sua igreja neste universo plural? Três grupos distintos. Três filmes distintos trabalham esta questão:
 Parque Jurássico – A Igreja se aferra às suas tradições. Confunde essência com acidente, temporal com eterno e histórico com revelado.
 Beleza americana – A Igreja está confusa. Não sabe o que pensar, nem o que é valor. Resultado: não são os filhos que estão perdidos, mas sim os pais. Não somos mais hippies, mas yuppies.
 Os Jetsons – geração tecnológica. Comunicação visual (imagens). Mulheres definem os valores e o mercado criando um novo perfil sexual. Homens em crise na sua masculinidade. Todos querem ser modernos, mas existe uma enorme complexidade na visão. O moderno não deixa de ser desafiador.
Como ser igreja neste contexto?
1. Uma igreja santa, acolhedora, mas sem preconceito – Não precisamos abrir mão de valores. Igrejas com doutrinas claras estão crescendo. Mas tem que ser uma igreja que acolhe. Empatia com pecadores (prostitutas, publicanos). Crente não fuma, não bebe, não dança, não joga. Será que não poderíamos ser vistos de uma forma diferente: “Aquela é uma igreja que ama?”. Não estou advogando licenciosidade, nem permissividade. Mas afeto. As pessoas estão coisificadas, estranguladas, excluídas. Precisamos de criar uma estrutura de acolhimento. Valorize relacionamentos, envolva-se. Vamos ver novas tribos chegando às nossas comunidades. Gente tatuada se aproximando de Jesus. Como vamos recebê-las?

2. Espiritualidade contagiante – Num contexto místico como o nosso, precisamos nos abrir para experiências genuinamente bíblica, sem ter que achar que são coisa de “pentecostais”. Precisamos reaprender a “orar por enfermos”. (Tony Campollo) “Orar publicamente” (Oração de graça e benção). Sermos “Acendedor de almas” (Nouwen).

3. Envolvimento com pobres e marginalizados – Aprender a ser generoso como igreja. Generosidade não tem a ver com dinheiro, mas com a visão do eterno. “Precisamos ter obras sociais para dar testemunho de nossa fé”. Aprenda a visitar pessoas no meio de suas dores, a consolar os que choram.

4. Culto Celebrativo - Faça do culto dominical um evento de alegria, sem perder a referência – 80% das pessoas de sua comunidade se encontram apenas no domingo a noite. Tem que ser um culto alegre. Participe-se, envolva-se. Prepare uma equipe de pessoas alegres para receber bem o povo. Modernize-se! Sua atitude de tristeza pode afastar pessoas.

5. Culto com excelência - Prepare o seu culto. Ninguém suporta amadorismo, sermões mal preparados, cultos feios. Culto é cartão de visita. Seja contemporâneo, mude sua metodologia, fuja do saudosismo.

6. Creia no poder de Deus: Creia, busque, ensine o seu povo a crer e a experimentar. Olhe o que Deus pode fazer, não apenas o que você vê! Se for o caso, faça vigílias de oração... Nosso trabalho é espiritual. Temos orado de forma consistente? Nossa igreja realmente crê no poder de Deus.

7. Ame sua cidade e o lugar onde você está – Você só floresce onde você ama. (Bob Linthicum: Você não pode realizar um bom ministério se você não ama a sua cidade).

8. Fale bem de sua igreja – Igrejas com facilidade ficam com moral baixa e perdem a auto estima. Fale bem de sua igreja... faça propaganda de seus trabalhos. Envolva seus amigos nesta gloriosa tafera.

3 comentários:

  1. Excelente texto, coerente, atual e inspirado!
    Abraços,
    FBSILVA_2003@HOTMAIL.COM

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  2. Fenomenal ,ótima matéria. Vou compartilhar e sua n classe de Escola Bíblica.

    Parabéns!

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