sábado, 17 de dezembro de 2016

Mc 1.9 Jesus veio


 “Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galileia”
Esta é a notícia mais fantástica que podemos apreender no Natal. Jesus veio!
Esta frase é quase sempre a fórmula ideal para entendermos que algo de profundo, dramático e radical vai acontecer. Quando Jesus surge, algo de especial pode ser esperado. A presença de Jesus altera substancialmente o rumo de nossa história. Veja quantas vezes o evangelho demonstra como a vida das pessoas que com ele se encontraram foram transformadas.
Este texto nos fala que Jesus veio naqueles dias para se encontrar com João Batista. Seu batismo é o ponto de partida de seu ministério. Jesus veio!
Todos os evangelhos narram o batismo de Jesus. Isto demonstra o quanto este evento foi importante para os discípulos. A vida de João Batista aponta para um tempo de despertamento espiritual. Literalmente milhares de pessoas deixavam suas casas, atividades, empregos e famílias, vindo das cidades para o deserto a fim de este exótico pregador de hábitos estranhos e rústicos, que vivia esbravejando contra o pecado do povo de Israel. Eles vinham das cidades porque sentiam o tormento de suas culpas, o sentimento de inadequação diante de Deus, e João estava falando de um caminho, uma forma diferente de viver, e o batismo representava o sinal de purificação para aqueles que genuinamente reconheciam suas necessidades diante de Deus e confessavam seus pecados. Milhares de pessoas afluíam para aquele pequeno lugar onde João estava batizando no rio Jordão.
Quando Jesus chegou, João ainda não sabia que ele era o Messias, mas apesar disto disse: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3.14). A credencial de Jesus foi manifesta quando ele saiu da água, os céus se abriram, e o Espírito de Deus desceu sobre ele como pomba, e o Pai fez a bendita declaração: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”(Mt 3.17). Jesus não precisava de arrependimento ou confissão de pecados, nem mesmo batismo. Jesus era perfeito, sem pecado. Por que então ele veio ao encontro de João Batista?
Algumas razões podem ser encontradas:
Primeiro, seu batismo é um ato de identificação conosco. Batismo é algo simbólico, que aponta para alguma coisa bem maior que deve acontecer no coração do homem. Por isto ele também recomendou aos seus discípulos, àqueles que nele viessem crer, que também fossem batizados “em nome do Pai, Filho e Espírito Santo” (Mt 28.18-19). Batismo aponta para algo maior, é um sacramento, “sinal visível de uma graça invisível”.
João era o precursor, e Jesus ao ser batizado nos ensina: “Este é o caminho”
Joao Batista quebra o paradigma religioso, incomoda aqueles que acham que suas tradições são suficientes (Mt 2.7-10). Os judeus acreditavam que o vínculo sanguíneo era bastante, e João estabelece outra dimensão. É preciso se arrepender, parar de viver de forma apenas institucional. Billy Graham afirma que “muitas pessoas se tornam religiosas o suficiente para nunca terem que assumir um compromisso pessoal com Jesus Cristo”. João Batista denuncia o comportamento ritualista e religioso. O batismo de Jesus foi um ato de identificação. Ele tomou nosso lugar na cruz, mas começou no batismo.
Nós temos tantos débitos que jamais poderíamos pagá-los, mas Jesus veio, pagou nossas dívidas e notas promissórias. “Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda justiça” (Mt 3.15). ao fazer isto declara sua intenção de cumprir a justiça que Deus demandava para que a dívida de nossos pecados fosse paga.
Em segundo lugar, Jesus foi batizado para servir de exemplo.
João prega arrependimento (Mt 3.1-2), e Jesus inicia seu ministério falando exatamente a mesma coisa. Em sua mensagem inaugural, ele fala de quatro temas (Mc 1.14).
(a)- O Evangelho de Deus - “Foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus” – Evangelho são boas novas. Os anjos foram os primeiros a anunciarem esta boa notícia quando Jesus nasceu: “O anjo, porém, lhe disse: Não temais; eis que vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 1.10,11). Jesus é o evangelho, a presença de Deus entre nós. Jesus não veio apenas pregar o evangelho, ele era o evangelho que deveria ser pregado.
Ele trouxe as boas novas de que o poder de Deus pode restaurar o homem caído, tirá-lo de sua condição de pecado e miséria, dar-lhe sentido. A Bíblia afirma que a condição natural do homem é sem esperança, e sem Deus, de fato, a vida do homem é absolutamente impossível.
 (b)- O cumprimento da história – “O tempo está cumprido” A vinda de Jesus inaugura um novo momento na história. “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher” (Gl 4.4). A história se plenifica no tempo preparado pelo próprio Deus e se cumpre na pessoa de Jesus e seu nascimento;
(c)- O reino – “o reino de Deus está próximo” As realidades de Deus começam a se manifestar de forma evidente no ministério de Cristo. Marcos fala de algo especial. O que é o “reino de Deus”? Tudo que se relaciona ao projeto de Deus para a humanidade. Estamos rodeados por grandes forças espirituais, do bem e do mal, e Jesus reina supremo sobre todas elas, governando todos os eventos da história, de nossa vida diária e das circunstâncias. Então, quando ouvimos falar do reino de Deus, precisamos pensar que ele governa tudo o que somos e temos. Jesus veio para anunciar que o rei chegou, que Aquele que pode organizar a vida, trazer paz e harmonia e poder, estava presente, e quando ele vem, grandes transformações surgem.
 (d)- Arrependimento – “Arrependei-vos e crede no Evangelho”. Arrependimento é uma mensagem central nas Escrituras, e seu significado literal é mudar de direção. Se nos encontramos com Deus não podemos mais andar nas mesmas estradas antes percorrida, um novo estilo de vida deve ser adotado. Quando Lutero afixou as 95 teses da reforma na Catedral de Wittemberg em 1517, esta foi sua primeira tese: “A vida do cristão precisa ser uma vida de penitência diária”.
(e)- Crede no Evangelho – Parem de confiar na sua justiça própria para salvação eterna e passem a confiar na obre plena e meritória de Cristo Jesus. Não depositem a confiança na sua capacidade moral e espiritual, confie nele!
Em terceiro lugar, o batismo de Jesus foi o momento da manifestação do poder do Espirito Santo sobre sua vida. O texto afirma: “Logo ao sair da água”, isto é “imediatamente”(palavra que surge muitas vezes em Marcos), o Espírito desce sobre ele em forma de pomba. Ele foi ungido para o ministério terreno no ato do batismo, recebendo assim o poder para atender as demandas do ministério que ele enfrentaria. Logo em seguida ele é levado ao deserto para enfrentar o diabo (Mc 1.12-13), não dá para confrontar o tentador sem o poder do Espírito. Depois, entra na sinagoga de Nazaré e declara acerca de si mesmo as palavras proféticas de Isaias (Lc 4.18-19).O que aconteceu com Jesus pode acontecer conosco, na verdade, deve acontecer conosco (At 1.8). O dom do Espírito precisa ser derramado sobre nós para enfrentarmos as lutas e provações diárias, e vivermos vida de santidade diante de Deus.
Qual o símbolo do Espírito Santo? Uma pomba.
Times de futebol sempre usam emblemas como porco, galo, raposa, tigre, mas já viram algum time usar a pomba como símbolo? Por que não? Porque pombas são frágeis, não ameaçam, não resistem aos outros animais. Este é o símbolo do Espirito, o poder do amor, da doçura,
Jesus veio!!!
Tenho encontrado muitas pessoas que receberam a visita de Jesus e foram profundamente transformadas por ele. As mudanças tornam-se perceptíveis na vida e na família de uma pessoa quando Jesus vem. Para nós, nada é mais importante que a manifestação de Jesus em nossa história.
O Autor, Henry Maxwell Wright, expressou muito bem a necessidade de Jesus na sua vida dizendo assim:

Tu, que, sobre a amarga cruz,
Revelaste teu amor;
Tu que vives, ó Jesus!
Vivifica-nos , Senhor!
Vem! Oh! Vem, Jesus, Senhor,
Nossas almas despertar!
Com teu santo e puro amor,
Vem, Senhor! Vem inflamar
Oh! Vem! Oh! Vem
Nossas almas inflamar.

Vem agora consumir
Tudo quanto, ó Salvador,
Quer, altivo, resistir
Ao teu brando e doce amor!
O Deus das Escrituras é um Deus que se manifesta na história e na vida das pessoas.  Este texto nos mostra que Jesus veio.
Conclusão:
Certa vez exortei um homem que fora muito desonesto com os recursos da igreja que lhe foram colocados em sua mão, eu sabia que sua atitude era grave, não apenas pela desonestidade em si, mas porque aquele homem estava roubando das ofertas sagradas que o povo de Deus trazia para a casa do Senhor. Particularmente creio que não há nada mais sagrado do que o dinheiro que é colocado em adoração no gazofilácio da igreja. Eu esperava que houvesse arrependimento, porque confissão e abandono do pecado sempre são lugares especiais da manifestação de Deus, mas apesar de todas as evidências e testemunhas, ele continuou negando e endurecido. Infelizmente não houve lugar para arrependimento em seu coração. Ele insistiu na mentira. Isto é muito sério... arrependimento pode ser muito duro, mas é o lugar onde a presença de Deus pode ser mais visivelmente contemplada. Arrependimento é sempre um lugar para recomeço com Deus, ambiente para mudança de mente, de uma diferente forma de olhar e perceber a forma como estamos agindo e realinhar as necessidades essenciais que precisam ser assumidas ou retomadas. Arrependimento é um lugar sempre propício para o encontro de Deus com o homem.
Jesus veio.
Precisamos agradecer a Deus pelas boas novas que Jesus veio trazer, e que podem tratar da desordem do coração humano e do dilema de sua alma, sem esperança e sem socorro.
Precisamos orar ao pai celestial, para que ele nos ajude a crer  no evangelho, aceitá-lo em nossa vida, e coloca-la sobre estes pressupostos, e não sobre nós mesmos, agir e viver de acordo com a mensagem de Cristo.
A mensagem do Natal nos fala exatamente disto.
Deus resolveu habitar entre nós, ele se humilhou e assumiu forma humana, tornando-se acessível a nós. Por meio do seu Filho, ele se identificou conosco, assumiu nossos pecados, e nos purificou. Esta é a grande notícia do Natal: “O verbo se fez carne e habitou entre nós”.

Ele veio. Aleluia!

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