sábado, 1 de outubro de 2016

Ef 3.20-21 Infinitamente mais


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Introdução:

Depois de orar por fortalecimento interior e pela habitação plena de Cristo no coração da igreja, para que pudesse compreender o amor de Cristo que excede todo o entendimento, Paulo agora se põe a louvar este Deus. No vs 20, Paulo fala do poder infinito de Deus, e o vs 21 é dedicado ao louvor e glória deste Deus.
Este texto é muito atualizado, não raras vezes nos sentimos incapazes de lidar com as pressões, tentações e acusações do diabo, isto gera sensação de inferioridade e de inaptidão e assim surge o fantasma do desânimo. Por isto, depois de ter orado por temas tão profundos, o apóstolo afirma: "Deus é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” . Este versículo deveria ser gravado nas nossas mente. 

A compreensão destas verdades corrige distorções teológicas: 

A. “Eu posso fazer” – De um lado encontramos uma ênfase generalizada nas possibilidades humanas. Aqui encontramos aqueles que acreditam que o "pensamento positivo", pode resolver todas as coisas, as possibilidades encontra-se na capacidade humana. A ênfase deste texto, entretanto, encontra-se em Deus, não no homem. "Deus é poderoso para fazer infinitamente mais”. É Deus quem pode fazer. O poder e a força encontram-se em Deus.
Na carta de Paulo aos Coríntios lemos: "Não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma coisa como se partisse de nós, pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus" (2 Co 3.5). Esta é a distinção clara na resolução dos conflitos e os enfrentamentos diários. Os cristãos enfatizam o que Deus pode fazer. Podemos "tudo", mas em Deus, "naquele que nos fortalece" (Fp 4.13). Os humanistas enfatizam o que o homem pode fazer, no que a mente humana é capaz de realizar. Enfatizando assim o poder do homem, mas o texto bíblico afirma que o poder é de Deus, que pode todas as coisas, mais do que pedimos ou pensamos.

B. “Nada se pode fazer” – De outro lado, este texto ajuda os fracos e débeis a se encorajarem. Onde é que está a impossibilidade? Existe alguma coisa que é difícil ou impossível para Deus? Por falta de fé, pelas dúvidas que enfrentamos, podemos facilmente limitar o poder de Deus às circunstâncias favoráveis, à nossa fé, ou conceitos teológicos e assim queremos estabelecer linhas a partir das quais Deus não pode passar.
Pela falta de fé muitos se sentem abatidos e desanimados, mas Deus vem para dizer: As coisas podem melhorar! “Acaso para Deus haverá alguma coisa demasiadamente difícil?” Se Deus não faz, é porque dentro dos seus projetos e planos soberanos, ele não quis fazer, não porque lhe falta poder para fazer o que quiser. Inclusive sossegar o mar, curar enfermos, ressuscitar mortos.

Nunca podemos limitar o poder de Deus às nossas dúvidas ou à pusilanimidade da fé. Deus pode fazer mais, infinitamente mais, do que tudo quanto pedimos ou pensamos.

Podemos dividir estes dois versículos em duas linhas mestras. 
Primeiramente, Paulo fala do poder de Deus. O que aprendemos sobre isto:

1. Seu poder é infinito – “Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos”. Quando faz esta afirmação somos levados a pensar nas poderosas intervenções e ações de Deus na história. Diante da perplexidade de Moisés, Sara e Maria, Deus sempre pergunta a mesma coisa: “Acaso existe coisa demasiadamente difícil para mim?” Para Moisés Deus pergunta diante da promessa que fez de alimentar o povo no deserto, com carne, que daria para um mês inteiro; Para Sara, quando lhe disse que ela engravidaria aos 90 anos. Abraão recebe o anúncio do nascimento do Filho, quando tal acontecimento era impossível; Abraão ri...Sara ri...coisas estranhas de Deus. Abraão 99 anos, Sara 90 anos, algo biologicamente impossível (Gn 17.17). Deus os desafia: “Acaso há coisa demasiadamente difícil para Deus?" O pai da fé precisa aprender a ter fé, a confiar. O mesmo acontece com Maria, quando o anjo afirma que ela ficaria grávida, mesmo nunca tendo conhecido sexualmente um homem" . A palavra de Deus para Maria é A promessa: "Para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas”(Lc 1.37).

Todas estas situações são repletas de impossibilidade, mas isto não fez qualquer diferença para Deus. Quando ele deseja fazer, certamente o fará, e nada restringirá seu poder infinito. A única coisa que pode impossibilitar a ação de Deus é sua vontade. 

2. Seu poder transcende o que pedimos – “Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos”. Deus sempre faz mais. Eventualmente sequer imaginamos onde Deus pode nos levar, pois sequer sabemos o que é melhor para nós. No entanto, ele vai além. E quando pedimos, ele faz mais. Ele transcende aquilo que imaginamos ser nossa necessidade. Deus é sempre maior que nossos desejos e petições.

3. Seu poder ultrapassa o que pensamos – “Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos”. Deus ultrapassa não apenas o que pedimos, mas até mesmo o que pensamos. Muitas vezes estamos orando por algo, pensando em algo, Deus vai além. Oramos por um emprego, Deus dá além. Deus é especialista em surpreender seus filhos. 

4. Seu poder opera em nós – “...conforme o seu poder que opera em nós”. Este aspecto do texto não pode ser esquecido. Seu poder opera em nós“. O poder de Deus não é abstrato, mas se manifesta em nós. Ao desejar, ao orar, ao pedir, ao pensar, preocupe-se em saber se o que você pede é da vontade de Deus, se é coerente com sua vontade, se seu desejo é santo, genuíno. O desejo do coração pode ser humano, carnal, resultado da vaidade. Procure saber também se você deseja glorificar a Deus com aquilo que pede, porque, em última instância, a “ a Ele seja a glória”. 

Deus não nos dá o seu poder para que seja nossa posse e assim usá-lo conforme a nossa própria vontade. Muitos testemunhos que são dados em nossas igrejas, deixam de exaltar o poder de Deus para glorificar àqueles que se acham poderosos. Devemos saber que poderoso é o Senhor Deus, e não nós, e que ele apenas nos usa como instrumentos do seu poder, como canais por meio dos quais o seu poder flui, conforme o seu propósito. Também não somos não somos unidades de armazenamento, nos quais o poder fica depositado para ser utilizado quando e como acharmos conveniente.

Seu poder que opera em nós, através de nós e a despeito de nós. Para que as nossas orações se tornem realidade devemos ter em mente que isto só será possível por causa do poder de Deus que opera em nós. O poder vem de Deus, e nós somos seus instrumentos.
Deus não somente é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, como é capaz de fazer muito mais abundantemente de tudo que podemos imaginar, mas devemos nos lembrar que não usamos Deus e o seu poder, antes Ele é quem nos usa, na força do seu poder. Deus pode fazer coisas incríveis com vasos frágeis como nós, por causa da sua graça operante em nossas vidas. Neste sentido podemos dizer que com Deus...nada ...é impossível !!!

No vs 21, Paulo vai dar alguns motivos para nossa gratidão, adoração e louvor.

A. A Igreja de Cristo foi vocacionada para louvar a Deus por todas estas maravilhosas verdades – “A ele seja a glória na igreja”. O povo de Deus foi formado para seu louvor. “Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade escolhida de Deus a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Observem a expressão “a fim de”. Deus fez um povo para seu louvor. “Ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43.21). Deus espera que seu povo celebre e proclame sua grandeza ao mundo. O Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana afirma que “o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. 

Portanto, a Igreja de Cristo precisa glorificar os feitos de Deus.

B. Este louvor deve vivenciado de geração em geração – “Por todas as gerações”. O louvor que prestamos não pode ser a realidade apenas desta geração, mas precisa ser comunicado às outras. O povo de Deus precisa comunicar o seu louvor aos filhos e filhos dos filhos como afirma o Salmo 78.
Deus espera que os pais ensinem a seus filhos a adorar a Deus e glorificá-lo.

C. Este louvor é um projeto de Deus para a eternidade – “Para todo sempre”. Deus será sempre glorificado, mas ele espera que sua igreja o adore para sempre. No livro de Apocalipse vemos povos de todas culturas, línguas e nações, adorando a Deus. Milhares de pessoas exaltando sua glória e bendizendo o seu nome.

Deus formou o seu povo para esta eterna adoração.

Nossas realizações são para honra e glória de Deus. Tudo o que fazemos deve ser para a honra e glória de Deus, Glória significa louvor, exaltação por meio de palavras. O perigo nas realizações é usurpar a glória que pertence a Deus.

Conclusão:

Wayne Cordeiro relata que alugaram um espaço ao ar livre para realização de um evento de sua igreja, e depois de muito investimento e ensaio, veio a chuva e eles perceberam que todo o projeto iria por terra, então ele pediu a Deus para que Ele não permitisse que a chuva caísse para o evento fosse realizado, mas apesar de todo clamor da igreja, a chuva continuou caindo. Ele confessa que ficou triste com Deus e demonstrou sua raiva por não ter conseguido realizar o que planejaram. Orando ele conta que falou com Deus sobre isto, e o que veio ao seu coração foi o seguinte: "Você nunca pediu a minha presença neste evento, você apenas pediu para que a chuva não viesse. Tenho a impressão de que se não chovesse e eu não estivesse presente, você estaria contente".
Este é realmente um perigo da igreja. Esquecer-se de que tudo que faz, deve ser para a glória de Deus. Um culto sem a presença de Deus nada significa, pois Deus deve ser o centro. Todas as nossas atividades, programas, agendas, por mais interessantes que sejam, sem a presença de Deus nada valem,

Rev. Samuel Vieira
Rio de Janeiro, 1991- Igreja Presbiteriana da Gávea.
Refeito. Anápolis, Setembro 2016

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