quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Ef 3.10 A Igreja no projeto cósmico de Deus

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No sermão anterior analisarmos o conceito de “mistério”, um tema recorrente nas cartas paulinas. Observamos que Deus reservou este mistério à humanidade: O seu plano redentor que se revelou em Jesus. Este plano eterno estava oculto dos profetas, que embora tivessem algum lampejo sobre a vinda do Messias não tiveram o privilégio de terem uma revelação plena. Este mistério também estava oculto até mesmo dos anjos, principados e demônios (1 Pe 1.10-12)
Em Ef 3.10 há uma afirmação curiosa. Deus não apenas manteve este segredo desde a eternidade, revelando-o em Cristo, mas decidiu que a igreja seria portadora desta mensagem ao mundo.

Isto nos ensina algumas verdades:

1. A Igreja ocupa um plano central no projeto de Deus para a história – “Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne agora conhecido dos principados e potestades, nas regiões celestes” (Ef 3.10).

É um plano cósmico.

Preste atenção no encadeamento da ideia do texto. 
Por três vezes a palavra “mistério”, aparece no texto (3,4,9), Paulo diz que recebeu este mistério através de uma revelação e que deveria comunicá-la aos pagãos, apesar dele mesmo se considerar, o menor entre os santos. Agora ele aprofunda o tema afirmando o povo redimido, tem a missão de tornar conhecida esta multiforme sabedoria que existe em Deus.

A igreja de Cristo é chamada para revelar o projeto de Deus à humanidade, e também proclamar esta dimensão abrangente do domínio de Deus sobre todas as coisas, aos poderes históricos e espirituais, principados e potestades. Deus poderia ter feito isto através de revelação “direta”, ou usou sua miríade de anjos celestiais, mas decidiu que esta proclamação seria feito através da igreja.

O apóstolo Pedro declara: “vós sois a raça eleita, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). A Igreja existe para testemunhar o mistério de Deus em Cristo Jesus.

Quando Jesus se manifesta aos seus discípulos, após a ressurreição, ele diz: “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, Judeia, Samaria, e até os confins do mundo” (At 1.8). Jesus capacita sua igreja, dando-lhe o poder do Espírito, e a envia ao mundo. Sua missão, portanto, ocupa um lugar central no projeto de Deus. A Igreja faz parte da estratégia de Deus para a humanidade.

2. A Essência da mensagem: Sua multiforme sabedoria - Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus...” O que Deus quer comunicar? Sua sabedoria com tonalidades distintas.

A palavra “multiforme” no original, literalmente é “policromia”. Deus deseja comunicar, pela igreja, seu projeto aos poderes temporais e eternos, e ironicamente escolhe sua igreja. Não parece um projeto frágil demais?
Quando Jesus designa seus discípulos para o projeto evangelístico ele diz o seguinte: “Ide, eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos” (Lc 10.3). Sejamos honestos, esta figura não é alguma coisa tão promissora... Lobos são vorazes, ovelhas frágeis. Se ele dissesse, “eis que vos envio como lobos para o meio de ovelhas”, certamente nos sentiríamos mais confortáveis. Mas ele nos coloca como o grupo mais frágil neste ecossistema e nos envia para uma alcateia. O que faz diferença? Estas ovelhas possuem um pastor, que as protege, que cuida delas, que as chama pelo seu nome. Com o pastor na frente, estas ovelhas podem seguir seguras, porque “as portas do inferno” não prevalecerão contra elas.

Neste texto Deus escolhe a igreja para manifestar sua policromia, sua “multiforme cor”, e as envia a declarar o mistério de Deus aos poderosos. Deus quer que sua “policromia” se revele na história e confronte principados e potestades. A grande benção é saber da promessa que Jesus fez: “Eu edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Se olharmos para a suficiência da igreja, nos assustamos; mas se olharmos para Cristo, nos tornamos ousados. Por isto Paulo afirma que tal proclamação é feita, “segundo a força operante do seu poder” (Ef 3.7). O que poderia fazer a igreja sem este poder capacitador de Deus?

3. O propósito eterno de Deus: Jesus.Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida”. Que sabedoria é esta?

O texto está falando de Cristo. A igreja é vocacionada por Deus para proclamar a glória de Cristo, colocar Jesus, o mistério de Deus, no lugar certo, no eixo central da história. O “mistério” de Deus estava oculto em Cristo, e se revelou num tempo especifico da história, numa geografia conhecida, com uma ambientação política.
Jesus é o “alfa e o ômega”, o principio e o fim. Deus preparou o seu povo para revelar ao mundo as “insondáveis riqueza de Cristo”. A Igreja de Cristo testemunha o projeto de Deus na história, embora nem sempre seja ouvida, e muitas vezes sofre rejeição e oposição. Ainda assim, este é o papel da igreja: “proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz”, de anunciar o mistério de Deus que se revela em Cristo.

Esta mensagem causa dois impactos diretos:


A. No coração dos pagãos – Paulo afirma: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada a graça de pregar aos gentios, as insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8). Anunciar esperança a este povo que encontra-se separado de Deus, longe das alianças da promessa e que vivem sem Deus no mundo. Deus ama tanto o mundo que envia seu filho para reconciliar suas criaturas que viviam distante e indiferentes ao criador. Muitos, ao ouvir desta graça, rejeitarão; muitos, se converterão. 
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Quando o Evangelho é aceito, isto causa um impacto imensurável na vida. Uma nova cosmovisão se estabelece, a história passa a ter um eixo central que gira em torno de Cristo, o mistério de Deus, que agora se revela como aquele que se torna a hermenêutica da história, já que apenas ele pode abrir o livro da vida (Ap 5).

B. No mundo espiritual - “dos principados e potestades, nas regiões celestes” (Ef 3.10). Não é impressionante isto? Principados são poderes espirituais, governos históricos e terrenos; potestades são forças espirituais que governam este mundo tenebroso. Os poderes da história, e os poderes das trevas precisam conhecer este mistério de Deus.

Este é o plano cósmico de Deus. Cristo restaurando todas as coisas. Sua vinda fala de novas criaturas (2 Co 5.17; Ef 3.22-24), mas fala também de nova criação (Rm 8.18-22; Ap 21). Deus em Cristo restaura seu projeto original. Quando Adão pecou, toda natureza foi atingida pelo poder nefasto do pecado; quando Cristo se manifestou, toda a natureza também foi impactada pela sua graça e poder. 

Conclusão:
Este texto demonstra que duas coisas lindas acontecem no nosso coração quando consideramos tais coisas:

a)- Relacionamento de intimidade com o Pai – Por meio do Evangelho, temos ousadia e acesso com confiança à presença do Pai celestial (Ef 3.12). Não mais estrangeiros e nas trevas, mas filhos amados. Isto não é resultado de religiosidade e gestos ritualísticos, mas Deus nos convida para andarmos com ele, para construirmos relacionamentos significativos. Medo e pavor, presentes na cultura religiosa judaica, são agora substituídos por afetividade e amor, a ponto de o chamarmos “Aba, Pai!”.

b)- Encorajamento – (Ef 3.13). Paulo afirma: “Portanto não desfaleçais”. Muitas vezes nos sentimos desanimados e desencorajados, mas quando nos lembramos do seu eterno e maravilhoso propósito, do qual fomos chamados a participar, a sermos coadjuvantes, somos tomados de grande alegria, pois fazemos parte deste plano de Deus para a humanidade: revelar o mistério de Deus, Cristo, ao mundo.

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