sexta-feira, 15 de abril de 2016

2 Rs 2.19-22 Da esterilidade à vida




Este texto narra a história de Jericó, a cidade mais antiga do mundo, conhecida também pela suas belas palmeiras. Hoje é uma cidade árabe, onde existe um teleférico e se podemos apreciar à distância o Rio Jordão, marcado pela divisa com o deserto.

O texto bíblico afirma que ela tem um privilegio maravilhoso. É
geograficamente bem situada, próxima às campinas de Moabe, no entanto, sua geografia e posição estratégia perdiam valor porque suas águas eram más e a terra estéril.

Que alegoria da vida humana.

A realidade de Jericó se parece com a vida de muitas pessoas. Bem situadas, vários privilégios, família socialmente ajustada, condição de vida estável, no entanto, as suas águas são más. Hoje existe um fenômeno na classe média de São Paulo, de rapazes de família de classe média alta, que se metem em tráfico, drogas, brigas.

O problema não se encontra nas suas condições, que não são adversas, pelo contrário, frequentam boas escolas, tem oportunidade de viajarem, comprarem boas roupas, terem determinados luxos. O problema se encontra nas águas que saem delas. Suas águas são ruins, e por isto torna estéril toda terra ao seu redor. Agua sulfurosa, carregada de enxofre, parecidas com a lama da Sanmarco, poluídas de fortes metais que vai semeando a morte por onde passa.

Estas águas tem a ver com o coração, que são as fontes da vida. Ou não é exatamente isto que nos ensina a Palavra? “De todas as coisas que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem todas as fontes da vida” (Pv 4.23). Esta recomendação é importante porque Deus sabe que se as fontes do coração estiverem contaminadas, adoecidas, tudo mais o será.

Provérbios ainda nos ensina que “o coração alegre aformoseia o rosto”. Quando o coração está triste, todas as demais coisas ficam contaminadas.

Já viram adolescentes bonitos, de boas famílias, dinheiro, estilo de vida confortável, mas o coração deprimido, sem sentido, triste, sem esperança e razão para viver? As fontes estão contaminadas, as águas são más, e o que sai desta fonte é esterilidade, morte, sequidão. O texto diz: “As águas são más e a terra é estéril”. Podemos ler este texto da seguinte forma. Porque as águas são más, a terra ao redor se torna incapaz de produzir. A terra não produz porque a água insalubre, ao invés de dar vida, traz morte.

É o coração carregado de amargura e revolta, de tristezas e dores, que azedam todo o ambiente. É o marido cujo coração está adoecido que trata com grosseria e insensibilidade sua mulher e filhos, é a mulher cujas águas são más e não consegue dar vida para sua casa. É o coração carregado que azeda as vidas, e as coisas não fluem.

Muitas vezes, olhamos apenas para a terra que está estéril e sem vida, consideramos apenas os resultados das águas más, que são esterilidade e morte. Mas não paramos para considerar as fontes. A terra está ruim porque a água (fonte) é ruim. A vida está péssima, porque o coração está bagunçado. As pessoas não são apenas os resultados visíveis, as pessoas refletem o problema mais agudo do coração humano, que é o coração sem Deus.

Em psicoterapia, usa-se uma terminologia interessante para problemas que são diagnosticados, versus problemas que produzem os efeitos externos: “cortina de fumaça!”. O problema não são os comportamentos maus, mas o que está causando estas graves consequências. São as sombras do coração.

Jesus sempre colocava o problema aparente, aquilo que se observava, numa camada mais profunda, subjacente, causativa. Os fariseus viviam preocupados com os rituais externos de purificação, as lavagens de mãos, de vasos e até mesmo de cama, para suas purificações, de conformidade com a tradição. Mas Jesus afirma que “não há nada fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina” (Mc 7.15). “O que sai do homem, isto é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios” (Mc 7.20,21). O problema são as fontes.

Águas boas trazem nutrientes e fertilizam a vida.

Fico olhando o jardim de nossa casa.
Quando a seca do centro oeste vem, ela chega a durar até 4 meses. Durante este tempo, a grama vai secando, as arvores vão sofrendo, os pastos se tornam amarelos e as plantas se recusam a viver. Tudo se torna pálido e sem cor. Mas quando as saudáveis águas da chuva descem sobre a terra, elas geram vida porque trazem nutrientes importantes. Suas fontes que são as nuvens carregadas fazem a vida voltar e a terra a produzir.

Nossas fontes precisam ser restauradas.
Precisamos de tratar daquilo que está gerando morte ao nosso redor, indo ao cerne da questão.
É disto que nos fala o evangelho.

Eliseu pega um prato novo, cheio de sal, e o derrama sobre as fontes, e as águas se tornam saudáveis. Muitos tentam encontrar o significado no prato novo e no sal aqui presente no texto. Eu não me preocupo se eles possuem ou não simbolismo, porque o que vejo aqui é a manifestação do poder de Deus, quando interfere na vida.

Certa vez Jesus curou um surdo mudo, pegando saliva da sua boca e tocando-lhe na língua. Se buscarmos o significado aqui da saliva, podemos perder a lição.

Noutra, ele curou um cego, fazendo barro com sua saliva no chão, e tocando seus olhos. O ponto aqui é que Deus cura de qualquer forma, usando meios ou não. Dar poderes aos meios é perder de vista o poder daquele que se permite utilizar meios para a sua própria glória. Deus restaura com ou sem meios.

O texto nos ensina que as fontes foram restauradas, e a agua se tornou saudável. “Ficaram, pois, as águas saudáveis”.

Que maravilhosa benção é esta que Deus produz.

Pega a coisa estéril, venenosa, destrutiva, e a transforma em algo salutar e saudável. Pega o casamento sem gosto, só agua, e transforma a água em vinho. Restaura da vida de um jovem sem sonhos, dando sentido e valor à sua vida, de alguém promiscuo e entrando num processo de auto destruição e muda sua história. Opera na vida de um endemoninhado Gadareno e o transforma no primeiro missionário cristão em terras não cristãs.

Com a obra de Deus, as águas se tornam saudáveis e cheias de vida.

O texto nos ensina também que a restauração foi permanente. “Ficaram, pois, saudáveis aquelas águas”. (2 Rs 2.22). Não apenas para servir de espetáculo àqueles que presenciaram o milagre, mas para abençoar, para sempre, a vida da região. Imagine o efeito de uma fonte saudável numa terra seca como a de Jericó? Deus não restaura para um tempo determinado na história, mas para continuar abençoado a terra ao redor, para sempre. A efeito da obra de Deus em nossa vida tem impacto em gerações, filhos e netos. Por isto o texto diz que Eliseu, ao derramar o sal na água afirma que não haveria mais morte, nem esterilidade.

Conclusão:
O alvo de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, foi sempre de alcançar as fontes do ser humano.

Em Ezequiel Deus afirma: “Dar-vos-ei um novo coração. Tirarei de vós o coração de pedra e darei um coração de carne” (Ez 36.26) Deus promete chegar no centro, nas fontes da existência humana, tocar nos segredos. No coração é que estão as fontes da vida e da morte.

No Novo Testamento, Jesus fala de algo estranho e revolucionário: Novo Nascimento. 
Não se trata apenas de algumas reformas externas no visual, nem de alguns comportamentos mais civilizados que são emitidos. Deus sabe que estas coisas são insuficientes para o ser humano, e por isto propõe uma coisa radical. Veja que na raiz da palavra “regeneracao”, você vai encontrar o radical “gen”. Não é curioso pensar que na língua grega, também, a palavra regeneração, possui o mesmo radical? Tem a ver com a Genética, com o DNA do ser humano. O plano de Deus em nossa vida, é mudar nosso DNA. Ele precisa mudar as fontes.

Jesus purifica as fontes:
Motivos, desejos, aspirações, fontes.
As molas centrais da vida.

Davi ora da seguinte forma: “Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me estão ocultas” (Sl 19.12)

Você olha para sua vida, tomando decisões erradas, se prostituindo, saindo dos caminhos do Senhor, vivendo numa vida de auto destruição, infeliz e triste, as fontes estão más.

Além disto, você tem causado um efeito colateral destrutivo monstruoso: Você tem tornado estéril e sem vida, a terra, o solo, a natureza ao seu redor. Talvez você já tenha pensado em morrer, em desistir, esteja sem esperança. Mas este texto nos diz que a obra de Deus mudou as fontes de Jericó, tornando aquelas águas saudáveis, permanentemente.

Quem sabe hoje você não diga a Deus: “Senhor, restaura as nossas fontes como as torrentes do Neguev”. Ou, “Senhor, torna minhas águas saudáveis para que eu possa gerar vida ao meu redor, e não mais morte esterilidade.

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