quinta-feira, 7 de abril de 2016

2 Rs 2.9-14 Porção dobrada do Espírito

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Introdução:

Elias exerceu seu ministério profético durante nos dias de Josafá, rei de Jerusalém, Acabe e Acazias no reino do Norte. Na verdade, seu ministério esteve quase todo o tempo relacionado ao ímpio e idólatra reinado de Acabe e de sua perversa mulher Jezabel, que não era israelita, mas viera de Ecrom e adorava Baal-Zebube. Sua relação com este reinado foi sempre conflitiva e tensa.
Quando estava para ser arrebatado, os discípulos da escola de profeta de Betel e Jericó tiveram a revelação de que Elias seria tomado naquele dia. Estas escolas eram muito comuns naqueles dias, um lugar de preparação espiritual, equivalente aos atuais mosteiros, institutos bíblicos e seminários.
Neste contexto, Eliseu, seu discípulo mais chegado faz um pedido inusitado, que parece um tanto arrogante e pretencioso. “Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito” (2 Rs 2.9). Ao lermos este relato, surgem algumas questões de interpretação.
-Estaria Eliseu querendo ser maior que seu mestre?
-Não seria pretensão um pedido deste?
-Por que Eliseu pediu isto?
-Qual o significado do seu pedido?

Vivemos dias em que muitas pessoas correm atrás de poder espiritual. Já pararam para considerar quão perigoso pode ser este desejo. Como os motivos podem ser errados e danosos...
Pr. Ricardo Barbosa relata que certo homem era casado com uma mulher de sua igreja, era um empresário conhecido por sua truculência nos negócios, por humilhar as pessoas, maltratar sua esposa. Do seu jeito atabalhoado um dia foi alcançado pelo Evangelho. Daí pra frente começou a buscar a Deus em todos os lugares onde havia manifestação do poder de Deus. Um dia ele comentou com o Pr. Ricardo, da sua busca obsessiva pelo poder. Ao que este perguntou: “Para que você quer poder? Para continuar atropelando as pessoas? Para transformar Deus em seu parceiro de arrogância? Quer espiritualizar as coisas agora?”
A Bíblia relata a trajetória espiritual de um homem chamado Simão, o mágico, que fascinado pelos milagres que via pelas mãos dos apóstolos aderiu ao grupo, e chegou até mesmo a ser batizado. Entretanto, sua motivação era altamente pecaminosa. “Vendo, porem, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espirito santo, ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espirito Santo” (At 8.18-19).
Simão queria poder para manipular e controlar.
Estaria Eliseu sendo conduzido por motivos errados? Estava ele sugerindo que queria ser maior que Elias?
Duas razões nos levam a concluir que não.
Em primeiro lugar, Elias não faz menção nem estranha seu pedido, apenas afirmou: “Dura coisa pediste”. E o abençoou.
Em segundo lugar, Deus realmente lhe deu um ministério profícuo. Se seus motivos fossem ruins, Deus não o atenderia. Ou não é isto que nos ensina a Palavra: “Se no meu coração eu contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido”.

Qual era o pedido de Eliseu?
A Bíblia de Genebra tece o seguinte comentário: “Em Israel, o filho mais velho recebia uma partilha dupla da herança da família e também tinha o direito de suceder a seu pai (Dt 21.17). O desejo de Eliseu de receber porção dobrada do Espírito de Elias, foi, por conseguinte, um pedido ousado de levar adiante o ministério de Elias”. O que ele pede? Não para ser superior ou maior, mas para ser seu sucessor na dura jornada profética que Elias exercera. Por isto Elias lhe respondeu: “Dura coisa pediste!”
A Bíblia Shedd faz comentário similar:
“Não quer dizer que Eliseu pretendia ter duas vezes o poder de Elias, mas sim, estava querendo ser herdeiro da missão profética de Elias, e por isto, a porção dupla era a herança do primogênito, comparada a dos demais filhos. O primogênito era o herdeiro patronal, herdava a riqueza, o nome, e representava a família.
Donald J. Wiseman afirma: “O filho primogênito tinha a responsabilidade de perpetuar o nome e o trabalho do pai”. Porção dobrada, não era, portanto, mais poder para realizar milagres, antes mais responsabilidade como novo líder. Não era o dobro do poder espiritual de Elias, e nem Elias jogou seu espirito sobre Eliseu. Tanto é assim que ele não prometeu coisa alguma a Eliseu, apenas afirmou que se ele o visse subindo, receberia tal comissionamento, o que realmente aconteceu.
Ninguém pode receber unção dobrada, porque o Espirito de Deus não pode ser medido, e nem é dado por medida (Jo 3.34). Seria pretensão descabida de Elizeu ou até falta de humildade se ele fizesse tal pedido.
No entanto, a vida de Eliseu nos ensina que, aqueles que quiserem desempenhar bem o ministério que Deus lhes dá, precisam ter algumas coisas em mente:

Primeiro, é necessário ficar um pouco mais perto
Eliseu não se distancia de Elias. A única promessa que Elias lhe faz é a seguinte: “Se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não me vires, não se fará”. (2 Rs 2.9). Quando Elias sugere: “Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Betel, respondeu Eliseu: tão certo como vive o Senhor e vive a tua alma, não te deixarei. E assim, desceram a Betel” (2 Rs 2.2). Novamente Elias insiste para que ele não o acompanhe, mas Eliseu não se afasta (2 Rs 2.4).
Muitos querem assumir liderança na igreja, colocar seus serviços a favor do reino, mas ficam sempre distantes, nunca se envolvem e nem se aproximam. Muitos querem a benção mas se afastam do lugar onde a benção de Deus flui.
Eventualmente em igrejas grandes é fácil nos escondermos e nunca servimos a comunidade. Não trazemos nosso tempo, não servimos com os talentos ou recursos. Muitos reclamam que nunca são convidados para ajudar nas atividades e serviços da igreja, mas em geral, também nunca estão disponíveis. Muitos reclamam da falta de conforto ou das estruturas da igreja sem nunca se comprometer com seu dinheiro para a melhoria do templo e das salas.
Se você quiser servir, crescer na fé e no compromisso, é necessário estar mais perto.
A Bíblia fala que uma das causas da queda de Pedro se deu por tentar seguir Jesus de longe. Ao mesmo tempo afirma que “O jovem Josué nunca se apartava da tenda” (Ex 33.11). Este Josué se tornaria o futuro líder do povo de Israel, mas isto não aconteceu aleatoriamente. Ele sempre estava lá, servindo, cooperando, envolvendo-se no ministério, e quando chegou a hora de alguém assumir o lugar de Moisés, seu nome foi naturalmente indicado.
John Maxwell fala no seu livro O Líder 360o graus, que muitas pessoas pensam que só poderão assumir funções quando já forem líderes, quando na verdade,  devem estar preparados, porque quando as oportunidades surgirem, já devem ter deixado sua marca na organização e na obra que fazem.

Segundo, você tem que ir um pouco mais longe
Eliseu caminha com Elias, onde quer que este se dirigia. Ele segue para Betel, Eliseu vai com ele; ele se dirige a Jericó, Eliseu o segue; dali para a travessia do Jordão, Eliseu anda junto e vai onde for necessário. Por que os demais discípulos não fizeram o mesmo trajeto, porque não os acompanharam?
A verdade é que você não pode parar nem em Betel, nem Jericó, nem o Jordão. Caminhe o quanto for necessário. Se preciso, invista tempo e recurso.
Muitos se contentam em caminhar um pouco.
Os discípulos dos profetas sabiam até os detalhes de como seria o arrebatamento de Elias: “Sabes que o Senhor, hoje, tomará o teu Senhor, elevando-o sobre a tua cabeça?” (2 Rs 2.3). Se sabiam tanto, por que não foram juntos? A resposta clara é a falta de interesse.
O comodismo, a lei do menor esforço, a mediocridade, nos impedem de irmos adiante.
Gosto de relatar a história da mãe de um garoto que padecia uma grave enfermidade e procurou um bombeiro pedindo-lhe que fosse visitar o garoto no hospital. O bombeiro prometeu que iria, e no dia marcado, chegou com um forte aparato no carro de bombeiro, acionou a escada magirus e entrou pela janela do quarto do hospital para visitar aquela criança. Levou-lhe uma roupa de bombeiro mirim e condecorou a criança.
Esta é uma boa ilustração de excelência.
Gente que vai adiante. Não se contenta com o que existe, quer melhorar. Não faz apenas o que lhe pedem, antecipa-se. Em geral, quem tem a visão, tem o dom. Esta capacidade de servir, de melhorar, de influenciar.
Se quisermos uma vida plena de sentido e ministério, precisamos caminhar um pouco mais longe, andar a segunda milha, sair do circulo do anonimato, descompromisso, displicência ou preguiça.

Terceiro, você tem que querer um pouco mais
É isto que percebemos em Eliseu. Ele quer continuar o ministério, quer honrar Elias, quer exercer o ministério e por isto se entrega com disposição.
Liderança na igreja é sempre um desafio. Muitas igrejas reclamam do fato de não terem pessoas disponíveis para a obra. Um texto que me desafia é 1 Tm 3.1: “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja”. O problema dos membros da igreja não é desejar uma função, ou aspirar algo na comunidade, antes é a falta e interesse, de não querer nada. Se você deseja crescer na graça e servir o reino de Deus, é necessário ir um pouco mais. Comprometer-se um pouco mais.
Já ouviram aquela velha alegoria: “A galinha colabora com o café da manhã, o porco se compromete”. Na igreja existem muitos que colaboram (alguns nem isto), mas poucos são os que estão comprometidos. Essa é a diferença entre o envolvimento, superficial, aparente e o comprometimento, real e profundo.
Quando é lançado um desafio em uma organização, surge uma diversidade de pessoas dispostas a colaborar para o sucesso da empreitada. Cada uma com ua forma e estilo. Aparecem aqueles muito envolvidos e outros, nem tanto. Mas também existem os comprometidos com os resultados, os que lutam, dão seu máximo, buscam corresponder com as expectativas e cooperar.

Conclusão
Eliseu se disponibiliza. Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito”.
Não queria ser maior, queria apenas continuar o grande desafio da obra profética tão necessária em Israel. Não queria superioridade, mas realizar a função de ser a voz de Deus para aquela geração tão distanciada de Deus, a fim de trazer a nação de Israel novamente para a Lei de Deus.
Ele não queria o dobro de Elias.
Mas queria se comprometer como Elias o fizera.
Não queria ser superior, queria ser servo.

  


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