sábado, 2 de abril de 2016

Ef 1.3-14 Bencaos que motivam nosso louvor - II. Predestinação

Introdução:

Poucos temas geram tanta polêmica em teologia quanto predestinação. Ouvi certo pastor, com longos anos de ministério afirmando que não pregava predestinação porque o tema gerava mais confusão que benção.

Certamente este é um grande equívoco.
Paulo afirma que nunca deixou de anunciar "todo o desígnio de Deus". Deixar de expor um tema bíblico porque ele é polêmico é um motivo muito fraco. Além do mais, não devemos nos sentir confuso em falar daquilo que Deus não teve crise em anunciar. Afinal, como bem afirmou Os Guiness: "Toda verdade é verdade de Deus".

Se o termo adoção gera calafrio, a palavra “predestinação” parece um palavrão em algumas igrejas. Muitas pessoas me pedem que eu explique a predestinação, e eu digo que não é possível fazer isto, eu apenas a exponho. Abro a Bíblia e mostro o que ela diz.

Muitos me dizem: “eu não creio em predestinação”, e ai eu digo: Bem, isto não é problema meu, você pode resolver isto com Deus. Vá brigar com ele. Como sempre afirmo, eu trabalho no ministério de comunicação, que fica no primeiro andar. O meu chamado como pregador é ensinar o que a Bíblia ensina. O departamento de reclamação é no segundo andar, e o de justiça, no terceiro. Pode subir e reclamar diretamente com o chefe.

A palavra "predestinar", significa destinar com antecipação, sugerindo uma espécie de seleção. A forma como está dividido o vs. 4 do vs. 5, altera substancialmente o sentido. Devemos ler esta sentença de uma vez só, e não separadamente. "Em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos” (Ef 1.4,5). Gesto este profundamente carregado de sentido divino.
Predestinação aparece aqui em dois versículos: 5 e 11, e vem do grego: prorisas, significa, “assinalar de antemão”. A predestinação é um ato soberano de Deus realizado na eternidade. Ele foi feito antes da fundação do mundo. Deus predestinou os seus eleitos, para serem adotados como filhos.

A Confissão de Fé de Westminter, que é um dos símbolos de fé das Igrejas Reformadas, ao falar “Dos eternos decretos de Deus” (Cap. III, pg. 7) afirma: “Nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura ou contingência das cousas secundárias, antes estabelecidas”.

Este texto nos aponta para quatro realidades conectadas à predestinação:

a)- Predestinação é uma benção – Não é isto que lemos no vs. 3? Ela está incluída no rol das bençãos espirituais que Deus nos concede. A igreja Primitiva celebrava esta grande verdade na sua liturgia.

b)- Predestinação é ato de amor de Deus. Os vs 4,5 afirmam: “Em amor nos predestinou para ele”. Não é determinismo cego ou absolutismo, nem maktub ou fatalismo, nem destino cego. O que está relacionado à predestinação é a vontade amorosa de Deus. Ele predestinou o seu povo, segundo o beneplácito da sua vontade, isto é, fez isto por livre vontade. O seu amor foi o fator motivador da predestinação.

c)- Predestinação objetiva algo grandioso- vs. 5 “para adoção de filhos”. Deus, ao nos predestinar, tinha como motivação o seu amor, e como objetivo a adoção. Ele nos deu status de filho. É pela predestinação que fomos adotados por ele.

d)- Predestinação tem como finalidade o louvor da sua glória. Seu propósito é que o exaltemos por todas estas bençãos que ele nos tem dado. Através do nossos louvores nós o exaltamos. Fomos chamados para louvor da glória de sua graça (Ef 1.12). Povo eleito para "proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz" (2 Pe 2.11).


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